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Xenofobia, misoginia, animalismo

por Pedro Correia, em 01.07.19

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Nietzsche e o Cavalo, quadro de Eric Drass

 

Em 1889, Nietzsche vivia na praça Carlos Alberto, na cidade italiana de Turim. Nesse ano, viu ali um cocheiro a chicotear sem piedade um cavalo. Saiu em defesa do animal, abraçando-se a ele e beijando-o com fervor. O episódio, segundo rezam as crónicas, terá servido para atestar a propalada loucura do filósofo, pondo fim ao seu percurso público: a partir daí, e até à morte, ficou confinado aos muros de uma clínica para tratamento psiquiátrico, em Basileia.

Os tempos são outros: hoje ninguém considera louco quem possa beijar um bicho, até na boca, com as prováveis excepções de tarântulas ou jibóias. Mas sair em defesa de um animal maltratado pode custar uma carreira política, ainda que incipiente. Que o diga uma deputada municipal do PAN na Moita, forçada a resignar por ter feito esta observação no exercício das suas funções autárquicas: «Verifica-se que existe uma etnia que se multiplicou e que todos os dias se passeia pela Moita e arredores, [com os elementos] empilhados em cima de carroças puxadas por um único cavalo subnutrido, espancado, a desfazer-se em diarreias por não ser abeberado e alimentado sequer e que, por vezes, [cai] na via pública, não suportando mais.» Isto numa moção em que recomendava a identificação dos «detentores dos cavalos que se encontram abandonados, amarrados e sem alimento, no sentido de sensibilizar os mesmos para estes actos cruéis que levam os animais a situações de doença, exaustão e morte».

De nada lhe valeu o amor ao bicho vergastado, comprovando o seu zelo militante. Nem ter omitido o vocábulo "cigano". Aquelas palavras bastaram para configurar delito de opinião: foi acusada de xenofobia e viu o PAN retirar-lhe a confiança política num comunicado da Comissão Política Permanente que lamenta «profundamente a situação» e pede desculpa a todos os que se possam ter sentido «discriminados ou desidentificados com esta referência imprópria». Noutro contexto, talvez não faltassem acusações de sexismo e misogonia ao afastamento da senhora, que vê abortada a sua fugaz carreira política. Felizmente sem necessidade de internamento psiquiátrico.

Do animal escravizado e flagelado nunca mais ninguém falou - ao contrário do cavalo de Nietzsche, ainda lembrado 130 anos depois. «Até para se ser animal é preciso ter sorte», como dizia a minha avó. Jamais imaginando que haveria de existir um partido animalista em Portugal.

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O PAN que o Diabo amassou

por Rui Rocha, em 01.07.19

Era uma vez uma menina que vivia numa casinha em Pandora, a capital do país. Dois anos antes, em 2034, o governo de coligação entre o PAN, de André Silva, e o PS, de Paula César, tinha requisitado as mulheres com idade entre 30 e 35 anos para participarem na Grande Panificação, uma campanha destinada a erradicar a utilização de linguagem anti-animal por crianças e jovens. Expressões como “fazer figura de urso” tinham sido proibidas já em 2024, ainda durante o 2.º mandato do governo de Costa, o Magnífico, mas o partido Agro-Beto (antigo CDS) na clandestinidade tinha apelado à desobediência e, em zonas remotas do país, a sua utilização continuava. Agora, com a Grande Panificação, esperava-se resolver o problema de vez. A mãe da menina, chamada a participar nessa grandiosa tarefa, só ia a casa ao fim-de semana. Durante um tempo, o avô panterno da menina tinha vivido com eles, mas um vizinho com quem tinha criado certa animosidade acabara por denunciá-lo por blasfémia contra o Panteísmo, a religião oficial da República Pantuguesa. Julgado em processo sumário pelo Supremo Sacerdote Ivo Rosa, e apesar de negar ter proferido quaisquer ofensas contra o Deus Pug, o avô não tinha conseguido eliminar a presunção de culpabilidade e fora declarado Panasco (literalmente, aquele que mete asco ao PAN). Condenado, encontrava-se a cumprir pena de 3 anos no Panóptico, um estabelecimento de alta segurança situado em Panços de Ferreira. A condenação tinha sido publicada no Panfleto, o jornal digital oficial da República, e o respectivo texto afixado na porta da casa da menina, para vexame dos que ali moravam e de cada um que ali passasse, incluído o vizinho denunciante que, em todo o caso, acabara por ingressar também ele no Panóptico, na sequência de uma denúncia de um colega de trabalho. O pai da menina, por seu lado, saía de madrugada e nunca chegava antes das 10 da noite. Trabalhava no turno da manhã na apanha manual da azeitona (a colheita mecânica fora proibida em 2022) e, no turno da tarde, no Pombal Contraceptivo da Câmara Municipal de Pandora (antiga Lisboa). O dia da menina começava sempre cedo. Logo pelas sete soavam as sirenes que marcavam o início da jornada. Como todas as crianças, durante meia-hora, em jejum, entoava o Panegírico, uma ode à liderança de André Silva e às façanhas dos Deuses Pug, Pinscher e Poodle e um esconjuro contra as tentações do Pandemónio. Depois, era a hora de tomar a Panaceia (o comprimido homeopático para prevenir calos, joanetes, afrontamentos e bicos de papagaio) e a bebida de beterraba, hortelã e sementes de linhaça. Às 8 ligava a televisão para assistir na Pantalha (o canal único de televisão) às sessões formativas que tinham substituído a frequência da escola. A aquisição de conhecimentos era avaliada pelos Espantalhos, os funcionários que tinham sucedido aos professores, através de uma prova online com periodicidade mensal. Apesar de não se dar mal na disciplina de Biodança, a menina tinha apetência especial para a matéria de Tosas e Tosquias. Normalmente, concluídos os estudos, e depois de almoçar o prato diário de tofu, a menina teria passado a tarde a assistir à Pantomina, o programa de entretenimento conduzido pelas Irmãs Mortágua e Rita Ferro Rodrigues. Mas a avó materna da menina estava doente e era preciso levar-lhe o almoço. A menina, a quem chamavam Capuchinho Vermelho, pegou na sua capinha e chamou a cadela Beagle para a acompanhar uma vez que os humanos estavam proibidos de sair de casa sem a companhia de um animal não humano senciente. Desceram a rua, passaram pelo Panteão, última morada de heróis como Camilo Mortágua e Boaventura Sousa Santos, e dirigiram-se à floresta. No caminho, encontraram um lobo que perguntou onde iam. A menina explicou-lhe e o lobo correu para a casa da avó, chegou primeiro, comeu a avó, pôs a touquinha e enfiou-se na cama. Quando a menina chegou, apercebeu-se que a avó tinha umas mãos, uns olhos e uma boca muito grandes. Fez-lhe aquelas perguntas todas e, quando chegou à da boca, o lobo respondeu “é para te comer”, saltou da cama, comeu a menina e adormeceu. Um soldado da GNR que passava por ali, entrou, viu o lobo a dormir e lembrou-se que este podia ter comido a avó. Preparava-se para cortar a barriga do lobo quando apareceram 3 utilizadores do Facebook que o impediram: que não, que era preciso perceber se o lobo não teria justificação para proceder daquela maneira. Exigiram a elaboração de um relatório de integração social, um levantamento de condições económicas e oportunidades de vida, uma análise exaustiva da infância do lobo e diversas outras perícias. Fizeram uma petição que exigia a punição do soldado da GNR pelo crime de maus tratos na forma tentada. Graças à intervenção dos três utilizadores do Facebook, o lobo passou a viver na casa da avozinha, tendo direito a quatro refeições quentes diárias, visita semanal do veterinário e corte periódico de unhas. O soldado da GNR foi julgado e, com a excelente defesa de um advogado que uns anos antes ficara célebre durante a audição para lamentar de Joe Berado, foi condenado apenas a 20 anos de exílio numa reserva de ursos do Quebeque. A cadela Beagle, essa viveu feliz para sempre.

 

* publicado na edição de Junho do jornal Dia 15.

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Abaixo de chimpanzé

por Pedro Correia, em 24.06.19

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André Silva nunca pediu desculpa pela mais aberrante frase proferida por um político português nos últimos anos: «Há características mais humanas num chimpanzé ou num cão do que numa pessoa em coma.» Tendo em conta que este dislate já data de 2015, numa entrevista ao Expresso, devemos concluir que o porta-voz do PAN, se nem sempre é pessoa para pensar no que diz, pelo menos diz aquilo que realmente pensa.

Com o brilharete conseguido a 26 de Maio, ao superar os 5% e eleger um eurodeputado, o PAN goza dias de glória. Levado em ombros pelas mesmas trombetas mediáticas que quase o ignoraram na recente campanha eleitoral (houve até um canal televisivo que o excluiu do debate entre os cabeças de lista de maior relevo, optando em seu lugar pelo partido unipessoal de Marinho e Pinto, que saiu das urnas com 0,5%).

Mas toda a medalha tem um reverso. O partido animalista que ultrapassou a CDU em sete dos 20 círculos eleitorais e ficou à frente do CDS em Faro e Setúbal vai finalmente ser escrutinado – como aliás devia ter acontecido logo em 2015, quando André Silva se estreou como deputado. Com um atraso de quatro anos a comunicação social descobre só agora, muito surpreendida, que o PAN celebra congressos à porta fechada, quer impor a utilização do «copo menstrual» às mulheres e orgulha-se de ter conseguido nesta legislatura uma redução do IVA no consumo de algas. Entre os devastadores incêndios de Junho e Outubro de 2017, que causaram 116 mortos, entreteve-se a legislar sobre a admissão de animais de companhia nos restaurante citadinos, o que define bem as suas prioridades.

 

Eis um partido new age, digno de subscrever proclamações pela «paz no planeta» com a convicção de qualquer candidata a Miss Universo. Um partido «ideologicamente amorfo», segundo o rótulo que alguns politólogos contemporâneos adoptaram para caracterizar este pensamento capaz de cruzar o melhor do Dalai Lama com o pior de Paulo Coelho.

O maior indício da consistência gelatinosa do PAN detecta-se, aliás, no facto de já ter mudado duas vezes de nome desde que surgiu, faz agora dez anos. Começou por chamar-se Partido Pelos Animais. Em 2011 registou-se no Tribunal Constitucional como Partido Pelos Animais e Pela Natureza. Três anos depois, num dos tais congressos interditos a jornalistas, adoptou a actual denominação pleonástica: Pessoas-Animais-Natureza.

André Silva recorre às técnicas dos pregadores evangélicos, alternando o discurso do medo, próprio dos milenaristas de antanho, com a invocação subliminar do halo de santidade só ao alcance dos convertidos. Arauto da virtude, lança anátemas aos que insistem em repudiar o tofu: apenas um mundo convertido ao veganismo e ao ciclismo sobreviverá à inevitável catástrofe ambiental. Ele e os seus acólitos, magnânimos, estão dispostos a conceder-nos a absolvição dos pecados da carne e do plástico desde que cumpramos a indispensável penitência e abracemos «um novo paradigma disruptivo», seja lá o que isso for.

Quem ousar dizer o contrário, já está em coma, embora ainda não saiba. Desceu abaixo de chimpanzé.

 

Publicado originalmente no jornal Dia 15.

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Frases de 2019 (16)

por Pedro Correia, em 04.06.19

«Portugal não pode dizer que é um país civilizado enquanto tiver touradas.»

André Silva, porta-voz do PAN, em entrevista ao jornal Sol (1 de Junho)

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Europeias (20)

por Pedro Correia, em 24.05.19

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PESSOAS-ANIMAIS-NATUREZA: TRÊS PROPOSTAS

 

  • Fim do financiamento a sistemas de regadios, grandes barragens e unidades de prospecção e extracção petrolíferas, entre outros projectos.
  • Fim do transporte de longa distância de animais vivos, com particular incidência nas deslocações para fora da Europa.
  • Criação de um imposto europeu para gases com efeito de estufa, extensivo à indústria aeronáutica e náutica, e à agropecuária intensiva.

 

Do programa eleitoral

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Pensamento da semana

por Pedro Correia, em 03.03.19

 

Animal é animal, ser humano é ser humano.

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana

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Leitura recomendada

por Pedro Correia, em 16.12.18

 

Pobres provérbios. De Maria do Rosário Pedreira, no Horas Extraordinárias.

 

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Quem não tem cão caça com PAN

por Pedro Correia, em 13.12.18

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O PAN, justamente preocupado com possíveis situações de stress psicológico causadas aos bichinhos pelos ancestrais provérbios populares desde sempre ligados à tradição portuguesa, vem agora recomendar que ponhamos de parte este péssimo hábito e passemos a dizer expressões alternativas, tais como «pegar na flor pelos espinhos» em vez de «pegar no touro pelos cornos».

Não posso estar mais de acordo com esta iniciativa fracturante do partido animalista. Venho, portanto, propor aos leitores do DELITO propostas de provérbios alternativos que não configurem situações de injúria ou difamação dignas de traumatizar os animaizinhos. 

E adianto, desde já, duas alternativas da minha lavra: «Quem não tem cão caça com PAN» e «A PAN dado não se olha o dente».

Façam o favor de deixar aqui as vossas sugestões.

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Frases de 2018 (32)

por Pedro Correia, em 13.07.18

«A Humanidade representa apenas 0,01% da biodiversidade mundial.»

André Silva, deputado do PAN, no debate do Estado da Nação, esta manhã, na Assembleia da República

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Os Verdes do Bloco

por João Pedro Pimenta, em 12.07.18

O frentismo, ou se preferirem, a criação de vários grupos, partidos ou organizações sob a mesma orientação ideológica (a que o Pedro já se referiu há uns tempos) é, como se sabe, uma das tácticas preferidas do PCP. Desde 1976 que o decano dos partidos portugueses não concorre sozinho, indo sempre à luta eleitoral "coligado" com outras formações, seja o já extinto MDP/CDE, sejam Os Verdes ou a associação política Intervenção Democrática, uma cisão do MDP cujo único membro conhecido é o sempre disponível Corregedor da Fonseca. E depois há as inúmeras actividades extra-parlamentares desenvolvidas pela CGTP, pelo CPPC, e restantes organizações satélite.

Aparentemente, na interessante luta pela hegemonia da esquerda mais radical em Portugal, o BE resolveu utilizar as armas do PCP e recorrer ao frentismo como forma de influenciar a sociedade. Para isso, tem também ele uma espécie de Verdes, que se distinguem da formação de Heloísa Apolónia por sempre terem concorrido sozinhos e porque na sua génese não tinham grandes afinidades com o Bloco. Chama-se ele PAN - sigla de Pessoas, Animais e Natureza - e tem um deputado no Parlamento chamado André Silva.

Nesta legislatura, raras são as ocasiões em que o Bloco e o PAN não votam nos mesmos projectos, ou em projectos próprios similares, como os sobre a eutanásia. Estiveram juntos na aprovação de animais domésticos em cafés, na mudança de género aos 16 anos, na legalização do cultivo de cannabis, e mais recentemente na tentativa de proibição das touradas, entre muitas outras. De facto, difícil é descobrir um assunto em que não tenham estado de acordo.Desconfio que Os Verdes estiveram mais em desacordo com o PCP do que o Bloco e a formação animalista. 

Claro que o PAN corre riscos, apesar da grande vaga actual para os animais: é que as pessoas tendem a preferir o original à cópia, e como tal a novidade PAN pode-se esgotar. Talvez por isso, é notório que o BE é mais assertivo nas questões mais fracturantes e de costumes, ou as económicas, e o PAN manifesta-se mais ruidosamente no que toca aos animais; na prática, estão quase sempre do mesmo lado.

Não sei se tudo isto é combinado ou coincidência, mas a verdade é que quase nada os distingue. É claro que o partido mais antigo e mais abrangente tende a dominar o mais pequeno, por isso o BE ficará sempre a ganhar. Veremos se continuam a concorrer separadamente, mas não me admiraria se para o ano já houvesse um qualquer acordo nas europeias. Se o PAN estagnar, o Bloco tem aqui uma oportunidade de explicitamente juntar mais um movimento ao seu agregado de partidos, substituindo desse modo a ausência da FER, e a formação de André Silva terá sempre alguns lugares assegurados. Cada partido tem Os Verdes que merece. E será mais um motivo para seguir o particular duelo do domínio da esquerda à esquerda do PS.

 

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A proposta do PAN.

por Luís Menezes Leitão, em 06.07.18

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Eu odeio touradas e até apreciaria que o país não as tivesse. Dito isto, acho que foi uma total loucura o projecto do PAN para as proibir, e que o BE, PEV e alguns deputados do PS votaram favoravelmente. Parece que não se lembram do que foi Barrancos e de como o Estado se viu forçado a recuar numa proibição legal centenária que a vila nunca aceitou aplicar. Queriam estes deputados de uma assentada criar 300 Barrancos em Portugal, contribuindo para o descrédito ainda maior do Estado, ou até provocar no séc. XXI um movimento semelhante à Maria da Fonte? A irresponsabilidade desta gente é confrangedora. Conheçam primeiro o país em que vivem antes de proporem leis irrealistas.

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Portugal precisa de um verdadeiro Partido Verde

por Pedro Correia, em 02.11.17

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Depois das tragédias ocorridas a 17 de Junho e a 15 de Outubro, com a devastação de grande parte do interior do País e a perda de pelo menos 110 vidas humanas, nada pode ficar na mesma. Incluindo no plano político. Uma das consequências imediatas deve ser a fundação de um verdadeiro Partido Verde em Portugal, acompanhando a dinâmica gerada em diversos países europeus, nossos parceiros no espaço comunitário.

Se a destruição de mais de meio milhão de hectares de terreno florestal e áreas de cultivo não servir de detonador para esta mudança, cada vez mais necessária, duvido que qualquer outro factor venha a torná-la tão urgente. No preciso momento em que o Partido Verde se prepara para reassumir funções governativas na Alemanha, integrando a nova coligação liderada pela chanceler Angela Merkel.

 

Para a fundação em Portugal de um partido homólogo aos Verdes germânicos há que transpor dois obstáculos. O primeiro é a captura deste espaço político, há 35 anos, pelo impropriamente chamado Partido Ecologista Os Verdes (PEV), mero apêndice do PCP surgido na década final da Guerra Fria para tentar alargar o espectro de influência dos comunistas na sociedade portuguesa. Tão apêndice que nunca se sujeitou a um só teste eleitoral autónomo de então para cá: o partido da foice e do martelo serve-lhe de bolsa marsupial, eleição após eleição, acabando no entanto por ganhar com a troca porque consegue deste modo duplicar os tempos de intervenção nas sessões plenárias do Parlamento.

Tem sido sempre assim, legislatura após legislatura, com os vermelhos a ditarem o discurso aos “verdes”, configurados em partido-melancia.

 

Outro obstáculo a transpor é o do pleonástico Pessoas-Animais-Natureza (PAN), que surgiu em data muito mais recente na cena política portuguesa, também invocando a causa ecológica, e falhou em toda a linha nas circunstâncias em que mais devia ter saído com firmeza em prol dos verdadeiros valores ambientais. Em Pedrógão limitou-se aos serviços mínimos, emitindo um comunicado de condolências com 32 palavras, sem exercer a vigilância que se impunha perante a total passividade governamental subsequente à tragédia.

Na véspera dessa dramática data que foi o 15 de Outubro, quando a meteorologia já alertava para um fim de semana anormalmente quente e seco, com perigo exponencial de fogos, o PAN reuniu tranquilamente a sua Comissão Política para, conforme consta do comunicado oficial, dar prioridade à situação na Catalunha. Entre uma e outra devastação da floresta nacional, entreteve-se a legislar na Assembleia da República sobre a admissão de animais de companhia nos restaurantes citadinos: as suas prioridades não podiam ser mais evidentes.

 

Falta portanto um verdadeiro Partido Verde, sem distorções nem disfarces: nem falsamente ecologista, nem animalista urbano chic. Com raízes bem implantadas na sociedade portuguesa. Um partido que nunca foi tão necessário como agora.

Espero vê-lo emergir das cinzas que cobriram uma vasta extensão do território nacional.

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A agenda do PAN.

por Luís Menezes Leitão, em 26.10.17

A moção de censura teve o resultado que se esperava com toda a esquerda a votar contra, mostrando assim que está unida no apoio ao PS, o que foi um bom momento clarificador da situação política. Mas não deixa de ser muito curioso que entre toda a esquerda se tenha incluído o PAN. Na verdade, perante uma tragédia que destruiu tantos animais e tantas florestas, o denominado partido Pessoas - Animais - Natureza mostra que só quer saber de apoiar (algumas) pessoas — os membros do governo — estando-se nas tintas para os animais e para a natureza.

 

Isto demonstra bem quão enganosos são estes partidos, proclamando seguir uma agenda em que toda a gente se revê, como é o caso do apoio aos animais e à natureza, para depois, uma vez no parlamento, defenderem posições ideológicas que não tiveram a coragem de expor aos eleitores. Já foi assim com o Partido Ecologista Os Verdes, habitualmente designados como as melancias, já que são verdes por fora e vermelhos por dentro. Como alguém disse uma vez, não passam de uma secção do PCP que se pintou de verde. O PAN é igualmente apenas um deputado do PS, que conseguiu ser eleito por um partido que apelou aos votos dos defensores dos animais e da natureza. Mas a sua defesa dos animais e da natureza resume-se a querer obrigar os clientes dos restaurantes a comer com animais ao lado ou a proibir touradas na televisão. Já quanto a responsabilizar o governo pela enorme tragédia ecológica deste Verão, o PAN declara expressamente que nada tem a censurar, revelando assim qual é a sua verdadeira natureza. Chassez le naturel, il revient au gallop.

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Do jornalismo ao jornalixo

por Pedro Correia, em 31.08.17

As chamadas "redes sociais" são hoje a maior rede de amplificação de mentiras no quotidiano português. Qualquer aldrabice ali posta a circular ganha eco imediato, com opiniões definitivas cavadas em trincheiras, sem ninguém cuidar da verdade dos factos.

Nos últimos dias isto ficou bem evidente na absurda polémica dos caderninhos de apontamentos pré-escolares com capas a azul e cor-de-rosa, com centenas de pessoas a pronunciar-se sobre algo que nunca tinham visto nem faziam a menor ideia do que era. Bastaram uns bitaites no Twitter para logo a bola de neve engrossar. Da "rede social" a estória saltou para todos os media e destes para um obscuro organismo oficial pomposamente designado Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género, e daqui para o gabinete do ministro adjunto do primeiro-ministro, que fez um inédito apelo público à retirada desses cadernos do mercado - onde se encontravam, sem qualquer polémica, desde Julho de 2016!

 

Tudo isto em apenas 24 horas e sem que se estabelecesse uma versão contraditória: estava em curso um linchamento colectivo e ululante, passatempo favorito das "redes". Ninguém fez caso do que disse  Susana Baptista, responsável pelas publicações infanto-juvenis da Porto Editora, ninguém ouviu a autora, Catarina Águas - licenciada em Educação de Infância na Escola Superior de Educação de Lisboa -, ou as ilustradoras dos tais cadernos, Ana Valente e Rita Duque. Todas do "genero" feminino, todas profissionais respeitáveis, todas ignoradas. Como se estivesse em causa uma empresa de vão de escada e não a maior editora portuguesa, com uma reputação alicerçada em sete décadas nos domínios da pedagogia e da didáctica.

Foi preciso um humorista - neste caso Ricardo Araújo Pereira - repor a verdade dos factos para a polémica se esvaziar quase tão depressa como tinha começado. Sem carteira profissional de jornalista, ele fez o que qualquer bom jornalista deveria ter feito: apurar o que realmente se passava, sem emprenhar de ouvido.

Este episódio envergonha os jornalistas portugueses. E ajuda a explicar por que motivo todos os títulos da imprensa continuam a cair a pique, como demonstram os calamitosos números referentes ao primeiro semestre de 2017 agora divulgados pela Associação Portuguesa para o Controlo de Tiragem e Circulação.

 

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Anteontem, embora com menos destaque, aconteceu uma história semelhante, também iniciada nas redes sociais. Sobre os supostos maus-tratos dados a um galo numa remota aldeia do concelho de Seia: o bicho, garantiam os arautos da pós-verdade refastelados nos seus sofás lisboetas sem nunca terem posto os pés na referida povoação, seria morto à paulada, com requintes de sadismo. Com a ave "agonizando lentamente fruto da malvadez".

Foi quanto bastou para que o PAN salivasse de indignação. A coisa meteu comunicado oficial do partido animalista, denúncias ao Ministério Público e à Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária. De imediato os órgãos de informação reproduziram tudo isto - uma vez mais, sem apurarem os factos, como mandaria a deontologia profissional.

Parecia um filme de terror. Com o ligeiro problema de ser mentira. Como a Câmara Municipal de Seia, presidida pelo socialista Carlos Filipe Camelo, se encarregou de esclarecer, desfazendo o boato. Entretanto, lamentavelmente, apenas o Jornal de Notícias tinha cumprido o dever jornalístico, estabelecendo o contraditório ao ouvir as pessoas daquela aldeia que desmentiram a atoarda sem rodeios numa peça escrita pela jornalista Madalena Ferreira (infelizmente não disponível em versão digital no momento em que escrevo estas linhas).

 

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Acontece que as redes estão-se nas tintas para a verdade. Essa "turba inorgânica", como bem lhe chama Francisco Mendes da Silva, quer indignar-se o tempo todo contra não importa o quê. Tal como os viciados em drogas duras, os junkies das caixas de comentários dos jornais - os mesmos que espalham qualquer atoarda no Twitter e no Facebook - fazem prova de vida berrando por escrito sobre assuntos acerca dos quais nada percebem, nada querem perceber e têm raiva a quem perceba.

Isto explica que as putativas agressões ao tal galo só existente na delirante imaginação do PAN tenham dado azo à habitual javardice histérica, com dezenas de pessoas disparando contra um alvo afinal inexistente.

 

Uma vez sem exemplo, aqui transcrevo algumas dessas opiniões, colhidas ao longo de 24 horas na caixa de comentários da edição electrónica do JN, para se avaliar bem o nível intelectual desta gente:

«Haja vergonha! Haja respeito por seres que sentem como nós!»

«Quais são as origens dessa barbaridade? Religião ou vudu?»

«Voltamos à idade da pedra mas da pior forma. É que nessa época matava-se para comer, agora mata-se por diversão.»

«É uma tradição de merda e já devia ter acabado.»

«Outra tradição para atrasados mentais... já não basta os doentes de Barrancos...»

«Que façam tradição com os seus familiares. Não têm que o fazer a seres inofensivos que estão ali por obrigação.»

«E que tal serem eles e a sua "tradição de caca" a levarem paulada?»

«Estes divertimentos de merda à custa do sofrimento dos animais pôem-me doente. Que tal substituir o galo pela besta (humana) lá da aldeia?»

«Sugiro para as pessoas que são a favor deste tipo de tradições seguirem a minha nova tradição: amarrar um de vocês e bater-lhes com um barrote até morrerem.»

«Podem substituir o galo pelo António Costa?»

 

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No meio deste vendaval de imbecilidades, uma  leitora ainda tentou repor a verdade: «Se há uma coisa que abomino é a falta de profissionalismo jornalístico e a política suja que se pratica no nosso pais. Para aqueles que gostam de opinar sem o devido conhecimento, informo que morte do galo é na verdade a morte do ovo: não andam à palauda ao galo mas ao ovo .»

Como era de calcular, ninguém fez caso: os "factos alternativos" são muito mais sedutores do que a verdade nua e crua.

Assim vamos andando: dispara-se primeiro e reflecte-se depois. Com o genuíno jornalismo praticamente em vias de extinção, entretanto absorvido pelas "redes". Cada vez mais travestido de jornalixo: vociferante, acéfalo, populista, irresponsável e mentiroso.

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Grande galo

por Pedro Correia, em 30.08.17

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Ontem:

PAN quer impedir "morte do galo" em Seia

«Estas pessoas são chamadas uma a uma, tendo na sua posse um pau com o qual é suposto desferirem pauladas sucessivas até que o galo morra. O galo é consecutivamente agredido com o pau, agonizando lentamente fruto dos ferimentos, até que alguém finalmente o consiga matar. Quem conseguir por fim matar o galo ganha-o como prémio.»

Excerto de comunicado do partido animalista, insurgindo-se contra as festas do Santíssimo Sacramento, em Várzea de Meruge, no concelho de Seia, e anunciando denúncias ao Ministério Público, à Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária e à Câmara Municipal de Seia

 

Hoje:

Aldeia desmente PAN sobre "morte ao galo"

«Américo Brito, membro da comissão de festas da aldeia, desmente categoricamente. Confrontado pelo JN, explicou que, apesar do nome, o jogo é praticado única e exclusivamente por crianças que tentam acertar num ovo. "Quem conseguir parti-lo leva o galo vivo para a família", precisou. (...) O presidente da Câmara de Seia recebeu a carta do PAN mas desconhece a tradição nela referenciada. Já fui às festas e nunca presenciei semelhante coisa", afiançou o autarca.»

Notícia publicada na edição de hoje do Jornal de Notícias

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Que farei quando tudo arde?*

por Pedro Correia, em 26.06.17

«O PAN já questionou a Sr. Ministra da Administração Interna sobre o sucedido.» Eis, enfim, que o pleonástico partido Pessoas-Animais-Natureza despertou da letargia em que mergulhara, talvez por efeito das altas temperaturas estivais. Interpelando vigorosamente Constança Urbano de Sousa.

Sobre a tragédia de Pedrógão Grande - o mais mortífero incêndio desde sempre registado em Portugal - que provocou 64 mortos e 254 feridos? Não. Sobre um touro, ao qual uns imbecis colocaram tochas nos chifres em Benavente.

Eis-me definitivamente elucidado sobre as prioridades deste partido.

 

* Com a devida vénia a Sá de Miranda

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O PAN em serviços mínimos

por Pedro Correia, em 22.06.17

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Apetece-me perguntar: vale a pena termos um partido pleonasticamente intitulado Pessoas-Animais-Natureza? Um partido que nesta semana que se segue à morte confirmada de 64 pessoas, de milhares de animais e de um número incalculável de árvores nos dramáticos incêndios de Pedrógão Grande (entretanto alastrados a concelhos vizinhos, como Góis, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Ansião, Alvaiázere, Pampilhosa da Serra, Arganil, Penela, Sertã e Ferreira do Zêzere) devia ocupar-se e preocupar-se com particular atenção destas matérias.

Devia, mas não o faz. Consultando o sítio oficial do PAN na internet deparamos só com 32 palavrinhas sobre os dramáticos acontecimentos que enlutaram o País e estão a emocionar a Europa. Estas, que passo a transcrever: «Partilhamos os nossos sentimentos com todas as vítimas, amig@s e familiares, lembrando também os milhares de animais de companhia, de pecuária e selvagens, tal como o património ecológico que desapareceu nesta catástrofe.»

 

Nem um sussurro mais.

Neste seu sítio, o “Partido dos Animais” coloca a tragédia de Pedrógão no mesmo plano gráfico da notícia “PAN concorre pela primeira vez em Cascais nas autárquicas” (aqui num texto com 11 parágrafos) e preocupa-se em promover um “São João vegetariano”, marcado para amanhã no Porto.

Enfim, quase nada. É chocante verificar que uma força partidária tão apostada em promover e enaltecer os valores da natureza se limite numa situação destas a cumprir serviços mínimos, exprimindo sucintas condolências em duas linhas de comunicado. Sem um assomo de indignação nem um arremedo de perplexidade. Pior: sem a exigência pública de um apuramento rigoroso e exaustivo de todas as responsabilidades, doa a quem doer.

 

Mais chocante ainda por contrastar com vigorosas posições assumidas pelo mesmo partido. Há uns anos, por exemplo, quando espalhou pelo País cartazes exigindo o fim daquilo a que chamavam "barbárie dos circos". E num passado muito recente, ao insurgir-se contra a "cegueira ideológica" dos EUA na saída do Acordo de Paris ou quando dirigiu à ONU uma denúncia perante os "novos incumprimentos" de Espanha em relação à central de Almaraz.

Não sei se Donald Trump e Mariano Rajoy ficaram a par destas ruidosas proclamações do pleonástico PAN. Eu confesso-me muito decepcionado com a inesperada apatia do partido naturo-animalista perante o maior incêndio de sempre em Portugal, já registado como o 11.º mais mortífero ocorrido em todo o mundo desde 1900.

Em política, o silêncio também é uma forma de comunicação. Neste caso, o resignado e silencioso conformismo do PAN pesa como chumbo. E deve envergonhar muitos dos seus militantes.

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O chocante silêncio do PAN

por Pedro Correia, em 18.08.16

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 Imagem do incêndio no concelho de Arouca, a 12 de Agosto (foto Estela Silva/Lusa)

 

Existe em Portugal um partido chamado Pessoas-Animais-Natureza (PAN), já com representação na Assembleia da República.

Um partido que se proclama, portanto, defensor da flora e da fauna.

Os fogos, como sabemos, destroem a riqueza ambiental, reduzindo a cinzas o nosso património ambiental e agrícola. E conduzem à morte um número incalculável de vegetais e animais.

 

Acabo de visitar a página oficial do PAN e fiquei decepcionado: o partido parece ter entrado em férias a 2 de Agosto, dia em que dá nota da "quadragésima quinta reunião" da sua Comissão Política Nacional, ocorrida a 30 de Julho.

Nem uma palavra depois disso.

Nem uma palavra, portanto, sobre a tragédia dos fogos ocorrida desde então em Portugal.

O partido amigo da natureza não registou o facto de haver já ardido no nosso país 118 mil hectares de terreno, o que corresponde a 54% do total ocorrido este ano em toda a União Europeia.

O PAN, que há poucas semanas se mostrou tão preocupado com a "gestão ética da população dos pombos nas cidades", seja lá o que isso for, nem uma palavra sussurrou até agora sobre os fogos neste trágico Verão em que "já se bateu o recorde de área contínua ardida acima do Mondego".

E demonstra uma inaceitável indiferença perante o sucedido, por exemplo, na ilha da Madeira: as chamas devastaram 22% do concelho do Funchal.

 

É inaceitável este silêncio do partido ambientalista perante a acção criminosa dos incendiários. Sobretudo por contrastar com o seu recente frenesim mediático, quando o PAN apresentou uma iniciativa legislativa que pretendia eliminar da paisagem rural o tradicional burro a puxar a carroça ou o boi a puxar o arado e pôr fim às charretes sob o extraordinário argumento de que os turistas norte-americanos que nos visitam ficam "chocados" com tais coisas.

Chocado fiquei eu com esta apatia estival do PAN.

Lá mais para o Outono, quando o cair da folha os despertar da letargia, talvez os seus dirigentes que tanto se preocupam com a opinião dos americanos percebam enfim que o País ardeu enquanto estiveram a banhos.

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"socialismo do século XXI" não se limita a lesar pessoas, que buscam em desespero na vizinha Colômbia ou no fronteiro Brasil os alimentos básicos que deixaram de encontrar no seu país: também já condena os animais à morte. A começar por dezenas de bichos do jardim zoológico de Caracas, que vão morrendo de desnutrição e fome.

Tavez seja excessivo esperar reacções do  Bloco de Esquerda e do Partido Comunista, amigos e aliados do chavismo-madurismo em Portugal. Mas aguardo pelo menos um enérgico protesto do PAN, tão preocupado com os preços das rações para animais por cá enquanto aves, coelhos, tapires e porcos do Vietname vão morrendo no zoo da capital venezuelana e tigres e leões se alimentam ali de mangas e abóboras - enquanto há.

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Balanço de Inverno (6)

por Sérgio de Almeida Correia, em 05.02.16

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 (Tiago Petinga/LUSA)

6. O PAN foi uma surpresa nas legislativas de 4 de Outubro. É um partido novo, com algumas ideias interessantes, mas cuja sigla parece pouco ajudar na divulgação da imagem. Para já parece querer contribuir para uma solução governativa estável, pese embora o seu diminuto peso. A leitura dos seus documentos, uma visita ao respectivo site e a constatação do que por aí se encontra, em termos claros, actualizados e numa linguagem que se afasta dos lugares-comuns dos outros partidos, permite por agora ver aí uma prática diferente, por comparação com a dos partidos tradicionais. A transparência das suas contas, o nível de organização que já revela, os números que, ao contrário de outros, disponibiliza sobre a sua militância - repare-se no pormenor de desde o início dar a conhecer os números dos seus militantes, das novas adesões e dos associados com quotas em atraso - dão a entender que o partido pode ir muito mais longe. Do ponto de vista ideológico ainda haverá muita coisa a afinar, até porque tenho dúvidas que neste momento, mesmo entre os seus militantes e "companheiros de causas", designação dada pelos estatutos aos seus simpatizantes com estatuto especial, haja facilidade em classificar o partido. Já passou por uma fase mais conturbada, entretanto creio que estabilizou e penso que vai ser interessante acompanhar a sua evolução durante os próximos meses até porque o PAN, ao invés do LIVRE, pouco prometia e não tinha rostos mediatizados que o ajudassem a uma presença assídua junto da comunicação social. Beneficiou da concentração do voto num círculo urbano com características muito específicas, mas a visibilidade que passou a ter pode permitir-lhe tirar partido do deputado que elegeu, usando-o como uma mola para continuar a crescer no futuro de uma forma mais consistente em todo o país.

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