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O nosso subconsciente é tramado

por Pedro Correia, em 10.04.13

Há muitas maneiras de evidenciar sexismo. Eis uma delas, neste artigo de Mário Soares sobre Margaret Thatcher. Todos os políticos (homens) que ele conheceu ou admirou são mencionados pelo nome e apelido; apenas a ex-primeira-ministra britânica, agora falecida, é exaustivamente contemplada com a deselegante expressão "senhora Thatcher". E, na única vez em que a trata pelo nome próprio, Soares engana-se: saiu com gralha.

O nosso subconsciente é tramado.

Margaret Thatcher

por Patrícia Reis, em 14.04.12

"Watch your thoughts, for they become words. Watch your words, for they become actions. Watch your actions, for they become...habits. Watch your habits, for they become your character. And watch your character, for it becomes your destiny! What we think we become. My father always said that, and I think I am fine."

Streep-Thatcher

por Helena Sacadura Cabral, em 13.02.12

 

Este fim de semana foi para mim especial, porque tive os dois filhos comigo. Não ao mesmo tempo, que isso são acontecimentos já quase pré-históricos, mas cada um à sua vez. 

O mais velho tinha vindo de Bruxelas à manifestação e o outro, suponho, esperava o fim da mesma. Apesar destas antagónicas situações, os irmãos, que se adoram, ainda encontraram tempo para estar os dois juntos a almoçar...
Quando penso nesta curiosa - não encontro na língua portuguesa termo mais apropriado - família que tenho, acabo sempre com um sorriso nos lábios. Umas vezes de orgulho, outras, confesso, de fúria controlada, porque manter a unidade familiar é, para mim, a mais importante e diplomática missão da minha vida. Não me tenho saído mal...
Por isto tudo, de manhã estive com um e à noite estive com o outro. Jantámos um belo bife no Café Império e depois fomos ver a Meryl Streep fazer de Margareth Thatcher. É sobre o filme que queria deixar duas palavras.
Não sei se será uma película para um Oscar. Sei, isso sim, que é uma soberba interpretação da consagrada actriz. E fiquei a saber um pouco mais dessa personagem feminina que foi PM de Inglaterra por uma década. Como também confirmei, uma vez mais, que ingrata é a escolha de uma carreira política.
Thatcher optou pela carreira, da qual jamais quis abdicar. Foi a sua escolha. Que teve consequências nas três figuras que lhe estavam mais próximas, os dois filhos e o marido, os quais, como é frequente acontecer, foram subjugados pelo elo mais forte, neste caso, a mãe. E, parece-me, sofreram com isso.
A narrativa é feita do fim para o princípio, o que faz com que se dê grande importância ao estado de demência em que vive Margareth Thatcher. E que, a meu ver, torna a obra demasiado longa. Se ela tivesse menos dez minutos, prenderia melhor a nossa atenção.
Saí do cinema com a sensação de ter visto a biografia de alguém cuja vida mudou a história de um país, cuja família pagou por isso um preço - do meu ponto de vista, muito alto - e que, por ter desvalorizado o lado afectivo, acaba só. Ou com uma filha de quem ela parece gostar menos, justamente por causa dessa dedicação. 
Resumindo, é uma película realizada por uma mulher, que soube interpretar o que foi a vida de outra que tentou sê-lo, num meio que lhe era totalmente adverso. 
Importante, sem dúvida. Mas que, a mim, porventura pela família que tenho, me deixou um certo amargo de boca... 

Iron Lady

por Adolfo Mesquita Nunes, em 12.02.12

O jornal Expresso pediu-me que escrevesse umas linhas sobre o filme Iron Lady. Presumi, acho que bem, que o objectivo seria ter a leitura do filme por quem se identifica, e muito, com o legado político de Margaret Thatcher. Foi nesse pressuposto que escrevi o texto que se segue, e que foi publicado na edição de Sábado do suplemento Actual do Expresso -  e que não corresponde, por isso, a uma crítica de cinema (coisa aliás, como já aqui disse, que não sei fazer).

 

 

Um filme sobre Thatcher sem Thatcher

 
‘Iron Lady’ não é um filme sobre Margaret Thatcher. A sua figura é instrumental para os objectivos do filme: divagar sobre a perda (de poder, de faculdades ou de aliados) e moralizar acerca da irrelevância da carreira na hora da morte (ainda que, através dela, se tenha mudado a face do Mundo).

O filme é assim uma oportunidade perdida porque esgota a possibilidade de vermos, neste tempo de crise, o percurso e legado de uma mulher que chegou ao poder quando a Grã-Bretanha atravessava uma das maiores crises da sua história (o FMI, esse mesmo, tivera de entrar no país pouco antes).

Seguindo Hayek e não Keynes, Thatcher retirou o país da decadência e tornou a economia inglesa numa das mais poderosas do Mundo: derrotou a inflação, transformou os tecidos industrial e empresarial, elevou substancialmente o nível de vida, reduziu a opressiva carga fiscal e criou um novo modelo económico (que nem Blair repudiou) favorável à geração de novos empregos e à mobilidade social.

Mesmo para os seus detractores, a importância de Thatcher reside na forma como, com esse modelo, conseguiu transformar económica e socialmente a face do país, contribuindo decisivamente para a queda do muro de Berlim.

Sobre isto, que é tudo, o filme nada diz. Não assistimos a tomadas de decisão política de Thatcher, não conhecemos qualquer linha do seu modelo económico, não sabemos por que razão foi eleita três (!!) vezes, não percebemos o seu papel na queda do muro de Berlim, não vemos os (in)sucessos dos seus governos, e muito menos entendemos porque é que a sua profética desconfiança face à moeda única e ao modelo de governação europeia contribuiu para a sua queda.

De Thatcher fica apenas o retrato demasiado ambíguo de uma mulher que nunca deixou que a percebessem e que agora não é dona da sua vida, o que é coisa pouca para quem paradoxalmente tanto lutou para que os indivíduos e famílias pudessem ter maior controlo sobre as suas vidas.

A Dama de Ferro

por Luís Menezes Leitão, em 08.02.12
Agora que está demonstrado para todos a armadilha que foi o euro, convém recordar quem é que teve a inteligência de deixar o seu país fora dessa embrulhada. A senhora Thatcher bem sabia que o Parlamento não poderia entregar toda a sua política monetária a uma instituição externa, que obviamente não decidiria em favor dos interesses dos cidadãos britânicos. Como ela bem diz, a decisão de aderir à moeda única só pode ser tomada uma vez, e implica uma perda total de soberania, que os deputados ingleses não tinham o direito de fazer ao seu Parlamento, em prejuízo dos futuros eleitos. Passados todos estes anos, e perante o iminente colapso do euro, está à vista quem tinha razão. O que nos faltou em Portugal foi sempre políticos que não fossem atrás de qualquer imposição europeia e soubessem também dizer: "Não, não e não".


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