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O estado da arte

por jpt, em 25.10.20

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Raramente leio o "Expresso". E nunca leio Clara Ferreira Alves. Ontem uma amiga convocou-me: "Lê a crónica da CFA". Li. E recomendo-a, pois é uma boa descrição do actual "estado da arte" português. Trata-se de "O Torso Dispensável".

(Como o texto tem acesso reservado a assinantes poder-se-á ler uma transcrição parcial, mas quase completa, aqui.)

O reality show

por jpt, em 19.10.20

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Hoje chove em Lisboa. E chovem as "bocas", os remoques, as alusões, diante de mais este desvario presidencial. Há muito que Sousa segue tão enrodilhado em si mesmo que se tornou pungente. Muitos portugueses adoram isto. Adoraram o Zé Maria e elegeram-no, depois adoraram o Castelo Branco e elegeram-no. Agora é isto, e votam-no. É a genealogia dos ícones deste reality show, diferentes tiques mas a mesma coisa.

(Entretanto Portas, melífluo florentino, diz que o homem se porta como uma "instituição". O "quanto pior melhor" é a ideia que grassa, da direita à esquerda. Como sair disto?)

Não sejam chatos, votem em mim

por Paulo Sousa, em 19.10.20

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A sensação de falsa segurança

por jpt, em 15.10.20

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Nesta coisa da cidadania verbal (da análise densa ao "amandar bocas", nisso a cada um como a cada qual, e cada dia é um dia ...) o mais importante é o conforto, a demansa do estado reconfortado. Obtém-se este por "pertença", "ser" do clube e holigar em sua defesa. Ou seja, "ser" do partido (do governo) ou "ser" de um qualquer partido/grupo contra (o governo ou outra coisa). Seja lá a propósito do que for. 

Ontem li imensa gente a clamar contra as medidas/propostas anunciadas pelo governo. Francamente, são palavras loucas. Leio agora este seu resumo, em forma de declaração do PM que anuncia a vontade de "abanar" os cidadãos, e não lhe encontro nenhuma falta de senso comum: os funcionários públicos, e adjacentes, serão convocados - se tiverem disponibilidade material para tal, e grande percentagem decerto que a terá - a usar uma aplicação securitária que não lhes viola os direitos individuais, e que o poder político considera útil para este momento de crise sanitária. E a sociedade civil será convocada para estender a céu aberto o uso de máscaras, quando isso for espacialmente recomendável. Qual o problema, qual a irracionalidade?

Por outro lado, isto - este pretendido "abanão" nos cidadãos - permite repensar. Não o futuro Natal mas as práticas do poder político neste 2020. Lembrar a descarada modorra intelectual que antecedeu o confinamento (o vírus que nunca chegaria; a oportunidade de exportar para a China; as fronteiras que não se podiam fechar; a urgência em visitar os lares de terceira idade; a superficialidade do "gozo fininho" da semi-quarentena presidencial - essa série de dislates ditos por dignitários do PR para baixo). Mas acima de tudo, deveria lembrar a mediocridade do discurso que reclamava, em Março e Abril, contra "a sensação de falsa segurança" - contra as máscaras, há século sabidas como boa medida para este tipo de praga; contra os testes (e esta alarvidade, então, foi inenarrável, demonstrativa da mediocridade das autoridades sanitárias). Porque estas medidas de agora são, a um nível imediato, praticamente nada mais do que promotoras da tal "falsa segurança".

Mas estas medidas têm uma outra dimensão, menos efectiva pois menos material: convocam-nos, mobilizam-nos, apelam a um maior cuidado individual/familiar nos núcleos de sociabilidade, de interacção, e também nos contactos episódicos. Melhor dizendo, reconvocam-nos ... Alertam-nos para não baixarmos a guarda, e será essa a sua grande qualidade. E, se assim é, seria interessante que os adeptos deste poder e sua geringonça capitaneada pela dupla PR/PM, repensassem as atoardas que vieram dizendo ao longo de meses. Quando em pleno confinamento tantos (em poucos dias 100 000 pessoas assinaram um documento!) apelaram para uma redução das comemorações do 25 de Abril, pela sua dimensão simbólica para afirmar o estado de concentração tão necessário? Eram adversários da liberdade e da democracia, quiçá adeptos do Chega. Quando o boçal Ferro Rodrigues clamou que não se iria mascarar e tantos o apuparam? Éramos fascistas ... (o homem nem tem a dignidade de se demitir, apesar de ter passado ao lado da maior crise da sua carreira política). Idem para o 1º de Maio, idem para a Festa do Avante, idem para as festividades anti-história de Portugal. E quando Sousa veraneou em bamboleios sob trajes menores, saracoteando-se pelas praias em campanha presidencial, e tantos de nós nos torcemos diante de tamanha indecência histriónica? Fomos ditos da extrema-direita, zangados com este histérico presidente porque não afronta o PS.

Talvez agora este "abanão" que Costa quer dar possa abanar alguns dos seus adeptos palavrosos. E que assim possam perceber que muito do que foi dito e feito por esta incompetente elite política foi contraproducente, de facto criando uma efectiva sensação de "falsa segurança" ao longo de meses. Que desconcentrou, descentrou. Estará na altura de sairem do tal "conforto". A administração desta crise pandémica tem sido errática, com coisas boas e más, mas muito longe de qualquer "milagre português" que a imprensa patrioteira (e muita dela avençada) propalou. E só os "cobardes", para falar a la Costa, os adeptos holigões, tão timoratos que avessos à (auto-)crítica, é que são incapazes de ver isso. Não precisam de pedir outro poder, de passar à oposição. Pois, lá está, cada um como qual. Mas podem, e devem, pedir, exigir, melhor.

 

28 de Outubro de 2005: Presidente da República [Jorge Sampaio], sob proposta do Governo [de José Sócrates], nomeia Oliveira Martins como novo presidente do Tribunal de Contas.

 

20 de Novembro de 2009: Presidente da República [Cavaco Silva], sob proposta do Governo [de José Sócrates], reconduz Oliveira Martins como presidente do Tribunal de Contas.

 

13 de Novembro de 2013: Presidente da República [Cavaco Silva], sob proposta do Governo [de Passos Coelho], reconduz Oliveira Martins como presidente do Tribunal de Contas.

 

19 de Maio de 2016: Presidente da República [Marcelo Rebelo de Sousa], sob proposta do Governo [de António Costa], nomeia Vítor Caldeira como novo presidente do Tribunal de Contas.

 

4 de Outubro de 2020: Governo decide não reconduzir Vítor Caldeira como presidente do Tribunal de Contas - proposta que o Presidente da República aceita.

 

6 de Outubro de 2020: António Costa justifica afastamento de Caldeira invocando o «princípio da não-renovação de mandatos em funções de natureza judiciária».

 

8 de Outubro de 2020: Marcelo Rebelo de Sousa justifica assim a decisão: «A revisão constitucional de 1997 estabeleceu um mandato único para o presidente do Tribunal de Contas».

 

 

Leitura complementar:

As sete críticas do Tribunal de Contas que não caíram bem em São Bento. De Pedro Sousa Carvalho, no Eco.

A nomeação do presidente do Tribunal de Contas. Do Luís Menezes Leitão, no i.

 

Repensar o Natal

por Rui Rocha, em 12.10.20

No Natal, o Marcelo quer que se organizem turnos. Uns almoçam a 24, outros jantam, outros almoçam ou jantam a 25. Estamos agora a fazer o sorteio. A minha sogra é cabeça de série. O meu cunhado calhou no grupo dela. Se saírem para o mesmo grupo os tios solteiros que estão nos potes 3 e 4, será o chamado grupo da morte.

São Martinho

por jpt, em 11.10.20

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Urge repensar o São Martinho ...

 

Frases de 2020 (30)

por Pedro Correia, em 09.10.20

 

«Ele tem uma espécie de diarreia verbal constante.»

José Miguel Júdice visando Marcelo Rebelo de Sousa (SIC Notícias, 6 de Outubro)

Fique descansado

por João Sousa, em 09.10.20

«Marcelo Rebelo de Sousa: escolha do novo presidente do Tribunal de Contas "foi intencional"»

Oh senhor presidente, a esse respeito fique descansado. Estou seguro de que nem ao mais distraído ocorre a ideia de, por detrás da não recondução de Vítor Caldeira e da nomeação de José Tavares, não haver senão intenções.

Frases de 2020 (25)

por Pedro Correia, em 05.09.20

 

«Todos sabemos que Marcelo ganhará.»

Francisco Louçã, hoje, na sua coluna do Expresso

Proposta de leitura

por jpt, em 03.09.20

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Um excelente, mesmo imperdível, texto do co-bloguista José Meireles Graça, publicado no "Observador": "Nada de Novo". 

 

Dez livros para comprar na Feira

por Pedro Correia, em 02.09.20

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Livro sete: Acordo Ortográfico - Um Beco com Saída, de Nuno Pacheco

Edição Gradiva, 2019

203 páginas

 

O chamado “Acordo Ortográfico” – concebido pelo Executivo de Cavaco Silva em 1990 e concretizado pelo Governo de José Sócrates em 2008 – instituiu um panorama caótico na expressão escrita. Mas apenas em Portugal: os brasileiros mantêm a ortografia que já cultivavam, Angola e Moçambique nunca reconheceram as alterações e os restantes países de língua oficial portuguesa permanecem indiferentes ao seu conteúdo – espécie de norma às avessas, cheia de “facultatividades” e duplas grafias, à revelia do nosso aparelho vocálico e do étimo das palavras, muitas das quais ficaram desfiguradas e outras irromperam do nada, geradas por aparente delírio.

O AO90, que pretendia «unificar e simplificar» o idioma, sempre encontrou convictos adversários. Incluindo o actual Presidente da República, um dos 900 signatários de um abaixo-assinado anti-acordo que em 1990 congregou os nomes mais prestigiados das nossas letras – entre eles, Sophia de Mello Breyner Andresen, José Cardoso Pires, Vergílio Ferreira, Eduardo Lourenço, Óscar Lopes, David Mourão-Ferreira, Hélia Correia, Manuel Alegre, Herberto Helder, Maria Gabriela Llansol, Vasco Graça Moura e Mário Cesariny.

O jornalista Nuno Pacheco – co-fundador do Público, de que foi durante largos anos director-adjunto – tem sido um dos mais determinados e esclarecidos opositores ao “desacordo” ortográfico em numerosos artigos de opinião publicados naquele jornal e aqui reunidos, numa sequência cronológica iniciada em 2007 e prolongada até 2019. Artigos que nos fornecem a dimensão exacta deste atentado ao nosso património cultural que muitos brasileiros também rejeitam. «Outra maluquice», comentou Caetano Veloso. «Achei uma bobagem esse negócio da nova ortografia, não faz o menor sentido», observou Nelson Motta. «Sou contra, acho uma burrice», desabafou João Ubaldo Ribeiro.

«O Acordo Ortográfico de 1990 nasceu de um perigoso casamento: o do medo com a mentira», assinala Nuno Pacheco. O pavor de ver surgir uma «língua brasileira» conjugado com a alegação de que o português é a única língua com duas ortografias oficiais. Nada mais errado: o francês tem 15 variantes ortográficas reconhecidas, o espanhol tem 21, o árabe tem 16 e o inglês tem 18.

O desacordo desfigurou ruptura, que os brasileiros continuam a escrever desta forma, instituindo uma rutura a partir do nada. O vulgar interruptor tornou-se interrutor. Ótico (relativo ao aparelho ocular) perdeu o p (usado pelos brasileiros) e ficou igual a ótico (relativo ao aparelho auditivo). Apesar de a optometria ainda ser actividade profissional, tal como arquitectura, que recusa perder o c mandado retirar pela falange acordista. Palavras como recepção e concepção – que mantêm esta grafia no Brasil – passaram a escrever-se aqui receção e conceção – homófonas de recessão e concessão. O que já levou o Supremo Tribunal de Justiça a aludir a um putativo «aviso de recessão» e a Escola Superior de Gestão a pronunciar-se sobre «conceção de créditos». Dois exemplos entre muitas outras aberrações: ninguém se entende nesta balbúrdia.

O caos é tão flagrante que até a Presidência da República, em comunicados oficiais, escreve contato em vez de contacto, porventura convencida de que aquele segundo c que todos pronunciamos devia ser eliminado porque dá jeito sabe-se lá a quem. O que diria Marcelo Rebelo de Sousa, outrora militante anti-AO90, destes disparates hoje cometidos em seu nome?

 

 

Sugestão 7 de 2016:

O Bosque, de João Miguel Fernandes Jorge (Relógio d'Água)

Sugestão 7 de 2017:

1933 Foi um Mau Ano, de John Fante (Alfaguara)

Sugestão 7 de 2018:

O Visitante da Noite & Outros Contos, de B. Traven (Antígona)

Sugestão 7 de 2019:

Um Futuro de Fé, do Papa Francisco e Dominique Wolton

Uma cidadã, cuja aparência associa àqueles que os costumes lisboetas do lumpen-jornalístico sempre cuidam de desvalorizar intitulando-os como "popular" ou "mulher/homem", invectivou o presidente Sousa na Feira do Livro. Teve o surpreendente efeito de o fazer apelar ao voto anti-PS, coisa nunca ouvida até agora.

O interessante da cena é o compungido editorial do director do "Público", até indignado por assim se destituirem os políticos "da dignidade dos seus cargos e do estatuto das suas funções", dizendo o episódio um "prenúncio do que aí vem" de desvalorização dos políticos, não deixando de melifluamente aventar que se tratou "apenas [de um]a peça de uma engrenagem montada por um partido populista" e invectivando que se "perturbe a agenda do chefe de Estado", e que tal "tenha direito à glória nas televisões e mereça ainda aplauso de alguns que, dizendo-se defensores da democracia, aplaudem incidentes que a degradam".

É um editorial canino, aquilo da célebre "voz do dono" e espelha bem o que é este jornal, o mainstream PS e os acólitos (ex-)Livre. Apenas como ilustração deste seguidismo aqui deixo um filme de 2012, breve trecho da pantomina acontecida quando o PM Passos Coelho foi à Feira do Livro. Nem este plumitivo gemeu nem os seus adeptos leitores se indignaram ou sentiram o prenúncio do apoucamento democrático. Gente vil, nada mais do que isso.

De boca bem tapada

por Pedro Correia, em 28.08.20

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Passeio nas ruas de Lagos, onde me desloco pela segunda vez neste Verão. Mais gente por estes dias, mas confirma-se a tendência: muito menos turistas do que no ano passado. Tanto em terra como sobre as águas, fluviais ou marítimas.

Cruzo-me com um número crescente de pessoas, na rua, usando máscaras. Devem confundir o Algarve com a Madeira, onde - aí sim - as autoridades forçam a utilização permanente de máscara em todos os locais públicos ao ar livre, exceptuando (por enquanto) praias e piscinas.

 

Não falta, no entanto, quem utilize aquilo só como enfeite. Transportando-a na testa, no queixo, na orelha, no ombro, no pulso, no cotovelo, onde calha. Para andar assim, não será melhor ficar guardada?

No passeio público, junto à ribeira de Bensafrim, cruzo-me com um pai e dois filhos pequenos: vão todos de máscara encarnada, com o símbolo do Benfica. Sinto-me como espectador de um Carnaval antecipado.

 

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Bem à portuguesa, na hora de comer, formam-se filas. Todos acorrem à mesma hora aos mesmos locais. Largas dezenas de pessoas - sem manterem distância de segurança - amontoam-se, aguardando vez, à porta de estabelecimentos como a Casa do Prego e a Adega da Marina.

Chegam a esperar mais de uma hora por um lugar em espaços apinhados, onde a comida é de uma banalidade confrangedora, quando existem, ali bem perto, muitos restaurantes com melhor ementa e espaço disponível.

 

Nunca hei-de entender estes comportamentos. Mais risíveis só as pessoas que vou vendo, de toalha estendida no areal da Meia Praia, também de máscara posta: devem imaginar que a brisa marítima transporta o vírus.

Reparo num par de namorados caminhando de mão dada à beira-mar. Vão ambos mascarados, como se receassem contaminação mútua. Até o amor cede passo à disciplina sanitária, mesmo na idade em que a líbido comanda a vida.

Também se beijarão de máscara? Não me custa imaginar tal coisa. Em tempo de pandemia, todas as precauções são poucas.

 

O maior dilema ocorre na hora de comer. Creio ter chegado a hora de o Presidente da República fazer um apelo aos criativos da indústria portuguesa, incentivando-os a conceber uma máscara com fresta removível na zona labial para permitir a rápida ingestão de alimentos sem necessidade de retirar o famigerado adereço. Portugal registaria a patente e mostraria ao mundo como se faz.

Poderia chamar-se Máscara Marcelo, em merecida homenagem ao cidadão português que transporta aquilo há mais tempo e durante mais tempo. Foi, aliás, o primeiro a correr sagazmente para casa, encerrando-se durante duas semanas em voluntária quarentena doméstica, enquanto quase todos andávamos por aí, à vontadinha, expostos à codícia do Covid.

Ele é que a sabe toda, vou pensando entre dois mergulhos. A praia continua desafogada - sinal evidente de que o inquilino de Belém permanece longe daqui.

 

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A degenerescência de Belém

por jpt, em 09.08.20

Cada um terá a sua perspectiva sobre a política portuguesa e sobre o actual PR. A este nunca apreciei, e entendo o seu projecto como o da despolitização da sociedade.  Assente num frenético exercício de relações públicas mimoso, centrado na sua "imagem". Trata-se de uma mimetização daquilo que seu pai fez, com garbo e dignidade mas num outro cenário e, portanto, com outra fundamentação política, quando foi governador-geral de Moçambique. Procura uma despolitização que é também uma "despartidarização", no reforço do esvaziar do conteúdo dos partidos. Estes estão em modo autofágico mas a pessoalização presidencial impulsiona essa decadência. Sousa pode aparecer sorridente - quem o conhece sabe que é um maledicente compulsivo, pouco fiável e assim o inverso desta simpática "personalidade" pública - mas é, de facto, apenas um populista antidemocrático.

Num país estruturalmente amarfanhado, como os grandes indicadores socioeconómicos deste XXI o mostram, que vive uma crise enorme potenciada pelo Covid-19, e diante de decisões fundamentais a tratar no quadro do macro-financiamento europeu, é assustador o estado do regime. O velho CDS inane, sem quadros nem roque, e o PSD também sem quadros e com um presidente totalmente desadequado, ambos debatendo a pertinência de uma aproximação a um partido com um deputado, 60000 votos e sem programa - a rábula do programa eleitoral do CHEGA deveria encher de vergonha a direitalhada que se meneia com o prof. Ventura. O PCP insepulto, o BE a perder votos e influência urbana (a rapaziada cresce ...). O PS a gerir o poder de modo patrimonialista, e impregnado de figuras absurdas - a tontice do ex-ministro da defesa, esta ministra que quer as universidades a controlar a opinião pública, a outra ministra que chama "criminosos" a grevistas, um Galamba com extrema relevância no condução de parte substancial do recente pacote de financiamentos europeus ... 45 anos de democracia e o regime não está nada bem, nem se recomenda. E segue neste momento sob este "compromisso histórico", o PS e o PR coligados para preservar o regime do ataque judicial ao execrável "estado da arte".

No topo disto este Sousa, num bamboleio histriónico. A degenerescência do exercício presidencial, a sua abstenção substantiva, é notória. E a médio prazo também é letal a imagem do que é a política, desprovida de qualquer densidade (gravitas), a qual não obriga a uma postura hierática mas não se compadece com este abandalhamento. Muito deste disparatado percurso advirá de questões psicológicas, não pode haver só outras explicações. E muito também de um autocentramento, avesso a quaisquer assessorias críticas. 

Mas este rumo proto-demencial, e tão prejudicial ao país, é potenciado pela abstenção crítica. Um dia, há 25 anos, Cavaco Silva afrontou a imprensa comendo bolo-rei. Foi zurzido e a imagem persegue-o até hoje. Este Sousa faz um show-off patético, constante. Muda de calções em público, passeia-se nas praias, toma sol de máscara, fala com sotaque brasileiro - como neste segundo filme que partilho? Ninguém, à esquerda ou à direita, o abocanha neste desvario. Principalmente à esquerda, pois bem sabem qual a agenda prioritária de Sousa. 

E agora, no reality show em que transformou as suas férias, trinca um bolo e depois reparte-o, manualmente, pelos petizes circundantes, e isto em plena era de cuidados sanitários. Tudo ao invés do que as instituições de saúde nos dizem. Nem pensa!, o homem já nem pensa, encerrado no seu papel, o qual julga ser um monólogo. Esta "bola de Berlim de Sousa" será brandida e celebrizada como o foi o "bolo-rei de Cavaco"? Não. Não porque Sousa seja simpático. Mas porque a amálgama Salgado, Sócrates e magma circundante tem que ser preservada. Porque e plurisbus unum ...

Não lhes cai a máscara (11)

por Pedro Correia, em 07.08.20

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Marcelo Rebelo de Sousa, inconfundível, em Porto Santo

75 anos após Hiroshima

por jpt, em 06.08.20

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Hoje passam 75 anos após Hiroshima, o advento do horror da guerra nuclear. Na amnésia estruturada que apreende a história muitos esqueceram, e os mais-novos nem vislumbram, o sentimento das gerações que cresceram no pavor da hecatombe nuclear, o constante daquela "guerra fria".

Mas para quem se lembre disso, e saiba um mínimo de história contemporânea, poderá hoje também lembrar esta fotografia, e constatar o execrável presidente que nos preside, aqui mimando um arauto da agressão nuclear.  Para além disto há os guevaristas, gente-miúda. Mas, acima de tudo, há este homem. Que segue assim.

Insegurança e desconfiança

por Pedro Correia, em 06.07.20

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O Presidente da República, que já se tinha deslocado duas vezes aos Açores, em Janeiro e Junho, prometendo regressar em Agosto, dignou-se enfim dar um saltinho à Madeira. Talvez estimulado pelo facto de o social-democrata Miguel Albuquerque, presidente do Governo Regional madeirense, lhe ter chamado «bengala do Governo» e admitido concorrer contra ele daqui a seis meses, na próxima eleição para o Palácio de Belém.

Antes da terceira visita ao arquipélago liderado pelo socialista Vasco Cordeiro, Marcelo Rebelo de Sousa lá se dignou picar o ponto na Madeira, numa espécie de toccata e fuga que nem durou 24 horas na ilha descoberta por Gonçalves Zarco. Além de aplacar os ânimos de Albuquerque, que poderia contribuir para lhe reduzir a ansiada fasquia dos 70% na reeleição prevista para Janeiro, o Presidente terá procurado transmitir mensagens de «segurança e confiança» no combate ao Covid-19 em solo madeirense. Para encontrarem eco nos telediários do Reino Unido, que acaba de excluir o nosso país dos "corredores turísticos" deste Verão devido ao aparente insucesso português no combate à pandemia - notícia desastrosa sobretudo para regiões como o Algarve e a própria Madeira, onde os britânicos representam 17,9% das dormidas turísticas.

Iniciativa meritória, a de Marcelo. Duvido muito, no entanto, que obtenha sucesso. Imagino como o verá um inglês médio que observe as imagens dele no Funchal, falando às pessoas na rua sem nunca abandonar a máscara e forçando os demais membros da comitiva a comportarem-se da mesma forma para não parecer mal. Quem entre nós, se fôssemos britânicos, se sentiria seguro e confiante para fazer férias num sítio destes?

A democracia suspensa?

por Pedro Correia, em 04.07.20

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Foto: Mário Cruz / Lusa

 

Daqui a seis meses, os portugueses serão convocados às urnas para escolherem entre os diversos candidatos presidenciais. Enquanto o actual titular do cargo mantém um silêncio sepulcral sobre as sua provável recandidatura.

Mandaria a mais elementar transparência que Marcelo Rebelo de Sousa já tivesse deixado claro qual é a sua intenção nesta matéria, em vez de esperar pelos bitaites do primeiro-ministro, pertencente a uma família política diferente da sua. 

Do alto do pedestal em que as sondagens o colocam, Marcelo opta pela posição mais confortável: gere o silêncio até ao limite possível, condicionando toda a margem de manobra à direita do PS, e vai fazendo campanha sem se declarar candidato. O que pode ser divertido para ele mesmo mas não é salutar para a vida democrática.

 

Enquanto se desenrolam estes jogos de bastidores, só favoráveis ao actual inquilino do Palácio de Belém, Rui Rio rompe mais uma cura de silêncio, propondo agora o fim dos debates quinzenais na Assembleia da República - sede insubstituível de fiscalização e controlo do Governo. Alegando que «o primeiro-ministro não pode passar a vida em debates», algo de que nem o próprio António Costa alguma vez se lembraria

Com esta declaração em que parece advogar a suspensão da democracia, Rio comprova assim ter mais vocação para mordomo do chefe do Governo do que para "líder" da oposição. Alguém imagina o novo líder do Partido Trabalhista britânico, Keir Starmer, advogar o fim dos debates (semanais, não quinzenais) na Câmara dos Comuns para poupar maçadas a Boris Johnson?

 

ADENDA: Será que, na cúpula do PSD, não falam uns com os outros? No mesmo dia em que Rio faz estas declações absurdas contra o excesso de debates na AR, Paulo Rangel diz isto (no Expresso da Meia-Noite, da SIC Notícias): «Os governos, em democracia, estão sujeitos ao escrutínio democrático. E, quando há erros, apontar os erros não é ser antipatriótico.»

RGI (Reunião Geral Infarmed)

por jpt, em 26.06.20

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[Fotografia de Horácio Villalobos (Corbis via Getty Images)]

 

Interessante relato na Visão da RGI (Reunião Geral Infarmed) de ontem: a "narrativa" levou um tiro no porta-aviões. Clama Costa que a ministra Temido afinal não é o máximo, que a dra. Freitas ("ide visitar os idosos, sede solidários") só atrapalha com a sua atrapalhação, que os sacanas dos doutores esparvoam quando se atrevem a que a culpa disto tudo afinal não é dos putos que festejam. E pontapeia os gajos dos hoteis e dos restaurantes para que se amanhem com a falta de clientela - que ele já fez o que tinha a fazer, até trouxe a Champions. Ainda por cima o mascarado Rodrigues fala-lhe em "segunda vaga" do covídio, sem o avisar antes, qual Centeno, num "ninguém me diz nada"? Barafusta que a "culpa não é minha", levanta-se, num adeusinho "que já se faz tarde", segue à sua vida e dá as costas àquela malta, ali deixada a entreolhar-se até um bocado aflita com a zanga do Chefe. Até o Sousa, que ainda julgava ser o presidente.


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