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A playlist de AMN (6)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 26.11.14

Hoje temos Chico Buarque e a canção Basta um Dia.

Descobri um dia, por acaso, o vinil da Ópera do Malandro lá por casa, e o meu padrasto não me deixou continuar sem o ouvir. Fiquei siderado. Daí até continuar pelo Buarque fora foi um ápice, e do Buarque até toda uma constelação que não passava nas novelas um ápice foi.

Há muito para gostar em Chico Buarque, das letras aos compassos, mas fico-me agora pela capacidade metafórica de fintar uma censura e uma ditadura. Escolho por isso uma canção da peça Gota d’água, baseada na tragédia grega Medeia, de Eurípedes, passada no subúrbio do Rio de Janeiro e centrada nas suas dificuldades habitacionais.

A canção chama-se Basta um dia e é, de certa forma, o clímax da peça, através da qual a protagonista, Joana, indicia que prefere a sua própria morte, e a dos seus filhos, a ter de viver a tragédia brasileira.

Partilhei com os ouvintes da TSF a minha playlist. Foi emitida há uns bons dias, e partilho-a agora, aos bochechos, com os leitores do Delito.

A playlist de AMN (5)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 25.11.14

Hoje temos Chava Alberstein e a canção Chad Gadya.

A canção que vamos ouvir agora vem de Israel e chama-se Chad Gadya. Foi lançada no início de 1989 e entrou directamente para a lista de músicas mais vendidas. Depois de algumas semanas, o governo de Yitzhak Shamir proibiu a canção de ser tocada, e ficou proibida até ao início dos anos 2000.

A letra é uma alegoria da política externa de Israel naqueles tempos, especialmente a frase, que traduzo livremente, que diz o seguinte: "Eu costumava ser uma ovelha e um cordeiro pacífico, hoje eu sou um tigre e um lobo à caça”. No fundo, trata-se de uma profunda crítica política utilizando para o efeito vários motivos pascais.

A proibição não impediu esta música de fazer o seu caminho; é uma das canções pacifistas mais conhecidas e cantadas em Israel, de tal forma que é hoje um clássico, tenho feito parte da banda sonora de Free Zone, com Natalie Portman, acompanhando a cena mais emotiva do filme, e que está no vídeo que seleccionei.

Partilhei com os ouvintes da TSF a minha playlist. Foi emitida há uns bons dias, e partilho-a agora, aos bochechos, com os leitores do Delito.

A playlist de AMN (4)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 24.11.14

Hoje temos Cat Stevens e a canção Sad Lisa.

A primeira vez que ouvi o Tea For Tillerman de Cat Stevens era ainda uma criança. Fui atraído pela desconcertante capa do álbum, com desenhos de crianças e um velho ruivo a beber chá, pensando que era um álbum de música infantil. Não era, claro, e foi uma enorme desilusão.

Voltei ao álbum uns poucos anos depois, porque o meu pai gostava muito de Cat Stevens e as canções dele apareciam de quando em vez nas cassetes que ouvíamos nas insistentes viagens entre Lisboa e a Covilhã, e a sensação foi totalmente diferente.

Hoje olho para trás e não percebo sequer porquê. A viragem espiritual e religiosa de Cat Stevens, que está suficientemente perceptível neste álbum, não era tema que me tocasse aos 17 anos. Talvez por isso, aliás, tenha sido o Sad Lisa, para mim a mais neutra das canções do álbum, a ficar como favorita. E é essa mesmo que vamos ouvir.

Partilhei com os ouvintes da TSF a minha playlist. Foi emitida há uns bons dias, e partilho-a agora, aos bochechos, com os leitores do Delito.

A playlist de AMN (3)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 20.11.14

Hoje temos Blur e a canção The Universal.

Pelos anos 90 andava eu pela Covilhã quando me dei conta, com atraso, do que se passava pelo terreno da brit pop. Vivia-se então uma tão aliciante quando desnecessária disputa entre os Oasis e os Blur.

Tomei instintivo partido pelos Blur, talvez pela construção metafórica de algumas das suas letras, e confirmei o acerto da escolha quando, já a estudar em Lisboa, os Blur lançaram o álbum The Great Escape. Não tanto pelo álbum, penso que menos interessante do que Parklife, mas por causa de The Universal, a canção que escolhi para ouvirmos agora e que é, ainda hoje, uma das mais inspiradoras baladas que conheço.

Mas foi o teledisco que primeiro me chamou a atenção para a canção, já que imediatamente nos transporta para o Korowa Milk Bar de A Laranja Mecânica de Stanley Kubrick, e que por isso mesmo recomendo. A música e o teledisco valem por si, mas vistos em conjunto ganham, sobretudo para os que se deslumbram com Kubrick, um peso especial.

Partilhei com os ouvintes da TSF a minha playlist. Foi emitida na semana passada, e partilho-a agora, aos bochechos, com os leitores do Delito.

A playlist de AMN (2)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 19.11.14

E hoje proponho Benito Lertxundi e Gaua eta Ni.

Gosto muito de música de intervenção. Há nela uma solidão melódica que me interessa muito e um recuperar de alma que, mesmo quando triste ou muito triste, me convoca a uma sensação de esperança.

Bem sei que, sendo de direita, gostar de música de intervenção soa quase a provocação. Mas é um facto de que gosto, e de que gosto muito, independentemente de não me rever, para além da poesia, nas motivações da maior parte das canções de que gosto. O que de certa forma, perdoem-me a nova provocação, demonstra como, à direita, a tolerância tem um papel especial na fruição cultural.

Para não ser demasiado provocador, escolho um cantautor não português, mas basco. Benito Lertxundi, numa extraordinária canção, Gaua eta Ni, aqui cantada com a mulher, Olatz Zugazti. Trata-se da versão musicada de um poema do poeta libanês Kahlil Gibran, A Noite e o Louco, e que portanto não está directamente ligada às causas do cantor Basco.

Partilhei com os ouvintes da TSF a minha playlist. Foi emitida na semana passada, e partilho-a agora, aos bochechos, com os leitores do Delito.

A playlist de AMN (1)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 18.11.14

 

Começo com Bebo & Cigala e La Bien Pagá.

A mescla de jazz cubano, nas mãos do Bebo Valdez, e do flamenco, de Diego Jimenez Salazar (Cigala), foi uma ideia de génio que deu origem a Lágrimas Negras, um dos melhores álbums de world music que conheço, e a um extraordinário concerto filmado por Fernando Trueba.

Gosto particularmente de world music e de me perder por sons que demoram a entranhar-se e palavras que custam a entender-se, como se de um desafio se tratasse. No campo da world music, o flamenco está no topo das minhas preferências e a verdade é que Portugal lhe tem sido fiel nos últimos anos, recebendo cantores pouco imediatistas como Estrella Morrente. Neste caso, temos uma notável junção de jazz e flamenco, que não se transforma num exercício de experimentação. Ela resulta logo, imediata, como se estivesse apenas há décadas à espera de ser descoberta. Do álbum, escolhi La Bien Pagá.

Partilhei com os ouvintes da TSF a minha playlist. Foi emitida na semana passada, e partilho-a agora, aos bochechos, com os leitores do Delito.


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