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Texto de opinião no Público

por Alexandre Guerra, em 08.10.19

Lições da Guerra Fria para um combate realista às alterações climáticas*

 

Em tempos escrevi que “uma Humanidade criada das cinzas de um conflito nuclear à escala global teria certamente que lutar pela sobrevivência da espécie, num mundo que estaria de regresso às origens do primitivismo social, eventualmente mergulhado num ‘estádio natureza’ hobbesiano, sem qualquer tipo de ordem ou contrato social”. E acrescentava: “O decisor político, que em última instância ordenaria a auto-destruição da Humanidade, num gesto calculado e analisado (ou não tivesse na sua posse a informação necessária para antecipar as consequências do seu acto), assumiria o papel de Deus, ao interferir com a existência das espécies, incluindo a única dotada com a faculdade do ‘entendimento’.” (1)

Recupera-se aqui estas palavras porque, de certa forma, há um paralelismo que pode ser estabelecido entre o potencial destruidor das armas nucleares e o das alterações climáticas: na sua versão pós-apocalíptica estas duas realidades – ironicamente resultantes da “inevitabilidade” do progresso científico – contêm na sua génese elementos perturbadores à vivência do Homem, não apenas enquanto ser social, mas como entidade biológica, podendo conduzir mesmo à sua destruição.

I am become Death, the destroyer of worlds”, desabafou J. Robert Oppenheimer, momentos após o Trinity Test a 16 de Julho de 1945, vendo confirmada a sua teoria sobre o potencial destrutivo da tecnologia de fissão nuclear. Semanas depois, as bombas atómicas lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki revelaram ao mundo uma força avassaladora até então desconhecida, potencialmente capaz de aniquilar a Humanidade.

Da literatura ao cinema, a cultura popular foi invadida pelo imaginário dantesco do cataclisma nuclear. Durante décadas, as sociedades viveram sob o medo de um conflito nuclear iminente à escala global. A natureza competitiva do sistema bipolar conduziu a uma disputa pelo domínio militar e a uma corrida aos armamentos (convencional e nuclear), gerando uma situação insustentável com potencial destrutivo da Humanidade. Era a primeira vez que a História do Homem estava confrontada com essa possibilidade. Como escreveu Aldous Huxley no seu prefácio à edição de 1946 da sua célebre obra Admirável Mundo Novo, “a libertação do atómico representou uma grande revolução na história humana”.

 

 

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A Guiné Equatorial devia sair da CPLP*

por Alexandre Guerra, em 18.04.19

As razões que motivaram o interesse e consequente adesão da Guiné Equatorial à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), em 2014, nunca foram devidamente explicadas aos portugueses (pelo menos àqueles que seguem estas matérias). Ficou-se com a ideia de que o processo foi desenrolado de forma envergonhada nos bastidores da diplomacia, sem que se compreendesse verdadeiramente por que é que um Estado como a Guiné Equatorial, detentor de um lamentável registo em matéria de Direitos Humanos e sem qualquer ligação histórico-linguística relevante com a CPLP, tenha sido acolhido nesta organização.

A X Cimeira da CPLP realizada em Díli, a 23 de Julho de 2014, serviu de palco para os líderes lusófonos formalizarem a adesão, num ambiente “restrito”, como se estivessem a fazer algo às escondidas. Aliás, a própria resolução de “admissão” é de uma pobreza confrangedora, limitando-se a seis curtíssimos parágrafos numa folha A4, sem qualquer elemento marcante ou inspirador, ostentando meras declarações burocráticas. Segundo um take da Lusa na altura, houve “um consenso generalizado" favorável à entrada da Guiné Equatorial, mas também um "debate intenso", suscitado por Portugal. É certo que a diplomacia portuguesa não deixou de manifestar (timidamente) o seu desagrado, mas o que é facto é que acabou por anuir numa decisão que em nada contribuiu para o fortalecimento da CPLP. Pelo contrário.

Passaram quase cinco anos desde a adesão e a única justificação encontrada, mas nunca assumida directa e frontalmente por ninguém, teria a ver com a vontade de Luanda, embora nunca se percebendo bem o que ganharia o regime angolano com esta manobra. Mais petróleo? Nessa mesma cimeira de Díli, em que se decidiu admitir a Guiné Equatorial na CPLP, a Lusa citava uma fonte da delegação brasileira, em que informava não ter havido qualquer votação, mas antes "uma formação de uma opinião geral". Conceito vago e revelador da névoa que se tinha abatido sobre todo o processo.

Desde então que a Guiné Equatorial tem sido um embaraço no seio da CPLP e, em particular, para Portugal, que dificilmente poderá ser, por muito mais tempo, conivente com o regime que Teodoro Obiang lidera desde 1979. Ainda recentemente, nas páginas do PÚBLICO, a jornalista Bárbara Reis espelhava bem a realidade interna daquele país africano e assumia que: “Temos uma Coreia do Norte na CPLP”. Aliás, a partir do momento em que passou a estar em cima da mesa a eventual adesão da Guiné Equatorial à CPLP, foram várias as ONG e entidades de países africanos que se manifestaram contra essa possibilidade, alegando, precisamente, o cariz ditatorial e repressivo de Obiang.

A incoerência (talvez forçada) de Portugal fica evidente quando o próprio Presidente de então, Cavaco Silva, enaltece nessa mesma cimeira de Díli “os princípios fundadores” da CPLP, “que incluem o respeito pelos direitos humanos e o uso do português como língua oficial”. É importante notar que, de todos os países da CPLP, e por diferentes razões histórico-políticas, naturalmente, Portugal talvez fosse aquele que mais desconforto sentisse com a situação.

A saída airosa encontrada para Lisboa foi um “roteiro” de Direitos Humanos para Obiang seguir, uma espécie de analgésico para o desconforto sentido nas Necessidades. Entre as várias medidas (nunca efectivamente concretizadas) estava a abolição da pena de morte, que até hoje se traduziu apenas numa moratória, sem que o regime tenha dado sinais de querer resolver o problema definitivamente. Cinco anos depois da adesão e das condições impostas, Obiang desafia claramente Lisboa e, por isso, Cabo Verde, país que actualmente ocupa a presidência da CPLP, está a envidar todos os esforços para que a pena de morte seja abolida rapidamente na Guiné Equatorial.

Teodoro Obiang esteve na cidade da Praia, no passado dia 15, reunindo com o seu homólogo cabo-verdiano, onde prometeu que iria abolir a pena de morte, mas sem “pressa”. Esta declaração deve ser recebida sem grande entusiasmo, porque não é mais do que uma resposta cínica de Obiang para aliviar a pressão feita pelo primeiro-ministro português na V Cimeira Luso-Cabo verdiana que se realizou dois dias antes em Lisboa (13). António Costa foi claro nas palavras: ou a Guiné Equatorial cumpre e se revê “neste quadro comum” da CPLP, “um espaço democrático, respeitador do Estado de Direito e sem pena de morte”; ou então, ficou implícito nas suas declarações, terá que deixar de ser membro da CPLP.

Porém, o problema não se coloca apenas na questão da pena de morte, porque o regime de Obiang padece de inúmeros males, incompatíveis com os princípios e valores democráticos. A organização não governamental Human Rights Watch destaca a corrupção endémica, o nepotismo e a repressão violenta como algumas das piores violações de Obiang. Ainda há dias divulgou um vídeo para sensibilizar os governos com assento no Conselho dos Direitos Humanos das Nações Unidas (HRC) a serem particularmente vigilantes no âmbito do terceiro ciclo da Universal Periodic Review (UPR). A UPR é um mecanismo de acompanhamento e de escrutínio aos indicadores dos Direitos Humanos, em que cada Estado-membro da ONU tem que “prestar contas”, de quatro em quatro anos, sobre o “estado da arte” nesta área. No caso da Guiné Equatorial, está previso que o processo de revisão seja colocado à consideração do HRC no próximo dia 13 de Maio, esperando-se que desta nova avaliação fique bem evidenciado o “silenciamento” brutal de activistas e opositores políticos, com inúmeros casos de detenções arbitrárias, intimidação e tortura. Este processo ganha particular relevância neste momento, uma vez que a Guiné Equatorial integra o Conselho de Segurança, enquanto membro não permanente.

Não é preciso ser-se um especialista em relações internacionais ou diplomacia para perceber que a Guiné Equatorial, sob o regime ditatorial de Obiang, nunca deveria ter tido lugar numa organização como a CPLP e é por isso que, agora, a diplomacia portuguesa devia assumir, com toda a convicção, a correcção do erro histórico cometido há cinco anos em Díli, iniciando o processo de saída daquele país. Uma espécie de “Brexit”, mas ao contrário. Além disso, as circunstâncias políticas em Angola alteraram-se radicalmente, soprando ventos de alguma mudança, que poderão ajudar Lisboa no afastamento da Guiné Equatorial e, ao mesmo tempo, na revitalização e credibilização da CPLP.

*Artigo publicado esta Quinta-feira (18) no jornal Público.

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O dilema da democracia

por Alexandre Guerra, em 30.09.18

Uns meses depois do fim da Guerra dos Balcãs (1991-95) e perante a maior barbárie na Europa desde a II Guerra Mundial, cometida entre “vizinhos” sob a égide de projectos políticos nacionalistas, o diplomata Richard Hoolbroke, que ajudou a forjar os Acordos de Dayton, deixava no ar uma questão que pertencia mais ao campo da filosofia política do que, propriamente, ao ramo da ciência política: “Suponha-se que as eleições são livres e justas e que aqueles que são eleitos são racistas, fascistas, separatistas. Esse é o dilema [da democracia].” No fundo, aquela pergunta era uma outra forma de consubstanciar o dilema clássico na discussão em torno das formas sãs e degeneradas de Governo e que pode conduzir a um exercício teórico útil para nos ajudar a compreender alguns fenómenos recentes de apetência para projectos mais populistas e nacionalistas.

 

No âmbito desse exercício, existem dois cenários, algo extremados, é certo, a ter em consideração. Por um lado, temos uma autocracia liderada por um “príncipe” virtuoso, onde a sua principal preocupação é o bem-estar da população, garantindo-lhe elevados índices de qualidade de vida e satisfação. No entanto, neste regime, onde o bom governante herda o poder do pai, não existem partidos políticos, a crítica é “silenciada” e os movimentos civis são frágeis ou inexistentes. Mas, veja-se o outro cenário, onde uma democracia consolidada, dentro de todas as regras constitucionais, elege um tirano. Esse mau governante vai exercer o poder em interesse próprio e dos seus “amigos”, dentro de um projecto pessoal alimentado com demagogia e populismo, deixando o seu povo à mercê da fortuna. No entanto, neste regime multipartidário, a crítica é livre, os partidos da oposição exercem a sua função, o associativismo é vigoroso e o direito de voto é universal.

 

 

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Boa sorte

por Sérgio de Almeida Correia, em 17.08.18

"O dever de escrutinar o poder político, seja o Governo ou a oposição, dá cada vez mais lugar à produção de anátemas ou de certezas sectárias que menosprezam a exigência, a defesa do interesse público ou a factualidade verificada. A crescente propensão, muito inflacionada pelas redes sociais, de se analisar o que se publica a partir de trincheiras ideológicas, partidárias ou clubísticas estimula o vazio onde germina o populismo, a xenofobia e os radicalismos. A pós-verdade e/ou a verdade pessoal, relativa e insusceptível de questionamento, ganharam terreno. A crise da imprensa é em grande medida um espelho da crise do espaço público – mas, reconheçamo-lo, é também, e com excessiva frequência, uma das suas causas". – Os compromissos da Direcção Editorial

 

O respeito que tenho pelo jornalismo feito por profissionais íntegros e de mão cheia, por uma imprensa livre, descomprometida com o poder e os seus mainatos, e o gosto que tenho em ler um jornal bem feito, bem escrito, de preferência em formato papel, e ainda a cheirar a tintas, não me permitem que deixe passar este momento sem lhes dirigir uma palavra. Curta, necessariamente, porque só o correr dos dias, dos meses e dos anos nos mostrará se o seu compromisso foi respeitado.

Estou convencido de que não deixarão ficar mal quem como eles ainda acredita.

Oxalá tenham sucesso e consigam levar avante o seu projecto. Por isso desejo a todos os que irão fazer o jornal a partir de agora, mas em especial a Manuel Carvalho, Amílcar Correia, Ana Sá Lopes, David Pontes e Tiago Luz Pedro, as maiores felicidades.

Portugal precisa mais do que nunca de um jornal sério e credível. Nós cá estaremos para escrutinar o seu trabalho, criticando e aplaudindo sempre que o mereçam.

Bom trabalho. 

 

P.S. E se não for pedir muito, espero que acompanhem a situação que se vive em Macau com a atenção, a exigência e o rigor que a situação actualmente vivida exige. 

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Um traço de união 27 anos depois

por Pedro Correia, em 06.03.17

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Trabalhar no Público foi uma experiência única, irrepetível. Ter integrado a equipa da fundação do jornal - que andou durante meses a fazer números zero - foi ainda mais gratificante. Orgulho-me de ter figurado nessa primeira equipa daquele que continuo a considerar o melhor jornal diário jamais feito em Portugal.

O Público foi mais do que um jornal: foi um estado de espírito, que perdurou muito para além do espaço físico em que era elaborado. Refiro-me ao Público mais genuíno, o original, aquele que foi concebido e concretizado por um jornalista de excepção, o Vicente Jorge Silva. Que tinha como marcas editoriais a qualidade de escrita, a atenção à imagem, a valorização da ciência e da cultura, a recusa de um olhar paroquial sobre a actualidade noticiosa. E a irreverência, sempre a irreverência, contra os sucessivos poderes de turno.

Características que constituem traços de união entre os que por lá passaram. Isso ficou bem evidente neste sábado, quando nos juntámos no restaurante O Manjar do Marquês, em Pombal - uma das catedrais gastronómicas portuguesas. Éramos cerca de 120, dois terços vindos de Lisboa, os restantes oriundos do Porto.

 

Foi o meu baptismo no género, relutante que costumo ser às romagens de nostalgia, mais próprias da Liga dos Antigos Combatentes. Mas gostei muito de lá ir. De rever camaradas das lides jornalísticas que há muito não via, de conhecer enfim outros com quem nunca me tinha cruzado e sobretudo de confirmar como são sólidos os elos de cumplicidade entre diferentes gerações de jornalistas que tiveram o Público como denominador comum, em diferentes fases da vida do periódico - que ontem celebrou 27 anos de existência, já com poucos sobreviventes do ano da fundação no seu quadro redactorial.

Lá estavam o Joaquim Fidalgo, o João Seabra e o Carlos Lopes (dinâmicos organizadores deste encontro periódico de ex-jornalistas do Público). E o Fernando Sousa, meu parceiro ainda mais antigo de jornalismo, além de colega aqui no DELITO. E tantos outros: o Joaquim Trigo de Negreiros, a Sofia Branco, o Manuel Queiroz, a Paula Torres de Carvalho, o Rui Cardoso Martins, o Luís Francisco, o Jorge Baptista, o Pedro Caldeira Rodrigues, o José Vítor Malheiros, o António Granado, a Isabel Gorjão Henriques, o João Ramos de Almeida, a Lurdes Dias, a Joana Ferreira da Costa, a Ana Gerschenfeld, o Martins Morim, o Fernando Correia de Oliveira, a Anabela Natário, o João Manuel Rocha, o José António Cerejo, a Eunice Andreia, a Ana Machado, a Christiana Martins, o Rui Ferreira e Sousa, a Ivone Ralha, o Aníbal Fernandes, o José Queirós, a Cristina Sampaio.

Uma atmosfera única, de algum modo simbolizada nas festivas fotografias que reuniram três dos cinco membros da primeira direcção do jornal, ali presentes. O Vicente, o Jorge Wemans, o Fidalgo.

 

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Naquele momento pensei: se esta equipa voltasse a reunir-se não em torno de um caloroso almoço que se prolongou até ao fim da tarde mas de um projecto jornalístico, os leitores poderiam ter a certeza do que aí encontrariam: ousadia, desassombro, inovação, rigor e qualidade. Características que vão faltando, no todo ou em parte, ao jornalismo contemporâneo e que explicam boa parte do seu divórcio com as crescentes exigências da cidadania portuguesa.

O Vicente saberia explicar isto melhor que eu, num daqueles seus editoriais que nunca receavam suscitar polémica. Num tempo em que nenhum jornalista precisava de pedir licença para emitir opinião. Num tempo em que não havia responsáveis editoriais prontos a mudar de perspectiva sobre o mesmo assunto da noite para a manhã, medíocres cultores da blague de Groucho Marx: "Se as minhas ideias não lhe agradam, arranjo já outras."

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Barões privados com dinheiros públicos

por Tiago Mota Saraiva, em 09.05.16

publicado aqui

 

Mais do que a racionalização financeira do sistema, o corte no financiamento público de colégios privados que o Ministério da Educação está a ensaiar é um acto de coragem. Desengane-se quem, a este propósito, lucubra argumentos em torno da liberdade de escolha – alguém achará que, se eu optar por beber água engarrafada, o Estado deve financiar o litro de água que bebo para que me custe o mesmo que a da torneira? – ou quem julga ser um ataque às escolas católicas – quem o diz é o PSD, e não os órgãos próprios da Igreja.

Não tendo caracteres disponíveis para relatar alguns casos escandalosos de negócios privados no sector da educação, aconselho a reportagem “Dinheiros públicos, vícios privados”, de Ana Leal, que passou na TVI em Dezembro de 2012. Nesta investigação revelava-se o caso do Grupo GPS, detentor, à época, de 26 colégios, que auferia 25 milhões de euros do Orçamento do Estado para concorrer com escolas públicas e no qual pontificavam ilustres ex-governantes, deputados e dirigentes de PSD e PS.

Sendo injusto conotar todas as instituições detentoras de colégios privados com as do Grupo GPS, talvez tivesse sido prudente que a AEEPC, associação que os representa, escolhesse para seu director executivo e porta-voz um professor de carreira ou um pedagogo com provas dadas no sector, ensaiando a despartidarização que a nomeação do ex-chefe de gabinete da ministra da Educação do governo de Santana Lopes não garante.

Como se deve imaginar, esta decisão do Ministério da Educação não será pacífica, desde logo, dentro do PS. É muito dinheiro e muita gente importante que vive na sombra destes negócios privados com dinheiros públicos que não se esgotam na educação. Seria um excelente sinal que este corte nas gorduras do Estado também chegasse a outras áreas de negócio com características semelhantes, como a saúde ou a segurança social, desmanchando o baronato financeiro que vive em torno das velhas lógicas do bloco central.

 

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Tudo está bem quando acaba bem

por Pedro Correia, em 10.04.16

Com um editorial um pouco mais musculado do que na véspera, o Público saudou ontem a demissão de João Soares, considerando que se tratou da "única saída digna" para o efémero ministro da Cultura. Foi pena o jornal ter descoberto isto com 24 horas de atraso - facto tanto mais insólito quanto estavam em causa ameaças a dois conhecidos colunistas do matutino. No editorial anterior, recorde-se, o Público nunca exigiu a demissão de Soares. E chegou mesmo a escrever que a eventual saída deste ministro  "podia trazer mais dissabores do que sossego a António Costa", algo que mais ninguém concluiu.

O anónimo editorialista da edição de ontem não deve portanto ser o mesmo anónimo editorialista de sexta-feira. Porque o mais recente já escreve que "fora do governo, por mais 'salutares bofetadas' que prometa aos seus detractores, [Soares] não será uma sombra para a governação".

O Público, em editorial, desmente-se a si próprio. Tudo está bem quando acaba bem.

 

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Aceda ao site somosbibliotecas.pt e assine a petição

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Apoiar é sinónimo de exigir.

 

Notas.

1. Ironicamente, revelando um Passos prudente e sensato e mantendo vivos os esforços de desculpabilização de Sócrates (não excluir a hipótese de ter sido ele a cedê-la ao Público), a carta beneficia um e outro. Para Costa, fica o habitual papel de número dois do amigo de Carlos Santos Silva.

2. Ah, dirão alguns, Passos pode não ter exigido a vinda da Troika mas desejava-a. Creio que, dispondo da escolha, ele teria preferido governar sem tutelas mas, na verdade, não faço ideia. Sei é que, em 2011, eu desejava a vinda da Troika. Como desejarei uma intervenção tão rápida quanto possível da polícia se assistir a um crime ou do INEM perante um acidente grave.

3. Devia haver assuntos mais merecedores do principal título da primeira página de um jornal dito «de referência». Notícias, talvez.

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«Coligação apresenta pouco programa e muito medo»

por José António Abreu, em 30.07.15

Houve uma época em que eu comprava e lia o Público. Fazia-o pelas notícias, pelas críticas a livros, discos, filmes, peças de teatro e exposições, pelas colunas de opinião. Hoje, não o compro e raramente o leio, mesmo online. Julgo que continua a ter críticas a livros, discos, filmes, peças de teatro e exposições. Tenho a certeza de que continua a ter colunas de opinião. Parece-me é que quase já não tem notícias.

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A corja vista à lupa

por Laura Ramos, em 10.05.13

Uma leitura interessante sobre o sentido de voto dos trabalhadores de Estado.

Habituados a lidar com práticas de transparência, accountability e distinção ecológica entre o público e o privado, gostámos de tanta atenção.

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A deliberação da ERC sobre o caso Relvas

por Rui Rocha, em 20.06.12

Li na íntegra as 48 páginas da deliberação da ERC relativa ao caso das pressões do ministro Relvas sobre o Público e a sua ex-jornalista. Como se sabe, esta deu como não provada a existência de uma ameaça de blackout generalizado do governo ao jornal e de divulgação de aspectos da vida privada de Mª. José Oliveira. É uma decisão previsível. Esta afirmação, ao contrário do que possa parecer, não encerra nenhum juízo de valor sobre a (im)parcialidade da ERC na apreciação desta situação. Sublinho que à desejável isenção deste órgão não ajudam afirmações sobre a gravata do ministro Relvas ou as relações pessoais de amizade de, pelo menos, um dos membros da ERC com o mesmo. Repito, todavia, que não é disso que se trata quando afirmo que a decisão era previsível. Digo-o apenas porque se tratava, como desde o princípio se viu, de uma situação em que se confrontavam duas versões contraditórias dos acontecimentos, apresentada uma por Leonete Botelho e outra pelo ministro. Ora, não existindo qualquer presunção legítima que aponte para a maior credibilidade de uma ou de outra (ao contrário do que defende Arons de Carvalho na sua declaração de voto), não era de esperar que se chegasse a outra conclusão que não fosse a de se considerarem não provadas as acusações (o que não quer dizer que os factos não tenham acorrido). Assim, e sendo este o fundamento principal da deliberação, o sentido desta afigura-se inatacável. Não deixarei entretanto de fazer um reparo a um argumento secundário também invocado: o de o próprio Público ter considerado que as pretensas pressões  não tinham natureza inaceitável. Noto que, estando em causa a liberdade de imprensa e sendo esta um bem público, nunca a apreciação que o jornal fizesse poderia tomar-se como critério definitivo. Feito este reparo, devo ainda dizer que o juízo de censura, é certo que inconsequente, que a ERC formula à actuação do ministro é, em função dos factos provados (irritação, nomeadamente, mas não mais do que isso), o mais longe que podia ir. Perante a deliberação, as questões de fundo permanecem. São elas a da prova das pressões, a da actuação do ministro no caso Secretas/Silva Carvalho, sobre a qual também me pronunciei oportunamente e a da utilidade da própria ERC. Tal como se esperava, a deliberação não resolveu nenhuma delas.

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Sob pressão

por Rui Rocha, em 24.05.12

 

Sinto tanta distância dos que garantem que Relvas é uma criatura cheia de virtudes, incapaz de quaisquer aleivosias, como daqueles que sumariamente exigem a sua cabeça. É certo que, confirmando-se a existência da ameaça de divulgação de aspectos da vida privada, não pode haver qualquer dúvida sobre as consequências: demissão imediata. Mais, tendo a acreditar na versão dos factos que diz que tais ameaças ocorreram. Mas não creio que esta seja matéria em que uma posição definitiva possa depender de uma impressão não suportada em evidências. Se a liberdade de imprensa é um valor a preservar, o reconhecimento à imprensa da liberdade de apear um Ministro pela simples alegação da existência de pressões constituiria um ataque à democracia igualmente grave. Isto dito, importa recordar que Relvas, continuando a negar a existência das ameaças, admitiu hoje que: a) manifestou a sua indignação à editora do jornal por lhe terem sido dados 32 minutos para responder; b) referiu a possibilidade de um blackout pessoal (não extensivo ao restante governo); c) apresentou desculpas à directora do Público pelo tom (que não pelo conteúdo) que utilizou. Ora, estes factos permitem abrir duas linhas de reflexão. A primeira, de carácter geral, aponta para a existência de uma relação pouco saudável entre jornalistas e políticos. Demasiados telefonemas, cumplicidades, tricas, deslealdades, panelinha e conversas de botequim ali onde se impunha sobriedade, respeito e formalismo. A segunda diz respeito à situação em que o próprio Relvas se colocou. Se os factos já apurados podem não ser suficientes para provar que exerceu pressões inadmissíveis, aqueles que o próprio Ministro reconhece permitem concluir que não resistiu à pressão das circunstâncias.  A sua actuação no caso SIED/Silva Carvalho já tinha os contornos de uma tremenda trapalhada. Na melhor das hipóteses, a interacção com o Público foi nervosa e incontida, o que revela inabilidade e falta de sangue-frio. Independentemente dos factos que os próximos dias trouxerem, a sua margem de actuação situa-se agora entre a demissão e a extrema fragilidade política.

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Público

por Sérgio de Almeida Correia, em 03.12.10

Ontem, como estive para o outro lado, comprei o El Pais. Hoje comprei o Público. Leio ambos com a mesma satisfação.

O Público parece estar a querer voltar aos tempos que fizeram dele um bom jornal. Passada a fase mais radical, mais atabalhoada, mais "neo-con", o jornal volta a ter um conteúdo equilibrado, com textos interessantes e, perdoem-me o palavrão, abrangentes.

É um excelente sinal quando são cada vez menos os jornais interessantes e com alguma coisa para ler, o que de certa forma também explicará a redução do número de leitores. Bem sei que Mário Crespo escreve na Penthouse, mas não me parece que a liberdade que a revista lhe dá - e ainda bem que assim é - a torne numa revista que dispense o "controlo parental".

Para além das rubricas habituais e da atenção que confere ao que se passou no grupo parlamentar do PS, o Público continua a fazer o acompanhamento das presidenciais, traz um excelente texto sobre Ernâni Lopes, aliás com chamada à primeira página e com uma bela fotografia desse cidadão que nos deixou, um bom editorial, um artigo de José Manuel Fernandes, que merecia uma resposta (na parte relativa à Ordem dos Advogados, já que as coisas continuam a não ser tão simples quanto lhe possam parecer), a habitual coluna de Miguel Esteves Cardoso e o imprescindível artigo de Vasco Pulido Valente.

Quanto a este seria bom que todos aqueles que apareceram recentemente a falar e a escrever sobre Sá Carneiro o lessem.

Tenho pena que a política do Público não permita ter os seus textos de opinião em linha, pelo menos ao fim de alguns dias. É uma decisão compreensível sem deixar, todavia, de ser redutora e castradora da formação da opinião pública. Com a crise que atravessamos seria bom que quem não pode comprar um jornal todos os dias de alguma maneira tivesse acesso à informação. À informação que pode ajudar a formar. E digo isto porque felizmente, embora compre muitos jornais e revistas, continuo a poder ler os textos de opinião que são publicados na maioria dos jornais europeus e de algumas revistas, como a italiana L'Espresso, sem ter pagar qualquer quantia ou de me fazer assinante.

De qualquer modo, é óptimo poder voltar a contar com o Público.   

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Fontes de desgraça

por Paulo Gorjão, em 22.09.09

Maria João Avillez, ontem, em conversa com Mário Crespo na SIC Notícias chamou a atenção para o facto de o Público ter duas fontes. O que, aliás, na sua entrevista com Ana Lourenço, o próprio José Manuel Fernandes já tinha revelado. Dito de outra maneira, a fonte de Agosto de 2009 não é Fernando Lima, i.e. a fonte de Abril de 2008.

Este dupla confirmação tem relevância na medida em que confirma que a Presidência da República acreditava mesmo que poderia estar sob vigilância e/ou sob escuta.

A partir daqui há diferenças cruciais entre as duas fontes. Lima tomou a iniciativa de estabelecer o contacto. Tinha um guião e uma agenda. A "encomenda", porém, não podia ser atribuída à Presidência da República.

O Público investigou e não publicou a história. Dito de outra maneira, a encomenda foi enviada ao Público, mas não foi entregue, i.e. não foi publicada. Até Agosto de 2009, um ano e meio depois. O que mudou? Várias coisas, entre elas o facto de a Presidência da República poder ser citada, na sequência da autorização dada pela segunda fonte. É nesta altura que o Público decide dar luz verde à história, neste caso claramente sem "encomenda".

 

P.S. -- Questão interessante, não sendo Lima, quem tem espaço na Presidência para falar com a comunicação social e autorizar a citação? Esta segunda fonte tinha conhecimento da operação de Lima? E Lima terá tido conhecimento das declarações desta fonte?

 

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O público, o privado e a notícia

por J.M. Coutinho Ribeiro, em 08.05.09

Interessante a divergência que aqui se nota sobre a importância pública dos comportamentos privados de quem nos governa e a possibilidade desses comportamentos privados serem ou não escrutinados pela comunicação social.

Há quem entenda que a esfera da vida privada dos governantes não tem qualquer interesse para o cidadão. Pelo menos, um interesse legítimo. Que não importa, designadamente, se um governante é viciado em casinos, desde que jogue com dinheiro seu; que não importa saber se um governante compra roupa na loja mais cara do mundo, desde que o faça com dinheiro seu. E, obviamente, há quem entenda ser sagrada, por exemplo, a não violação da privacidade de um governante quanto, por exemplo, à sua orientação sexual.

A questão não pode ser vista de forma tão linear. Mesmo que o governante gaste apenas o que é seu, nos seus vícios ou hábitos privados, ficamos a saber duas coisas: em primeiro lugar, que o governante é honesto porque não gasta os dinheiros públicos. Mas ficamos, também, a saber que o governante tem uma compulsão para o jogo ou para um ostensivo modo de vida. Ou que, enquanto pede contenção aos seus governados, ele vive na ostentação. Não é relevante? É. Não o será quando se fala do rico empresário (que será escrutinado pelos seus trabalhadores ou pelos seus credores, mas isso é outra história), mas é-o quando se fala de quem elegemos para determinado cargo. Porque quando votamos em alguém, votamos não apenas na sua competência, mas também no que conhecemos do seu carácter, na sua capacidade para se adaptar aos sinais dos tempos que correm e na sua capacidade para dar exemplos de cidadania. Daí que os limites da liberdade de expressão se alarguem quando escrevemos sobre as designadas as figuras «da história do tempo».

Mais complexa é a questão da orientação sexual do governante. Se um governante é homossexual, ninguém tem nada a ver com isso. Se o é e o assume, não dever ser fustigado ou vangloriado por isso. É-o. E, sobre isso, cada qual tirará as suas conclusões na hora do voto, se achar que é uma questão relevante.

Mas já será escrutinável pela comunicação social - porque tem interesse público - saber se, por exemplo, um deputado faz hoje uma violenta intervenção no Parlamento contra a homossexualidade e, dias depois, se descobre que ele próprio é homossexual. Como é evidente, ele poder ser o que queira. Mas os eleitores têm o direito de saber se um dos seus eleitos é pessoa de carácter e se as suas intervenções públicas são concordantes com os seus comportamentos privados.

E, neste caso, ouso ir um pouco mais longe: se as acrobacias sexuais de uma figura pública - mas sem responsabiilidades públicas, mesmo que seja, por exemplo, um arquitecto do regime - não são escrutináveis, o mesmo não se aplica, por exemplo, ao padre de uma qualquer paróquia, que nas missas defende a moralidade e os bons costumes e acaba descoberto numa orgia. Neste caso, os paroquianos que o ouvem, também terão direito a saber que o homem faz o contrário do que prega.

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Director Lobo Antunes

por Pedro Correia, em 05.03.09

Há 19 anos, depois de muitos "números zero" (dizia-se que andávamos a "trabalhar para o boneco"), nascia o Público. Tive muito orgulho em integrar essa equipa de pioneiros, correspondendo a um convite do Vicente Jorge Silva, que contra os habituais Velhos do Restelo soube construir um grande projecto jornalístico. Hoje o jornal aparece com editorial de António Lobo Antunes, que foi director por 24 horas. Vale a pena lê-lo: "Devíamos vir com manual de instruções, como os electrodomésticos."

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Pinóquio, formato jornal

por André Couto, em 28.01.09

Ontem o Público, invariavelmente o Público, acordou o País e em especial os investidores bolsistas, com a notícia de que "as autoridades portuguesas foram sondadas nos últimos dias sobre uma eventual entrada do Bilbao Viscaya Argentaria (BBVA) no capital do Banco Comercial Português (BCP)".

Horas depois veio a CMVM informar que "não foi confirmada a existência desses contactos e (...) que avisa os investidores para terem em atenção futuros investimentos com base em informação não disponibilizada pelos meios previstos na lei e em regulamento".

Sobre a veracidade da sua notícia e sobre este comunicado, o zeloso prestador de informação de que vos falo nada disse.

A notícia surgiu, as acções dispararam (chegaram a valorizar perto de 6%), o volume de transacção dos títulos do BCP bateu records, o comunicado foi emitido, as acções desceram, muita gente perdeu dinheiro fazendo fé na informação, mas daí não se retiraram consequências, nem um banal pedido de desculpa...

 

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Sócrates, o Inimigo (do) Público

por André Couto, em 19.01.09

O Público e José Manuel Fernandes prosseguem a sua campanha de visceral ódio ao Partido Socialista e a José Sócrates. Sinto-me acima de qualquer suspeita uma vez que sou assinante da sua edição online, sendo um jornal que muito aprecio.

Começa no entanto a ficar demasiado óbvia esta conduta, patente na distorção de notícias, fazendo com que a sua missão comece a ficar comprometida pelo manto negro da deturpação e má informação.

Na análise à moção de José Sócrates, onde se lê que "a segunda prioridade na promoção da igualdade é o combate a todas as formas de discriminação e a remoção, na próxima legislatura, das barreiras jurídicas à realização do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo", o Público depreende, e cito a edição online, que "implicitamente o texto promete reconhecer, de acordo com a lei, o pleno dos direitos do casamento civil: direito a constituir família e direito a constituir património comum. Logo, a adopção e a inseminação artificial feita por homossexuais deverão ser contempladas".

Esta é uma extensão inadmissível do alcance das palavras de José Sócrates. Visa pura e simplesmente semear o boato, colhendo as reacções tanto daqueles que são a favor do casamento e contra a adopção (a maioria), como dos que entrarão numa autêntica jihad homofóbica contra a possibilidade de tamanho salto legislativo. Vergonhoso.

 

Actualização às 18:45: ainda que não se retracte, o Público repõe a verdade pelas palavras de Augusto Santos Silva.

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1 dia...

por André Couto, em 19.01.09

...para a História!

 

(O Público transformou-se em revista cor-de-rosa. Reles em qualidade, por sinal, uma vez que não sabe diferenciar um casaco de um sobretudo.)

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