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Delito de Opinião

Leituras

Paulo Sousa, 12.05.21

AS CRIANÇAS

E uma mulher que trazia um menino ao colo disse:
- Fala-nos das Crianças.

E ele respondeu:
- Os vossos filhos não são vossos filhos,
são filhos e filhas da própria Vida.

Vêm por vosso meio, mas não de vós;
e apesar de estarem convosco, não vos pertencem.
Podeis dar-lhes o vosso amor; mas não os vossos pensamentos
porque eles têm os seus.

Podeis acolher os seus corpos
mas não as suas almas:
porque as suas almas habitam a casa do futuro
que vós não podeis visitar nem em sonhos. 

Deveis esforçar-vos por ser como eles,
mas não tenteis que sejam como vós.
Pois a vida não anda para trás,
nem se detêm no passado.

Sois os arcos e os vossos filhos
as setas vivas projectadas.

O Arqueiro vê o alvo no caminho infinito
e retém-vos com o seu poder
para que as setas possam voar depressa para longe

Que a vossa tensão na mão do Arqueiro,
seja a da Alegria.

Porque assim como Ele gosta da seta que voa,
também gosta do arco que fica.

 

Khalil Gibran

Adeus, 2020

Pedro Correia, 01.01.21

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PASSAGEM DO ANO

 

O último dia do ano
não é o último dia do tempo.
Outros dias virão
e novas coxas e ventres te comunicarão o calor da vida.
Beijarás bocas, rasgarás papéis,
farás viagens e tantas celebrações
de aniversário, formatura, promoção, glória, doce morte com sinfonia e coral,
que o tempo ficará repleto e não ouvirás o clamor,
os irreparáveis uivos
do lobo, na solidão.

 

O último dia do tempo
não é o último dia de tudo.
Fica sempre uma franja de vida
onde se sentam dois homens.
Um homem e seu contrário,
uma mulher e seu pé,
um corpo e sua memória,
um olho e seu brilho,
uma voz e seu eco,
e quem sabe até se Deus…

 

Recebe com simplicidade este presente do acaso.
Mereceste viver mais um ano.
Desejarias viver sempre e esgotar a borra dos séculos.
Teu pai morreu, teu avô também.
Em ti mesmo muita coisa já expirou, outras espreitam a morte,
mas estás vivo. Ainda uma vez estás vivo,
e de copo na mão
esperas amanhecer.

 

O recurso de se embriagar.
O recurso da dança e do grito,
o recurso da bola colorida,
o recurso de Kant e da poesia,
todos eles… e nenhum resolve.

 

Surge a manhã de um novo ano.

 

As coisas estão limpas, ordenadas.
O corpo gasto renova-se em espuma.
Todos os sentidos alerta funcionam.
A boca está comendo vida.
A boca está entupida de vida.
A vida escorre da boca,
lambuza as mãos, a calçada.
A vida é gorda, oleosa, mortal, sub-reptícia.

 

Carlos Drummond de Andrade

Para o José N.

Pedro Correia, 08.01.20

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Solo la Muerte

 

Hay cementerios solos,
tumbas llenas de huesos sin sonido,
el corazón pasando un túnel
oscuro, oscuro, oscuro,
como un naufragio hacia adentro nos morimos,
como ahogarnos en el corazón,
como irnos cayendo desde la piel al alma.

 

Hay cadáveres,
hay pies de pegajosa losa fría,
hay la muerte en los huesos,
como un sonido puro,
como un ladrido sin perro,
saliendo de ciertas campanas, de ciertas tumbas,
creciendo en la humedad como el llanto o la lluvia.

 

Yo veo, solo, a veces,
ataúdes a vela
zarpar con difuntos pálidos, con mujeres de trenzas muertas,
con panaderos blancos como ángeles,
con niñas pensativas casadas con notarios,
ataúdes subiendo el río vertical de los muertos,
el río morado,
hacia arriba, con las velas hinchadas por el sonido
de la muerte,
hinchadas por el sonido silencioso de la muerte.

 

A lo sonoro llega la muerte
como un zapato sin pie, como un traje sin hombre,
llega a golpear con un anillo sin piedras y sin dedo,
llega a gritar sin boca, sin lengua,
sin garganta.
Sin embargo sus pasos suenan
y su vestido suena, callado como un árbol.

 

Yo no sé, yo conozco poco, yo apenas veo,
pero creo que su canto tiene color de violetas húmedas,
de violetas acostumbradas a la tierra,
porque la cara de la muerte es verde,
y la mirada de la muerte es verde,
con la aguda humedad de una hoja de violeta
y su grave color de invierno exasperado.

 

Pero la muerte va también por el mundo vestida de escoba,
lame el suelo buscando difuntos,
la muerte está en la escoba,
es la lengua de la muerte buscando muertos,
es la aguja de la muerte buscando hilo.

 

La muerte está en los catres:
en los colchones lentos, en las frazadas negras
vive tendida, y de repente sopla:
sopla un sonido oscuro que hincha sábanas,
y hay camas navegando a un puerto
en donde está esperando, vestida de almirante.

 

Pablo Neruda, Residencia en la Tierra (1933)

No centenário de Sophia

Pedro Correia, 08.11.19

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(Novembro de 1919 - Julho de 2004)

 

ESTA GENTE

 

Esta gente cujo rosto
Às vezes luminoso
E outras vezes tosco

 

Ora me lembra escravos
Ora me lembra reis

 

Faz renascer meu gosto
De luta e de combate
Contra o abutre e a cobra
O porco e o milhafre

 

Pois a gente que tem
O rosto desenhado
Por paciência e fome
É a gente em quem
Um país ocupado
Escreve o seu nome

 

E em frente desta gente
Ignorada e pisada
Como a pedra do chão
E mais do que a pedra
Humilhada e calcada

 

Meu canto se renova
E recomeço a busca
De um país liberto
De uma vida limpa
E de um tempo justo

 

Sophia de Mello Breyner Andresen (Geografia, 1967)

No centenário de Sena

Pedro Correia, 07.11.19

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(Novembro de 1919 - Junho de 1978)

 

DESTA VERGONHA DE EXISTIR OUVINDO

 

Desta vergonha de existir ouvindo,

amordaçado, as vãs palavras belas,

por repetidas quanto mais traindo

tornadas vácuas da beleza delas;

 

desta vergonha de viver mentindo

só porque escuto o que dizeis com elas;

desta vergonha de assistir medindo

por elas as injúrias por trás delas

 

ao mesmo sangue com que foram feitas,

ao suor e ao sémen por que são eleitas

e à simples morte de chegar-se ao fim;

 

desta vergonha inominável grito

a própria vida com que às coisas fito:

Calai-vos, ímpios, que jurais por mim!

 

Jorge de Sena (As Evidências, 1955)

Para o Sérgio

Pedro Correia, 06.11.19

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PARA SEMPRE

 

Por que Deus permite

que as mães vão-se embora?

Mãe não tem limite,

é tempo sem hora,

luz que não apaga

quando sopra o vento

e chuva desaba,

veludo escondido

na pele enrugada,

água pura, ar puro,

puro pensamento.

Morrer acontece

com o que é breve e passa

sem deixar vestígio.

Mãe, na sua graça,

é eternidade.

Por que Deus se lembra

— mistério profundo

de tirá-la um dia?

Fosse eu Rei do Mundo,

baixava uma lei:

Mãe não morre nunca,

mãe ficará sempre

junto de seu filho

e ele, velho embora,

será pequenino

feito grão de milho.

 

 

Carlos Drummond de Andrade, Lição de Coisas

Poetisa, pitonisa

Pedro Correia, 20.03.19

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Eis-me em Lagos. E a caminho da Meia Praia, num final de Inverno que mais parece início de Verão, deparo com esta placa. Homenageando justamente uma das maiores escritoras portuguesas de todos os tempos. E também justamente aqui, pois Sophia está profundamente ligada a Lagos, onde compôs alguns dos seus mais belos poemas.

Gosto desta homenagem. E gosto também que a placa toponímica a designe por "poetisa", reabilitando assim este belo substantivo feminino agora escorraçado do discurso cultural dominante, que designa homens e mulheres pela palavra poeta, na reiterada tentativa - que em certos casos deriva para obsessão ideológica - de esbater diferenças de género. 

Há palavras que me tocam muito. Uma delas é precisamente poetisa - que rima com pitonisa. Agrada-me vê-la exposta a quem passa, nesta Rua Sophia de Mello Breyner Andresen, em Lagos. Onde hoje vejo «a luz mais que pura sobre a terra seca», como a autora do Livro Sexto escreveu, aqui bem perto, há mais de meio século. 

In Memoriam

Fernando Sousa, 11.11.18

Ergueu-se Abraão, rachou a lenha e partiu

E consigo levou a chama e um cutelo.

E quando juntos se quedaram ambos,

Isaac, filho primeiro, assim falou: `Meu Pai

Tudo está preparado, o ferro e o fogo

Mas qual é o cordeiro a imolar nas chamas?`

E Abraão prendeu o jovem com cinturões, correias,

Em redor construiu trincheiras, parapeitos

E empunhou o cutelo para matar seu filho.

Dos céus um Anjo lhe bradou então

E disse: `Não levantes a mão contra esse jovem

Nada tentes contra ele que é teu filho.

Vê! Um cordeiro preso está ali naquela sarça.

De orgulho oferece um sacrifício em vez do jovem.`

Mas por não querer assim, matou o velho o filho

E um por um também metade dos filhos da Europa. 

 

Parábola do Jovem e do Ancião, de Wilfred Owen, poeta inglês morto nas trincheiras uma semana antes da assinatura, há cem anos, do Armistício da Guerra de 1914-18, in Elegias.

Convidados: TIAGO NENÉ

Pedro Correia, 19.09.17

 

Três poemas

  

 

O que tenta ensaiar esta beleza

na sua violência prematura, nas linhas do seu submundo.

Observo-a como um guarda nocturno

numa fábrica de relógios, procuro-a

com uma fome que me isola de mim. E os vidros e as vidas

desta fábrica tornam-se um sequestro da mesma realidade

que entre o futuro e o futuro do futuro

espreita o cruzamento de todo o tempo.

 

Sob a estrela cadente o céu atravessa todos os nomes,

não sei se faz vento interior ou sobram átomos

de matérias que procuram a inutilidade das coisas.

Escuto uma lua de açúcar pela garganta das nuvens,

não estou do lado de fora da memorização da espera

e do eco soterrado de um pó evanescente.

 

Que membros húmidos recebem o hálito do caminho,

que vertigens sobre o torpor das janelas.

Sinto a eficácia mecânica das emoções,

cada sintonizador absorvendo os limites

de uma fissura de luz.

 

 ....................................................

 

O que se descreve é como cotovelos no parapeito,

pode ser tão sombrio

quanto uma interrogação em círculo,

tão viril quanto este caminho mau,

tão minucioso quanto esta perspectiva não infinita.

E onde começa o esquecimento

termina o que a ilha de sono denuncia,

o que o intervalo do vento alcança

quando descende do infindável

onde tudo é calmo e sereno.

E então, que te administrem menos memória,

a ti cujos olhos abrangem

um botão que te desperta do que pensas ver em voz alta,

do que se transforma como um eco

exactamente igual a ti.

 

 ....................................................

 

Talvez tenha faltado ao meu próprio encontro,

e na dor que persiste sinto naturalmente

os últimos suspiros do crepúsculo nos primeiros arrepios da madrugada,

um cutelo na memória, a porta que bate com estrondo,

um relógio com tentáculos,

por vezes estranhas figuras que nascem e desaparecem,

deixando as metamorfoses da sua ilusão e realidade.

 

Pois nesta dor que persiste sinto naturalmente

todos os cheiros do céu e dos astros, o canto de um galo,

apertos de mão numa fogueira extinta,

eixos de uma dúvida incapacitante.

 

Mas não me coibo de pensar o que seria de mim

se não tivesse faltado ao meu próprio encontro,

se não seria agora uma retórica feliz na praia,

uma estrela em movimento sobre o mar,

os pulmões de milhões de seres,

um rio escondido na extensão dos cabelos.

 

 

Tiago Nené

(autor do livro ESTE OBSCURO OBJECTO DO DESEJO)

Dez livros para comprar na Feira

Pedro Correia, 13.06.16

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Livro dez: Bairro Ocidental

Edição D. Quixote, 2015

55 páginas

 

Acompanho com interesse o que se vai escrevendo de poesia em Portugal. Não faltam vozes talentosas, que dominam bem a carpintaria do idioma e exprimem uma paleta larga de emoções poéticas – umas vezes num imediatismo espontâneo quase comovente, noutras vezes num minucioso rendilhado nunca isento de erudição.

Mas não cesso de me espantar com a persistente ausência nesta poesia de um olhar disponível para o mundo contemporâneo. Aqui não me refiro aos chamados versos de intervenção, que confundiam arte literária com propaganda política, mas ao escritor enquanto sujeito de uma oração que exige verbo e complemento directo. A produção poética actual transborda de sujeitos em transe solipsista. Como se esbracejassem no vácuo. Como se a realidade circundante pudesse conspurcar o círculo imaculado mas restrito do seu imaginário.

 

Por vezes penso que falta um Manuel Alegre pronto a sacudir o marasmo desta poesia tão incapaz de interpretar os sinais do vento como de captar os ruídos da rua. Mas não falta. Porque Alegre, com  80 anos enérgicos recém-completados, continua a escrever e a publicar poesia. O seu mais recente título, Bairro Ocidental, estabelece aliás uma curiosa rima interna com os dois iniciais, Praça da Canção e O Canto e as Armas.

Não há amores como os primeiros: meio século depois, o poeta revisita um território afectivo que tão bem conhece. É um território partilhado, a que ele chama pátria sem pedir licença aos patrulheiros de turno.

Indigna-se em ‘Variações sobre o desconcerto do mundo’: “Está tudo inverso: o longe o perto o certo o incerto / no grande desconcerto tudo aberto / direito avesso um verso onde tropeço / e um som disperso um tom onde me perco / horizonte encoberto.”

Magoa-o a ‘Hora inversa’: “Como chegar onde ninguém responde? / Sombra de sombra um rosto vem e foge / não há tempo no tempo não há onde. / Harpas do vento trazem-me o arpejo / de um desejo a morrer na praia extrema.”

Sente-se habitante de um amargo ‘Bairro Ocidental’: “Na Eurolândia tudo é permitido / bruxela-se um país berlina-se outro / um dia ao acordares estás eurodido / e o teu país efemizado é só um couto.”

E canta a ‘Libertação’: “Contra as palavras que não são de aqui / contra o cifrão contra a agiotagem / contra o défice nosso de cada dia.”

 

É uma poesia que se intromete no quotidiano e se compromete com a cidadania sem se submeter a cartilhas de feira ideológica: “A História entrou pelas meias pelas botas / entrou até pelo fato camuflado. / Entrou na pele e ficou lá. Como ser / neutro inespacial intransitivo?”

O melhor Alegre de volta. O melhor Alegre que nunca deixou de estar no local de sempre.

Lamechices Colesterólicas

Francisca Prieto, 21.12.15

saltitavam de mão dada

melosos

que nem cubo de marmelada

beijinho aqui,

beijinho ali

miminho

saltinho

abracinho

segredinho

coceguinhas

repenicadas

e ele:

és uma boneca

das que se compram em Badajoz

 e ela envergonhada:

 não me fales em Badajoz

que me fazes lembrar caramelos

minha gema de rubi em ovo estrelado

meu molotoff almofadado

com fios de ovos enrodiscados

em cafuné de açucar pilé”

que bonito,

aletria da minha alegria

meu arroz adocicado

tigeladazinha coalhada

agora fiquei enjoada

senta-te ao meu colo

pronto, pronto, já passou

toma lá uns sais de frutos

 e mais

beijinho aqui,

beijinho ali

miminho

saltinho

abracinho

segredinho

e

coceguinhas

repenicadas.

 

Declaração Amigável

Francisca Prieto, 19.12.15

as companhias de seguros

ao invés de nos impingirem papelada

com declarações amigáveis

deviam arranjar formulários

onde se pudessem escrever cartas de amor

 

de cada vez que (bummm)

dois carros chocassem de frente

os condutores em vez de reclamarem

podiam beijar-se ao relento

 

depois preenchiam os dados

com cuidado

nas perguntas indiscretas

em vez de cruzes

podiam escolher corações

e escreveriam palavras doces

nas notas adicionais

 

no verso, porque é verso,

deixariam poemas de amor

e no fim, só no fim,

escreveriam em letra miudinha

um número de telefone

não se fosse dar o caso

de terem provocado danos irreparáveis

Praia de Ipanema

Francisca Prieto, 18.12.15

Na praia de Ipanema

Passa Luísa no embalo da brisa

Passa José queimando o pé

Lá vai Juracema com carga pequena

Segue serena como Milena.

O sol abrasa na beira da esteira

Uns carregam a vida

Outros vão de bobeira.

 

Canta-se o mate, empadinha ou pastel

Agora de queijo, depois de mel.

Rostos curtidos por vezes aflitos

Vendem biquinis ou panos bonitos

Tatuam imagens, vendem massagens

Praia imensa, festa de Babel.

 

Horácio pensou e logo inventou

Que sem mercadoria p’ra desfilar

E precisando de grana para o jantar

Lhe sobrava somente o violão.

Dedilhou três acordes, soltou vozeirão

Juntou três versos de afeição

E numa fome de poesia ou alento

Gritou sua alma p’ra ganhar seu sustento

 

Madame Olívia, granfina astuta

Mandou chamar o pobre trovador

Pediu que cantasse canções de amor

E Horácio coitado, rezou ao Senhor

P’ra camuflar seu dissabor.

Por qualquer inspiração divina

Abriu em nota cristalina

E em todo o posto se fez esplendor.

 

Para casa levou uns trocados

No bolso velho já em retalhos

Madame Olívia, por sua vez

Logo esqueceu a actuação

Pegou suas tralhas num saco dourado

Deixou pela areia aquela canção

 

É assim a praia de Ipanema

Uns vão levando a vida

Outros carregam problema

 

W. B. Yeats, 1865 - 1939

Patrícia Reis, 23.07.15

An Irish Airman Foresees His Death I know that I shall meet my fate Somewhere among the clouds above; Those that I fight I do not hate Those that I guard I do not love; My country is Kiltartan Cross, My countrymen Kiltartan’s poor, No likely end could bring them loss Or leave them happier than before. Nor law, nor duty bade me fight, Nor public man, nor cheering crowds, A lonely impulse of delight Drove to this tumult in the clouds; I balanced all, brought all to mind, The years to come seemed waste of breath, A waste of breath the years behind In balance with this life, this death.

A Propósito da Americanada de Hoje Ser Dia dos Irmãos

Francisca Prieto, 10.04.15

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Gui, Zé, Cácá, Lili,

metiam-me na ordem

e encaixavam-me

na bagageira da bicicleta

estrada fora

em curvas rápidas

de cem à hora

(menos a Gui

que nunca aprendeu

a andar de bicicleta)

 

Gui, Zé, Cácá, Lili,

riam-se da minha meminice

e troçavam da tontice

às vezes

mandavam-me calar

e eu fechava o bico

para não dar chatice

 

Gui, Zé, Cácá, Lili,

tinham segredos

de crescidos

que eu não podia saber

mas faziam corridas

comigo às cavalitas

davam-me gelados

e levavam-me

sempre atrelada.

 

Gui, Zé, Cácá, Lili,

são agora

do meu tamanho

e às vezes

pedem-me ajuda