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Delito de Opinião

Fazer o papel de Deus

Alexandre Guerra, 03.08.17

Um homem, uma mulher... Um casal quer ter um filho, mas um deles tem uma doença crónica hereditária, ou seja, uma deformação genética que vai passando de geração em geração. São inúmeras as doenças e os dramas... Mas, imagine-se que, numa espécie de milagre da Criação, os cientistas arranjam forma de reprogramar o ADN do embrião do tão esperado filho. E uma criança que, muito provavelmente, poderia "herdar" a doença dos progenitores tem agora pela frente toda uma vida saudável. Foi o advento dessa revolução biotecnológia que a revista Nature ontem anunciou. Qual é a questão disruptiva em tudo isto? É que, para muitos, o papel de Deus está reservado apenas ao próprio.

 

PS: Já agora, e passando a auto-promoção, recupero um post do Pedro Correia no qual, simpaticamente, recomendou o meu livro lançado em Novembro passado, que, precisamente, aborda estas temáticas.

Sobre o livro de Cavaco

Rui Rocha, 18.02.17

Considero o timing e o conteúdo (li em diagonal, saltando de capítulo para capítulo) no mínimo questionáveis. Desde logo, porque nada acrescenta à imagem daquele que parece ser o seu alvo principal. José Sócrates é um trambiqueiro volúvel, manipulador, irascível e perigoso? Obrigado, já sabíamos. Mas, sobretudo, porque é do senso comum que uma troca de argumentos com Sócrates é mergulhar na lama e só serve para dar palco a um cadáver político. Nestes casos, vale sempre a pena ter em atenção o conselho de Mark Twain: nunca discutas com um cretino; ele arrasta-te até ao nível dele e depois vence-te em experiência.

Trecho Para Um Livro Que Nunca Vou Escrever

Francisca Prieto, 02.02.16

Nos dias em que me faltas, ponho-me a parlapatar contigo na beirada da cozinha, como se estivesses aqui. Não te deixo descansar de tanto te querer dizer coisas. E tu a dizeres-me estou no Panamá, mulher, deixa-me estar sossegado. E eu na cegarrega, que gosto de ti, que queria era que estivesses aqui comigo, não era no Panamá, que é um país lá do outro lado do mundo, onde eu não chego, onde não te consigo tapar com um cobertor e dizer-te segredos ao ouvido.

Para o Panamá tenho de te berrar segredos que toda a gente fica a saber, que deixam de ser segredos de tanto serem gritados.

O Panamá é um país com nome de chapéu pindérico. Preferia que tivesses ido para o Peru, que sempre é um país com nome de almoço de Natal.