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Dior

por Pedro Correia, em 11.07.18

 

- Sente dor?
- Não.
- E se lhe extrair um i, Dior?
- Aí já sinto.

 

Excelência

por Pedro Correia, em 21.06.18

 

- Vossa Excelência zurra?
- Por quem me toma?!
- Peço perdão: não zurra?
- Não está em questão. Só não suporto que me chame Excelência.

 

Roupa interior azul

por Bandeira, em 18.01.17

Em epístola que em tempos me endereçou, Oscar Wilde (para quando o Facebook, rapaz?) contou-me que havia sido formalmente convidado para jantar no Thirteen Club. O objectivo primeiro – e, julgo, único – da distintíssima agremiação consiste em combater e mofar-se da superstição sob todas as suas formas, incluindo isso de que não se coloca uma vírgula imediatamente antes de uma copulativa e que talher de peixe existe (quando na verdade apenas se distingue do de carne pelo cheiro). Nas mesas haveria treze lugares, da ementa constariam treze pratos e no final da refeição teria lugar uma orgia de estilhaçamento de espelhos.

Diz-me o dear boy, no entanto, que declinou o convite e que a vida lhe parece mais interessante quando apimentada por uma certa dose de arrebatamento místico. Não sei se concorde, por princípio sou até contra, mas a minha atitude face à superstição é, em grande medida, circunstancial. Sabe aqueles funcionários de companhias de TV por cabo e quejandos que assentam escadas no passeio? Em havendo espaço, sigo a lógica da aposta de Pascal (o cujo constatou que, havendo desvantagens em não acreditar em Deus e apenas benefícios em acreditar, a catequese até nem ficava cara), passando pelo lado de fora da escada; não havendo espaço, ponho cara de quem acha tais crendices coisa de gente sem coragem para enfrentar os tornados dessa vida madrasta e passo por baixo de peito feito, tendo apenas o cuidado de verificar pelo canto do olho se a escada está bem ancorada e o funcionário em estado de razoável sobriedade.

Olhe, veio-me agora à lembrança que na passagem de ano não usei roupa interior azul. Dang!

Breve História da Higiene Pessoal

por Bandeira, em 05.01.17
Disputava o príncipe com o rei a única casa de banho do palácio: “Precisamos de fazer a barba”, dizia o príncipe. “E nós queremos tomar um banho de imersão”, retorquia o rei. “Mas nós vamos passar a noute fora com uma cortesã gaiteira”, insistia o príncipe. “Pois ide como estais, e tende o cuidado de tornar perfumado ao paço”, arreliava-se o rei. Desta forma encostado aos azulejos, o príncipe permitiu que o rei entrasse na vetusta banheira; após o que lhe afogou a majestade sem grande dificuldade.

Ultrapassada alguma comoção inicial, o povo aclamou o matante como seu governante; e, em sinal de agradecimento à Divina Providência, o novo monarca não voltou a tomar banho de imersão em toda a sua longa vida – ainda hoje luzem no palácio o duche e polibã doirados que em lugar da real banheira ele mandou fossem instalados.
 

A nossa música

por Bandeira, em 04.01.17

A intervenção era de rotina. Mas a mulher do cirurgião fugira nessa mesma manhã com o proctologista, e ele, que era apenas humano, operou para esquecer.

 

O paciente acordou na madrugada seguinte com o ventre rígido, dores agudas e vontade de dançar slow. Tiraram radiografias, entraram em pânico e ligaram para o telemóvel do cirurgião. Ele não demorou dez minutos. Tinha aspecto de quem passara a noite a vender as mágoas aos pombos no relvado do hospital. Olhou a radiografia e a queixada por barbear tombou-lhe no peito. Esquecera um velho single de 45 rotações no interior do paciente.

 

"A nossa música", gemeu chorando, e encostou o ouvido à barriguinha dele.

Uma facadinha (filosofia de alcova)

por Bandeira, em 02.01.17

“Os blogues são como as ostras: às vezes têm pérolas dentro, às vezes causam indigestão.” Não, espere, isso faz sentido. “Blogues são como ostras: eles abrem e fecham.” Ah, muito melhor. Que tal “blogues são como as portas de um guarda-fatos: eles abrem e fecham”?

 

John Locke cogitou, pouco antes de dar entrada nas urgências, em como o entendimento humano se assemelha a um armário fechado cujas frinchas não nos permitem mais do que um vislumbre da realidade exterior. Cogitou ele nisso quando percebeu, pela cintilação da luz, que aquele que estava prestes a deixar de ser o seu melhor amigo de sempre atravessava o quarto na direcção do guarda-fatos onde se acoitava. Depois a inútil resistência da mulher nua, as mãos grandes e peludas puxando as portas contra um corpo excessivo de militar condecorado por mais de mil actos de bravura, nem todos em batalha.

 

“Sabe que eu desconfiava, John?” – disse o bom militar – “eu abri o armário, e cá está você”.

Microconto

por Rui Rocha, em 05.02.15

Sofreu de insónias até ao dia em que começou a contar partidos, fóruns, movimentos e plataformas de esquerda para adormecer.

Microconto

por Rui Rocha, em 28.01.15

Ao longo da vida, Vicente sentira-se sempre um nadinha frustrado. Afinal de contas, ficara invariavelmente à distância de uma consoante de ser capaz de adivinhar o futuro.

ai

por Patrícia Reis, em 10.07.13

Não era um suspiro, era uma dor nas costas. Não era um lamento, era uma inevitabilidade biológica. Tomou mais um comprimido e fez contas. Mais dois dias e teria de remar até à farmácia. Se o calor não trouxer a morte.


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