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Gabriela, eu e ela

por Ana Cláudia Vicente, em 11.09.12
O remake - que ainda não espreitei, mas soube ter começado ontem - leva-me a crer que talvez devesse ter chamado a este fiapo de memória em segunda mão Eu, a minha Mãe, a Gabriela e a enfermeira-parteira Andreia, declarada admiradora dela. A presente opção, mais módica, venceu - andamos em tempo de poupança. À época da 50ª edição brasileira do romance de Jorge Amado - 1975, ano da chegada do meu irmão mais velho à existência - decidiu a Globo seriar em horário nobre a história de uma certa nordestina chegada ao litoral em mudança. Por cá, dois anos depois, reza a lenda ter sido tanta a cegueira que até o termo das sessões parlamentares regulava pela emissão daquela. Disto não estou segura. Mas sei que se cumprem neste mês trinta cinco anos sobre o dia em que a senhora mãe desta que vos escreve entrou num hospital, já perto da hora de jantar. Após a admissão, em avançado trabalho de me trazer ao convívio da restante humanidade, da parteira de serviço ouviu, incrédula, a pronta intimação:
 - Vá, vamos lá, então! Não podemos demorar! A 'Gabriela' está quase a começar!

 

[Foto: Sónia Sônia Braga, circa 1975, intérprete original das adaptações televisiva (TVGlobo; Durst/Avancini/Blota) e cinematográfica (Bruno Barreto) da Gabriela (1958) de Jorge Amado]

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Trânsito e nostalgia

por João Carvalho, em 12.01.11

Em 1913, a 5.ª Avenida já tinha um trânsito impressionante. O aspecto nostálgico desta Nova Iorque nos primórdios de Novecentos lembra Henry Ford, que revolucionou a indústria e popularizou os preços das máquinas loucas da época com o seu célebre modelo T, o primeiro automóvel produzido em série graças à concepção de uma linha de fabrico e montagem. «O cliente pode ter o carro da cor que quiser, desde que seja preto» — ironizava Ford, com o intuito de controlar o preço do carro reduzindo o supérfluo.

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Um miúdo, um cavalo, um cão

por Pedro Correia, em 31.07.10

 

 

Da minha infância guardo calorosas recordações de uns livrinhos escritos por uma autora com um belo nome que jamais esqueci: Cécile Aubry. Esses livros narravam as aventuras de Poly, um pónei, e do seu dono, um miúdo que teria a minha idade à época. As aventuras de Poly, a par dos álbuns de banda desenhada, ajudaram-me ainda em criança a ler e amar a língua francesa - o que viria a ser reforçado com a adaptação dessas histórias a uma série televisiva que me prendia a atenção dado o meu gosto de sempre por animais. O próprio filho da autora interpretava esta e uma outra série - Belle e Sébastien, em que o pequeno cavalo dava lugar a um grande cão.

Nunca mais ouvi falar em Cécile Aubry. Até esta semana, quando soube da notícia da sua morte. Antes de se dedicar à literatura infantil, como autora de grande sucesso, tinha-se destacado como actriz em filmes como Manon, de Henri-Georges Clouzot, hoje um clássico do cinema francês, e A Rosa Negra, ao lado de Tyrone Power e Orson Welles. O rosto correspondia ao nome: era uma mulher muito atraente - como se comprova pelas capas da Life e da Paris Match aqui reproduzidas - que, no entanto, não se deixou enredar nas malhas do show business.

Escrevo estas linhas e sinto que estou a discorrer sobre tempos pré-históricos: Cécile Aubry é um nome oriundo de um mundo que deixou de ser o nosso. Um mundo muito mais simples, em que uma tarde de Verão podia ser preenchida a ler exemplares da revista Tintim, romances como O Príncipe e o Pobre, de Mark Twain, ou as narrativas desta mulher que abandonou o cinema para encantar a minha geração com histórias de miúdos e dos respectivos animais de companhia.

Histórias de um mundo ainda sem computadores que deixaram um rasto de ternura imune à erosão do tempo e à voracidade de todas as modas.

 

 

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Coca-Cola e Nostalgia

por João Carvalho, em 23.03.10

Mais uma excelente foto de Chicago dos finais do século XIX (circa 1895/1900). No quarteirão em frente, destacam-se dois prédios: o Great Nothern Hotel, a fazer a esquina virada para a objectiva, e um edifício de escritórios, ainda mais alto. A volumetria variada dos quarteirões compensa os edifícios mais elevados, equilibrando o conjunto.

No ambiente nostálgico da imagem, uma particularidade curiosa é que, numa das lojas comerciais que estão nessa mesma esquina (a que está sem toldo, virada para a rua principal, por baixo do nome do  hotel), há um letreiro que se considera ser o primeiro anúncio da Coca-Cola em espaço público.

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Luxo e nostalgia

por João Carvalho, em 02.03.10

Esta foto, que ronda o ano de 1926, foi tirada em Washington, D.C. (where else?) e tem todos os ingredientes de luxo da época. O lugar não parece sugestivo, mas é o lugar do estabelecimento do concessionário da marca do carro. O resto está à vista: o Cadillac de 1926, o rico proprietário do Cadillac em pose de rico-proprietário-do-Cadillac e o motorista "de cor" ao volante com o "lulu" da patroa ao colo. A patroa? Ora, é a mulher do capitalista e foi só ali à loja de alta costura em frente comprar um chapéu de plumas.

Pode não ser uma bela paisagem urbana, mas – não sei se concordam – tem o seu quê de nostálgico.

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Crime e nostalgia

por João Carvalho, em 18.02.10

I — Chicago e o gangster

Esta excelente fotografia data de 1 de Setembro de 1900. É uma Chicago com o seu quê de nostálgico (junto ao cruzamento da Avenida Wabash com a Rua Adams, para quem conhece).

Nessa altura, Alphonse Gabriel Capone – Al Capone – ainda andava ao colo: não tinha completado dois anos e morava com os pais na sua Brooklyn natal.

Mais tarde, já em Chicago, Al Capone viria a estabelecer o seu 'quartel-general' no Lexington Hotel (aqui fotografado no início dos anos 90), então mais conhecido como o "castelo de Capone". Infelizmente, o edifício foi demolido em 1995.

Al Capone foi alvo de diversos gangs rivais, um dos quais 'limpou' a sua tropa de guarda-costas e não acabou com ele por pouco, em 1926. Reforçada a sua segurança pessoal, Al decidiu ter um carro blindado e com vidros e pneus à prova de bala. A escolha recaiu num Cadillac 341A Town Sedan, de 1928, o qual seria penhorado pela Fazenda Pública quando ele foi preso por fuga aos impostos e diversas irregularidades, três ou quatro anos mais tarde.

Esse automóvel ia entrar para a História dos EUA.

 

II — Roosevelt e o Cadillac

Tinham passado cerca de dez anos e Al Capone acabava de ser transferido para Alcatraz.

No dia 7 de Dezembro de 1941, poucas horas depois do ataque a Pearl Harbor, os serviços secretos norte-americanos sentiam-se impotentes perante o sarilho em que acabavam de ser metidos: no dia seguinte, Franklin D. Roosevelt ia fazer ao Congresso o discurso de indignação perante a traiçoeira e mortal investida japonesa («a date which will live in infamy») e, embora o percurso entre a Casa Branca e o Capitólio fosse curto, os agentes não sabiam como transportar o presidente com a segurança máxima que era requerida.

A Casa Branca tinha uma limousine especialmente construída para o presidente, regularmente utilizada, mas não era à prova de bala e estava fora de alcance arranjar um carro blindado de um dia para o outro, menos ainda ao custo contido que o governo impusera para a compra das viaturas oficiais. O discurso estava marcado para o meio-dia e não restavam muitas horas. Foi quando um dos agentes teve a ideia: havia um Cadillac apreendido há uns anos que era blindado e à prova de bala, guardado num parque do Tesouro Nacional.

Pintado de verde e preto para se parecer com os carros da Polícia de Chicago à época, com uma sirene especial e luzes intermitentes escondidas no interior da grelha, levou um rádio-comunicador das forças policiais, foi todo limpo e passou a noite em testes para assegurar que tudo correria bem.

Correu tudo bem. Quando um repórter disse depois ao presidente de onde tinha saído o carro, Roosevelt comentou: «I hope Mr. Capone won’t mind.»

O histórico Cadillac de 1928 do famoso gangster continua de boa saúde e recomenda-se: foi vendido em leilão para integrar uma nova colecção ainda há menos de quatro anos.

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Neve e nostalgia

por João Carvalho, em 09.02.10

Washington acaba de apanhar um nevão como não há memória. A 14 de Janeiro de 1939, a limpeza do manto de neve na escadaria do Capitólio fazia-se com a paciência e o vagar de outros tempos. Por isso é que tem hoje o sabor nostálgico das memórias.

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Macau, 1961

por Pedro Correia, em 16.03.09

 

A deslumbrante baía da Praia Grande, captada do histórico Hotel Bela Vista, numa altura em que Macau não era só conhecida pelos seus casinos. Em segundo plano distingue-se o antigo Liceu Infante D. Henrique e, ao fundo, a colina da Guia.

 

Tirada daqui

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