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Como assim?

por Rui Rocha, em 18.03.20

Não percebo a necessidade de o Presidente garantir que ninguém vai mentir a ninguém. Tem acontecido, é?

Discordâncias.

por Luís Menezes Leitão, em 17.03.20

Diz-se aqui que o Primeiro-Ministro e o Presidente da República discordam sobre a declaração do estado de emergência.Esta discordância não é irrelevante. Apesar de o art. 138º da Constituição prever que a declaração é da competência do Presidente da República, após obtida a autorização da Assembleia da República e apenas exigindo a audição do Governo, a verdade é que este acto do Presidente da República precisa de ser referendado pelo Primeiro-Ministro sob pena de ser considerado juridicamente inexistente (art. 140º da Constituição).

Quarentena em Marte

por João Campos, em 15.03.20

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Da comunicação oficial de hoje de Marcelo Rebelo de Sousa retiro duas ideias. A primeira: dada a qualidade de som e de imagem, Marcelo auto-isolou-se em Marte. A segunda: neste momento, Portugal não tem Presidente da República.

O colapso de Marcelo

por jpt, em 15.03.20

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Há muito mais em que pensar do que criticar políticos e políticas, e falo de mim, dos "nós" que conheço, centrados que estamos nos necessários rearranjos da nossa vida. Mas, como diz o Rui Rocha, o pensamento não está limitado. Uma coisa, e má, é encontrar, com denodo apressado, bodes expiatórios. Outra é olhar em torno  o que se passa. Pode-se gostar mais ou menos do governo, de António Costa e dos seus ministros. Pode-se embirrar com a actual ministra da saúde - ou pensar que cada vez que há uma crise sectorial os ministros falham (Lopes e Constança foram exemplos clamorosos). Pode-se agora protestar com a "prestação" (como sói dizer-se) comunicativa, e com os implícitos que demonstrou, do ministro da educação. Mas também se pode dizer que, de facto, o governo português esteve a par dos seus congéneres vizinhos. Ou, mais em pormenor, que o ministro Vieira esteve muito bem na sua "contra-prestação" comunicativa, salvaguardando os professores. Ou seja, o que quero dizer é que as críticas actuais ao governo derivarão - se já agora, infelizmente muito antes do rescaldo desta enorme crise - das simpatias e antipatias que temos. Assim, pouco relevantes, pois tendencialmente enviesadas. 

Mas bem diferente é o que se pode dizer do Presidente da República. O seu mandato tem sido peculiar, politicamente vácuo, feito de encenação de "afectos" (já aqui o resmunguei,  nada mais é do que a apolitização da política, decalcada da modalidade utilizada pelo seu pai, governador marcelista de Moçambique). De facto, MRS é um populista, e não apenas pelo seu tornear dos partidos aquando da campanha presidencial. Um populismo manso, mas populismo ... O que agora acontece, quando o  país entra em comoção, sem pânico mas com grande comoção, é que o presidente, supra-falador, vero incontinente verbal, desapareceu. Não influenciou a linha governativa, na sua magistratura política. Nem mesmo alertou para o que se adivinhava, dados os acontecimentos no mundo. Não influenciou - pois desprovido, dada a tipologia da crise, do seu método único, feito de meros abraços, beijos e auto-retratos, da tal opereta dos "afectos" - o sentir nacional, numa magistratura moral. Daqui a alguns dias, ou semanas, o seu círculo dir-nos-á que Marcelo Rebelo de Sousa nos deu o exemplo ao encerrar-se em casa, como agora nós estamos. Mas não era esse o seu papel. Era o de marcar a agenda política, de suavemente alertar, consciencializar. E, depois, o de ombrear a agenda executiva. E, agora sim, conversar com o povo, acompanhar as nossas dificuldades, convocar ao caminho difícil. Neste silêncio, de facto devido a que não suspendeu o seu corropio pitoresco, que julga ser o papel presidencial, quando deveria ter sido o primeiro a conter-se aos "convívios sociais", Marcelo mostra agora o óbvio. Desprovido de gravitas - tratando da sua lida doméstica, como pateticamente veio dizer à televisão - comprova a sua inutilidade. De longe, incomparavelmente, o mais inútil e desapropriado presidente da república que a democracia conheceu. 

Temos pela frente uma difícil época. Que não seja tão terrível como os piores dos nossos pensamentos e temores deixam temer. Depois, bem depois, bem que poderíamos, em particular a sua base "inorgânica" de apoio, reflectir e perceber quanto foi tonitruante este silêncio de marcelo. Um colapso. A mostrar o seu vazio. E escolher, à direita, ao centro, à esquerda, um Presidente da República. Depois disto tudo muito iremos precisar de um. Não disto.

(Adenda: escrevera isto antes da "comunicação pessoal" [francamente ....] de Rebelo de Sousa. Escrevo a adenda para realçar uma coisa. Neste momento, nesta crise, neste ... domingo, Sousa convoca uma reunião para quarta-feira para discutir ... a instauração do "estado de emergência". Dizer mais alguma coisa?).

 

Sozinho em casa

por Pedro Correia, em 10.03.20

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Em política, convém valorizar a importância daquilo que não é dito, mas expresso de outra forma. Veja-se, a título de exemplo, o que sucedeu ontem com Marcelo Rebelo de Sousa: em plena crise do coronavírus - que já contagia governantes e suscita temores sobre uma crise económica à escala global - o Presidente da República decide confinar-se durante 15 dias às quatro paredes domésticas, submete-se voluntariamente à análise clínica para indagar se é portador do vírus (deu negativo) e, cereja acima do bolo, concede uma entrevista a Miguel Sousa Tavares no Jornal das 8 da TVI, em que alterna os recados políticos com o enaltecimento das virtudes domésticas. Sozinho em casa, em minucioso exame à proposta de Orçamento do Estado para 2020, Marcelo comporta-se como uma fada do lar: cozinha, lava a loiça, estende a roupa e passa a ferro. 

Em momento algum da entrevista, concedida a pretexto do quarto aniversário da sua tomada de posse, afirma que tenciona recandidatar-se a Belém. Mas tudo nela - tanto na dimensão pública como privada do cidadão Rebelo de Sousa - nos sugere que o Chefe do Estado não pensa noutra coisa. Mais: o teste ao coronavírus e esta original aparição presidencial via FaceTime à hora do jantar dos portugueses constituíram o pontapé de saída da campanha eleitoral que culminará no escrutínio de 2021. 

Ao declarar-se em quarentena preventiva, levando o País a acompanhar com alívio as novidades do seu boletim clínico e com elevado apreço o exemplo de desapego às honrarias palacianas de que dá provas, Marcelo exibe um florentino instinto político - muito acima de qualquer rival, declarado ou não. E até invoca um seu ilustre antecessor para, com aparente candura, devolver uma farpa que Ana Gomes lhe endereçara pouco antes enquanto aproveita desde já para captar votos à sua esquerda: «Mário Soares é imbatível, é unico na democracia portuguesa, a votação dele é irrepetível.»

Sabe-a toda. Confirmando que a política profissional é para gente crescida, não para meninas ou meninos.

Read my lips

por Paulo Sousa, em 25.01.20

Quando não há motivos de preocupação os políticos não necessitam de fazer desmentidos nem declarações em contrário. Ou seja, só tentam sossegar o país quando existem ameaças.

Muitos exemplos do passado recente comprovam isso:

  • Portugal não é a Grécia
  • O FMI já não vem
  • Os portugueses podem confiar no BES
  • E por aí a fora...

Além dos casos de ameaças ao país, recorrem também ao método da negação do óbvio quando o óbvio lhes é prejudicial:

  • A vitória do PS não é derrota do PCP
  • Ricardo Robles não se aproveitou do cargo que ocupava
  • O PSD está unido
  • ... todos nos recordamos de muitos outros exemplos

Lembrei-me mais uma vez desta antiga constatação quando ouvi o nosso Presidente Marcelo afirmar que não há razão para preocupação nos sectores económicos e empresas portuguesas nas quais a empresária angolana Isabel dos Santos está a vender as suas participações. E acrescentou dizendo: “Os sinais que me chegam (…) são de que não há razão para nem a economia nesses sectores, nem os trabalhadores, nem os que têm a ver com as empresas, fornecedores ou clientes, estarem preocupados com isso.”

Respiremos pois de alívio.

Rebelo de Sousa em Moçambique

por jpt, em 15.01.20

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O nosso Presidente está em Moçambique. Desde o primeiro dia, via Whatsapp, troco fotografias das suas andanças entre um largo núcleo de amigos, portugueses que lá viveram durante as últimas décadas. Conhecemos o país, os sítios visitados, interpretamos melhor as interpretações locais. O nosso desconforto é generalizado, alguns mesmo seguindo irritados. O resmungo com o populismo é até explícito. Uma querida, e tão clarividente, amiga, minha vera mana, resumiu tudo, num desalentado e nada leninista "que fazer?". De facto, nada podemos fazer diante desta pantomina que o nosso povo elege e adora.

Entretanto, no seu mural de Facebook o ex-bloguista João Gonçalves - o qual, que eu saiba, nem sequer conhece aquele país - explicita tudo, explicando o nosso desconforto: "E em Moçambique, o chefe do Estado a que deixou tudo chegar engraxa sapatos, corta cabelo e comporta-se como o filho caprichoso do antigo governador geral da Colónia que ele nunca deixou de ser."

As pessoas aqui, na sua maioria, não compreendem. Mas é isso mesmo. O festivaleiro desta visita. E, muito mais importante, o vácuo desta presidência. 

Adenda: logo me dizem que MRS é folclórico. Mas não é apenas, ainda que o seja, "folclórico". Disse o célebre filósofo que a história se repete, primeiro como tragédia e depois como farsa. Para quem conheça a história tardo-colonial em Moçambique são notórias as semelhanças entre a postura do antigo governador-geral - que era um Senhor, note-se, e de verdadeira grandeza humana - durante a "primavera marcelista", intentando mostrar um "colonialismo de rosto humano" (passe a expressão, que é glosa), um poder entendido como "relações públicas" assente na linguagem dos "afectos", mas que terminou como terminou (tinha historicamente de terminar, anacrónica injustiça que era) e a postura do seu filho, actual PR. 

MRS tem assim, desde o início, o projecto mais reaccionário - na velha expressão - da história da democracia portuguesa, o da "apolitização" da sociedade através desta pantomina "afectuosa" [já ninguém fala de "coabitação", de "consenso", de "estabilidade", de "bipolarização", todo esse jargão político presente nas presidências anteriores, que servia para tentar consensualizar o país. Agora já nem há essa abordagem, resta apenas a "selfiezação", "o abracismo", o marketing da a-conflitualidade]. É isto uma farsa, uma triste - e sem a grandeza, a densidade católica, do protagonista anterior - derrapagem. Antes tudo decorreu durante a "tragédia" de um final de regime. Agora não sei que corolário será o desta farsa. Que nada tem de projecto a não ser este folclorismo.

 

O "exclusivo" de Marcelo na SIC

por Pedro Correia, em 15.10.19

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Marcelo Rebelo de Sousa revelou à SIC uma das cachas políticas do ano: vai submeter-se a um cataterismo, para avaliar eventuais danos cardíacos e deste exame clínico dependerá uma decisão sua sobre a recandidatura à Presidência da República.

Acontece que a entrevista em que o Chefe do Estado fez esta e outras revelações não foi conduzida por um jornalista, munido do respectivo título profissional, mas pelo director-geral de entretenimento da estação outrora sediada em Carnaxide. O que constitui mais um significativo sinal da desvalorização do papel social dos jornalistas e da sua progressiva irrelevância no circuitos comunicacionais contemporâneos.

Que a SIC, onde trabalham dezenas de jornalistas qualificados e prestigiados, tenha prescindido deles para a obtenção desta informação em exclusivo e que o próprio Presidente da República elegesse como emissário desta novidade alguém ligado à área do entretenimento diz muito sobre a degradação de um ofício hoje invadido a todo o momento por gente que não se inibe de divulgar matéria supostamente noticiosa sem sujeitar o que supõe saber ao crivo do contraditório nem cumprir outras normas deontológicas que só vinculam os portadores da carteira profissional de jornalista.

 

Não passa praticamente um dia sem que, neste ou noutros canais, escutemos comentadores da política ou do desporto difundirem em antena "notícias exclusivas" que muitas vezes são meros rumores, à revelia das respectivas direcções de informação. O caso mais flagrante acontece na área do futebol - a tal ponto que me questiono se continuam a existir jornalistas habilitados a pronunciar-se na área do desporto em qualquer destes canais. Mesmo que a resposta seja afirmativa, o facto é que qualquer deles pouco mais servirá do que para estender um microfone, muitas vezes em "conferências de imprensa" onde não se escuta uma verdadeira pergunta digna desse nome.

Tudo isto deveria preocupar a estrutura dirigente dos jornalistas - se ela existisse. Acontece que esta é a única actividade abrangida por um código deontológico que não está organizada enquanto ordem profissional. Condenados à proletarização, sem condições mínimas para exercer o trabalho, desconsiderados pelas empresas onde prestam serviço e ultrapassados a todo o momento por qualquer "comentador residente" em estúdio, os jornalistas figuram hoje no posto mais baixo da cadeia informativa.

Problema exclusivo deles? Não: é um problema dos cidadãos que tantas vezes preferem ser "informados" pelo que "se vai dizendo" nas redes sociais e elegem as televisões que mais transformam notícias em "entretenimento".

Um problema do País, portanto.

Perguntas que gostava de fazer (4)

por Paulo Sousa, em 03.10.19

Prof. Marcelo,

Como é que gostava de ser lembrado no próximo regime?

Um Presidente diligente.

por Luís Menezes Leitão, em 20.08.19

Graças ao seu conhecimento profundo das questões de constitucionalidade e à forma diligente com que examina os diplomas que lhe são submetidos para publicação, o Presidente da República tem sempre concluído com enorme brilhantismo nunca haver nada em diploma algum que lhe suscite qualquer problema constitucional.

Gente que não sabe estar durante os incêndios

por Tiago Mota Saraiva, em 23.07.19

Mais uma vez, o hábil e ponderado negociador António Costa, erra com estrondo na resposta que dá à crise dos fogos. Polemizar com o vice-presidente da Câmara Municipal de Vila de Rei atacando-o num momento em que está a lidar com uma calamidade é um disparate político e um gravíssimo erro de comunicação. Se o que Costa diz não é mentira - os autarcas são os “primeiros responsáveis pela protecção civil em cada concelho" - também não é menos verdade que o governo é o principal responsável pela protecção das populações em risco e situação de calamidade.
Costa tarda em aprender com Marcelo que percebe que estes momentos são para ouvir, estar e deixar-se levar, mais do que assumir grandes declarações políticas. No que toca a Marcelo, e assim que os fogos estejam adormecidos, importará perceber como ultrapassará a declaração feita há um ano de que não se recandidataria se sucedesse uma nova tragédia.

Frases de 2019 (20)

por Pedro Correia, em 16.07.19

 

«O Presidente da República não é comentador político.»

Marcelo Rebelo de Sousa, falando aos jornalistas no sábado, dia 13

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Marcelo Rebelo de Sousa entrou no penúltimo ano do seu mandato com impressionantes níveis de popularidade – facto que só terá colhido de surpresa aqueles que, em qualquer banda ideológica, andam de passo trocado com a sociedade. Porque Portugal, naquele momento concreto, estava a precisar de um Presidente com estas características: alguém capaz de sorrir e de se comover em sintonia com o cidadão comum. Sem artifícios, sem poses estudadas, sem obedecer aos ditames das agências de comunicação. Porque Marcelo é mesmo assim. E nada melhor do que o senso comum dos portugueses para distinguir a boa moeda da má moeda, para usar uma expressão celebrizada pelo anterior inquilino do Palácio de Belém.

Seria muito interessante, a propósito, revisitar o que disseram e o que escreveram sobre Marcelo sobretudo aqueles que, acantonados num sector político afim ao do actual Chefe do Estado, o consideravam incapaz de ser a figura inspiradora e galvanizadora que se tem revelado nestes seus três anos no máximo posto político do País. Pintaram-no como imaturo e maquiavélico, recorreram a uma recordação infantil de António Guterres acerca de um irrequieto menino que tocava às campainhas de todas as portas. Houve até uma figura com décadas de lugar cativo no comentário político, acometida por uma visão nada inspiradora, que julgou detectar nele «falta de coragem» para se apresentar às urnas.

Marcelo encarregou-se de contrariar estes péssimos oráculos nos três anos que leva ao serviço do País, funcionando como efectivo traço de união entre todas as parcelas e todos os habitantes do território nacional. Graças a ele, temos hoje um Portugal mais confiante e menos crispado. E vale a pena sublinhar que o nosso primeiro Chefe do Estado especialista em direito constitucional alcançou este objectivo sem abdicar um milímetro dos poderes que a lei fundamental lhe confere: pelo contrário, reforçou o papel do Presidente da República no quadro institucional, quando a prática anterior ameaçava torná-lo mera figura decorativa, devolvendo assim a Constituição de 1976 ao espírito original, de matriz semipresidencialista.

Este Presidente capaz de passar uma noite na companhia de pessoas sem abrigo, de visitar “bairros problemáticos” onde por vezes nem a polícia entra ou de apontar a calcinada Beira Interior como local de férias, irá decerto continuar a surpreender-nos pela positiva. Travando assim o passo aos piores populismos, numa confirmação prática de que é possível aproximar os eleitos dos eleitores.

Ideias certamente não lhe faltam. Apesar disso, tomo a liberdade de lhe transmitir uma: celebrar um 10 de Junho em Olivença. Que, à luz da Constituição portuguesa e do direito internacional público (expresso na Acta Final do Congresso de Viena, em 1817), continua a ser de jure território nacional. Onde subsiste um valioso património histórico e cultural com a nossa marca e é notória a simpatia da população pelas suas seculares raízes alentejanas, o que aliás se traduz em números: desde 2014, mais de 800 oliventinos adquiriram a nacionalidade portuguesa e há turmas cheias de crianças a aprender português, apesar de ser ali apenas disciplina opcional.

Gostaria de ver Marcelo em Olivença, num 10 de Junho, confraternizando com os residentes nos 420 quilómetros quadrados do perímetro oliventino, onde se integram também as aldeias de São Jorge de Alor, São Domingos de Gusmão e São Bento da Contenda. Sem saudosismos nem nacionalismos bacocos. Com o seu espírito positivo e fraterno, de quem tem inequívoca vocação para estabelecer pontes. Esta seria mais uma.

 

Publicado originalmente no jornal Dia 15.

De disparate em disparate

por Pedro Correia, em 02.06.19

Rui Rio, como se não tivesse já adversários em número suficiente, decidiu abrir mais uma frente de batalha. Mas ainda não foi desta vez que começou a alvejar o Governo: preferiu atirar-se ao Presidente da República, considerando que Marcelo Rebelo de Sousa faz uma análise «muito optimista um bocadinho superficial» da cena política portuguesa.

«Temos uma crise efectiva de regime, com um descrédito muito grande de todo o sistema partidário», disse hoje Rio aos jornalistas. Falava como se não fizesse parte do sistema partidário e não fosse ele próprio líder de um partido desde Janeiro de 2018. Falava como se não andasse há quase 40 anos na política portuguesa - como vice-presidente da JSD, deputado social-democrata, vice-presidente do grupo parlamentar, secretário-geral do PSD, presidente da Câmara do Porto eleito pelo partido laranja e presidente da Junta Metropolitana do Porto antes de assumir as actuais funções.

Foi preciso ter conduzido o partido à mais estrondosa derrota eleitoral de sempre para se alarmar com a «crisa efectiva de regime». Cabe perguntar se falaria assim caso o PSD não tivesse ficado 11,5 pontos percentuais atrás do PS nas eleições que ocorreram faz hoje oito dias.

A ler

por Sérgio de Almeida Correia, em 03.05.19

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(pdf edition)

"Initially, balking at the vision, those selfies with “Uncle Marcelo” sat uneasily with me. The gravitas and dignity of a state visit stands incongruous with those eager faces: some showed complete joy in the utterly unique opportunity (ah, the benefits of expatriate life); others with awe and disbelief; a few were lost in the adrenaline rush, soaring so high on the occasion that they portrayed a kind of comedic grotesqueness; then there were those seriously contemplating the solemnity of this once in a lifetime chance, and even those that suggested it might become monetizable one day. Nonetheless, a joyous occasion appeared to be had by all.

At what point did our community move from ridiculing the selfie to becoming an advocate for it? This was not just any selfie, but a “marselfie”; an evidenced moment of intimacy with a figure of global importance and recognition."

A oportuna e distanciada leitura da incontornável Leanda Lee em Dignified Selfies. Para os portugueses e o seu Presidente da República reflectirem.

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Registos

por Sérgio de Almeida Correia, em 02.05.19

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"E até é bom haver aqui em Macau alguma coisa, que é a sabedoria milenar chinesa, com alguma agitação portuguesa.

É bom quando me chegam, de vez em quando, notícias de Macau acerca de como um ou outro português é português, vive inquieto, quer mais e melhor, quer aqui mais ou quer melhor ali, e gostaria de ter uma ideia na Administração, outra ideia na Justiça, outra ideia na Língua, outra ideia na Cultura.

Eu vou lendo tudo, vou lendo tudo, e sabendo tudo.

E eu digo: que bom é haver a sabedoria e a calma chinesa e haver também este acicate desta capacidade imaginativa e de frenesim português." – Marcelo Rebelo de Sousa, Residência Consular, Macau, 1 de Maio de 2019

Frases de 2019 (12)

por Pedro Correia, em 26.04.19

«Se [as eleições] fossem amanhã, não tinha dúvidas.»

Eduardo Ferro Rodrigues, presidente da Assembleia da República, admitindo votar Marcelo Rebelo de Sousa nas próximas presidenciais

Arte Contemporânea

por jpt, em 12.04.19

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Apanho esta fotografia no FB, em mural alheio. A gente (eu sou antropólogo, e há os "primos", colegas de outras disciplinas, que vão na mesma) adora aquilo dos artigos (os hiper-patetas dizem "papers", julgam-se melhores, mais credenciados se balbuciarem assim). Mas, de facto, que melhor "artigo" (ou "paper") poderá haver do que esta fotografia como "etnografia analítica" do estado da arte da "arte contemporânea" e da "política contemporânea"? Título da obra?: "o epifenómeno Sousa", autor desconhecido.

Um chá no Palácio

por Pedro Correia, em 08.02.19

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Pacheco Pereira, com a elegância que o caracteriza, adora aplicar o termo "transumância" aos jornalistas, equiparando a gado esta classe profissional de que faço parte. É a altura de retribuir-lhe o mimo, assinalando que também ele é um ser transumante: sai do canal televisivo que lhe dava guarida, entra na semana seguinte no canal concorrente, como se melancias fossem equivalentes a limões. 

Cumpre reconhecer que a transumância foi cumprida com requinte: recebeu a bênção prévia do primeiro-ministro, como se estivesse em risco a democracia, e acaba de ser ungida pelo Presidente da República, recém-regressado de um encontro com o Papa. Poderes terrenos e celestes convergindo na celebração litúrgica do Programa do Regime.

Não deixa de ter graça ver o biógrafo de Álvaro Cunhal instalado numa poltrona em Belém, dando voz ao Chefe do Estado - figura que tantas vezes tem apontado a dedo por falar em excesso. A 25 de Janeiro de 2018, por exemplo, declarou Pacheco sobre Marcelo: «A continuidade da acção do Presidente é a continuidade do Presidente como comentador. Ele fala sobre tudo e pronuncia-se sobre coisas que não se devia pronunciar.»

O visado, irrepreensível anfitrião e pastoreador paciente, acaba de servir-lhe um chá no Palácio. Eis uma forma muito original de o católico Marcelo dar a outra face.

Marcelo no Jamaica

por João Pedro Pimenta, em 06.02.19

Gostava de perceber porquê tanta indignação com a ida de Marcelo ao agora famoso (e famigerado) bairro da Jamaica. Um sindicato da polícia achou que o Presidente tinha tido um "desprezo absoluto" para com eles, os polícias. Ou seja, está a dizer que a gente do bairro é toda ela um bando de criminosos, o que não ajuda nada a refutar o argumento de que não há abuso policial. Uma crítica absolutamente imbecil e contraproducente, como se o presidente tivesse de dar contas à polícia dos sítios onde visita.

 

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Acho muito bem que Marcelo lá tenha ido. Se alguns marginais tiraram fotografias com ele, só posso dar a mesma resposta que ele deu: não tem de pedir cadastro ou CV a cada um que lhe peça para tirar uma selfie (nesse caso dois mandatos não chegariam para tudo). Se queremos que as pessoas destes bairros deixem de se sentir marginalizadas e discriminadas, o primeiro passo é que os mais altos responsáveis políticos apareçam, lhes falem e saibam como é que elas vivem. Assim até podem ganhar alguma noção de hierarquia e respeito pelo estado. Eu sei que o que está na moda são presidentes que só dão atenção à sua facção ou ao seu próprio eleitorado, mas para mim o chefe de estado está acima de grupos e grupinhos e deve dar atenção a todos. Também é por isso que sou monárquico.


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