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Matar o Homem Branco

por jpt, em 23.11.20

"Temos de matar o homem branco, assassino, colonial e racista" — Mamadou Ba (SOS Racismo)

Simpatizo com o dr. Ba. Na sua linha de acção política não gosto da demagoga e egocêntrica deputada Moreira e ainda menos dos "white (old) boys" histriónico-demagogos que folclorizam (e racializam) tudo isto, em particular os de coração socratista (delenda est carthago, nunca esquecer isso), obviamente com olhos sôfregos nos desejados subsídios para os "desfavorecidos" que eles partilharão, na condição de "compagnons de route", aka "intelectuais orgânicos". Mas simpatizo com o dr. Ba. Chamai-lhe "macholice" minha mas aprecio um tipo que vem de fora, negro ainda para mais, e assume posições públicas difíceis. Dele discordo, imenso - o que o homem acaba de dizer do Mithá Ribeiro é uma verdadeira vergonha -, mas tiro-lhe o chapéu ao vê-lo sozinho a andar na rua, sem tergiversar, ainda que rodeado de alguns holigões fascistóides aos gritos provocatórios. Entenda-se bem, esses gajos costumam ser perigosos ... 

Dito isto, vejo partilhada na imprensa e nas redes sociais (e também aqui), em regime de invectivas, esta sessão académica do dr. Ba, um convívio via zoom. Na qual ele repega Fanon e considera que "é preciso matar o homem branco". Erguem-se as vozes contra este "evidente" discurso de ódio. Acontece que o homem não está a apelar à constituição de milícias "negras" dedicadas a matar-me, ou a outros tipos com a minha indigna cor de pele. Está a citar, glosar, está a aludir à sua vontade de destruir um narrativa histórica. Eu discordo dele, mesmo, e até sorrio diante do monumento ao anacronismo. Mas este homem não me quer dar um tiro, quer sim devastar a minha compreensão do mundo, e minar-me(nos) o proselitismo. O que é uma coisa completamente diferente.

Mas o problema fundamental é encontrar alguém que o conheça e que ele ouça, acate. E que lhe explique que, com zoom ou sem zoom, ele não está num campus pois optou pela praça pública. E qu'isto não é uma faculdade (por mais que os burguesotes "radicais de campus" comunitaristas o sonhem). Ou seja, que ele pode usar o Fanon, ou outros quaisquer, pode citá-lo(s), pode glosá-lo(s). Mas depois tem que explicar tintin por tintin o que quer dizer - ele fá-lo um pouco mas não o suficiente. Para aqueles que não estão no campus ...

Porque assim, com esta candura, isto ainda descamba. A não ser que seja esse o objectivo, uma martirofilia. Mas não creio, é mesmo só ...

"Arejar um pouco a malquerença"

por Pedro Correia, em 26.10.20

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Num dos seus romances, Os Duros não Dançam, Norman Mailer descreve uma cena que faz lembrar toda a série de pequenas querelas políticas desenrolada a propósito do orçamento do Estado para 2021. O romance situa-se numa zona dos EUA que Mailer conhecia muito bem: a faixa litoral do Massachusetts, onde se concentra a maior comunidade luso-descendente da América do Norte, que na sua maioria se dedicava à pesca.

Segue a transcrição da saborosa cena (tradução de Eduardo Saló):

 

250x.jpg«Numa tarde invernal em que o Bergantim se apresentava invulgarmente pouco frequentado, sentava-se ao balcão um pescador português de uns 80 anos. Setenta de trabalho tinham-no deixado tão retorcido e deformado com um cipreste enraizado num penhasco de uma  costa batida pelo vento. Pouco depois, entrou outro pescador, tão artrítico como o primeiro. Em garotos, haviam brincado  juntos, praticado o râguebi, frequentado o liceu, trabalhado em barcos de pesca, tinham-se embebedado e provavelmente ornamentado as frontes um ao outro com as respectivas mulheres e agora, aos 80 anos, quase não conviviam, excepto nas trocas de socos a que se entregavam em particular. Apesar disso, o primeiro pescador deslizou do banco, empertigou-se e, aos uivos, numa voz tão áspera como o vento de Março no alto mar, disse: "Julgava que tinhas morrido." O outro inclinou-se para a frente, dirigiu-lhe um olhar furibundo e, com uma laringe de sons tão agrestes como os das gaivotas, replicou: "Morrido? Antes disso, hei-de ir ao teu funeral." E tomaram uma cerveja juntos. Tratava-se apenas de um exercício para arejar um pouco a malquerença. Os portugueses sabem falar aos ladridos.»

 

Pouco ou nada lisonjeiro, este retrato dos nossos compatriotas da costa leste dos EUA esboçado por Mailer, que aliás também sabia “falar aos ladridos”. Mas há muito de fidedigno na relação amor-ódio entre portugueses simbolizada nesta cena quase anedótica. Isso nota-se também, a um ritmo diário, na nossa vida política. Até que ponto as batalhas verbais em torno do orçamento não servem também apenas para “arejar um pouco a malquerença”, antes de tudo ficar como estava?

Os duros não dançam. Os moles não fazem outra coisa.

They Live

por João Sousa, em 18.10.20

Portugal 2020

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Fotograma de They Live (1988)

A violência católica

por jpt, em 11.10.20

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(São Tiago, o Matamouros, por José María Casado del Alisal )

Li há dias que um funcionário farmacêutico lisboeta, por ter defendido uma colega - acto que denota sentir cavalheiresco a indiciar algum machismo -, foi severamente espancado no seu local de trabalho por dezenas de membros de uma família - as parcas notícias do facto são díspares quanto ao número dos agressores, variando entre 20 e 50 ...

A imprensa pouco mais adianta, nem sobre os detalhes do acontecido nem sobre as investigações subsequentes. Não há qualquer proclamação das autoridades policiais ou dos orgãos camarários. Há silêncio governamental e até presidencial - e é particularmente surpreendente que o Presidente Sousa, que elabora sobre quase tudo, agora elida o assunto. Mais extraordinário, nada se ouve de sindicato, ordem, associação ou outro qualquer órgão da classe dos farmacêuticos. E as redes sociais não fervilham em ecos indignados. Não grassa a ira popular nem a preocupação oficial diante disto de um trabalhador ser espancado no seu local de trabalho, ainda por cima por motivos tão espúrios, pois, ao que consta, tudo foi originado por um pequeno incidente de trânsito no qual o agredido nem esteve envolvido.

Julgo que este silêncio social tem uma evidente causa: o receio, de respeito disfarçado, diante da Igreja Católica. Pois afrontar estes radicais católicos, tantos deles congregados na poderosa Associação das Famílias Numerosas, é ainda um risco. Pelos vistos, andam agora a espancar o cidadão comum. Tal como há séculos atrás fizeram ...

Adenda: sobre o nome próprio do santo representado no quadro que encima o postal surgiram comentários discordantes. Correndo o risco de acicatar a fúria das temidas Famílias Numerosas, não modificarei a versão que apresentei do nome do Santo Genocida (que é assim que deverá ser conhecido no pensamento actual).

Mais vinte motivos para amar Portugal (XX)

por Pedro Correia, em 17.09.20

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Horta

Mais vinte motivos para amar Portugal (XIX)

por Pedro Correia, em 16.09.20

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Piódão

Mais vinte motivos para amar Portugal (XVIII)

por Pedro Correia, em 15.09.20

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Câmara de Lobos

Mais vinte motivos para amar Portugal (XVII)

por Pedro Correia, em 14.09.20

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Vila do Conde

Mais vinte motivos para amar Portugal (XVI)

por Pedro Correia, em 13.09.20

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Monsanto

Mais vinte motivos para amar Portugal (XV)

por Pedro Correia, em 12.09.20

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Funchal

Mais vinte motivos para amar Portugal (XIV)

por Pedro Correia, em 11.09.20

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Alcoutim

Mais vinte motivos para amar Portugal (XIII)

por Pedro Correia, em 10.09.20

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Alcácer do Sal

Mais vinte motivos para amar Portugal (XII)

por Pedro Correia, em 09.09.20

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Angra do Heroísmo

Mais vinte motivos para amar Portugal (XI)

por Pedro Correia, em 08.09.20

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Arcos de Valdevez

Mais vinte motivos para amar Portugal (X)

por Pedro Correia, em 07.09.20

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Cascais

Mais vinte motivos para amar Portugal (IX)

por Pedro Correia, em 06.09.20

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Penacova

Muros que unem

por Paulo Sousa, em 05.09.20

Há um concurso televisivo em curso que se correr bem será uma excelente promoção para o meu concelho e para o maravilhoso e pouco conhecido Parque Natural da Serra d'Aire e Candeeiros. Não que eu o queira ver atulhado de gente, mas não consigo ficar indiferente à sua paisagem entrecortada pelos muros, erguidos geração após geração, numa relação milenar de equilíbrio entre o homem e o ambiente.
Há um número de valor acrescentado para apoiar esta candidatura. Quem gostar desta foto e/ou do Parque e dos seus muros, sabe bem o que pode fazer.

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Aquela concavidade na foto é a Fórnea de Alvados, também conhecida por Cova da Velha e tem um diâmetro de mais de 600 metros.

É, sem dúvida, mais um motivo para amar Portugal.

 

Mais vinte motivos para amar Portugal (VIII)

por Pedro Correia, em 05.09.20

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Belmonte

Mais vinte motivos para amar Portugal (VII)

por Pedro Correia, em 04.09.20

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Palmela

Mais vinte motivos para amar Portugal (VI)

por Pedro Correia, em 03.09.20

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Cinfães


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