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Pensamento da semana

por Catarina Duarte, em 09.04.20

Sugiro que deixemos de lado a interpretação que fazemos constantemente das intenções e, talvez ainda pior, da forma como se dirigem a nós, dos modos de expressar de cada um. Como alternativa, proponho que passemos o foco para o conteúdo.

É um jogo difícil, este que vos falo, porque a forma, tal como a roupa que trazermos vestida, determina a imagem do que pretendemos transmitir. Mas não está certo – não pode estar certo – perder uma ideia, uma opinião, outra forma de analisar, apenas por não se gostar das calças que a pessoa que está a nossa frente traz vestidas.

 

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Pensamento da semana

por Teresa Ribeiro, em 05.04.20

Não fique em casa... se não quer ficar sem emprego - este é o dilema que se coloca hoje a milhares de pessoas. Uma realidade escondida que a comunicação social não está a revelar, nem é aflorada pelo governo.

No país das pequenas e micro empresas as ruas podem estar desertas, pode já não existir concentração de gente nos espaços públicos, mas há locais de trabalho onde as regras do estado de emergência não estão a ser aplicadas. Ao contrário dos estabelecimentos comerciais, fáceis de fiscalizar, esses espaços funcionam entre quatro paredes, escondidos em edifícios de escritórios ou até em prédios de habitação. 

Soube pela DECO que nos últimos dias têm chovido no seu departamento júridico pedidos de aconselhamento de profissionais que estão a ser coagidos a continuar a trabalhar em espaços exíguos, onde o distanciamento de segurança é impraticável.

Entendo que é o desespero que conduz a esta insensatez, mas a verdade é que enquanto estas situações persistirem, as medidas de mitigação são um saco roto, por onde a pandemia continuará a expandir, prolongando ainda por mais tempo esta agonia em que todos vivemos.

A propósito deste assunto, aproveito para dar um recado ao PAN: foi importante indicar os serviços veterinários como uma das actividades  essenciais que o governo deve autorizar durante a pandemia, mas entre estes existem milhares de clínicas e consultórios sem o mínimo de condições de segurança sanitária. Porque funcionam em espaços tão reduzidos que é impossível manter distanciação mínima e sem equipamentos adequados (máscaras e luvas eficazes contra o vírus). Só esta área de  negócio bastará para infectar boa parte da população, pois faz atendimento público, nas piores condições, por todo o país - foi divulgado num congresso veterinário que em Portugal há mais clínicas veterinárias do que em Espanha!!

Só os hospitais veterinários deviam manter a porta aberta nestas circunstâncias, caros senhores, por isso, por favor, façam serviço público e em vez de proteger os vosso amigos veterinários, cuidem, primeiro que tudo, da população. Obrigada!

 

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Pensamento da semana

por Rui Rocha, em 29.03.20

O problema está em termos decisores políticos com pensamento linear a gerir um fenómeno com crescimento exponencial.

 

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Pensamento da semana

por José Meireles Graça, em 22.03.20

Medidas a mais ou a menos, cedo ou tarde de mais, aprendendo com os outros ou inventando a roda: no fim acertaremos contas. Mas isso é o menos; o mais é que ficaremos mais fortes para a próxima. E a próxima, Covid20 e por aí fora, virá.

 

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Pensamento da semana

por Marta Spínola, em 15.03.20

"Se tens um coração de ferro, bom proveito.
O meu, fizeram-no de carne, e sangra todo dia."

in A Segunda Vida de Francisco de Assis, José Saramago

 

Chegou-me relato sobre alguém de quarentena, que se passeia pela cidade alegremente e cuja reacção perante o reparo "mas a ideia seria ficar em casa...", é elucidativa: "e quem controla isso?". A prioridade não é cuidar de si, ou pensar nos outros, é aproveitar que não se é apanhado.

Não me surpreendeu, infelizmente. 

Tenho-me lembrado muito de Saramago por causa do coronavírus, dos seus (des)humanos egoístas e fanfarrões. 

 

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Pensamento da semana

por João André, em 08.03.20

O mundo moderno cria especialistas em tudo e mais alguma coisa sem criar seres humanos. Não é uma questão de a cultura geral ser insuficiente, é o facto de o conceito de cutura geral ser bastas vezes incompreendido. Ler Shakespeare demonstrará cultura, mas desconhecer a segunda lei da termodinâmica, talvez mais grave que não conhecer o Bardo, não é vista como uma falha grave de cultura.

Não só deveríamos todos investir em saber mais, como deveríamos investir em saber pensar melhor, melhorar o espírito crítico e aplicá-lo a tudo o que vemos, ouvimos, lemos, sentimos. E deveríamos depois ter as ferramentas para poder raciocinar e argumentar as teses em discussão.

Nesse aspecto, além de falhas pessoais e da sociedade, há uma falha na escola, ao insistir num mundo de especialistas que ficam depois mancos de outras formas de conhecimento e razão. As humanidades deveriam manter sempre cadeiras de matemática e ciência (mesmo que geral). As ciências deveriam sempre insistir em línguas estrangeiras, literatura e filosofia.

Urge reverter o desconhecimento que vem na forma de conhecimento ultra-específico e absoluto. Só conhecendo mais, saberemos o pouco que conhecemos. E questionaremos.

 

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Pensamento da semana

por Sérgio de Almeida Correia, em 01.03.20

Agarro em meia-dúzia de jornais e revistas nacionais. Leio os títulos, depois percorro a actualidade política, um ou outro artigo de opinião, e paro. As desgraças são as habituais, as preocupações as corriqueiras. A globalização da desgraça é, há muito, um fenómeno quotidiano. O COVID-19 está aí para prová-lo. Por aqui nada de novo. Todavia, há algo mais que me faz reflectir.

Três tipos resolveram andar a 300 km/hora, colocam em risco a sua própria vida e a de todos os outros que circulam pelas mesmas vias, fazem um vídeo para mostrar o feito, e acabam em pacote de plástico. No dia seguinte fazem-lhes uma homenagem, interrompendo a circulação numa das artérias mais movimentadas de Lisboa com a compreensão da polícia.

Na Assembleia da República, de um momento para o outro e sem que tal constasse do contrato eleitoral, os deputados do PS e de mais alguns partidos aprovam cinco projectos de lei visando a despenalização da eutanásia. Sou sensível à questão. Tenho visto muita gente sujeita a um sofrimento absolutamente insuportável, gente cuja situação não se resolve com cuidados paliativos, cuidados que para algumas instituições não são mais do que uma forma de aumentarem os seus proveitos económicos, como já tive ocasião de infelizmente testemunhar. Não tenho uma posição definitiva, tenho muitas dúvidas e não sou insensível nem ao sofrimento nem ao direito de escolha. A questão, concedo, era suficientemente melindrosa, de um ponto de vista médico, ético e moral para ter suscitado um debate atempado, informado e distanciado. Mais a mais tendo merecido pareceres em sentido contrário da Ordem dos Médicos e do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida.

Um ministro, confrontado com a rejeição dos seus planos por parte de alguns dos interessados que a lei obriga a levar em consideração, do alto da sua cátedra diz que o problema se resolve mudando a lei. Isto é, acomodando a lei à sua vontade, esquecendo que esta deve ser geral e abstracta, e não para regular casos específicos.

Um ex-primeiro-ministro é convidado para apresentar um livro. Na presença do autor que o convidou revela que o convidante não tinha sido a sua primeira escolha para comissário europeu. Tirando a óbvia deselegância, desqualificou o autor perante a plateia.

Não vale a pena continuar.

A lucidez de Vasco Pulido Valente já cá não está para comentar estes dias que vamos vivendo. Como também não estão o Víctor Cunha Rego e o Manuel António Pina. Para desgraça nossa foram poupados.

O que, apesar de tudo, não me inibe de continuar a olhar para tudo isto que se passa entre nós (vós), e tudo o mais que se vai passando noutras latitudes, com um sentimento de estupefacção.

Há muito que saímos da sociedade do risco de Beck. A globalização da miséria e da desgraça são hoje uma constante para a qual parece não haver organização possível.

Mas o que mais me aflige, confesso, é a forma como a estupidez se globaliza. Olhando para nós, aparentemente sem solução, é caso para dizer que a estupidez já comanda a vida.

 

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Pensamento da Semana

por Maria Dulce Fernandes, em 23.02.20

"Eu lembro-me da primeira vez que tive sexo - guardei o recibo." 

Groucho Marx

 

Eu também me lembro e muito bem. Curiosamente essa lembrança remete-me para o sushi; toda a gente deslumbrada de prazer e eu que não lhe acho graça nenhuma.

 

PS. Sendo esta  tradução mais apurada ( agradeço o apontamento! :) também mais maliciosa e esclarecedora, retrata de igual modo uma "primeira vez", possivelmente mais condimentda na receita.

 

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Pensamento da semana

por João Campos, em 16.02.20

Não deixa de ser curioso que para tanta gente que proclama ser "pró-vida" tudo o que acontece desde o momento em que se nasce até aos instantes que antecedem a morte - e que é, para todos os efeitos, a vida - pareça absolutamente irrelevante.

 

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Pensamento da semana

por João Sousa, em 09.02.20

Se há gadget próximo da perfeição, esse gadget é o papel: é barato; nunca fica sem bateria; é biodegradável e reciclável; não estala ou avaria com uma queda de dois palmos; não fica infectado com malware nem precisa de actualizações de segurança ou para correcção de falhas; não "pendura" a meio de um documento de seis páginas que nos esquecemos de gravar; não demora um minuto a ligar; não se transforma num tijolo quase inútil quando falha o sinal wifi ou 3g; e se dermos por nós sem espaço para gravar mais informação, basta entrarmos numa qualquer papelaria e resolvemos a questão com uma moeda de euro.

 

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Pensamento da semana

por João Pedro Pimenta, em 02.02.20

Poucos pecados há hoje em dia que sejam tão graves como o do preconceito, pela maneira como esta palavra é arremessada. E no entanto todos temos preconceitos, já que todos alguma vez na vida fazemos julgamentos sobre situações ou factos que desconhecemos ou dos quais pouco sabemos. E o preconceito pode mesmo servir como defesa em circunstâncias menos claras. Por vezes, há quem dê tanta atenção aos preconceitos que acaba por perder os seus próprios conceitos.

 

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Pensamento da semana

por jpt, em 26.01.20

"O nacionalismo não só levou, de facto, historicamente a Europa à beira da ruína, como contradiz ainda o que a Europa é pela natureza espiritual e política, embora ele haja dominado as últimas décadas da história europeia. Daí que sejam necessárias instituições políticas, económicas e jurídicas supranacionais, que certamente não pretendem construir uma super-nação mas que, ao contrário, devem devolver, fortalecidas, às diferentes regiões europeias o seu rosto e peso próprios. Instituições regionais, nacionais e supranacionais devem imbrincar-se de tal modo que tanto o centralismo como o particularismo sejam excluídos."

(Joseph Ratzinger, Os Fundamentos Espirituais  da Europa. Leça da Palmeira: Letras e Coisas, p. 32. Texto da conferência "Uma herança responsabilizante para os cristãos", 1979.) 

 

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Pensamento da semana

por Cristina Torrão, em 19.01.20

 

«Porque tendemos a acreditar que a nossa felicidade e a solução dos nossos problemas dependem unicamente de factores exteriores a nós?»

In "Tu És A Única Pessoa", Cristina Torrão (Oxalá Editora 2016)

 

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Pensamento da semana

por Pedro Correia, em 12.01.20

 

O que parece nunca é.

 

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Pensamento da semana

por Teresa Ribeiro, em 05.01.20

 

Não há sentimentos grátis.

 

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Pensamento da Semana

por Diogo Noivo, em 22.12.19

Os radicalismos dependem de discursos de vitimização. Representam o povo oprimido, sem voz, esquecido pelo poder incumbente. Por isso, mandar calar radicais dá-lhes argumentos. O melhor é deixá-los falar, sinalizando as incongruências e delatando o radicalismo. Acabarão inevitavelmente por cair em disparates grandiloquentes como "temos de perder a vergonha de ir buscar dinheiro a quem está a acumular".

 

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Pensamento da Semana

por Maria Dulce Fernandes, em 15.12.19

Comer doze passas, brindar com vinho, iluminar os céus com fogo, bater com tachos, subir para uma cadeira e saltar com o pé direito, vestir cuecas azuis, ter dinheiro na mão e agitar acima da cabeça, deitar fora o que não presta, mergulhar no mar…
Estas são algumas das mais comuns tradições cumpridas na passagem para o Ano Novo.
É inegável que a última seja a mais seguida, pois mesmo quem não liga a estas coisas, acaba por ir na onda.

 

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Pensamento da semana

por Teresa Ribeiro, em 08.12.19

 

Na minha relação afectiva com o Natal, gosto sobretudo dos preliminares.

 

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Pensamento da semana

por Alexandre Guerra, em 01.12.19

Nunca na história da Humanidade houve tanta informação disponível e facilmente ao alcance de qualquer cidadão, mas é a desinformação que vai merecendo a preferência da opinião pública, desvirtuando as suas decisões quotidianas e fragilizando sociedades e democracias. Os fundamentalismos, os extremismos, as teorias da conspiração e os movimentos obscuros alimentam-se desta desinformação, que vai crescendo de forma imparável, perante a debilidade das instituições tradicionais. Por seu lado, a informação, aquela que é credível e validada, circunscreve-se cada vez mais a um "nicho" de mercado, de gente que, em movimento contra-corrente, ainda a procura como bem valioso que é. Passarão a ser estes os sábios destes tempos por oposição à grande massa consumidora de desinformação?  

 

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Pensamento da semana

por João Sousa, em 24.11.19

C. disse-me certo dia que o meu pessimismo já era uma fé pessoal. Percebi onde ela queria chegar, mas expliquei-lhe onde estava o seu erro: fé é crença. Ora um pessimista não é um crente - é um descrente.

 

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