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O postal que aqui deixei sobre a monográfica de Joaquín Sorolla no Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA) tem um post scriptum sobre o término de funções da direcção daquele museu. Ontem, o Diário de Notícias publicou uma entrevista ao director cessante, António Filipe Pimentel, interessantíssima para compreender as razões da direcção, o comportamento da tutela e as necessidades da Cultura em Portugal. Merece ser lida.

A entrevista dá para longas páginas de análise. Cinjo-me a dois pontos. Primeiro, o Ministério da Cultura prevê agora atribuir um NIF aos museus, passo elementar para um módico de autonomia, uma reivindicação antiga de Pimentel que S. Exa. a Ministra da Cultura terá recusado sempre – aparentemente, a reivindicação tornou-se atendível após a direcção do MNAA ter manifestado a sua indisponibilidade para continuar em funções.

Segundo, nos museus, como em tantos outros domínios públicos, a austeridade não só se mantém como é hoje mais intensa. Pior, e porventura reflexo de posicionamento ideológico, a tutela trata como iguais coisas que são manifestamente diferentes. Para efeitos de enquadramento do assunto, note-se que a colecção do MNAA é a “única coleção de relevância internacional existente em Portugal. Não é por acaso que, no ano passado, estiveram emprestadas 150 peças e 450 outras de toda a parte do mundo que vieram para exposições nossas.”

A par da sua importância estritamente cultural, os museus e as instituições culturais podem ser armas potentes na projecção externa de um país. Pimentel refere, e bem, o papel desempenhado pelo Museu do Prado na “marca Espanha”. Aliás, sem entrar no debate público vs privado, instituições como o Prado, o Thyssen-Bornemisza, o Reina Sofia e o Caixaforum Madrid mostram de maneira muito tangível como se cria e divulga uma imagem positiva de  Espanha no mundo.

Em 2014, os habituais vultos da cultura pátria e os intelectuais de ocasião congregaram-se em torno a António Costa, pois só ele poderia acabar com a austeridade e com a "falta de visão" no sector. A Cultura apoia António Costa, lia-se no cabeçalho do manifesto com cerca de 600 subscritores. Salvo o erro, nenhum se pronunciou ainda sobre o estado de coisas no MNAA, nem mesmo o inefável e antes muito activo António-Pedro Vasconcelos – o mesmo Vasconcelos encabeçou o protesto contra a privatização da TAP e agora, com a companhia aérea novamente na esfera de influência do Estado, nada tem a dizer sobre o facto de esta liderar o ranking mundial de atrasos.

Vale o que vale, mas à direcção cessante do MNAA desejo as maiores felicidades. Já a nós, os que fruímos de bens culturais, desejo paciência. Estamos condenados aos caprichos de uma tutela errante que se vê imbuída de uma missão civilizadora e, claro, aos inconsequentes vultos da cultura nacional.

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Sorolla em Lisboa

por Diogo Noivo, em 07.01.19

Joaquín Sorolla (1863-1923) é um nome maior da pintura espanhola, celebrizado pela reprodução magistral da luz nas praias mediterrânicas. A luminosidade, na sua infinita complexidade, e os reflexos tortuosos do brilho são retratados com uma qualidade fotográfica que não se limita ao real e apela à imaginação.

sorolla.jpg

Corriendo por la playa (Valência, 1908)

 

São igualmente admiráveis os retratos por ele traçados, uns por agradecimento a mecenas, outros por curiosidade, e outros por profunda ternura e amor – Clotilde García del Castillo, mulher de Sorolla, é uma constante nas várias fases do trabalho do pintor. Ficou para a História o retrato de D. Alfonso XIII, pintado ao ar livre na lindíssima Granja de San Ildefonso, na província de Segóvia. O monarca não é de boa memória – cedeu o passo a Primo de Rivera e enterrou o regime da Restauración –, mas o quadro é dos mais emblemáticos da época.

Alfonso XIII.png

Retrato del Rey Don Alfonso XIII con el uniforme de husares de Pavía (Segóvia, 1907) e fotografia do processo de pintura.

 

Não tenho especial sensibilidade ou apetência por artes plásticas, mas o fascínio pela obra de Sorolla já me fez correr meia Espanha e, naturalmente, levou-me ao Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa, à exposição “Terra Adentro”, a primeira monográfica do pintor em Portugal. O acervo exposto é menos célebre, porque mais telúrico. É, ainda assim, uma mostra a não perder: está bem organizada, a escolha das obras é cuidada e inteligente. Permite conhecer algumas das fases do prolífico Sorolla, pintor inexplicavelmente desconhecido por estas paragens.

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(os quadros são notáveis, o fotógrafo é que nem por isso)

 

Para saber mais sobre Sorolla e sobre esta monográfica, que pode ser visitada até ao dia 31 de Março, recomendo a leitura deste artigo no Público e de este outro no Babélia, o suplemento cultural do jornal El País, escrito por Antonio Muñoz Molina.

 

Post Scriptum – lamento a demissão da direcção do Museu Nacional de Arte Antiga, cujo desempenho foi francamente positivo. A direcção cessante não pedia mais dinheiro, apenas mais autonomia. Parece que o Governo de turno, que se arroga o direito de definir o que é civilização e cultura, pretende dar continuidade a lógica omnipresente e omnipotente (e fortemente subsidiada) da gestão centralizada.

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A paixão do jornalismo no News Museum

por Alexandre Guerra, em 26.04.16

“É a maior experiência de Media e Comunicação da Europa.” É desta forma que o News Museum se apresenta no seu site e posso garantir, porque tive o privilégio de o visitar antes de ser inaugurado na noite de 24 para 25, que não é exagero. Aliás, conta quem sabe, este novo espaço dedicado à história do jornalismo e comunicação é bastante superior àquele que já existe há alguns anos em Washington. Na verdade, da parte dos responsáveis do News Museum, houve um cuidado em inovar e apresentar algo diferenciado ao que já existia. O resultado é simplesmente surpreendente, numa mistura muito bem conseguida entre o conteúdo e a forma.

 

Este projecto teve o contributo de vários profissionais da comunicação, nomeadamente de grandes referências do jornalismo em Portugal, de meios de comunicação social, e envolveu, seguramente, um investimento de muitos milhares de euros e o recurso a “know how” e software desenvolvido de raiz por algumas das empresas do grupo LPM Comunicação.

 

O News Museum representa um marco importante em Portugal a vários níveis. Não apenas pelo projecto em si, que é simplesmente obrigatório para quem gosta de jornalismo e comunicação e para quem cultiva o conhecimento da história e da sociedade contemporâneas, mas também porque materializa a visão daquilo que, como eu falava com alguém durante a visita, é um projecto inédito de gestão de reputação e notoriedade. Algo a que em Portugal não estamos habituados a ver por parte do sector privado, já que, normalmente, tudo o que é criado em termos de oferta do conhecimento à sociedade ou é feito à “sombra” do Estado ou é desenvolvido por empresas que durante décadas foram monopolistas e que hoje se apresentam como “privadas”, e quase que têm uma obrigação moral de servir a comunidade para além dos serviços que “cobram”.

 

O News Museum não surge de qualquer obrigação empresarial, mas sim de uma espécie de filantropia misturada com um legítimo interesse próprio. Embora tenha sido concretizado por uma equipa específica, é a Luís Paixão Martins que se deve a sua criação, o mesmo que há cerca de trinta anos trouxe para Portugal conceitos e metodologias de comunicação insitutucional para o mundo económico, empresarial e, mais tarde, político. A verdade é que houve um antes e um depois do LPM no que à disciplina das “public relations” em Portugal diz respeito. Tornou-se num dos homens mais relevantes da comunicação institucional em Portugal, se não o mais importante, construindo uma reputação sólida e uma empresa de sucesso, e hoje dá corpo àquilo que é, sobretudo, um monumento vivo e interactivo à paixão do jornalismo.

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Doze obras-primas dos museus de França (12)

por Sérgio de Almeida Correia, em 10.07.14

Um pintor de cabeleira azul segurando a paleta na mão esquerda enquanto o modelo posa. Em rigor, este modelo nunca terá posado, bastando ao pintor a sua proximidade, a sua presença. O modelo era Jacqueline Roque, a última mulher do pintor. Picasso (1881-1973) cruzou-se com aquela com quem viria a casar-se em 1961 por altura do falecimento de Matisse. Quando este morreu Picasso terá dito que dele recebia em testamento os seus modelos, as "odaliscas". Quando casou com Jacqueline o corpo já não tinha a vitalidade e a força da juventude, pelo que o olhar e o pincel do pintor tornam-se nos substitutos da relação carnal. Entre o final de 1962 e 1963 dedicou a Jacqueline uma série de pinturas, entre as quais Le peintre et son modèle dans l'atelier (1963). Nesta fase, Picasso usa pinceladas largas, as cores são mais imprecisas e as formas simplificadas. A este propósito acabaria por confessar um dia: "levei toda a minha vida para saber desenhar como uma criança".  

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Doze obras-primas dos museus de França (10)

por Sérgio de Almeida Correia, em 08.07.14

 

Apresentado como Still life with a magnolia, esta obra de Henri Matisse (1869-1954) foi pintada em 1941, fazendo parte da colecção do Centro Pompidou. O uso livre da cor como caminho para a expressão da arte está aqui bem presente. A criação da arte através da cor recorrendo a formas simples e lineares que a realçassem. Figura de proa do fauvismo, grande precursor da arte moderna, considerado por alguns o mais francês de todos os pintores do século XX, teria influência decisiva no movimento de pintores abstraccionistas norte-americanos das décadas de cinquenta e sessenta. Mais do que um desenho, a cor seria uma libertação, de certa forma dando corpo a uma ideia que muitos anos depois Picasso retomaria numa outra perspectiva: "é preciso ver toda a vida como quando se era uma criança".  

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Doze obras-primas dos museus de França (9)

por Sérgio de Almeida Correia, em 07.07.14

A apreensão do instante, a mulher amada levada pelo sonho, pelo silêncio e a melancolia, numa cena de profunda tranquilidade. Pierre Bonnard (1867-1947) deixou-nos aqui a "fotografia" de Marthe Bonnard, que nascera Boursin e depois se tornou Marthe de Méligny antes de acabar Bonnard, e por quem o pintor se apaixonou depois de a ter conhecido em circunstâncias pouco usuais. Pierre salvou Marthe de um acidente de autocarro e rapidamente se perdeu de amores pela mulher que se tornaria a sua musa e com quem casaria em 1925. O quadro, datado deste mesmo ano, faz parte de um conjunto de cerca de mil outros onde ela aparece, alguns deles nus verdadeiramente impressionantes ainda este ano expostos em L’Annonciade, Museu de Saint-Tropez, numa mostra dedicada aos nus que terminou no passado mês de Junho. Para se perceber a influência de Marthe na obra de Pierre Bonnard convém ter presente que o artista pintou cerca de quatro mil telas. Inserido por alguns já no movimento pós-impressionista, Bonard fez parte do chamado grupo de artistas experimentalistas, conhecido por Nabis, palavra derivada do hebraico "nebiim" que significava "profetas". Admiradores de Gauguin, o grupo incluía os nomes de Maurice Denis, Paul Sérusier, Paul Ranson, Édouard Vuillard e Ker Xavier Roussel. Bonnard tornar-se-ia mais tarde no líder do grupo dos intimistas. O corpete vermelho, conhecido como Le corsage rouge, é considerado um dos expoentes da sua versátil obra. O artista pinta a realidade como a sente, já não como ela surge aos seus olhos.   

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Doze obras-primas dos museus de França (8)

por Sérgio de Almeida Correia, em 06.07.14

Este quadro resulta de uma encomenda ao pintor Charles Le Brun (1619-1690) pelo retratado, que o declarou "o maior pintor de França do século XVII". Nunca um pintor gozou de tamanha resplandecência na história de França. Louis XIV, Roi de France et de Navarre, é a imagem de "L´État c´est moi". O pai morrera em 1643 quando o jovem príncipe tinha apenas 5 anos. Após a morte de Luís XIII foi sua mãe, Ana de Áustria, quem apoiada pelo antigo ministro do Rei, o célebre Cardeal Mazarin, assumiu a regência até que o novo soberano atingisse a maioridade real aos 13 anos. O monarca tinha nesta altura 23 anos. O quadro faz parte da vontade de afirmação do soberano e nele ressalta a armadura com a flor-de-lis e o cordão azul da Ordem dos Cavaleiros do Espírito Santo. A imagem do rei pretende transmitir a marca de um chefe respeitado, corajoso e grandioso, de um homem senhor de si que quer afirmar o seu poder perante os súbditos. O quadro que integra a Colecção do Château de Versailles, por depósito do Museu do Louvre, estará em Macau até 7 de Setembro.

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Doze obras-primas dos museus de França (7)

por Sérgio de Almeida Correia, em 05.07.14

O ar livre, o jardim, as pessoas tal como elas são em cenas do quotidiano. Tal como Monet, Degas, Sisley ou Pissarro, Auguste Renoir (1841-1919), foi um dos pintores inseridos na corrente do impressionismo. Sendo senhor de uma técnica que combinava o que aprendera no seu anterior ofício de porcelanista com os ensinamentos impressionistas dos seus contemporâneos e os técnicas tradicionais de utilização das tintas, o quadro Le balançoire (1876) é um pedaço da realidade do seu tempo. A imagem aqui reproduzida não permite apreciar a efusão da cor pela tela, o traço rápido do pincel, o branco majestoso do vestido, os rostos límpidos e serenos, os raios de sol que atravessam a copa das árvores e deixam o chão pintalgado. A paz, a serenidade e a tranquilidade libertam-se da tela para nos invadirem e transmitirem uma imensa sensação de doçura, tão bem expressa na imagem da menina junto à árvore.

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Doze obras-primas dos museus de França (6)

por Sérgio de Almeida Correia, em 04.07.14

Quatro anos depois de ter chegado a Paris, o grande mestre do impressionismo Claude Monet pintou La Rue de Montorgueil à Paris, Fête du 30 Juin de 1878. "Aqui, o ponto de vista e a técnica adoptados pelo pintor são notáveis. No eixo da rua e em altura, representa a totalidade do espectáculo. O alinhamento das fachadas e das bandeiras cria uma perspectiva que guia o olhar ao longe. Para representar a multidão, o céu ou as bandeiras, o pintor aplica sobre a tela diversas pequenas pinceladas de cor. Não existe qualquer linha a formar os contornos ou os detalhes. De perto, tudo parece desintegrado. Mas, observados ao longe, a cor e o contraste recompõem perfeitamente uma impressão da realidade". A rua, como escreveu o pintor, "estava negra de gente" e ele viu uma varanda, a que subiu para pintar.

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Doze obras-primas dos museus de França (5)

por Sérgio de Almeida Correia, em 03.07.14

Esea quadro de Adolph Ulrick Wertmüller (1751-1811), que faz parte da Colecção do Château de Versailles, está datado de 1788. É considerado um dos mais belos quadros de Marie-Antoinette, Rainha de França, nos seus 33 anos. Apesar de no meu conceito estético e de beleza o modelo ficar muito a desejar, os detalhes do rosto e os olhos, dizem os entendidos, terão sido captados na perfeição, deles emanando todo o seu charme. Mas como o que interessa é a qualidade da obra e o prodígio do traço, da cor e da luz, registe-se que a senhora é apresentada envergando uma jaqueta própria para montar a cavalo de tipo inglês e um chapéu à crioula, sinais do seu interesse pela moda e pelo luxo, que a tornaria tão impopular numa altura em que o seu povo vivia na miséria. Seria executada cinco anos depois.

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Doze obras-primas dos museus de França (4)

por Sérgio de Almeida Correia, em 02.07.14

Recortado na luz e na sombra, a imagem do apóstolo que só acreditou na ressurreição de Cristo quando lhe tocou na carne, regista o Santo como uma pessoa normal, rodeada pela sobriedade, como um homem cuja vida é igual à dos outros. Pintado por volta de 1663, São Tomás com uma lança é um produto da arte de Georges de La Tour, que viveu entre 1593 e 1652. O quadro faz parte da sua série de pinturas dedicadas aos apóstolos. Tem a particularidade de estar assinado e ter no canto superior direito uma inscrição em latim dando conta de que foi o próprio quem o pintou. A lança é um atributo tradicional da figura de S. Tomás, mas neste caso evocará a sua morte na Índia, segundo reza a lenda em Mylapore (Chennai), no estado de Tamil Nadu. Na sua mão esquerda estão os Evangelhos, essenciais para a divulgação da palavra de Deus.   

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Doze obras-primas dos museus de França (3)

por Sérgio de Almeida Correia, em 01.07.14

Este é um quadro que impressiona pelo pormenor do desenho e a intensidade das sombras nas vestes do retratado. Trata-se do Retrato de Francisco I, Rei de França, quadro pintado por volta de 1530 da autoria de Jean Clouet (1480-1540). Famoso por ter sido um amante da arte e um dos mecenas do seu tempo,o rei foi pintado no Castelo de Fontainebleau. Vestido à italiana, sem os atributos da função, o quadro reúne a precisão do realismo flamengo com a influência dos pintores italianos da Renascença. Ao peito, o colar da Ordem de S. Miguel, da qual era o grande mestre, é de um rigor inexcedível.

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Doze obras-primas dos museus de França (2)

por Sérgio de Almeida Correia, em 30.06.14

A paixão entre um homem e uma mulher foi sempre motivo de inspiração para qualquer artista. Da poesia à música, passando pela literatura e a pintura. O Ferrolho, de Jean Honoré Fragonard (1732-1806), é mais um desses exemplos. Pintado por volta de 1777, depois de uma segunda viagem a Itália e do rompimento do pintor com Madame du Barry, a amante favorita de Luís XV, esta tela retrata uma cena de paixão e reflecte as influências e a admiração que o artista terá tido pelos mestres do Barroco (Rubens) e da Escola Holandesa (Rembrandt), inaugurando um novo estilo. As cores, em tons pastel, típicas do Rococó, apresentam-se neste quadro como uma ponte entre as cores fortes do Barroco e o período neoclássico. Para alguns tratar-se-ia de uma resposta a Viens, a favor de quem o pintor perdeu o apoio de Madame du Barry. O quadro é atravessado por uma linha imaginária que liga o ferrolho à maçã, não se percebendo se a cena antecede ou sucede ao encontro entre os amantes. Se por um lado se fica com a sensação de que o ferrolho está a ser corrido, por outro verifica-se que as almofadas estão em desalinho. Um quadro que há muitos anos não via e que voltou a impressionar-me pela cor e a luz que o atravessam.   

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Doze obras-primas dos museus de França (1)

por Sérgio de Almeida Correia, em 29.06.14

Da autoria de Fraçois Boucher, pintor que viveu entre 1703 e 1770, "Diana saindo do banho" foi pintado em 1742 e mostra a deusa, depois de uma caçada e de um banho retemperador, a preparar-se para se arranjar enquanto segura um colar de pérolas. A seu lado uma ninfa que a ajuda. O quadro é todo ele um hino à feminilidade e à beleza da mulher, sendo Diana apresentada em toda a sua graça e sensualidade, em comunhão com a natureza. A luz vem toda da esquerda e a profundidade do azul faz realçar ainda mais a frescura e brancura da pele da deusa e o verde da vegetação. Ao seu lado, no chão, os troféus da caçada.

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Blogue da Semana

por Ana Cláudia Vicente, em 28.12.13

 [FLS, MAFLS]

 

Antes de mais, e já que ainda vos apanho na oitava natalícia, faço votos para que (trabalhando ou feriando) continuem a celebrar a quadra com ternura e boa disposição.

Gostava de vos recomendar nesta semana um blogue cuja minúcia e detalhe vão bem a par da sua matéria: chama-se Memórias e Arquivos da Fábrica de Loicas de Sacavém. Através da exposição das razões e inspiração inscritas em cada objecto, o seu autor - que não consegui identificar- torna possível sabermos um pouco mais sobre o nosso país na época da sua produção. Para mais, o dito autor/a parece tão ou mais recomendável que a obra: uma busca no Sapo permite intuir um daqueles polígrafos inspirados e curiosos que as novas plataformas de publicação em rede têm trazido ao conhecimento público. Um caso a seguir.

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Um museu a visitar

por Ana Lima, em 06.08.11

Não há descrições da região do Douro que não falem da dureza do trabalho que teve que ser levado a cabo para construir uma paisagem como a que vemos quando percorremos as margens do rio. Miguel Torga escrevia, num dos textos mais conhecidos: “No Portugal telúrico e fluvial não conheço outro drama assim, feito de carne e de sangue…”. Não que seja sequer comparável mas, até para percorrermos os caminhos, feitos de subidas  e descidas, curvas e curvas e mais curvas precisamos de travar uma batalha, nós que estamos agora habituados às auto-estradas e vias rápidas. Mas, chegados ao nosso destino, sentimos que naquela batalha não houve vencidos pois se é o rio que impõe o seu ritmo ao viajante é este que se sente como se fizesse já parte daquela paisagem.

  

 

Foi essa sensação de pertença àquele lugar que, tenho a certeza, os arquitectos do museu do Côa (Tiago Pimentel e Camilo Rebelo) sentiram quando visitaram o lugar onde se construiria depois o edifício que actualmente se ergue não muito longe da foz do rio com o mesmo nome. A interferência humana na paisagem está ali bem presente mas é respeitadora  da organização que a natureza impôs e, no seu exterior, é possível observá-la em toda a sua beleza.

 

 

E depois há o interior onde podemos aprender muito sobre a ocupação do vale ao longo da história; sobre as gravuras; ver materiais recolhidos e réplicas magníficas; perceber as fundamentações das várias teorias; conhecer os aspectos mais técnicos do trabalho desenvolvido até agora.

 

 

Por todas estas razões é um local a não perder antes ou depois da visita aos núcleos das gravuras propriamente ditas. E nem é preciso estar de férias. Um fim de semana é suficiente. Além disso é uma oportunidade para percebermos que valeu a pena preservar aquele património que, desde 1998, é de toda a humanidade.

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Museus

por Ana Lima, em 19.05.11

Nesta quarta-feira, dia 18, comemorou-se o Dia Internacional dos Museus. Quase todos, gratuitamente, permitiram a entrada nas suas exposições. Apesar de este ano não ter aproveitado esta situação partilho aqui algumas reflexões acerca da função e actualidade dos museus.

Partindo de uma atitude de simples acumulação de objectos os museus nasceram com o objectivo de classificar esses mesmos objectos dando-lhes uma ordem, protegendo-os e valorizando-os. Mas só após a Revolução Francesa e o desenvolvimento dos nacionalismos se passa da ideia de colecção à de património contribuindo para reforçar as identidades colectivas em formação (não podemos esquecer as campanhas de Napoleão que encheram os museus franceses de peças “do império”). Mas, apesar dessa vocação democrática, de abertura ao povo, os museus apresentam-se em grandes palácios com escadarias monumentais que impressionam e restringem o acesso. Só bem mais tarde, já no séc. XX, se abandona a noção do museu como um templo ou um instrumento de educação e cultura ao serviço do poder instituído para se pôr ao serviço da sociedade, através, por exemplo, da participação da comunidade mais próxima, abrindo-o a exposições temporárias que reflectem a visão de determinados grupos unidos por questões profissionais, de idade, de interesses.

O museu, hoje em dia, já não é o local onde se vai em dias de chuva, quando não há nada mais interessante para fazer, espreitar para vitrines cheias de pó e onde não se pode tocar, falar, rir; mas um espaço apelativo que oferece múltiplas escolhas e que está ao serviço do público.

Mas para que esta situação seja real, o que vemos num museu tem que ser apresentado de modo claro e não hermético, articulando os objectos uns com os outros e com os contextos que os tornam perceptíveis.

Mas, sendo assim, quais os critérios para a escolha dos objectos que são dignos de serem conservados e expostos? Sobretudo numa altura em que a noção de património se alargou a quase tudo, da obra de arte reconhecida até aos objectos do quotidiano doméstico, até às memórias pessoais. E as formas podem ir da pintura e escultura clássicas ao património musical, às tradições orais de determinada comunidade, do material ao imaterial. Ora se tudo é património onde se poderá conservá-lo, exibi-lo? Numa altura em que o número de museus continua a aumentar a discussão de questões como estas parece importante. Não se estará com este alargamento a contribuir para o desaparecimento dos próprios museus, pelo menos da forma como têm sido entendidos até aqui?  

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