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D. Afonso Henriques: só ele e mais dois monarcas portugueses ultrapassaram os 70 anos de idade
Fiz há dias uma investigação sumária, por mera curiosidade, sobre os 34 monarcas que reinaram durante quase nove séculos em Portugal e cheguei a uma conclusão inesperada: só oito morreram mais velhos do que a minha actual idade.
A morte prematura foi uma constante no trono português, em qualquer das dinastias. E a esperança média de vida, em vez de aumentar, foi diminuindo. Basta anotar que o nosso primeiro Rei, D. Afonso Henriques, foi também um dos que viveram mais tempo - faleceu em 1185, aos 76 anos. Enquanto o último, D. Manuel II, morreu com apenas 42, em 1932.
Destas cabeças coroadas, apenas uma chegou a octogenária: D. Maria I, falecida aos 81 anos. De pouco lhe valeu a longevidade física: passou o último quarto de século de vida como doente mental.
Septuagenários, apenas três. Além do fundador do Reino de Portugal, já mencionado, D. João I chegou aos 76 anos e Filipe I (luso-espanhol e o primeiro de três que durante seis décadas ocuparam simultaneamente os tronos em Madrid e Lisboa) morreu aos 71. Ninguém mais.
Ser monarca, na História de Portugal, parece ter implicado quase sempre falta de saúde. Até reis sexagenários, tivemos poucos. Eis o registo, por ordem cronológica: D. Afonso III (falecido aos 68 anos), D. Afonso IV (66), D. Henrique (68), Filipe III (60), D. João V (60), D. José (62) e D. Miguel (64).
Os nove monarcas da Dinastia Afonsina, entre 1143 e 1383, viveram em média 54 anos. A Dinastia de Avis, entre 1385 e 1580, teve oito reis, com 51 anos como idade média. Seguiu-se o domínio filipino, de 1580 a 1640: três cabeças coroadas, 58 anos anos de longevidade média. Superior à da Dinastia de Bragança, que se estendeu de 1640 a 1910: 14 monarcas, sem ultrapassar os 50 anos como idade média.
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Não faltaram óbitos abaixo dos quarenta. Segue a lista, pela mesma ordem a contar do início: D. Afonso II (37 anos), D. Sancho II (38), D. Fernando I (37), D. Sebastião (24), D. Pedro IV (35), D. Maria II (34) e D. Pedro V (24).
Por causas muito variadas: D. Afonso II morreu com lepra, D. Duarte (46 anos) e D. Manuel I (52 anos) com peste. D. Afonso VI (40 anos) e D. Pedro IV foram vitimados pela tuberculose. D. João III (55 anos) e D. José sucumbiram a tromboses. D. Maria II (retratada na imagem ao lado) morreu de parto e seu primogénito, o malogrado D. Pedro V, enlutou os súbditos ao desaparecer muito jovem, com febre tifóide. Tinha a mesma idade do infeliz D. Sebastião, um dos dois reis portugueses que sofreram morte violenta, tendo perecido na batalha de Álcacer-Quibir (1578). Já no século XX (1908), D. Carlos foi assassinado no Terreiro do Paço. Tinha 44 anos.
Há fortes suspeitas de que pelo menos três acabaram envenenados: D. Fernando I em 1383, D. João II em 1495 (40 anos) e D. João VI em 1826 (58 anos).
Vidas breves, em grande parte. Vidas trágicas, em vários casos. Quase todas davam séries ou filmes de pendor dramático.
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D. Manuel II, último Rei português, faleceu em 1932 com apenas 42 anos