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Delito de Opinião

Pensamento da semana

João Campos, 10.05.21

Hoje em dia não falta quem se esqueça de que a liberdade de expressão não inclui dever de assistência ou mesmo de palco. Dito de outra forma: temos o direito de nos exprimirmos, mas ninguém tem o dever de nos ouvir, ou de nos dar espaço (físico ou virtual) para dizermos o que nos passa pela cabeça. Não deixa de ser curioso que tantos auto-intitulados defensores da liberdade de expressão pareçam ignorar este detalhe. 

 

Este pensamento acompanha o DELITO durante toda a semana.

Pensamento da semana

Alexandre Guerra, 09.05.21

Os comentadores e politólogos que se movimentam e opinam em circuito fechado continuam a abordar o fenómeno do populismo na sociedade portuguesa exclusivamente a partir do sistema político e nunca a partir do tecido social. Enquanto não tentarem perceber o que move e o que pensam muitos dos cidadãos normais, nunca conseguirão encontrar respostas sustentadas.

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana.

Pensamento da semana

Zélia Parreira, 04.04.21

"Pensar que há árvores que morrem para isto" é um pensamento que me ocorre com demasiada frequência, quase sempre acompanhado por um longo e desalentado suspiro. 

A escrita (literatura é outra coisa) de má qualidade é uma dupla ameaça ao planeta: pelos recursos que consome e pela estupidificação que promove.

(Voltarei a este assunto no final desta semana  de reflexão.)

 

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Pensar que há árvores que morrem para isto

Zélia Parreira, 03.04.21

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Estivesse eu numa Biblioteca que escolhe os livros que compra e esta questão nunca me atormentaria. Mas a Biblioteca onde trabalho é uma das dez instituições que recebe um exemplar de tudo o que é publicado em Portugal, graças à Lei do Depósito Legal.

 

Importa dizer que este privilégio me deixa – e aos meus leitores, certamente – muito feliz. Conseguimos disponibilizar conhecimento, informação, literatura a todos os que residem na nossa área de influência. No caso da Biblioteca de Évora, esta área abrange todo o país que se estende para cá do Tejo, uma vez que é a única biblioteca de depósito legal nesta região.

 

Como não há rosas sem espinhos, com o depósito legal vem uma série de livros que, sejamos francos e directos, nunca deveriam ter visto a cor da tinta. São, sobretudo, livros de autor, mas agora elevados a um patamar mais profissional. Em vez da boa e velha edição de autor, impressa na Gráfica local, os projectos editoriais são entregues a empresas de edição. Não confundir, por favor, com editoras, essas sim, empenhadas em fazer uma distinção qualitativa, embora mais frequentemente movidas por interesses económicos (se não for bom, não vende) do que para salvar a Humanidade do delírio de uma vida sem literatura. Também as há, e o caro Leitor seguramente conhecerá algumas, que privilegiam a qualidade e o orgulho no seu catálogo, mesmo que para isso seja preciso sacrificar o rendimento económico. Mas estas estão num patamar tão elevado em relação ao que nos traz aqui hoje, que vou deixá-las fora da conversa.

 

Foquemo-nos então nas empresas de edição. Comercializam um serviço, requerido pelo presumido Autor. Entre histórias de vida sofridas (ou talvez não) e produtos delirantes da imaginação, são propostas para edição. A empresa responde sempre que o livro tem potencial e envia um orçamento. Tudo é editável, desde que seja pago. Número mínimo de exemplares, com custo unitário de X, a que acresce custo de revisão, se o Autor o pretender; custo do desenho de capa, se o Autor preferir uma capa profissional; custo adicional do papel, se o Autor não quiser imprimir o livro de uma vida em papel reciclado de má qualidade. O Autor não quer. Já paga o que pode e o que não pode, para imprimir o livro, quando, ingenuamente, esperava obter receita da sua venda.

 

A propósito de venda, embora seja prometida a colocação em redes de livrarias e grandes cadeias como a FNAC ou a Bertrand, isso nunca chega a suceder. Na Fnac, na Bertrand e nas redes de livrarias já toda a gente conhece estas empresas e a qualidade habitualmente associada à sua “chancela”. De modo que o Autor acaba a vender os 500 exemplares que pagou para imprimir ao telefone, em mensagens privadas para todos os amigos e família. “Olha lá, sabias que publiquei um livro? Gostava que o lesses” e o livro aparece na semana seguinte na casa da vítima em segundo grau, precedido de um aviso de envio à cobrança.

 

Não, não é de gosto que vos falo. É de erros ortográficos, de todos os “á”, sem excepção, com acento agudo, de frases sem significado, de vírgulas entre o sujeito e o predicado, de um papel miserável e de capas feitas com fotografias retiradas da internet, de tipos de letra insuportáveis. É mau. É mau, mau, mau.

 

Na Biblioteca onde trabalho, e nas outras 10 em iguais circunstâncias, temos que receber estes livros, catalogá-los, etiquetá-los, arrumá-los em depósito para todo o sempre. Custos de tempo, de espaço e armazenamento. Só aqui, nesta Biblioteca, e descontando o que foi editado nos últimos 3 anos (devido às obras no edifício, suspendemos a recepção de depósito legal e só agora estamos a retomar) temos já 5890 títulos de uma destas empresas de edição. Se cada um destes títulos tiver 150 páginas (média calculada por baixo), temos quase 500 mil folhas de papel. E pensar que há arvores que morrem para isto.

Pensamento da semana

João Pedro Pimenta, 21.03.21

Na suposta "era da informação" incrementada pela net assiste-se a uma enormíssima desinformação opinativa. Não há melhor forma de sabermos que estamos perante um ignorante assumido e arrogante do que as palavras "vi no Youtube", "normalmente informo-me nas redes sociais" ou "sei porque li num site (mesmo que não venha a identidade de quem escreveu".

 

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Pensamento da semana

Cristina Torrão, 07.03.21

O líder do partido Chega incluiu a expressão “gente de bem” no seu discurso político, passando aquela a ser sobejamente apreciada pelos seus apoiantes. Na noite eleitoral, depois de estar garantido não haver segunda volta, André Ventura especificou ainda mais e desejou ao Presidente reeleito um “segundo mandato, com dignidade, respeito por Portugal e pelos portugueses de bem”. Ou seja, um candidato à Presidência da República não teve pejo em dividir o povo que se propunha representar entre os mais e os menos merecedores, apelando à discriminação de certos portugueses, que, pelos vistos, não acha dignos do respeito da maior instância da nação. Só faltava dizer que, como Presidente, criaria dois tipos de Cartão de Cidadão, a fim de melhor distinguir quem pertence ao exclusivo “clube bem”.

Mas afinal, o que é “gente de bem”? O que são “portugueses de bem”?

 

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Pensamento da semana

Paulo Sousa, 21.02.21

No caminho que foi feito pelos filósofos ao longo da história, o que é que hoje já sabemos que não sabíamos há 2000 anos atrás?

Com todo esse caminho já desbravado, que conforto podemos ter hoje, que não podíamos ter antes?

 

Estas questões foram retiradas do podcast 45 Graus de José Maria Pimental, numa entrevista ao professor de filosofia António de Castro Caeiro. Recomendo a audição do mesmo, até para ouvir a resposta do Professor a estas perguntas.

 

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Pensamento da semana

Rui Rocha, 14.02.21

É muito perturbador o total alheamento da realidade que Costa e Temido revelam. Hospitais em ruptura? Eles aparecem em centros de saúde. Cuidados intensivos a transbordar? Falam de vacinas. Não há para onde fugir? Vai-se à CUF. Parecem os ministros do Saddam a acenar enquanto Bagdad estava a arder.

 

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Pensamento da semana

Pedro Belo Moraes, 24.01.21

Entre o Marcelfie, o táctico afectuoso, o calceteiro com Tino de nome, a Ana péssima em campanha Gomes, o Tiago dos cartazes melhores que ele, o Ventura das atoardas lançadas da mesa do café, a Marisa maior que o partido que a apoia mas também ela em queda, o João da cassete PC Ferreira, uns maus outros piores, entre todos eles e a sempre eterna Isabel II, Carlos XVI Gustavo, o rei dos Suecos ou Rama X, soberano da Malásia, preferirei os nomes do primeiro grupo. Afinal, e em bom rigor, nos do segundo nem poderia votar, só levar com eles. Ser-me-iam impostos. Não teria escolha e a minha opinião de nada valeria. A poucos dias de ir escolher o Chefe de Estado de Portugal não imagino pior e mais triste pesadelo.

 

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Pensamento da semana

João Campos, 17.01.21

Não seremos amanhã quem somos hoje, nem manteremos no futuro todos os pontos de vista que defendemos no passado. É normal que assim seja. Mais do que isso: é necessário. Ao contrário do que se pensa, a coerência não é exactamente uma virtude, algo desejável de preservar incondicionalmente - à partida, durante as nossas vidas continuamos a aprender, a crescer, a evoluir. Só os fanáticos se mantêm coerentes ao longo do tempo, e fazem-no através da mais absoluta imobilidade.

 

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