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Então e a indústria de Hollywood? Tão avançada, tão progressista, tão activista, tão pelos direitos, tão pelas minorias, tão anti-estereótipo, tão anti-Trump. E depois, vai-se a ver e é na própria cerimónia dos Óscares que se perpetua a discriminação de género. Um Óscar para o melhor actor e outro para a melhor actriz? Porquê? O que é que a Academia quer dizer com isso? Acaso as mulheres não seriam capazes de ganhar aos homens se concorressem na mesma categoria? É isso? É o contrário? E os intergénero? Onde está o Óscar para os intergénero? Pelo Óscar unificado para o melhor desempenho sem discriminação de género, já! E, se for preciso, com quotas, para evitar abusos. E, já agora, o Óscar para o melhor desempenho animal? O PAN não diz nada? Mas que vergonha é esta? E os preocupadinhos com o brinquedo para meninos e para meninas do McDonald´s? Onde é que andam?

Óscares 2015

por Pedro Correia, em 23.02.15

birdman[1].jpg

 

Birdmanmelhor filme norte-americano do ano para a Academia de Hollywood, realizada pelo mexicano Alejandro González Iñárritu, contemplado com o Óscar de melhor realizador: um olhar sem contemplações aos efémeros labirintos da fama. Que merece ser visto e revisto.

Ainda os Oscars

por José Maria Gui Pimentel, em 27.02.12

 

Nesta “época festiva” reemerge sempre quem se revele completamente alheio ao frenesim dos Oscars e restantes prémios do cinema americano. Os argumentos são variados, mas desembocam quase invariavelmente no facto de a Academia ter como fim último o lucro e a promoção dos seus filmes, tornando, assim, as escolhas previsíveis e redutoras. Outra razão mais mundana é o facto de a Academia ter uma composição muito enviesada, com preponderância de elementos do sexo masculino (77%), brancos (94%), idade superior a 60 anos (54%) e sem qualquer nomeação para um Oscar (64%). Ainda outro motivo invocado prende-se com a obrigação de os filmes nomeados serem americanos, o que restringe substancialmente o mercado disponível. Quanto a isso, nada a fazer. Quanto às restantes duas críticas, embora pertinentes, a verdade é que o seu efeito (particularmente o da primeira) não é tão grande quanto poderia ser. Com efeito, se é verdade que as escolhas da Academia são perfeitamente discutíveis (caso qualquer um de nós fizesse um top dos filmes de um ano, dificilmente este se intersectaria com as escolhas dos jurados), também é verdade que não se pode afirmar que sejam completamente previsíveis, muito menos mono-temáticas. Os filmes deste ano eram muito diversos entre si, e mais diferentes ainda de outros nomeados em anos anteriores (e.g. Slumdog Millionaire, O Cisne Negro, Este país não é para velhos, Juno, Babel, só para citar exemplos recentes). Sim, os dramas do tipo As Serviçais e Milk costumam ser beneficiados, e os filmes biográficos também. Mas, fora disso não há tanta previsibilidade assim. É isso que mantém as pessoas interessadas no evento. Só com a red carpet não iam lá.

"(...) não percebeste bem o filme!"

por José Maria Gui Pimentel, em 26.02.12

Afortunados os cientistas que não têm de se preocupar senão com os do próprio meio. Já os artistas são obrigados a tolerar uma horda de chicos-espertos a comentar o seu trabalho, como se percebessem verdadeiramente da poda. Como a arte, contrariamente à ciência, é subjectiva, não é difícil a um leigo fazer parecer que tem algo para dizer. Pior que isso: não é difícil a um leigo pensar que tem algo para dizer. Mesmo consciente desse facto, não resisto em enveredar pela quinta-essência dessa chico-espertice aplicada ao cinema: uma (parcial e desajeitada) análise dos filmes nomeados para os Oscars (e de um que não está, mas devia).

 

 “O Artista” – 4.5 estrelas.

 

É um filme absolutamente fantástico, pela história, pela ideia de fazer uma película muda na época do 3D, mas, principalmente, pela realização. Michel Hazanavicius transforma com mestria uma aparente escassez de recursos numa vantagem, enfatizando magistralmente as funções da representação física e da banda-sonora (que aqui recupera a razão do seu nome). Jean Dujardin faz um enorme papel, com uma expressividade insuperável. Bérénice Bejo está também muito bem.

 

 

“Hugo” – 3.5 estrelas

 

Junta uma boa ideia a uma história razoável. Não pude ver em 3D, mas Martin Scorsese faz o habitual uso magistral das câmaras, mesmo em 2D. Todavia, confesso que o filme não me seduziu muito. A história poderia ter descolado mais do género em que se insere e algumas personagens poderiam ter sido mais bem exploradas. Em todo o caso, tem alguns trunfos: Cativaram-me por exemplo, as várias pequenas histórias que se vão desenrolando, (aparentemente) em paralelo à trama principal, apenas para depois se interceptarem, num final feliz conjunto. É um truque habitual, mas que aqui foi especialmente bem empregue.

 

“O Artista” e “Hugo” são os dois favoritos para o Oscar de melhor filme. É curioso o facto de ambos abordarem o mesmo período da história do cinema, o fim do cinema mudo. Mais curioso ainda é o facto de um o fazer recorrendo à técnica de então, enquanto o outro faz uso do 3D. Nesse aspecto, um golpe brilhante de Scorsese, que, duma penada, reconcilia o público com a tecnologia moderna e faz a devida homenagem aos primórdios do cinema.

 

"Os Descendentes” – 3 estrelas

 

Apenas mediano, com uma complexidade mais aparente do que real. Ademais, continuo sem achar George Clooney um grande actor. É um papel diferente, de facto, mas que não achei particularmente bem desempenhado.

 

"As Serviçais" – 4 estrelas

 

É um tipo de narrativa relativamente comum, o que é uma desvantagem, mas bem conseguida. Compensa essa previsibilidade com a qualidade da história, que inevitavelmente cativa o espectador. Viola Davis e Emma Stone têm notáveis desempenhos. O da primeira trazendo muitas subtilezas a um papel aparentemente simples. A segunda revelando aqui uma polivalência inesperada (tanto é capaz de fazer de miúda gira da escola como, pelos vistos, de maria-rapaz). Por fim, descobri no filme um pormenor interessante. Numa indústria incrivelmente machista como é a de hollywood (hei-de escrever aqui sobre isso), é admirável o sucesso alcançado por um filme quase sem homens.

 

"Meia Noite em Paris" – 3 estrelas

 

Este filme que, como não poderia deixar de ser (sendo de Woody Alen), saiu fora de época de Oscars, já aqui foi discutido profusamente no nosso espaço: aqui, aqui e aqui. Mantenho que é um filme agradável, e com uma mensagem interessante, mas com pouco sumo, cheio de clichés. Pareceu-me mais uma ode a Paris do que um filme amadurecido.

 

"Moneyball" – 4 estrelas

 

Tal como “The Help” é um género de narrativa algo gasto, porém igualmente bem gizado, ademais possivelmente superando aquele em originalidade da trama e em qualidade de filmagens (um bom trabalho de Bennett Miller). Acresce que é um filme sobre desporto, o que é sempre um handicap. Para quem, como eu, nada percebe de basebol, torna-se por vezes difícil de acompanhar, mas o essencial está lá. Brad Pitt mostra, mais uma vez, ser, ao contrário do “homólogo” citado acima, mais do que um sex symbol, confirmando a sua grande versatilidade. Ainda assim, não me parece suficiente para privar Jean Dujardin do prémio.

 

"Cavalo de Guerra" – 3 estrelas

 

Não há muito a dizer sobre este filme. Visualmente muito bem realizado e com uma boa banda sonora, cortesia da parelha habitual Steven Spielberg / John Williams. Mas muito atrás das obras-primas de Spielberg. Mesmo tendo em conta o género em que se abertamente, não achei que merecesse a nomeação.

 

"Os Homens que Odeiam as Mulheres" – 4 estrelas

 

Um policial de qualidade, realizado por David Fincher (não sei se bem ou mal adaptado, pois nunca li o livro). Daniel Craig cumpre e Rooney Mara revela-se, embora não deva ser suficiente para levar o Oscar.

 

"A Melhor Despedida de Solteira" – 3,5 estrelas

 

Uma comédia romântica de um estilo de que não sou grande fã. Ainda assim, consegue ser relativamente original. Pelo menos meia estrela deve-se ao desempenho de Melissa McCarthy. Lembro-me duma entrevista do Herman em que ele dizia que nenhum tipo de humor é mau, desde que seja bem feito. Melissa McCarthy prova isso mesmo.

 

"A Dama de Ferro" – 3,5 estrelas

 

É uma fita difícil de avaliar. Sendo um filme, e não um documentário, justifica-se perfeitamente a opção por uma narrativa diferente, neste caso focada no sofrimento da personagem principal, Margaret Thatcher, após morte do marido. A ideia é boa mas não especialmente bem executada, com o realizador a parecer não ter a certeza em relação a de que perspectiva adoptar. Ainda assim, é muito hábil o modo como são geridas as sempre polémicas políticas de Thatcher, sem juízos de valor. Estes vêm sempre das personagens, e não do realizador, cada uma representando os vários pontos de vista existentes. Acresce o desempenho notável de Meryl Streep, que confirma ser das únicas atrizes (quiçá a única) a conseguir sobressair num mundo em que os papéis de relevo são quase sempre masculinos.

 

 

"J. Edgar" – 4 estrelas

 

Discordando do Pedro Correia (até nestas matérias se discorda neste blogue!), acho o filme bem conseguido. Confesso-me: Leonardo Dicaprio é, provavelmente, o meu actor americano preferido. O homem não sabe fazer maus filmes: escolhe os guiões a dedo, e interpreta-os quase sempre com mestria. Não compreendo como ainda não ganhou sequer um Oscar. Tal como o filme sobre Margaret Thatcher, o realizador (Clint Eastwood neste caso) tenta seguir uma linha diferente, afastando-se do filme biográfico tradicional. Não acho, Pedro, que o objectivo tenha sido narrar uma novela gay, o próprio Eastwood numa entrevista antes de o filme ser divulgado parecia pouco interessado em seguir esse caminho. Na verdade, os rumores sobre a vida privada de Hoover teriam, caso o realizador quisesse ir por aí, dado para muito mais do que aquela relação casta que é retratada no filme (os boatos incluíam cross-dressing e orgias homossexuais). Posto isto, o filme adopta, propositadamente, uma ênfase no lado pessoal de Hoover, não deixando de contar a história da sua carreira pública, mas deixando esta em função daquela. É uma perspectiva lícita para um filme, e aqui, na minha opinião, mais bem conseguida do que na “Dama de Ferro”.

 

Mesmo tendo presente não ter conseguido ver todos os filmes, apontaria para os seguintes vencedores (não são previsões, são opiniões):

 

Melhor Filme: “O Artista”

Melhor Realizador: Michel Hazanavicius (“O Artista”)

Melhor Actor Principal: Jean Dujardin (“O Artista”)

Melhor Actriz Principal: Meryl Streep (“A Dama de Ferro”)

Melhor Actor Secundário: *

Melhor Actriz Secundária: Melissa McCarthy (“A Melhor Despedida de Solteira”)

*só vi um dos filmes seleccionados


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