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Pensar faz bem! (1)

por Helena Sacadura Cabral, em 13.08.17

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Da igualdade e da liberdade

por Pedro Correia, em 10.04.17

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Há quem enalteça a igualdade como o valor mais nobre da democracia. Mas um relance pela história dos últimos decénios demonstra que isso não corresponde à verdade.

Em nome da igualdade foram cometidos alguns dos maiores crimes do século XX. O extermínio de pequenos agricultores russos e ucranianos que não se submeteram à norma "igualitária" da Revolução de Outubro. O internamento em campos de "reeducação", a humilhação pública e as sevícias que desabaram sobre o embrião de classe média nos anos desvairados da pseudo-Revolução Cultural na China maoísta. A igualdade utópica erigida em dogma supremo que justificava os mais cruéis anátemas, como a liquidação de qualquer indivíduo que usasse óculos – esse absurdo símbolo de uma cultura "decadente" – no Camboja sujeito à mão de ferro de Pol Pot.

 

Depois das escabrosas experiências de engenharia social feitas pelos maiores tiranos apostados em garantir a "igualdade", o termo passou a ser um dos mais corrompidas da nossa época.
George Orwell tornou bem evidente esta irremediável corrupção lexical, em que a palavra serve apenas de camuflagem para ocultar o seu significado oposto, na mais corrosiva fábula política de todos os tempos – O Triunfo dos Porcos (Animal Farm, 1945), quando se torna inequívoco, aos olhos de todos os animais que habitam a quinta, que “uns são mais iguais do que os outros”. Precisamente os que integram a camarilha triunfante, formando uma nova classe – igualitária no verbo, despótica no mando.
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Ao contrário do que supõem algumas boas almas, o valor mais nobre da democracia não é a igualdade – é a liberdade. A "igualdade", como já se viu, pode coexistir com a mais aberrante ditadura (reina a "igualdade", por exemplo, entre todos os prisioneiros num campo de concentração).
Mas nunca haverá democracia sem liberdade. Não pode haver.
“A liberdade é preciosa – tão preciosa que deve ser racionada”, assegurou Lenine, numa das maiores proclamações de cinismo político de que há memória. Mas que é também uma notável - embora involuntária - homenagem do fundador do Estado soviético a essa aspiração suprema da condição humana que é a liberdade. Que só mantém o seu valor facial quando é aplicada sem racionamentos.
Até contra a igualdade, se for preciso.

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Elogio da solidão

por Rui Herbon, em 18.05.14

Neste mundo obsessivamente interconectado, onde é mais fácil comunicar com alguém em Tombuctu que falar com o vizinho do lado, o mais difícil de tudo é comunicar consigo mesmo. Schopenhauer colocava-o assim: «A solidão é a sorte de todos os grandes espíritos». Mas, mais que sorte, é uma aprendizagem, uma auto-exigência e, talvez, uma valentia. No fundo não estranho que tenhamos pânico da solidão, como o temos também do silêncio, porque ambos nos resgatam do ruído quotidiano, desmontam os subterfúgios que pacientemente havíamos construído, e devolvem-nos sem piedade ao essencial. Inclusive incitam-nos a fazer perguntas. E nestes tempo onde o surfing da vida triunfa em todos os aspectos — comida rápida, relações rápidas, conversas rápidas —, a ideia de estar só consigo é quase revolucionária.

Falo evidentemente da solidão criativa, escolhida e procurada entre o ruído quotidiano. A outra, a daquelas pessoas que ficaram sós, amiúde em idades avançadas, é outra história. Nesse caso não se trata de uma respiração que insufla a alma, mas de viver com a sensação de abandono. O que, estranhamente, é uma consequência mais desta sociedade de tanta gente junta e ligada que contudo está a perder a capacidade de falar. Este tipo de solidão, sem dúvida nenhuma, não tem nada de criativo e tem tudo de doloroso. Mas a outra solidão, a que é capaz de conviver e construir caminhos partilhados, que não está vazia de gente, mas muito cheia, que não foge, mas que busca e encontra, essa solidão devia ser uma reivindicação diária, uma auto-exigência, um prazer concedido.

Pouco a pouco vamos perdendo essa capacidade de recolher-nos em nós, seja para ler um livro ou ouvir um disco, ou simplesmente para observar a vida. E perdemo-la porque é mais fácil vivermos rodeados de ruído humano, ainda que tenhamos esquecido a gramática para entender a linguagem. No fundo creio que somos uma sociedade assustada e frágil, e que preferimos colocar-nos apenas as perguntas certas para não vislumbrarmos o abismo interior pelo qual derrapamos. Por isso educar é também ensinar a parar o tempo, despojar-se dos disfarces, ficar só com as próprias interrogações e aprender a gostar de si. Essa solidão conquistada é, no fundo, a conquista de si mesmo.

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Notas soltas II

por Rui Herbon, em 23.04.14

 

11 – Ter uma só pátria é uma forma da estupidez.

 

12 – As ligaduras não deviam ter nós, mas laços.

 

13 – Uma convicção é uma intuição calcificada: um fóssil.

 

14 – Sem matiz não há imensidade, nem sequer infinito.

 

15 – Cansa-me tudo o que não exige esforço. Sem resistência, não avanço.

 

16 – Vivo em aforismo. Ainda que às vezes me parafraseie.

 

17 – Não é que não te ame. Trata-se de que já tenho demasiadas vidas a que atender.

 

18 – Se uma literatura não constrói um carácter, o que constrói é muito pouco.

 

19 – Tenho razões para tudo, mas não tenho uma só certeza de que tenha razão.

 

20 – Não é que os nossos defeitos nos tornem mais humanos; antes nos tornam mais homens perante os defeituosos olhos humanos.

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Notas soltas I

por Rui Herbon, em 22.04.14

 

1 – Não sei se o que digo é medicinal, mas curo-me de mim ao dizê-lo.

 

2 – Do que sou curo-me com o que não sou. Do que não sou não me curo com nada.

 

3 – Quando mudo uma vírgula, mudo tudo o que fiz durante o dia.

 

4 – Os mortos estão cansados de ser só memória.

 

5 – As cicatrizes são as caligrafias da dor.

 

6 – O amor é o único estado de carência que se basta e sobra.

 

7 – O que está bem dito, muitas vezes não está dito bem.

 

8 – Quem faz auto-biografismo fá-lo, e quem julga não o fazer perpetra-o.

 

9 – O peso que importa é só o que não pode suportar-se.

 

10 – A escrita que cai do céu é como o sonambulismo: algo que ocorre a outro que sou eu.

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o fim do mundo

por Patrícia Reis, em 21.02.14

Eu sei o que é estar à beira do abismo. Estou a olhar para ele, para o meu fim.

 

Esta frase é de Eduardo Lourenço, assim a disse, ontem, nas Correntes d'Escrita, edição 2014.

O meu coração encolhe-se.

O que quer dizer é que já não vê o futuro, que partilhou mais de 50 anos de vida com alguém que não está, que talvez possa deixar de pensar, de escrever, de querer saber. Não o diz assim. Nunca o dirá. Mas sente-o.

No Congresso Internacional Fernando Pessoa em Novembro de 2012, andando para cá e para lá, a ver a morte rondar, não parou um segundo.

Dei-lhe boleia. A minha mão nas mudanças, a dele na minha. Um gesto de conforto. De ternura. Os meus olhos ficaram nublados com a história que me contou. Não a repetirei, não é para isso que servem estes espaços. E, ao mesmo tempo, há no silêncio de algo que nos foi digo uma certa ideia de sagrado. Disse-lhe

 

Gosto de o ouvir pensar.

 

Parece-me holocáustica a forma como algumas das minhas pessoas estão tão perto do abismo. A justiça disso será o quê? A minha verdade é fruto da experiência, logo distinta da dos outros. O meu abismo é só meu. Gostaria de dar, a quem amo, planíces para caminhar, para gozar o sol, o silêncio. Um mundo plano, sem quedas. Depois repito o que sei ser verdade e, porventura, inevitável para todos

 

Eu sei o que é estar à beira do abismo. Estou a olhar para ele, para o meu fim.

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Parar para ler, parar para pensar

por Pedro Correia, em 02.01.13

 

Em 2012 consegui ler ou reler Eça, Camilo, Jorge Amado, Virginia Woolf, William Faulkner, Ford Madox Ford, Dylan Thomas, Graham Greene, Julio Cortázar, Joseph Roth, Nelson Rodrigues, Pérez-Reverte e Erich Maria Remarque, entre alguns outros. Li muito menos do que gostaria, mas muito mais do que eu próprio antevi ao iniciar-se o ano num tempo em que tudo nos afugenta da leitura - do ruído circundante às contínuas invasões do nosso reduto íntimo através desses instrumentos omnipresentes no quotidiano do homem contemporâneo que são os computadores e os telemóveis, cada vez mais sofisticados, cada vez mais intromissivos.

A capacidade de concentração de cada de um de nós vai-se diluindo, por obra e graça destes aparelhos que nos põem em contacto com o mundo e com um sem-fim de amigos "virtuais" que nunca vimos mais gordos. A reflexão é inimiga desta constante fragmentação em que vivemos: é raro o filme que se vê até ao fim - mesmo numa sala de cinema - sem o contínuo piscar da luz do telefone portátil, adereço hoje obrigatório, espécie de prolongamento da mão de cada um.

E, no entanto, continuamos a ter direito ao silêncio. Continuamos a sentir necessidade de alguma solidão que nos permita o indispensável reencontro connosco próprios por detrás da espuma dos dias - tão ilusória, tão fugaz, tão enganadora. Continuamos a sentir necessidade daquelas horas de recolhimento a sós com um livro, com um filme, com aquele disco que há muito pretendíamos escutar sem a inevitável gritaria dos anúncios da TV em fundo ou o insistente apito das inúteis mensagens de telemóvel apregoando mais uma campanha de descontos daquele perfume que nunca iremos comprar ou daquela peça de roupa que jamais usaremos.

De tudo quanto pedimos que nos traga o Ano Novo, peçamos-lhe também alguns períodos de paz interior que nos permitam algo tão elementar como ir ao encontro de um livro adormecido numa estante. Talvez aquele que há anos queremos ler sem o conseguir por algum motivo fortuito. Ou revisitar aquele de que gostámos muito há uma dúzia de anos.

E não abdiquemos também do direito de pensar - arranjemos também algum tempo para reflectir. Para nos interrogarmos. Para não nos deixarmos levar pelos pregoeiros de serviço ou pelos vendedores de ilusões. "O mais grave no nosso tempo não é não termos respostas para o que perguntamos - é não termos já mesmo perguntas", escreveu Vergílio Ferreira na sua Conta Corrente, cheio de razão.

Tentemos que o nosso 2013 não seja assim. 

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Pensar?

por Patrícia Reis, em 17.02.12

Não sei em que pensar: em ir para casa como sugere um cardeal, no homem que foi condenado apenas a seis anos de prisão por exigir à mulher a participação em orgias sexuais apontando-lhe uma arma ou na questão da fertilidade e na Europa envelhecida.

Vou pensar em 19 pontos na cabeça. É mais fácil.

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