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Delito de Opinião

Eleições autárquicas (4).

Luís Menezes Leitão, 08.07.25

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Um concelho onde se verifica um verdadeiro drama político, com contornos de romance de folhetim, é precisamente o de Vila Nova de Gaia. Começou pela perda de mandato do actual Presidente, Eduardo Vítor Rodrigues, condenado à perda de mandato por peculato de uso — uso indevido do veículo de uma empresa municipal — o que o levou a renunciar ao cargo, depois de ter perdido todos os recursos, incluindo no Tribunal Constitucional, apesar de já ter voltado a recorrer para o plenário desse Tribunal. O autarca considerou ridículo o processo, referindo apenas ter feito um desvio para ir à padaria. E efectivamente, como alguns comentadores têm referido, a sanção parece totalmente desproporcionada e muito pouco conforme com o respeito que é devido ao mandato conferido pelos eleitores, que não deve ser retirado pelos tribunais por dá cá aquela palha.

Em qualquer caso, Eduardo Vítor Rodrigues não se poderia recandidatar, pois já estava no terceiro mandato, pelo que o PS apresenta João Paulo Correia como candidato a Gaia. João Paulo Correia está ligado a Gaia, tendo sido Presidente da União de Freguesias de Mafamude e Vilar do Paraíso até 2022, sendo ao mesmo tempo deputado pelo círculo do Porto em várias legislaturas. Tal não impediu, no entanto, que tenha ocorrido a desfiliação do PS por um actual e antigo Presidentes de Junta de Freguesia em Gaia. A situação motivou a habitual troca de galhardetes, uma vez que o Presidente da União de Freguesias de Santa Marinha e São Pedro da Afurada, justificou a sua saída do PS "após mais de 30 anos de militância activa" por entender o partido se afastou "das linhas orientadoras essenciais que historicamente o definiram, deixando para segundo plano os valores e princípios que deveriam ser intransponíveis num partido com a sua história e responsabilidade". O partido em questão não partilha, no entanto, dessa visão, considerando antes a sua saída como "um acto de lamentável oportunismo e de ambição pessoal desmedida".

Perante este ambiente no PS, Luís Filipe Menezes decidiu aos 72 anos voltar a um lugar onde já foi feliz, e voltar a candidatar-se à presidência da Câmara Municipal de Gaia, à frente de uma coligação composta pelo PSD, CDS e IL, sendo acompanhado por Paulo Rangel, como candidato à presidência da Assembleia Municipal. Não temos quaisquer dúvidas de que Paulo Rangel exercerá o cargo de presidente da Assembleia Municipal de Gaia com total dedicação e enorme brilhantismo, em acumulação com o cargo de Ministro de Negócios Estrangeiros em Lisboa ou em viagem pelas capitais da Europa e do Mundo. Quanto a Luís Filipe Menezes, o seu principal projecto para Gaia são as pontes para o Porto, o que me fez recordar um texto que escrevi neste blogue sobre projecto semelhante que apresentou em Junho de 2012. Em qualquer caso, acho que Luís Filipe Menezes tem fortes probabilidades de voltar a ganhar a Câmara de Gaia doze anos depois de a ter deixado e se ter candidatado sem sucesso ao Porto. O seu regresso, tantos anos depois, fará lembrar o regresso do Conde de Monte-Cristo.

Luís Filipe Vieira na Assembleia da República

jpt, 11.05.21

(Cotrim de Figueiredo na audição de Luís Filipe Vieira na Assembleia da República)

Luís Filipe Vieira foi à AR falar sobre aquilo do BES. Começou por ler um texto, entre a justificação e a lamúria (à filme americano, qual Pacino by Coppola), invocando a sua condição de dirigente desportivo. O primeiro deputado que lhe fez perguntas - não sei quem nem de que partido, apenas retive que era jovem* - logo apartou as águas, explicitando que o Benfica não era para ali chamado. Chapeau!
 
À noite vejo vários "liberais", doutores da economia, da gestão, do direito, muitos com MBAs e até mais, partilharem ufanos esta saída do deputado IL, Figueiredo. Mandando a boca ao empresário sobre os resultados desportivos daquele clube, a piadinha para a câmera, misturando alhos e bugalhos. Avacalhando a coisa. Ainda mais, que isto já vai mal.
 
E votei eu nestes tipos! Imbecil jpt.
 
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O vencedor antecipado.

Luís Menezes Leitão, 24.08.13

 

 

Não tenho dúvidas que com esta campanha Luís Filipe Menezes vai ganhar estrondosamente as eleições para a Câmara do Porto. Tal como Valentim Loureiro ganhou há muitos anos as eleições em Gondomar a distribuir televisões e frigoríficos. Infelizmente em Portugal os eleitores adoram ser comprados, pelo que esta história há-de repetir-se sempre. Não sabem é que a factura vai chegar depois e será paga por todos os munícipes do Porto, da mesma forma que os contribuintes nacionais estão a pagar a factura de anos de despesismo irresponsável no governo. Não há almoços grátis.

Porto, Texas.

Luís Menezes Leitão, 17.07.13

 

Julgava eu que os tribunais tinham julgado Luís Filipe Menezes impedido de se candidatar à Câmara do Porto. Mas, como se escreve nesta crónica, ele não desiste de contrariar as decisões judiciais, podendo até utilizar o slogan: "Ninguém pára o Menezes se ele quiser concorrer 50 vezes!". E de facto parece que vivemos no faroeste, onde os autarcas ignoram olimpicamente os tribunais do país, defendendo o seu direito a ser presidentes de câmara até à eternidade. Deve ser por isso que Menezes faz propostas como de a convidar Wim Wenders, o realizador de Paris, Texas, para embaixador do vinho do Porto ou de fazer a academia de Hollywood dar o óscar de carreira a Manoel de Oliveira em 2015, altura em que o mesmo fará os seus jubilosos 107 anos. Estas propostas têm toda a lógica. Com a eleição de Menezes, o Porto poderá passar a intitular-se Porto, Texas, cidade onde os tribunais não contam, já que é o xerife que tudo decide. E daqui a 100 anos Menezes ainda estará no cargo, já que nem sequer terá atingido os seus trinta mandatos, que é a única limitação que se deve considerar que resulta do espírito da lei de limitação de mandatos.

Pânico no túnel.

Luís Menezes Leitão, 19.05.13

 

Lê-se e não se acredita. Parece que Luís Filipe Menezes não quer abandonar Gaia sem deixar os gaienses afundados — literalmente — em mais um projecto megalómano e despesista. Efectivamente "a Câmara de Gaia está a projectar a construção de um túnel rodoviário mergulhado nas águas do Douro para ligar a praia de Lavadores (Gaia) à zona do Castelo da Foz (Porto). A obra custa 54 milhões de euros. Para o túnel ser sustentável deverá ser portajado". Vão ser assim gastos 54 milhões de euros para permitir aos milhares de carros que todos os dias desesperam na Praia dos Lavadores para chegar ao Castelo da Foz que lá cheguem num moderno túnel. E como não poderia deixar de ser, é necessário pagar a portagem, coisa que não existe em nenhuma ponte do Porto. Naturalmente que o túnel só será viável com mais uma parceria público-privada, em que a autarquia assegurará ao privado o retorno do investimento, já que, se o privado contasse apenas com o dinheiro das portagens a receber, não haveria túnel até ao dia do juízo.

 

Enquanto houver autarcas com estas ideias despesistas e megalómanas, o país está completamente perdido. Não vale a pena o Governo pedir sacrifícios, pois com autarcas assim nunca veremos a luz ao fundo do túnel.

E tu cidadão, queres ter recursos libertados para a imaterialidade e ser reabilitado pelo Menezes?

Rui Rocha, 12.03.13

A troca

José António Abreu, 13.09.12

Revelando uma intenção que poucas pessoas no país desconfiavam que tivesse, Luís Filipe Menezes anunciou a candidatura à presidência da Câmara Municipal do Porto. Acho bem. Com as contas equilibradas, o Porto necessita do brilhantismo de Menezes no aumento do endividamento. Como, de resto, a Gaia, com as contas de rastos, faria bem o brilhantismo de Rio na diminuição do mesmo. Não será possível convencê-los a irem trocando de câmara um com o outro?

Menezes ameaçador

João Carvalho, 13.09.12

 

Durante uma intervenção na SIC-N, Luís Filipe Menezes anunciou ontem à noite que vai deixar a câmara de Gaia — que se diz ser a mais endividada do País — para se candidatar à câmara do Porto. Esta ameaça de Menezes a somar ao facto de os portuenses também serem atingidos pelo agravamento da austeridade confirmam um dito histórico que está agora a preocupar os tripeiros: um mal nunca vem só.

À dúzia é mais barato.

Luís Menezes Leitão, 23.06.12

 

Quem ganha esta semana o prémio Despesismo é Luís Filipe Menezes ao propor, não uma nova ponte, mas antes três novas pontes e um túnel a unir Gaia ao Porto. A proposta corresponde apenas a uns modestos 115 milhões de euros. Nas palavras do próprio: "Não é muito dinheiro. Só o que entregamos ao BPN daria para 500 pontes. Se parassem as obras de reabilitação em Mouzinho da Silveira (Porto) ou na Circular do Centro Histórico (Gaia) daria para pagar uma ponte. O investimento no Teleférico ou na Douro Marina ou no Centro de Alto Rendimento Olímpico daria para pagar outra ponte". Já estamos então a perceber para onde é que vai o dinheiro dos nossos impostos. Anda a ser gasto pelos autarcas do país à fartazana, sendo que a unidade de conta dos gastos já não é o euro, tendo passado a ser a ponte.

 

Não sei por que é Luís Filipe Menezes não triplica a sua proposta, passando antes a ser nove pontes e três túneis. Era capaz de se conseguir que à dúzia fosse mais barato e que o valor da unidade de conta ponte acabasse por descer. Na verdade, 12 pontes são uma ninharia comparada com as 500 que custa o BPN. Conforme sabemos todos, o país está muito rico, há ouro no Alentejo e petróleo no Algarve, e não há por isso motivo nenhum para que os autarcas do país não construam todas as pontes que lhes apetecer construir.

 

Há quem aplauda entusiasticamente esta proposta, parafraseando até a canção de Pedro Abrunhosa: "que nunca caiam as pontes entre nós". A mim apetece-me mais traulitar antes outra canção, a Ribeira dos Já Fumega: "A ponte é uma passagem... para a outra margem. Desafio, pairando sobre o rio. A ponte é uma miragem".