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In memoriam.

por Luís Menezes Leitão, em 01.11.18

 

Hoje é um dia em que recordo sempre a maior tragédia que alguma vez atingiu Portugal. Não apenas matou 60.000 pessoas num único dia, como também destruiu completamente o que era então a cidade de Lisboa, não nos deixando quase nenhum edifício para recordar os tempos passados.

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A Uber agradece

por Pedro Correia, em 26.09.18

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No conflito que opõe as frotas de táxis às novas plataformas digitais, os partidos que dizem estar sempre solidários com os trabalhadores já assumiram o seu lado. Colocam-se contra os novos proletários da Uber, da Cabify e da Taxify,  muitos deles assalariados precários, e mostram-se a favor dos patrões dos táxis, que há uma semana condicionam fortemente ou paralisam até grande parte do trânsito na cidade de Lisboa.

Pelo oitavo dia consecutivo, a capital tem hoje os seus principais corredores destinados aos transportes públicos transformados em parques de estacionamento de táxis. Prejudicando assim os cidadãos mais desfavorecidos - aqueles que utilizam os autocarros nas suas deslocações pela cidade. Uma evidente ilegalidade que conta com o zeloso patrocínio da Polícia Municipal, enquanto os partidos que menciono na abertura deste texto assobiam para o lado.

É uma luta obviamente condenada ao insucesso. Fazendo lembrar os protestos dos cocheiros quando começaram a generalizar-se os primeiros veículos a motor nas grandes urbes. Tentar travar a roda do futuro com argumentos proteccionistas do século passado é um absurdo. 

Muitos taxistas andam por aí, envergonhados, a furar o protesto dos patrões circulando com as luzes externas dos taxímetros desligadas. Faço sinal a um. Pára, abre o vidro e pergunta para onde vou. «Pode entrar. Tudo bem, desde que não passe pela Avenida da República, pelo Saldanha, pela Fontes Pereira de Melo ou pela Avenida da Liberdade. Se for aí, sou insultado ou posso mesmo ser agredido por aqueles que se dizem meus colegas.»

Escuto estas palavras enquanto o veículo se vai cruzando com diversas viaturas das plataformas digitais, que por estes dias não têm mãos a medir, com autocarros panorâmicos cheios de turistas e até com os já pitorescos tuk-tuks alfacinhas. Todo um mundo de ofertas rodoviárias que nada têm a ver com a visão petrificada dos donos das frotas de táxis e dos partidos que os apoiam.

Oito dias de protestos encaminharam milhares de utentes habituais de táxis para a Uber e a Cabify: é uma via que já não tem retorno. Por aqui se mede também a estupidez deste protesto. Enquanto os autocarros continuam sem acesso aos seus corredores, contribuindo para engarrafar ainda mais o trânsito. Lá dentro vão humildes cidadãos trabalhadores: os partidos que dizem apoiá-los voltaram a esquecer-se deles.

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Hipocrisia

por Pedro Correia, em 23.08.18

O presidente da Câmara de Lisboa diz, repetidas vezes, que gostaria de retirar cada vez mais carros da cidade. É pura hipocrisia. Os veículos são uma fortíssima fonte de receitas da autarquia - nomeadamente através do estacionamento e das multas, por exemplo, já para não falar nos impostos indirectos que geram através dos combustíveis. 

De resto, sabendo nós como funciona a caótica rede de transportes públicos da capital, se por absurdo metade dos utentes que entram diariamente em Lisboa ao volante dos seus veículos particulares passassem a fazê-lo por transportes fluviais, rodoviários e ferroviários, o sistema entraria de imediato em colapso. Como bem sabem aqueles que, como eu, utilizam essa rede todos os dias.

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Agosto em Lisboa

por Pedro Correia, em 22.08.18

Agosto em Lisboa, num bairro afastado das enchentes turísticas. Almoço periódico com dois amigos, no restaurante do costume. Afinal está fechado, "para férias" - como reza o letreiro. Tentamos o restaurante alternativo, também nosso conhecido, quase porta ao lado: igualmente encerrado pelo mesmo motivo. Faz-me alguma confusão: porque não combinarão férias alternadas os responsáveis destes estabelecimentos concorrentes?

Atravessamos a rua: em frente há outro. Este, aberto. Mal abancamos, a empregada ucraniana avisa: "Já não temos frango, nem carne de vaca." Mau indício, um restaurante deixar esgotar carne de frango. Bifana, também esgotou. Pedimos alheiras, descendo ao grau zero culinário, quase não resta alternativa. Azar para o terceiro elemento da tribo, que chega mais tarde: já não restou uma alheira para lhe matar a fome.

Sugiro-lhe, a brincar: «Pede um Cornetto. Deve haver.» Havia, sim. Foi o almoço dele.

Na fabulosa Lisboa "turística" desta segunda década do século XXI. Na Rua da Estefânia, passava um pouco das duas da tarde.

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Madonna em Cuba.

por Luís Menezes Leitão, em 02.08.18

Não tenho paciência nenhuma para estas vedetas que vêm para cá, abusando do deslumbramento dos indígenas, para depois compararem o país a uma Cuba ou acharem que parou no tempo de Salazar. Mas, de facto, desde que a geringonça chegou ao poder, está muito parecido com uma Cuba. Em que outro país europeu a câmara da capital lhe tinha oferecido 15 lugares de estacionamento a preços irrisórios para depois ouvir estas declarações? De facto, é graças ao fado, futebol e Fátima que os portugueses continuam a andar distraídos com a actuação dos nossos políticos.

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O corpo de bailarinos de Madonna (II)

por Diogo Noivo, em 01.08.18

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Parte da intelectualidade nacional defende que uma publicação de Madonna no Instagram faz mais por Lisboa do que mil estrangeiros anónimos que venham para cá viver. Tanto assim é que a mais recente entrevista à cantora, publicada na Vogue italiana, valerá bem os lugares de estacionamento que lhe foram atribuídos pelo município da capital. Pois bem, nessa entrevista Madonna diz que Lisboa se assemelha a Cuba e que Portugal “é governado por três 'Fs': Fado, Futebol e Fátima”. De facto, publicidade desta não tem preço. E a culpa não é de Madonna.

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Despejado com justa causa

por Pedro Correia, em 30.07.18

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Obviamente, demitiu-se. Despejado da vereação alfacinha com justa causa política: não se pode impunemente andar em contramão, dizendo uma coisa e praticando o seu inverso.

Sai três dias mais tarde do que devia. Após causar sérios danos reputacionais ao Bloco de Esquerda e de ter arrastado a imprevidente Catarina Martins para uma bizarra tentativa de bate-boca com Marcelo Rebelo de Sousa que a Casa Civil do Presidente da República esvaziou num ápice.

O BE vê estancar uma ferida que ameaçava infectar, os munícipes de Lisboa livram-se de um descarado  demagogo e o mercado imobiliário da capital ganha um dinâmico promotor imobiliário, capaz de comprar em 2014 à Segurança Social, por 347 mil euros, um prédio situado em plena zona histórica da cidade que três anos depois tinha um valor de mercado avaliado em 5,7 milhões, gerando uma mais-valia de 470%

Tudo está bem quando acaba bem. 

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A torre dos anúncios

por jpt, em 27.07.18

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Já é noite e saio do centro comercial, aqui dito xópingue, sotaque do dialecto local, e rumo a casa, mesmo defronte. Quando me chego ao atravessar da rua noto que debaixo da torre de anúncios, falha de iluminação e com cromos em falta, espaços vazios que anunciam a pobreza que circunda, desavergonhada, encostado ao canteiro que lhe é base está um tipo deitado, protegido por um velho guarda-sol de praia, branco na noite. Vou até ele a perguntar-lhe “vai dormir aqui?” e ele que sim, “que é o meu lugar”, conclusão que será só dele, que nunca vi vagabundos por aqui aboletados. Está mal preparado, deitado num pequeno cartão, só um saco de plástico com um qualquer não sei o quê. Pergunto-lhe se já comeu, ele agita-se, sobreergue-se no cotovelo, e que sim e abana na mão esquerda um nota de dez euros, dobrada em quatro, como se ma quisesse dar, “não quero o teu dinheiro”, digo-lhe, abismado, “é o meu lugar este”, reafirma-me, até frenético, tartamudeia e nem o percebo, aterrado vendo-o vendo-me dele concorrente, eu ali, hirsuto todo já branco, uma t-shirt desbotada se calhar já não de hoje, calças de ganga sujas que federão a tabaco, que quando a adolescente nem está até esqueço de tudo isso e do resto, pois para quê?,

 

fujo dele, reentro no tal xópingue, estou teso demais para comprar uísque mas andarei um pouco, e ao meu encontro vem a minha amiga, afinal ainda ali, jantámos mesmo agora numa espelunca vizinha, eu nem comia há quatro dias, dieta dos achaques, pagou-me ela um qualquer sucedâneo de polvo, intragável e morno, que me soube às mil maravilhas, e toca música no centro, pretenders talvez, nem atento, e diz-me ela, risonha, ainda miúda, sempre bonita, nestes nossos 50s, “zézé, apetece-me dançar contigo” e logo a rodopio mesmo ali, pois claro, enlaçados, e os poucos clientes daquilo do pingo doce olham-nos estranhos, e quem são eles?, apenas clientes, nem sabem que onde são as caixas eram já as hortas dos Olivais bem antes destas construções, ali nos escaparates fui o King of the Pirates do Defoe, o Capitão Morgan e o Corsário Negro e, mais do que tudo,  naqueles carreiros de esconder tesouros, onde estão talho padaria e peixaria, fui Jim Hawkins, sou aqui dono da terra, vão-se foder clientes de xópingue, posso bem dançar com as beldades locais, manas que sejam, e por esta o ser, enquanto nos meneamos conto-lhe a história vagabunda e ela ri-se, muito, e nisso perdemos o ritmo, que entre nós os dois também nunca foi muito do aconchegar mas muito mais do ombrear,

 

e segue ela à sua vida, ainda a rir-se, naquilo do “só a ti, zézé”, e eu, assim, no carinho dela, amornado, regresso a casa. Subo-me à gruta, ao meu quarto andar, a resmungar com o vagabundo e não descanso enquanto não o esqueço. Meia hora depois, filhodamãe do tipo, vou lá abaixo, levo-lhe uns cobertores, almofada e farnel. O gajo desconfia-me, estou irritado e digo-lhe, como se veterano, “estás mal preparado, não podes dormir na pedra”, que o homem está deitado na calçada portuguesa, ele agradece agora, “obrigado pai”, “pai é o caralho” respondo-lhe, que o gajo tem a minha idade, ou até mais, e insisto para que use os cobertores, e “já comeste? Trouxe comida”, mas isso agradece e recusa, diz que comeu e que tem mais, no tal saco de plástico, “trouxe cervejas”, desafio e ele nada, prefere vinho e tem-no. Mas está grato, pergunta-me agora se pode dormir ali e “sei lá eu, que não sou polícia” e nem lhe digo que ali tão exposto está mesmo à mão que o venham expulsar,

 

e começa ele na arenga dele, que vem de não sei de onde, de um abrigo onde lhe arranjaram uma complicação qualquer, querem-no matar, e bate no braço esquerdo para o realçar, com tal afinco que até o julgo prótese, que homem de braço de prata é muito provável que tenha sido, e queixa-se, que o expulsaram sem razão, e eu que não quero saber a história dele, e ele insiste que o querem matar, que isto é a “quinta guerra mundial”, já vai desabrido, e eu digo-lhe que não, que é mesmo a primeira, só que ainda não acabou.

 

Depois pergunta-me se pode confiar em mim, e eu que experimente ele, e não é que experimenta?, puxa outra vez da nota de dez euros, e pede-me que lhe vá comprar um maço de tabaco, e “porque não vais tu?”, que não pode, senão roubam-lhe os haveres, o tal guarda-sol, o saco de plástico e o cartão, porra, e afinal era isso que ele queria ao princípio, uma pobre alma que lhe fosse comprar cigarros. E eu lá vou, mas é para trazer um “camel dos verdadeiros, dos amarelos”, sim, dos genuínos, que não me engane eu. Sigo à tabacaria, ainda aberta, ao Camel original, 4, 70 euros. Volto e dou-lho, e ao troco, a nota dos 5 euros e as moedas dos trinta cêntimos. Despeço-me, regresso a casa com o farnel recusado mas o tipo insiste em dar-me os 30 cêntimos, e eu que “não quero o teu dinheiro” e ele empurra-o, quase já em pé, que lho aceite que é “para lhe dar sorte à casa”, àquele recanto de canteiro.

 

Vou para casa, envergonhado, cabrão de burguês, um poucochinho preocupado, é o que se arranja, uma caridadezinha, mas incapaz de dar tecto ao homem, uma noite que seja, e sei bem que se o levar para casa as mulheres que me visitam me matarão o juízo, e até eu, se num dia menos deprimido, não me perdoarei. A meio da noite estou mesmo lixado com o gajo, que não me deixa dormir, vou à janela, que o tipo está mesmo à frente do meu prédio, e lá está ele, o cabrão, se calhar a dormir, e nem sei onde estão os meus binóculos, aqueles para o Kruger, nem a colecção das velharias, dos avós, militares, mais o de ópera de uma qualquer avoenga, porcelana e isso, onde estarão os binóculos, agora que eu preciso deles?, para o espreitar, que se lixe, vou mas é lá abaixo, desço e “ouve lá” e ele acorda, estremunhado, “quero as minhas coisas, dá-mas de volta”, estou lixado com o gajo, não aceitou o meu farnel, não bebeu as minhas cervejas, “mas porquê?, deste-mas …”,  resmunga, até assustado, “não quero o teu dinheiro”, resmungo, e quero devolver-lhe as duas moedas, e ele “é para dar sorte”, e eu, ateu, “não te dá sorte nenhuma” mas já desisti, não quero as coisas de volta, os cobertores e a puta da almofada, mas “quero um Camel dos teus”, e isso já está bem, puxa ele do maço e dá-me um cigarro, e outro para ele, eu sento-me na laje do canteiro e ele alumia-nos com fósforos.  Fumo ávido, se calhar como quem já não fuma, e ele “estás doente?” e eu que sim, que “querem-me matar” mas não bato no braço. “Ya!”, e solavanca, “é uma guerra mundial”. “A quinta!, caralho, é a quinta guerra mundial”, respondo-lhe, veemente, irritado, como se ele não perceba tudo isto, vagabundo distraído. “É isso mesmo, é o que eu digo”, defende-se.

 

Os cigarros acabam e o sacana diz-me que “agora vou dormir”, despacha-me, assim sem mais, e eu fico ali, sem-jeito, ainda a insistir no “toma lá o teu dinheiro”. E ele que nada, que lhe dê eu sorte. Uma nesga que seja, penso, e desisto, todo eu ainda mais. E subo. Para a insónia.

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A geringonça da hipocrisia.

por Luís Menezes Leitão, em 27.07.18

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O que caracteriza a geringonça é de facto a sua refinada hipocrisia. Dizem que andam a tentar combater a especulação imobiliária, enquanto se dedicam a ela nos seus negócios privados. Depois de António Costa ter conseguido o enorme prodígio de ganhar 100% na venda de um imóvel no prazo de um ano, enquanto exerce as funções de primeiro-ministro, agora é este rapaz que ultrapassa todos os recordes, comprando um imóvel por 347 mil euros e a seguir pondo-o no mercado por 5,7 milhões. Isto por parte de quem andava a dizer à boca cheia, que Lisboa é uma cidade cada vez mais para ricos e menos para lisboetas. Ele lá saberá do que fala. Estranha-se é que não tenha apresentado o seu passado como investidor imobiliário quando se candidatou no programa do Bloco de Esquerda a Lisboa, onde seguramente teria tido um resultado eleitoral diferente. A hipocrisia e a fraude política estão de facto no coração da geringonça.

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Amor e Vistos Gold

por Diogo Noivo, em 26.07.18

Instalou-se a ideia de que Lisboa cria condições de excepção para estrangeiros europeus ou endinheirados que desejem residir na capital. Comprovei ontem que a percepção é completamente falsa. Embora, lamentavelmente, nada possa dizer sobre os endinheirados, vi que o calvário ao qual os cidadãos europeus são submetidos pela Câmara Municipal de Lisboa é pior do que aquele sofrido pelos portugueses residentes.

Apesar de qualquer cidadão europeu ter um Cartão do Cidadão ou um passaporte que atestam a sua condição europeia, Portugal exige-lhes um certificado de cidadania europeia, emitido pelo município competente. Reitero, para que não sobrem dúvidas: não se trata de um certificado de residência, mas sim de certificar que alguém com documentos oficiais emitidos por um Estado-Membro da União Europeia é, de facto, europeu. A tautologia custa 15€ por cabeça. Fui informado que “é assim em todo o lado”, embora não me recorde de ter sido obrigado a uma certificação semelhante quando residi noutros países do espaço comunitário. Adiante.

Chegados ao serviço de atendimento do município de Lisboa por volta das 10 da manhã, o número da senha, o 003, augurava um tempo de espera curto. Apenas duas pessoas à nossa frente, e uma já estava a ser atendida. Mas às 13h20 continuávamos à espera. Enquanto as senhas para tratar de outros assuntos – EMEL, execuções fiscais, urbanismo – se sucediam a uma média de onze por hora (havia tempo livre e tinha de me entreter), para tratar do certificado europeu a média era inferior a um. As pessoas entravam e saíam, enquanto nós e um simpático casal alemão olhávamos para o monitor, ansiosos pela nossa vez.

Às 14h15, quando finalmente fomos atendidos, a funcionária informou-nos que Lisboa não é o município competente (aliás, a falta de competência era evidente há mais de duas horas), mas sim um outro. Portanto, de nada serviu ter ligado na véspera para aquele mesmo serviço, ter facultado toda a informação, e me ter sido confirmado que sim, que era ali que me deveria dirigir para tratar do malfadado certificado. Valeu-nos a simpatia da pacata funcionária – que contrastava com a hiperactividade de um negreiro que por lá andava disfarçado de polícia municipal.

Moral da história: os estrangeiros só se mudam para Lisboa com Vistos Gold ou por amor à cidade – e porventura a um lisboeta. Pela competência dos serviços não é certamente.

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O corpo de bailarinos de Madonna

por Diogo Noivo, em 05.07.18

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Fernando Medina esteve bem ao facilitar estacionamento para a frota automóvel de Madonna porque, segundo se lê nas redes sociais de alguns comentadores, uma publicação da artista no Instagram faz mais pela cidade em receitas e em reputação do que mil estrangeiros anónimos que venham para cá viver. Descontando o deslumbramento patego subjacente à ideia, que institui como desejável a criação de gente de primeira e de segunda perante o Estado (o Poder Local também é Estado), o curioso é que o essencial do assunto permanece ausente do debate.

Graças ao INE, soubemos esta semana que quem anda de transportes públicos demora o dobro do tempo do que quem vai de carro ou mota. Se a isto juntarmos os atrasos constantes nos transportes públicos, o aumento do preço dos títulos de transporte, a sobrelotação, a supressão de comboios, a degradação do equipamento circulante, e os tempos de espera absurdos no Metro não surpreende que o automóvel seja o principal meio de transporte dos residentes nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto. É a prova da absoluta ineficiência, se não mesmo da inutilidade, dos transportes públicos, cuja missão é também a de reduzir a entrada de veículos particulares nas cidades.

Em Lisboa, a situação deverá piorar. Uma vez que o preço dos imóveis torna proibitivo residir na cidade, mais gente morará nas periferias e, consequentemente, maior pressão sobre os transportes públicos e mais viaturas particulares a entrar e sair do centro urbano diariamente. Com este cenário, nem com um silo de estacionamento por bairro teremos lugares suficientes. 

No entanto, calva de ideias e grávida de certezas, parte da intelectualidade pública que se desdobra em intervenções nos jornais, nas rádios e nas televisões prefere abordar o assunto dançando à volta de Madonna, dando colo ao autarca de Lisboa, defendendo o indefensável, e perdendo-se em argumentos que ignoram olimpicamente o cidadão comum. A culpa não é de Madonna.

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Um país onde se lê pouco e mal

por Pedro Correia, em 19.06.18

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Portugal é dos países da Europa onde menos se lê: só compramos, em média, 1,3 livros por ano. Estes péssimos índices, que não merecem qualquer tipo de censura social, ajudam a explicar por que motivo 45% dos alunos do 5.º ano de escolaridade são incapazes de identificar Portugal no mapa da Europa Ocidental - algo que se justifica pelo facto de o ensino, entre nós, estar cada vez mais desprovido de exigência, privilegiando-se o carácter "lúdico" da aprendizagem, que deve merecer a "adesão emocional" das crianças enquanto o esforço se ausenta das salas de aula.

Há tempos, num grupo de cerca de dezena e meia de pessoas da chamada classe média-alta reunidas em Lisboa, perguntei a cada uma delas se tinha comprado algum livro no ano anterior. Excepto num caso, as respostas foram todas negativas. A nossa chamada elite vive divorciada de leituras: é incapaz de comprar um romance ou um jornal, por exemplo. Sai de casa para abancar num restaurante, mesmo caro, mas nem lhe ocorre deslocar-se a um teatro ou um cinema, a um concerto ou a uma exposição.

 

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Em Novembro de 2013, fechou em Lisboa o cinema King. Foi durante anos o que mais frequentei. Lá vi alguns filmes inesquecíveis - vários de Pedro Almodóvar, por exemplo. Em diversas ocasiões não havia praticamente mais ninguém na sala: era fácil antever que acabaria por encerrar. Como encerrara o Londres, em Fevereiro desse ano - outro cinema da capital de que fui visitante assíduo. Nos últimos meses o seu estado de degradação tornara-se de tal modo evidente que não custava antecipar-lhe o fim.

Depois de fechado, muitos do que o votaram ao abandono lembraram-se de pôr a circular um abaixo-assinado entre os moradores da zona exigindo à câmara que não autorizasse a abertura de uma loja chinesa no seu lugar. Ainda me lembro do ar de espanto da senhora que me pôs o papel à frente, pedindo a minha assinatura, quando lhe respondi que me recuso a subscrever petições xenófobas. A loja abriu em 2014 e lá está, sempre cheia, no preciso local onde existia o antigo cinema, quase sempre vazio. Os mesmos que viraram as costas à sala de espectáculos passaram a acorrer ao estabelecimento comercial - incluindo ex-promotores do tal abaixo-assinado prontamente esquecido.

 

Somos assim: deixamos encerrar jornais, cinemas, livrarias. No momento em que fecham, logo surge o habitual coro de carpideiras lamentando o sucedido. Em regra, quem mais chora é quem menos contribui para evitar em tempo útil que o deserto cultural vá alastrando entre nós numa escalada galopante.

Quantos pais, incluindo na petulante Lisboa, nunca oferecem um livro aos filhos? Quantos já os levaram a visitar um monumento ou um museu? Quantos reagem com um resignado encolher de ombros à notícia de que um filho de dez anos é incapaz de apontar Portugal no mapa?

Que modelo de exigência estamos a proporcionar à geração que vai seguir-se?

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Adeus Camões, olá "camones"

por Pedro Correia, em 31.05.18

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As farmácias devem ser um excelente negócio. Só perto da minha casa, na Avenida da Igreja, há seis. Uma delas, mais modernaça, deixou agora de chamar-se farmácia. Fez obras para «modernizar as instalações» e ressurgiu baptizada como chemist store - assim mesmo à "amaricana", como se em vez de Lisboa estivéssemos em Seattle, Portland, Omaha ou Minneapolis.

Sinal dos tempos: eis o nosso idioma em recuo acelerado nos mais diversos tabuleiros, com a anuência generalizada das entidades públicas, a bocejante indiferença dos nossos putativos "agentes culturais" e o aplauso contentinho dos basbaques que imaginam podermos atrair "resmas de turistas" cá para o torrão se substituirmos a língua materna de Vieira, Eça e Pessoa pelo esforçado vernáculo do senhor Trump.

O estúpido "acordo ortográfico" já tinha funcionado como sinal de alerta: o português necessita de cuidados intensivos. Não apenas na versão escrita, com a abertura da época de caça às supostas consoantes mudas, mas na própria oralidade, com a progressiva atonalidade de sílabas e a contínua condenação das vogais abertas à reforma antecipada. Agora somos colonizados culturalmente pelos "camones". Cada vez mais longe de Camões.

Receio que isto já não se cure com uma simples ida à farmácia.

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O Bairro

por Diogo Noivo, em 26.03.18

Não conheço o António Rolo Duarte. O blogue dele só conheci hoje. Tem três entradas despretensiosas, bem escritas e bem pensadas. Na mais recente, a propósito da morte de Manuel Reis, há uma frase que me ficou a ressoar no crânio: “Não é difícil ser saudosista em relação a esse Bairro Alto que nunca foi meu”. O meu Bairro, que existiu entre o ocaso dos 90 e os primeiros anos deste jovem século, era um zoo. Góticos, skinaria, betos do sapato de vela, aspirantes a artistas plásticos, gente que tinha lido umas coisas e outros que nem pelos folhetos de supermercado passavam os olhos. Todos diferentes, todos despreocupados – tontos, confiávamos na mobilidade social pátria, convencidos que viveríamos melhor do que a geração dos nossos pais. Esse era o ambiente do meu Bairro: confiança e inconsequência de quem olhava para o futuro como uma recta ascendente de progressão linear. Ao contrário da geração anterior, a minha não sentia a necessidade de ser cosmopolita porque o país já era europeu e cada vez mais desempoeirado. O tempo, esse desgraçado, encarregou-se de nos mostrar o quão errados estávamos sobre a progressão linear e sobre a limpeza da poeira. Aquele Bairro vivia dos restos da geração fundada pelo Manuel Reis. Era uma época de transição. A avaliar pelo que é o Bairro Alto de hoje, não acrescentámos nada. Como escreve o António Rolo Duarte, “o Bairro Alto há muito que perdeu o charme e o único sítio que poderia realmente ser nosso, o novo Cais do Sodré, foi tomado por uma mistura de turistas, hipsters que têm “uns projectos” e CEO’s de start-ups com muito start e pouco up”. Tem razão quando refere que “nós, os jovens de hoje, não temos um Frágil. Não há um Targus onde possamos encontrar a versão jovem do meu pai e dos amigos dele”. É isso mesmo, António. Com tudo o que daí resulta. E tudo isto para dizer que passarei a seguir o Dorminhoco com assiduidade. Venham de lá mais textos nessa “página aborrecedora”.

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Apontamentos sobre um mundo paralelo

por Diogo Noivo, em 21.03.18

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Retirado do Facebook

Embora não seja especialista no mercado imobiliário, creio que o preço do metro quadrado em Lisboa é formado pela conjugação de dois factores: (i) o normal funcionamento da lei da oferta e da procura; (ii) a sofreguidão do Zé Tuga que, sem a mais pequena noção do país onde vive, e vendo o mercado do imobiliário em alta, decidiu que ficará rico do dia para a noite, custe o que custar. Caso não concorde com este ponto (ii), caro leitor, atente no anúncio que ilustra este post: o arrendamento de uma maravilhosa cave com 25m2 está ao seu alcance pelo módico valor de 800€ por mês. Top!

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O delfim.

por Luís Menezes Leitão, em 12.02.18

Há muito que se sabe que Fernando Medina é o delfim de António Costa e que o PS o anda carinhosamente a preparar para assumir uma futura liderança. Precisamente por esse motivo Medina beneficia de um espaço televisivo semanal e o parlamento está sempre disponível para aprovar todos os disparates que ele propõe, como a lei de salvaguarda de lojas históricas à custa dos proprietários dos imóveis. A verdade, no entanto, é que quem decide a viabilidade dos estabelecimentos, históricos ou não, é o mercado, como o parlamento acaba de comprovar ao assistir ao encerramento da sua própria papelaria. Mas, como é típico de qualquer socialista, desde que sejam os outros a pagar está tudo bem. Como bem salientou Margaret Thatcher, o problema do socialismo é que ele acaba quando acaba o dinheiro dos outros.

 

É por isso que Fernando Medina, que à sua responsabilidade decidiu inventar uma absurda e inconstitucional taxa de protecção civil, que o Tribunal Constitucional prontamente chumbou, agora diz que quer processar o Estado pela taxa que ele mesmo decidiu criar. Para Fernando Medina, uma lei que lhe permite lançar taxas por serviços prestados na protecção civil é uma lei que lhe permite cobrar uma taxa mesmo sem prestar serviço algum. E é óbvio que a responsabilidade pelo que aconteceu é do Estado, uma vez que a lei tinha sido criada "ad usum delphini", pelo que o delfim nunca pode ser responsabilizado pelo (mau) uso que dela faz.

 

E assim se consegue atingir o esplendor do socialismo. Se a Câmara de Lisboa abusou dos seus munícipes, cobrando-lhes uma taxa ilegal e inconstitucional, é óbvio que a responsabilidade por esse buraco de 80 milhões de euros tem que ser passada para o Estado. E até é provável que o parlamento e o governo, tão amigos que são de Fernando Medina, lhe venham a dar razão, fazendo assim com que sejam os munícipes de todo o país, desde o Corvo a Bragança, e incluindo o Porto, Coimbra, Faro, etc., etc., cujos municípios nunca lançaram qualquer taxa de protecção civil, a pagar as pseudo-taxas inventadas pelo autarca de Lisboa. É por isso que Fernando Medina é o melhor candidato a futuro líder do PS, uma vez que sabe ficar com o dinheiro dos outros como ninguém. Se os munícipes de Lisboa, que o elegeram para presidir à sua câmara, não estão dispostos a pagar as suas pseudo-taxas, chamem-se os munícipes do resto do país para pagar a factura. O delfim Fernando Medina é um verdadeiro socialista.

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A Lisboa que interessa a um outro tipo de "turistas"

por Alexandre Guerra, em 08.02.18

 

A equipa de skaters da Globe, marca australiana mundialmente conhecida e que se dedica à produção de material para as modalidades de skate, snowboard e surf, esteve em Lisboa numa sessão fotográfica para a histórica Thrasher Magazine. O anúncio está em destaque na homepage da marca e, do que se pode ver no trailer, a acção desenrola-se longe dos (insuportáveis e já pouco imaginativos) locais turísticos da capital portuguesa. Aqui, os pontos de interesse são outros, ou não fosse esta uma sessão bem fiel ao espírito street... Aquilo que os prós do skate gostam, sítios com pouco glamour, mas cheios de alma urbana e, se formos a ver bem, genuinamente lisboetas.

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Reavaliação do consenso fiscal.

por Luís Menezes Leitão, em 17.01.18

Lisboa nunca deve ter tido um presidente pior do que Fernando Medina, que coloca a cidade permanentemente em obras inúteis que, depois de realizadas, só complicam a vida aos lisboetas. Como se isso não bastasse, os lisboetas são constantemente esmifrados com impostos e falsas taxas, que só a muito custo conseguem eliminar, como se viu com a tardia declaração de inconstitucionalidade da taxa de protecção civil, que toda a gente sabia ser inconstitucional. Agora, com um rombo de 80 milhões em perspectiva, Medina diz que "quer reavaliar o consenso fiscal em Lisboa". E se ele reavaliasse antes a sua própria presidência da Câmara?

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Câmara de Lisboa. Avenças em gabinetes do PS chegam a aumentar 80%.

 

Lisboa tem excepção que permite mais 96 assessores e ‘plafond’ de 20 milhões.

O Regime Jurídico das Autarquias Locais (RJAL) permite aos grandes municípios (com mais de 100 mil habitantes) terem 22 membros nos gabinetes dos vereadores e do presidente da câmara. Dada a sua dimensão, Lisboa é objecto de uma excepção que é aprovada, mandato após mandato, pelo executivo municipal. De acordo com a proposta de Fernando Medina aprovada em reunião de câmara no início deste mandato — apenas com a abstenção dos dois vereadores do PCP — os vereadores, os respectivos grupos políticos e o presidente podem contratar 96 pessoas para os gabinetes: 71 assessores e 25 funcionários de apoio administrativo. A estes 96 juntam-se os 22 já garantidos. Contas finais: 118 assessores/adjuntos.

 

Um dado já estabelecido, mas que a notícia confirma - ide lê-la, ide -, é o cuidado tocante, nesta época de insensibilidade e egoísmo, que os socialistas revelam no apoio à famiglia. Perdão, à família.

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Mas a candidatura de Lisboa era assim tão espectacular?

por João Pedro Pimenta, em 23.11.17

Com o risco de ser interpretado como "defensor dos valores tripeiros" ou coisa parecida, tenho de discordar dos meus confrades do Delito na matéria "se Lisboa fosse candidata a receber a EMA teria muito mais hipóteses de ganhar do que o Porto". 

 

Sim, o Porto perdeu, ficou em sétimo e em boa verdade só por muita fé é que se pensaria que podia ganhar. A candidatura tinha alguns aspectos vagos e dificilmente podia ombrear com outros concorrentes. Mas pensar que Lisboa tinha mais hipóteses é outra quimera. Até agora, vi escrito vezes sem conta que Lisboa era uma das preferidas, que tinha muito mais possibilidades de ganhar, etc. Pois bem, não vi um único argumento que me demonstrasse essas tais hipóteses. 

 

 

O Luís refere por exemplo que a Agência só podia ir para uma capital. Ora a cidade que chegou ao fim com mais pontuação foi Milão, só preterida em sorteio posterior a favor de Amsterdão. O Porto ficou a par de Atenas e à frente de capitais como Viena, Helsínquia, Sófia, Bucareste ou Varsóvia. Se ser capital nacional era mesmo um requisito (e isso não aparecia em parte nenhuma, senão não concorreriam cidades que não o são), ou houve distracção por parte das entidades responsáveis ou então era apenas uma condição simbólica. O que só mostra que a candidatura do Porto era melhor do que o que se pensava.

 

O Embaixador Seixas da Costa, também aludido pelo Luís, acha que "Lisboa era a única cidade portuguesa com condições potenciais para albergar" a agência. Mais uma vez não nos são apresentados critérios, excepto o da "visibilidade excepcional que a cidade está a ter por toda a Europa". Se a razão é essa, recordo que a também o Porto tem neste momento uma visibilidade internacional que provavelmente nunca antes tinha conhecido. Não por acaso, foi eleito, por três vezes em seis anos, "melhor destino europeu". Vale o que vale, mas a votação que lhe permitiu o tri-galardão teve sobretudo votos estrangeiros a favor. Não sendo um argumento de enorme peso, demonstra que também a visibilidade portuense está em alta. E não esquecer, evidentemente, a repercussão que a eleição de Rui Moreira teve, com honras de reportagem e entrevista por parte de jornais como o Le Monde e o New York Times.

 

O Diogo recorda-nos que os funcionários da EMA preferiam ir para Lisboa. Podia ser um argumento com algum peso. Simplesmente, diz-nos a notícia, tratou-se de um inquérito interno revelado apenas pelo presidente da Apifarma, e sem que os resultados fossem "publicados ou comunicados aos estados-membros". Ou seja, temos apenas a "revelação" do sr presidente da Apifarma, sem qualquer confirmação. Aliás, ouvimos muitos falsos alarmes ao longo deste processo. Ou não se lembram do favoritismo ser atribuído a Bratislava?

 

De resto, não ouvi quaisquer outros argumentos que atestassem as enormes hipóteses de a candidatura Lisboa ser tão melhor que a do Porto. Pelo contrário, ouvi os habituais desabafos de que "era a capital", a maior cidade", "essas coisas devem ficar onde têm mais representatividade (Sic)", etc. Excepto talvez um: o de que Lisboa teria mais linhas aéreas. É um facto. Mas para além do aeroporto de Pedras Rubras apresentar melhores condições, é bom lembrar que a supressão de várias e importantes linhas aéreas do Porto partiu daquela empresa que não sabemos se é pública ou privada chamada TAP, com explicações frouxas e atabalhoadas.

 

Por outro lado, há um argumento que se não é exclusivo, joga pelo menos com bastante força contra a candidatura de Lisboa: o facto de já lá haver duas agências europeias. Só uma cidade tem mais do que duas: Bruxelas. Tirando a "capital da UE", e na possibilidade remotíssima de ganhar, Lisboa tornar-se-ia a única cidade com três agências, o que seria uma caricatura chapada do centralismo à portuguesa.

 

Assim sendo, explica-se melhor a atitude do governo, que depois de escolher Lisboa, mudou subitamente para a candidatura do Porto: sabia-se que nem uma nem outra teriam quaisquer hipóteses. E tentou-se assim dar uma aura de descentralização de fachada. Mais penoso ainda: viram-se deputados, como Catarina Martins, a retorquir que o facto de outras cidades, como o Porto, Braga e Coimbra não serem também candidatas era um ultraje, depois de eles mesmo terem votado em Lisboa.

 

Mas talvez estas discussões e estas candidaturas tenham trazido algo de bom: tal como aconteceu com o Festival da Eurovisão (que ficou, e muito bem, no Parque das Nações), discutiu-se para que cidade portuguesa determinado organismo/evento internacional viria, embora só depois de se emendar a mão à simples escolha de Lisboa, apenas porque sim, sem mais. É uma atitude saudável que doravante terá de fazer parte das escolhas dos decisores políticos. O resultado final pode perfeitamente ser Lisboa, mas que haja uma avaliação e um debate prévio sobre a matéria em questão. Senão arriscamo-nos a ficar sempre tão centralizados como a Hungria ou a Grécia. Ou talvez nem isso: é que a Grécia conta com três agência europeias e nenhuma delas sequer fica em Atenas. Afinal é bem verdade que Portugal não é a Grécia.

 

Já agora, se me permitem, ficou-se a saber que a desconcentração de serviços é uma tarefa hercúlea. Não sei se a mudança da administração e de parte dos trabalhadores da Apifarma de Lisboa para o Porto se justifica e a que títulos. Também não acho, nem nunca achei, que desconcentrar fosse tirar de Lisboa e colocar no Porto, como se a grande falha não fosse litoral/interior. Mas ao ver os queixumes e as reclamações com o "triste destino" dos trabalhadores, que, horror, podem até ter que ir trabalhar para o Porto, não posso deixar de pensar nos milhares e milhares que ao longo de gerações tiveram que abandonar as suas raízes e as suas famílias e migrar para a capital e para os seus subúrbios crescentemente lotados, sem que nunca ninguém tivesse elevado a voz para os defender nem para contestar a sua migração quase forçada. Talvez agora se comece a pensar nisso.

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Uma odisseia para lugar nenhum

por Pedro Correia, em 20.11.17

 

7 de Junho:

Agência do Medicamento: Governo defende candidatura de Lisboa. "É a cidade que oferece mais condições", garante Augusto Santos Silva.

 

8 de Junho:

Rui Moreira exige explicações do Governo sobre exclusão do Porto na candidatura a sede da Agência Europeia do Medicamento.

 

13 de Junho:

Governo escolhe Lisboa para candidatura a Agência Europeia do Medicamento.

 

13 de Junho:

BE critica Governo por candidatar Lisboa para acolher Agência Europeia do Medicamento.

 

13 de Junho:

Petição pública sobre a Agência Europeia de Medicamentos: "Não ao Centralismo!"

 

15 de Junho:

Agência Europeia do Medicamento: Rui Moreira diz que nunca foi contactado.

 

15 de Junho:

"Fonte oficial" revela que Costa defendeu até ao limite candidatura do Porto à Agência Europeia do Medicamento.

 

16 de Junho:

Lisboa em 15.º lugar para acolher a Agência Europeia do Medicamento.

 

29 de Junho:

Governo aprova integração de representantes do Porto na comissão de candidatura para Agência Europeia do Medicamento.

 

13 de Julho:

Governo escolhe Porto para candidatura a Agência Europeia do Medicamento.

 

13 de Julho:

Maioria dos quase 900 funcionários da Agência Europeia do Medicamento preferia Lisboa.

 

31 de Julho:

Agência do Medicamento: troca de Lisboa pelo Porto pode penalizar candidatura.

 

10 de Outubro:

Porto está nos cinco favoritos para acolher Agência Europeia do Medicamento, segundo estudo encomendado pela Associação Comercial do Porto.

 

17 de Novembro:

Porto em vantagem para acolher Agência Europeia do Medicamento, assegura ministro da Saúde.

 

20 de Novembro:

Porto não fica com a Agência Europeia do Medicamento.

 

20 de Novembro:

Agência Europeia do Medicamento fica em Amesterdão.

 

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As nossas irmãs árvores

por Pedro Correia, em 19.11.17

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Converso com um amigo sobre as vantagens de viver no campo, em comparação com o frenético quotidiano citadino. Há uma enorme árvore bem perto de nós. Pergunto-lhe: “Sabes que árvore é esta?”

Não faz a menor ideia. É um choupo negro, alto e esguio, de folha em forma do símbolo de espadas nas cartas de jogar – uma das espécies vegetais mais frequentes em Lisboa por se adaptar muito bem à atmosfera poluída

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Este episódio banal confirma-me a profunda iliteracia da esmagadora maioria dos habitantes das cidades em relação ao nosso vasto património botânico. A recente tragédia dos incêndios pareceu ter feito de cada compatriota um inesperado especialista em espécies vegetais – ao ponto de todos terem passado a emitir sentenças categóricas sobre o que deve ou não ser plantado nas quintas e aldeias do interior do País. Invocavam a necessidade imperiosa de acolhermos mais “espécies autóctones” e rejeitarmos “espécies invasoras”, sem fazerem a menor ideia do que significa uma coisa e outra.

Essa pretensa sabedoria teve um brevíssimo prazo de validade, próprio dos actuais surtos de indignação nas redes sociais. A verdade é que poucos conhecem as árvores, muito poucos as respeitam e quase todos são incapazes de nomeá-las.

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Tive a sorte de os meus pais me haverem ensinado desde menino a conhecer o mundo vegetal e a tratar as árvores pelos nomes próprios. Aprendi muito cedo que algumas estão mesmo associadas a características de certas regiões. Na região de onde sou originário, a Cova da Beira, a  cerejeira é uma árvore icónica e muito admirada tanto na magnífica fase da floração como na incomparável explosão dos frutos, que conferem tonalidades muito próprias aos extensos pomares das encostas serranas.

Outra árvore a que prestamos tributo por ser uma histórica aliada no combate à fome e pela sua relevância presente no tecido económico da região é o castanheiro, que aliás se destaca no brasão da Câmara Municipal do Fundão, com as castanhas a figurarem como pepitas de ouro.

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Estas e outras árvores acompanharam o meu percurso biográfico.

Os pinhais do Alto Minho e da Fonte da Telha, os coqueiros e tamarindeiros na casa de Timor. Os gondoeiros da praça Engenheiro Canto Resende, no Bairro do Farol. As Madres del Cacau na Ermera. As casuarinas na praia de Hac-Sá, na ilha de Coloane. A grevílea robusta da vivenda da Charneca. Encontrei uma há dias, no jardim do Campo Grande, e saudei-a como se revisse uma velha amiga.

Falta-nos este espírito de confraternização com as nossas irmãs árvores, como diria São Francisco de Assis. Nas reuniões de condóminos urbanos um dos temas recorrentes é o do abate de árvores – porque sujam, porque roubam a luz do sol, porque atraem pássaros e insectos, porque “desfiguram a paisagem”, porque sim. E as próprias autoridades municipais se apressam tantas vezes a retirá-las do espaço público. Ainda hoje não perdoo ao vereador Sá Fernandes ter ordenado a remoção das laranjeiras que ornavam a Praça de Alvalade, substituindo-as por placas de cimento.

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Há dias pus-me a pensar nas árvores que sou capaz de identificar – tanto árvores de floresta, de cultivo ou espontâneas, como de jardim. A lista foi-se tornando cada vez mais extensa. Da figueira ao pinheiro bravo, da tília ao carvalho, do eucalipto ao freixo, do lódão à olaia, do marmeleiro à oliveira, da acácia ao salgueiro, do choupo branco à macieira, do pessegueiro à romanzeira, da pereira ao cipreste, da palmeira-de-leque à alfarrobeira, do sobreiro ao jacarandá, da ginkgo à araucária, do zambujeiro à tipuana, do plátano ao limoeiro, da bananeira à nespereira, da laranjeira à magnólia, do pinheiro manso à palmeira das Canárias. Sem esquecer árvores-arbustos, como os dragoeiros ou os medronheiros.

Várias delas, felizmente, integram já a lista oficial do nosso património. Incluindo o inigualável cedro do Buçaco no Jardim do Príncipe Real, em Lisboa, ou a deslumbrante figueira da Austrália em destaque no Parque Marechal Carmona, em Cascais.

Sempre que posso, fotografo-as: são minhas todas as fotos que ilustram este texto, captadas ao longo deste terrível ano que parece de perpétua Primavera, em que as folhas caducas permanecem verdes e muitas espécies estão a florescer em Novembro como se fosse Abril ou Maio enquanto pelo menos 5% da superfície do País ficou reduzida a cinzas. Muitos dos nossos velhos não voltarão a ver paisagem verde em seu redor.

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Há três meses, a jornalista Maria Henrique Espada, editora da revista Sábado, reuniu António Bagão Félix e José Sá Fernandes numa interesssantíssima conversa sobre árvores em que os dois interlocutores exibiam extensos conhecimentos na matéria.

Gostei muito de ler o que diziam. Só lamento que Sá Fernandes, enquanto vereador responsável pelos espaços verdes da capital, teime em não partilhar essa sabedoria com os habitantes de Lisboa.

Bastaria colocar tabuletas nos jardins a indicar os nomes das espécies vegetais, como fazem várias câmaras por esse País fora, claramente amigas do ambiente.

Isso contribuiria para aproximar das árvores os lisboetas que hoje julgam que elas só servem para receber urina de cães e dar sombra aos carros nos meses de Verão.

 

 

Legendas (de cima para baixo):

1. Romanzeiras

2. Palmeira-de-leque

3. Folhas de olaia

4. Medronheiros

5. Choupos brancos

6. Limoeiros

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"Diz qualquer coisa de oposição"

por Pedro Correia, em 12.10.17

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Faz hoje um mês, previ aqui que Rui Rio seria uma das figuras em foco de Outubro a nível nacional. Pela necessidade de finalmente assumir uma candidatura à liderança ao PSD.

Passos Coelho facilitou-lhe a vida, saindo de cena após as humilhantes derrotas eleitorais que o partido sofreu em Lisboa e no Porto, aliás muito previsíveis.

 

Dizem-me que Rio já andava a preparar-se há mais de um ano para este momento, cuidando de tudo ao pormenor, como é do seu feitio meticuloso.

Teve azar: o dia mediático, que já andava dividido pelas primeiras informações públicas em torno do Orçamento do Estado para 2018 e pela réplica formal do Governo espanhol ao desafio separatista da Catalunha, acabou por ser totalmente absorvido pela acusação formal da Procuradoria-Geral da República ao ex-primeiro-ministro José Sócrates, que vai sentar-se no banco dos réus pela suspeita de ter cometido 31 crimes. Facto sem precedentes na história política e na história judicial do País.

 

Rio nunca poderia ter previsto isto. Mas podia e devia ter feito um discurso mais vibrante e mobilizador perante a galeria de apoiantes em Aveiro.

Escutei-o pela televisão. Iam já decorridos 15 minutos de discurso quando dei por mim a parafrasear aquela personagem de Nanni Moretti: "Diz qualquer coisa de oposição!"

Acabou por dizer, daí a momentos, nessa intervenção de 17 minutos. Com uma frase que sabia ser apropriada a títulos de jornal: "O PSD é um partido de poder, não é a muleta do poder."

Achei muito pouco para quem se candidata à liderança do maior partido da oposição ao Governo socialista. Nestas coisas, como ensinava o engenheiro Guterres, nunca há segunda oportunidade para uma primeira impressão.

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Cartão amarelo para Medina

por Pedro Correia, em 03.10.17

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Fernando Medina apareceu, já a horas tardias, na noite eleitoral com o sorriso que costuma ostentar em todas as estações do ano. Apesar de beneficiar da bem oleada máquina socialista e de ter contado na campanha com inesperados brindes propagantísticos da  Standard's & Poor e do Fórum Económico Mundial, o alcaide alfacinha (nado e criado no Porto) tinha muito menos motivos para sorrir do que Rui Moreira, que sem aparelhos partidários dignos de nota revalidou o mandato na Câmara Municipal do Porto, conseguindo desta vez maioria absoluta.

Com Medina foi ao contrário: o actual autarca herdou o cadeirão presidencial na Praça do Município dispondo de uma confortável maioria absoluta, obtida por António Costa em 2013, e acaba de dizer-lhe adeus: perdeu três vereadores e cerca de 10 mil votos neste escrutínio. Herdou 11, restam-lhe oito.

Passa a depender de outras forças políticas para gerir a câmara, perdendo terreno à esquerda e à direita: o CDS conquistou-lhe dois mandatos no executivo municipal e o Bloco de Esquerda - que apresentou um bom candidato, Ricardo Robles - ganhou o terceiro, passando enfim a ter representação na mais emblemática edilidade do País.

O eleitorado de Lisboa revelou-se sábio nestas escolhas. O cartão amarelo a Medina foi bem merecido. Porque tem gerido a capital muito mais em função de quem nos visita do que em função de quem cá vive ou aqui trabalha, deixando a pressão turística condicionar por inteiro o mercado imobiliário, sem correcções nem ajustamentos.

Sempre considerei que o actual presidente da câmara merecia ser desafiado por um adversário com sérias hipóteses de o derrotar nas urnas. Um adversário que o questionasse sobre o trânsito caótico, as obras intermináveis, os transportes entupidos, as derrocadas de prédios degradados, o parque habitacional caríssimo e cada vez mais inacessível para os lisboetas, a quantidade infindável de taxas e taxinhas.

O PSD, no entanto, abdicou de lhe dar luta, rendendo-se antes do confronto. Se houve algo imperdoável nestas autárquicas, por bandas do maior partido da oposição, foi precisamente isto.

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A hecatombe

por Pedro Correia, em 01.10.17

 

Obviamente, nada no PSD pode ficar na mesma. Como se o partido não tivesse obtido os piores resultados de sempre em Lisboa e no Porto.

 

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O sorriso de Assunção Cristas

por Pedro Correia, em 29.09.17

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O mais interessante nestas eleições autárquicas é a recomposição de forças que se desenha à direita, tendo Lisboa por epicentro.

Assunção Cristas vai ganhar esse desafio porque fez a aposta certa: foi a jogo, centrou a parada no principal município do País (recuperando um palco essencial da história autárquica do CDS) e não descolou um milímetro da estratégia delineada: eleger o PS como adversário, convicta de que Fernando Medina não era imbatível, sem se deixar contagiar pelos dramas hamletianos que assaltavam o partido laranja.

 

Precisamente ao contrário do PSD, que foi ziguezagueando ao longo de todo este tempo. Hesitou na escolha do cabeça-de-lista, hesitou na estratégia, hesitou nas prioridades da campanha, hesitou na escolha dos candidatos ao executivo municipal, hesitou nos alvos programáticos.

Os sociais-democratas fizeram tudo mal: já com a líder democrata-cristã no terreno, em vez de formarem equipa com ela preferiram medir forças com o CDS - como se fosse esse o adversário e como se tal disputa interessasse um átomo aos eleitores de ambos os partidos. Isto enquanto o coordenador da campanha autárquica laranja admitia numa entrevista que tanto lhe fazia quem ficava à frente. Logo ali se percebia qual era o estado anímico daquelas hostes.

As esquerdas iam assistindo de camarote.

 

O PSD demorou meses a designar Teresa Leal Coelho - e a escolha só se materializou, tarde a a más horas, após diversas fugas de informação terem tornado evidente que se tratava da enésima opção, na sequência das sucessivas recusas de outros visados.

Repetia-se um filme já gasto como se fosse em estreia: ninguém na entrincheirada sede da São Caetano à Lapa parece ter extraído qualquer  lição dos fracassos anteriores do partido na capital, protagonizados por candidatos como Fernando Negrão e Fernando Seara.

 

O amadorismo dominou a caravana autárquica laranja em Lisboa do primeiro ao último dia. As intervenções da candidata nos debates televisivos foram desastrosas - ao nível dos cartazes com a sua imagem que foram sendo espalhados na cidade sem qualquer mensagem associada ao retrato.

Os resultados deste espectáculo confrangedor serão conhecidos daqui a 48 horas. À direita, não custa vaticinar, só Assunção Cristas terá motivos para sorrir.

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Postais de Lisboa (14)

por Pedro Correia, em 19.09.17

 

Ainda há zonas sem esgotos mas já têm parquímetros.

 

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Postais de Lisboa (13)

por Pedro Correia, em 18.09.17

 

Adeus, restaurante panorâmico. Olá, "Open House".

 

 

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Postais de Lisboa (12)

por Pedro Correia, em 14.09.17

Provedor de Justiça considera inconstitucional a taxa municipal de protecção civil lançada pela Câmara de Lisboa.

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Um dó li tá

por Pedro Correia, em 13.09.17

 

12 de Setembro:

Tony Carreira e Bagão Félix apoiam Medina

 

13 de Setembro:

PGR investiga compra e venda de casas de Medina

 

13 de Setembro:

Ministério Público acusa Tony Carreira de plagiar 11 músicas

 

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O debate em Lisboa.

por Luís Menezes Leitão, em 07.09.17


Assisti ontem ao debate na TVI24 entre (alguns) candidatos à Câmara Municipal de Lisboa. Achei o debate muito fraco e foi uma grande desilusão que as candidatas do centro-direita não tenham sido capazes de contraditar Medina, quando ele insistiu que vai continuar a cobrar aos lisboetas uma taxa inconstitucional, que os outros municípios estão a abolir, com argumentos completamente estapafúrdios, como o facto de os bombeiros concordarem com a taxa. Dos dois debates que já vi deu para perceber que Medina é um péssimo presidente da Câmara que herdou, vindo para os debates apenas dizer generalidades, e que Assunção Cristas está muitos pontos acima de Teresa Leal Coelho. Mas seguramente que o candidato mais bem preparado é João Ferreira, do PCP. Demonstra um profundo conhecimento dos dossiers e tem sempre uma argumentação consistente perante os outros candidatos, levando a que até Teresa Leal Coelho vá muitas vezes atrás do que ele diz. Foi o único capaz de dizer a Medina uma coisa óbvia, a de que não se admite uma Câmara cobrar taxas para prestar socorro à população. Os partidos do centro-direita deveriam por isso pôr os olhos no PCP no que respeita à preparação de candidaturas autárquicas. Graças apenas à boa preparação dos seus candidatos, um partido com uma ideologia totalmente ultrapassada consegue continuar a ser uma força política em Portugal.


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Taxa turística, habitação, falsa partida

por Tiago Mota Saraiva, em 06.09.17

Na semana passada assisti aos primeiros debates entre candidatos aos municípios de Lisboa e Porto. Não escreverei sobre os debates, mas sobre uma proposta que ambos os cabeças de lista do Bloco de Esquerda - Ricardo Robles (Lisboa) e João Teixeira Lopes (Porto) – defenderam a uma só voz: Taxa Municipal Turística de dois euros e aplicação da receita na resolução do problema de habitação dos dois municípios.

Começo por declarar que partilho com os dois candidatos a ideia que o problema da habitação deve ser central nestes debates autárquicos. Daí a relevância de perceber o que se propõe. Ora, como creio que Robles e Teixeira Lopes saberão, a taxa turística não pode ser aplicada na resolução do problema da habitação. A explicação é simples. Uma taxa implica a prestação de um serviço, pelo que a sua aplicação tem de ser, necessariamente, afecta à actividade turística. Repare-se que nunca estive em desacordo com a taxa municipal turística – que Robles, ainda em Julho de 2015 na AML, propunha anular - e também sou favorável a um imposto - que não existe e que inicialmente julguei, erradamente, ser o que se propunha -, cuja receita pudesse ser investida na minimização da pegada turística e, aí sim, na resolução dos problemas da habitação.
É certo que se poderia gastar os 13,5 milhões de euros arrecadados em 2016 pelo município de Lisboa em obras estruturais que estimulassem o fruir da cidade e a sua coesão territorial, beneficiando turistas e moradores. Discordo que, como defende Fernando Medina, estas verbas sejam aplicadas nas obras de conclusão do Palácio da Ajuda (um processo obscuro sobre o qual já aqui escrevi) ou na criação do Museu Judaico que irá carregar ainda mais o Largo de S. Miguel. Ao invés, parecer-me-ia mais interessante fazer derivar esta receita para políticas de acessibilidade e mobilidade ou para um plano de alargamento dos territórios turísticos da cidade.

Não me incomoda que Ricardo Robles sempre tenha defendido o fim da taxa que agora pretende duplicar o valor. Corrigiu a sua posição. Ainda bem. O que muito me incomoda é que, tendo o BE muito e boa gente com conhecimento sobre o problema da habitação, se apresente a eleições em Lisboa e no Porto com uma medida de alavancagem financeira que sabem que nunca se poderá aplicar. Espero que cheguem a tempo de corrigir esta falsa partida.

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Frases de 2017 (35)

por Pedro Correia, em 01.09.17

«Assunção Cristas esteve bem, esteve mesmo até bastante bem. (…) O debate não correu bem à candidata [do PSD, Teresa Leal Coelho].»

Pedro Santana Lopes, comentando o debate televisivo entre candidatos à câmara de Lisboa, hoje, no Correio da Manhã

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Postais de Lisboa (11)

por Pedro Correia, em 24.08.17

 

Tráfico de droga no centro de Lisboa.

 

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Postais de Lisboa (10)

por Pedro Correia, em 04.08.17

«Depois de quase dois anos de arenga política, a Assembleia Municipal de Lisboa foi incapaz de aprovar um regulamento do arvoredo da cidade. Hilariante. Não deixa de ser absurdo que o executivo que gasta milhões em novos espaços verdes seja incapaz de criar um regulamento definitivo. Ou seja, para fazer novos jardins (e eu acho bem), tudo às mil maravilhas, para gerir os espaços verdes que fazem parte da cidade há decadas, ah, isso entrega-se às juntas de freguesia e cada uma faça o que entender. (...) A verdade é que desde que as juntas passaram a tutelar estas matérias os lisboetas assistem ao abate, à poda selvagem e ao abandono de árvores.»

Edgardo Pacheco, hoje, no Correio da Manhã

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Postais de Lisboa (9)

por Pedro Correia, em 05.07.17

«O metro de Lisboa tornou-se nos últimos seis anos uma catástrofe absoluta. Com a diminuição do número de carruagens, com o despedimento de motoristas, o que aconteceu neste período foi muito grave. Temos um problema de transportes a que a Câmara tem dificuldade em responder.»

Francisco Louçã, na SIC Notícias (30 de Junho)

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Postais de Lisboa (8)

por Pedro Correia, em 04.07.17

 

Preço das casas em Lisboa já é o dobro da média nacional.

 

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Postais de Lisboa (7)

por Pedro Correia, em 27.06.17

«É proibido levar os cães para as praias concessionadas. E no entanto é vê-los a andar pelo areal, fazendo o que os animais fazem quando têm vontade, sem que a polícia faça cumprir a lei. Acontece o mesmo nas ruas de Lisboa, porcaria por toda a parte, um nojo inacreditável, passeios de sujidade medieval.»

André Macedo, no Jornal de Negócios (26 de Junho)

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Postais de Lisboa (6)

por Pedro Correia, em 16.06.17

Nem a Madonna quer nada com Lisboa, apesar da ridícula deslocação do presidente da Câmara ao hotel Ritz para com ela travar um "encontro de cortesia" - seja lá o que isso for. Na hora das compras, a Material Girl proclamou Papa don't preach e optou por adquirir uma "quinta de luxo" no concelho de Sintra. Como eu a percebo: qualquer deslocação no caótico trânsito da capital, seja a que horas for, tornou-se numa penitência só recomendável aos fiéis devotos de Fernando Medina, que lhe entoam hossanas like a prayer. E a hipótese de aqui viver, aos preços actualmente praticados, é cada vez mais uma miragem. Live to tell.

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Postais de Lisboa (5)

por Pedro Correia, em 13.06.17

 

«Há uma overdose de turistas e Lisboa parece Bombaim.»

 

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O que eu senti (25 anos depois)

por Alexandre Guerra, em 03.06.17

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Foto: Nuno Ferreira Santos/Público 

 

Senti sempre no hard rock um acto de libertação, de rebeldia, de excessos. Além do género musical propriamente dito (de que sou enorme fã), sempre associei o hard rock a um estilo de vida irrequieto, um desafio aos cânones tradicionais da sociedade e ao politicamente correcto. E sempre vi no hard rock um meio de confronto saudável em democracia ao poder instituído. Sempre me identifiquei com isso, talvez por sempre preferir os inconformados aos resignados, os rebeldes aos acomodados, os críticos aos silenciosos, os irreverentes aos submissos, os temperamentais aos indiferentes, os apaixonados aos calculistas.

As super-bandas de hard rock, de uma maneira de ou outra, personificaram esse espírito. Depois dos quatro meninos bem comportados de Liverpool, o contraste não podia ser maior, quando no final dos anos 60 surge Jimi Hendrix, o artista rock por excelência em toda a sua plenitude, fosse na sua arte, na forma como se apresentava em palco, fosse na forma como vivia (excêntrica e excessivamente) em sociedade. Morreu cedo, mas inspirou todos os grandes homens do rock que se lhe seguiram. Para a história fica a célebre interpretação de Star Spangled Banner (o hino nacional dos EUA), apenas ao som da sua Fender Strato, naquela manhã do Festival de Woodstock, num acto claramente de provocação e protesto em nome de uma América revoltada com o poder político. O hard rock é o único estilo musical que desempenhou esse papel, reservado apenas àqueles que são o produto genuíno em palco e fora dele. E, sobretudo, que assumem de forma destemida esse papel.

Os Guns N’Roses foram a última dessas grandes bandas. Quando surgiram no final dos anos 80 chocaram pela sua ousadia e até perversidade. Para a história fica também aquela actuação nos MTV Music Awards de 1988, quando o mundo vê em directo Axl, Slash e companhia, com botas por fora das calças de cabedal, ostentando adereços de todo o tipo, provavelmente com alguma droga e muito álcool à mistura, a cantarem músicas de chocar e arrasar. A ingenuidade dos anos 80 (deliciosos, note-se) acabara ali. Excederam-se em tudo, mas em tudo mesmo. Criaram o Appetite for Destruction que tinha tanto de genial como de destrutivo. Foi um “turning point” para o hard rock no final dos anos 80. Mas foi mais do que isso, foi um abanão ao status quo das cores florescentes e dos yuppies.

Na altura, os GNR pegavam-se com tudo e com todos e até os Metallica chegaram a dizer que era insuportável andar em tournée com eles. Por onde passavam, era como se um furacão por lá tivesse andado, mas uma juventude em todo o mundo aclamava-os e identifica-se com o que representavam. Quando em 1992 aterraram no velho Estádio de Alvalade, na companhia dos Soundgarden de Chris Cornell e dos Faith No More de Mike Patton, estavam no auge da fama e da loucura. Não havia limites para aqueles senhores e era precisamente essa ideia que nos contagiava a todos. Eu, como tantos outros jovens que lá estávamos, vivíamos uma espécie de histeria colectiva, numa idade em que o importante era embarcar nos impossíveis. No final, foi o que se sabe. E isso também ficou para a história, porque, a verdade é que ninguém esqueceu esse concerto.

Vinte e cinco anos depois o impensável aconteceu. Sobre o (brutal) concerto em si não vou estar com grandes análises, basta ler as várias críticas que foram publicadas este Sábado e logo se percebe porque razão os GNR foram a banda que mais lucrou no ano passado em concertos. É outro nível, é outro estofo em relação aos demais “players” que por aí andam. Provavelmente, o Passeio Marítimo de Algés não voltará a ter uma banda desta magnitude carismática a actuar por ali.

Quando vivemos numa sociedade cada vez mais igual e monótona em termos de mainstream, regida pela ditadura do politicamente correcto, quase que numa lógica asséptica ao nível de pensamento e costumes, é um conforto para a alma ver uma banda de hard rock à séria a partir a “louça toda”. Axl, Slash e Duff juntos são um tónico de rebeldia e de adrenalina. Os “meninos” ficaram em casa na Sexta-feira à noite, mas no Passeio Marítimo de Algés estiveram lá 57 mil que, de uma maneira ou de outra, têm algo dentro deles que os inquieta. E é sempre bom saber que não estamos sozinhos.

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Afinal, o que se passa com o Metro?

por Teresa Ribeiro, em 01.06.17

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Sempre que passo nas escadarias rolantes da estação Baixa-Chiado e sou barrada a meio do percurso por baias a anunciar trabalhos de manutenção, lembro-me do suplício que era trepar aqueles degraus, às vezes em dias de pressa, quase diariamente. Durante dois anos, entre 1999 e 2001, foi essa a minha pena, só porque tive a desdita de trabalhar ali perto. Passados mais de 15 anos é extraordinário como a situação se mantém. 

O Metro sempre foi isto. Uma relação desigual e displicente com os utentes. Mas agora temos também as avarias nas linhas. Todos os dias! Intriga-me. Durante décadas uma avaria era uma situação de excepção, nos tempos que correm tornou-se rotina. Ainda esta semana houve em dias seguidos avaria na linha amarela "devido a problemas na sinalização". Se é o que imagino, pode ser grave. Começo a perguntar-me se é seguro andar de metro. E a pensar que já era tempo de exigir à empresa explicações públicas sobre a razão de ser de tanta anomalia. 

Na "cadeia alimentar" deste país os consumidores sempre estiveram ao nível mais rasteiro, mas já era tempo de mudar esta cultura, tão cómoda para as autoridades, tão conveniente para as empresas.

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 25.05.17

«Fernando Medina foi criticado por se ter deslocado ao hotel de Madonna, para lhe dar as boas-vindas e ajudá-la a encontrar casa. Há quem diga que se subjugou aos caprichos da cantora, que ela é que devia ter ido à Câmara. Discordo: foi golpe de génio. Se Madonna tivesse de ir do Ritz à praça do Município, demorava três horas só para se desembaraçar da rotunda do Marquês. Provavelmente, desistia de morar numa cidade tão caótica. E perdíamos a honra de ter entre nós a Miley Cyrus dos anos oitenta.

Até há pouco tempo, o sítio onde tivera mais dificuldade em orientar-me fora a medina da cidade de Fez. Agora é a cidade que Medina fez.»

 

José Diogo Quintela, no Correio da Manhã

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Só vinte?

por Sérgio de Almeida Correia, em 11.05.17

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(créditos: Expresso)

A mim admira-me que sejam só vinte, porque bom bom era serem aí umas sessenta, ou umas oitenta, sei lá, de Santarém até Setúbal, cobrindo toda a área metropolitana de Lisboa e arredores. Se possível com uma extensão ao Aeroporto "Internacional" de Beja, em regime de PPP, para se poder encaixar a malta amiga, e com o aval da CGD. E depois entregar a gestão disso a Sérgio Monteiro. Quer-me parecer que desta vez faltou um pouco mais de rasgo na proposta de Assunção Cristas. Ninguém é perfeito.

Como diria um amigo meu, "isto promete uma remontada épica". Obrigado, António.

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Postais de Lisboa (4)

por Pedro Correia, em 08.04.17

«O homem expropriado de dois prédios na Mouraria para a edificação de uma nova mesquita está doente, falido e desesperado com a Câmara Municipal de Lisboa. Em Maio de 2016, a autarquia tomou posse administrativa dos dois prédios que António Barroso tinha comprado dez anos antes naquela que é uma das artérias mais multiculturais de Lisboa. Apesar de já não ser oficialmente o dono dos prédios, continua a ter de pagar mensalmente quase dois mil euros de prestações pelos empréstimos que contraiu para comprar os imóveis.»

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Postais de Lisboa (3)

por Pedro Correia, em 06.04.17

«A Piscina da Penha de França, em Lisboa, devia ter aberto em Outubro do ano passado. Até se fizeram visitas guiadas a jornalistas. Tudo parecia correr bem para que a piscina, que esteve fechada cinco anos, voltasse a abrir. Passados quase seis meses, não foi isso que aconteceu. Já com muitos inscritos, as portas continuam fechadas.»

 

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Os parquímetros em Carnide.

por Luís Menezes Leitão, em 06.04.17

Eu sempre disse que António Costa, com a sua geringonça, tinha ensaiado um regresso ao PREC. E como seria inevitável, vai ser o PS a sofrer as tempestades dos ventos que semeou.

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Sinais de alarme

por Pedro Correia, em 31.03.17

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A moda dos alojamentos temporários, privilegiando a instalação ocasional de estrangeiros no centro das cidades enquanto se vão empurrando os habitantes permanentes cada vez mais para as periferias, ameaça implodir de vez o já débil mercado de arrendamento em Lisboa, que nem as imposições da tróica conseguiram dinamizar.

A um ritmo vertiginoso, a capital portuguesa continua a ser gerida muito mais em função de quem nos visita do que em função de quem cá vive ou aqui trabalha. O que está bem patente na licença já concedida à edificação de mais 40 hotéis na cidade até ao fim de 2017.

Até quando a pressão turística continuará a condicionar o mercado imobiliário, sem correcções nem ajustamentos que permitam conciliar os interesses de quem por cá passa com as legítimas expectativas de quem cá habita em permanência, sem aumentar ainda mais a distância diariamente percorrida entre locais de residência e postos de trabalho?

Enquanto os responsáveis alfacinhas se debruçam sobre esta questão, é tempo de perceberem os sinais de alerta que nos vão chegando de outras paragens, convertidas igualmente em destinos turísticos muito afamados. Para que a ganância desenfreada de uns quantos não acabe por matar em poucos anos a galinha dos ovos de ouro.

Aqui ficam alguns:

Maiorca esgotará em cinco anos o seu solo edificável.

Palma deixa de ter apartamentos para alugar.

Médicos de Ibiza vão dormir num velho hospital devido ao elevado preço da habitação na ilha.

Professores sem casa dormem em ginásios.

500 euros por viver numa varanda.

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Postais de Lisboa (2)

por Pedro Correia, em 28.03.17

«Queremos uma cidade de fachadas limpas e de miolo destruído? Queremos uma cidade cheia de restaurantes de péssima qualidade (basta exemplificar com quase todos os da Baixa) e lojas de souvenirs de mau gosto? Queremos uma cidade com constantes eventos no centro, precisamente a zona da cidade que menos precisa deles? Queremos uma cidade cheia de apartamentos para alugar a turistas, atirando os lisboetas para as periferias? Queremos uma cidade a abarrotar de turistas low-cost que se alimentam em supermercados e vão comendo pelas ruas (sujando-as)? Queremos que a cidade se transforme numa gigantesca Disneylândia cheia de lixo no chão?»

Tiago Guilherme, na revista Evasões (17 de Março)

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Postais de Lisboa (1)

por Pedro Correia, em 24.03.17

«Seguindo em direcção ao Cais do Sodré à procura de uma cadeira e um café, a única coisa que me acompanha, depois de passar a Portugália, é o rio, um barco ou outro e um cheiro intenso a - peço desculpa pela linguagem - mijo.

Eu sei que não faz parte das funções da CML ou da Junta de Freguesia da Misericódia dar lições de civilidade ao bando de energúmenos que se alivia na rua, mas não me parece que, numa altura em que toda a gente enche a boca com o turismo e jura a pés juntos que não temos turistas em excesso, se possa aceitar que uma parcela da margem do Tejo seja um urinol a céu aberto.»

Edgardo Pacheco, no Correio da Manhã (24 de Março)

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