Rapidinhas de História #41
A misoginia nos escritos medievais (9)
A rainha D. Urraca era comparada a Jezabel.
«quanto mais o poder transparecia, mais o processo de demonização da mulher tinha de ser eficaz»
Maria do Rosário Ferreira (historiadora)
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A rainha D. Urraca era comparada a Jezabel.
«quanto mais o poder transparecia, mais o processo de demonização da mulher tinha de ser eficaz»
Maria do Rosário Ferreira (historiadora)
"O monge enfatiza «os traços negativos da personalidade de D. Teresa»".
"a astúcia da serpente"
"a muito criminosa víbora"
"a audaz mente da mulher viola o mais sagrado, confunde o lícito e o ilícito"
Oiço gente próxima do PS e do PCP criticar o novo Governo por ter «menos mulheres em pastas ministeriais». Curiosas, estas críticas. Vindas de militantes ou simpatizantes de dois partidos que nunca tiveram lideranças femininas.
Vale a pena lembrar que o PCP existe há 104 anos e o PS já tem 52 anos. Tempo mais do que suficiente, em qualquer dos casos, para se aliviarem da ganga misógina que continua a dominá-los.

Mulheres a participar na competição de Tiro com Arco nos Jogos Olímpicos de St. Louis em 1904.
Não me saiu bem o post e fartei-me do que li nos comentários. Quem quiser o post (não sei para quê), pode pedir-mo por mail que está guardado. Quem quiser comentar, que o faça, está a caixa ali em baixo, disponível. A minha sanidade mental faz-me apagar o texto do post. Obrigado pela atenção.

O Livre, que foi uma das grandes novidades eleitorais a 6 de Outubro de 2019, aliás celebrada com incontáveis expressões de exultação e júbilo, acaba de perder a sua única deputada na Assembleia da República: Joacine Katar Moreira manterá o lugar no hemiciclo, para o qual foi eleita com toda a legitimidade, mas já sem representar o partido.
A decisão foi tomada por 34 dos 41 membros do chamado Grupo de Contacto - o órgão directivo do Livre - e produz, como consequência imediata, o fim da representação parlamentar do partido, que abdica da deputada, eleita por Lisboa. Um sério revés para o primeiro agrupamento político português que adoptara a introdução de «quotas étnico-raciais» em listas eleitorais.
Subsistem legítimas dúvidas sobre a bondade desta decisão, não faltando quem considere que terá sido meticulosamente orquestrada por gente que recebeu mal a inesperada popularidade de uma deputada capaz de «introduzir diversidade» no Parlamento.
Pertencendo a doutora Katar Moreira, enquanto «presidenta», ao núcleo duro do Instituto da Mulher Negra em Portugal, assumida «entidade anti-racista e feminista interseccional» apostada no combate a quem ouse «retirar ao sujeito negro o lugar de multiplicidade», mais se enraíza em muita gente a convicção de que na origem deste expurgo estarão motivações de índole racista e sexista.
Não será indiferente a tais suspeitas o facto de o fundador do Livre ser homem, caucasiano e agora docente em Harvard - selecto viveiro da classe dominante norte-americana, reduto das elites capitalistas. Já dizia o outro: isto anda tudo ligado.

Vale a pena ouvir o que ela disse - sem tropeçar nas palavras - aos que tentaram servir-se dela por ser «útil para a subvenção» e três meses depois afiaram as facas para deitá-la borda fora. Dando rédea solta ao racismo e à misoginia que os caracteriza mal se raspa o verniz da correcção política.
![mw-320[1].jpg mw-320[1].jpg](https://fotos.web.sapo.io/i/B6c177f6f/21666817_h8qJr.jpeg)
Foto Expresso
Paradoxos da política portuguesa: um partido chamado Livre faz tudo para condicionar a liberdade de expressão e de actuação do único representante que tem no Parlamento. Que é mulher e afrodescendente.
Este partido intitula-se feminista e anti-racista. E livre, como a sua sigla proclama. Mas vem praticando um inaceitável assédio moral à sua deputada. Começou por afastá-la da extensa lista de 68 membros dos órgãos nacionais, que serão eleitos no congresso a realizar este fim de semana. E prepara-se para votar uma moção que pretende forçá-la a renunciar ao lugar para que foi eleita por sufrágio universal apenas há três meses.
Caso para perguntar se o núcleo duro que gere o Livre agiria da mesma forma se ela fosse ele. E se tivesse menos melanina a colorir-lhe a pele.
Daqui presto, portanto, a minha solidariedade a Joacine Katar Moreira.