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Foi você que pediu uma factura?

por Ana Vidal, em 22.02.13

É isto que nos redime como povo. Somos trapalhões, desorganizados e pouco aguerridos? Talvez, mas também somos criativos e capazes de uma resistência pacífica, inteligente e com um requintado sentido de humor, mesmo nas épocas mais difíceis. Temos recursos preciosos, digam lá o que disserem. Sempre quero ver como o governo vai descalçar esta bota.



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Um telemóvel histórico

por Ana Vidal, em 10.02.13

"Foi através do meu telemóvel. É um momento histórico, que eu conservarei para sempre na minha vida."

 

(António José Seguro, sobre a reconciliação de Mário Soares e Manuel Alegre)

 

Quem dá o que tem, a mais não é obrigado. À falta de obra que fique para a história, Seguro deixará ao partido e ao país... um telemóvel.

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Como manter a sanidade mental

por Ana Vidal, em 04.12.12

 

Podemos cortar os pulsos, é uma opção como outra qualquer e nem sequer muito descabida, nos tempos que correm. Ou podemos - eu vou preferindo fazê-lo, pelo menos enquanto puder - tentar manter a sanidade mental, talvez a ferramenta mais útil à sobrevivência para quem tem princípios (para quem não os tem, é sabido, a caixa de ferramentas é muito mais variada). Sem sanidade mental não há lucidez. E sem lucidez não há soluções, pelo menos para mim.

 

Cada um tem as suas defesas, as suas próprias receitas. Há quem se agarre furiosamente ao futebol ou a uma seita evangélica (a trip é a mesma, o ópio é que muda), quem deixe a casa de família e se mude de vez para as redes sociais, quem desligue a televisão para não ver os telejornais nem os programas da Fátima Campos Ferreira, quem mate o patrão, quem faça hortas ecológicas na marquise ou na rotunda mais próxima, quem abrace o despojamento de uma vida zen aproveitando o facto de ter sido despojado de tudo o que gostava, quem se dedique à pesca, quem encontre refúgio na astrologia, quem se entregue ao prozac.

 

Por mim, escolho o humor. Não falho a Britcom, revejo velhos filmes dos Monty Python e leio as crónicas do Ricardo Araújo Pereira. Estou tão pobre e tão tramada como a maioria dos portugueses, mas ainda consigo sorrir. Entretanto, vou pensando.

 

(Nota: Tudo isto, claro, para quem acha importante manter a sanidade mental. Os mais espertos há muito que a dispensaram.)

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À atenção dos gurus da economia

por Ana Vidal, em 19.11.12

 

«Seria bom, no entanto, que pensássemos no reduzido valor que têm leis e reformas quando não respondem a uma necessidade íntima, quando não exprimem o que já andava, embora sob a forma de vago desejo, no espírito do povo; a criação do estado de alma aparece-nos assim como bem mais importante do que o articular dos decretos».

(Agostinho da Silva, in Textos e Ensaios Filosóficos)

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Rapsag, ou o retrato de um país

por Ana Vidal, em 05.10.12

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Para acabar de vez com a cultura? (3)

por Ana Vidal, em 11.07.12

 

Quando perguntaram a Churchill quanto cortaria na cultura em nome da austeridade, a resposta foi esta: "Nada! Se cortássemos na cultura, o que nos faria lutar a seguir?"

 

Em Portugal, a verba para a cultura não chega sequer a 1% do Orçamento de Estado. Dispensamos um Ministério (bah, para que servem essas esquisitices?) e mesmo a Secretaria de Estado deve estar em hibernação prolongada, porque nunca mais deu notícias. Obcecados com a austeridade, os nossos governantes parecem não perceber uma coisa tão simples como isto: um país sem uma sólida identidade cultural e um ensino de qualidade não pode evoluir, não tem futuro. Muito menos numa Europa agonizante e dominada pelos gurus da economia. Talvez seja esta, afinal, a explicação para a nossa tão falada imobilidade: não temos por que lutar.

 

Nota: Eu sei, Woody, passo a vida a roubar-te os títulos. Desculpa lá o abuso.

 

Adenda: Nem de propósito, este impressionante desabafo que encontrei aqui. Sintomático.

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A anedota do dia

por Ana Vidal, em 07.06.12

Isaltino Morais fala sobre combate à corrupção.

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Metáforas

por Ana Vidal, em 21.04.12

O surf dos pobrezinhos, ou a metáfora perfeita para o estado do país: "Temos aí cond'tores c'agente acena a eles e eles aceleram, entram no jogo da malta... mas eles agora 'tão um 'cadinho mais à rasca c'a crise, têm c'andar mais devagar..."

 

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— Quer factura?

por João Carvalho, em 25.11.11

 

Há poucos meses, no Porto, acompanhei um amigo a uma repartição de Finanças, onde aguardámos até podermos chegar ao balcão e ele perguntar que procedimentos devia tomar para qualquer coisa de que não me lembro e não vem ao caso.

O funcionário, de meia idade e com bom ar, prestou-lhe as informações devidas e confrontou-o com a necessidade de preencher e entregar em determinado prazo uma porção de impressos. O meu amigo pediu esses impressos todos, o funcionário fez uma conta breve e disse-lhe quanto tinha de pagar.

Já com os impressos na mão e enquanto aguardava o troco, o meu amigo foi também pedindo uma factura da despesa que estava a fazer.

Quer que lhe passe factura? – perguntou escusadamente o funcionário, com espanto indisfarçado e impaciência contida.

Não creio que fosse preciso repetir, mas o meu amigo confirmou que queria que lhe passassem uma factura.

Uma vez na posse dos impressos e mais a factura, deixámos o balcão e dirigimo-nos para a porta da rua. Foi quando vi, colado ao vidro da parte de dentro e escrito em parangonas, com todas as letras maiúsculas e em quatro linhas: «Peça a factura se faz favor. Facturar faz o País avançar.» Deu para entender por que é que o País não avança.

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O País nas capas dos jornais

por Pedro Correia, em 20.10.11

«Dois terços das câmaras em risco de ruptura»

Jornal de Negócios

«Cortes na educação atingem 20 mil professores contratados»

Diário Económico

«Ministros vão gastar menos 15 milhões de euros»

Público

«RTP paga avenças a políticos»

Correio da Manhã

«PSP gastou dinheiro sem autorização do Governo»

Jornal de Notícias

«Visitas a centros comerciais caíram 29% desde 2007»

Diário de Notícias

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Imigração é…

por Ana Lima, em 12.07.11

Uma porta que se abre para um corredor completamente vazio onde as paredes já tiveram cor mas que agora se limitam a acentuar a escuridão.

Portas fechadas que dão para divisões que afinal são casas, onde as camas são os quartos e os fogões as cozinhas.

Um espaço comum, ao fundo, despido de tudo, com um só banco.

Um homem sentado nesse banco segurando um prato numa mão e um garfo na outra.

A solidão desse homem que faz a sua refeição pensando talvez em algum sítio muito, muito longe.

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Para acabar de vez com a cultura

por Ana Vidal, em 25.06.11

 

Leio no Expresso de hoje que a ex-Ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, recusou reunir-se com o novo Secretário de Estado da Cultura para a protocolar passagem de testemunho, com o argumento de que "ministro não passa pasta a secretário de estado". Para além da arrogância expressa nesta atitude (tiques do governo anterior, aprendidos com o mestre?), pergunto que direito tem um ministro demissionário de decidir isto assim, de ânimo leve. Concorde ou não com a nova fórmula encontrada para a cultura pelo actual governo, o acto da passagem de pasta não é opcional. Gabriela Canavilhas tem de cumpri-lo, porque a isso a obrigam, para além da mais elementar educação, a natureza das funções que aceitou. E, convenhamos, tanta superioridade não corresponde sequer à realidade: que me lembre, a ex-ministra não deu à cultura portuguesa, para além de uma imagem gráfica pessoal notável (que não é mérito seu), nada de relevante. O importante não é o nome do cargo, mas o que se faz com ele.

Bem-vindo à cultura, Francisco José Viegas, seja com que título for. Mudanças precisam-se, urgentemente. A começar na atitude.

 

(Obrigada, Woody, pelo empréstimo do título deste post)

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Um país sem emenda

por Ana Vidal, em 22.04.11

Aproprio-me do título do Pedro e amplio-lhe o espectro: enquanto continuarmos neste Carnaval político, alegremente, como se estivesse tudo bem e a fartura fosse o mote nacional, somos um país sem emenda. E siga o circo, que o pão há-de vir por obra e graça do Espírito Santo.

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Um país estranho

por Ana Vidal, em 28.02.11

 

Temos um estranho conceito de trabalho.

Temos um estranho conceito de força maior.

Temos um estranho conceito de urgência.

Temos um estranho conceito de prazos.

Temos um estranho conceito de brinquedos.

Temos um estranho conceito de contas.

Temos um estranho conceito de património.

 

Temos, enfim, um estranho conceito de país.

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Incurável

por Ana Vidal, em 24.08.10

 

O psiquiatra de Sócrates diz que que  o aumento do estado de alienação do seu paciente foi o dobro do previsto. Com esta evolução, acrescenta o médico, a esperança de cura desapareceu de vez. As más notícias fazem parte do presente.

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A revelação mística

por Ana Vidal, em 23.05.10

 

Eu sei que chegámos todos ao limite, nervos em franja e bolsos desertos, pela frente um futuro negro a que só Sócrates - esse filósofo da vida cor-de-rosa - parece estar imune.

 

Eu sei que um inverno anormalmente longo, frio e molhado acabou de estoirar-nos as defesas mal habituadas, povo do Sul que somos no mais profundo de uma alma enganada até pela meteorologia, com vulcões explodindo em cinzas, marés de petróleo, tempestades e sismos sortidos. Que se lixe a Europa, de onde só nos vem o peso das responsabilidades, a humilhação das comparações e o bafio de uma História eivada de sangue e musgo, por contraste com o alegre apelo do mar que nos leva para baixo, sempre para baixo, em direcção ao sol e ao mistério dos berços ancestrais que nos embalaram.

 

Eu sei que todo o povo precisa de um ópio qualquer, seja lá ele qual for, para poder aguentar tudo isto e muito mais que nos espera ainda. E que a religião já não basta, nesta era atormentada por todas as dúvidas e todos os escândalos, consciências em ebulição e caminhos que se bifurcam infindavelmente em múltiplos sentidos, como diria o Borges. Não, a religião perdeu a liderança no ranking dos ópios de estimação. Hoje há o futebol, que abraçamos avidamente para nos mantermos entretidos, despertos, vibrantes. Vivos. O que pensaria disto Karl Marx?

 

Mas em tempos de crise profunda todos os ópios são poucos e em Portugal, país de prodígios inesperados, deu-se o milagre da fusão: surgiu um vitorioso Jesus, que parece ter descido directamente dos céus aos relvados. Se não, como se explica um insistente teaser a abrir telejornais, anunciando "O verdadeiro Jesus como você nunca o viu"? Fico curiosa com o que terá a dizer-nos este novo messias nacional, mas logo me dou conta do estado alarmante a que chegou a alienação geral. A principal promessa da "reportagem alargada" não me deixa dúvidas: "Jesus revelará à SIC, em primeira mão, quantas pastilhas elásticas mastiga em cada jogo". Valha-nos Deus.

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Um caso correspondido

por João Carvalho, em 26.04.10

Armando Vara não se revê nas escutas publicadas e não sabe como o seu nome surgiu ligado ao caso PT/TVI. Talvez ele seja correspondido: cheira-me que o país também não se revê em Armando Vara e também não sabe como o seu nome surgiu ligado a um caso de peixe embrulhado.

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Nas notícias da noite assisto, embasbacada, a uma reportagem sobre uma "tradição" pascal de uma freguesia de Viana do Castelo: numa espécie de enorme refeitório, uma infinidade de homens bate-se à mesa, até não aguentar mais, com quilos e quilos de bifes acompanhados de batatas fritas, molho e nacos de pão. Celebram assim o regresso à normalidade gastronómica, depois de um dia - um dia inteirinho, imagine-se o impensável sacrifício! - sem tocar em carne. A coisa já virou até concurso, ao estilo Guiness. O "recordista" anuncia, orgulhoso, que já despachou dez bifes e meio. "E isso não lhe faz mal?" pergunta a jovem repórter, impressionada com a alarvice. "Não, menina.. eu  cá tenho a máquina bem afinada!", responde o herói, afagando a generosa barriga e com um sorriso gorduroso de orelha a orelha. Um dos vizinhos de mesa, abordado logo a seguir e apanhado ainda com um molho de batatas fritas entalado a meio caminho entre a luz do dia e as trevas do palato, revela-se mais sóbrio à pergunta de quantos bifes já comeu. "Só três, nunca passo disto." Há alguma tristeza envergonhada na confissão. A algazarra é ensurdecedora, medindo forças com um  imperturbável grupo de tocadores de cavaquinho, acordeão e pandeireta. O vinho tinto corre a rodos.

 

Mulheres, nem uma. "A tradição é esta... isto é só para homens!". Há um deles que tem pena de que assim seja,  porque, diz ele, é "fã de mulheres". Mas elas só não estão à vista. Estão no lugar que lhes compete, pois claro: a cozinha. Fritam a bifalhada em grandes frigideiras cheias de gordura, de pé, igualmente orgulhosas da tradição e ciosas de que nada falte aos seus delicadíssimos companheiros de vida. Ao microfone da incrédula repórter desfiam, com ternura e desvelo, a receita do pitéu.

 

Pois. Venham falar-me do país do Magalhães e das novas tecnologias.

 

(Imagem: Uma tábua de bifes é a representação de Portugal na polémica escultura "Entropa" - coordenada por David Cerny - que decora a fachada de um edifício comunitário em Bruxelas e pretende caricaturar, através de estereótipos, cada um dos países da comunidade europeia. Alguém se admira?)

 

 

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Entre as brumas da memória

por Ana Vidal, em 27.02.10

"Fui militar combatente na Guerra 1961/74 e sou defensor da nossa nacionalidade. Mas com estes politicos pergunto-me se não terá sido um erro os feitos de 1140 (Independência), 1385 (Aljubarrota) e 1640 (Restauração). Afinal quem teve visão foi o povo de Olivença."

 

(Comentário de um leitor numa notícia do Sapo sobre o caso PT/TVI e o depoimento de Rui Pedro Soares na Comissão de Ética. O estado de desânimo  e impotência em que todos andamos está bem espelhado neste desabafo, que me arrancou primeiro um sorriso desprevenido mas, logo a seguir, uma enorme tristeza)

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Fundo

por Ana Vidal, em 06.02.10

Bater no fundo pode até ser desejável, se significar um renascer das cinzas e uma natural subida, por não ser possível descer mais. Infelizmente, até nisto Portugal parece ter descoberto uma originalidade: a de estar sempre a bater no fundo, repetidamente, como uma bola de borracha incapaz de estabilizar por causa da lei da gravidade. Da gravidade do que se passa lá no fundo, sobretudo.

 

 

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