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Delito de Opinião

Lisboa

Pedro Correia, 06.09.21

O debate na SIC da passada quinta-feira em Lisboa demonstrou que há três corridas na corrida à autarquia da capital. A propriamente dita, a de Fernando Medina para liderar o PS e a de Carlos Moedas para suceder a Rui Rio no PSD.

João Ferreira, no PCP, nem precisa de correr: já está ungido pelo Comité Central. Nestas coisas os comunistas têm muito sentido prático.

Os grafitos no Padrão dos Descobrimentos

jpt, 11.08.21

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Alguém foi-se ao Padrão dos Descobrimentos e escreveu uma qualquer tralha. Caiu "o Carmo e a Trindade". Gente "saiu à rua" (hoje em dia é "aos teclados") arrepenhando os cabelos, rasgando as vestes, acorrendo à honra pátria, a Câmara aprestou-se a limpar a ofensa aos ancestrais, a célere Polícia Judiciária pôs-se em campo e logo desvendou ser o crime uma agressão estrangeira, assim sossegando-nos por não se tratar de uma sempre temível traição.
 
Todo este disparate dá-me vontade de... também bramir. Desde há imensos anos que está Lisboa (e não só) carregada dos tais grafitos. Boçais e imundos. Dizeres estapafúrdios, desenhos indigentes, rabiscos, miríades de "bastos" de todos os tamanhos e posições. Toda essa tralha amadora e morcona de facto legitimada e potenciada pela consagração - pela academia, pelas instituições estatais, pelo "gosto informado", agora até pelos construtores civis - da "street art" (de facto, uma mera "street curio"), que nada mais é do que o piroso desta era - a patética Pasionaria da Graça, os "Pierrot com lágrima" a louvar os profissionais de saúde ditos a "linha da frente" contra o Covid, etc. No fundo, tudo isto seguindo a coberto pelo culto da "intervenção".
 
E agora todo este "ó da Guarda!", "Aqui-d'el-rei!"? Recordo que há uns tempos o jornal "Público" (claro) publicou um artigo de 4 universitários sitos em universidades americanas. Portugueses, brancos, de meia-idade, e de nome compósito. Defendiam a prática espontânea da "intervenção" "decolonial" sobre os monumentos. E desvalorizavam os críticos dessa festança como meros "homens, velhos, brancos e de certa classe social" [burgueses, entenda-se. Ou seja, os que tendem a assinar com nomes compósitos, para quem não perceba]. Alguém deu porrada nesse "paper curio"? Nada, que ninguém se vira a esta gente dos ademanes.
 
Enfim, vai um ror de disparates. E nisso lembrei-me de um texto que escrevi há sete anos quando encontrei uma "intervenção" "decolonial" no ex-libris colonial em Bruxelas. Para quem tiver paciência aqui deixo a ligação.

Fim de semana (5)

Pedro Correia, 25.07.21

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O parque de Sete Rios é um dos mais belos espaços verdes de Lisboa

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Aldeia dos Macacos, celebrizada no filme A Canção de Lisboa

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Hora da sesta no jardim zoológico: podemos apadrinhar um destes animais

 

Estamos no centro de Lisboa, mas ninguém diria. É um grande parque verde povoado de 300 espécies animais. Parece cenário de filme. E já foi mesmo: basta lembrarmos A Canção de Lisboa, aqui filmada por Cottinelli Telmo, com Beatriz Costa, Vasco Santana e António Silva à frente de um excepcional elenco.

Fundado em 1884, o Jardim Zoológico de Lisboa está muito bem conservado, quase a meio deste seu segundo século de existência. Acabou a era em que enfiavam bichos em jaulas: agora estão em espaços muito mais amplos e arejados que reproduzem na medida do possível os seus habitats naturais. A grande maioria destes dois mil animais já nasceu em cativeiro. Podemos apadrinhar qualquer deles. Há intercâmbios constantes entre zoológicos de outros países para evitar os riscos da endogamia.

Se há passeio recomendável na capital, é precisamente aqui. Para miúdos e graúdos. Recordo as primeiras vezes que visitei este jardim, ainda em criança, e a sensação de deslumbramento que senti ao observar ao vivo tantos animais que só costumava ver na televisão. O tempo passa, mas esta sensação nunca se perde. E é com gosto redobrado que confirmo como o Zoo de Lisboa se adapta aos novos tempos, continuando a seduzir os visitantes. Que são poucos, devido à pandemia que de tudo nos afasta - do parque de Sete Rios também. Não deixemos que ela nos vença: há que sair de casa, há que passear, há que evitar os comportamentos fóbicos induzidos pelas notícias e lutar contra o medo. 

Fim de semana (4)

Pedro Correia, 18.07.21

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Até à década de 30, Monsanto era assim: sem uma árvore

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Duarte Pacheco: mãos à obra, dando o exemplo

 

Muitos lisboetas desconhecem em absoluto a sua cidade. Deviam aproveitar estes meses de Verão para conhecê-la melhor. Uma sugestão: passarem uma manhã ou uma tarde na Serra de Monsanto. Podemos todos orgulhar-nos dela: é o primeiro parque florestal certificado da Europa - o maior do continente e o segundo maior do mundo.

Com apenas 230 metros de altitude, ocupa uma área de cerca de mil hectares. Ao contrário do que muitos imaginam, nem sempre foi assim. A intervenção em Monsanto - visionária, como noutras áreas da sua acção enquanto presidente da Câmara de Lisboa e ministro das Obras Públicas - coube a Duarte Pacheco (1900-1943), vai fazer nove décadas. E é recordada numa interessante exposição, no Centro de Interpretação de Monsanto. Que bem merece uma visita.

Há menos de um século, a serra sobranceira a Lisboa - hoje o grande pulmão da capital portuguesa - estava praticamente despida. Tudo quanto lá vemos agora resultou do esforço humano, a partir do final da década de 30. Com a participação de diversos voluntários, a quem se deve a plantação de milhares de árvores. Muitos ignoram tudo isto. Desconhecem também que Monsanto, através dos séculos, sofreu inúmeros episódios de vulcanismo. Nos dias que correm é um paraíso, cheio de espécies vegetais. E animais também: raposas, toupeiras, ouriços-cacheiros, esquilos, coelhos bravos, ginetas, corujas, estorninhos, gaios, cegonhas. Um verdadeiro zoológico ao ar livre.

Fim de semana (2)

Pedro Correia, 04.07.21

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Sou, como o Francisco José Viegas, capaz de contemplar árvores durante horas, esquecido da passagem do tempo. Daí gostar tanto de regressar ao Jardim Botânico Tropical de Belém - também conhecido por Jardim Colonial ou Jardim do Ultramar. É um dos mais desconhecidos de Lisboa, ignorado pela esmagadora maioria dos habitantes da capital. Com araucárias, casuarinas, cedros do Líbano, palmeiras mexicanas, tipuanas, dragoeiros e a mais extraordinária árvore da borracha que já vi.

Há também por lá patos, gansos e pavões - dizem-me que certos ramos familiares destas aves vivem ali há décadas. O que ajuda a explicar por que motivo são tão sociáveis. Nenhuma se afasta quando nos aproximamos. E é um espectáculo vê-las, a meio da tarde, à espera que os tratadores as alimentem. Aguardam pacientemente, em fila indiana, quando a hora se aproxima. Dando lições de civismo aos seres humanos.

A norte, o jardim detém-se no Palácio dos Condes da Calheta, infelizmente encerrado. A nascente, confina com o Palácio de Belém. Após ter recebido obras, reabriu há uns tempos e bem merece uma visita. Nem parece que estamos em Lisboa: eis-nos isolados do bulício da cidade naqueles sete hectares onde parece que o tempo parou.