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A importância dos pequenos partidos.

por Catarina Duarte, em 09.12.19

Julgo que falo por todos, quando digo que estamos cansados do mesmo poder político de sempre, aquele que gira sempre entre as mesmas duas grandes forças, que faz deambular sempre os mesmos rabos que circulam sempre entre as mesmas cadeiras, sempre vestidos nos mesmos fatos cinzentos, sempre o mesmo cinzento, sempre os mesmos.

Parece-me que posso arriscar mais um pouco e dizer que estamos todos fartos das mesmas políticas e politiquices, dos cargos que se criam para dar lugar a mais um tio, das inaugurações que se fazem quando a obra ainda não começou e dos impostos que se baixam para aumentar outros, aqueles mais escondidos, aqueles que nos criam a ilusão de estarmos com mais dinheiro no bolso quando, na verdade, estamos apenas perante uma das maiores cargas fiscais de sempre.

Ora ligeiramente mais para a direita, ora mais a cair para a esquerda, a verdade é que está tudo minado de jogos e jogatanas feitos por quem está dentro do circuito há muitos, muitos anos, e tem a habilidade de tornar sempre tudo meio transparente aos olhos daqueles que pagam e não piam e que, em óptimo rigor, somos todos nós.

Ainda muito antes de ler este texto, cuja leitura recomendo, já era da opinião que hoje partilho: é muito bom haver outros partidos com assento parlamentar. À esquerda, à direita, ao centro, não interessa onde. Quanto mais diversificada for a bancada, melhor: mais conversa e mais debate. O que interessa é que estes partidos vêm mexer no sistema, agitar as águas, levantar as lebres e, talvez mais importante, enervar os mesmos de sempre, os que estão completamente acomodados ao cargo, com a cadeira já completamente moldada ao formato do rabo que nela se senta.

Vêm, finalmente, fazer uma oposição diferente, que toca na ferida e que deixa, os partidos de poder, desconfortáveis. Sempre soube qual era a razão pela qual as contribuições sociais pagas pela empresa não aparecem nos recibos de vencimento mas agora está lá alguém a perguntar, a questionar e a deixar todos meio incomodados com uma pergunta tão simples. Porque, na verdade, não há uma boa razão para não constar esta informação nos recibos.

Ideologias à parte, devíamos ser todos pelo dever da informação e da transparência e isto que a Iniciativa Liberal propõe, não é mais do que deixar preto no branco uma parte do que as empresas pagam por terem trabalhadores (porque faltam outras).

Podemos até não ter votado Iniciativa Liberal, Chega ou Livre mas não podemos acreditar que, com a entrada deles, vai ficar tudo na mesma. Porque não vai. E ainda bem.

A minha (pouco profética) leitura da situação

por João André, em 03.07.13

Vítor Gaspar recebeu há algum tempo uma belíssima oferta para algum lugar de administrador no BCE. Comunicou isso aos chefes (a troika, para não haver dúvidas) e eles disseram-lhe que tinha que se manter até agora. Se o PM e o PR o sabiam ou não é indiferente, é tão má uma situação como a outra.

 

Depois da sua saída, Portas viu a possibilidade de ganhar peso no Governo. Passos Coelho, que tem favores a pagar (gostava de saber a nota na cadeira de Albuquerque), escolheu outra pessoa. Portas viu aqui a possibilidade de fazer cair o governo sem ficar mal na fotografia (o CDS/PP não abandonou o governo, note-se) e saltou fora para começar o processo de desvinculação e de limpeza de imagem.

 

Passos Coelho, cujas únicas qualidades políticas são a paciência e a vontade de ir à luta, foi aconselhado a não morder o isco. Primeiro recebeu a garantia de Cavaco que de Belém não haveria chatices (é época de ameixa e cereja, o Sr. Silva está ocupado), depois recusou-se a aceitar a demissão e fez uma queixinha ao país. o mais notável, para mim, da comunicação foi o ênfase dado a «Presidente do CDS/PP», como que a nomear o partido responsável pela crise. Agora, aquilo que Passos Coelho está a fazer, provavelmente com a ideia dada por Cavaco Silva, é esperar que os partidos da esquerda lancem uma moção de censura, o CDS/PP vote a favor (ou dê liberdade de voto), o governo caia, e os eleitores penalizem os responsáveis pela brutal subida das taxas de juro e agravamento da crise para eleger o PSD com maioria absoluta.

 

Como o Luís e o Rui já explicaram perfeitamente, estamos entregues a políticos que não querem saber dos seus cidadãos. Cada acção é vista como a nova jogada política para aumentar a sua influência. Isto vale para o governo e para a oposição. Este Presidente da República é pouco mais que um espantalho e o PM sabe que nunca mais terá outro cargo político. Numa política de terra queimada deste tipo (ou de "après moi, le déluge") a coisa não vai acabar nada bem.

 

Metamorphosis of Narcissus


A frase de Almada Negreiros (in Ultimatum Futurista às gerações portuguesas do séc. XX) é um bom ponto de partida.

(Sei lá porquê... ou talvez não... deu-me para republicar isto).

Há uma estranha disfunção entre os portugueses, naquilo que toca à sua auto-imagem.
Quando se trata de medir as suas próprias capacidades individuais - e se lhes pediria portanto que fossem redobradamente objectivos, justos e razoáveis -, cada um é o maior.
A avaliar pelas críticas fáceis e demolidoras com que invariavelmente brindam o seu próximo (sobretudo se este estiver na berlinda, e  especialmente na berlinda política), o auto-conceito de cada português é benemérito e generoso, pois nunca há desempenho alheio que o satisfaça.

Contudo, quando a avaliação incide sobre as capacidades colectivas, enquanto povo, o português é surpreendentemente exigente e do mais masoquista e auto-destruidor que pode imaginar-se.
Não há alma colectiva, não há orgulho. Não há força, nem fé, nem uma arriba! que nos sustente o salto.


Portanto, quanto à capacidade de auto-crítica (: as qualidades), estamos falados.

O erro de perspectiva é revelador.

Quando esta relação de forças se inverter talvez nós, portugueses, cheguemos a algum lado.

Ficaremos então auto-exigentes. E compreenderemos (só assim é possível) as limitações do próximo.

Claro, o que chateia nesta distorção toda, para além do ridículo, é que até lá é Portugal quem paga, e todos nós atrás.

 

Todos diferentes, todos iguais

por Teresa Ribeiro, em 26.11.09

Quando a idoneidade das instituições anda a ser posta em causa e se fala todos os dias na decadência do regime, a iniciativa de Jaime Gama em início de legislatura pareceu-me de evidente interesse táctico.

Mas os senhores que tanto têm debatido sobre a necessidade de enfrentar os interesses corporativos para que o país se torne governável, quando se sentem beliscados são os primeiros a reagir contra a mudança. Na hora da verdade as "forças de bloqueio" equivalem-se.


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