Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Tão amigas que elas eram

por Pedro Correia, em 20.01.20

O "affaire Katar Moreira"

por jpt, em 18.01.20

naom_5d8a579611c4b.jpg

"Grupelhos" é uma bela expressão, em desuso, em tempos utilizado dentro do "Partido" para descrever a tralha de múltiplos "m-l"s que por aí andavam. Os "radicais pequeno-burgueses de fachada identitarista", julgo que foi assim que Cunhal os intitulou. Nesse universo as pantominas de então foram muitas e devem ter sido "sanguinolentas". Mas não havia o mediatismo de agora, em que tudo é mostrado, sumarento ou bolorento que seja, e pouca memória ficou. [Estará quase tudo nos arquivos do geringôncico Pacheco Pereira, presumo].

As declarações de hoje de Katar Moreira são bem ilustrativas desse meio actual. Atacada no seu partido por aqueles a quem um deputado socratista, agora seu apoiante, reduz a "bovinos de ganadaria", defende-se dizendo que é vítima daqueles que usam "ódio". E avança que a candidataram por ser "negra" ["racializada", no castelhano actual] e "gaga", para ganhar votos por isso - ela é ainda mais radical na crítica, diz que queriam a "subvenção", o vil metal . Quando há meses os oponentes desta linha política racialista apontámos a demagogia de haver uma candidata obviamente por ser "negra" e "gaga", os adeptos do(s) grupelho(s) ofenderam-se. Afinal é a própria candidata-objecto que agora o afirma ...

Mais do que o tétrico folclore das reuniões, escrutinado pelo feixe de "tv, rádio e cassete pirata", seria importante colocar um assunto à frente do "affaire Katar Moreira": na semana agora terminada uma série de acontecimentos, provocados pelo terrível assassinato de um estudante cabo-verdiano, mostrou à exaustão a total demagogia deste racialismo esquerdista, e a profunda desonestidade intelectual dos seus locutores "gramscianos". E isso é muito mais relevante do que se será o Ricardo Sá Fernandes ou a Joacine Katar Moreira a ter mais votos lá na reunião do grupelho.

Espero bem que alguns filhos de amigos e uma (ou outra) tão viçosa amiga possam compreender isto. Por outras palavras, a la western: que não se cavalga com bandoleiros sem se ser bandoleiro.

Racista eu? Dez vezes uma Katar ou um Ba do que a tropa toda dos Sá Fernandes e Tavares. E dos "gramscianos" socratistas.

Quem fala assim não é gaga

por Pedro Correia, em 18.01.20

HM85RCU6.jpg

 

Vale a pena ouvir o que ela disse - sem tropeçar nas palavras - aos que tentaram servir-se dela por ser «útil para a subvenção» e três meses depois afiaram as facas para deitá-la borda fora. Dando rédea solta ao racismo e à misoginia que os caracteriza mal se raspa o verniz da correcção política.

O pigmalião estafado

por jpt, em 16.01.20

livre.jpg

(25. 10.19) A rábula na Assembleia da República mostra mesmo o estado da criatura do eixo Barnabé/Jugular: está deslumbrada. Vai ser uma orgia demagoga. Ao princípio divertirá os beatos daquela sacristia. Depois até a esses cansará. Entretanto estes joanasamaraisdias distribuirão alguns financiamentos. E aparecerão na tv.

 

 

Leio que a direcção do Partido LIVRE (um partido da esquerda moderada, o primeiro partido da esquerda portuguesa que não vem do marxismo, nas nada dúbias palavras televisivas do seu dirigente Ricardo Sá Fernandes, candidato do MDP/CDE em 1975 ["ele" há cada coisa!]), leio que direcção do partido LIVRE, dizia eu, se quer desvincular desta parelha. Cansaram-se depressa ... seguem já estafados. O sonho, demagógico, de ser pigmalião custou-lhes caro: o ridículo.

Tags:

Livre condiciona a liberdade

por Pedro Correia, em 14.01.20

mw-320[1].jpg

Foto Expresso

 

Paradoxos da política portuguesa: um partido chamado Livre faz tudo para condicionar a liberdade de expressão e de actuação do único representante que tem no Parlamento. Que é mulher e afrodescendente.

Este partido intitula-se feminista e anti-racista. E livre, como a sua sigla proclama. Mas vem praticando um inaceitável assédio moral à sua deputada. Começou por afastá-la da extensa lista de 68 membros dos órgãos nacionais, que serão eleitos no congresso a realizar este fim de semana. E prepara-se para votar uma moção que pretende forçá-la a renunciar ao lugar para que foi eleita por sufrágio universal apenas há três meses.

Caso para perguntar se o núcleo duro que gere o Livre agiria da mesma forma se ela fosse ele. E se tivesse menos melanina a colorir-lhe a pele.

Daqui presto, portanto, a minha solidariedade a Joacine Katar Moreira.

A importância dos pequenos partidos.

por Catarina Duarte, em 09.12.19

Julgo que falo por todos, quando digo que estamos cansados do mesmo poder político de sempre, aquele que gira sempre entre as mesmas duas grandes forças, que faz deambular sempre os mesmos rabos que circulam sempre entre as mesmas cadeiras, sempre vestidos nos mesmos fatos cinzentos, sempre o mesmo cinzento, sempre os mesmos.

Parece-me que posso arriscar mais um pouco e dizer que estamos todos fartos das mesmas políticas e politiquices, dos cargos que se criam para dar lugar a mais um tio, das inaugurações que se fazem quando a obra ainda não começou e dos impostos que se baixam para aumentar outros, aqueles mais escondidos, aqueles que nos criam a ilusão de estarmos com mais dinheiro no bolso quando, na verdade, estamos apenas perante uma das maiores cargas fiscais de sempre.

Ora ligeiramente mais para a direita, ora mais a cair para a esquerda, a verdade é que está tudo minado de jogos e jogatanas feitos por quem está dentro do circuito há muitos, muitos anos, e tem a habilidade de tornar sempre tudo meio transparente aos olhos daqueles que pagam e não piam e que, em óptimo rigor, somos todos nós.

Ainda muito antes de ler este texto, cuja leitura recomendo, já era da opinião que hoje partilho: é muito bom haver outros partidos com assento parlamentar. À esquerda, à direita, ao centro, não interessa onde. Quanto mais diversificada for a bancada, melhor: mais conversa e mais debate. O que interessa é que estes partidos vêm mexer no sistema, agitar as águas, levantar as lebres e, talvez mais importante, enervar os mesmos de sempre, os que estão completamente acomodados ao cargo, com a cadeira já completamente moldada ao formato do rabo que nela se senta.

Vêm, finalmente, fazer uma oposição diferente, que toca na ferida e que deixa, os partidos de poder, desconfortáveis. Sempre soube qual era a razão pela qual as contribuições sociais pagas pela empresa não aparecem nos recibos de vencimento mas agora está lá alguém a perguntar, a questionar e a deixar todos meio incomodados com uma pergunta tão simples. Porque, na verdade, não há uma boa razão para não constar esta informação nos recibos.

Ideologias à parte, devíamos ser todos pelo dever da informação e da transparência e isto que a Iniciativa Liberal propõe, não é mais do que deixar preto no branco uma parte do que as empresas pagam por terem trabalhadores (porque faltam outras).

Podemos até não ter votado Iniciativa Liberal, Chega ou Livre mas não podemos acreditar que, com a entrada deles, vai ficar tudo na mesma. Porque não vai. E ainda bem.

Eu Sou o Desconforto!

por jpt, em 30.11.19

expresso.jpg

bdc.jpg

"Eu sou o desconforto" (falta ao título jornalístico o óbvio ponto de exclamação) não é apenas o catasfioresco trinado "rio-me de me ver tão bela neste espelho". É mesmo uma proclamação bíblica, a sublinhar uma desmesurada autopercepção.

Desde Bruno de Carvalho que o país não tinha uma personagem destas. A imprensa delira, as redes sociais fervilham. Alguns demagogos (ainda) rejubilam. Vem aí o Natal. Depois o delírio continuará. Até (nos) cansar.

 

Injustiças

por Diogo Noivo, em 27.11.19

JKM.jpg

 

Apresentou-se aos eleitores como “mulher, afrodescendente e gaga”. O partido pelo qual se candidatou confirmou que, de facto, era “mulher, afrodescendente e gaga”. E, para dissipar qualquer dúvida que pudesse existir, a comunicação social atestou repetidamente que a candidata era “mulher, afrodescendente e gaga”. Estas três características foram o alfa e o ómega do projecto político em apreço, com todos – candidata, partido, e órgãos de comunicação social – a resumir a mensagem ao sexo, à melanina e às dificuldades de fala.

Por isso, as críticas lançadas a Joacine Katar Moreira e ao partido LIVRE são manifestamente injustas. Eleita, a deputada é escrupulosa no cumprimento do seu programa eleitoral: é mulher, afrodescendente e gaga. Nunca um/uma candidat@ foi tão rigoros@ no cumprimento do que afirmou em campanha – julgo que esta é a forma correcta de escrever a frase na novilíngua vigente.

Ninguém quis falar de política, de ideias, de convicções. A definição de interesse público e a forma de o defender estiveram em parte incerta durante toda a contenda eleitoral. A comunicação política foi propositadamente centrada em aspectos inócuos, já que a síntese “mulher, afrodescendente e gaga” nada nos diz sobre a experiência, a competência e o discernimento da pessoa para o exercício de funções públicas. Por isso, exigir à deputada e ao partido coisa diferente é injusto.

Já andam nisto

por Pedro Correia, em 25.11.19

1GM89PIR.jpg

 

Os novos partidos apareceram em colisão declarada com a "velha política" posta em prática pelos partidos antigos. Prometendo fazer diferente.

O que fazem eles para aproximar os cidadãos das instituições? Mais do mesmo: andam entretidos em tricas intestinas, em microscópicos duelos por migalhas do poder interno, esquecidos dos cidadãos em nome dos quais ainda falam.

 

A Iniciativa Liberal, fundada há menos de dois anos, já vai a caminho do terceiro presidente. O primeiro, Miguel Ferreira da Silva, demitiu-se em Agosto de 2018 por causa de uma micropolémica endogâmica a que mais ninguém deu a menor importância: permaneceu seis meses em funções. O segundo, Carlos Guimarães Pinto, esteve à frente da IL durante cerca de um ano: celebrou a eleição de um deputado (que não era ele) e logo a seguir bateu com a porta, alegando o «enorme custo pessoal» que a política implica, como se isso constituísse novidade.

 

O Livre, que tem um fundador que não lidera e uma «direcção colegial de quinze pessoas» que ninguém conhece, anda já mergulhado em guerra civil, menos de dois meses após ter eleito a primeira - e única - deputada. Isto a propósito de alguma questão premente em Portugal? Não: andam por lá todos às turras devido a um voto de protesto «contra a nova agressão israelita a Gaza». A deputada, fazendo jus ao nome do partido, solta o grito do Ipiranga: «Fui eu que ganhei as eleições sozinha». E prepara-se para mandar os controleiros internos às urtigas, estragando a festa do sexto aniversário da infantil agremiação.

 

Já andam nisto, uns e outros. Tudo novo, mas tudo tão velho afinal...

Duas faces do autoritarismo

por Paulo Sousa, em 05.11.19

aqui falei sobre o paralelismo entre o Chega e o Livre, dois dos recém-chegados ao Parlamento. Acrescento aqui algumas notas pessoais sobre a forma como estão ligados.

Estes dois novos partidos são, um à esquerda e outro à direita, equidistantes do centro moderado. Cada episódio que protagonizam gera ondas de indignação. Os simpatizantes do Chega levam as mãos à cabeça com as performances parlamentares de Joacine Katar Moreira e por seu lado sempre que André Ventura usa da palavra os apoiantes do Livre rasgam as vestes. Este pingue-pongue mediático entre André e Joacine é um jogo de ganho duplo, por se repetir sempre o efeito multiplicador de notoriedade que é benéfico aos dois.

Tal como as duas faces de Janos, estes dois novos partidos são as faces do que poderiam ser dois governos igualmente autoritários, racistas e de dedo em riste. Os assuntos que abordam assentam em preconceitos e trazem sempre proibições e penalizações na segunda frase. Pela indignação que geram, tentam dividir o público entre bons e maus, modernos e retrógrados, decentes e alucinados.

Apesar desta simetria permito-me antever um maior crescimento do Chega. Espero que nunca venha a conseguir atingir a meta assumida de se tornar o maior partido português, mas já ouvi relatos de que nos cafés os clientes pedem para aumentar o volume para ouvir o André Ventura e ao mesmo tempo, imagino, que o mesmo público peça exactamente o contrário quando chega a vez da Joacine Katar Moreira discursar.

Será que o arrojo de Rui Tavares não o tornou refém da sua deputada? Que motivo poderá alegar no dia em que desejar que o partido transmita uma mensagem através de frases claras e escorreitas? Quem não simpatiza com o Livre poderá dizer que isso nunca acontecerá, pois o que o Livre deseja mesmo é esconder o seu ideário atrás de uma quase intransponível cortina comunicacional. Enquanto que André Ventura acumula o papel de fundador e único protagonista do Chega, Rui Tavares remeteu-se a figura secundária do partido que criou, o que não cola com a sua imagem de maratonista solitário.

André Ventura cria por vezes a sensação de que está a representar o boneco que desenhou à medida de um nicho de eleitorado sem representação política, que identificou e adoptou. Parece ter feito como as empresas que recorrem ao marketing para adequar a sua oferta ao mercado a que se dirige. O teor da sua tese de doutoramento é bem mais moderado do que tudo o que agora defende e isso alimenta esta ideia.

Apesar de haver quem ache este partido assustador, não posso deixar de me rir sempre que me lembro do mote do seu programa político intitulado “70 medidas para reerguer Portugal”. Quando é que Portugal esteve erguido? Que período histórico serve de referência a esta ambição? Na minha terra diz-se nesses casos: Não estejam a gozar com a miséria!

Seja qual for a evolução que venham a ter no futuro, nesta fase de lançamento ambos os projectos, o Chega e o Livre, beneficiam da existência um do outro. O que dos dois crescer menos arrisca-se a ficar para a história como o fertilizante do seu rival. O meu palpite é que será o Chega a ultrapassar o Livre.

O extremo ali ao lado

por João Campos, em 03.11.19

É muito engraçada a indignação do Daniel Oliveira ao ser equiparado à extrema direita por Joacine Katar Moreira (a zaragata já passou do lamaçal do twitter para a imprensa). E tem ainda mais graça quando, se me permitem o momento de arqueologia blogosférica, nos lembramos do motivo que precipitou o fim da Coluna Infame

A rábula

por jpt, em 25.10.19

livre.jpg

A rábula na Assembleia da República mostra mesmo o estado da criatura do eixo Barnabé/Jugular: está deslumbrada. Vai ser uma orgia demagoga. Ao princípio divertirá os beatos daquela sacristia. Depois até a esses cansará. Entretanto estes joanasamaraisdias distribuirão alguns financiamentos. E aparecerão na tv.

Demagogia

por jpt, em 14.10.19

AAIFRmy.jpg

Leio num jornal que provavelmente a actual ministra da justiça sairá do governo e irá para o Tribunal Constitucional, sendo previsível que passará a presidi-lo daqui a algum tempo.

Entretanto, nestes últimos dias, continuo a ler um enorme chorrilho de patacoadas sobre o extraordinário significado da ascensão ao parlamento de gentes oriundas do bloguismo mais demagógico do início dos 2000s. Uma verdadeira orgia de jargão, um frenesim orgástico. E, espertalhões que são, as pessoas dão-lhes atenção. 

Após as eleições legislativas do passado dia 6, fomos confrontados com algumas novidades, das quais destaco os novos partidos que pela primeira vez elegeram deputados. Falo do Chega, do Livre e o do IL.

A representação de cada um deles no hemiciclo de São Bento é limitada mas cada um representa novas e diferentes abordagens da realidade, com que naturalmente iremos ser confrontados.

Estes três partidos têm características em comum e outras que os distingue. Cada qual à sua maneira representam duas visões do mundo.

Num dos lados desse mundo estão aqueles que acreditam que uma pessoa vale pelo que é, pela forma com que enfrenta o mundo, pela forma como se relaciona com os demais, pela capacidade de dar e pelo que aceita em troca disso. Acham também que cada ser humano tem um potencial de acrescentar coisas boas ao mundo e por isso deve ser tido em consideração pela pessoa que é. Lidar com um desconhecido de acordo com esta abordagem é exigente e trabalhoso. Mais fácil seria classifica-lo pelo grupo em que o poderíamos encaixar. E essa é a abordagem alternativa. Essa é a abordagem que classifica o indivíduo de acordo com uma caracterização pré-definida e que dessa forma lhe rouba a individualidade. No fundo é uma abordagem preconceituosa, e o preconceito é um atalho de raciocínio que simplifica e poupa o esforço necessário à avaliação e ao conhecimento do outro. Tem um elevado potencial de criar erros de avaliação e por isso de impedir a realização pessoal das vítimas destas avaliações errôneas. No momento seguinte é a sociedade que fica a perder pela ausência do benefício que as vítimas destes preconceitos poderiam acrescentar aos seus pares.

Esta segunda forma de estar na vida, e também na política, é preguiçosa, é injusta e racista.

Para o Chega e para o Livre o indivíduo é menor que o grupo a que pertence e por isso não deve ser avaliado pelo que é. Um e outro dizem representar grupos em contraponto com outros grupos de uma forma em que é difícil encontrar pontes de entendimento.

Pelo contrário o IL, e o liberalismo que representa, defende que acima de tudo está o indivíduo. Avaliar o indivíduo pelo grupo a que pertence é redutor do seu potencial e isso não deve ser o motivo para que as portas do elevador social lhe sejam fechadas.

Não é o estado que deve reconhecer direitos ao indivíduo, mas sim o indivíduo que deve definir os limites do estado. O estado não é a concretização da liberdade pois o inverso é o que deve acontecer.

Após anos e anos em que a política esteve refém da economia, parece que finalmente o debate ideológico regressou à Assembleia da República. Os debates de quinta-feira vão ser mais interessantes e são bem vindos.

Europeias (13)

por Pedro Correia, em 21.05.19

3290816_aWQWl.jpeg

 

LIVRE: TRÊS PROPOSTAS

 

  • Consagração do acesso universal à Internet, livre de qualquer censura, desenvolvendo novos programas de literacia digital.
  • Introdução da disciplina de História da Europa para os alunos do ensino básico e secundário em todos os programas de ensino nos Estados membros da União Europeia.
  • Devolução imediata das obras expostas em museus na Europa que resultaram do saque de antigos territórios coloniais.

 

Do programa eleitoral, Novo Pacto para a Europa

O comentário da semana

por Pedro Correia, em 11.10.15

«Como sabia que não iria ter maioria absoluta Costa informou que iria negociar com os partidos à esquerda para ter o governo viabilizado.
A situação muda pouco sendo o PS ou PSD vencedor. Aliás, a PAF já não existe. Serviu apenas um expediente eleitoral e haverá grupos parlamentares distintos do CDS e PSD.
Se o sistema fosse grego era diferente, mas aqui não há nada que distinga quem tem mais ou menos deputados.
A distinção é a maioria para governar, seja porque o PS se abstém e alinha com o PSD e CDS, seja porque o PS alinha com PCP e BE.
Parece-me que o PS estaria a defraudar o seu eleitorado se alinhasse com o PSD, pois foi isso que afirmou claramente que não faria.
Se o PS tivesse tido mais votos e precisasse dos votos do BE e PCP seria exactamente a mesma situação.
Essa dúvida só está a ser levantada por quem não tem forma de ter maioria.
Interessa ao BE e PCP que sozinhos nada podem, e interessa ao PSD e CDS que sozinhos nada podem.
O PS tem é que decidir se quer alinhar à esquerda ou se quer alinhar à direita.
Não pode fazer de conta que não tem hipótese.»

 

Do nosso leitor José S. A. A propósito deste texto do José Gomes André.

O maior no Portugal do Twitter

por Pedro Correia, em 10.10.15

poppy-1[1].jpg

 

O Livre é um fenómeno. Partido recordista de menções nas redes sociais e nas arengas dos chamados opinion makers lisboetas, conseguiu mobilizar muitas caras conhecidas da pantalha em torno de um "projecto político" que se resumia à seguinte intenção: chegar ao Governo à boleia do PS.

Embalado neste nobre desígnio e na avassaladora onda de apoio que durante a campanha obteve no Twitter e no Facebook, o líder do Livre apressou-se na noite eleitoral a ser o primeiro dirigente a falar em directo ao País, imaginando-se já eleito. "Nós somos a novidade na política portuguesa e a candidatura do Livre/Tempo de Avançar será a novidade na próxima Assembleia da República", proclamou Rui Tavares, visivelmente empolgado com a sua própria oratória. Sempre com um generoso tempo de antena proporcionado pelas mesmíssimas televisões que ignoraram por completo o PAN, único dos pequenos partidos que conseguiu eleger um deputado.

Alguém deveria tê-lo advertido em tempo útil que existe uma regra de elementar prudência nestas ocasiões: os deputados só chegam a São Bento depois de contabilizados os votos.

O Portugal do Twitter nada tem a ver com o Portugal real.

 

Cheguei a pensar que este escrutínio que rendeu ao Livre a magnífica soma de 39 mil votos e uma percentagem de 0,72% a nível nacional funcionasse como um banho de humildade para Rui Tavares, o mais desconhecido dos políticos portugueses fora do eixo Chiado-Príncipe Real.

Mas não. Quatro dias após o escrutínio, ei-lo de novo embalado pelas ondas mediáticas, desta vez em entrevista ao diário i, mostrando não ter recolhido lição alguma daquele duche de água gelada que o levou a ser o quase-deputado de duração mais efémera da história das noites eleitorais portuguesas.

"Fomos vítimas do sucesso das nossas ideias", revelou nesta entrevista o dirigente máximo do minimalista Livre. Uma frase com ressonâncias churchillianas, digna de ombrear com o "sangue, suor e lágrimas".

 

Rendido ao magnetismo desta frase, corri em demanda do programa eleitoral do Livre, esse manancial de ideias que tanto despertam a cobiça alheia.

Fiquei logo a saber que resultou do "trabalho desenvolvido nos últimos seis meses por dez grupos temáticos, com cerca de 500 subscritores e os contributos on-line de muitos outros". Senti-me esmagado.

 

E o que li lá?

Estas originalíssimas dez ideias-chave, que faço questão em partilhar convosco, lamentando apenas fazê-lo num momento tão tardio:

- Devolver a política aos cidadãos, garantir direitos fundamentais [duas ideias numa frase só]

- Libertar o Estado da Captura Privada [mantenho as maiúsculas originais]

- Renegociar a dívida pública para recuperar [falta especificar o quê]

- Resgatar as pessoas e as empresas [falta especificar de quê]

- Acabar com a precariedade, dignificar o trabalho, proteger o emprego, garantir as pensões [quatro ideias numa frase só]

- Cumprir a Constituição no sistema fiscal: "uma repartição justa dos rendimentos e da riqueza" [falta especificar se o resto da Constituição se cumpre]

- Redistribuir para combater as desigualdades sociais [falta especificar o que se redistribui]

- Melhorar os serviços públicos criando emprego [tudo a funcionar com funcionários]

- Apoiar o investimento e a criação de emprego nas micro, pequenas e médias empresas [discriminando as grandes]

- Apostar nos territórios e na economia local ["apostar nos territórios" será jogo limpo?]

 

Enfim rendido ao poder mobilizador de tão excelso ideário, não pude conter a minha indignação perante a injustiça de quem negou a Rui Tavares o ingresso na sala das sessões plenárias do Palácio de São Bento.

Ingratos eleitores, todos eles.

Incluindo eu.

Bem prega Frei Tomás!

por Luís Menezes Leitão, em 08.10.15

O Livre tinha colocado como ponto central do seu programa a reestruturação da dívida. Agora, depois do seu enorme sucesso eleitoral resolveu lançar um peditório para satisfazer as suas necessidades financeiras. A explicação dada por Rui Tavares é eloquente: "O que estamos a fazer é a pagar as contas nos prazos convencionados e, para pagar as contas, precisamos de donativos de membros, apoiantes, subscritores e das pessoas que acreditem nas nossas ideias e que achem que temos um papel relevante e importante que deve ser apoiado para nos ajudarem a ter as contas em dia e a saldar as nossas despesas”. Está visto que afinal o Livre nem as suas próprias dívidas consegue reestruturar, quanto mais as do país. É caso para recordar o adágio popular: Bem prega Frei Tomás. Faz o que ele diz, não faças o que ele faz.

Frases de 2015 (42)

por Pedro Correia, em 05.10.15

«Nós somos a novidade na política portuguesa e a candidatura do Livre/Tempo de Avançar será a novidade na próxima Assembleia da República.»

Rui Tavares, imaginando-se já deputado ontem às 21.15 (cedo de mais)

Costa tira o tapete a Nóvoa.

por Luís Menezes Leitão, em 03.07.15

Desde o início, logo que Costa empurrou Nóvoa para Belém, que tenho vindo a afirmar que com essa iniciativa Costa se suicidava politicamente, arrastando todo o PS com ele. É evidente que o apoio a um candidato radical de esquerda vai assustar o eleitorado de centro, que é onde se ganham as eleições. Que seria do PS se alguma vez tisse apoiado Otelo em 1976 ou Pintasilgo em 1986? Nessa altura, por muita simpatia que esses candidatos suscitassem na sua ala esquerda, os socialistas souberam ter juízo e não embarcar em cantos de sereia.

 

António Costa manifestamente não tem a mesma ponderação e mergulhou de cabeça no desastrado apoio a Nóvoa. Mas pelos vistos ainda há gente no PS com algum senso e já desafiaram Maria de Belém a avançar. Faz todo o sentido, pois dificilmente o PS poderia ter um nome mais adequado para o palácio de Belám. Já imagino os slogans: "Para Belém, Maria de Belém".

 

E perante isto o que faz António Costa? Naturalmente tira o tapete a Nóvoa, dizendo que afinal o PS pode não apoiar nenhum candidato. Temos aqui claramente um padrão de comportamento político. Depois de ter tirado o tapete a Seguro, Costa tira o tapete a Nóvoa. Resta saber quantos mais tapetes vai tirar nesta campanha alegre.

 

Em consequência, Nóvoa vai ser lançado às feras, logo agora que ele tinha alcançado uma vitória retumbante no referendo do Livre, tendo alcançado nada menos que 87% de 867 votos! Como se pode compreender então que António Costa se queira ver Livre dele?


O nosso livro






Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2019
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2018
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2017
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2016
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2015
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2014
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2013
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2012
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2011
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2010
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2009
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D