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Este é o actual estado da Capela da Nossa Senhora do Baluarte na Ilha de Moçambique, devastada pelo ciclone que assolou a região no final de Abril. A capela é mais do que simbólica: está na extremidade da Ilha, é a primeira igreja cristã no Índico austral (construída cerca de 1522), é o único edifício manuelino em toda a região (e presumo que em toda a África austral).

Não creio que o Estado moçambicano possa, na actualidade, repará-la. Muitos (portugueses e até moçambicanos) dirão que por incúria. Não me parece: as urgências e as emergências são gigantescas e os recursos muito escassos. Muitos (portugueses) dirão que é abandono de agora. Falso: a história da Ilha, pelo menos de XVIII para a frente, é a das constantes reclamações do estado arruinado das edificações - crises económicas, abalos na administração, guerras. E, acima de tudo, as intempéries. Pois ali a manutenção dos edifícios é trabalhosa e custosa, tanto devido às razões climáticas como ao particular material utilizado nas construções - de facto, na Ilha a ideia de arquitectura perene tem que ser bem relativizada. Lembro os opinadores apressados que em finais de 1960s se procedia à "reabilitação da Ilha", dado o estado deficitário em que já se integrava, piorado com a crise económica devido à abertura do porto de Nacala na década anterior.

Em 1996/1997 esta capela estava em muito mau estado, tal como toda a "cidade de pedra-e-cal". A Ilha havia sido proclamada Património Mundial pela UNESCO e houve alguma atenção sobre os edifícios. Em Portugal, a Comissão Nacional para a Comemoração dos Descobrimentos Portugueses - então comissariada por António Manuel Hespanha, um grande intelectual e que fez um belíssimo trabalho, na sequência do que havia feito Vasco Graça Moura, ainda que com um perfil algo diferente de intervenção - promoveu a reabilitação desta capela, devido ao seu estatuto histórico e ao seu simbolismo. A intervenção não foi muito cara (o edifício é pequeno e, julgo, não particularmente complexo) e correu muito bem, sob direcção do arquitecto José Forjaz e com utilização suficiente de mão-de-obra local.

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Eu sei que os tempos são diferentes, que há menos disponibilidades financeiras no Estado português. E que nas instituições culturais não abundam homens da densidade de Graça Moura ou António Hespanha (ou, noutro plano, Lucas Pires ou Carrilho), que possam sensibilizar-se, de imediato, para os efeitos efectivamente culturais, e como tal socioeconómicos, de uma intervenção num edifício destes. Mas ainda assim espero que haja nas autoridades portuguesas pessoas com a suficiente atenção para Moçambique e para a questão do património cultural tangível para disponibilizar a ajuda necessária para uma intervenção nesta capela, de importância única. E que o Estado moçambicano possa e queira acolher esse contributo.

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Assombro e dor

por Pedro Correia, em 16.04.19

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A sensação é de enorme consternação, de profunda tristeza. Direi mais: é de luto. Hoje, como centenas de milhões de pessoas em todo o mundo, sinto-me enlutado. Pela perda irreparável da catedral das catedrais. Notre-Dame, que sobreviveu incólume a incontáveis guerras, escapou à carnificina de dois conflitos mundiais e em 1944 se manteve imune à desvairada ordem de Hitler, que queria ver Paris a arder, acaba de ser praticamente reduzida a escombros. No início da Semana Santa, num dia em que o Presidente francês anunciara um discurso à nação. 

Ver as imagens das chamas a devorarem o edifício medieval, jóia absoluta da arquitectura gótica, marco da espiritualidade universal, símbolo supremo da cultura cristã que é também matriz europeia, dilacera todos quantos algum dia ali haviam entrado - e fomos muitos, pois Notre-Dame recebia cerca de 13 milhões de visitantes por ano, gente de todas as crenças e todas as latitudes.

O mundo em que vivemos é um mundo em contínua perda de referências, que padece de uma confrangedora falta de memória. O pavoroso incêndio que destruiu Notre-Dame acaba de nos cortar mais um emblemático vínculo às gerações precedentes. Tudo se torna cada vez mais precário e descartável. Assente num passado sem vestígios, o futuro já nasce mutilado.

Notre-Dame, cujos alicerces são contemporâneos da fundação de Portugal, demorou quase dois séculos a ser erguida. Para a destruir bastaram duas horas. E nós a assistirmos, num silêncio impotente e magoado, feito de assombro e dor.

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Paris já está a arder.

por Luís Menezes Leitão, em 15.04.19

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A destruição de Notre Dame por um violento incêndio representa o dobre a finados da civilização ocidental. O que nem Hitler conseguiu fazer, é agora conseguido em pleno séc. XXI. Tenha sido isto o resultado de um acto terrorista ou da simples negligência daqueles a quem competia cuidar do monumento, neste momento não interessa. Uma das maiores criações do espírito humano, que inspirou o génio de Victor Hugo, desaparece hoje. É um dia triste para todos aqueles que lutam pela nossa civilização e pela preservação da memória da Europa.

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Em Guadalajara já saberão disto?

por Pedro Correia, em 26.11.18

 

Obra de arte desaparece do Mosteiro de Alcobaça.

 

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... O que se passa naquele belíssimo monumento funerário à iniciativa portuguesa chamado Pavilhão de Portugal? Janta-se, dança-se, ou nem por isso? 

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Depois de arrumada a cozinha do Panteão

por Inês Pedrosa, em 20.11.17

Não alinho em morais públicas que não sirvam toda a gente de igual forma; acresce que, certamente para minorar outros défices, tenho uma memória maior do que a de uma dúzia de robots Sofia, até porque pude desenvolvê-la, já que, por sorte, não nasci na Arábia Saudita. Assim, estranhei os brados e a indignação geral (a que prestamente se juntou o senhor primeiro-Ministro) quanto ao fruste jantar no Panteão Nacional, porque ainda me recordava bem de ter visto em vários canais televisivos hordas de crianças aos pulos, à meia-noite, no referido Panteão, então transformado em laboratório de feitiçarias, por mor do lançamento de um qualquer volume da saga Harry Potter, nos idos de 2002. Soube, depois, que naquele sítio se realizaram entretanto diversos repastos, um dos quais com o patrocínio da Câmara Municipal de Lisboa e da EGEAC, empresa municipal de cultura, num período em que o agora indignado primeiro-Ministro presidia aos destinos municipais e em que a EGEAC era presidida pelo actual secretário de Estado da Cultura. 

Em muitos países europeus (não sei mesmo se em todos), o aluguer de monumentos para banquetes, festas de empresas, filmagens, casamentos ou baptizados, é prática comum e devidamente regulamentada. Evidentemente que as regulamentações deixam sempre espaço à interpretação individual e à decisão dos responsáveis pelos edifícios patrimoniais. Por exemplo: o convento de Cristo, em Tomar, tem uma tabela de preços para filmagens (e a fita mediática que se fez, há meses, por causa dos danos, afinal inexistentes, que ali teria causado um filme de Terry Gilliam, foi também épica). Mas parece-me óbvio que a proposta de realização de um filme pornográfico naquele cenário seja rejeitada. Ou de um manifesto partidário. No Panteão, o problema prender-se-ia, segundo os indignados, com o facto de se tratar de um monumento funerário: jantar junto dos Grandes Mortos, ao que parece, é ofendê-los. Sucede que nos Jerónimos também estão sepultadas Grandes Figuras. E, a bem dizer, em toda a cidade, por toda a parte, caminhamos sobre túmulos - de mortos tão antigos e anónimos que, felizmente, já não contam para a Honra Nacional, senão morríamos todos à fome. 

Há quem condene, pura e simplesmente, toda e qualquer rentabilização do património. Pergunto: então, como fazemos? Aumentamos os impostos? Onde é que se vai buscar o dinheiro? A cultura portuguesa é muito resistente ao mecenato - precisamente porque temos uma cultura empresarial muito pouco culta, o que aliás se reflecte desde logo na baixa produtividade do país. Deveria, em meu entender, criar-se um sistema de apoio ao mecenato cultural que realmente funcionasse, isto é, que incentivasse as empresas a investir no apoio às artes e na preservação do património de uma forma eficaz e, sobretudo, desburocratizada. Porém, para animar os responsáveis de museus e monumentos a procurar mecenas, seria necessário que os patrocínios granjeados fossem aplicados no equipamento cultural que trabalhou para os alcançar. Não é isso o que acontece: os apoios são canalizados para a Direcção Geral do Património Cultural, que depois os reparte, segundo os seus critérios. Enquanto não houver reconhecimento pelo trabalho e pelo mérito individuais não haverá estímulo nem responsabilização dos dirigentes. Temos uma Função Pública recheada de chefes que não mandam nada - e, se forem espertos, procurarão mesmo nunca decidir coisíssima nenhuma, porque quem nada faz nunca tem problemas e, de diuturnidade em diuturnidade, chega à reforma remediada e tranquilamente. É nisto que ainda estamos.

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A longa madrugada do ajuste

por Tiago Mota Saraiva, em 04.10.16

A obra de conclusão do Palácio Nacional da Ajuda mereceu capa de jornais como raramente os projectos de arquitectura merecem. Além das imagens e do anúncio da realização da obra, todos os textos destacavam a autoria do projecto de um arquitecto da Direcção Geral do Património Cultural.
Dediquei-me, nos dias posteriores, a aplaudir a resiliência desta equipa de projecto sobrevivente à depauperação de técnicos e gabinetes de projecto a que o Estado foi sendo sujeito ao longo dos anos. Mas estava a ser enganado. Não havia equipa. Se parece ser verdade que quem assina o projecto é um técnico da DGPC, a própria instituição, alegando “falta de recursos internos”, contratou, por ajuste directo, uma empresa privada para “apoio na elaboração do projecto de arquitectura”. Ou seja, fugiu ao concurso público de concepção a que a lei obriga.
Infelizmente, a fuga ao concurso é a regra e perante o insuficiente escrutínio público e do Tribunal de Contas só nos resta o escárnio sobre o anedotário. Alguém ouviu falar das 20 contratações entre estudos, projectos e levantamentos para o Mercado do Bolhão, fraccionadas de modo a não atingir os 75 mil euros (limite para o ajuste directo), superiores em valor somado a 850 mil euros? Alguém foi confirmar se o projecto do campus da Universidade Nova, tão elogiado pelo Presidente da República, foi a concurso público como se escreve?
Até 10 de Outubro está para discussão pública uma nova revisão do Código da Contratação Pública. Apesar desta alteração ir, a meu ver, no bom sentido - assim que expurgada de alguns disparates como a possibilidade de haver júris de um indivíduo - não irá mexer no que é estrutural. No que faz com que, a partir de 2008, o concurso público de concepção tenha passado a ser raríssimo. Como não creio que a maioria dos decisores públicos sejam corruptos ou tenham arquitectos de eleição a quem queiram adjudicar trabalhos, entendo que o problema estrutural está no facto de ser muito mais simples e rápido fazer um ajuste directo a uma empresa do que padecer dos longos e intrincados processos de concursamento. A chave do problema está na inversão deste paradigma. Importa tornar mais complexa e fiscalizável a decisão de contratar sem concurso e mais céleres todos os procedimentos de concursamento.

 

(publicado no jornal i)

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O Estado a que isto chegou

por Pedro Correia, em 02.08.16

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 Imagem: blogue Ruas de Lisboa com Alguma História

 

Num país pobre, damo-nos ao luxo de deitar para o lixo um equipamento escolar como a Escola Secundária Afonso Domingues, alvo de "obras substanciais de melhoria e requalificação" em 2009, um ano depois de encerrar por ordem do Ministério da Educação, alegando-se expropriação do terreno para a edificação da terceira travessia sobre o Tejo em Lisboa. Que não avançou, por absoluta falta de orçamento, como todos sabemos.

Ficou a falida capital sem nova ponte e Marvila perdeu a escola, onde o nosso Nobel José Saramago foi aluno entre 1935 e 1940.

A escola está a saque, alvo de constante e crescente vandalismo, como documenta o sítio Evasão, cumprindo uma verdadeira missão de serviço público. O Estado, proprietário do espaço, encolhe os ombros. A Câmara Municipal de Lisboa não quer saber.

O arquitecto que concebeu o Mosteiro da Batalha não merecia isto.

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Acordo fechado entre a Visabeira e o Estado português tem a duração de 50 anos

 

"O grupo Visabeira vai investir 15 milhões de euros para instalar um hotel no Mosteiro de Alcobaça. O grupo português vai pagar ao Estado uma renda anual de 5 mil euros, mais IVA, noticia o Diário Notícias. A Visabeira assinou ontem com a Direção-Geral do Património Cultural um contrato de concessão do Claustro do Rachadouro do Mosteiro de Alcobaça, válido por 50 anos. O acordo vai permitir ao grupo a construção de um hotel de cinco estrelas, de três pisos, 81 quartos e nove suites, SPA, ginásio, para além de espaços para organização de congressos e eventos. O espaço foi atribuído depois de um concurso público internacional. A abertura do hotel está prevista para 2019."

 

Algumas das mil perguntas que esta notícia me sugere:

É esta a tão apregoada superioridade da esquerda em relação à cultura? Ou será que a cultura não inclui o património?

Para que serve uma Direção-Geral do Património Cultural, para trocar conventos por hotéis?

E a renda de 5.000 € anuais, esse valor astronómico, é para resolver o problema do défice?

Três pisos num claustro? Como, deitando-o abaixo?

O que se seguirá, uma discoteca nos Jerónimos? Um food hall na Torre de Belém?

E a Unesco, não tem uma palavra a dizer já que o Mosteiro está classificado como Património da Humanidade?

 

(é que nem consigo pôr uma tag nesta aberração)

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Uma péssima decisão!

por Helena Sacadura Cabral, em 12.04.15

IFP.jpegO Instituto Franco Português, o IFP, corre o risco de fechar. É esta decisão que está em causa, apesar de ser apresentada como sendo apenas de uma mudança de instalações da Av. Luís Bívar, no centro da cidade, para a Embaixada Francesa em Santos. O processo em curso representa o desmembramento do excelente património cultural material e simbólico, vivo e actuante daquele Instituto 

Intenção semelhante foi bloqueada em Berlim graças ao vasto movimento de cidadãos que foi criado para o efeito.

A petição “Não ao fecho do Institut Français au Portugal”, lançada por personalidades de vários sectores socioculturais, ultrapassou cinco mil assinaturas prossegue e pode ser assinada em:

                

                          https://www.change.org/p/sauvonsifp

 

Ajudem a evitar que uma tal decisão vá por diante e assinem a referida petição. Eu já assinei. Trata-se de um património cultural que deve ser salvaguardado e que só um movimento de massa pode levar a que seja mantido.

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Este fim de semana foi assim. Seria uma espécie de redenção? É que nem sempre a importância do Cante foi tão óbvia para os socialistas.

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cante quem for de lá

por José Navarro de Andrade, em 28.11.14

Os deserdados cantam. Os negros das charnecas do Mississippi, os ciganos andaluzes, os ganhões do Alentejo – e outros, noutros lugares, haverá – cantam para levantarem a voz ao céu e tirarem-se da terra, num instante de liberdade. O canto trabalha como as vacinas: cantam-se os lamentos para aliviar a tristeza e espantá-la para bem longe. Cantar é primitivo, é anterior aos sentimentos e aos sentidos, não se canta por revolta ou submissão, canta-se para desafiar a sorte e o destino. Por isso o cante do Alentejo é irredutível e impermeável ao verniz da cultura; o resto da humanidade, nós, pode escutá-lo - que eles são generosos e partilham-no - mas só os alentejanos é que o sabem.

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Santo António de Macau

por Sérgio de Almeida Correia, em 13.06.14

"Reza a tradição ter sido S. António alistado em Macau como soldado em 1623, ano em que veio de Goa incorporado com mais cem soldados portugueses no primeiro presídio militar, que acompanhou o primeiro governador, D. Francisco de Mascarenhas.

S. António como soldado, aqui começou por receber o seu soldo de seis reis por mês, mas em 9 de Maio de 1780 foi-lhe suspenso o soldo, já que o Senado recebeu instruções para que cada fortaleza tivesse uma guarnição real de vinte soldados. O padre Manuel Teixeira refere: "Por coincidência começou a cidade a sofrer contínuos desastres que o povo ingénuo logo atribuiu ao desacato feito ao Santo, que fora substituído por um soldado de carne e osso."Por tal razão, a 17 de Setembro de 1783, o governador Bernardo Aleixo de Lemos e Faria solicitou ao Senado a renovação da matrícula de Santo António. E Luís Gonzaga Gomes complementa: "a 27 de Dezembro de 1783, tendo há três anos experimentado a cidade contínuas infelicidades atribuídas ao facto de a vereação passada ter dado baixa de soldo ao glorioso St.º António, que o recebia, anualmente, como soldado, desde que houve presídio militar nesta cidade, por motivo de cada guarnição de fortaleza ter sido reduzida, em 9 de Maio de 1780, a vinte soldados efectivos, o Senado, reconhecendo a necessidade da protecção dese Santo, resolveu dar-lhe outra vez alta, com o vencimento do soldo de capitão, e com o título de Capitão da Cidade."

Não só foi promovido a capitão, com um ordenado de cinco pardaus, mas o Senado mandou-lhe pagar os salários atrasados. O que veio a acontecer a 12 de Junho de 1784, quando o Senado pagou o soldo dos três anos e um mês que estava em falta como soldado, 93 taéis, 7 mazes e 5 codrins e como capitão recebeu no mesmo dia 49 taéis, 1 maz e 4 caixas de soldos vencidos em 7 meses e 26 dias.

Nos anos 50 do século XX, o soldo do capitão St.º António era de seis mil patacas por ano. Numa publicação de 1956 encontra-se o seguinte: "No dia 16 de Junho, à tarde, acomissão administrativa do Leal Senado fez a entrega de $ 120 000 correspondente ao soldo anual vencido pelo capitão desta cidade, Santo António de Lisboa. A importância reverte a favor do cofre do "Pão dos Pobres".

St.º António foi em Macau soldado entre 1623 e 1783 e capitão entre 1783 e 1973, tendo assim prestado serviço militar nesta cidade durante 350 anos."- José Simões Morais, in O Soldo de Santo António, Hoje Macau, 13/06/2014

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Ecce homo lusitano

por Rui Rocha, em 19.02.14

Pelo visto, o restauro de esculturas do século XIX do Santuário de Nossa Senhora das Preces está a causar polémica. As opiniões dividem-se. Para André Remígio, administrador de um grupo de uma rede social que congrega conservadores e restauradores, esta situação "é mais grave que o caso da Dona Cecília" Giménez, em Espanha, que repintou por livre iniciativa um quadro do século XIX, sem habilitações para tal. Entretanto, Basílio Martins, tesoureiro da Irmandade da Nossa Senhora das Preces, entidade que gere o espaço, conta que está "satisfeito" com o trabalho de restauro, relembrando que "estava tudo estragado, com rachadelas, esculturas sem dedos e sem olhos". Por seu lado, Miguel Vieira Duque, responsável pelo trabalho de restauro, afirma que "o resultado final o enche de orgulho". Não tenho conhecimentos técnicos que me permitam ter uma opinião fundamentada. Mas que me perturba um bocado que uma imagem feminina restaurada tenha ficado com cara de Passos Coelho, isso não posso negar.

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Está aí alguém?

por Sérgio de Almeida Correia, em 04.02.14

Os comentários a mais um episódio rocambolesco da nossa vida pública e judiciária deixo-os para os entendidos. Não discuto o valor das obras, a sua qualidade, a sua importância para o património nacional. A mim, como cidadão, compete-me apenas formular algumas perguntas para as quais ainda não obtive resposta em nenhuma das notícias que li e/ou ouvi:

 

1. Quem autorizou a saída das obras de Miró?

2. Quem negociou com a leiloeira?

3. Quem aprovou os termos da negociação e autorizou o contrato com a leiloeira?

4. Quem no Governo, ao nível do primeiro-ministro, ministros e secretários de Estado, sabia o que se estava a passar?

5. Como sai o Ministério Público desta embrulhada?

 

O resto torna-se marginal.

 

P.S. Mesmo sem respostas, descortino na leiloeira o bom senso que faltou em quem levou para lá as obras. Lá se vai o alívio dos aliviados.

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Outra excelente notícia

por Pedro Correia, em 06.02.13

Santa Casa paga 500 mil euros para editar todo o Padre António Vieira. Defender, valorizar e preservar o património português também é isto.

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O desperdício

por José Navarro de Andrade, em 21.11.12

Não desfazendo em Évora, Elvas é uma das cidades mais belas do Alentejo e de Portugal. Nela se reúne um património de arquitectura militar do séc. XVIII provavelmente inigualável na Europa e no mundo. Porém, a burocracia, o desmazelo e a imbecilidade (sobretudo económica, além de patrimonial) abandonaram o Forte da Graça à ruína, como se pode ver aqui.

Outros fazem muito com o que têm; nós fazemos pouco do muito que às vezes temos.

 

Cittadella di Alessandria, Itália

Fort George, Inverness, Escócia

Terezìn, Rep. Checa

Suomenlinna, Finlândia

 

Forte da Graça, Elvas

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Restaurações

por José Navarro de Andrade, em 24.08.12

1657

1847 

 1878

O picaresco episódio de Doña Cecília Jimenez, vilã de Borja, lugarejo de 4000 almas nos confins de Aragão, veio salvar a silly season. Da toca saltaram comentadores de 3 qualidades: ele foram os restauracionistas que vieram a público rasgar as vestes, ele foram os jocosos que têm sempre razão porque nunca levam nada a sério e, decorrente destes, ele apareceram, ainda titubeantes, os que já vêm defender o estilo naif da senhora, como quem descobriu um Le Douanier Rousseau de última hora.

Os arqui-conservadores, que tudo baptizam como património a preservar, imutável através dos tempos, sofrem de outro problema além da extrema sisudez e da manifesta vontade de mandar parar as máquinas para sempre. É que precisamente, as máquinas nunca pararam e a maior parte dos “monumentos” (só este conceito daria para uma brava discussão) que elegemos como emblemas imortais da nossa pátria não menos imortal, lamento informar, mas têm sido remexidos, com maior ou menor alvenaria, ao longo da sua existência, bem mais precária do poderíamos supôr.

Os Jerónimos por exemplo, o timbre supremo da Era dos Descobrimentos (donde, em memória, parece que nunca saímos), o imaculado registo do quinhentismo português, pois os Jerónimos, a última intervenção que tiveram foi em 1950 quando lhes acrescentaram os vitrais do cruzeiro. Esses mesmos vitrais que turistas fotografam com deslumbre e os seus guias garantem ser manuelinos de gema.

Mas como se pode ver pela foto supra, este acrescento foi nada comparado com as dedadas que imprimiram no Mosteiro nos finais do séc. XIX e as reconstruções, supostamente imitando a traça original (imitação=kitsch, por definição), executadas aquando da famigerada Exposição do Mundo Português de 1940.

Pode Doña Cecília ter sido desajeitada e falha de talento, mas não podemos nós considera-la profanadora ou fora dos costumes.

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Elvas e as suas muralhas

por João Carvalho, em 30.06.12

 

As muralhas de Elvas passaram a ser hoje património mundial classificado pela UNESCO na categoria de bens culturais. Uma classificação justíssima para um extenso conjunto de património histórico construído que inclui todas as fortificações da cidade, um forte do século XVII e outro do século XVIII, três fortins do século XIX, três muralhas medievais, uma muralha do século XVII e o aqueduto.

Trata-se da maior fortificação abaluartada do mundo. O conjunto remonta, nos seus primórdios, ao reinado de D. Sancho II e tem um perímetro com cerca de dez quilómetros e uma área que ronda os 300 hectares.

Cenário de contadas e recontadas batalhas e de encontros e desencontros luso-espanhóis, Elvas pode ser uma bela visita de férias, pela exemplar conservação patrimonial que versa grandes momentos da nossa História e agora com o interesse a que acresce a honrosa classificação.

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Nome emprestado e a prazo

por Ana Lima, em 15.02.12

Depois das estações de metro, os teatros. É certo que as obras de manutenção de um edifício como o Teatro Tivoli, dados os custos envolvidos, provavelmente, só desta forma poderiam acontecer. O pai adoptivo UAU e o padrinho BBVA estão, com certeza, muito satisfeitos. Mas acrescentar um apelido destes soa tão estranho… E ainda bem que optaram pela sigla. Teatro Tivoli Banco Bilbao Vizcaya Argentaria, embora certamente mais imponente, seria ridículo. Eu não dei pela cerimónia de aspersão mas deve ter sido muito discreta.

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