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Os comunocapitalistas

por Pedro Correia, em 06.12.18

O PCP continua sempre ao lado dos hipercapitalistas chineses, membros do Partido Comunista lá do sítio. Mesmo quando ordenam o fecho total do luxuoso Ritz só para se instalarem - algo inédito nos 70 anos de história deste hotel, fundado durante o consulado de Salazar. Só nisto, a factura ascendeu a dois milhões de euros. Para eles são trocos.

Imagine-se só como reagiria o PCP se Donald Trump, Angela Merkel ou Emmanuel Macron procedessem assim numa visita a Lisboa.

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Ventania

por jpt, em 14.10.18

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A ventania que remodelou o governo PS é muito mau sinal. Com o PSD igual ao Sporting pós-Alcochete, Cristas encantada com o pseudo-sucesso lisboeta e o CDS incapaz de por Mesquita Nunes onde já devia estar, o BE roblesado e o PCP no respeitável mas doloroso e inimputável estado mental em que tantos dos nossos queridos mais-velhos vão ficando, o vice de Sócrates reforça-se bem. A senhora da Cultura é competente (também quem lá estava era péssimo, fácil de substituir). E Cravinho é muito bom, cumpriu bem como presidente da cooperação e foi excelente como secretário de estado. Está na óbvia rota para futuro MNE. E o Matos Fernandes, tão resguardado que nunca chamuscado nos terríveis fogos e nas coisas do petróleo, vai-se alargando. "Marquem as minhas palavras", querem alguém do Porto no poder?, esperem-pouco e olhem para ali.

Contornar estes baixios vai ser muito difícil. Mas, como em tempos se disse, navegar é preciso, viver (a vida videirinha, funcionária/avençada) não é preciso ...

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Mais despesa, menos receita

por Pedro Correia, em 09.10.18

Oiço Jerónimo de Sousa em entrevista à TVI a propósito das negociações para o próximo Orçamento do Estado.

O que propõe o secretário-geral do PCP? A diminuição das receitas fiscais em simultâneo com o aumento da despesa pública. Sugere portanto a quadratura do círculo, bem consciente de que jamais terá condições de ser aplicada. E no entanto insiste na tese, com ar sério, composto e grave. É puro eleitoralismo. Ou, dito de outra maneira, o mais descarado populismo. Sem jamais assumirem responsabilidades governativas, os comunistas advogam sempre o melhor dos mundos para os eleitores que não se dão ao incómodo de fazer contas e reservam o pior cenário para o Estado que tanto dizem defender.

Escuto isto e questiono-me por que razão jamais alguém se atreve a chamar populista ao PCP. É uma pena, pois seria um rótulo bem adequado.

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A pergunta que falta fazer

por Pedro Correia, em 23.07.18

Se ainda houvesse jornalismo político digno desse nome em Portugal, e se o PCP não recebesse um tratamento de excepção por parte dos jornais, que nunca o tratam como aos restantes partidos, já alguém seguramente tinha feito a Jerónimo de Sousa esta pergunta singela:

- O que pensa das propostas de alteração à Constituição cubana?

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Bem prega fei Filipe

por Rui Rocha, em 06.07.18

Numa das piadas que corriam na antiga URSS, dizia-se que Brejnev tinha pedido a vários artistas que pintassem um quadro de Lenine na Polónia. Os pintores, fiéis à estrita escola do realismo socialista, declaravam-se invariavelmente incapazes de pintar sobre algo que nunca tinha acontecido. Desesperado, Brejnev teria recorrido a Levy, um velho pintor judeu que acabaria por aceitar a encomenda. Chegado finalmente o dia da apresentação pública, Levy fez correr a tela que tapava o quadro e a nomenklatura soviética contemplou uma cena em que um homem estava deitado numa cama ao lado de uma mulher muito parecida com a companheira de Lenine. Horrorizado, Brejnev perguntou quem era o homem. É Trotsky, respondeu Levy. E a mulher, Levy? É Nadezhda Krupskaya, a mulher de Lenine, respondeu o pintor. Mas... e onde está Lenine, Levy? Lenine está na Polónia, camarada Presidente.

Isto tem de facto a sua graça. Mas também tem piada se substituirem Lenine pelo deputado comunista António Filipe e a Polónia pelo Serviço Nacional de Saúde.

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Frases de 2018 (26)

por Pedro Correia, em 26.05.18

«O direito a matar ou a matar-se não é um sinal de progresso, mas um passo no sentido do retrocesso individual, com profundas implicações sociais, comportamentais e éticas.»

João Oliveira, líder parlamentar do PCP, no debate em São Bento sobre a eutanásia

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“Realejo de disparates”

por Diogo Noivo, em 02.04.18

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A existência de presos políticos pressupõe a inexistência de separação de poderes. Dito de outra forma, e concretizando, para haver presos políticos significa que o poder judicial é instrumentalizado (to say the least) pelo poder político. Assim, quando PCP, Bloco de Esquerda e alguns deputados socialistas quiseram aprovar no Parlamento um voto de condenação à existência de presos políticos em Espanha – referiam-se, evidentemente, aos políticos independentistas detidos após a tentativa de secessão unilateral e inconstitucional da Catalunha – estavam a afirmar que os Tribunais espanhóis estão ao serviço do Governo do Partido Popular (PP).

 

Tal pressuposto enferma de dois males. O primeiro consiste num entendimento deficiente do Estado de Direito e da centralidade de uma Constituição democrática para a defesa de direitos, liberdades e garantias. Olhando para o tipo de regimes com os quais comunistas e bloquistas simpatizam, aprofundar este argumento é tempo perdido. O segundo mal passa por ignorar a actuação dos Tribunais espanhóis nos últimos anos, sobretudo no que respeita à relação com o poder incumbente. Neste aspecto, puramente empírico, talvez valha a pena insistir. Em 2016, a Justiça espanhola constituiu o PP arguido (imputado) por um alegado acto de destruição de provas num caso de corrupção e de branqueamento. Foi a primeira vez – e, até ver, a única – que um partido político foi submetido a este estatuto na Espanha pós-1978. Antes, já os tribunais espanhóis tinham acusado e condenado vários políticos do PP em processos por corrupção, apropriação indevida e branqueamento. Em Maio de 2016 eram mais de 800 os militantes populares na lista de investigados – uma lista que continua a aumentar. Nomes como Rita Barberá, Rodrigo Rato, Ángel Acebes, Francisco Granados, Francisco Camps, Jaume Matas, Álvaro Lapuerta e Luis Bárcenas demonstram que a Justiça não se ficou por peixe-miúdo e foi atrás de gente com elevado perfil público e grande influência política. Isto chega para perceber o quão desonesta, porque completamente distanciada da realidade, é a crença de que os Tribunais estão ao serviço do Executivo presidido por Mariano Rajoy. É também ignorante porque opta por não ouvir o que dizem aqueles que, de facto, foram presos políticos em Espanha. Actualmente, o drama de Espanha é a falta de política, não o excesso.

 

O exercício tentado na Assembleia da República tem subjacente uma profunda desonestidade intelectual. Razão tem Sérgio Sousa Pinto, deputado do PS e presidente da Comissão Parlamentar de Negócios Estrangeiros, quando diz que em matéria de política externa a Assembleia da República é cada vez mais um “realejo de disparates”. O problema, creio, é que não são apenas disparates. Tendo em conta as loas a regimes despóticos onde há efectiva opressão da oposição, ou pelo menos os esforços titânicos para não os condenar (vide Venezuela e Rússia), parece emergir no Parlamento português uma mundivisão cegamente leal àqueles com quem tem afinidades ideológicas e persecutória em relação a todos os outros. Em boa verdade, esta forma de ver a política não é nova, mas a sua promoção por parte de partidos próximos do poder é inaudita. Estamos, em suma, a assistir ao esboroar do cordão de decência criado por Mário Soares para garantir que a arena política portuguesa era composta por democratas: de esquerda e de direita, liberais e conservadores, nacionalistas e estrangeirados, mas todos democratas. No curto prazo será de borla, mas a longo prazo o preço deste “realejo de disparates” será elevado – o custo do Novo Banco serão trocos para café e tabaco quando comparados com isto.

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A igualdade é só para os outros

por Pedro Correia, em 12.03.18

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O secretário-geral do PCP juntou-se à manifestação promovida em Lisboa, no sábado, pelo Movimento Democrático das Mulheres - um dos vários organismos criados ou tutelados pelos comunistas, tal como o Conselho Português para a Paz e a Cooperação, a Intervenção Democrática, a Confederação Nacional de Reformados, Pensionistas e Idosos, o Partido Ecologista "Os Verdes" ou a Confederação Nacional da Agricultura.

Disse na altura Jerónimo de Sousa que "as mulheres importantes" estavam ali, na Baixa lisboeta, "e não no congresso do CDS". A comparação não foi a mais feliz: o CDS é hoje liderado por uma mulher, Assunção Cristas, algo que nunca aconteceu na história quase centenária do Partido Comunista Português. O CDS já teve uma mulher a liderar o seu grupo parlamentar, algo que nunca aconteceu na bancada vermelha em mais de quatro décadas de democracia.

Declarou ainda Jerónimo que se juntava à manifestação do MDM como forma de se expressar contra a discriminação das mulheres. O dirigente do PCP podia começar por combater essa discriminação na sua própria casa: nenhum dos candidatos presidenciais até hoje apresentados pelo partido da foice e do martelo em 40 anos de democracia era do sexo feminino. E o Comité Central comunista, com 146 membros, integra apenas 37 mulheres - ou seja, 24,5% do total.

Longe, muito longe mesmo, da igualdade e da paridade que os comunistas muito apregoam e pouco praticam.

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É que ninguém esperava, Jerónimo

por Rui Rocha, em 11.03.18

Nas últimas horas, algumas almas têm manifestado indignação por Jerónimo de Sousa ter afirmado que as mulheres que importam não estão no CDS. A estes, vou contar um segredo: Jerónimo defende regimes responsáveis pela violação de liberdades elementares e pela chacina de milhões de pessoas. Pronto. Agora já sabem. Guardem só para vocês.

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PCP sensacional

por Diogo Noivo, em 02.03.18

Roubando, com a merecida vénia, o título de uma maravilhosa série de posts no Malomil, Portugal é sensacional. Não são as praias, nem a gastronomia, nem o clima, nem a História, nem a bola. São as pérolas. Olhando com atenção descobrem-se pérolas raras, preciosidades que, não sendo endémicas, têm no nosso país um brilho especial. Hoje, a concha é o Diário de Notícias e a pérola um artigo de Jorge Cordeiro, distinto militante do PCP.

Logo à cabeça do texto, Jorge Cordeiro diz ao que vem: “A vertigem de elogios, dignos de evocações póstumas, sobre o legado governativo de Passos Coelho deixa antever o pior.” Numa palavra, medo. Para Cordeiro, algo de nefasto se avizinha. Mas medo de quê? De que exista no sistema político nacional um partido que, por razões ideológicas, se recuse a condenar os brutais ataques com armas químicas na Síria? De que exista em Portugal uma força política cuja adesão aos valores e aos princípios de um Estado de Direito Democrático é de tal forma débil que se recusa a censurar as atrocidades cometidas pelo totalitarismo vigente na Coreia do Norte? De que na Assembleia da República tenha assento uma bancada de tal forma dominada pela cegueira ideológica que é incapaz de aprovar um voto de pesar – note-se bem, de pesar – por um dos mais importantes empresários portugueses? De que, perante a calamidade humanitária e o autoritarismo do regime venezuelano, haja em Portugal quem alinhe com Nicolás Maduro? Não. Nada disto. Para Jorge Cordeiro, o problema está num eventual regresso ao “arco da governação” e na manutenção dos “dogmas neoliberais” – críticas a dogmas vindas do PCP é como ter Bruno de Carvalho a queixar-se dos excessos de linguagem no futebol português. Mais preciosa (e rara) que esta pérola só mesmo a normalidade com que, ano após ano, convivemos com este radicalismo.

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Já repararam?

por Pedro Correia, em 15.12.17

Após dois anos de "paz social", os problemas laborais só recomeçaram a inundar o espaço mediático após o PCP ter perdido, nas autárquicas de 1 de Outubro, dez das 34 câmaras municipais que controlava.

Não há coincidências.

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O insuperável sectarismo do PCP

por Pedro Correia, em 30.11.17

Nunca cessarei de me espantar com o sectarismo do PCP, incapaz de reconhecer mérito aos empresários, que considera seus "inimigos de classe", em obediência cega e rígida aos sacrossantos mandamentos leninistas. Mesmo a um empresário como Belmiro de Azevedo, que nunca integrou as famílias do dinheiro antigo nem o capitalismo especulativo e parasitário.

Self made man, oriundo de uma região pobre, Belmiro foi o mais representativo empreendedor privado português em democracia. Desenvolveu um grupo económico que se tornou no maior empregador nacional, apenas superado neste aspecto pelo próprio Estado, garantindo mais de cem mil postos de trabalho num país onde o desemprego é ainda o drama social mais premente. Criou riqueza, exerceu o mecenato (na Casa da Música, por exemplo) e fomentou a cidadania ao fundar em 1989 um jornal de inegável prestígio, o Público, de onde nunca colheu um cêntimo de lucro.

Concordássemos ou não com as ideias do líder histórico da Sonae, agora falecido, a sua memória merece respeito, como ficou assinalado num voto de pesar aprovado pela larga maioria dos deputados na Assembleia da República. Um voto que apenas contou com a oposição declarada dos comunistas: na sua fanática intolerância, o PCP ainda imagina que Portugal ficará melhor sem homens como Belmiro de Azevedo - emblema da iniciativa privada numa sociedade tão carente de investimento produtivo.

Estes serôdios discípulos de Lenine estão redondamente enganados. E cada vez mais acantonados numa ideologia sem sentido. Um mundo sem empresários é fatalmente um mundo sem horizontes. Mais estreito, mais pobre e menos livre.

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Cem anos de mentiras

por Pedro Correia, em 14.11.17

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«Foi a União Soviética que, na Segunda Guerra Mundial, enfrentando sozinha durante três anos a besta nazi-fascista e os seus exércitos, deu um contributo determinante e decisivo para a sua derrota.»

Esta foi a tese propalada no passado dia 7, em que se assinalou o centenário da chamada Revolução de Outubro, pelo secretário-geral do PCP no Diário de Notícias. Tese repetida ipsis verbis dois dias depois no editorial do semanário Avante!, órgão central dos comunistas: «Foi a União Soviética que na Segunda Guerra Mundial, enfrentando sozinha durante três anos, os exércitos nazi-fascistas, deu um contributo determinante e decisivo para a sua derrota e para a profunda alteração da correlação de forças internacional, dando origem a uma nova ordem mundial, que inscreveu na Carta da ONU o respeito pela soberania dos povos, o desarmamento, a solução pacífica e negociada de conflitos entre estados e abrindo caminho a grandes avanços sociais e de libertação nacional.»

 

Assumidas como evidência histórica, estas palavras constituem uma homenagem explícita a Estaline, que comandava com mão de ferro a URSS na II Guerra Mundial e no ano da fundação da ONU, embrião de "uma nova ordem mundial" (há quem prefira chamar-lhe Guerra Fria). Tais ditirambos têm, no entanto, o inconveniente de partirem de uma premissa errada. São mentiras, enunciadas como verdades no espaço mediático.

A mentira, aliás, é uma componente essencial do projecto leninista, que o PCP assume como elemento estrutural do seu pensamento político.

 

A URSS e os seus filhotes ideológicos (PCP incluído) fizeram tudo, durante dois anos, para sabotar o esforço de guerra, nomeadamente nas fábricas de armamento. Não apenas na Europa, deixando o Reino Unido então liderado por Winston Churchill isolado no combate aos sanguinários esquadrões nazis, mas nos próprios EUA, em que os simpatizantes e militantes comunistas foram isolacionistas até 22 de Junho de 1941, quando Adolf Hitler accionou a Operação Barbarossa, invadindo território soviético.

Durante dois anos, portanto desde o Verão de 1939, os diversos partidos comunistas tinham funcionado como "pregoeiros da paz", entoando insistentes loas à neutralidade face ao Eixo nazi-fascista. Chegando-se ao ponto de, na França ocupada pelas divisões hitlerianas, o Partido Comunista ter pedido autorização formal à tropa ocupante para continuar a publicar o seu jornal, L' Humanité, na mais estrita legalidade.

No Portugal salazarista, oficialmente neutral, o próprio Álvaro Cunhal escreveu um célebre artigo, publicado em Março de 1940 no jornal O Diabo, intitulado "Nem Maginot nem Siegfried", advogando a equidistância entre verdugos e vítimas. «Haverá alguma diferença entre a Alemanha do sr. Hitler e a França do sr. Daladier ou mesmo a Inglaterra do sr. Chamberlain?», questionava o futuro líder do PCP nessa prosa.
É um artigo infame, redigido seis meses depois da invasão e anexação violenta da Polónia. Um artigo que devia cobrir de vergonha os comunistas portugueses.

 

Nunca a URSS estalinista esteve isolada "durante três anos" no combate a Hitler e Mussolini. Pelo contrário, o pacto germano-soviético forneceu uma espécie de livre-trânsito às hostes nazis para ocuparem mais de metade da Europa entre 1939 e 1941.

Isolado, sim, esteve o Reino Unido, até ao segundo semestre de 1941 - e sobretudo até à entrada dos EUA na guerra, logo após o bombardeamento de Pearl Harbor pelos japoneses, aliados de Hitler, e à declaração de guerra de Berlim a Washington, a 11 de Dezembro desse ano.

Diga o PCP o que disser, tentando distorcer o sucedido, "os factos são teimosos". Nisto tinha Lenine muita razão.

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Os órfãos de Estaline no PCP

por Pedro Correia, em 07.11.17

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Imaginemos que um dirigente de um partido português elogiava Hitler: seria justamente vergastado no tribunal da opinião pública. E o que sucede quando um dirigente de um partido português elogia Estaline, "talvez o maior torcionário da história universal", como hoje o classifica Viriato Soromenho-Marques no Diário de Notícias?

Nada. Não acontece nada.

 

Na edição de domingo do mesmo jornal, um histórico membro da nomenclatura do PCP, Albano Nunes, afirma em entrevista que  "Estaline não tem só aspectos negativos, tem aspectos positivos".

Vale a pena assinalar: quem assim fala é alguém que esteve 42 anos no Comité Central, entre 1974 e Dezembro de 2016, e permaneceu 28 anos consecutivos no Secretariado, órgão de condução efectiva dos destinos do partido, tendo assumido durante décadas a responsabilidade máxima pela secção internacional dos comunistas portugueses.

Albano Nunes diz em voz alta aquilo que a maioria dos dirigentes do PCP pensa a respeito do tirano que conduziu à morte pelo menos 20 milhões de pessoas e aperfeiçoou os mecanismos de terror lançados na vasta Rússia por Lenine, faz hoje cem anos. Instaurando a censura, interditando o pluralismo político, subjugando as mais ínfimas células sociais à bota totalitária do Estado, asfixiando metade da Europa sob o domínio militar de Moscovo, condenando populações inteiras à fome e transformando o país num imenso campo de concentração onde os detidos eram despojados de todos os direitos cívicos e de toda a dignidade humana.

 

O mesmo olhar comovido e complacente pela chamada Revolução Soviética e pelo seu inesgotável cortejo de crimes surge esta manhã, ainda no DN, pela pena do secretário-geral do PCP. Sem um assomo de dúvida ou sobressalto, Jerónimo de Sousa derrama-se em elogios pelo "acontecimento maior da história da humanidade, que inaugurou uma nova época", "lançou as bases de um nova sociedade sem a exploração do homem pelo homem" e possibilitou "a instauração de um verdadeiro e genuíno poder popular".

O líder comunista chega ao ponto de distorcer clamorosas evidências históricas, ao anotar que "no final da década de 80 a URSS encontrava-se na vanguarda em diversas tecnologias, possuía um terço do total de médicos do mundo e a mais baixa taxa de mortalidade do planeta", e ao enaltecer a defunta União Soviética - então sob o mando férreo de Estaline - por ter "enfrentado sozinha durante três anos a besta nazi-fascista e os seus exércitos".

Jerónimo confunde a Rússia com o Reino Unido, que - esse sim, sob o comando de Churchill - combateu as legiões nazis enquanto o déspota do Kremlin assinava o pacto de não-agressão germano-soviético que lhe permitiu partilhar com a Alemanha os despojos da Polónia, garantindo dois anos de amabilidades diplomáticas trocadas com Berlim, entre Agosto de 1939 e Junho de 1941.

 

Leio estas referências dos órfãos ideológicos de Estaline e uma vez mais me interrogo o que pensarão disto alguns destacados militantes do PCP que conheço e respeito. Pessoas como o deputado António Filipe, o ex-deputado Honório Novo, o ex-líder parlamentar Octávio Teixeira, o escritor Manuel Gusmão ou o antigo secretário-geral Carlos Carvalhas.

Estarão confortáveis com esta persistente apologia de um regime criminoso celebrado como libertador pelo partido a que pertencem? Não sentirão pelo menos um vago incómodo ao detectarem o fantasma de Estaline vogando entre as paredes opacas da Soeiro Pereira Gomes?

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Manobras comunistas

por Pedro Correia, em 18.10.17

O PCP nem quer ouvir falar em qualquer moção de censura ao Governo socialista, apoiado desde o primeiro instante pelo partido da foice e do martelo na Assembleia da República. Com profundo desdém, até com um certo ar de repulsa, os comunistas consideram que iniciativas como a que o CDS já anunciou não passam de "manobras parlamentares".

Jerónimo de Sousa tem particular autoridade para se pronunciar nesta matéria. Acontece que o PCP é, de longe, o campeão das moções de censura em Portugal. Nos últimos dez anos, houve nada menos de 12 - metade das quais promovidas pelo PCP, tendo uma sétima ficado a cargo do PEV, partido satélite dos comunistas.

Concretamente, nos seis anos de mandato de José Sócrates a bancada parlamentar vermelha apresentou três moções de censura. E patrocinou outras tantas durante os quatro anos do Executivo Passos Coelho.

Campeões das "manobras parlamentares", portanto. E da duplicidade de critérios. Nada de novo na frente parlamentar. 

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A morte saiu à rua

por Pedro Correia, em 01.08.17

 

Balanço trágico dos últimos quatro meses na Venezuela, sujeita à fúria homicida da Guarda Nacional Bolivariana e das milícias armadas pelo regime: 121 mortos, 1958 feridos (dez só na  farsa eleitoral de anteontem) e mais de cinco mil opositores encarcerados.

Apesar destes quatro meses de grosseiras violações dos direitos humanos, como estas dramáticas imagens do assassínio do estudante David Vallenilla documentam, o PCP volta a colocar-se ao lado das forças repressoras. Desta vez num comunicado oficial do partido, depois de o jornal Avante! ter publicado um panegírico ao ditador de Caracas que poderia ter sido produzido por qualquer serventuário do próprio Nicolás Maduro.

Esta é a natureza de classe dos comunistas: enalterecem todas as tiranias que tenham como chancela a foice e o martelo e obedeçam ao jugo dos chamados "partidos irmãos". Da despótica China, onde vigora o capitalismo mais impiedoso e brutal, à ilha de Cuba, submetida há seis décadas ao punho de ferro da família Castro, passando pelo demencial totalitarismo norte-coreano, assente num imenso arsenal de guerra.

Uma vez mais, o PCP coloca-se ao lado da rica e poderosa oligarquia venezuelana, corrompida pelas redes do narcotráfico, ignorando a dor concreta dos cidadãos comuns, condenados a viver num país onde faltam os bens mais essenciais apesar de possuir as maiores reservas petrolíferas do planeta. Nenhum partido se atreve a falar tanto em nome do povo enquanto aplaude com tamanho vigor quem silencia e oprime o povo.

David José Vallenilla tinha 22 anos e manifestava-se em defesa da liberdade severamente reprimida na Venezuela. Faltavam-lhe escassas semanas para obter o diploma de Enfemagem. Foi abatido a sangue-frio a 22 de Junho, à queima-roupa, por um dos esbirros fardados de Maduro. Como se tivesse sido condenado a um pelotão de fuzilamento.

Custa-me acreditar que imagens como estas não causem sequer um leve sobressalto de indignação aos militantes e simpatizantes do PCP.

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Exemplo prático de mais-valia

por Pedro Correia, em 14.07.17

 

Carlos Humberto Carvalho, comunista, presidente da Câmara do Barreiro: «Fico com um terço do ordenado. O resto entrego ao PCP.»

 

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O partido auto-anti-comunista

por João Pedro Pimenta, em 13.07.17

A manifestação de há dias promovida pelo Conselho Português para a Paz e Cooperação a favor do regime da Venezuela, constituí­da sobretudo por pessoas conotadas com o PCP (com Ilda Figueiredo e João Oliveira à  cabeça), levou-me a pensar que o partido de Jerónimo tem uma certa vergonha do seu nome e da sua sigla, senão vejamos: só por duas vezes (nas eleições para a Constituinte e nas seguintes, em 1975 e 1976) é que o PCP se apresentou a votos com nome próprio. Seguiram-se FEPU e APU, com a presença servil do MDP-CDE, e quando este último ganhou algum brio e se separou, a CDU, que dura até hoje, com essa célula que nunca concorreu sozinha a umas eleições conhecida como "Os Verdes" e um resquício do MDP chamado Intervenção Democrática e que apenas é conhecido por se ter apoderado do nome da revista Seara Nova (que já nada tem a ver com a original).

 

 

Depois, as intervenções esporádicas deste Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC), uma organização "pacifista", que chegou a ser presidida por Costa Gomes, e que curiosamente só se manifesta contra guerras e conflitos na parte a que diz respeito aos Estados Unidos, NATO e Israel. A tí­tulo de exemplo, veja-se o último naco de prosa publicado, em que acusa os EUA, Israel, etc e se defende o regime de Assad e as respectivas "forças patrióticas" (onde é que já ouvimos isto?). A posição do PCP em assuntos externos, sem tirar nem pôr, e com a mesma linguagem.

 

E depois, claro, temos a CGTP, a poderosa intersindical, o braço do PC nos sindicatos, que apesar de teoricamente acolher "outras tendências", a fazer lembrar os partidos políticos autorizados da RDA só para fazer número, representa a Soeiro Pereira Gomes nos sindicatos, embora haja quem garanta que é o inverso. Por alguma razão os seus coordenadores são sempre comunistas (Carvalho da Silva afastou-se entretanto do partido). A linguagem, os slogans e palavras de ordem, os sí­mbolos, e a sua perenidade, vão todos na linha do PCP. É a maior influência do partido na sociedade portuguesa, talvez com alguma "concorrência" das numerosas autarquias que detém.

 

 

Apesar disso, o PCP só aparece com nome próprio nos congressos, num ou noutro comí­cio e nas jornadas parlamentares. De resto, concorre sempre a eleições sob o manto da CDU, manifesta-se contra "a guerra" e as "agressões imperialistas" passando por ser o CPPC e organiza greves e "jornadas de luta" com a sigla da CGTP. Dir-se-ia, apesar de todo o passado de oposição ao Estado Novo, dos quase cem anos de existência e do prestí­gio que ainda mantém em certas zonas do paí­s e sectores profissionais, que tem vergonha da sua sigla e do seu símbolo. Ainda receará a memória do 25 de Novembro e do que esteve para acontecer? Terá fundado medo que a queda do comunismo em quase todo o mundo traga repercussões graves se se apresentar com nome próprio, mesmo que ainda haja pudor em relembrar os crimes dos seus camaradas de outros países? Seja como for, tão grande e longeva camuflagem partidária é estranha. Como se, apesar de gabar tanto a sua história, o PCP tivesse algum pudor inconfessável. E que, pelo menos no que toca ao nome e aos sí­mbolos, seja também um pouco auto-anti-comunista.

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Sempre ao lado dos ditadores

por Pedro Correia, em 12.04.17

O PCP votou na Assembleia da República contra a condenação do uso de armas químicas na Síria, colocando-se assim ao lado do ditador Assad.

É de assinalar, esta linha de rumo dos comunistas portugueses. Sem "desvios burgueses", sem brechas na muralha.

 

Já em Dezembro de 2016 tinham alinhado com a ditadura de Assad quando foram a única bancada parlamentar a opor-se em São Bento a um voto de condenação dos bombardeamentos e outros crimes contra a população civil praticados na cidade de Alepo.

Já em Novembro de 2014 o partido liderado por Jerónimo de Sousa recusara subscrever um voto de congratulação pelo 25.º aniversário do derrube do Muro de Berlim.

Já em Fevereiro de 2014 o grupo parlamentar do PCP se isolara das restantes forças parlamentares ao negar-se a  condenar os crimes contra a humanidade cometidos pelo regime totalitário da Coreia do Norte.

Já em Dezembro de 2011 a bancada comunista se mantivera fiel à cartilha ideológica, isolando-se na rejeição de um voto de pesar pelo falecimento do escritor e dramaturgo Vaclav Havel, ex-preso político da ditadura comunista em Praga e primeiro Chefe do Estado da República Checa democrática.

 

Sempre ao lado de regimes tirânicos, sempre contra quem os combate: assim se vê a coerência do PCP.

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(Assinalados a vermelho os países com regime comunista em que foi respeitada a liberdade de expressão)

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