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Abaixo aludi à necessidade de repensar as celebrações do dia de São Martinho - meu modesto contributo à proposta presidencial de reflexão sobre os convívios familiares natalícios durante este Covidoceno.

Nos comentários a esse meu postal João Lisboa colocou ligação a uma interessantíssima série de 3 postais no seu Provas de Contacto, dedicados às origens e conteúdos das celebrações do São Martinho, frutos da leitura do livro L'Ours/Histoire d'un Roi Déchu de Michel Pastoureau (La Librairie du XXIème Siècle/Seuil, 2007). Os três (breves e sumarentos) textos são acessíveis nesta ligação. Muito aconselho a sua leitura.

Born a Crime. (Audio)li e recomendo

por Marta Spínola, em 08.09.20

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Tiremos isto do caminho desde já: eu audioleio. Leio, e-leio, audioleio. Gosto de um livro, do seu peso e cheiro, mas quando preciso de andar e desandar, o audiobook releva-se extremamente útil e o e-book muito leve. 

Recomendo a versão audio e original deste livro de Trevor Noah, por ser um extraordinário contador de histórias, no caso a da sua infância e adolescência numa África do Sul onde o Apartheid não tinha lugar para um rapaz nascido de mãe negra e pai branco - o tal crime do título. É um ponto de vista muito pessoal, a sua avó castigava os primos de uma forma diferente por não saber como educar com um rapaz branco (que nem ele nem nós hoje vemos como branco). Contado pelo próprio é como estar à mesa com um amigo que nos conta as suas memórias. 

Não é um livro que pretenda mudar o mundo, mas é um relato muito franco - pois se o viveu -, muito claro e vivo de um dia a dia dos anos 90 em Joanesburgo. 

Destaco o maior comic relief, o capítulo "Go Hitler" - não esse Hitler, um amigo de Noah, mas contar mais estraga esta passagem. É cómico e triste ao mesmo tempo: dois mundos que chocam sem que se percebam um ao outro.

Era isto, é um bom livro e se o puderem ouvir na versão original, tanto melhor, garanto que compensa começar a "audioler" por este. 

 

(adaptado de um post no Da Vida de Pi)

Uma História da ETA | Pub

por Diogo Noivo, em 05.09.20

O Diário de Notícias publica hoje uma entrevista conduzida pela Valentina Marcelino onde falamos do passado, do presente e do futuro.

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No Expresso, o Hugo Franco escreve sobre a primeira grande aquisição de armas feita pela ETA - que lhe permitiu dar "o salto" de movimento para organização terrorista -, intermediada pelos portugueses da LUAR. 

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São partes de um trabalho de dois anos que chegou hoje em forma de livro à Feira do Livro de Lisboa - e que chegará às livrarias no dia 13 de Setembro. A propósito de partes, o Observador publica parte de um capítulo no seu site (não percebo bem porquê, mas é apenas para assinantes).

Espero que os leitores do DO e os meus camaradas delituosos encontrem nestas páginas - dos jornais e do livro - algo de interesse.

Uma História da ETA | Pub

por Diogo Noivo, em 01.09.20

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Chegam ao fim dois anos de trabalho nos dois lados da fronteira. Com base em documentação de arquivo - muita dela inédita - e algumas entrevistas, este livro traça a história política da organização terrorista ETA, extinta em 2018. É uma história de nacionalismo, nativismo e violência política. Pelo meio, faz-se a primeira análise sistematizada da presença e relações do terrorismo nacionalista basco em Portugal (1960-2010).

Estará disponível na Feira do Livro de Lisboa no próximo fim-de-semana. E chegará às livrarias de todo o país em meados de Setembro. Até lá, os interessados podem encontrá-lo na página web da editora E-Primatur / Bookbuilders com desconto de pré-lançamento. Darei notícias.

Botar Abaixo o Hemingway?

por jpt, em 28.06.20

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Há em várias cidades um punhado de estátuas de Hemingway. Deixo um excerto do autobiográfico "As Verdes Colinas de África", escrito em 1935. Talvez seja um exemplo apropriado para uma era em que as sensibilidades pretéritas andam a ser avaliadas. A preto e branco ...

"M'Cola foi, aos saltos, pela montanha abaixo e, através do riacho, mesmo no lado oposto ao nosso, surgiu um rinoceronte a correr, num trote ligeiro, pela parte de cima da margem. Quando o observávamos, apressou o passou e correu, em trote rápido, perpendicularmente à beira da estrada. Era de um vermelho sujo, o chifre muito visível, e não havia nada de pesado nos seus movimentos, rápidos e deliberados. Ao vê-lo, senti-me excitado. 

- Vai atravessar o regato - observou Pop - Está ao alcance do tiro.

M'Cola pôs-me a Springfield na mão. Abri-a para me certificar de que estava carregada. O rinoceronte estava fora da minha vista, mas distinguia-se o agitar do capim alto. 

- A que distância julga que pode estar?

- A uns quatrocentos metros.

- Hei-de apanhar esse malandro.

Conservei-me alerta, procurando deliberadamente acalmar-me, fazendo cessar a excitação como quem fecha uma válvula, entrando naquele estado impessoal que se atinge ao fazer pontaria. 

O animal surgiu no regato baixo e pedregoso. Naquele momento apenas pensava em que era perfeitamente possível alvejá-lo, mas que para isso era necessário alcançá-lo e ultrapassá-lo. Alcancei-o, ultrapassei-o e disparei. Ouvi o ruído da bala e, como animal seguia a trote, esta pareceu-me ter explodido mais à frente. Com um resfolegar sibilante, caiu prostrado, esparrinhando água e roncando. Disparei de novo, levantando uma coluna de água atrás dele. Como tentasse escapar-se para a relva, voltei a disparar. (...)

Droopy correu. Carreguei a espingarda e corri atrás dele. Metade dos homens do acampamento estavam espalhados pelas colinas (...). O rinoceronte tinha-se dirigido precisamente para debaixo do lugar onde eles se encontravam e subia o vale em direcção ao sítio onde se perdia na floresta. (...)

O rinoceronte estava no capim alto, atrás de uma qualquer moita. Enquanto avançávamos, ouvimos um roncar surdo, quase um gemido. O ruído voltou a ouvir-se, terminando desta vez com um suspiro sufocado pelo sangue. Droopy ria.  (...) Sabíamos onde estava o animal e, ao aproximarmo-nos, lentamente, abrindo passagem pelo mato alto, descobrimo-lo. Estava morto, caído sobre um dos flancos. (...)

Quando chegou o grupo todo, voltámos o rinoceronte de forma a ficar como que numa posição de ajoelhado e cortámos o capim em volta para tirarmos fotografias. (....) ali estava com a sua comprida carcaça, pesados flancos, de aspecto pré-histórico, a pele como borracha vulcanizada e vagamente transparente, com a cicatriz de uma ferida causada por uma cornada e depois picada pelos pássaros, a cauda grossa, redonda e aguçada, carraças de mil patas formigando-lhe no corpo, as orelhas franjadas de pêlos, olhinhos de porco, com musgo na base do chifre, que lhe saía da parte de frente do focinho. (...) Era um animal dos diabos! (...)

- Estou louco de satisfação - confessei."

(Ernest Hemingway, As Verdes Colinas de África, Livros do Brasil, 77-81. Tradução de Guilherme de Castilho. Edição original em inglês de 1935)

 

Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 10.06.20

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Páginas Esquecidas, de Agostinho da Silva

Fixação do texto, selecção, introdução e notas de Helena Briosa e Mota

(edição Quetzal, 2019)

"Por decisão da organizadora, este livro mantém a grafia anterior ao Acordo Ortográfico de 1990"

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Sete anos

por Pedro Correia, em 10.06.20

Mais logo publicarei a última nota inserida na rubrica "Sugestão: um livro por dia" . Faço-o após sete anos consecutivos, colocando assim um ponto final naquela que é, porventura, a mais antiga série ininterrupta de postais subordinada ao mesmo título e ao mesmo tema da blogosfera portuguesa. Desde Maio de 2013, trouxe aqui mais de 2500 pistas de leitura - dos mais diversos géneros, das mais diversas proveniências, dos mais diferentes autores. Tendo como fio condutor, salvo muito esporádicas excepções que só serviram para confirmar a regra, a recusa da escrita acordística, cheia de consoantes mutiladas, que continua a ser rejeitada pela larga maioria dos nossos escritores.

Termino por cansaço natural e porque tudo tem necessariamente de chegar ao fim. Assim farei, simbolicamente, neste 10 de Junho - um Dia de Portugal em formato minimal, outra experiência inédita deste ano que tem sido fértil em inovações. Fica desde já o aviso porque os leitores do DELITO - que durante tanto tempo me incentivaram a prosseguir - merecem esta atenção.

Falta acrescentar que, dos títulos que aqui fui destacando ao longo de todo este tempo, só menos de 5% me chegaram às mãos por ofertas espontâneas de autores ou editoras. Nem nunca solicitei o envio de obra alguma - para reforçar a minha independência de critério e a minha integral liberdade de escolha.

Espero que tenham gostado. Este extenso inventário aqui permanecerá, para memória futura. Agora é tempo de virar a página.

Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 09.06.20

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As Pupilas do Senhor Reitor, de Júlio Dinis

Romance

(reedição Guerra & Paz, 2019)

"A presente edição não segue a grafia do novo acordo ortográfico"

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 08.06.20

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Acordo Ortográfico: um Beco Com Saída, de Nuno Pacheco

Língua portuguesa

(edição Gradiva, 2019)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 07.06.20

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A Ideologia Afrocentrista à Conquista da História, de François-Xavier Fauvelle

Tradução de Ivan Figueiras

Ensaio

(edição Guerra & Paz, 2020)

"A presente edição não segue a grafia do novo acordo ortográfico"

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 06.06.20

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Mente e Consciência, de Artur Azul

Filosofia e neurociência

(edição Guerra & Paz, 2019)

"A presente edição não segue a grafia do novo acordo ortográfico"

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 05.06.20

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O Livro dos Gatos Práticos do Velho Gambá, de T.S. Eliot

Tradução de Daniel Jonas

Poesia

(edição Assírio & Alvim, 2019)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 04.06.20

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Não Pai, de Daniel Blaufuks

Relato

(edição Tinta da China, 2019)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 03.06.20

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Homenagem à Catalunha, de George Orwell

Tradução de Fernanda Pinto Rodrigues

Reportagem

(reedição Antígona, 2019)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 02.06.20

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À Beira do Mar de Junho, de João Miguel Fernandes Jorge

Poesia

(edição Relógio d'Água, 2019)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 01.06.20

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Todos Para a Cama, de Álvaro Bilbao

Tradução de Rita Custódio e Àlex Taradellas

Puericultura

(edição Planeta, 2019)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 31.05.20

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Eu Sou a Minha Poesia, de Maria Teresa Horta

Antologia pessoal

(edição D. Quixote, 2019)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 30.05.20

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Frágil é o Lago do Silêncio, de Carlos Frias de Carvalho

Poesia

(edição Glaciar, 2019)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 29.05.20

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Ronda, de António Modesto Navarro

Poesia

(edição Página a Página, 2019)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 28.05.20

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Uma Pedra Sobre a Boca, de João Moita

Poesia

(edição Guerra & Paz, 2019)

"A presente edição não segue a grafia do novo acordo ortográfico"

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