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Delito de Opinião

Lisboa: a pesada herança

Pedro Correia, 22.10.21

Primeiro dia

Pedro Correia, 18.10.21

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Foto: António Pedro Santos / Lusa

 

No dia em que Carlos Moedas toma posse como presidente da Câmara Municipal de Lisboa, digo aqui o que espero dele.

 

Uma cidade sem carros estacionados nos passeios, forçando os transeuntes a circular no asfalto.

Uma cidade sem paredes cobertas de lixo.

Uma cidade sem porcaria por todo o lado.

Uma cidade sem quarteirões transformados em urinóis.

Uma cidade sem "requalificações" anedóticas e vexatórias.

Uma cidade sem ruas esventradas por obras intermináveis.

Uma cidade onde os edifícios históricos sejam preservados.

Uma cidade capaz de retirar da rua as pessoas sem abrigo.

Uma cidade com rendas de casa acessíveis.

Uma cidade com árvores em todas as praças.

Uma cidade com limites à expansão hoteleira.

Uma cidade que seja amiga dos peões.

Uma cidade sem prioridade absoluta às ciclovias

Uma cidade onde os transportes públicos funcionem.

Uma cidade onde nunca voltemos a ver uma estação de metro encerrada durante mais de quatro anos.

 

Uma cidade em tantas coisas diferente da Lisboa de Fernando Medina.

As homenagens da Câmara Municipal de Lisboa

jpt, 02.10.21

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Na recente morte de Jorge Sampaio a Câmara de Lisboa tratou de o homenagear, utilizando espaços comerciais disponíveis, forma ágil de trazer essa evocação até ao quotidiano dos munícipes. Julgo muito curial que a Câmara homenageie deste modo, sentido e bastante visível, um seu antigo presidente, na hora do seu falecimento. Presumo que tal não tenha acontecido na morte de Nuno Krus Abecasis (1999) e de Aquilino Ribeiro Machado (2012) - não encontro registos fotográficos disso -, mas nada obsta a que se encete agora uma simpática e honrosa prática.

Mas o contrário pensarei se esta acção for dedicada a homenagear o antigo Presidente da República, como julgo ter sido o caso pois esta acção vem na sequência do realizado aquando da morte de Mário Soares. Pois se esta for uma prática a dedicar a todos os presidentes da República que venham a falecer isso será um  mimetismo das práticas simbólicas do Estado central, e assim uma intrusão nas funções que a este competem. O que transporta uma implícita reclamação de um estatuto especial da câmara da capital, um "centralismo municipal" lisboeta. O que se torna mais visível neste contrafactual: face ao registo relativamente contido do cerimonial do nosso Estado democrático muito nos impressionaria, até desagradavelmente, se todas as centenas de câmaras existentes inundassem os seus territórios com homenagens pictóricas por ocasião da morte de um antigo presidente da república. Estou crente que produziria até um travo autocrático, como se de tempero norte-coreano ou afim. Porquê então aceitá-lo na câmara da capital?

É certo que estas homenagens poderão ser justificadas por se terem dedicado a cidadãos naturais do concelho (Soares e Sampaio nasceram em Lisboa) que ascenderam ao mais alto cargo do Estado. Se assim for então serão totalmente curiais. Deixando assim espaço para que na ocorrência de futuros falecimentos de antigos presidentes (longe vá o agoiro) sejam as câmaras respectivas a homenagearem esses seus ilustres naturais. Mas se for esse o vector que imprime esta homenagem póstuma então tem que ser explicitado. E não o é.

Os Olivais e a derrota de Medina

jpt, 30.09.21

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Eu cresci nos Olivais e um quarto de século depois, já cinquentão, a eles regressei - e fui blogando sobre isso (2.3.2004, 16.6.2016,  31.7.2019). Também estive no Olivesaria, blog colectivo dedicado ao historial do "bairro". Nos últimos anos, e até antes de ter retornado ao país, de vez em quando sobre ele escrevi, até breves textos com alusões políticas - como em 27.3.2013, 28.11.2014, 21.6.2016, 29.3.201721.9.2017, 30-9-20172.10.2017, 3.12.2017,  29.11.2019, etc. Nunca um texto sistemático, fora de blogs, e devia tê-lo feito, nisso pensei e até como resultado de inúmeras conversas com vizinhos amigos sobre a situação do bairro e as deficitárias características dos incumbentes autárquicos. Fiquei-me na preguiça dos meros resmungos bloguísticos.  

Tendo residido 18 anos em Maputo quando regressei aos Olivais três factos - para além de intuir acentuadas alterações sociográficas - chamaram-me a atenção. O mais visível foi o mau estado da recolha de lixo e da manutenção dos muito vastos ajardinados - e se alguém chegado de uma cidade com os problemas urbanos como Maputo tem reparava naqueles disfuncionamentos é porque algo estava mesmo mal . Maldisse sobre isso, até em blog. Mas, justiça seja feita, só depois soube que houvera uma relativamente recente alteração nas responsabilidades municipais, com o aumento das tutelas das juntas de freguesia. As quais, provavelmente, estariam suborçamentadas para enfrentar as novas tarefas e estariam também desprovidas dos recursos humanos adequados para as executar. 

 

 

Acertou

Pedro Correia, 29.09.21

«O meu trabalho e a a[c]tividade da Junta de Freguesia de Arroios falam por si e acredito que no próximo domingo serão os fregueses a fazer essa mesma avaliação, no local certo, em nome da liberdade e da democracia.»

Margarida Martins, que escrevia esta frase reagindo a isto, acertou. Já não será presidente da junta. Essa avaliação foi feita no local certo, em nome da liberdade e da democracia.

 

Leitura complementar sobre Arroios: aqui, aqui, aqui, aqui.

A Lisboa de Medina (20)

Pedro Correia, 23.09.21

Lisboa

Pedro Correia, 06.09.21

O debate na SIC da passada quinta-feira em Lisboa demonstrou que há três corridas na corrida à autarquia da capital. A propriamente dita, a de Fernando Medina para liderar o PS e a de Carlos Moedas para suceder a Rui Rio no PSD.

João Ferreira, no PCP, nem precisa de correr: já está ungido pelo Comité Central. Nestas coisas os comunistas têm muito sentido prático.