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Fora da caixa (14)

por Pedro Correia, em 23.09.19

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«Adoro as espetadas madeirenses.»

António Costa, ontem à noite, na sede do PS 

 

O secretário-geral do PS reagiu de forma original, no Largo do Rato, à derrota eleitoral do seu partido na eleição para a Assembleia Legislativa da Madeira. Com esta declaração de amor ao principal cartaz da gastronomia insular, alicerçado na comprovada excelência do gado bovino.

Fiquei preocupado. Isto vai trazer-lhe imensos dissabores junto do lóbi animalista, da vetusta academia coimbrã e até no seio do seu próprio governo (espero que as patrulhas me autorizem a escrever a expressão "no seio", de que tanto gosto).

 

Já antevejo o reitor Falcão enraivecido de indignação, de dedo acusador apontado a Costa, repetindo o que o levou a interditar a carne de vaca nas cantinas que tutela: «Vivemos um tempo de emergência climática e temos de colocar travão nesta catástrofe ambiental anunciada.»

Antevejo também o titular da pasta do Ambiente a balbuciar protestos à entrada do próximo Conselho de Ministros, lembrando ao chefe do Executivo o compromisso governamental de declarar o País «neutro de carbono» até 2030 e a recentíssima declaração do próprio Costa sobre a substituição da carne por peixe nos jantares oficiais. Malhas que a correcção política tece.

 

Basta olhar para o líder socialista para se perceber que é bom garfo: imagino-o a deliciar-se com um leitão à Bairrada ou um chacuti de cabrito. Para ele, deve ser uma tremenda chatice aturar os fiéis devotos da rúcula e os talibãs do tofu.

Serei o último a admirar-me de o ver mais vezes na Madeira nos meses que vão seguir-se, até em incursões clandestinas, para matar saudades das suculentas espetadas em pau de loureiro. É verdade que o PSD continua ali a ganhar eleições, mas quase ninguém vota no PAN e o boicote à boa carne ainda não contaminou a Pérola do Atlântico.

 

De Costa podemos esperar muita coisa, mas sou incapaz de imaginá-lo convertido ao feijão maduro cozido com um fio de azeite, apregoe frei André Silva o que apregoar.

Percebo cada vez melhor que prefira entender-se com Jerónimo de Sousa. Não tanto por uma imperiosa necessidade de convergência política mas pela possibilidade de ambos partilharem mão de vaca com grão ou ensopado de borrego, tudo regado com tinto alentejano. A "descarbonização" pode esperar.

As ligações insulares da Líbia

por João Pedro Pimenta, em 30.03.18
O suposto patrocínio de Muammar Kadhafi e do regime líbio à campanha presidencial de 2007 de Nicolas Sarkozy, que levaram à detenção deste há poucos dias,  não é exactamente uma novidade nem um rumor esquecido. Já tinha sido publicitada várias vezes, a começar pelo filho do próprio ditador da Líbia durante o levantamento no país, quando a França liderou a intervenção militar externa que seria decisiva para a queda do "regime verde" e para os acontecimentos que se seguiram. 
 
A ser verdade não sei quais as razões deste patrocínio financeiro a Sarkozy, mas por certo seria para obter quaisquer objectivos financeiros ou estratégicos da parte da França. De resto, Kadhafi nunca deixou de se imiscuir nos assuntos dos outros países de forma diversa. Na sua versão mais recente fazia-o através de recursos económicos proporcionados pelo petróleo líbio, como os interesses que tinha em empresas italianas como a FIAT, ou até em clubes de futebol. Mas nas primeiras décadas, o coronel esteve envolvido em  quase todos os conflitos envolvendo terrorismo e rebelião. Do IRA à ETA, passando por todas as organizações palestinianas e estando por trás de grandes atentados dos anos oitenta, como a explosão do avião sobre Lockerbie, ou estreitamente ligado aos grandes terroristas da época, como Carlos, O Chacal, ou Abu Nidal, Kadhafi não perdia uma. E quando não tinha uma organização terrorista ou ma causa subversiva para apoiar, procurava-as. Um artigo recente de Rui Tavares conta-nos que o ditador líbio, numa reunião da Organização dos Estados Africanos, exigira a "liberdade da colónia africana da Madeira, ocupada por Portugal", dizendo o mesmo das Canárias. Se a esta ainda podia fazer referências aos guanches, o povo autóctone pré-espanhol, já dificilmente veríamos os madeirenses a querer ser libertados por Kadhafi. 

 

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Mas os líbios, sempre prestes a auxiliar um bom movimento separatista, também olhavam para os Açores, já fora da órbita africana. César Oliveira, antigo deputado e autarca do PS (e pai de Tiago Oliveira, agora muito falado por estar à frente da estrutura que previne os fogos rurais), já desaparecido, conta-nos as suas impressões da Líbia em finais dos anos setenta no seu livro de memórias de 1993, Os Anos Decisivos:

País de um novo-riquismo impressionante e avassalador, a Líbia constituiu (...) a certeza de que representava uma ameaça para a paz e no Norte de África como para o próprio Sul da Europa (...) Um alto dirigente líbio colocou-me a pergunta sobre a posição da UEDS quanto à ala esquerda da FLAMA e da FLA. E como tivéssemos respondido, naturalmente, que não víamos qualquer ala esquerda naqueles movimentos insulares e que, pelo contrário, os víamos como de extrema-direita e politicamente suspeitos, acabaram-se todas as facilidades e tive mesmo dificuldades em obter o bilhete de avião  para Lisboa, via Roma. 
 
Claro que o apoio a tais movimentos não passou de intenções, discursos e perguntas. Mas revela bem até que ponto aquele excêntrico regime líbio interferia ou procurava interferir nos assuntos dos outros países. Daí que não possa deixar de me rir quando ainda ouço inúmeras indignações A invasão e "violação da soberania da Líbia." Não que não tivesse acontecido, que aquilo não tenha redundado num caos e que a morte de Kadhafi e outros não seja condenável. Mas se houve país que se imiscuiu nos assuntos alheios, com consequências trágicas, a Líbia é o melhor exemplo, assim como Kadhafi é o responsável por inúmeras mortes e conflitos. Aplicou-se, de novo, a velha teoria de que quem com ferros mata...

Chamem os madeireiros

por João Campos, em 19.06.16

Diziam as más-línguas que a equipa enviada por Portugal ao Euro 2016 era a selecção do empresário Jorge Mendes. Nada mais falso. Como se viu por estes dois jogos, esta é antes a selecção da Portucel.

A primeira derrota de Costa

por Pedro Correia, em 30.03.15

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 António Costa em campanha no Funchal (15 de Março)

 

António Costa decidiu derrubar António José Seguro, sem deixar o então secretário-geral do partido submeter-se ao teste das eleições legislativas após três anos em funções no Largo do Rato, com um argumento derivado do mais puro achismo lusitano: achava-se em melhores condições de protagonizar o ciclo político pós-Passos Coelho.

Isto sucedeu, note-se, no rescaldo imediato das eleições europeias de 2014, em Portugal ganhas pelo PS. Esse foi o terceiro triunfo de Seguro em três anos: antes, com ele à frente do partido, os socialistas tinham vencido as eleições regionais dos Açores e as autárquicas.

Costa achou "poucochinho" o triunfo nas europeias - que constituíram um descalabro generalizado para a família socialista no Velho Continente ao qual o PS português foi um dos raros partidos que escaparam - e, estribado na tropa de choque de José Sócrates, garantiu aos militantes que faria melhor do que os 38% das intenções de voto atribuídas a Seguro pelas sondagens à época.

 

Quase um ano depois, afinal, o PS permanece como estava: Costa não ganhou um milímetro nas pesquisas de opinião para o partido, que acaba de averbar uma estrondosa derrota nas eleições regionais da Madeira. Apesar de prometerem ser as mais propícias de sempre para a oposição socialista pois marcavam o fim do longo consulado jardinista.

Com um péssimo candidato a encabeçar a lista regional, uma desastrosa política de alianças que privilegiou o patusco Coelho - o Beppe Grillo funchalense - e o excêntrico Partido dos Animais, e sem a menor capacidade de aglutinar a esquerda local, mais dividida que nunca, o PS acaba de ser remetido para mais quatro anos de oposição no arquipélago, assistindo impotente à revalidação da maioria absoluta do PSD, desta vez comandado por Miguel Albuquerque. E sem ter sido sequer capaz de ultrapassar o CDS como segunda força política regional.

Pior ainda: os socialistas recuam em relação ao anterior escrutínio, ocorrido em 2011, não só em número de votos e percentagem, mas também em lugares no Parlamento regional. Há quatro anos elegeram seis deputados (em 47), agora têm os mesmos, mas como concorreram em coligação com três partidos, um desses assentos caberá ao patusco Coelho, que se apressou a descolar do PS, esgotado o prazo de validade deste partido enquanto barriga de aluguer.

 

António Costa participou na campanha eleitoral da Madeira, apoiou o candidato fracassado, envolveu-se. E perdeu.

Estivesse ainda Seguro ao leme do PS nacional, acossado por um batalhão de bitaiteiros televisivos dispostos a "fazer-lhe a folha", e não faltaria o coro das carpideiras a bramar contra a "frouxa" liderança no Largo do Rato.

Como Seguro já não está, resta o silêncio.

 

Leitura complementar:

Açores: dez apontamentos eleitorais (texto de 14 de Outubro de 2012)

Bolo do caco com a mesma forma

por Sérgio de Almeida Correia, em 30.03.15

madeira2015.jpg Na Madeira cumpriu-se democraticamente o ciclo eleitoral.

O PSD/Madeira, agora de Miguel Albuquerque, volta a estar de parabéns. Levando em linha de conta os anteriores arrufos entre o ex-líder e o actual e a perda de cerca de quinze mil votos por comparação com as eleições anteriores, o resultado, mesmo com uma abstenção elevadíssima, é digno de nota, sendo legítimo desejar-lhe uma governação à altura das responsabilidades. Resta saber qual o preço que irá ser cobrado ao PSD de Passos Coelho por este resultado regional que reedita a maioria absoluta.

Apesar dos cadernos eleitorais continuarem a aguardar limpeza, a abstenção não pode deixar de ser considerada brutal e deverá constituir um sério aviso ao que poderá vir a caminho para as eleições legislativas. Mas aqui com consequências bem mais imprevisíveis tanto em matéria de maiorias como de formação de uma equipa governativa.

Pesado, diria mesmo doloroso, foi o resultado eleitoral do PS. No final do ciclo do jardinismo, numa altura em que as críticas foram mais do que muitas aos desvarios gastadores de Jardim, e depois de um período de grande aperto, à semelhança do que aconteceu com os restantes portugueses, esperava-se outro resultado do PS/Madeira. O que aconteceu foi um desastre que retira voz e protagonismo ao partido a nível regional. Esteve por isso bem o líder regional que imediatamente se predispôs a sair de cena.

O resultado do PS/Madeira lança também um sério aviso ao PS quanto à política de alianças em que eventualmente poderá estar a pensar, se é que alguma chegou a ser pensada, para as eleições legislativas. Uma má escolha de parceiros e a realização de alianças contranatura, apenas por razões de eleitoralismo puro, poderão ter um efeito contraproducente e deitar tudo a perder. Seria bom que António Costa e a sua equipa pensassem nisso não só em matéria de alianças como, em particular, na hora de escolher os candidatos que preencherão as listas. Já chega de erros de casting e de carreiristas oportunistas e impreparados. Se não se aproveitar a oportunidade para se corrigir o que antes se fez mal, isso poderá nunca mais vir a ser possível rectificar, com consequências ainda mais nefastas do que as verificadas na Madeira.

O CDS/PP obteve um mau resultado. As palavras de Paulo Portas soam por isso a falso e tentam disfarçar o que não pode ser disfarçado. Passar de 17% para 13% e perder dois deputados só pode dizer-se que seja um resultado "consistente, resistente e sustentado" quando se está a falar para tolinhos.

Bom resultado teve, apesar de tudo, o BE ao conseguir dois deputados. Mas a palma levou-a coligação JPP (Juntos pelo Povo). Ficar com o mesmo número de deputados que o PS/Madeira na AL regional é obra e poderá indiciar, aqui sim, novidades na oposição.

Quanto ao mais, o resultado melhorado do PCP continua a não esconder a sua irrelevância, debilidade e incapacidade para sair do reduto onde há décadas ficou acantonado.

Aguardemos, pois, para se perceber até que ponto teremos mudanças na Madeira. E se os resultados agora verificados poderão vir a ter influência nacional e nos sempre efervescentes sonhos políticos do "deposto" Alberto João Jardim.

Perspectivas de futuro

por Sérgio de Almeida Correia, em 24.03.15

Se eles não se comportarem bem, passamos logo a ser oposição. Mais nada.” - José Manuel Coelho, líder do PTP-Madeira que integra a aliança pré-eleitoral liderada pelo PS para as eleições regionais da Madeira, ao referir-se aos seus parceiros socialistas.

Pobre, nem por isso; mal-agradecido, certamente

por José António Abreu, em 08.12.13

A excepção concedida aos políticos madeirenses, permitindo-lhes acumular salários e pensões, é inqualificável (como a Teresa Ribeiro já salientou). Que Alberto João Jardim retribua prometendo um reforço da luta pela autonomia é não só típico da criatura como muito bem feito para quem lhe apara os golpes.

Reflexão sobre as eleições autárquicas (2)

por Pedro Correia, em 29.09.13

 

6. Chega-nos da Madeira uma das melhores notícias deste escrutínio: pela primeira vez numa noite eleitoral, Alberto João Jardim não poderá cantar vitória. Aconteceu na região autónoma, com décadas de atraso, algo que há muito se impunha: uma mobilização contra o monopólio laranja na ilha, selada sem olhar a mesquinhos interesses de geometria partidária. Está de parabéns a coligação anti-Jardim, com a inédita conquista da câmara municipal do Funchal e reflexos em pelo menos seis outros dos 11 concelhos regionais, onde o PSD disse adeus à maioria. E mais dilatada seria ainda a mudança na Madeira se os comunistas não tivessem ficado à margem, fechados -- como de costume -- à convergência com outras forças políticas.

 

7. Contrariando todas as expectativas, o mais imprevisível líder político português tem motivos para sorrir esta noite. Desde logo porque o CDS foi o único partido a recomendar o voto em Rui Moreira, recusando aplicar no Porto a lógica da aproximação aos sociais-democratas que ocorre a nível nacional. Mas sobretudo porque soma novas câmaras municipais a Ponte de Lima, a única onde tinha maioria até agora. Albergaria-a-Velha e Vale de Cambra (nos distritos de Aveiro), Velas (nos Açores) e Santana (na Madeira) são os quatro novos municípios pintados de azul. Do "irrevogável" abandono do Governo, jamais concretizado, a este pequeno brilharete nas urnas num intervalo de dois meses: o percurso de Paulo Portas prossegue em rota de montanha russa.

 

8. António José Seguro fez a mais esforçada campanha destas autárquicas. Percorreu o País, incansavelmente, promovendo candidatos. Precisava, para sair deste escrutínio com uma vitória que não soasse a empate, de descolar dos 38% obtidos pelo PS em 2009, ainda sob o comando de José Sócrates. Este objectivo ficou em parte por alcançar: baixou em votos e percentagem global. Tem a partir de agora a presidência da Associação Nacional de Municípios e o maior número de câmaras de sempre, é certo, mas a mais emblemática vitória socialista foi protagonizada pelo seu rival interno, António Costa. Viu fugir, à esquerda e à direita, importantes municípios socialistas: Braga, Évora, Beja, Guarda, Loures e Matosinhos. Balanço: um pequeno passo na direcção que ambiciona. Mas certamente mais curto do que sonhava. E o crescimento eleitoral da CDU é má notícia para o PS.

 

9. Muito deram que falar, ao longo do ano, as candidaturas em algumas câmaras de autarcas que já tinham cumprido três mandatos noutros municípios. O Tribunal Constitucional decidiu, e bem, que não lhes poderia ser sonegado esse direito político. Alegavam os defensores da tese oposta que isso colocaria tais candidatos em concorrência desleal perante os eleitores. Essa vantagem aconteceu? Em Lisboa não: Fernando Seara sofreu uma derrota humilhante, aliás mais que previsível, e a Luís Filipe Menezes sucedeu algo semelhante no Porto. Mas quatro capitais de distrito passam a ser encabeçadas por autarcas visados nessa polémica: Aveiro (Ribau Esteves), Beja (João Rocha), Évora (Carlos Pinto de Sá) e Guarda (Álvaro Amaro). O mesmo acontece com a CDU em Alcácer do Sal e o PSD em Castro Marim.

 

10. Vencedores da noite, além dos já referidos? Muitos e variados. Destaco apenas alguns. O líder parlamentar comunista, Bernardino Soares, que marca pontos decisivos para a futura sucessão de Jerónimo de Sousa nas fileiras comunistas ao arrebatar Loures ao PS, recuperando 25 pontos percentuais nesta vitória. O social-democrata Ricardo Rio, que põe fim a 37 anos de absoluta hegemonia rosa em Braga. O socialista Paulo Cafôfo, agora eleito presidente da câmara do Funchal e nome já incontornável para o pós-jardinismo. E Rui Rio, que não concorreu a lugar algum mas pode cantar vitória ao saber que o seu sucessor no Porto também se chama Rui. Passos Coelho deve estar mais preocupado com Rio do que com Seguro. Eu, no lugar dele, estaria.

 

(actualizado)

Resistência activa ao aborto ortográfico (13)

por Pedro Correia, em 08.11.12

 

Diário de Notícias da Madeira

 

A vitória que precede a derrota

por Pedro Correia, em 03.11.12

 

vitórias que soam a derrotas para quem se apega ao poder, usando armas desleais na tentativa de desqualificar os adversários, e não sabe retirar-se a tempo do palco político.

Pela primeira vez, Alberto João Jardim enfrentou um adversário interno. E tremeu. De algum modo, o pós-jardinismo começou há umas horas na Madeira. Enfim, uma boa notícia.

Um mar de chamas

por Pedro Correia, em 19.07.12

 

"O inferno desceu ao Funchal"

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Indignação, espanto, lamento

por Pedro Correia, em 12.07.12

Já vos deve ter acontecido também. A falta de tempo, conjugada com outros assuntos que vão surgindo a requerer uma palavra urgente e necessária, acaba por nos fazer passar à margem de temas que gostaríamos de comentar - com espanto, lamento ou indignação. Ando há semanas para falar aqui de três temas. Que são estes:

 

Indignação. Achei inqualificável que o PSD/Madeira tenha rompido o consenso parlamentar, demonstrando que nem a morte põe fim aos gestos do mais rasteiro sectarismo. Refiro-me ao voto de pesar pela morte do eurodeputado Miguel Portas, do Bloco de Esquerda, na Assembleia Regional madeirense, em que uns deputados que se dizem sociais-democratas se abstiveram ou saíram da sala. Simplesmente vergonhoso.

 

Espanto. Emídio Rangel foi condenado a 300 dias de multa, a uma taxa diária de 20 euros (o que atinge o valor de seis mil euros), e a 50 mil euros por danos não patrimoniais à Associação Sindical dos Juízes Portugueses e ao Sindicato dos Magistrados do Ministério Público. Por ter dito algo que é do conhecimento comum: as informações de processos em segredo de justiça são transmitidas por fontes judiciais aos jornalistas. (António Barreto fora muito mais contundente, em Fevereiro de 2010, numa entrevista ao Expresso: "Há pessoas que estão a ganhar fortunas para vender informações em segredo de justiça.") Uma vez mais, nos tribunais de primeira instância, faz-se tábua rasa da liberdade de expressão, direito garantido e protegido pela Constituição, optando-se pela primazia ao direito ao bom nome. Mas o mais escandaloso é o montante da indemnização, ao que suponho inédita e totalmente desproporcionada. Tenho a certeza de que tribunais superiores, em sede de recurso, alterarão este veredicto. E em última instância, se for necessário, o tribunal das comunidades fará prevalecer o exacto sentido das proporções. Como, infelizmente, tem sucedido várias vezes em processos deste género. Com humilhantes condenações ao Estado português.

 

Lamento. Costumo dizer que aprendemos mais com quem nos critica do que com quem nos elogia. Uma das vozes mais críticas - mas também mais respeitáveis - na imprensa portuguesa é, há muitos anos, a do João Paulo Guerra. Muitas vezes discordei do que escrevia na sua 'Coluna Vertebral' do Diário Económico mas habituei-me a respeitar a sua acutilância sempre elegante e a sua mordacidade que nunca resvalava para o cinismo e menos ainda para o insulto. Escrevi em tempos, e reitero, que o considero um dos três melhores cronistas da imprensa portuguesa. Lamento muito que a sua coluna tenha terminado. Espero lê-lo um dia destes num outro jornal qualquer.

Subsídios para o estudo da metonímia

por Rui Rocha, em 08.02.12

O governo regional da Madeira reagiu, através de comunicado, acusando Angela Merkel de ter produzido declarações ignorantes sobre a Madeira.

Pontos nos is (10)

por João Carvalho, em 27.01.12

TOMATES

Já se sabia, mas confirmou-se: o primeiro-ministro foi firme e o ministro das Finanças foi inflexível. O dinossáurico líder madeirense viu caírem por terra praticamente todas as suas promessas eleitorais essenciais e caírem para as urtigas as sucessivas ameaças que constituíram o seu show-off mais recente.

Ficou, portanto, tudo mais claro e entendido. Tudo, excepto uma coisa: Alberto João Jardim não se demitiu porque a dignidade política está em extinção, ou porque ficaria sem guarda-costas a protegê-lo dos tomates e ovos podres da sua região?

No fim, como às vezes ainda vai acontecendo, acaba por ver-se facilmente que "o rei vai nu".

A imagem do dia

por Rui Rocha, em 25.01.12

 

Jardim o pândego, o desbragado, o espalhafatoso, o incontinente verbal, vem a Lisboa (ao terreno do inimigo, portanto) assinar o acordo de assistência financeira da Madeira. Entra mudo e sai quase calado. Por uma vez na vida, a sua maior ambição parece ser a de tornar-se invisível. Não há cerimónia de assinatura. Se dependesse de Jardim, não haveria imagens. Platão dirigiu-se a Fedro para lhe dizer que as figuras pintadas têm a atitude das pessoas vivas, mas se alguém as interrogar permanecerão gravemente caladas. Jardim sabe que cada uma das imagens da capitulação lhe estreita a oportunidade de contraditório. De apresentar a sua própria versão dos factos e das consequências. Encenará um dos seus números no regresso à Madeira. Qualquer aficionado sabe que a crença natural de um touro, mesmo do mais destrambelhado, está em refugiar-se em tábuas. Alguns povos primitivos acreditam que as fotografias roubam a alma. A de Jardim ficou hoje em Lisboa. Ali a vendeu àqueles de quem dizia serem o próprio diabo.

Ameaça por ameaça

por João Carvalho, em 22.01.12

«Jardim ameaça Vítor Gaspar com bancarrota», segundo a imprensa. E Vítor Gaspar não ameaça Jardim com corte das reformas e dos vencimentos?

Afinal, quando é que na Madeira acabam com a acumulação das reformas e subvenções dele e dos seus apaniguados, que continuam a acumulá-los (por inteiro) com os vencimentos (por inteiro) de cargos oficiais e outros que tais?

Em suma: quando é que a Madeira deixa de poder acumular e passa a ter de optar, como o resto do País? Alguém me diz? Trata-se apenas de pôr cobro a uma situação excepcional de privilégio totalmente injustificável. Mais a mais numa parcela do território nacional onde impera a gestão danosa e ainda se cultivam ameaças contra o resto do País e se faz gáudio da falta de solidariedade.

O défice democrático na Madeira já está identificado há muito. O que não era tão conhecido é o défice madeirense de cidadania.

Do mal o menos

por Rui Rocha, em 10.01.12

O Jornal da Madeira afirma que há confiança no sector da banana.

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"Gorduras do Estado" (29)

por Pedro Correia, em 10.01.12

Jardim desvia dinheiro das farmácias para pagar obras públicas

Siga o circo

por João Carvalho, em 24.11.11

Acabo de ler no Público que «o executivo da Madeira prepara memorando para enviar às embaixadas dos países do euro enquanto retarda apresentação de plano de austeridade junto do Governo nacional». Trata-se do lead de uma notícia assinada por Tolentino de Nóbrega que justifica este título impressionante: «Jardim ameaça lançar ofensiva europeia para pagar resgate da região em 25 anos». Quer dizer, portanto, que a tenda não foi desmontada e que o circo continua.

Leio logo adiante: «Alberto João Jardim vai endurecer o braço-de-ferro com Lisboa. Contrariando condições aceites nas audiências com o primeiro-ministro e o ministro das Finanças, está a retardar a sua proposta de cortes nas despesas e medidas para aumentar receitas, para não ter de assumir perante os madeirenses o "ónus" das inevitáveis medidas de austeridade que tem vindo a negar. Por seu lado, não disposto a assumir as responsabilidades da dívida regional, Vítor Gaspar mostra-se intransigente, mantendo que, até haver plano de resgate, as transferências continuam suspensas e não haverá dinheiro para fazer face à falta de liquidez.»

Pode não parecer pela notícia que o mencionado Jardim do braço-de-ferro com Lisboa é o mesmo Jardim que manteve audiências recentemente com Passos Coelho e Vítor Gaspar, nas quais entrou de carrinho e saiu de patins. Mas é ele. O que é que acham? Será que acabou o número dos palhaços e começou o dos trapezistas sem rede? Pode ser bom sinal. Que o circo prossiga.

What´s in a name, indeed

por Rui Rocha, em 23.11.11

 

Tranquada Gomes e Coito Pita são dois ilustres advogados madeirenses. Para além disso, nas horas vagas, são também deputados na Assembleia Legislativa Regional da Madeira, integrando ambos a bancada do PSD. A Tranquada Gomes coube, por exemplo, a defesa da proposta que permitirá que o voto de um deputado possa valer pelo universo do grupo parlamentar. Coube a Tranquada, mas podia ter cabido a Coito Pita pois que este, estou certo, asseguraria a missão com desempenho equivalente. Para este tipo de assuntos, tanto vale e vale tanto falar de Coito, como de Pita ou de Tranquada. No final de contas, é sempre a democracia que fica fodida.

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