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lisboa, uma grande surpresa

por Fernando Sousa, em 13.12.16

Ora estando eu muito bem, a coisa foi de repente, telefonaram-me do arquivo da câmara de Lisboa a perguntar-me o que é que eu era a José Cândido d´Assumpção e Sousa, assim mesmo, que parentesco era o nosso, e eu que era bisneto, e a seguir a anunciar-me que iam homenageá-lo com a exposição das fotografias que tirara à cidade, com um sócio, Arthur Júlio Machado, entre 1898 e 1908. Sentei-me para ouvir o resto, uma história incrível, agora à vista de todos na Rua da Palma, 246, com o título lisboa, uma grande surpresa. Aconteceu então que andando há anos a tentar identificar os autores de milhares de fotografias do primeiro levantamento fotográfico sistemático da cidade, investigadores da CML deram com o meu bisavô e um amigo dele, o avô do Carlos Avilez, esse mesmo, o do teatro de Cascais, que palmilharam a capital durante dez anos para a fotografarem antes que uma parte viesse abaixo – como aliás aconteceu. Eu não sabia de nada e o neto do Arthur ficou tão pasmado quanto eu. Mas o que interessa mesmo é que a memória da cidade está a salvo.

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O desastre de Lisboa.

por Luís Menezes Leitão, em 12.12.12

 

A gestão de António Costa na Câmara de Lisboa constitui a maior calamidade que aconteceu nesta cidade desde o terrramoto de 1755. A cidade está cada dia mais suja, uma vez que a recolha do lixo passou a ser feita em dias irregulares. O trânsito tornou-se completamente caótico. Não satisfeita com o deserto em que transformou o Terreiro do Paço, a Câmara resolveu destruir a circulação no Marquês de Pombal, tornando-a um autêntico pesadelo para quem tem que circular nessa área. O ACP acaba de salientar muito justamente os disparates que ali foram feitos, sendo de antologia a ideia de pôr bicicletas a circular nos corredores dos autocarros. Mas já se sabe que nada vai ser alterado, pois isso significaria assumir que foram mal gastos os 750.000 euros do dinheiro dos contribuintes que ali foram dispendidos, sem ninguém perceber com que necessidade. A não ser que o objectivo fosse criar a lagoa do Marquês, como um reformado avisou atempadamente e as últimas chuvas confirmaram.

 

Como Presidente da Câmara António Costa mal se vê. Toda a gestão da Câmara parece ser efectivamente exercida por Manuel Salgado, a ele se devendo decisões juridicamente inenarráveis como a de transformar toda a cidade de Lisboa em área de reabilitação urbana, um reconhecimento antecipado do desastre em que estão a fazer cair a cidade. António Costa aparece apenas em cerimónias protocolares, e mesmo nessas as coisas têm corrido pessimamente, como se verificou pelo hastear da bandeira ao contrário na cerimónia do 5 de Outubro.

 

Era por isso fundamental que surgisse em Lisboa uma candidatura alternativa a António Costa que não hesitasse em denunciar o caos em que tinha caído a cidade. Fernando Seara, tendo um perfil simpático, não me parece que tenha o peso político necessário para ombrear com Costa, um político já muito experimentado nestas andanças. Mas, como bem salientou Marcelo Rebelo de Sousa, Miguel Relvas decidiu dar o beijo da morte à sua candidatura, coisa que Costa imediatamente aproveitou, desafiando o próprio Miguel Relvas a concorrer.

 

Não consigo compreender a razão porque o Governo quer tanto favorecer António Costa em Lisboa. Em Julho o Governo injectou na Câmara 286 milhões de euros, a troco de um simples "reconhecimento de propriedade" dos terrenos do aeroporto, o que permite a António Costa aparecer agora a oferecer na véspera das eleições reduções de impostos aos lisboetas. Com este apoio encapotado do Governo, é evidente que António Costa vai ser reeleito e lá continuarão os lisboetas a suportar este desastre por mais quatro anos.

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Lisboa antiga (66)

por Pedro Correia, em 01.12.12

 

ALCÂNTARA

«Seguiu pelo Terreiro do Paço, pelo Aterro, quase até Alcântara. Ia como um sonâmbulo, sem reparar na gente que o acotovelava, nem na beleza da tarde de Verão, que morria num esplendor de ouro vivo.»

Eça de Queiroz, Alves & Cª.

Foto: blogue Monumentos Desaparecidos

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Lisboa antiga (65)

por Pedro Correia, em 29.11.12

 

RUA DE BUENOS AIRES

«Vieram viver para perto dos Alves que, agora, tinham mudado para um palacete a Buenos Aires.»

Eça de Queiroz, Alves & Cª.

Foto: blogue Ruas de Lisboa com Alguma História 

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Lisboa antiga (64)

por Pedro Correia, em 27.11.12

 

RUA DO CARMO

«Nunca, como nos últimos tempos, ela fora tão terna, tão alegre, enchendo-o de tanta felicidade... E tudo isto lhe bailava alegremente em volta do coração enquanto subia, na calmaria ardente, sob o seu guarda-sol, a Rua Nova do Carmo. Ao alto da rua, no restaurante do Mata, parou a encomendar uma empada de peixe para as seis horas. Comprou ainda um fiambre, um queijo da serra, e olhava em redor para ver o que poderia levar mais, com a alegria e a sofreguidão dum pássaro que provê o seu ninho

Eça de Queiroz, Alves & Cª.

Foto: blogue Ruas de Lisboa com Alguma História

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Lisboa antiga (63)

por Pedro Correia, em 24.11.12

 

PEDROUÇOS

«Eram casados havia quatro anos e nunca entre eles houvera uma nuvem. Desde que a vira, numa tarde em Pedrouços, adorava-a.»

Eça de Queiroz, Alves & Cª.

Foto: blogue Minha Rica Casinha 

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Lisboa antiga (62)

por Pedro Correia, em 23.11.12

 

 

TEATRO D. MARIA II

«O Sr. Machado estava ontem em D. Maria - murmurou o guarda-livros, sem cessar de escrever.

Alves largou a carta que lia, interessado, com o olhar mais vivo:

- Que ia ontem?

- O Trapeiro de Paris...»

Eça de Queiroz, Alves & Cª.

Foto: blogue Restos de Colecção

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Palheta na calçada

por Gui Abreu de Lima, em 21.11.12


Chega pra lá.
Dá o mascoto e acerta a linha.
Traz das pretas. Põe o molde.
Tás com a cabeça noutro lado...
Ando quilhado cu’a patroa.
Atão?
É sempre gente lá em casa.

Hoje não tá a render. Ontem foi à’viar.
Mas qual gente?
É vizinhas, é a cachopa da padeira, é o velho coxo da guerra, é um sai e entra.
Deixá lá, num quer tar só. Dá lumes. Bota areia.
A minha, é gatos e canzoada. Tudo pra casa. Diz que tem peninha. É cada chuto no gato.
Anda Pacheco!
É meia. Vamos ó tacho?
Sempre co'a pressa. De comer e de receber.
Atão. Melhor, só se for beber e aquilo qu’a gente sabe...
Atenção às beiras, bem calcadas. Dá c’u maço. Vais dando e vais varrendo, p’adiantar.
Inda vais ter saudades minhas.
A flausina?
Não me dá troco. Deve estar servida. Fica tão linda a vender bilhetes. Ficava mais linda comigo ao pé.
Isto tá bera. O calor.
Tá lindo o barquinho.
Barquinho?! É o reclame da cidade, rapaz. Aprende. A Caravela.
Iiisso, veio a escorregar na tábua lá da província. Qué q’há-de saber?
Inté se borra no carro eléctrico.
Tira a estaca, estica a linha. Traz três brancas, só três.
Acabando, vamos à ginja.
Pro causa da ginja dormi na Estação.
Gastaste-o? É bem feita. Bebesses auga.
É mais fácil c’uma mão dez estrelas agarrar, fazer o sol esfriar, reduzir o mundo a grude, mas ginja com tal virtude é difícil de encontrar.
Ora viste? Lá goela tens tu. Passa à ponta, troca c’u Quim e ele que venha alinhar o mastro.
Deslarga. Tá na hora.

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Maria gosta da pinga

por Gui Abreu de Lima, em 09.11.12

 

Gosto das lojas do meu bairro porque lá se escarrapacha a minha cidade. Gosto do Albino mulato que encontra a paz numa dúzia de minis e lembra a Angola-paraíso que deixou para trás. Pelo-me pela Cassilda voz de bagaço, que criou a neta, enterrou o filho drogado e assistiu às escaras do pai entrevado – tudo ao mesmo tempo. E pela menina Maria, que nasceu onde mora em 1920, e vem comprar um rajá porque sente tonturas e precisa de açúcar. Joga-lhe o banco o merceeiro, manda-a serenar e encolhe o ombros, apontando à boca. A menina Maria, de cara esveiada, ignora a rodela que o gargalo pintou no beicinho encarquilhado. A menina Maria gosta da pinga, embirra com os euros, pergunta se “é fresco” e denuncia a caloteira que manda a filha, sabendo que à criança o Carlos jamais negaria a saca das carcaças que lhe hão-de matar o bicho.

No meu bairro ninguém fica só, porque há portas abertas e luzes acesas e bocas que falam. E a D. Maria Pia que Deus tem, pode vir à sua rua mirar o Tejo, respirar Monsanto e ouvir a gente que por cá continua.

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Lisboa antiga (61)

por Pedro Correia, em 17.12.11

 

CAIS DAS COLUNAS

«O rio agitado, na maré crescente, batilhava tristemente na escuridão contra as escadas do Cais das Colunas: entre os botes amarrados, a água tinha tenebrosidades frias: vultos de navios faziam, na noite escura, redobramentos de sombras: e aqui, além, num mastro, tremeluzia um fanal mortiço.»

Eça de Queiroz, A Capital

Foto: Instituto Camões

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Lisboa antiga (60)

por Pedro Correia, em 14.12.11

 

RUA DE SÃO BENTO

«Tinham entrado na Rua de S. Bento. Pensou então passar adiante, voltar-se, fitá-la, com adoração, dizer-lhe logo num longo olhar -- sou eu! Olha para mim, não te lembras? Mas uma timidez retinha-o. Ia enfim adiantar-se -- quando ela, atravessando a rua, entrou no portão largo duma casa espaçosa dum andar! Que ferro!»

Eça de Queiroz, A Capital

Foto: blogue Bic Laranja

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Lisboa antiga (59)

por Pedro Correia, em 26.11.11

 

RUA DO OURO

«Ega aparecera à hora do jantar, transtornado: cruzara-se com o Cohen na Rua do Ouro, e parecera-lhe que "esse canalha" lhe atirara de lado um olhar atrevido, sacudindo a bengala; o Ega jurava que se "esse canalha" ousasse outra vez fitá-lo, espedaçava-o, sem piedade, publicamente, a uma esquina da Baixa.»

Eça de Queiroz, Os Maias

Foto: Skyscraper City

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Passado presente (CCCXLIX)

por Pedro Correia, em 26.11.11

 

Lisboa (mapa de 1914)

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Lisboa antiga (58)

por Pedro Correia, em 16.11.11

 

BAIRRO ALTO

(Rua do Diário de Notícias)

«Gostava daquilo, do Bairro Alto, dos cafés de lepes, dos chulos...»

Eça de Queiroz, Os Maias

Foto: blogue Ruas de Lisboa com Alguma História

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Lisboa antiga (57)

por Pedro Correia, em 14.11.11

 

LIVRARIA BERTRAND

(Rua Garrett)

«Foram descendo o Chiado. Do outro lado, os toldos das lojas estendiam no chão uma sombra forte e dentada. E Carlos reconhecia, encostados às mesmas portas, sujeitos que lá deixara havia dez anos, já assim encostados, já assim melancólicos. Tinham rugas, tinham brancas. Mas lá estacionavam ainda, apagados e murchos, rente das mesmas ombreiras, com colarinhos à moda. Depois, diante da Livraria Bertrand, Ega, rindo, tocou o braço de Carlos:

-- Olha quem ali está, à porta do Baltreschi!

Era o Dâmaso. O Dâmaso, barrigudo, nédio, mais pesado, de flor ao peito, mamando um grande charuto, e pasmaceando, com o ar regaladamente embrutecido de um ruminante farto e feliz.»

Eça de Queiroz, Os Maias

Foto: blogue Restos de Colecção

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Lisboa antiga (56)

por Pedro Correia, em 12.11.11

 

MOURARIA

«A mãe do pajem veio daí a dias ao Ramalhete, muito insolente, gritando que o filho lhe desaparecera! E era exacto: o famoso pajem, pervertido pela cozinheira, sumira-se com ela para as vielas da Mouraria, a começar aí uma divertida carreira de faia.»

Eça de Queiroz, Os Maias

Foto: blogue Ao (es)correr da pena e do olhar

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Lisboa antiga (55)

por Pedro Correia, em 10.11.11

 

JARDIM DA ESTRELA

«Quando o calhambeque parou no Jardim da Estrela, Carlos já esperava ao portão de ferro, numa impaciência, por causa do jantar na Toca.

Enfiou logo para dentro, atropelando o maestro, bradou ao cocheiro que voasse ao Loreto.

- Então, meus senhores, temos sangue?

- Temos melhor! – exclamou o Ega no barulho das rodas, floreando o envelope.

Carlos leu a carta do Dâmaso. E foi um imenso assombro.»

Eça de Queiroz, Os Maias

Fotos: blogue Teresa Marques 2009's Blog

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Lisboa antiga (54)

por Pedro Correia, em 07.11.11

 

LARGO DO CARMO

«Dentro do pátio desse jornal elegante fedia. Na escadaria de pedra, sem luz, cruzou um sujeito encatarroado que lhe disse que o Neves estava em cima ao cavaco. O Neves, deputado, político, director d' A Tarde, fora, havia anos, numas férias, seu companheiro de casa no Largo do Carmo; e desde esse Verão alegre em que o Neves lhe ficara sempre devendo três moedas, os dois tratavam-se por 'tu'.»

Eça de Queiroz, Os Maias

Imagem: blogue Boca de Incêndio

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Lisboa antiga (53)

por Pedro Correia, em 05.11.11

 

LARGO DE SANTA JUSTA

«Tomaram uma tipóia para correr ao escritório do Vilaça. O procurador fora a Mafra, a um baptizado. Carlos teve de ir pedir cem mil-réis ao velho Cortês, alfaiate do avô. Quando perto das quatro horas se apearam à entrada do Lisbonense, no Largo de Santa Justa, o Palma no portal, com um jaquetão de veludo coçado e e calça de casimira clara colada à coxa, acendia um cigarro. Estendeu a mão a Carlos -- que lhe não tocou.»

Eça de Queiroz, Os Maias

Foto: blogue Arte em Toda a Parte

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Lisboa antiga (52)

por Pedro Correia, em 04.11.11

 

RUA DOS FANQUEIROS

«Um doido!... Sim, era essa a opinião da Rua dos Fanqueiros; o indígena, vendo uma originalidade tão forte como a de Craft, não podia explicá-la senão pela doidice.»

Eça de Queiroz, Os Maias

Foto: blogue Ruas de Lisboa com alguma História

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