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Contra o código genético do PSD

por Pedro Correia, em 01.08.19

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Outros tempos: Santana, Ferreira Leite, Durão e Rio (Dezembro de 2001)

 

Durão Barroso venceu o congresso de Viseu em 2000, contra Pedro Santana Lopes e Luís Marques Mendes - um congresso muito dividido e disputado. O passo seguinte era unir o PSD, estendendo pontes para os dois derrotados. Foi o que Durão fez, com um balanço largamente positivo: Santana avançou como candidato do partido à Câmara de Lisboa, que venceu em Dezembro de 2001, e Mendes encabeçou a lista eleitoral laranja pelo distrito de Aveiro às legislativas de Março de 2002, ganhas pelos sociais-democratas. A mensagem de unidade interna dada por Durão Barroso favoreceu assim o PSD em dois combates eleitorais.

 

Pedro Passos Coelho venceu a eleição interna no partido em Março de 2010, derrotando por larga margem as candidaturas adversárias protagonizadas por Paulo Rangel e José Pedro Aguiar-Branco. O seu primeiro gesto, mal ascendeu à presidência dos sociais-democratas, foi apaziguar as hostes adversárias, convidando os antagonistas da véspera para os órgãos nacionais. Assim, a convite dele, Rangel encabeçou a lista ao Conselho Nacional do PSD e Aguiar-Branco presidiu à comissão formada para rever o programa do partido. No ano seguinte, com Passos na liderança não só do partido mas já também do Governo, o segundo assumiu o cargo de ministro da Defesa enquanto o primeiro se manteve como deputado europeu, recandidatando-se em 2014 com o apoio expresso de quem o derrotara quatro anos antes.

 

Nesses tempos de progressão eleitoral e política do partido laranja tudo decorreu desta forma. Agora, com outra liderança e outras cabeças a definir a estratégia para as legislativas de 6 de Outubro, todos os sinais vão no sentido oposto: fragmentar em vez de unir, congregar fiéis em vez de estimular o pluralismo interno que faz parte do código genético do partido fundado por Francisco Sá Carneiro. Como se este PSD de Rui Rio mimetizasse os velhos movimentos da extrema-esquerda, que iam purgando dirigentes e militantes em nome da pureza ideológica e da estrita obediência à voz de comando.

Estamos em plena contagem decrescente: faltam 66 dias para conhecermos o resultado de tão brilhante estratégia.

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Rangel, Assis e Rousseau

por Alexandre Guerra, em 01.03.19

É insólito ver alguém sair “em defesa de Jean-Jacques Rousseau” mais de trezentos anos após a sua morte, mas foi precisamente isso que fez Francisco Assis, em mais um estimulante exercício intelectual na sua habitual coluna de opinião no jornal Público. Na verdade, o artigo de Assis é uma crítica filosófica a formulações expressas por Paulo Rangel numa entrevista e texto de opinião, ambos publicadas no mesmo jornal. Um confronto no campo das ideias políticas, daqueles que só engrandecem os seus protagonistas e enriquecem os leitores. No centro da discussão, o conceito de “regra da maioria” (Rangel) ou da “vontade geral” (Assis) no âmbito da definição daquilo que são as “democracias iliberais”.

Na entrevista dada ao Público a 24 de Fevereiro, Rangel diz: “Os defensores da chamada democracia iliberal, são a favor da vontade da maioria e defendem que a vontade da maioria deve prevalecer sobre tudo. Neste sentido são quase rousseaunianos.”

Dois dias depois, em artigo de opinião no mesmo jornal, escreve: “Chama-se ‘democracia’, porque à maneira de Rousseau, tem como único critério válido, a regra da maioria (e nisto se distingue dos regimes marxistas-leninistas). Apoda-se de ‘iliberal’, porque visa a eliminação progressiva da independência judicial e da liberdade de imprensa. Esse ‘iliberalismo’ traduz-se ainda em políticas sociais assistencialistas, que reforçam o controlo do Estado ou de grupos oligárquicos e, por essa via, facilitam maiorias eleitorais sucessivas.”

Na réplica, Assis defende o seguinte na sua coluna de 28 de Fevereiro: “Rousseau nunca defendeu tal coisa. Preconizou mesmo uma tese absolutamente contrária à que Paulo Rangel lhe atribui. […] A confusão surge em torno do conceito de ‘vontade geral’. Contrariamente ao que alguns autores posteriores e um certo senso comum procuraram fazer crer, o conceito de ‘vontade geral’ não se identifica com o conceito da ‘vontade de todos’, e muito menos com o conceito de ‘vontade da maioria’. Para Rousseau, a soberania popular é inalienável e indivisível, expressão absoluta da livre vontade do povo.”

Analisando-se estas duas posições, parece manifestamente redutora a afirmação de Rangel, quando diz que “a democracia à maneira de Rousseau tem como o único critério válido, a regra da maioria”. De todo. Rousseau foi, talvez juntamente com Voltaire, um dos grandes iluministas e, jamais, teria uma lógica tão simplista na sua ideia de democracia. Efectivamente, sendo um homem crente no progresso da Humanidade, a maioria seria apenas um elemento funcional na construção de uma sociedade (provavelmente utópica), dentro de um quadro mais complexo e abrangente. Aliás, se a questão se prendesse apenas com o factor da maioria, porque razão Rousseau foi tão crítico da democracia britânica, podendo ela acolher essas maiorias? Porque no pensamento de Rousseau, o mais importante não era a maioria, mas sim o tipo de maioria e como se chegava a ela.

Assis não é claro neste ponto, mas estará mais perto daquilo que corresponde ao pensamento de Rousseau, identificando as falhas no pensamento de Rangel, escusando-se, no entanto, a ir mais longe, nomeadamente, naquilo que está inerente à ideia rousseauniana de sociedade: ou seja, assente numa vontade colectiva, que é expressa através de uma democracia directa e que conduziria à soberania popular. Ora, este processo pressupõe a alienação voluntária dos direitos de cada um a favor da tal vontade colectiva e da soberania popular. Note-se, uma alienação voluntária.

E é precisamente aqui que se pode fazer a maior crítica a Rangel e que, curiosamente, Assis não identifica. A associação que é feita entre o conceito de “democracia iliberal” e o pensamento rousseauniano parece ter pouca solidez. Na verdade, o que Rangel escreve contém em si uma contradição, com uma das ideias-chave do pensamento do iluminista suíço: o contrato social de Rousseau é um acto voluntário em prol de toda a comunidade e que tem como fim a sua realização e satisfação. O que isto quer dizer? A maioria emana de um acto voluntário e livre dos cidadãos e não de um voto condicionado, directa ou indirectamente, como acontece nas chamadas “democracias iliberais”.

Sobre o tema das "democracias iliberais", ver "O dilema da Democracia" de Alexandre Guerra (Público, 30 de Setembro de 2018)

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O cerco aperta-se.

por Luís Menezes Leitão, em 31.03.16

Escrevi aqui que Passos Coelho estava a deixar o PSD ficar absolutamente cercado, quer pelos partidos da maioria governamental, quer pelo CDS, quer até pelo próprio Presidente da República. Na verdade, Marcelo não perde uma oportunidade para desancar Passos e apoiar Costa. Aliás, Marcelo e Costa até parecem o Senhor Feliz e o Senhor Contente da rábula criada por Nicolau Breyner. Hoje estou convencido de que o (para mim na altura) incompreensível apoio de António Costa a Sampaio da Nóvoa não visava outra coisa que não permitir a eleição de Marcelo, como veio a ocorrer. E Marcelo tem-se mostrado extremamente agradecido, nunca vacilando no apoio ao actual governo. 

 

Passos Coelho, pelo contrário, parece o Senhor Triste, todos os dias suspirando de saudade pelos tempos em que chefiava o governo e só falando desses tempos. Ainda ontem, no debate quinzenal, foi patético vê-lo pedir a António Costa que avaliasse as reformas que o governo anterior fez, parecendo completamente focado no passado e ignorando os combates do presente, que são duríssimos e onde não se pode fraquejar.

 

Só que até ontem faltava mais um elemento na equação: o surgimento da oposição interna. Essa oposição surgiu agora, com uma entrevista de Rui Rio, logo seguida de outra entrevista de Paulo Rangel. Ambos alinham pelo mesmo diapasão, dizendo em primeiro lugar o óbvio: que a oposição que Passos Coelho está a fazer ao governo está a ser muito frouxa e que o PSD precisa de uma renovação profunda, como aliás o CDS fez agora. O que é curioso, no entanto, é que não assumam desde já o objectivo (para todos evidente) de conquistar a liderança, dizendo Rui Rio que nem sequer se vai dar ao trabalho de ir ao congresso e Paulo Rangel que se sente muito bem no Parlamento Europeu.

 

Estamos assim perante o calculismo típico dos políticos portugueses em que António Costa fez escola. O objectivo daqueles dois é fritar Passos Coelho em lume brando durante dois anos ou mais, para depois lhe dar o golpe mortal nas vésperas das eleições. A Passos Coelho estaria assim reservado o papel de ser o António José Seguro do PSD, que irá de vitória em vitória partidária esmagadora — mesmo com 95% — até à derrota final, no momento em que o D. Sebastião há muito aguardado surgirá numa manhã de nevoeiro, para depois disputar as eleições sem o peso dos anos na oposição.

 

Confesso que me irritam profundamente estes esquemas de calculismo político. Era mais que altura de os partidos acabarem com isto. Mas é manifesto que é isso que vai suceder.

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Que confiança merece um político destes?

por Sérgio de Almeida Correia, em 31.08.15

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"Não misturamos justiça com política. Uma coisa é a legitimidade institucional do primeiro-ministro ou a confiança institucional que nele se pode ter e essa continua a ser total. Outra coisa é a fiabilidade política ou o valor da confiança política"

"Os partidos não são associações criminosas nem associações mafiosas. Os partidos não podem ser responsabilizados por actos que são praticados por agentes individualmente"

"Na minha análise – e estou convencido que é também a do PSD – não existe nenhuma diminuição do primeiro-ministro. Pelo contrário, sob o nosso ponto de vista, ele merece a nossa confiança institucional"

Pode não parecer, mas o mesmo político que em 2009, quando os socialistas estavam no poder, dizia o que acima se transcreveu, caucionando a actuação de José Sócrates no caso "Freeport", é exactamente o mesmo que agora veio perguntar se "alguém acredita que se os socialistas estivessem no poder haveria um primeiro-ministro sob investigação?

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Ele quer ainda mais selfies?

por Luís Menezes Leitão, em 21.05.14

 

Paulo Rangel exige que Seguro e Assis se retratem. Mas, pelo que tenho visto, eles não têm feito outra coisa.

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Monos

por Sérgio de Almeida Correia, em 19.05.14

Paulo Rangel, cabeça-de-lista da coligação PSD/CDS-PP às eleições europeias, sendo um homem bem formado, sério, culto e inteligente, na hora das pré-campanhas e campanhas eleitorais perde facilmente o estribo. Quando abre a boca em campanha revela a sua face desconhecida e tudo serve para ganhar votos. Numa das suas tiradas de antologia, em Almada, há pouco mais de um mês, em 10 de Abril pp., disse impante que a lista de candidatos do PS era formada pelos "rostos do despesismo" de Guterres e Sócrates. Acrescentou que as políticas dos antecessores do excelso e impoluto Passos Coelho tinham conduzido o País à bancarrota, mas injustamente não incluiu nesse número aquela espécie de executivo, inspiradora de séries do tipo "morangos com açucar", da dupla maravilha Barroso/Santana Lopes. Rangel lamentou-se que tivesse recaído sobre o seu partido e o parceiro de coligação o ónus de rectificarem esse despesismo. Eu também lamento. O problema é que Rangel e os seus pares quando dizem estas coisas riem muito, em especial os meninos das jotas. Riem e batem palmas com o ar mais ignorante e glutão que se adeqúe ao momento.

Pois bem, esta manhã, ao ler o Público deparo com uma desenvolvida notícia, de página inteira (a 18), pela qual eu e os portugueses ficámos agora a saber que o comboio entre o Porto e Vigo transporta 26 passageiros por dia, e que em nove meses acumula prejuízos de 1,2 milhões de euros. Em Agosto de 2013, mês de maior procura, teve uma média de 57 passageiros. A taxa de ocupação de cada automotora é de 12%, sim, leram bem, doze por cento, e o serviço - de acumulação de prejuízos, creio - foi criado por decisão conjunta dos governos do Sr. Coelho e do Sr. Rajoy. Gente séria, portanto, que procedeu à sua inauguração em Julho de 2013. Um marco da retoma em pleno consulado da troika

O presidente da CP, numa manifestação extrema de solidariedade para com quem deu tudo o que tinha, e o que não tinha, ao governo do Sr. Coelho, diz que a criação do serviço se deveu a um "impulso" do ex-ministro da Economia do Governo PSD/CDS-PP.

Enfim, para quem, como aquele rapazola que queria responsabilizar criminalmente os responsáveis dos anteriores governos, esta será uma boa oportunidade para começar a pedir já responsabilidades. A começar pelo Sr. Coelho dos discursos em Quarteira, no "calçadão".

Em primeiro lugar, no lugar dele, eu começaria por pedir os estudos económicos e de mercado que suportaram a decisão. Sim de mercado, porque nestas coisas, tal como na Saúde e na Educação, o mercado é que deve mandar. Depois, aproveitaria a embalagem para lhe perguntar como é que numa altura de tantos cortes em serviços essenciais, depois de aumentar impostos, diminuir funcionários públicos, alargar horários de trabalho e de acusar os antecessores de despesismo e irrealismo, o Sr. Coelho se dá ao luxo de derreter tantos milhões num serviço ferroviário que transporta 26 passageiros por dia! Melhor só me lembro mesmo daquela coisa que o bom do Isaltino fez em Oeiras e que chega a circular sem nenhum passageiro. Ou dos resultados de empresas por onde alguns andaram aos 40 anos a fazer o estágio para "estadistas".

Não sei a quem é que Paulo Rangel e os meninos da JSD irão imputar os custos deste serviço da linha Porto-Vigo, que pelos vistos agora ninguém tem coragem (ou melhor, tomates, num vernáculo que os leitores me perdoarão mas todos entendem) de encerrar já.

O descalabro que a linha Porto-Vigo evidencia é que, uma vez mais, o problema não é só político. É um problema de gestão, é certo, mas mais de decência. Ou de falta dela, por parte de quem, desde os tempos do cavaquismo, inaugurou este ciclo que teima em persistir. A qualidade de quem decide, de quem acusa e de quem gere, vem ao de cima nestes momentos. Qualquer que seja o partido em questão.

Não sei se Rangel será agora capaz, como uma pessoa decente faria, de criticar com a mesma veemência esta situação e de acusar o seu primeiro-ministro de despesismo e de irresponsabilidade. Ou se Nuno Melo proporá uma comissão parlamentar de inquérito, daquelas que a actual maioria estimula sob o impulso da JSD para deslustrarem a actividade parlamentar e desqualificarem os seus próprios deputados. 

Os custos deste descalabro da linha Porto-Vigo são ainda mais graves porque desencadeados numa altura de imposição de profundos sacrifícios e de cortes em áreas sensíveis. Conjugados com um aumento brutal de impostos e uma política de cortes destinada a alimentar lobbies e camarilhas produzidas pelas desregulação dos mercados, devem ser imputados, e já, a quem ainda está na cadeira do poder e já se conhecem os resultados.

A responsabilização, tal como a justiça, deve ser rigorosa e feita em tempo útil. Imputar os louros por mais este feito aos mesmos de sempre parecer-me-ia excessivo. Está na hora de começar a medalhar quem em tão pouco tempo e perante condições tão adversas já produz rebentos desta dimensão. Bastaram nove meses para se ver a excelência da gestão, da preparação e, já agora, do "impulso". Agora imaginem o que seria se não estivéssemos sob a tutela da troika. Falar não custa, pois não, Dr. Rangel?

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Happy feet vs Chicken Little

por Rui Rocha, em 08.03.14

Posso, claro, estar a deixar-me influenciar pelo imaginário da filmografia infantil na sequência do episódio 101 Dálmatas. Mas lá que não me sai da cabeça que o próximo embate eleitoral nos traz uma disputa, no bloco central, entre o Mumble

 e o Chicken Little

lá isso não posso negar.

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Vale tudo

por Sérgio de Almeida Correia, em 06.03.14

Mas isto é sério? E se o Francisco Assis lhe respondesse na mesma moeda, "twitando"? É assim que se deve tratar a política? É assim que se debatem ideias e se apresentam projectos?

Espero que o gajo não esteja a pirar com o convívio e que tudo não tenha passado de um mau momento. Para vender na feira da ladra também é preciso aprender primeiro algumas coisas antes de se estender o pano. Nem todos os eleitores são mentecaptos.

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A agência nacional para a emigração

por Luís Menezes Leitão, em 21.12.11

 

Esta história do convite à emigração fez surgir uma competição entre os políticos para ver qual deles diz mais disparates. Mas neste momento quem ganha o prémio é seguramente Paulo Rangel com a sua proposta de criação de uma agência nacional para a emigração. Neste país infelizmente tudo serve de pretexto para criar novas instituições absolutamente inúteis, que só servem para aumentar a despesa pública. Há dificuldades de controlo das finanças públicas? Cria-se um Conselho para as Finanças Públicas. Celebrou-se um memorando com a troika? É obviamente necessário criar uma estrutura para acompanhamento do memorando. O Primeiro-Ministro apelou à emigração? Óptimo pretexto para se criar desde já uma agência para facilitar a emigração.

 

Estou mesmo a imaginar como irá funcionar esta agência. Paulo Rangel, com a sua experiência de emigrante no Parlamento Europeu, é a pessoa ideal para assumir as funções de Presidente. Depois é necessário arranjar instalações condignas no centro de Lisboa. A seguir será preciso contratar cem funcionários em ordem a que a agência possa atender a todos os pedidos dos que querem emigrar. Como essa estimativa deve provavelmente ser insuficiente, o número deverá ser rapidamente elevado para mil, com delegações em todo o território, pois a emigração pode fazer-se por qualquer fronteira. Se se verificar que os portugueses emigram sem darem cavaco à agência, é necessário contratar uma agência de publicidade para a tornar conhecida. Há vários slogans que essa agência de publicidade poderá criar, tais como: "Antes de deixar a nossa nação, visite a agência para a emigração" ou "não dê o salto para Argel sem falar com o Rangel".

 

Com este potencial de crescimento, a agência será mais um sorvedouro de dinheiros públicos, só contribuindo para aumentar o défice e provavelmente os portugueses continuarão a emigrar sem lhe ligar nenhuma. Mas ninguém depois se atreverá a extingui-la. Afinal de contas foram criados mil postos de trabalho na função pública que não se podem extinguir. E a agência até é capaz de fazer um balanço muito positivo, referindo o enorme sucesso que constituiu a sua criação: afinal houve mil portugueses que deixaram de emigrar. 

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Passos Coelho: prós e contras

por Pedro Correia, em 08.04.10

 

Paulo Marcelo, n' O Cachimbo de Magritte, já tinha reconhecido mérito ao novo líder do PSD: "Passos Coelho deu sinais positivos, no discurso de vitória, ao convidar os seus adversários para os órgãos nacionais do partido." Manuel Pinheiro também: "A manutenção de António Capucho no Conselho de Estado foi um bom sinal. Cá estaremos para acompanhar o resto." Mas alguns colegas de blogue nem perante a vitória esmagadora do sucessor de Manuela Ferreira Leite reconheceram as evidências. Fernando Martins, por exemplo, não tardou a escrever "líder" entre aspas, equiparando a nova etapa na vida dos sociais-democratas a uma "borrasca". Pedro Picoito, ainda antes de o novo presidente laranja entrar em funções, apressa-se a denunciar a "inércia de Passos Coelho quanto ao património de liberdade, ao debate democrático e à livre expressão". E esclarece, como se alguém tivesse dúvidas: "Não olhem para mim. Votei Rangel."

Tendo votado em Paulo Rangel, tal como alguns dos seus colegas de blogue, questiono-me se Pedro Picoito se congratula com a decisão, já assumida por Rangel, de aceitar encabeçar a lista ao Conselho Nacional do PSD patrocinada por Passos Coelho, que convidou outro dos derrotados, Aguiar-Branco, para presidir à comissão que vai rever o programa do partido. Confirmam-se as boas expectativas de Paulo Marcelo e Manuel Pinheiro: Passos quer congregar os militantes, começando pelos que estiveram contra ele - precisamente ao contrário do que Manuela Ferreira Leite fez, com os resultados que bem sabemos. Não por acaso, Pacheco Pereira, que foi um dos conselheiros mais próximos de Ferreira Leite, assina uma prosa apologética da líder que saiu sem mencionar sequer o nome do líder que entrou, o que é a modalidade actualizada, mais sofisticada e soft, de virar as setas do partido para baixo. Já Maria João Marques, livre dos constrangimentos de ser deputada, escreve sem papas na língua n' O Insurgente: "Não há como negar: o passismo é uma coisa funesta." Nem outra coisa seria de esperar de quem considera que "o aparelhismo e o caciquismo foram fundamentais para a vitória" de Passos Coelho, com 61% dos votos.

A boa notícia para José Sócrates é que a oposição interna a Passos Coelho começa já a marcar terreno em certos blogues - ainda antes de o novo líder entrar formalmente em funções. A má notícia, para o PS e para esta oposição interna, é que Paulo Rangel e José Pedro Aguiar-Branco recusam patrocinar facções, optando por colaborar com Passos Coelho. Puro bom senso, à luz dos interesses imediatos do PSD: o contrário seria retomar a marcha lenta mas cada vez mais alucinante do partido para o suicídio.

A liderança de Passos arrisca-se a ser um mero intervalo de curta ou longa duração nesta marcha. Mas, de momento, não existe alternativa, como Rangel e Aguiar-Branco bem perceberam. Mais tarde se verá quem tem razão: eles ou os bloguistas que já andam aí de espada desembainhada em nome de uma direita que nunca se confundiu nem jamais se confundirá com o PSD.

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O PSD a votos (32)

por Pedro Correia, em 27.03.10

 

 

CINCO DERROTADOS

 

1. Manuela Ferreira Leite

Sai da liderança do partido sem um rasgo de nobreza, recusando cumprimentar o novo líder, que havia sido marginalizado há seis meses das listas do PSD e agora foi sufragado por uma expressiva maioria de militantes. Perdeu as legislativas para Sócrates, não revelou um centímetro de autonomia estratégica em relação ao Presidente da República, acudiu a Sócrates no Orçamento de Estado e no PEC. Não deixa saudades.

 

2. Alberto João Jardim

Fez o número mais mediático do recente congresso de Mafra ao abandonar estrondosamente o palco para se sentar ao lado de Paulo Rangel, numa clara afronta a Passos Coelho. Confirma-se, uma vez mais, que não consegue apostar num candidato ganhador à frente do partido. Já fora assim nas mais recentes refregas eleitorais internas, quando esteve contra Luís Filipe Menezes e Manuela Ferreira Leite.

 

3. Pacheco Pereira

Foi o maior guru de Manuela Ferreira Leite. Resultado: nenhum grande objectivo estratégico para o PSD foi conseguido neste mandato, que viu Paulo Portas e os partidos à esquerda do PS assumirem-se como as mais eficazes forças da oposição. Fez campanha activa contra Passos Coelho, como já fizera contra Santana e Menezes, com a habitual violência verbal de quem só consegue olhar para o mundo a branco e preto. Com isso acabou por dar votos a Passos, que tem bons motivos para lhe agradecer.

 

4. Marcelo Rebelo de Sousa

Teve tudo para poder avançar, uma vez mais. Mas o receio de perder contra Passos Coelho - receio fundamentado, diga-se - foi mais forte. O tacticismo do professor, que já o havia conduzido a uma liderança sem glória nos idos de noventa, sobrepôs-se novamente ao arrojo estratégico. Há uma semana, a nata do "jornalismo político" português ainda o levava ao colo, pretendendo fazer dele o salvador do partido. Em vão. Terá de aguardar pelas presidenciais.

 

5. Paulo Rangel

Terá valido a pena rasgar as promessas feitas de que não seria candidato à presidência do PSD? Terá valido a pena romper o bom relacionamento que mantinha com José Pedro Aguiar-Branco, de quem foi secretário de Estado no Governo Santana Lopes? Terá a ambição de que deu provas sido boa conselheira? Basta uma palavra para responder às três perguntas: não.

 

Também publicado aqui.

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O PSD a votos (21)

por Pedro Correia, em 23.03.10

 

Ao fim dos primeiros dois minutos, já Pedro Passos Coelho tinha ganho o debate desta noite na RTP. O seu principal rival, Paulo Rangel, entrou em antena sob fogo cerrado de José Pedro Aguiar-Branco: aqueles que ainda sonhavam com a fusão destas duas candidaturas perderam definitivamente as ilusões. A poucos dias das directas.

Aguiar-Branco e Rangel começaram por tratar-se por tu, mas à medida que a conversa ia azedando passaram a uma fórmula mais distante e cerimoniosa. Está visto que o primeiro não perdoa ao segundo - que foi seu secretário de Estado no Governo de Santana Lopes - ter avançado para uma candidatura à liderança sem lhe dar conhecimento prévio.

Por este ou outro motivo, Rangel parece sempre nervoso quando partilha o ecrã com Aguiar-Branco. Desta vez foi confrontado com supostas declarações suas em que punha em causa a validade das assinaturas dos apoiantes do líder parlamentar. "Trouxe-lhe o duplicado das assinaturas", atirou-lhe Aguiar-Branco, mais ríspido que nunca. Rangel acabou por reagir da pior maneira, acusando o toque: "Há candidatos a sério e outros que só fazem números mediáticos." Saiu-lhe mal o tiro, dando de si próprio uma imagem de arrogância.

Perante isto, Passos Coelho limitou-se a gerir a vantagem que já trazia de debates anteriores. Este, bem menos interessante do que qualquer dos frente-a-frente travados na SIC Notícias, juntou também Castanheira Barros, um outsider bem disposto que ninguém percebe por que motivo entra neste filme - talvez nem ele próprio. "Sou o único candidato capaz de disciplinar o PSD", garantiu. Sem se rir.

 

 

Passos foi o mais claro no discurso sobre o PEC: a seu ver, o maior partido da oposição deve chumbá-lo. Rangel foi atrás desta posição, o que proporcionou uma oportunidade a Aguiar-Branco para lhe dirigir nova farpa: "Isso é uma crítica à presidente do partido. O grupo parlamentar age em sintonia com a direcção do partido e a presidente do partido. Eu mantenho um registo de lealdade em qualquer situação." Ele, enquanto líder parlamentar, advoga uma "atitude responsável", na linha do que o Presidente da República e a líder laranja preconizam: o eventual chumbo do PEC pode precipitar uma crise política. Na questão do procurador-geral da República, repetiu-se a dose: Passos quer ver outro magistrado no lugar de Pinto Monteiro, enquanto os seus antagonistas advogam maior prudência. Aguiar-Branco fez mesmo um apelo ao "sentido de Estado".

Este debate teve pelo menos o mérito de tornar ainda mais evidentes as linhas de clivagem na corrida à liderança: Aguiar-Branco está totalmente comprometido com a direcção cessante de Manuela Ferreira Leite, da qual é vice-presidente. Passos Coelho, que Ferreira Leite excluiu das listas eleitorais, personifica a mudança: é o que surge mais à vontade precisamente por vir de fora. Rangel oscila entre as duas águas, sem se perceber verdadeiramente em quais navega.

Mudar ou não mudar? Eis a questão. Caído o pano sobre os debates televisivos, os eleitores do PSD já saberão certamente em quem votar.

 

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Gato escondido com rabo de fora...

por Paulo Gorjão, em 21.03.10

E que grande gato...

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Um mito

por Paulo Gorjão, em 19.03.10

Cada dia que passa contribui para desmascarar o mito que se criou à volta de Paulo Rangel. Um dia é o trabalho de casa que ficou por fazer que se torna óbvio. Noutro são as inconsistências do seu discurso. Rangel até discursa bem, mas o dom da oratória e a retórica não lhe permitem encobrir a mais do que evidente falta de preparação, bem como a ausência de propostas e de soluções. Sempre que é confrontado, sempre que enfrenta contraditório, a falta de substância de Rangel vem imediatamente ao de cima.

Não estou com isto a dizer que Rangel não tem qualidades, que isto fique bem claro. Muito simplesmente, este não é o seu momento. A falta de preparação é notória e o improviso é a regra. Inevitavelmente, as incoerências e as insuficiências acabam por se notar.

Como notou Abraham Lincoln, you may fool all of the people some of the time; you can even fool some of the people all the time; but you can't fool all of the people all of the time. Caso fosse necessário, Rangel confirma-o.

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Expliquem-me, muito devagarinho...

por Paulo Gorjão, em 16.03.10

Se as obras são "megalómanas" e "ninguém [as] compreende", então por que motivo Paulo Rangel pede apenas a sua suspensão ou adiamento em vez de propor o seu fim? Alguém consegue perceber? Qual é a lógica de suspender apenas algo que é megalómano e incompreensível?

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Um caso atípico de bipolarização

por J.M. Coutinho Ribeiro, em 12.03.10

Tenho alguns amigos - estive a fazer as contas e acho que tenho mais amigos de esquerda do que de direita - que são, desde o princípio, admiradores de José Sócrates. Já tive com alguns deles algumas discussões homéricas sobre o assunto, pela razão simples de que não consigo descortinar - depois de uns primeiros tempos de hesitação - onde está a valia do homem enquanto primeiro-ministro.

Nos últimos tempos, recorro com frequência ao teste empírico de ir fazendo, a quem encontro (apoiantes de Sócrates e não apoiantes de Sócrates), a tradicional pergunta: «Compraria um carro em segunda-mão a José Sócrates?». As respostas variam. Há quem diga que nem que o carro fosse novo; há quem diga que, bem, em segunda-mão e sem garantia, nem pensar; há quem estrebuche um bocadinho (os meus amigos apoiantes de Sócrates desde a primeira hora) e evite a resposta clara. Na minha sondagem empírica, vou, pois, percebendo que, tirando os boys que gravitam à volta do governo e dos entes públicos, já ninguém dá muito pelo homem. E no entanto, segundo uma sondagem de hoje do JN, se houvesse eleições neste momento, o PS arriscava-se a ganhar e muito próximo da maioria absoluta. Donde resulta que, ou são os meus amigos que fazem parte de uma casta à parte e não são representativos do eleitorado português, ou, então, o problema é mais grave. Reflectindo, ainda que vagamente, sobre o assunto, opto pela segunda solução: o problema é grave. E qual é o problema? Simples: os portugueses confrontam-se com um singular cenário de bipolarização política: num polo está José Sócrates; no outro polo está... ninguém. Desgraçadamente. Desgraçadamente para o país.

Sem renegar a minha ligação ao PSD, sou obrigado a concluír que o eleitorado não deixa de ter razão, mesmo que em sondagens. Se é verdade que, neste momento, poucos ousariam comprar um carro em segunda-mão a Sócrates, também é verdade que, olhando para o stand do lado, não se vê mais quem possa vender automóvel. O que se vê pelas bandas do PSD é uma luta fraticida para saber quem, daqui a uns tempos, manda no stand e define as regras do negócio. Só que, enquanto tal, os automóveis vão apoderecendo e, chegada a hora, dificilmente alguém quererá comprá-los. E, entretanto, tal vai sendo a conflitualidade interna no PSD, não espanta que, mesmo depois de saber quem manda na loja, assistamos, logo a seguir, a concorrência desleal dentro do stand. É este o cenário que espera os portugueses. E é por isso que o PS vai ganhando folgadamente nas sondagens.

Nunca percebi - talvez alguém seja capaz de me esclarecer - por que razão o PSD não arrumou a casa logo a seguir ao penoso resultado que obteve nas últimas legislativas. Manuela Ferreira Leite - que nunca me seduziu - demonstrou que seduz muito poucos. Numa altura em que devia estar de casa arrumada, anda o povo social-democrata a tentar perceber quem é o menos mau de todos: se Passos Coelho, se Rangel, se Aguiar-Branco. Sim. Porque o que está em causa é saber qual deles é o menos mau, qual deles é capaz de ter mais cimento que agregue um partido que tende a esboroar-se. É esta a ideia que germina nas bases e é esta a ideia que passa para o eleitorado. Enquanto devia estar a tentar propor ideias alternativas para o país, numa altura em que era suposto o governo estar fragilizado e com a cabeça a jeito, anda o PSD a desgastar-se em lutas internas nem sempre cordiais, cada um dos candidatos com ideias diferentes sobre tudo e sobre nada, deixando o eleitorado sem saber com o que conta. O problema seria apenas relativamente grave se, passadas as directas, a questão ficasse esclarecida. Mas não fica. Ganhe quem ganhar, a luta pela queda do líder que vier começará no dia seguinte. E Sócrates continuará a ganhar nas sonsagens e nas urnas. E Portugal continuará a penar com um primeiro-ministro que, em rigor, poucos querem, mas-que-se-há-de-fazer? Haverá futuro assim? Enquanto isso, o CDS-PP mantém-se firme.

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Currículos e cadastros...

por Paulo Gorjão, em 10.03.10

Há quem tenha currículo e parece que há quem tenha cadastro. Mas bem vistas as coisas, o melhor talvez seja não atirar lama ao parceiro...

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O desmentido

por Paulo Gorjão, em 07.03.10

Aqui. Uma história incompleta ou mal contada.

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Fossem outras as circunstâncias...

por Paulo Gorjão, em 05.03.10

...e hoje José Pacheco Pereira estaria a empregar exactamente os mesmos argumentos que utiliza para justificar o apoio à candidatura de Paulo Rangel para apoiar José Pedro Aguiar-Branco. A última vez que vi Pacheco Pereira a fazer de intérprete e de tradutor de alguém a coisa acabou a correr mal. Parece que agora trilhamos o mesmo caminho. É a vida...

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O PSD a votos (8)

por Pedro Correia, em 05.03.10

    

 

Debate Paulo Rangel - José Pedro Aguiar-Branco

 

José Pedro Aguiar-Branco superiorizou-se claramente no debate desta noite, na SIC N, com Paulo Rangel. Venceu-o em três etapas distintas: ao desmistificar a tese da "ruptura", ao referir que uma das principais propostas do seu antagonista lhe lembra o PS de António Guterres e ao comparar a estratégia de "vitimização" ensaiada por Rangel ao complexo de Calimero tão popularizado por José Sócrates.

Quem esperava um Aguiar-Branco cordato e contemporizador, equivocou-se. E o primeiro a equivocar-se parece ter sido Rangel, que a espaços não escondia expressões de incredulidade perante a contundência do actual presidente do grupo parlamentar do PSD, que não teve problema em invocar a condição de "militante recente" do seu ex-secretário de Estado da Justiça. "Eu vou até ao fim, como é óbvio", assegurou o antigo ministro da Justiça de Santana Lopes, desfazendo as últimas ilusões da candidatura de Rangel sobre uma possível desistência de Aguiar-Branco.

O chefe da bancada parlamentar social-democrata foi particularmente eficaz ao reduzir a pó uma das propostas emblemáticas de Rangel, que prevê a equiparação a secretários de Estado, sob a dependência directa do primeiro-ministro, dos cinco coordenadores regionais - em nome da descentralização territorial. "Isso não é ruptura nenhuma. É o regresso ao guterrismo", afirmou Aguiar-Branco, acusando Rangel de "copiar" esta proposta de Elisa Ferreira, que foi ministra de Guterres.

"Isso são larachas", replicou o eurodeputado, incapaz de articular melhor resposta. Já então Aguiar-Branco marcava o ritmo do debate, o que certamente surpreendeu aqueles analistas que o encaravam como carta fora do baralho. Lembrou, por exemplo, que foi ele o coordenador da vitoriosa campanha de Rangel às europeias - facto que o eurodeputado tem escamoteado na sua persistente tentativa de se assumir como responsável único desse triunfo eleitoral contra o PS encabeçado por Vital Moreira. "Eu não digo, ainda que de forma indirecta, que a certa altura saí do processo decisório", atirou ainda Aguiar-Branco a um Rangel que oscila entre as proclamações de fidelidade a Manuela Ferreira Leite e críticas cirúrgicas a decisões tomadas pela direcção cessante do partido.

Este foi o segundo debate perdido por Rangel. E foi, sem dúvida, o melhor momento da campanha de Aguiar-Branco até agora.

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