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Frases de 2019 (15)

por Pedro Correia, em 27.05.19

«Se deixar de ser só o partido dos gatinhos e dos cãezinhos em marquises, o PAN tem um grande futuro.»

Miguel Sousa Tavares, hoje, no Jornal das 8 da TVI

Dez livros para comprar na Feira

por Pedro Correia, em 03.06.18

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Livro três: Cebola Crua com Sal e Broa, de Miguel Sousa Tavares

Edição Clube do Autor, 2018

362 páginas

 

Não há segunda oportunidade para uma primeira impressão. Este é um livro que nos conquista logo à primeira. Desde logo pelo originalíssimo título, que é um achado. Refere-se à merenda que o pequeno Miguel comia em casa dos padrinhos, numa aldeia do Marão onde frequentou os dois anos iniciais do ensino básico. Ali aprendeu lições para a vida que desfia neste saboroso volume de memórias, subintitulado "Da Infância Para o Mundo".

É talvez o melhor livro deste jornalista que foi infatigável viajante antes de se tornar escritor. Um livro escrito com visível prazer e indisfarçável vontade de eleger o leitor como cúmplice. Fala-nos de um Portugal que já não existe - o Portugal triste e ensimesmado da ditadura, o Portugal festivo do 25 de Abril, o Portugal alucinado do PREC, o Portugal errático mas transbordante de esperança da primeira década em democracia.

Ao contrário do que costuma suceder entre nós, onde as memórias partilhadas em público são escassas e as recordações surgem embargadas entre biombos para não melindrar terceiros, aqui o autor liberta-se de eufemismos e não se furta a fazer desfilar nestas páginas personalidades com nome próprio. Por vezes com episódios divertidíssimos, como quando Mário Soares e Maria Barroso adormeceram durante uma projecção caseira de Lawrence da Arábia na residência algarvia, deixando embaraçadíssimo Sousa Tavares, que ali estava como visitante. Ou o director do defunto jornal A Luta, o socialista Raul Rego, que todos os dias encomendava um bitoque para almoçar à mesma hora, fechado no gabinete, e só aparecia na Redacção para berrar com um chefe depois de Soares ter berrado com ele por não gostar da suposta manchete do dia seguinte. Ou da mãe do cineasta João César Monteiro, «ainda mais doida do que ele», que apareceu um dia lá em casa chorando porque o filho tinha morrido «e ela não tinha dinheiro para o funeral», arrancando lágrimas - e dinheiro - a toda a família. «No dia seguinte, sem nada saber da própria morte, aparece-nos o morto, ressuscitado, a pedir almoço.»

Algumas das melhores páginas desta memórias que se lêem de um jacto são dedicadas aos pais. Sobretudo à mãe, Sophia de Mello Breyner Andresen, que lhe legou máximas inesquecíveis. Eis uma delas: «Viajar é olhar.» Miguel, justamente comovido, confidencia-nos: «Também aprendi com ela que saber partilhar o silêncio é a forma mais íntima de estar com alguém. E, na verdade, por maior que seja o silêncio, nunca deixou de falar comigo. Quanto mais não seja nos poemas que deixou nas páginas dos seus livros, alguns dos quais escrevi nas paredes da minha casa para que ela saiba que continuo a escutá-la.»

 

 

Sugestão 3 de 2016:

Política, de David Runciman (Objectiva)

 

Sugestão 3 de 2017:

A Rosa do Povo, de Carlos Drummond de Andrade (Companhia das Letras):

Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 20.04.15

«O acordo [ortográfico] foi negociado em segredo, foi introduzido à socapa como facto consumado, foi imposto à força, contra a contestação geral ou quase, e finalmente foi ratificado ilegalmente visto que o tratado que o fundou não permitia a alteração que se fez: foi celebrado por sete países e estava previsto que cinco o ratificassem para entrar em vigor e como não se conseguiam esses cinco fez-se uma alteração legal dizendo que bastavam quatro para o fazer. A entrada em vigor do acordo é ilegal.

O acordo não só não resolveu nada que supostamente queria resolver como praticamente agravou todas. Criou contradições e coisas anedóticas. Por exemplo: dizia-se que era preciso aproximar a língua da oralidade e temos o exemplo do pára e do para, que é uma coisa absurda. (...)

Era preciso unir a ortografia porque havia duas. Mas neste momento há três: a brasileira, a portuguesa de antes do 'acordo' que muitas pessoas continuam a utilizar, como eu, e a portuguesa depois do acordo. Isto gerou tamanha confusão... nos documentos públicos, no ensino público e até na própria imprensa há partes do acordo que são facultativas e outras que não são. Isto gerou uma cacofonia total e absoluta. Dentro de uma geração os pais não vão perceber o que os filhos escrevem - e vice-versa. (...) O brasileiro chega a Portugal e, em vez de encontrar a recepção do hotel, que é como eles dizem, encontra a 'receção' do hotel, o que é uma anedota.»

Miguel Sousa Tavares, no Jornal da Noite da SIC 

O problema de Isaltino Morais é que a cara dele condiz com o que o tribunal o acusa de ter feito. Não apenas as provas e as suas fracas justificações: a cara, também. Ensinou-me a minha mãe, há muitos anos, que se deve olhar bem para a cara das pessoas, antes de ajuizar sobre elas. Confesso que é um conselho que nem sempre me lembro de seguir e, quando me esqueço de o fazer, normalmente acabo por me arrepender. O tribunal acusou e condenou Isaltino por coisas nada brandas, no exercício de funções públicas: fuga ao fisco, branqueamento de capitais, abuso de poder e corrupção passiva. E eu olho para a cara dele, penso na inexplicável fortuna do sobrinho da Suíça, lembro-me das declarações da ex-secretária e recordo a 'arrogância', de que fala a sentença, com que ele respondeu às acusações, e acho-o bem capaz disso.

Pois, é verdade, permanece a presunção de inocência. Enquanto todos os recursos que vão ser sucessivamente interpostos não estiverem decididos, enquanto esta sentença não transitar em julgado (o que irá demorar anos), Isaltino Morais tem o direito a ser presumido inocente. Mas as coisas mudaram muito com a sentença: um tribunal já o julgou culpado e agora é ele que tem de provar a sua inocência, e não o tribunal que tem de provar a sua culpabilidade. Tem de provar que o tribunal se enganou e que se enganou grosseiramente, julgando-o culpado de quatro crimes dos quais não terá cometido nenhum.

Miguel Sousa Tavares, Expresso, 10 de Agosto de 2009

 

Os "tudólogos" nacionais e a política americana

por José Gomes André, em 11.09.12

Infelizmente, os cronistas de maior audiência em Portugal são profundamente ignorantes acerca da política americana. O que não os coíbe de se manifestarem sobre o tema, como qualquer bom "tudólogo" deve fazer. Os disparates tornam-se portanto frequentes. Que o diga Miguel Sousa Tavares, que afirma, entre várias tolices, ser desejo da dupla Romney/Ryan "fazer a guerra aos árabes, russos, chineses e aos pretos", proibir o aborto até mesmo em caso de violação, extinguir o IRS para os mais ricos e defender "o direito inalienável de todos os cidadãos andarem armados e dispararem livremente". Até dava para rir, se não fosse sério.

 

Ontem à noite, Marcelo Rebelo de Sousa resolveu juntar-se à festa e alinhar na lógica do comentário desinformado. Dizia o Professor que a Convenção Democrata tinha sido um insucesso e que correra francamente mal a Obama em particular ("que está uma sombra" do que foi), prevendo que a Convenção tenha um impacto nulo nas eleições. Curioso. A maioria dos comentadores elogiou a Convenção Democrata. O público americano gostou da Convenção, que teve maiores audiências do que a Republicana. Todas as sondagens mostram uma subida de Obama durante e após a Convenção. Nate Silver, um dos maiores especialistas eleitorais americanos, escreveu, ainda no Sábado, que a Convenção Democrata pode mesmo ter marcado um momento decisivo na campanha, catapultando Obama para a condição de "claro favorito" (front-runner).

 

Mas que interessa tudo isto? Todas estas sondagens, comentários e dados estatísticos? Marcelo acha que não correu bem. E se Marcelo acha que não correu bem, quem se atreve a dizer o contrário? Como dizia o saudoso Gore Vidal, "the biggest problem of our time, is that everyone has an opinion, but nobody has a thought".


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