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Delito de Opinião

Pensamento da Semana

jpt, 07.08.22

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Quase todo o hoje está previsto na literatura: "Só outro russo podia compreender a mistura reaccionária e sovietófila que apresentavam os pseudo-coloridos Komarov, para quem uma Rússia ideal consistiria em Exército Vermelho, um monarca ungido, herdades colectivas, antroposofia, Igreja Russa e Barragens Hidro-Eléctricas".

(Vladimir Nabokov, Pnin, 1957. Edição portuguesa de Teorema, tradução de Telma Costa)

 

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Pensamento da semana

Pedro Correia, 24.07.22

N'Os Lusíadas, Camões utilizou 9160 palavras diferentes. Há pouco mais de um século, um compatriota culto poderia conhecer cerca de dez mil palavras. O vocabulário-padrão dos escritores actuais está reduzido a metade disso enquanto um português médio não domina mais de um milhar de vocábulos. 

A contínua compressão lexical empobrece não apenas a capacidade de expressão, mas o próprio pensamento. No limite, torna-nos menos livres.

 

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Pensamento da semana

Teresa Ribeiro, 10.07.22

Depois da guerra de Putin, a grande dicotomia entre concepções de sociedade  já não é entre a esquerda e a direita, mas entre os defensores da democracia (que existem à esquerda e à direita) e os simpatizantes de regimes autocráticos (que abundam na extrema-direita e na extrema-esquerda). 

 

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Pensamento da semana

Maria Dulce Fernandes, 03.07.22

Este sábado chorei e cantei. Não vi ao vivo, mas segui o Rock in Rio no canal Radical. Delfins,  Bush, UB 40, A-ha, DuranDuran, José Cid. Velhinhos velhinhos,  mas com o Rock nas veias. Confirmei mais uma vez aquilo que toda a gente sabe, a melhor música é a dos anos 80. Se estes últimos 40 anos foi tempo que perdemos ou tempo que ganhámos, é irrelevante. O Rock não envelhece.

 

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Pensamento da semana

Ana CB, 26.06.22

O caos provoca-me sentimentos mistos. Há aquele caos que é expressivo, irreverente, alegre, criativo. Aquele que me surpreende, me entusiasma e traz um sorriso ao rosto. Que é divertido. Que gera ideias e é motivador.

 

E há o outro, o da poeira e da sujidade, da degradação, do desleixo. É aquele de quem está sempre em turbilhão e não sabe parar, ou tem os horizontes limitados pela ausência de esperança, aquele de quem não conhece mais do que aquilo, ou o de quem já desistiu de viver. É um caos triste.

 

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Pensamento da semana

João Pedro Pimenta, 05.06.22

O desejo de pureza será sempre um dos males maiores da humanidade. Uma sociedade politica, étnica, religiosa ou linguisticamente pura, entre outras, será sempre o caminho para a tragédia porque implica sempre a eliminação das "impurezas", isto é, dos "impuros" aos olhos de quem a quer "purificar". A humanidade, sendo imperfeita e caótica, nunca poderá aspirar à pureza. Essa fica reservada ao transcendente e ao divino.

 

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Pensamento da semana

beatriz j a, 29.05.22

Ainda nem sequer passaram três meses de quando Putin tinha uma reputação a defender. Escrevia em letra grande na cena internacional. Agora é um infame, uma borracha que apaga anos de escrita a cada passo que dá. Como dizia Boris Pasternak, “Os homens no poder estão tão ansiosos por estabelecer o mito da sua infalibilidade que fazem o seu melhor para ignorar a verdade.”

 

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Pensamento da semana

João Sousa, 08.05.22

Não me recordo quem disse que, em vez de se retirarem pês e cês a Egiptos e actos porque algumas pessoas deixaram de os ler, seria melhor simplesmente voltar-se a ensinar a leitura e expressão correctas das palavras tal como elas são. Não penso ser uma ideia isenta de mérito. É que a continuar por este caminho que vamos seguindo, um destes dias há-de vir um outro qualquer Malaca Casteleiro propor que o Ó de passeios passe a ser facultativo - pois cada vez mais ouço pessoas dizerem "os passeis" em vez de "os passeios".

 

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Pensamento da semana

Ana Cláudia Vicente, 01.05.22

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[Foto:  I.Kupeli, Revolução dos Cravos, Porto, via Wkiicommons, 2011]  

 

Mais um ano passado sobre o dia 25 de Abril de 1974, nova hipótese de rememoração do seu antes-e-depois. Quem nasceu nos anos pós-revolucionários dá por si na condição de primeira geração sem experiência de vida num Portugal não-democrático. Os filhos, sobrinhos, alunos, vizinhos dessa geração chegaram ou estão a chegar agora à idade de compreender o real significado de abstracções como democracia, liberdade, igualdade, separação de poderes. Saibamos ensinar e aprender com eles, neste tempo de pouco vagar para ler ou para conversar.

 

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Pensamento da semana

Teresa Ribeiro, 24.04.22

Toda a vida assisti, do sofá, a guerras que chocaram a opinião pública. Mas quase todas eram lá longe, num mundo que não o meu, o que me criou a ilusão de que vivia na parcela mais civilizada do planeta. Bem sei, nos anos 90, o inferno desceu à Terra, nos Balcãs. Mas as razões dessa guerra eram muito locais, resultado de um ódio larvar entre etnias que eclodiu, mal a Cortina de Ferro se desmoronou. Vi-o, portanto, como um caso muito específico, nada que me impedisse de acreditar que pertencia à elite, à quota humana que já não desce abaixo da condição animal. Até que a Rússia invadiu a Ucrânia.

Agora, mais do que o desespero das vítimas e a bestialidade dos agressores, o que me abala é ter perdido todas as ilusões quanto à capacidade de evoluirmos como seres humanos. Porque vai-se a ver e a civilização é só verniz. Século após século o ser cavernícola continua a habitar no mais fundo de nós. Não morre. E às vezes sinto asco por pertencer a esta tribo.

 

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Pensamento da semana

Joana Nave, 10.04.22

Dizem que o dinheiro move montanhas, que no fundo todos têm um preço, que se vendem sempre que a recompensa é alta, mas será que é mesmo este deus que governa o mundo? Talvez a economia e a política sejam escravas do dinheiro, e as relações internacionais abracem este bem precioso como lema de igualdade e outras ideias de globalidade. No entanto, nada promove tanto a humanidade como o apreço, a palmadinha nas costas, o elogio na hora certa, o reconhecimento, este sim, lidera o mais nobre dos sentimentos, a esperança.

 

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