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Sair da Igreja

por Cristina Torrão, em 24.10.19

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Imagem KirchenZeitung

 

“Sair da Igreja”, ou “deixar a Igreja” (die Kirche verlassen) é uma expressão muito usada, na Alemanha, nos últimos tempos, e significa virar as costas à instituição.

Neste país, os cristãos pagam o “imposto da Igreja” (Kirchensteuer), descontado automaticamente do ordenado, dividindo-se a receita entre a Igreja Católica e a Luterana (conforme a confissão do contribuinte). Embora automático, não é obrigatório, ou seja, pode solicitar-se a sua isenção. E assim se “sai da Igreja”, o que implica, por exemplo, não poder comungar, ser padrinho/madrinha de baptismo, ou exercer funções em instituições da Igreja (incluindo hospitais). O casamento religioso é possível com uma autorização do respectivo bispo e o enterro também, se, antes da morte, a pessoa der sinais de arrependimento da sua “saída” (um preceito que, penso, não é considerado com muita rigidez).

O número de pessoas que sai da Igreja não pára de aumentar, em 2018, foram cerca de 416.000, dos quais 216.000 católicos. Diz-se que os escândalos, como o abuso sexual de menores, são a razão principal, mas, como se vê, os números são semelhantes entre os Luteranos (que também têm problemas desse tipo, mas em menor escala).

Como evitar tal sangria? No Jornal Católico do bispado de Hildesheim, li um artigo interessante, que relacionava o facto de haver cada vez menos pessoas na Igreja, enquanto aumenta o número de peregrinações. O Caminho de Santiago, por exemplo, atrai muitos alemães: no ano 2000, registaram-se 2.500 peregrinos; em 2018, foram mais de 25.000. Os motivos são diversos: fazer uma pausa no ritmo alucinante da vida actual, libertar-se do consumismo e iniciar uma viagem com apenas uma mochila, superar uma crise (seja uma doença, ou a morte de um parente chegado), marcar o início de uma nova fase da vida (no caso dos jovens que terminaram os estudos), ou, pelo contrário, reformados que finalmente arranjam tempo para fazerem a peregrinação com que sempre sonharam.

Mas tudo isto, dizia o artigo, prova que, apesar de as pessoas já não se interessarem pelos ritos e os modos rígidos da Igreja, continuam a sentir necessidade de exprimir a sua espiritualidade, continuam, no fundo, à procura de Deus. Muitos dizem que a Igreja podia aprender com isto, nomeadamente, flexibilizando-se, dando mais iniciativa aos crentes, ouvindo e considerando a sua opinião, e oferecendo os seus serviços sem exigir que, em troca, todos se tornem católicos praticantes. A Igreja talvez precise de aprender que amar nada tem a ver com imposições e começar a reagir de forma descontraída em relação àqueles que a procuram, mas que podem tornar a afastar-se.


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