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Sabia que... (73)

por João Carvalho, em 07.03.12

... a Bentley está a apostar no seu primeiro sport utility vehicle (SUV)? É que está mesmo e já apresentou um cheirinho dele no recente Salão Automóvel de Genebra. Trata-se do Bentley EXP 9 F, capaz de prestar serviço no dia-a-dia para quem tiver carteira bastante e considerar boa política contar com uma potência de 600 cavalos.

Quanto ao resto, nem vale a pena detalhar. Se é um Bentley, está lá tudo e mais alguma coisa. Mesmo o serviço de mesa, talheres, copos, guardanapos, palitos, etc., onde haviam de estar? Num compartimento da tampa da mala, claro. Afinal, entre os que frequentam os melhores restaurantes, quem irá querer saber da baixela para piqueniques partilhados com moscas e vespas?

Ainda não se sabe quando o novo Bentley chegará a Portugal, mas deverá aparecer antes do fim da crise, por três motivos: porque se usam imenso os SUV, porque a crise está para durar e porque há sempre mais uns quantos ricaços para comprar topos-de-gama à medida que aumenta a pobreza e o fosso entre ricos e pobres chega a valores terceiro-mundistas.

Sabia que... (72)

por João Carvalho, em 28.10.11

... Steve Jobs continua a intrigar muita gente até por causa de pormenores ligados ao seu modo de vida? Acho que sabia, mas talvez não saiba esta: Jobs conduzia há alguns anos um Mercedes-Benz SL55 AMG prateado, carro que usava e que era visto praticamente todos os dias, só que não tinha chapas de matrícula.

Dava nas vistas o seu hábito de estacionar mais ou menos em diagonal num lugar reservado a deficientes, no parque da sede da Apple, em Cupertino (Califórnia). Ora, é normal nos EUA o proprietário (com especial poder de compra) de um automóvel requerer e ser autorizado a possuir uma matrícula personalizada, que é paga a peso de ouro às autoridades. A legislação californiana estabelece o limite de seis meses para que essa eventual situação seja regularizada. Isto é: seis meses é o tempo legal máximo entre a aquisição de um carro e a posse oficialmente documentada da matrícula personalizada requerida`e respectiva colocação das placas no veículo.

Foi a partir disto que se descobriu agora como é que o Steve circulava no seu carro sempre sem matrícula. Na verdade, ninguém sabia que ele trocava o Mercedes de seis em seis meses, iniciando de cada vez um novo processo de requisição de uma matrícula personalizada.

No nosso país, o mesmo modelo topo-de-gama desportivo da Mercedes está reservado a poucos privilegiados. É certo que estiveram para ser compradas algumas unidades do cobiçado SL55 AMG — não me lembro se destinadas à grande e luxuosa frota da Águas de Portugal ou qualquer coisa pública do género — mas o processo não foi em frente por o carro só ter duas portas e dois lugares. Não dava muito jeito.

Sabia que... (71)

por José Maria Gui Pimentel, em 22.09.11

... a precipitação anual em Londres é menor do que em Lisboa (601.5mm vs 725.8mm)?

Sabia que... (70)

por João Carvalho, em 30.07.11

... foram inventados óculos cuja adaptação à distância é feita por zoom manualmente ajustável? Pois é: a patente está registada nos EUA e é suposto dirigir-se àqueles que ainda usam lentes bifocais ou que usam lentes progressivas.

O funcionamento é muito simples: os óculos integram duas lentes sobrepostas para cada olho e a haste central por cima do nariz, que faz a ligação entre as duas molduras duplas, possui um mecanismo básico com um "pinchavelho" que serve para aproximar ou afastar, progressivamente e em movimento contínuo, as lentes exteriores das lentes fixas interiores. No fundo, o resultado prático é semelhante ao do zoom dos binóculos, que permite o ajustamento à distância que se quer focar, aliado à variação das diopterias pelo efeito da sobreposição de duas lentes.

Não parece que o sucesso da invenção em Portugal esteja garantido. Por um lado, seria problemático agravar as campanhas rodoviárias: se conduzir não beba e não use óculos de adaptação manual permanente — eis o que se afigura impraticável. Por outro lado, só usa óculos quem vê mal, mas a verdade é que os portugueses são ceguinhos, uns, e invisuais, outros. Óculos para quê, se andamos sempre ó-tio-ó-tio?

Sabia que... (69)

por João Carvalho, em 28.07.11

... é possível ter uma cidade só para si? Se não sabia, fique a saber que sim: pode vê-la aqui, na CNN.

Claro que nada disto é completamente novo. Entre vários casos conhecidos ao longo dos tempos, recordamos o de Kim Basinger, que comprou uma pequena povoação num monte em Braselton (Georgia, EUA), por 20 milhões de dólares, com a ideia de transformá-la numa atracção turística e palco de um festival de cinema. Porém, o plano começou a complicar-se e nunca chegou a arrancar a sério, ao passo que ela começou a perder dinheiro e teve de vender o lugar antes que o prejuízo financeiro fosse maior do que foi.

No caso em apreço, a cidadezinha (ou vila, talvez) de 23 hectares (17 hectares urbanos e 23 hectares de arredores) tem o nome sugestivo de Scenic e fica no Dakota do Sul (EUA). Está à venda pela módica quantia de 799 mil dólares e inclui um grande salão de dança, um saloon bem clássico, uma estação de serviço com loja de conveniência, dois armazéns comerciais, uma estação de correios, um museu, uma pensão, uma prisão histórica abandonada e uma prisão funcional, uma estação de comboio à boa maneira de antanho, diversas moradias devolutas e outros edifícios vazios. A nostalgia do ambiente transporta qualquer um para o velho Oeste norte-americano e é fácil imaginar John Wayne a atravessar a rua. Mas o charme não basta, na hora da verdade, quando se percebe que vai ser preciso cuidar da limpeza, da água (de uma lagoa a norte da localidade), da luz, das comunicações, da segurança (as prisões não devem estar lá por acaso) e de tudo o mais.

Já em Portugal, isto muda um bocado de figura. O interior do País está cheio de aldeias-fantasmas que podem ser compradas para recuperar, remodelar, restaurar e adaptar à vontade, desde que haja pachorra para vencer uma teia burocrática imensa e disposição para alimentar um sistema de pequena corrupção persistente. Mais difícil, no entanto, é tentar vender o território nacional de uma assentada. Por muito charmoso que seja, quem é que quer ter um espaço pequenote e assumir um passivo gigantesco?

Sabia que... (68)

por João Carvalho, em 22.05.11

... a Home Alone está à venda? Pois é que está mesmo: famosa pelo filme Sozinho em Casa, de 1990 (também aparece no início do Sozinho em Casa 2: Perdido em Nova Iorque, de 1992), vende-se pela módica quantia de 2,4 milhões de dólares.

A grande moradia de Cynthia e John Abendshien fica na Lincoln Avenue (Lincoln Boulevard, no filme) da pequena e elegante localidade de Winnetka, a uns 30 quilómetros de Chicago, em Illinois, uma aldeia habitualmente considerada um dos melhores lugares dos EUA para se viver (o mais rico do Estado e um dos cinco mais ricos lugares norte-americanos entre os que oferecem uma vida boa). Com um parque na frente e vista para o Lago Michigan, a mansão distingue-se pela cor do tijolo exterior que acentua a arquitectura colonial 'georgiana'. Tem 14 divisões, entre as quais cinco quartos, três casas-de-banho completas e duas reduzidas, além de muitas coisas mais, como uma apreciável cozinha modernizada e um enorme salão (que aparece parcialmente nas fotos laterais com o décor natalício usado no filme, em cima, e com o aspecto quotidiano comum, em baixo). Toda a casa está ricamente remodelada, mas pouco do seu muito amplo interior se viu no filme, que montou cenários para o efeito nas redondezas.

Em Portugal, a maior maioria de sempre anda ó-tio-ó-tio e nunca comprará o casarão em que Kevin McCallister (Macaulay Culkin) fez a vida negra a dois ladrões, Harry e Marv (Joe Pesci e Daniel Stern). Resta uma minoria muito privilegiada de portugueses, mas que não deverá comprá-lo: uns porque preferem ter outra casa em sítios mais familiares (como em Cabo Verde, por exemplo); outros porque têm de ficar a fazer contas aos prémios de gestão pública e a escrever memorandos a justificá-los; outros ainda por saber que, se levantarem o rabo da cadeira, não encontrarão o cargo ou sequer a cadeira quando regressarem para se sentar de novo.

Sabia que... (67)

por João Carvalho, em 20.05.11

... os norte-americanos andam a ser avisados sobre o que não devem comprar na Ikea? Pois é que andam mesmo, porque os tempos não estão para desperdícios e o dinheiro está pela hora da morte.

Quando entram numa ampla loja que vende artigos caseiros fabricados em série a preços tentadores, as pessoas encontram coisas tentadoras e ainda podem ter a acrescida tentação de ir à cafeteria do estabelecimento comer uns snacks que não primam necessariamente pela qualidade nutritiva. Resta-lhes resistir. Resistir aos colchões, por exemplo, que devem ser adquiridos onde exista qualidade garantida e não onde se vendem camas baratas. Resistir aos produtos que parecem ser de madeira, mas que mais não são do que aglomerados, laminados ou até aparas em pasta e cuja baixa duração os tornará caros. Resistir à cutelaria e aos serviços de jantar, porque um bom conjunto de facas de cozinha nunca é baratucho e não há milagres conhecidos entre os fabricantes de louça de mesa. Resistir ao mobiliário em kit acompanhado por manuais de instruções compridos e complexos, que dificilmente se consegue montar em casa sem problemas, sem estragos e sem que pareça ter peças a mais. E assim por diante.

Mas isso é lá pelos EUA. Por cá, a multinacional nórdica já tem o seu quê de familiar e sabe que os portugueses não são gente de se deixar levar. Excepto em matéria de programas eleitorais e de governo, claro, embora não conste que Sócrates seja de madeira. E o Pinóquio, será de aglomerado, laminado ou pasta de aparas?

Sabia que... (66)

por João Carvalho, em 20.02.11

... o novo Mercedes-Benz Maybach 62S é a nova coqueluche dos meios em que os ricos pagam a crise e ainda lhes sobra muito? Nem mais: nos EUA custa perto de meio milhão de dólares e em Hong Kong atinge o dobro (oito milhões de dólares de Hong Kong, em que metade é o imposto de luxo). Isto são valores do carro sem qualquer um dos diversos extras opcionais. Só em Hong Kong, o concessionário da marca vendeu em oito meses as 60 primeiras unidades disponíveis e tem uma lista de espera para mais oito meses de entregas.

O 62S (62 pelos 6,2 metros de comprimento e S de special) foi lançado para disputar o mercado de topo com o Rolls-Royce Phantom e com os Bentley Arnage e Flying Spur, mas os seus doze cilindros (V12 de 5,5 litros) e jantes de 20 polegadas permitem-lhe chegar dos 0 aos 100km/h em 5 segundos (menos um segundo do que a maioria dos carros desportivos luxuosos, o que é obra para uma limousine) e atingir a velocidade máxima de 250km/h. Entre as 18 cores possíveis, o grande sucesso é o new Bahamas blue (um azul-céu escuro).

Por dentro, a coisa oscila entre o salão de estar e o quarto de dormir: couro de primeira, mesas e mini-bar escamoteáveis, lugares traseiros idênticos às cadeiras de primeira classe dos aviões comerciais com 84,5 centímetros de espaço para as pernas, assento traseiro reclinável até ficar quase horizontal e apoio suplementar para as pernas, mesa-de-cabeceira, perfumador de ambiente à escolha no ar-condicionado, sofisticados sistemas de navegação, duas TV LCD com controlo remoto, equipamento de som de 21 saídas com a qualidade de uma sala de concertos, tecto opaco ou transparente à escolha do momento e tudo o mais que se queira.

Em Portugal, por ser um costume que se reforça em tempos de crise, o Governo não deve tardar a encomendar este novo Mercedes topo-de-gama. O Governo e a Águas de Portugal, é claro. Até para servir de exemplo à opção por carros eléctricos: o Maybach não sai do sítio sem ter uma bateria. Portanto, deve ser eléctrico.

Sabia que... (65)

por João Carvalho, em 15.02.11

... há uns meses, foram encontrados no deserto do Utah (EUA) alguns fósseis, entre os quais ossadas dos dinossauros com as cabeças mais bem ornamentadas de todos? Pois é verdade. Segundo os cientistas de Salt Lake City que os acharam, um deles era uma besta aí de quatro toneladas e com uns 6,7 metros de comprimento.

Os mesmos cientistas disseram que os fósseis foram encontrados no sul daquele deserto e que dois desses dinossauros pertencem a uma espécie muito próxima dos Tricerátopos. Um destes (o maior) percebe-se que tinha uma grande cabeça e que esta era de tal modo ornamentada que ostentava 15 chifres: um Kosmoceratops richardsoni, considerado o dinossauro com a cabeça mais ornamentada até agora conhecida. Sobre o outro bicho, cuja cabeça era enfeitada com a módica quantidade de cinco cornos, ainda falta esclarecer se é um Utahceratops gettyi (ou talvez outro qualquer que tenha sido valentemente encornado em vida?).

O certo é que a descoberta, como se conclui, foi uma autêntica exposição de cornudos. Um paleontologista do Museu de História Natural do Utah sublinhou que «não é todos os dias que se descobrem dois dinossauros "tamanho rino" tão diferentes de outros dinossauros encontrados na América do Norte». Ainda por cima — diga-se de passagem — tão invulgarmente chifrudos que só um corpanzil à rinoceronte é que podia aguentar tamanha cornadura.

Cá por Portugal, o achado deste tipo mais recente data de há ano e meio, mas não despertou a comunidade científica. Foi na Assembleia da República, não passou de um modesto par de cornos tradicional e acabou com a imediata exoneração de um ministro.

Sabia que... (64)

por João Carvalho, em 03.02.11

... conforme o Zodíaco chinês, este é o Ano do Coelho? Pois é verdade: começa hoje, 3 de Fevereiro de 2011 (ano lunar de 4709, no calendário tradicional chinês).

Quer saber quem é que nasceu em anos do Coelho e se tornou mundialmente conhecido? Assim de repente, que eu me lembre e sem qualquer ordem especial: Albert Einstein, Leon Trotsky, Frank Sinatra, Papa Bento XVI, Angelina Jolie, Brad Pitt, Johnny Depp, David Beckham, Tiger Woods e Whitney Houston, entre outros. E quem é que não se tornou conhecido? O Silva, a Vanessa não-sei-quê, o Mendes, o Armando qualquer-coisa e eu, por exemplo (se calhar não me lembro de mais por não serem conhecidos).

Em relação a Portugal, gostava de dizer o que podemos esperar deste Ano do Coelho, que se estende até 22 de Janeiro de 2012. A sério: gostava mesmo de dizer. Até fico entalado por não contar tudo. Mas talvez seja melhor não dizer, porque parece que o FMI tem orelhas muito compridas e os mercados ficam muito nervosos.

Sabia que... (63)

por João Carvalho, em 18.01.11

... um grupo de cientistas japoneses estão a projectar a recriação de mamutes? Estão e têm em vista utilizar alta tecnologia de clonagem para o efeito, o que é muito mais do que implantar próteses dentárias e dar um casaco de peles a um elefante.

O processo consiste em obter (em breve, dizem eles, porque já estão numa fase adiantada do projecto) tecido de uma carcassa de um desses paquidermes que está preservada num laboratório de pesquisas russo. Depois, as células obtidas deverão ser inseridas num ovo de elefante em que o núcleo tenha sido retirado, para que se forme um embrião contendo genes do mamute.

O projecto está a interessar a comunidade científica um pouco por todo o mundo, excepto em Portugal, onde prossegue afincadamente o estudo para a manutenção persistente dos dinossauros vivos em que a nossa política é fértil.

Sabia que... (62)

por João Carvalho, em 04.01.11

... este (em cima) é o símbolo da Telluride Foundation, uma instituição norte-americana que desenvolve acções de apoio social estabelecida na Califórnia? Pois é.

Sabia que este (à esquerda) é o logótipo criado para os Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro, que acaba de ser apresentado em Copacabana no primeiro dia do ano? Pois é. É e está a levantar polémica, porque há quem entenda que se trata de uma réplica do logo anterior ou fortemente inspirado nele. De tal modo que alguns até falam em reprodução plagiada.

Talvez tudo isto não passe de uma tempestade num copo de água, porque já anteriormente aquela fundação californiana tinha sido acusada de adoptar nem-mais-nem-menos do que uma imagem inspirada em La Danse, de Henri Matisse.

Sabia que... (61)

por João Carvalho, em 29.12.10

... o homem de Neandertal, extinto há 30 mil anos, já se alimentava de carne e de vegetais e cozinhava o que comia? Pois parece que sim, porque é esta a conclusão de um estudo agora publicado na revista científica norte-americana Proceedings of the National Academy of Sciences que teve por base a análise de partículas de alimentos contidas nas placas de tártaro dos dentes de ossadas do homem de Neandertal descobertas em sítios arqueológicos do Iraque e da Bélgica.

Foi através dessas análises que se descobriram grãos de amido provenientes de várias plantas, entre as quais uma erva selvagem, e vestígios de tâmaras, amidos e diferentes legumes, raízes e tubérculos, os quais teriam de fazer parte da alimentação desses nossos antepassados, que antes se pensava serem sobretudo caçadores e, portanto, carnívoros. Além disso, os vestígios demonstraram que alguns desses alimentos tinham sido modificados por efeito de cozedura, o que também confirma que eles dominavam o fogo. Ainda nem todos os alimentos estão identificados, mas já deu para perceber que os grãos ingeridos não eram previamente moídos e que nem sequer dispunham de utensílios de pedra para o efeito, o que faz supor que eles não se dedicavam à agricultura.

Uma coisa é certa: apesar da alimentação saudável de vegetais, cozidos e grelhados lhes proporcionar uma vida feliz — como este simpático e sorridente casal apanhado há mais de 30 mil anos quando ele piscava o olho à sua amada (foto da esquerda), ou a família que prepara um barbecue no campo longe da poluição de Bagdad e de Bruxelas (foto do topo), ou a evidente elegância das suas silhuetas (foto do meio) — não conseguiram sobreviver até hoje. Podemos, portanto, tirar os cavalinhos da chuva com essas tretas todas que andam a impingir-nos sobre dietas e longevidade.

Quanto ao resto, não fica ainda provado que o homem de Neandertal do Iraque tenha protagonizado uma espécie de reencontro com as origens naquela atracção fatal de George W. Bush pelos iraquianos. Porém, fica mais que provado que o homem de Neandertal da Bélgica nos legou uma linhagem ainda hoje influente: parte dos seus descendentes actuais continua a abominar a agricultura. E Portugal, sempre na linha da frente da obediência às directivas dos homens de Bruxelas, conseguiu livrar-se dessa arrelia que é fomentar a cultura da terra e a produção alimentar, pois toda a gente sabe que é muito melhor e mais fácil esperar que a comidinha nos caia do céu.

 

N.B. — Sobre o post aqui mesmo por baixo, os nossos leitores atentos já devem ter reparado que o resultado da "licença sabática" do nosso Paulo Gorjão foi deixá-lo menos atento. Era só deixar este blogue deslizar mais um bocadinho para baixo...

Sabia que... (60)

por João Carvalho, em 12.12.10

... John F. Kennedy é o mais apreciado Presidente dos EUA? É verdade: segundo uma sondagem realizada ciclicamente aos norte-americanos, com base em parâmetros que se traduzem em votos (correspondentes a percentagens individualmente atribuídas), Kennedy continua a ser o mais popular, com 85 por cento dos votos. (Note-se que a sondagem visa apenas a História contemporânea dos EUA.)

O segundo mais votado nesta sondagem que acaba de ser divulgada foi Ronald Reagan, com 74 por cento, e o terceiro foi Bill Clinton, com 69 por cento (um número que Mota Amaral era capaz de achar curioso). Aparentemente esquecido o affair com Monica Lewinsky, Clinton passou a ocupar o lugar de Jimmy Carter, que caiu de terceiro para sexto lugar com 52 por cento — abaixo de George W. Bush, em quarto com 64 por cento pelo seu primeiro mandato*, e de Gerald Ford, em quinto com 61 por cento.

Seguem-se Lyndon Johnson, em sétimo com 49 por cento, George W. Bush, em oitavo com 47 por cento pelo seu segundo mandato*, e Richard Nixon, em nono e último lugar com 29 por cento.

Era engraçado, em Portugal, fazermos o mesmo sobre os nossos primeiros-ministros. Se calhar, ainda há-de começar a fazer-se. Deixem-me ver se adivinho quem seria o "nosso Nixon"... Não, não digo para não estragar a surpresa.

 

* A sondagem teve em conta que os dois mandatos de George W. Bush eram demasiadamente recentes para que a sua permanência total na Casa Branca pudesse ser apreciada de forma global.

Sabia que... (especial)

por João Carvalho, em 02.12.10

... não ganhámos a galinha dos ovos de ouro? Calculava, não é? Mas talvez não saiba que ganhámos o Mundial de 2018. Quer dizer: ganhámos por não ganharmos. E isso nos custou 2,5 milhões de euros!

Depois do sucesso da Expo, do Euro e outras coisas que tais, daquelas que iam dar imenso lucro com o dinheiro que ia escorrer a rodos, só nos faltava ter ganho um Mundial. É que a gente já nem consegue arranjar maneira de dar destino aos sucessivos lucros que nos caem em cima. É bem feito para os russos. Eles que se preparem para o destino que escolheram.

Portugal é isto: tudo o que se planeia com os nossos impostos há-de dar lucro. É pena que seja só para alguns. Bem poucos, aliás.

Sabia que... (marginal)

por João Carvalho, em 01.12.10

... há gente gira? Sabia, é claro: o mundo está cheio de gente gira. Não é por acaso que a secretária de Estado dos EUA Hillary Diane Rodham Clinton está tão interessada em espiar gente muito bem seleccionada.

Dizem as más-línguas que o Bill anda a pagá-las, depois daquela cena na Sala Oval. É provável que lhe cause alguns engulhos (onde é que eu já ouvi isto?) saber que Hillary anda a espreitar a intimidade de vários líderes mundiais, da Coreia do Norte ao Irão, da Venezuela a Cuba, mas tem de aguentar calado. E terá de continuar assim, apesar de desconfiar agora que ela ficou muito interessada, depois de uma cimeira recente, em apanhar o primeiro-ministro português a dizer uma verdade às escondidas.

Este "voyeurismo" é perfeitamente natural: a antiga Primeira Dama norte-americana descobriu que também há gente gira em Portugal. Alguém tem sugestões a apresentar?

Sabia que... (59)

por João Carvalho, em 23.11.10

... o velho comboio Foguete que andou tantos anos a fazer Porto-Lisboa está estacionado no Entroncamento? Pois é que está mesmo e também está em pleno processo de transformação: era uma composição com história e agora já é um monte de sucata em adiantado estado de decomposição.

Pode ser que o ministro Mendonça queira olhar para trás e sinta dó do histórico Foguete, já que olhar para o futuro não parece ser o seu forte. Pelo menos, sempre servia para ele se entreter às terças, quintas e sábados, que são os dias em que o projecto do TGV costuma ser suspenso. Com o que vai ter de gastar (parafraseando a fonte original*) em lixa, citofer e zarcão, sempre poupará em palitos, guardanapos e croquetes.

Não sendo ainda uma relíquia, este comboio é já um fantasma medonho no Entroncamento.

              

* — Fotos de Manuel Luna roubadas aqui.

Sabia que... (extra)

por João Carvalho, em 19.10.10

... aquele homem não tem televisão em casa? Pois é que não tem mesmo e está farto de ser explorado pela factura da EDP. Por isso, trepou para ali, onde tem mais electricidade do que alguma vez pensou ter e jura que ninguém irá tirá-lo do lugar que escolheu.

Não pago nem mais um tostão — disse ele antes de subir para lá. Mas a EDP está preocupada, porque parece que é preciso pagar uma taxa extra para se ter corrente eléctrica tão abundante e agora não sabe como ir lá cobrá-la.

Sabia que... (58)

por João Carvalho, em 16.10.10

... a Suiça celebrou ontem a conclusão do maior túnel do mundo, o Túnel da Base de S. Gotardo (Gotthard Base Tunnel)? É verdade: tem 57 quilómetros (ultrapassa o Túnel Seikan no Japão, com 53,85 quilómetros, o Eurotúnel no Canal da Mancha, com 50,5 quilómetros, ambos ferroviários, e o Lötschberg Base Tunnel na Suíça, com 34,58 quilómetros, o maior túnel rodoviário do mundo, aberto em 2007), levou cerca de dez anos a construir e faz parte do projecto AlpTransit, com perto de 60 anos e um custo que ronda os dez mil milhões de euros. A conclusão da obra está prevista para 2017 e completa os dois outros túneis em S. Gotardo, o ferroviário, de 1881, e o rodoviário, de 1980.

O novo túnel faz a ligação Norte-Sul da Suíça e destina-se a comboios de alta velocidade e comboios de carga, esperando-se que diminua para metade o milhão e 200 mil camiões que atravessam anualmente os Alpes. A importante ligação entre Zurique e Milão (Itália) demora agora menos uma hora e, no final do projecto, menos hora e meia. Nessa altura, em 2017, a obra terá um total de 153,5 quilómetros de túneis (os dois sentidos da ferrovia são em túneis separados), poços e passagens, continuando sem beliscar a natureza e a montanha, bem como a vida invejável e tranquila das cidades e vilas da região.

O projecto foi aprovado em sucessivos referendos nos últimos 20 anos, por larga maioria, apesar de algumas críticas por custar quase 1300 euros a cada suíço, o que não impediu ontem uns sorrisos face aos vizinhos alemães, cuja oposição popular tratou de travar a construção de uma nova linha férrea de alta velocidade com passagens e estações subterrâneas. É que os eleitores suíços confiam na gestão dos dinheiros públicos e na competência da liderança política.

Qualquer tentativa de comparação com a realidade portuguesa seria um exercício pateta.

Sabia que... (57)

por João Carvalho, em 15.10.10

... a actual euforia em torno dos veículos eléctricos tem precedentes tais que já foram exportados alguns para a Lua? É isso mesmo: os três Lunar Rover transportados pela Apollo 15 em 1971 eram eléctricos. Não porque a gasolina fosse mais cara na Lua, mas porque os postos de abastecimento ficavam muito longe.

O comandante David Scott mais os dois pilotos Alfred Worden e James Irwin deslocaram-se na Lua com os três Rover há quase 40 anos. Um dia destes, os astronautas vão perceber que os veículos hoje valem um dinheirão e que muitos coleccionadores de carros antigos e clássicos gostariam de lhes deitar a luva. O problema é que os três Lunar Rover estão estacionados a perto de 400 mil quilómetros.

Hoje em dia, em Portugal, o facto dá que pensar. Estarão os Rover bem estacionados? Os parquímetros estão com moedinhas válidas? Se os carros viessem para cá importados quanto é que dariam em impostos e taxas? Ah!... Bons tempos em que a Lua se relacionava com amores fugidios... Ainda há 40 anos, três homens que fossem à Lua levavam três carros de dois lugares. Um homem sabia prevenir-se para o que desse e viesse, essa é que é essa.


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