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Vazios

por Sérgio de Almeida Correia, em 13.01.19

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Quando era miúdo não apreciava por aí além, até as coisas mudarem depois de adulto. De Verão nunca foi uma tentação, mas a partir do Outono e, em especial, durante os dias de inverneira azul dava por mim, muitas vezes, a pensar quando chegaria o Domingo para irmos comer um cozido à portuguesa. Sem frango nem batatas, que para mim sempre estavam a mais.

Hoje quis cumprir esse ritual e fui à procura do cozido. Não há?, foi ontem. Ontem? Mas ontem foi sábado. E ninguém avisa? Pois, agora é assim.

Vai ser menos uma preocupação. Até que possa voltar à Paisagem e ao senhor Paulo, ou ao Camponês, acabou-se o cozido ao Domingo. Passa a ser um dia como todos os outros.

Sem cozido, é certo, mas também sem o espectáculo da mesa da frente, onde um cachorro vestido de rapaz, com o impermeável azul que devia ter ficado à porta, lambia sofregamente o prato do doce. No final a mãe limpou-lhe a boca. 

Os tempos mudam. E não avisam.

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Tudo se transforma

por Pedro Correia, em 10.12.17

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Este foi o último fim de semana em que se tornou possível comprar um exemplar do El Mundo nos quiosques portugueses. Na próxima quinta-feira cessará a distribuição no nosso país do influente diário espanhol, a partir daí só disponível para nós na versão digital. É mais uma etapa no progressivo confinamento da imprensa aos meios electrónicos, tendência iniciada no virar do século.

Confesso a minha predilecção pelo papel, embora seja sensível ao argumento ecológico e não ignore os incomportáveis custos de impressão e distribuição associados às publicações que dependem de uma empresa gráfica para circularem no mercado. É portanto com nostalgia antecipada que me preparo para dizer adeus a um hábito de longos anos: folhear um dos meus jornais europeus preferidos, sublinhá-lo e recortá-lo e transportá-lo para qualquer lado.

Deixarei de ler em papel os textos de jornalistas e colunistas de que tanto gosto, como Lucia Méndez, Jorge Bustos, Emilia Landaluce, Manuel Hidalgo, Santiago González, Carmen Rigalt ou Arcadi Espada. E de saborear no mesmo suporte o humor sarcástico do cartunista Ricardo ou da dupla Gallego & Rey em caricaturas como as que aqui reproduzo, com vénia irónica mas sinceramente grata.

Por cá terei apenas a opção de reencontrá-los no ecrã. Mas não os afastarei da vista. Nada se perde, tudo se transforma.

 

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A ler

por Sérgio de Almeida Correia, em 28.05.16

"Austerity policies not only generate substantial welfare costs due to supply-side channels, they also hurt demand—and thus worsen employment and unemployment. The notion that fiscal consolidations can be expansionary (that is, raise output and employment), in part by raising private sector confidence and investment, has been championed by, among others, Harvard economist Alberto Alesina in the academic world and by former European Central Bank President Jean-Claude Trichet in the policy arena. However, in practice, episodes of fiscal consolidation have been followed, on average, by drops rather than by expansions in output. On average, a consolidation of 1 percent of GDP increases the long-term unemployment rate by 0.6 percentage point and raises by 1.5 percent within five years the Gini measure of income inequality (Ball and others, 2013).­
In sum, the benefits of some policies that are an important part of the neoliberal agenda appear to have been somewhat overplayed. In the case of financial openness, some capital flows, such as foreign direct investment, do appear to confer the benefits claimed for them. But for others, particularly short-term capital flows, the benefits to growth are difficult to reap, whereas the risks, in terms of greater volatility and increased risk of crisis, loom large.­
In the case of fiscal consolidation, the short-run costs in terms of lower output and welfare and higher unemployment have been underplayed, and the desirability for countries with ample fiscal space of simply living with high debt and allowing debt ratios to decline organically through growth is underappreciated." - aqui, na página do FMI, seguindo a notícia do The Guardian, 27 de Maio de 2016

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Finalmente 44/46

por Helena Sacadura Cabral, em 10.08.14

Quando era nova vestia o tamanho 38/40. Não era gorda, mas estava longe de ser um conjunto de ossos ligados por tecido muscular. Era o que se chama de portuguesa padrão, talvez mais alta do que a média, com os meus 1,67.

Nesse tempo as mulheres desejavam-se relativamente roliças e ainda não tinha despontado a moda dos modelos S ou XS, que protagonizam seres famélicos que só a maquilhagem consegue valorizar. E que quando desfilam exibem entre pernas um arco que compete com o da Rua Augusta. Inveja, dirão uns e, possivelmente, têm razão...

Com a idade o tamanho foi aumentando e a altura diminuindo. Sempre encarei o processo como normal e quando estava mais gorda, tinha o cuidado de me não ver de perfil. Assim fui continuando e, dever-se-ão decerto aos quilos a mais que tenho, a lisura da pele que possuo.

Entretanto, um dos meus filhos teve de emagrecer e eu pus-me à labuta, para encontrar receitas agradáveis, mas dentro dos limites que lhe haviam sido impostos. Foi deste modo que ele perdeu oito quilos e eu ganhei mais um livro que, ainda hoje, continua a dar-me direitos de autor, ou seja, a ser vendido.

Acabo de saber que o Calendário Pirelli escolheu este ano Candice Huffine, 29 anos, americana, 1,80 e pernas quilométricas como uma das protagonistas da próxima edição apesar dos seus 90 quilos peso. 

A modelo “plus size” está entre as mais requisitadas para desfiles e editoriais de moda em todo o mundo. É uma escolha revolucionária na história de um dos mais famosos calendários, que pode significar que as futuras modelos talvez venham a ser mais reais e não um fonte de transtornos alimentares. 

Claro que eu não passei, por este facto, a ser magra. Mas talvez passe a ter mais por onde escolher... 

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Mudança de hora (2)

por Luís Menezes Leitão, em 04.04.14

 

 

Fui muito criticado por ter defendido neste post os enormes malefícios e riscos para as pessoas da mudança da hora. Agora vejam aqui se eu não tinha razão.

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Em nome da MAC, talvez... fazer

por Rui Rocha, em 13.04.12

Tal como acontece com 99,78% dos portugueses que já se pronunciaram, não percebo um caraças do assunto. Isto dito, constato que têm sido produzidos abundantes argumentos e até alguns não-argumentos para defender a continuidade da MAC. No que diz aos não-argumentos, eles foram apresentados pelo Daniel Oliveira, com razoável poder de síntese, neste post. Quanto aos argumentos, agrupei-os em categorias e atrevo-me a fazer na tabela que se segue alguns comentários tão ignorantes como bem intencionados (sublinho que, em geral, as observações de outros comentadores podem ser catalogadas como ignorantes e mal intencionadas ou conhecedoras mas mal intencionados, dispensando-me neste preciso momento de tecer quaisquer considerações sobre o efeito da utilização de uma adversativa):

Isto é, se querem defender a MAC deviam perder mais tempo a estruturar argumentos para que não fosse possível a um tipo que não percebe do assunto rebatê-los com uma tabela mal amanhada. Da mesma maneira, não me parece grande trunfo comparar a situação da MAC com encerramento de maternidades em outros pontos do país. É que, no caso da MAC, a alternativa não está  a mais de 50 km de distância. Significa isto que não vejo solução para a MAC? Nada mais falso. O que é preciso é dar utilidade à capacidade instalada por via do aumento da natalidade. E, basicamente, só há uma forma de chegar a esse resultado, embora nem toda a gente goste de praticar a modalidade homologada para o efeito. Mas o activismo consiste precisamente na disponibilidade para colocar a causa acima dos interesses pessoais. Por isso, rapaziada, em nome da sobrevivência da MAC (e até do SNS) o que é que deviam fazer? Pois, talvez... fazer. 

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"Quem tem uma mãe tem tudo..."?

por Ana Lima, em 22.09.11

Os cientistas sociais há muito que estudam os fenómenos ligados às transformações que têm ocorrido, nas últimas décadas, na composição das famílias, bem como as implicações dessas transformações na forma como a sociedade se reorganiza. Mas situações como estas, que passam da mera pressão suave para a acção judicial, é que muitos não antecipariam. Mais uma vez, a dinâmica social nos vai surpreendendo.

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