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Delito de Opinião

Pensamento da semana

Cristina Torrão, 13.04.24

Traduzido do alemão:

«Em Novembro de 2023, o Supremo Tribunal [deste país] classificou o Movimento Internacional LGBT de extremista. Já quase ninguém se atreve a assumir publicamente ser gay ou lésbica. Entretanto, a Polícia apontou o seu foco a festas particulares de pessoas LGBT. Em fins de Fevereiro, foram controlados, em diferentes regiões do país, vários destes eventos. As acções decorreram todas de maneira semelhante: de repente, agentes mascarados invadem o local da festa, convidados e empregados são obrigados a deitarem-se no chão, sobre a barriga, algumas pessoas são presas».

Podemos pensar tratar-se de um anúncio de um filme encomendado para a campanha eleitoral de Donald Trump. Mas não, é realidade. No decorrer do artigo, diz-se ainda que os agentes, muitas vezes, agridem as pessoas, as obrigam a estar até quatro horas deitadas sobre o chão frio, ou as humilham com perguntas do género: “mostra lá, então, se és menino ou menina”.

Ao ler estas linhas, muita gente pensará: “Num país desses é que eu gostaria de viver. Bom para as famílias, bom para as crianças, bom para as pessoas de bem. Palmas para o Presidente desse país, que os tem no sítio."

Se eu disser que se trata da Rússia e de Putin, quantos mudam de ideias?

 

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Pensamento da semana

Cristina Torrão, 07.04.24

Emigrantes e imigrantes são uma e a mesma coisa. Apenas muda a perspectiva. Quem emigra, também imigra (ou vice-versa), no mesmo momento.

Para mim, será sempre um mistério como emigrantes/imigrantes votam em massa num partido hostil a imigrantes/emigrantes.

Talvez seja a confirmação de que, para muita gente, igualdade, direitos humanos, etc., são válidos apenas quando se trata de si próprio.

 

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Pensamento da semana

Pedro Correia, 11.02.24

O PS passou toda a campanha eleitoral açoriana a agitar o papão do Chega, jogando a carta do medo, em vez de apresentar as suas propostas alternativas para governar o arquipélago. A estratégia saiu-lhe furada: dos dez mil novos eleitores que votaram neste escrutínio insular, em comparação com o de 2020, apenas 300 confiaram no partido do punho fechado. Os restantes tiveram outras opções - incluindo o Chega, que bem pode agradecer aos socialistas a propaganda que lhe fizeram.

Balanço: o PS recua três pontos percentuais nos Açores, perde dois deputados na Assembleia Legislativa Regional (desce de 25 para 23) e fica muito mais longe de uma solução governativa. Pior: vê desta vez o PSD - que concorreu coligado com CDS e PPM - vencer ali a primeira eleição desde o remoto ano de 1992, triunfando em seis das nove ilhas e 13 dos 19 concelhos. Há quatro anos o partido laranja só chegou ao poder formando uma geringonça à moda de Ponta Delgada.

Agora dirigentes nacionais, como Francisco Assis, já declaram que os socialistas têm a obrigação democrática de viabilizar, pela abstenção, o Executivo liderado por José Manuel Bolieiro, que à partida necessita de três deputados (elegeu 26 em 57) para fazer passar programa e orçamento na assembleia regional. Se assim for, isolam o Chega, que neste escrutínio subiu de dois para cinco lugares - enquanto o BE perdeu um, a IL e o PAN mantiveram cada qual o seu representante e os comunistas continuam excluídos do parlamento açoriano.

Serve isto de prelúdio ao que pode acontecer daqui a pouco mais de um mês a nível nacional? Talvez sim. É esperar para ver.

 

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Pensamento da semana

Pedro Correia, 04.02.24

Nas mesmas televisões onde se escutam lamentos diários sobre a multiplicação de casos irrelevantes, sem substância, e os "ataques pessoais" na campanha eleitoral já em curso, assistimos todos os dias à exploração até à náusea dos tais casos ditos irrelevantes e desses "ataques pessoais". Porque geram cliques e garantem audiências. 

Nada de novo. É a lamúria hipócrita do costume. Própria de quem apregoa uma coisa e pratica o contrário.

 

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Pensamento da semana

Pedro Correia, 28.01.24

Insistoas apreciações do mérito artístico nunca devem estar dependentes de critérios ideológicos. Isso levar-nos-ia, por exemplo, a rejeitar parte da obra de Beethoven por ele ter chegado a ser um fervoroso adepto do despotismo bonapartista. Ou a pôr no índex certos escritores sulistas norte-americanos por excesso de benevolência em relação à sociedade esclavagista. Ou a riscar com lápis azul as vinhetas racistas dos primeiros álbuns de Hergé. Ou a deitar Os Lusíadas para o lixo por Camões glorificar os morticínios praticados pelos soldados do Gama na Índia.

 

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Pensamento da semana

Pedro Correia, 21.01.24

Não há ditaduras "de esquerda" nem "de direita". Há ditaduras, ponto final.

A ditadura "anti-americana" do Irão é de esquerda ou de direita? E a da Síria? E a da Bielorrússia? E a da Nicarágua? E a da Guiné Equatorial? O que menos importa são os rótulos, digam os activistas disto e daquilo o que disserem.

 

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Pensamento da semana

Pedro Correia, 14.01.24

Inventamos uma percentagem impressionante dos problemas que nos marcam o quotidiano. Antecipamo-nos ao que possa ocorrer, transformando a mera hipótese em facto, e logo a realidade se encarrega de encaminhar tudo numa direcção diferente, senão mesmo oposta. Quase todos os dramas imaginados jamais se concretizam, mas é quanto basta para consumirem tantos de nós em crises de ansiedade. O que deveria mudar em 2024? Isto mesmo. Mas não nos iludamos: continuará a ser assim. Basta olhar à nossa volta.

 

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Pensamento da semana

Pedro Correia, 07.01.24

Seja em que ano for, seja em que época estivermos, é sempre possível separar o homem da obra. Direi mais: é até desejável. Se não fosse assim, muitos dos grandes criadores artísticos da história da humanidade estavam eliminados das nossas listas de preferências. Quantos deles, através dos séculos, não defenderam regimes ditatoriais e mesmo sanguinários?

 

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Pensamento da semana

Pedro Correia, 31.12.23

«O Natal nada mais é do que um ponto de luz rodeado de noite», escreveu em 2022 Jorge Bustos, um dos melhores cronistas da imprensa espanhola. Definição exacta do que sinto nesta data, reforçando convicções antigas. Possa esta luz, mesmo frágil e vacilante, iluminar-nos muito para além da quadra natalícia. Conquistando - palmo a palmo, metro a metro, passo a passo - terreno às trevas. E nos permita distinguir o essencial do acessório à medida que se sucedem as folhas do calendário. 

 

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Pensamento da semana

Pedro Correia, 24.12.23

Um pouco por toda a parte, neste mundo de múltiplas indignações plasmadas nas redes ditas sociais, vivemos numa atmosfera de guerra civil de baixa intensidade. Que vê em cada palavra de bondade um sinal de fraqueza. Que faz de cada tribuna uma trincheira de rancor. Que imagina um inimigo oculto em cada divergência. Que transforma cada opinião discordante em casus belli. Que esmaga cada tese contrária com a fúria de um combatente apostado em não recolher prisioneiros nem respeitar convenções de Genebra.

Disto nada há a esperar de bom. Sobretudo para os jovens que se formam neste caldo de cultura marcado pela intolerância mais primária e pelo maniqueísmo mais rasteiro.

 

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Pensamento da semana

Pedro Correia, 15.12.23

Há que tomar cuidado com o que se diz e com o que se escreve. O respeitinho é muito bonito, como se dizia antigamente: eis uma frase agora ressuscitada. A liberdade de expressão está cada vez mais restringida. A lista de interditos aumenta de dia para dia. Sabe-se lá quando e onde terminará.

 

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Pensamento da semana

Pedro Correia, 02.12.23

Quando me perguntam se sou republicano ou monárquico, costumo responder: sou republinárquico, por vezes monarquicano.

Por outras palavras: a questão da forma do Estado não se colocou às pessoas da minha geração. Colocou-se, isso sim, a questão do sistema político. E tanto há democracia em regimes monárquicos como em regimes republicanos. Mas não esqueçamos que quase todos os sistemas totalitários do século XX foram republicanos. Talvez não seja politicamente correcto sublinhar isto, mas é verdade.

 

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Pensamento da semana

Pedro Correia, 26.11.23

Ditaduras são ditaduras, tiranos são tiranos. Distinguir uns e outros, à esquerda ou à direita, pela retórica que empregam ou pelo emblema que usam, não faz sentido: todos lesam o Estado de Direito. Liberdade e democracia, erigidas como valores universais, estão sempre acima das divergências ideológicas. Digam as cartilhas mais sectárias o que disserem. 

 

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