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Delito de Opinião

Pensamento da semana

Maria Dulce Fernandes, 30.06.22

Este sábado chorei e cantei. Não vi ao vivo, mas segui o Rock in Rio no canal Radical. Delfins,  Bush, UB 40,  A-ha, DuranDuran, José Cid. Velhinhos velhinhos,  mas com o Rock nas veias. Confirmei mais uma vez aquilo que toda a gente sabe, a melhor música é a dos anos 80. Se estes últimos 40 anos foi tempo que perdemos ou tempo que ganhámos, é irrelevante. O Rock não envelhece.

 

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Pensamento da semana

Ana CB, 26.06.22

O caos provoca-me sentimentos mistos. Há aquele caos que é expressivo, irreverente, alegre, criativo. Aquele que me surpreende, me entusiasma e traz um sorriso ao rosto. Que é divertido. Que gera ideias e é motivador.

 

E há o outro, o da poeira e da sujidade, da degradação, do desleixo. É aquele de quem está sempre em turbilhão e não sabe parar, ou tem os horizontes limitados pela ausência de esperança, aquele de quem não conhece mais do que aquilo, ou o de quem já desistiu de viver. É um caos triste.

 

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Pensamento da semana

João Pedro Pimenta, 05.06.22

O desejo de pureza será sempre um dos males maiores da humanidade. Uma sociedade politica, étnica, religiosa ou linguisticamente pura, entre outras, será sempre o caminho para a tragédia porque implica sempre a eliminação das "impurezas", isto é, dos "impuros" aos olhos de quem a quer "purificar". A humanidade, sendo imperfeita e caótica, nunca poderá aspirar à pureza. Essa fica reservada ao transcendente e ao divino.

 

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Pensamento da semana

beatriz j a, 29.05.22

Ainda nem sequer passaram três meses de quando Putin tinha uma reputação a defender. Escrevia em letra grande na cena internacional. Agora é um infame, uma borracha que apaga anos de escrita a cada passo que dá. Como dizia Boris Pasternak, “Os homens no poder estão tão ansiosos por estabelecer o mito da sua infalibilidade que fazem o seu melhor para ignorar a verdade.”

 

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Pensamento da semana

João Sousa, 08.05.22

Não me recordo quem disse que, em vez de se retirarem pês e cês a Egiptos e actos porque algumas pessoas deixaram de os ler, seria melhor simplesmente voltar-se a ensinar a leitura e expressão correctas das palavras tal como elas são. Não penso ser uma ideia isenta de mérito. É que a continuar por este caminho que vamos seguindo, um destes dias há-de vir um outro qualquer Malaca Casteleiro propor que o Ó de passeios passe a ser facultativo - pois cada vez mais ouço pessoas dizerem "os passeis" em vez de "os passeios".

 

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Pensamento da semana

Ana Cláudia Vicente, 01.05.22

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[Foto:  I.Kupeli, Revolução dos Cravos, Porto, via Wkiicommons, 2011]  

 

Mais um ano passado sobre o dia 25 de Abril de 1974, nova hipótese de rememoração do seu antes-e-depois. Quem nasceu nos anos pós-revolucionários dá por si na condição de primeira geração sem experiência de vida num Portugal não-democrático. Os filhos, sobrinhos, alunos, vizinhos dessa geração chegaram ou estão a chegar agora à idade de compreender o real significado de abstracções como democracia, liberdade, igualdade, separação de poderes. Saibamos ensinar e aprender com eles, neste tempo de pouco vagar para ler ou para conversar.

 

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Pensamento da semana

Teresa Ribeiro, 24.04.22

Toda a vida assisti, do sofá, a guerras que chocaram a opinião pública. Mas quase todas eram lá longe, num mundo que não o meu, o que me criou a ilusão de que vivia na parcela mais civilizada do planeta. Bem sei, nos anos 90, o inferno desceu à Terra, nos Balcãs. Mas as razões dessa guerra eram muito locais, resultado de um ódio larvar entre etnias que eclodiu, mal a Cortina de Ferro se desmoronou. Vi-o, portanto, como um caso muito específico, nada que me impedisse de acreditar que pertencia à elite, à quota humana que já não desce abaixo da condição animal. Até que a Rússia invadiu a Ucrânia.

Agora, mais do que o desespero das vítimas e a bestialidade dos agressores, o que me abala é ter perdido todas as ilusões quanto à capacidade de evoluirmos como seres humanos. Porque vai-se a ver e a civilização é só verniz. Século após século o ser cavernícola continua a habitar no mais fundo de nós. Não morre. E às vezes sinto asco por pertencer a esta tribo.

 

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Pensamento da semana

Joana Nave, 10.04.22

Dizem que o dinheiro move montanhas, que no fundo todos têm um preço, que se vendem sempre que a recompensa é alta, mas será que é mesmo este deus que governa o mundo? Talvez a economia e a política sejam escravas do dinheiro, e as relações internacionais abracem este bem precioso como lema de igualdade e outras ideias de globalidade. No entanto, nada promove tanto a humanidade como o apreço, a palmadinha nas costas, o elogio na hora certa, o reconhecimento, este sim, lidera o mais nobre dos sentimentos, a esperança.

 

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Pensamento da semana

Maria Dulce Fernandes, 03.04.22

À realidade já chamava Olivier Rameau absurdie há quase cinquenta anos. Tendo em concordar com ele,  que pouco é mais absurdo do que a realidade.

Fujo tantas vezes à realidade ali para a prateleira de cima onde estão o meus livros favoritos…

Uns dias entro nas Célticas e sou Puck irreverente e brincalhão, outros há que sou Rasputin, desbocado e sanguinário, isto para além de desfilar todo o elenco feminino. Perco-me por lá, como me perdi por Veneza, na fábula dos dias.

Quem não tem um livro, um conto, um personagem, uma fábula por onde se perde e se esconde ou se resguarda do absurdo? Aquele lugar onde passaria as férias da sua vida. Aquela terra sem passaporte que pode calcorrear nas páginas de um livro? Não é infantil nem constrangedor, é fabuloso!

 

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Pensamento da semana

Cristina Torrão, 27.03.22

Confesso que continuo a não perceber quais as verdadeiras intenções de Putin. Espera ele realmente anexar a Ucrânia? Mas a que preço (para ele próprio e o seu país)? A sua demência impedi-lo-á de perceber que uma guerra mundial destruiria a Rússia e que ele próprio dificilmente sobreviveria? Ou pretende suicidar-se, mandando o planeta pelos ares?

Também continuo a não perceber qual o papel da extrema-direita nisto tudo. Leio sobre relações cordiais que o Kremlin tem vindo a estabelecer com a extrema-direita europeia, incluindo apoio financeiro. O certo é que estes partidos, que tudo aproveitam para andar nas parangonas, têm estado estranhamento calados.

 

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Pensamento da semana

Paulo Sousa, 13.03.22

A ordem liberal europeia tem um dos seus mais sólidos pilares nas praias da Normandia.

Sem a aberração do nazismo a Europa, e o mundo, seriam hoje muito diferentes.

Será que o ciclo de violência iniciado há dias por Putin, ficará circunscrito à Ucrânia, e que serão os soldados ucranianos os únicos chamados para lutar e morrer pela liberdade?

Que riscos estamos dispostos correr e que sacrifícios estamos dispostos a fazer para defender o que somos e a forma como vivemos?

 

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Pensamento da semana

João Campos, 05.03.22

"(...) The rumours that you have heard are true: he has indeed arisen again and left his hold in Mirkwood and returned to his ancient fastness in the Dark Tower of Mordor. That name even you hobbits have heard of, like a shadow on the borders of old stories. Always after a defeat and a respite, the Shadow takes another shape and grows again."

"I wish it need not have happened in my time", said Frodo.

"So do I", said Gandalf, "and so do all who live to see such times. All we have to decide is what to do with the time that is given us."

The Lord of the Rings: The Fellowship of the Rings, de J.R.R. Tolkien - que combateu na Primeira Guerra Mundial, viveu durante a Segunda, viu vários Senhores das Trevas ascenderem e caírem no seu tempo, e nem por isso perdeu a esperança. Afinal, Morgoth e Sauron caíram.

 

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Pensamento da Semana

José Meireles Graça, 27.02.22

Quiseram as autoridades portuguesas ofender um chefe de Estado estrangeiro de visita? Não quiseram. E quiseram que no mesmo local fosse assassinado um imigrante por um funcionário em representação do Estado? Ainda menos. Estas coisas são impossíveis de acontecer? Eram. Mas são sintomas do Estado em que estamos. E a tragédia é menos que aqui tenhamos chegado e mais que quem aqui nos trouxe esteja coberto por um manto de legitimidade e de inimputabilidade.

 

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Pensamento da Semana

jpt, 20.02.22

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( Belenenses-Sporting, estádios das Salésias, 12 de Abril de 1936)
 
 
Sigo na minha ideia fixa: o futebol é um microcosmos do país, tamanhas são as ligações entre poderes clubísticos e político-económicos, tantas são as semelhanças entre as reacções do povo da bola e as do povo do voto. E sinto como patéticos todos esses veementes - no bate-papo e no teclado - contra as malevolências d'"eles", aqueles entre os políticos que lhes são "outros", mas enquanto defendem até ao fim os mariolas dos seus clubes, a troco das benesses ocas, esses golos e títulos futeboleiros que sentem como se por eles mesmos sejam conquistados.
 
Como toda esta clubite pantomineira suporta o "estado da arte" nacional bem se demonstra na involução daquele poema de Gedeão, tornado "canção de intervenção" no final do Estado Novo e início deste regime - a qual se queria elogio da imaginação democrática. Mas que agora, décadas passadas, se entoa e trauteia como "Eles não sabem, nem sonham, / que o sonho comanda a vida. / Que sempre que um homem sonha / o mundo pula e avança / como bola corrompida / entre as mãos de uma criança."
 
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