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Crise no PAN?

por jpt, em 25.06.20

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Parece que o líder do aparente ecologista PAN está a ser contestado pelas suas hostes. Não será particularmente surpreendente. O partido cresceu imenso nas últimas eleições, a reboque da vaga internacional de preocupações ecológicas. Mas logo desapareceu da agenda mediática e mesmo da política, e não só pelo seu real vazio substantivo - que melhor contexto para afirmação poderia pedir um partido ecologista do que uma pandemia com estas características de emergência e difusão?, e o qual desaproveitou completamente dada a sua efectiva inexistência. Pois também se tratou de um eclipse comunicacional devido ao carinho da imprensa pelo "boi de piranha" espicaçado pelo PS, esse composto de histriónicos racistas e de assessores de saias, e o jeito que dão às audiências publicitárias as atoardas desventuradas. 

Mas as causas fundamentais deste triste espectáculo - um partido ecologista a desagregar-se devido a questiúnculas  em plena pandemia é verdadeiro manancial para um "estudo de caso" de ciência política - são mesmo internas.  Há algum tempo aqui deixei mostra de que André Silva, o inopinado líder de partido parlamentar, não aparentava possuir nem pinga de elegância devido a completa ausência de clarividência de atitudes, face à sua boçal pose em reunião de deputados com o presidente Sousa. Um rústico, por assim dizer ... E ao saber-se hoje, na sequência do abandono do deputado europeu e de outros eleitos autárquicos, que também sai a deputada por Setúbal, Cristina Figueiredo, lembro a patética figura que a pobre fez quando se candidatou, uma coisa mesmo inenarrável, uma mulher ignorante e desnorteada, adornando-se com todos os tiques do aldrabismo. 

Enfim, a renovação do sistema política é mesmo necessária. Mas, como é mais do que evidente, não é com gente desta. E com este impensamento.

PANdemia?

por Pedro Correia, em 25.06.20

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Outra deserção no PAN: a deputada Cristina Rodrigues acaba de anunciar que abandona o partido, permanecendo na Assembleia da República como não-inscrita.

Estes militantes em fuga cumprem escrupulosamente as normas sanitárias em vigor na actual crise pandémica, marcando "distância social" face ao chefe Silva.

 

Leitura complementar: Crise no PAN, crise no jornalismo.

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PAN = PS's pet

por Paulo Sousa, em 24.06.20

Como o Pedro Correia já aqui tinha referido, o PAN tem beneficiado de uma brandura de escrutínio, que explica a surpresa da recente ruptura do seu único deputado no PE.

Segundo o que o Observador apurou, os assessores políticos parlamentares deste partido eram remunerados pela Câmara Municipal de Lisboa dentro da rubrica orçamental relativa ao seu deputado municipal.

Além da questão do recurso aos recibos verdes, práctica criticada pelo partido, dos referidos assessores terem um email no domínio pan.parlamento.pt e ainda assim emitirem os seus recibos em nome do município lisboeta, temos o grande detalhe de que na prática a socialista Câmara liderada pelo Sr. Medina apoia a vida parlamentar deste recente partido.

Em política o que parece é e, perante isto, entendemos que a permanente sintonia política entre o PS e o PAN ultrapassa qualquer coincidência.

De tanto conviverem com os seus animais de estimação, os animalistas do PAN projectaram essa relação com o PS e acabaram por se tornar, eles próprios, num partido de estimação. Com trela, biscoito e caixinha de areia.

Crise no PAN,crise no jornalismo

por Pedro Correia, em 17.06.20

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André Silva e Francisco Guerreiro, em imagem de arquivo

 

A melhor prova da falta de escrutínio actual dos partidos políticos por um jornalismo que oscila entre a mediocridade militante e o mero cumprimento da agenda oficial, como se picasse o ponto numa repartição pública, é-nos exibida, por estes dias, com a crise existente no PAN - partido encabeçado por André Silva, o líder político que goza de "melhor imprensa" em Portugal.

Uma crise agora tornada pública mas que tinha passado ao largo das redacções, apesar de vários títulos jornalísticos dispensarem máxima atenção a este partido por representar um "sinal de renovação" do nosso sistema político, "sem os defeitos e até os vícios" dos restantes. Pura ilusão, como está à vista.

 

Afinal ficamos ontem a saber que o único eurodeputado do PAN acaba de devolver o cartão partidário, saindo em ruptura com a "linha política global" dos animalistas. Francisco Guerreiro queixa-se, por exemplo, da "crescente e vincada colagem do PAN à esquerda", considerando que "quebra uma das bases filosóficas do partido, que não se revê nas dicotomias políticas tradicionais". E também disto, que especifica sem rodeios: a "recente apologia ao incentivo para a entrada de jovens no serviço militar (contra a base pacifista do partido), a passividade perante as acções geopolíticas da China na Europa e o aumento da agressividade discursiva" do PAN.

Hoje registou-se outro abandono. A mulher do eurodeputado, que já foi deputada municipal em Cascais e integrava a Comissão Política Distrital de Lisboa, bate com a porta deixando severas críticas à liderança animalista. 

«Nos últimos meses tenho assistido a uma centralização do debate e da acção política dentro do PAN, à falta de vontade em descentralizar e incluir ideias fora do 'núcleo duro', à ausência de debate político em matérias tão essenciais como o crescimento do partido no país e no estrangeiro (que faz com que não tenhamos várias distritais, nomeadamente no interior do país)», escreveu Sandra Marques numa rede social.

Acusações sérias, que não podem ficar sem resposta.

 

Temos, portanto, uma crise aberta neste partido cuja génese ocorreu à margem do escrutínio informativo. Os jornalistas que cobrem as actividades políticas, neste caso, foram os últimos a saber. Caso para concluir, portanto, que também o jornalismo está em crise - por desinteresse, por falta de investimento, pela contínua sangria dos melhores quadros, pela proliferação de "publirreportagens" que cada vez mais invadem o espaço noticioso.

Num passado pouco distante, nunca algo semelhante teria acontecido.

Pensamento da semana

por Teresa Ribeiro, em 05.04.20

Não fique em casa... se não quer ficar sem emprego - este é o dilema que se coloca hoje a milhares de pessoas. Uma realidade escondida que a comunicação social não está a revelar, nem é aflorada pelo governo.

No país das pequenas e micro empresas as ruas podem estar desertas, pode já não existir concentração de gente nos espaços públicos, mas há locais de trabalho onde as regras do estado de emergência não estão a ser aplicadas. Ao contrário dos estabelecimentos comerciais, fáceis de fiscalizar, esses espaços funcionam entre quatro paredes, escondidos em edifícios de escritórios ou até em prédios de habitação. 

Soube pela DECO que nos últimos dias têm chovido no seu departamento júridico pedidos de aconselhamento de profissionais que estão a ser coagidos a continuar a trabalhar em espaços exíguos, onde o distanciamento de segurança é impraticável.

Entendo que é o desespero que conduz a esta insensatez, mas a verdade é que enquanto estas situações persistirem, as medidas de mitigação são um saco roto, por onde a pandemia continuará a expandir, prolongando ainda por mais tempo esta agonia em que todos vivemos.

A propósito deste assunto, aproveito para dar um recado ao PAN: foi importante indicar os serviços veterinários como uma das actividades  essenciais que o governo deve autorizar durante a pandemia, mas entre estes existem milhares de clínicas e consultórios sem o mínimo de condições de segurança sanitária. Porque funcionam em espaços tão reduzidos que é impossível manter distanciação mínima e sem equipamentos adequados (máscaras e luvas eficazes contra o vírus). Só esta área de  negócio bastará para infectar boa parte da população, pois faz atendimento público, nas piores condições, por todo o país - foi divulgado num congresso veterinário que em Portugal há mais clínicas veterinárias do que em Espanha!!

Só os hospitais veterinários deviam manter a porta aberta nestas circunstâncias, caros senhores, por isso, por favor, façam serviço público e em vez de proteger os vosso amigos veterinários, cuidem, primeiro que tudo, da população. Obrigada!

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana.

Da vida animal e da vida humana

por Pedro Correia, em 14.02.20

 

Medida 673 do programa eleitoral do PAN:

«Rever os critérios legalmente estabelecidos para o abate de animais de companhia por parte dos CRO [centros de recolha oficial], clarificando os casos em que é possível a occisão dos animais, nomeadamente, afastando essa possibilidade por motivos de doença infecto-contagiosa que seja tratável, assim como por motivos comportamentais reversíveis, permitindo que, nesses casos, seja possível a recuperação do animal e o seu encaminhamento para adopção ao invés do abate.»

 

Medida 702 do programa eleitoral do PAN:

«Proibir o abate [de pombos] como método de controlo da sobrepopulação.»

 

Medida 871 do programa eleitoral do PAN:

«Despenalizar a morte medicamente assistida, por decisão consciente e reiterada da pessoa, com lesão definitiva ou doença incurável e irreversível e que se encontra em sofrimento duradouro e insuportável.»

Então e o PAN?

por jpt, em 08.10.19

Na azáfama dos resultados eleitorais o PAN, apesar de crescer bastante, perdeu alguma visibilidade. As pessoas discutem o comentador Ventura do CHEGA (João Pedro George mostrou impressivos trechos do seu romance), a não-única nem primeira deputada negra do LIVRE (Alexandre Pomar é proto-lapidado por se incomodar com a sua gaguez, Paulo Pedroso saúda a sua proposta de uma nova lei de nacionalidade - o desvelo do PS com o PEV, perdão, com o LIVRE é notório) e há vários encomiásticos perfis biográficos do deputado Cotrim de Figueiredo, do IL, para além de inúmeras notas sobre as minudências dos partidos maiores.

Nisso esquece-se o PAN. E só agora percebo que em Setúbal os eleitores elegeram esta Cristina Figueiredo. No passado 30.9 partilhei no meu mural de Facebook este trecho de entrevista, espantado com a impreparação, o vácuo e a arrogância desta candidata, denotativos do pobre partido em que havia surgido. Mas nunca me passou pela cabeça que viesse a ser eleita. E foi! Os eleitores de Setúbal puseram esta mulher no parlamento. E ela não vem das "juventudes" nem é familiar de algum poderoso dos aparelhos dos grandes partidos que a houvesse colocado num qualquer lugar laboral, como tão costume vem sendo. É um rosto de um novo partido.

Que catastróficos plantéis, pessoais e intelectuais, dos partidos tradicionais para que a "novidade" atractiva seja esta. Patética.

Fora da caixa (23)

por Pedro Correia, em 04.10.19

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«Entre o conhecimento do bem e do mal há uma grande diferença: o mal conhece-se quando se tem e o bem quando se teve; o mal, quando se padece, o bem, quando se perde.»

Padre António Vieira

 

Mário Soares fundou o PS em Maio de 1973. Sá Carneiro fundou o PPD (depois PSD) em Maio de 1974. Diogo Freitas do Amaral, agora falecido, fundou o CDS em Julho de 1974. Álvaro Cunhal, de algum modo, refundou o PCP na década de 40 e foi seu dirigente histórico durante quatro décadas. Fernando Rosas, Francisco Louçã, Luís Fazenda e Miguel Portas fundaram o Bloco de Esquerda em 1999.

E o PAN, que parece ter caído do céu há quatro anos, ungido por André Silva? Este partido tem um fundador, do qual todos os actuais dirigentes parecem demarcar-se, vá lá saber-se porquê. É o professor Paulo Alexandre Esteves Borges, budista praticante após ter sido entusiasta do Quinto Império: primeiro presidente do partido, em 2011, afastou-se da liderança três anos depois e desfiliou-se em 2015. Entre «divergências profundas quanto ao rumo que alguns comissários [pretendiam] dar ao PAN».

 

Seria interessante recordar a cascata de convulsões internas que levaram ao seu afastamento.

Seria interessante saber se André Silva se revê nos princípios doutrinários de Paulo Borges, discípulo espiritual do padre António Vieira e do professor Agostinho da Silva.

Seria interessante indagar se o professor Borges tenciona votar no partido que fundou.

Já agora, também teria interesse saber por que motivo o deputado do PAN preferiu votar em Fernando Negrão em vez de Ferro Rodrigues para presidente da Assembleia da República em Outubro de 2015.

Eis questões com relevância pública e que mereciam tratamento jornalístico se o PAN fosse encarado pelo mesmo prisma acutilante reservado à maioria das forças partidárias representadas no Parlamento.

Pergunta ao deputado André Silva

por Pedro Correia, em 27.09.19

 

Qual é a posição do PAN perante a vespa asiática?

 

Fora da caixa (16)

por Pedro Correia, em 26.09.19

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«É fundamental aumentar as infraestruturas de transportes colectivos, nomeadamente ferrovia da área metropolitana... metropolitana... da área... da área metropolitana de Lisboa, estender a rede... a rede de metro para várias... para várias zonas... assim como... assim como na... também... aaa... no Porto...»

André Silva, na RTP (23 de Setembro) 

 

Tenho acompanhado com a atenção possível as intervenções do solitário deputado do PAN nesta campanha eleitoral. Dele direi que é um dos candidatos mais previsíveis: quando abre a boca é seguramente para advogar novas interdições ou um acréscimo da carga fiscal. E é também um dos que preenchem mais tempo de antena, recorrendo a um velho truque popularizado por certos treinadores de futebol: repete as palavras que vai dizendo, em jeito de falso gago. (Se fosse gago a valer não seria candidato do PAN, mas do Livre.)

Assim foi, uma vez mais, no debate que segunda-feira reuniu na RTP os seis líderes dos partidos com representação parlamentar. André Silva não defraudou as expectativas: mal a moderadora, Maria Flor Pedroso, lhe pediu que especificasse «medidas concretas» sobre o combate às alterações climáticas, o porta-voz do PAN anunciou sem rodeios, naquele seu estilo muito peculiar, que quer extorquir dinheiro dos portugueses. Para o remeter a outros continentes.

 

Segui com tanto interesse a oratória do deputado que acabei por transcrever na íntegra o que ele disse:

«Eu gostava de… dizer… algo sobre aquilo que Portugal pode fazer… aquilo que Portugal pode fazer… aaa… relativamente a todo o impacto mundial. Está estabelecido que devemos criar um fundo mundial de combate às alterações climáticas para ajudar os países menos ricos, chamados menos desenvolvidos, para fazer esse combate, essa adaptação, às alterações climáticas. Ainda só conseguimos cerca de 25%. Portugal… aaa… deverá… contribuir com… aaa… cerca de dois milhões e meio de euros e nós entendemos que Portugal pode reforçar… os portugueses podem, em vez de darem cada um 25 cêntimos, cada um dos portugueses pode dar um euro, uma contribuição de um euro, e aumentar em dez milhões de euros a contribuição que Portugal pode dar ao resto do mundo para este efeito. E é justo. É justo porque Portugal, enquanto país rico que é, sempre utilizou os recursos e sempre emitiu gases com efeito de estufa ao longo destas décadas muito mais que os outros países. E é justo que nós tenhamos essa… essa capacidade financeira e que somos um país rico, do norte geográfico, possamos fazer essa… possamos fazer essa… essa… essa contribuição… esse esforço que é possível para… do nosso ponto de vista… para os portugueses.»

 

Desembarcado de Marte, André Silva imagina Portugal como «país rico», apto a financiar outras nações para expiar supostos pecados ambientais.

Eis outro aspecto em que o porta-voz do PAN é muito previsível: na importação para o discurso político da retórica dos tele-evangelistas, sempre prontos a lançar anátemas sobre os hereges, sempre dispostos a anunciar a redenção aos devotos que comungam das tábuas da lei.

Só não o sabia também já disponível a sacar o dízimo tão à descarada, ainda antes de acolitar o PS na próxima solução governativa. Nisto, pelo menos, inovou. Hossana, aleluia: o paraíso há-de chegar.

Perguntas que gostava de fazer (3)

por Paulo Sousa, em 25.09.19

Eng. André Silva,

Dado que a ADSE é a versão premium do SNS, não acha que devia ter sido mais ambicioso sugerindo uma ADSE para os animais de companhia?

Direitos sem obrigações

por Paulo Sousa, em 22.09.19

Ontem um cão de um vizinho conseguiu passar a rede que separa as duas propriedades e matou a nossa galinha preta. Chamávamos-lhe Unita. Quem não conhece o símbolo deste partido angolano achava que o nome era "bonita", o que também era verdade. Quando soube do desaparecimento dela fui perguntar pelo cão ao vizinho. Antes de chegar à porta dele encontrei logo o bicho no seu jardim a deliciar-se com a pobre da Unita.

Além da questão patrimonial que acabou por se acertar, questionei-me se a minha Unita, um dos nossos animais de companhia - com uma quase insignificante pegada de carbono - tinha perdido direitos pelo facto de ter sido atacada por um outro animal de companhia.

A lei protege-a de maus-tratos perpetrados por um humano. Li algures que um dos founding fathers dos EUA, corrijam-me se estiver errado no autor, disse que num sistema legal justo o mais fraco dos homens não tinha o que temer do mais forte e poderoso de entre os seus semelhantes.

O cão tem o direito de não ser mal tratado mas é inimputável quando dá largas ao seu instinto de caçador.

O que é que os founding fathers do animalismo têm a dizer sobre isto?

Frases de 2019 (25)

por Pedro Correia, em 20.09.19

«As corridas de touros fazem parte da História de Portugal. Como faz a Inquisição, a tortura, a pena de morte, o colonialismo.»

André Silva, ontem, em campanha eleitoral no Alentejo

Contra a tentação da carne

por Pedro Correia, em 18.09.19

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Pensava eu que uma universidade era um espaço de liberdade. Afinal não: é um espaço de interdição. Mais de meio século após a proclamação de Maio, que proibia todas as proibições, eis que a reitoria coimbrã, confundindo a academia com uma creche, restabelece a velha ordem com novos rótulos, tratando estudantes adultos como membros de um rebanho pastoreado pelos tele-evangelistas de turno que anunciam pragas bíblicas a quem ceder à tentação da carne.

«Razões ambientais» estarão na origem da decisão de eliminar o consumo da carne de vaca nas 14 cantinas a cargo da academia coimbrã, que se ufana assim de ser a «primeira universidade portuguesa neutra em carbono». Eis ao que chegámos: à universidade "neutra", onde a unicidade impera e os mais recentes dogmas em matéria de pureza alimentar são aceites sem um assomo de rebelião juvenil. «Vivemos um tempo de emergência climática e temos de colocar travão nesta catástrofe ambiental anunciada», anuncia com requintes de terror milenarista o douto reitor, Amílcar Falcão. Não podia ter retórica mais adequada nem apelido mais propício ao aplauso do partido animalista.

Os puritanos norte-americanos na década de 20 impuseram a Lei Seca. Agora os mastigadores de rúcula cá do burgo, com igual fúria proibicionista, pretendem impor com força legal os seus hábitos alimentares invocando - como os prosélitos de qualquer fé - o primado da moral pública, que se quer descontaminada e sã. Nada de novo debaixo do sol. Só me espanta o silêncio resignado - ia a escrever bovino - das associações de estudantes de Coimbra. Comem (algas e tofu) e calam. O que vai seguir-se? Substituição compulsiva da cerveja por água da bica? Imposição de cintos de castidade em material biodegradável? Recolher obrigatório para cumprir as horas de sono que as normas sanitárias recomendam?

Os basbaques erguem hossanas em louvor ao "progresso" contido nas novas tábuas da lei. Muitos totalitarismos começam assim: com caução "científica" e proselitismo higienista em nome de um ideal de pureza, sem um sopro de contraditório. Nunca é de mais recordar que o maior tirano que o mundo conheceu era vegetariano militante, muito amigo dos animais e quis impor o seu padrão alimentar ao mundo inteiro.

Sobre o fim do mundo

por Paulo Sousa, em 17.09.19

O terramoto de 1755 - Pintura de João Glama Strobërle que pertence ao espólio do Museu Nacional e Arte Antiga

 

Se a vida na terra tivesse 24 horas, o ser humano teria aparecido apenas nos últimos minutos. Isto significa que o conceito do "fim do mundo" é geologicamente recente pois só existe desde que o primeiro humano formulou esse pensamento. Antes disso existia apenas mudança permanente e que afinal nunca foi interrompida.

Os equilíbrios da natureza são importantes porque dependemos deles, mas não são estáticos nem são definitivos.

A extinção de espécies é algo que aconteceu regularmente ao longo do comprido dia da vida na terra. Uma imensidão delas nem sequer fósseis nos deixaram e isso coloca-as em pé de igualdade com os dragões que, esses sim, nunca existiram. É triste saber que os ursos polares, uns animais fantásticos, irão provavelmente desaparecer, mas isso aconteceu regularmente desde que existe vida na terra.

Sem o aquecimento global que se verificou há cerca de 10.000 anos o gelo cobriria toda a Europa. A civilização como a conhecemos não teria acontecido e não estaríamos aqui a trocar ideias através da blogosfera, algo cujo conceito seria difícil de explicar há 50 anos.

Alguns ambientalistas criticam a espécie humana por se comportar como se estivesse no centro de toda a vida na terra. No minuto seguinte usam o futuro das próximas gerações de humanos como argumento de defesa das suas convicções. Não fazia mais sentido defender a natureza pelo que ela tem de fantástica?

O ponto óptimo de poluição não é a ausência de poluição. É claro que vivemos muito acima desse ponto óptimo e devemos fazer um esforço para a reduzir. Estou convicto da necessidade de se fazer um esforço para minimizar o impacto na natureza, principalmente porque… esta é extremamente bela.

Na dinâmica do combate às alterações climáticas, que no fundo não é mais do que um combate contra a mudança, existe uma histeria e uma vertente de fé que faz lembrar períodos na história em que se verificaram grandes catástrofes, como o terramoto de 1755 ou a peste negra. Nesses períodos conturbados sempre surgiram os pregadores do fim do mundo. Estas figuras apresentam-se como explicadoras do inexplicável e fonte de conforto a todos quantos queiram ouvir a mensagem de uma entidade superior.

Surgem ora com um sino, ora com um grande crucifixo, ora com os dois e garantem que todos os que almejem salvar a respectiva alma imortal devem deixar de pecar, arrepender-se, devem orar e devem sacrificar-se.

Actualizando a mensagem recomendo que:

Onde se lê deixar de pecar pode ler-se comprar um carro eléctrico.

Onde se lê arrepender-se pode ler-se viver como os Amish.

Onde se lê orar pode ler-se votar no PAN.

Onde se lê sacrificar-se pode ler-se ir de avião semanalmente para Bruxelas mas descarregar a consciência pagando a taxa de compensação pelas emissões de CO2.

Esta é a postura do PAN, da menina Greta e da sua legião de globetrotters passageiros frequentes das companhias de low cost.

Profetas do apocalipse existiram em todos os tempos e em todas as latitudes e sempre tentaram mudar o comportamento dos outros.

Se a mudança é permanente e se de facto estivermos a viver um período especial, o mais ajuizado será estarmos alerta e para tentar ser capaz de, como nos ensinou Darwin, se adaptar. A confirmar-se o que nos garantem os profetas desta nova religião, alguns territórios que agora tem um clima ameno podem vir a tornar-se inóspitos assim como o contrário. A geografia sempre foi um factor determinante no equilíbrio dos povos e das nações e isso não se alterará.

Só falta mesmo esperar pela confirmação das profecias.

Vade retro fim do mundo

por Paulo Sousa, em 11.09.19

O PAN é o partido que nos defende do fim do mundo. Sempre que o PAN avança é o patife do fim do mundo que recua.

A medida nº 1081 do “programa eleitoral” do PAN consistia na realização de uma sessão semanal obrigatória dos criminosos com as suas vitimas, ou com os seus familiares em caso de homicídio, com o sentido de promover a reconciliação.

Bastava que não houvesse excepção nos casos de homicídio para parecer uma medida do PNR ou do Chega.

Mas alguém se terá lembrado que isto ainda podia descambar num cenário aterrador em que, numa eventual condenação futura do Eng. José Socrates, se pudesse aplicar. Considerando que as suas vitimas são todos os contribuintes, o fim do mundo esfregou logo as mãos.

Por sorte o André não imprimiu programas para adiar o fim do mundo. Bastou editar o documento - a medida 1082 vem logo depois da 1080 - fazer novo upload e já está. Mais um prego no caixão do fim do mundo. Respiremos de alívio.

Fora da caixa (4)

por Pedro Correia, em 08.09.19
 

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«Precisamos de outras bússolas.»

André Silva, em entrevista à TVI, 4 de Setembro

 

«Estou quase a chegar ao Bairro Alto!», gritava a mulher ao telemóvel, na carruagem do metropolitano.

Em redor dela, ficámos todos a saber que aquela matrona opulenta, de unhas de gel e tatuagem no lombo, mentia com desenfado na plena pujança dos seus decibéis: seguíamos algures entre as estações de Sete Rios e Praça de Espanha. Ali perto, só o Bairro Azul.

Vejam lá em quem aquilo me fez pensar: em André Silva. O porta-voz do PAN está cheio de razão: anda por aí muita gente carente de novas bússolas.

Fora da caixa (1)

por Pedro Correia, em 05.09.19

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«Há uma enorme confusão na definição ideológica dos outros partidos.»

André Silva

 

Espreitei parte da entrevista que o porta-voz do partido animalista deu ontem à noite à TVI. André Silva rejeita a dicotomia esquerda/direita e prefere «outras bússolas», segundo confessou, etiquetando de «progressista» o seu partido, assumidamente «pós-ideológico».

Convocado a descer da nuvem retórica, logo se apressou a desdizer o que dissera: «O PAN é um partido que se posiciona, acima de tudo, pela preservação dos ecossistemas.»

Tudo e o seu contrário, portanto. «Preservar os ecossistemas» é a definição perfeita de um partido conservador. O deputado único do PAN, que nesta entrevista se atreveu a acusar as restantes forças partidárias de fuga às respectivas matrizes ideológicas, devia olhar-se um pouco mais ao espelho. Não para acertar o nó da gravata, adereço que recusa usar talvez por lhe lembrar uma coleira, mas para ver a cara com que fica ao receber o ricochete dos tiros que dispara.

Ecologistas da treta

por Pedro Correia, em 26.08.19

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Lançaram-se agora contra as beatas de cigarros na via pública, dedicando-se a um passatempo que adoram praticar: multiplicar impostos, taxas, coimas e um cortejo de proibições - da colheita mecanizada de azeitonas à noite ao "culto da vaca feliz" (seja lá o que isso for).

São livres de agir assim: cada partido escolhe as suas prioridades consoante a visão de sociedade que propõe aos portugueses e os instrumentos legais adequados para o efeito.

O que não faz o menor sentido é terem aproveitado a tribuna parlamentar, palco privilegiado de promoção política, para darem mais visibilidade a esta iniciativa... enquanto o dirigente máximo do partido, o deputado André Silva, exibia um vistoso garrafão de cinco litros em plástico. Precisamente o material que nos nossos dias provoca mais catástrofes ambientais.

Apetece-me chamar-lhes ecologistas da treta. E faço-o já, antes que concebam uma nova multa também para isto.


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