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Perguntar não ofende (1)

por Ana Vidal, em 10.10.11

 

«Não me importa uma porra que as mulheres tenham os seios como magnólias ou como figos secos; uma pele de pêssego ou de lixa. Também é indiferente se amanhecem com um hálito afrodisíaco ou um hálito insecticida. Sou perfeitamente capaz de suportar um nariz que arrecadaria o primeiro prémio numa exposição de cenouras; mas, isso sim – e nisso sou irredutível –, não lhes perdoo, sob nenhum pretexto, que não saibam voar. Se não sabem voar perdem tempo as que pretendam seduzir-me.
Foi esta – e não outra – a razão por que me apaixonei tão loucamente por Maria Luísa.
Que me importavam os seus lábios às prestações e os seus ciúmes sulfurosos? Que me importavam as extremidades de palmípede e os olhares de prognóstico reservado?
Maria Luísa era uma autêntica pluma!
(...)
Depois de conhecer uma mulher etérea, pode achar-se algum atractivo numa mulher terrestre? Existirá alguma diferença entre viver com uma vaca ou com uma mulher que tenha as nádegas a setenta e oito centímetros do chão?
Eu, pelo menos, sou incapaz de compreender o interesse de uma mulher pedestre, e por mais que tente, não consigo sequer imaginar que se possa fazer amor senão a voar.»

(Oliverio Girondo, "Espantalhos" - Edição Língua Morta)

 

Pergunto: quantos dos cavalheiros que me lêm - ou lêm este texto de Oliverio Girondo, melhor dizendo - são capazes de tão excepcional "visão distanciada" da anatomia de uma mulher, para apreciar-lhe somente a essência e dela se encantarem? É que as mulheres - todas nós o sabemos - amam independentemente da forma física. São capazes de passar alegremente e com olímpica indiferença por cima de barrigas proeminentes, calvícies, mãos maltratadas e outros atributos desclassificativos, para se dedicarem, com todo o carinho e entusiasmo, ao que está por debaixo da pele dos seus homens. E, quantas vezes, ao que nem sequer lá está. E o inverso, será verdadeiro? Quem se atreve a responder-me?

 

(Imagem: Marc Chagall)

Que reuniões e que condições?

por João Carvalho, em 11.03.10

Parece sina. Já não bastava que se verificasse a falta de segurança de uma ponte e ficasse à espera que ela caísse. Ciclicamente, em Portugal começa a betonar-se uma ponte ou um viaduto e a estrutura abate e ceifa as vidas que apanha. Depois, fecha-se um perímetro em volta do sinistro e aparecem invariavelmente uns figurões a dizer para as câmaras com ar solene: "A normalidade só será restabelecida quando estiverem reunidas todas as condições de segurança."

Hoje, em Amarante, não é diferente. O IP4 está cortado e a reabertura tem sido sucessivamente anunciada e adiada desde a madrugada. À hora do almoço, já apontavam para o fim da tarde. Pelas imagens que vi, será adiada mais uma vez. "A normalidade só será restabelecida quando estiverem reunidas todas as condições de segurança."

São "reuniões" tardias. O IP4 devia ter sido cortado antes de se ter iniciado a colocação de toneladas de betão por cima dessa via. E é isto que me faz espécie: não será tempo de começar a pensar se estão "reunidas todas as condições de segurança" de cada vez que uma obra avança e fechar um perímetro antes que surja a tragédia?

Não estou a falar de prejuízos materiais por não estarem "reunidas todas as condições". Estou a falar de quem morreu antes da hora. Será exagero pedir que sejam "reunidas todas as condições de segurança" antecipadamente?

Índice de Situacionismo

por Pedro Correia, em 02.07.09

Por quanto tempo mais o candidato do PS à mais emblemática câmara do País se manterá como 'comentador' residente num certo programa da SIC Notícias?


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