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Pelo Aeroporto Sacadura Cabral

por Pedro Correia, em 11.04.17

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 Artur Sacadura Cabral (1881-1924)

 

Corre de momento por aí uma petição pública para que o futuro aeroporto do Montijo, adaptado a voos comerciais, receba o nome de Artur de Sacadura Freire Cabral, um dos pioneiros da aviação portuguesa. Contrariando o impulso do Presidente da República, que sem consultar ninguém se apressou a sugerir o nome do antigo Presidente da República Mário Soares.

Estou plenamente de acordo com esta homenagem a Sacadura Cabral, que com Carlos Viegas Gago Coutinho fez em 1922 a primeira travessia aérea do Atlântico Sul, unindo Portugal ao Brasil. Aliás os brasileiros preservam com carinho a memória destes dois aviadores, que tão esquecidos têm sido cá na terra - sobretudo Sacadura Cabral, que em Lisboa dá apenas nome a uma artéria secundária, entalada entre o Campo Pequeno e a Avenida de Roma.

"O futuro Aeroporto do Montijo, situado na actual Base Aérea N.º 6 da Força Aérea Portuguesa, do ponto de vista histórico terá toda a lógica chamar-se de Aeroporto Sacadura Cabral, pois aquando do tempo da Aviação Naval (1917-1952) que aqui operava chamava-se a nível oficial Centro de Aviação Naval Comandante Sacadura Cabral. O planeamento e as suas obras foram conduzidos pela nossa Marinha desde os anos 30, que culminaram na sua inauguração e baptismo com o nome deste intrépido aviador naval. (...) Assim, perante os factos históricos, seria de boa justiça dar novamente o seu nome inicial de Sacadura Cabral ao futuro Aeroporto do Montijo", refere o texto da petição.

Que naturalmente já subscrevi.

 

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Monumento de homenagem a Gago Coutinho e Sacadura Cabral no Recife (Brasil)

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Há, pelo visto, um conjunto de almas democráticas e sensíveis que vive momento de particular agitação pelo facto de, no dia em que se realizam as eleições para o Parlamento Europeu, se iniciar um fórum do Banco Central Europeu, em Lisboa, com a presença dos presidentes do FMI, BCE e Comissão Europeia – precisamente os organismos internacionais que constituem a troika. Vai daí, indignados como estão, decidiram recorrer ao agarrem-me que eu dou cabo deles dos nossos tempos, isto é, à subscrição de uma petição. O argumento fundamental que sustenta a petição, subscrita até este momento por Mário Soares, Manuel Alegre, Boaventura Sousa Santos, Carvalho da Silva e mais mil e seiscentos patriotas, é um efeito de ingerência na escolha livre e democrática dos portugueses. Confesso que não percebo. A acreditar em tudo o que tem sido dito pelos promotores, estas instituições, mancomunadas com o governo em funções, são autoras confessas, voluntárias e deliberadas de políticas de terrorismo social e económico que provocaram o sofrimento generalizado e profundo da população. Sendo assim, o evento que se inicia no dia 25, se alguma consequência eleitoral tivesse, seria sempre a de provocar um sentimento de repulsa e revolta que favoreceria as propostas políticas da oposição e, de forma genérica, as que são defendidas pelos principais subscritores da petição. Serão então os referidos democratas de tal forma guiados por princípios de civilidade e isenção que se obrigam até a recusar circunstâncias que poderiam vir em seu proveito? Pois, claro. Isso e um par de botas ortopédicas. Mas mesmo que acreditássemos na pureza das preocupações dos promotores da petição, sempre sobraria uma inquietação. Nesse caso, teríamos de concluir que os promotores e subscritores consideram que os eleitores portugueses são de tal forma pueris, volúveis e pouco informados que determinam as suas decisões de voto em função da realização de um evento com estas características. É, convenhamos, um entendimento bastante ridículo. Mais do que isso, tal visão seria portadora, portanto, de uma mal disfarçada falta de respeito pelos portugueses e de uma desconfiança de princípio sobre a sua maturidade democrática. Infelizmente, é um tique comum numa certa esquerda que cede recorrentemente à tentação de infantilizar os cidadãos para se arrogar de seguida o direito originário de moldar as suas ideias ou substituir-se ao seu pensamento.

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Nós o povo

por João André, em 29.01.14

Eis um exemplo que deveríamos importar. Assim de repente consigo pensar logo numa série de nomes que adicionaria a uma petição semelhante, arriscava-me era que depois se tornassem juízes em causa própria.

 

Por outro lado, num mundo dos avatares inventados também é possível imaginar o governo a criar a petição para a expulsão de todos os reformados e desempregados do país.

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