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Modo de Vida (46)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 21.02.17

Há uns meses, andava eu pelo Porto, encontrei o 'Pensadora das Coisas Pensadas', da Agustina. Comprei-o, que ainda o não tinha, e abri uma página ao acaso, para nesse acaso me fixar na primeira frase que me surgisse. É um hábito antigo, este, o de abrir ao acaso os livros dos autores de que gosto muito, como que para receber uma inspiração, um conselho. Tiro uma fotografia, registo o dia, e procuro onde aplicar o ensinamento. Ontem dei pela fotografia que tirei ao 'Pensadora das Coisas Pensadas', num imprevisto exacto, oportuno: "O mistério da vida cumpre-se em cada homem de uma forma única. A harmonia depende possivelmente de que deveríamos impor menos as fórmulas de felicidade, que é bom senso de raros, e aceitar redimensionando-a pela responsabilidade própria, a incoerência de todos".

Modo de Vida (45)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 13.06.16

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 (sobre estes dias nossos, ocorreu-me este começo da Maria Gabriela Llansol)

Modo de Vida (44)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 12.01.16

“Eu gosto que a escrita se dissipe, e volte texto” ficou-me como uma maldição, da primeira vez que li o Ardente Texto Joshua. Um texto que não se encontra na literatura, para além da minha capacidade de discernimento, que justifica a procura, como uma missão. Tudo o que tento é escrita, não volta. Não chego lá, não chegarei lá, e é essa a maldição.  

Modo de Vida (43)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 26.12.15

Hoje fiquei sem uma amiga. Sem aviso, sem premonição, fiquei sem ela. E há um sentido inaugural nesta absoluta perda, a primeira que me chega sem cumprir qualquer lógica, consequência ou ordem natural; e que por isso me apanha à socapa, onde mais me dói. Hoje fiquei sem uma amiga. Não é este o momento para escrever, nem saberia o quê, que só me ocorre esta frase, uma e outra vez: hoje fiquei sem uma amiga. Mas não quero deixar passar o dia, quero marcá-lo. Da última vez, há poucos dias, falámos d’O Número dos Vivos, de que ambos gostámos muito. Abro a primeira página e encontro: “existira na bênção saudável e pesada que cobre as flores e os homens a quem o sol desperta e a noite faz horror”. Basta isto. Um beijinho muito grande, Catarina.

Modo de Vida (outra vez o 20)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 20.12.15

Por quem sofremos primeiro quando abraçamos um grande amigo que acaba de perder o pai? Por ele, que enfrenta a morte e chora no nosso abraço, ou por nós, que somos chamados a enfrentá-la de novo? 

Modo de Vida (42)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 11.04.14

Lá de onde eu venho não há quem a não conheça, que tratamos por tu o que no frio encontra conforto para crescer. E de tal forma ali existe, ou persiste, que nunca imaginei que não fosse de conhecimento geral. Só me apercebi do segredo bem guardado quando, chegado a Lisboa para estudar, a não encontrei em lado nenhum. Já lá vão 20 anos e ainda recordo a peregrinação pelas mercearias. Não bastava que nenhuma a tivesse, nenhuma - ou ninguém, melhor dizendo -, sequer parecia saber de que falava eu quando perguntava pela cherovia. As coisas mudaram, bem se vê, e hoje a cherovia vai aparecendo, num ou outro supermercado, com um ou outro nome, que os há. Mas a noção de segredo, de uma coisa de covilhanenses, resiste, e ainda bem. 

 

 

 

 

Modo de Vida (41)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 09.04.14

Pela manhã, marcava a mim próprio uma tarefa mínima de setecentas e cinquenta palavras do romance, e conseguia habitualmente por volta das onze horas ter umas mil. O poder da esperança é extraordinário; o romance, que se arrastara por todo o ano passado, aproximava-se do fim.

 

O Fim da Aventura, Graham Greene (Ed. Asa, Tradução de Jorge de Sena)

Modo de Vida (40)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 08.04.14

O melhor do Sol não é o calor: é a luz.

Modo de Vida (39)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 06.04.14

Há quem chegue ao calor antes de tempo, comportando-se como se as ameaças fossem já uma confirmação. Uma espécie de dança da chuva, mas ao contrário - uma dança da luz, feita de linho e pele e por vezes mar, que eu confundo com superstição. 

Modo de Vida (38)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 04.04.14

Gostar muito de um escritor ainda vivo permite a expectativa, e sou dos que valoriza esse estado. Gostar muito de um escritor já desaparecido, sobretudo quando não foi assim tanto o que escreveu, encerra, de certa forma, o caso. Bem sei que as releituras oferecem algum espaço, todavia nada que possa comparar-se com a possibilidade de algo nos ser trazido como novidade. Mas de quando em vez descobrimos que o caso não está tão encerrado assim: Flannery, ela mesma, a ler-nos o 'A Good man is hard to find'.  

Modo de Vida (37)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 03.04.14

A reaprendizagem da noção de começo, a que imprevistamente me dedico, fez-me procurar ‘O começo de um livro é precioso’, que comprei, aliás, num dia inicial. E dei-me conta que passaram já seis anos, mais precisamente seis anos e um mês, da morte da Maria Gabriela Llansol.

 

Dei-me conta assim, só assim, que nada houve, nem ninguém, que a tivesse trazido às páginas que lamentam a morte dos grandes (excepciono, claro, o Espaço Llansol). Não fará grande mal. Suspeito até que assim se faça melhor. E penso no ‘encontro inesperado do diverso’, que acaba por ser, destacando essas palavras do corpo que subtitulam, uma boa noção de turismo.

Modo de Vida (36)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 01.04.14

O tempo vai passando de tal forma que a noção de começo quase nos parece antiga e, de certa forma, desaprendida. Num tempo de começos, volto aqui.

 

O começo de um livro é precioso. Muitos começos são preciosíssimos.
Mas breve é o começo de um livro – mantém o começo perseguindo.
Quando este se prolonga, um livro seguinte se inicia.
Basta esperar que a decisão de intimidade se pronuncie.
Vou chamar-lhe fio ___ linha, confiança, crédito, tecido.

 

O começo de um livro é precioso, Maria Gabriela Llansol (Ilustrações Ilda David', Ed. Assírio & Alvim)

Modo de Vida (35)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 27.01.14

Filme de uma família, rodado em 1 de Dezembro de 1947, durante uma viagem à Serra da Estrela, e que me fez regressar às fotografias lá de casa, nas gavetas que só a minha avó abria, e que quase sempre tinham a Serra por cenário.  

Modo de Vida (34)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 18.01.13

Não podemos controlar o que sentimos. Podemos treinar-nos na domesticação - nem sempre pelo medo - do que sentimos, e podemos até, com sorte e engenho, aclimatar-nos a um estado de constante alerta. Mas não vale a pena perder tempo em terrenos onde a liberdade ainda não existe e a derrota é certa. O que fazer desses sentimentos, como reagir ou dar-lhes seguimento, aí sim estamos no terreno da escolha. E é aí, só aí, onde a liberdade existe, que a moral começa e a confissão encontra justificação.

Modo de Vida (33)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 15.01.13

Lembro-me que quis calar a cidade e suspender os movimentos, fazer de tudo uma estátua. Havia um céu enorme, desmanchado em luz, que quis desligar. E não consegui esquecer os eléctricos que passavam, levando e trazendo pessoas com destino. Aparentemente o Mundo convivia bem com o mais trágico dos acontecimentos, abrindo a ferida, para usar um eufemismo. E fiquei a pensar na cobardia do Mundo perante a morte. Volto aqui sempre que me morre alguém e dou comigo a pedir desculpa por, também eu, participar dessa cobardia. À família e aos amigos do João, um enorme abraço. 

 

    

Modo de Vida (32)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 26.12.12

Apenas no Natal me interrogo - com uma inveja para mim pouco compatível com o sentido e espírito de Natal - sobre a vida dos que lidam bem com a nostalgia.    

Modo de vida (31)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 03.09.12

Descubro que a morte não é, afinal, a única irreversibilidade que podemos conhecer. E há algo de muito forte e inaugural nesta descoberta. Como se só agora começasse a idade adulta. E talvez comece mesmo.

Modo de Vida (31)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 28.02.12

Uma grande decisão é sempre precedida, e detesto rimas mas tem de ser, de uma enorme solidão. Podemos partilhá-la, pedir ajuda para sobreviver-lhe ou até esconder-nos em quem mais nos protege. Mas a solidão está lá, naqueles instantes em que nos decidimos, a lembrar que somos quem, não o quê.  

Modo de Vida (30)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 18.02.12

Gostar de alguém é também um exemplo de alteridade. Mas antes do outro, do que lhe queremos ou do que por ele estamos dispostos, está o bem que ele nos faz.

Modo de Vida (29)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 14.02.12

29 é o meu número. Faço anos a 29, o que ajuda muito, mas não é só por isso. O meu pai faz anos a 29. A minha mãe fazia anos a 29. Os meus pais casaram a 29. A minha irmã nasceu a 29. E isto, que já basta, pode não encerrar a coisa. Com tantos 29 por chegar, quase tantos como os meses que aí vêm, sei lá eu que outros motivos me esperam para continuar a ter o 29 como número.  


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