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Leituras ao domingo

por Diogo Noivo, em 20.03.16

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«The Judges Club in Alexandria ended up calling for broad new legislation to ensure judicial independence – and for a gathering of all 8,000 Egyptian judges to take a joint national stand. Their summit convened in Cairo on May 13, 2005 […]. The session was stormy. But Egypt’s judges agreed to issue a direct challenge to Mubarak’s regime. They called to major reforms to foster the rule of law. They demanded full independence from the executive branch. And they voted to put the government on notice that they would no longer provide cover for its behavior […]. To avoid scandals or constitutional crisis in the past, judges had usually taken their concerns to the Ministry of Justice. “But now the majority of judges have changed their basic philosophy”, he said. “They have come to the conclusion that they are part of this society – and that they must act rather than defer to other authorities.”» (Os sublinhados são meus).

 

Robin Wright (2008), Dreams and Shadows: The Future of the Middle East, Londres: Penguin Books, p. 92.

Leituras ao domingo

por Diogo Noivo, em 06.03.16

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OS FILISTEUS

“O nome deste povo vencido ficou associado a um ostensivo desprezo pelas artes, por razões que desconheço. O que sei é que existem imensos filisteus nesse sentido comum. E não são proletários nem analfabetos: são burgueses licenciados, com bons empregos, boa situação económica e atitudes socialmente elitistas. Eles no entanto fazem questão de “não ler bons livros nem ver bons filmes”. Ou seja: fazem questão de anunciar isso aos outros, com grande orgulho.

[…] Cada um lê e ouve e compra o que quer (ou o que pode) e ninguém tem nada com isso. Não me passa pela cabeça achar que um tipo «culto» é mais recomendável que um tipo «inculto». O que me faz impressão não é o filistinismo: é o orgulho dos filisteus. Acho ridículo que alguém se considere acima dos outros porque é «culto». Mas também não percebo esses tipos que proclamam, ufanos, a sua incultura. […].

Eu creio que esta gente faz das fraquezas forças. Goza com o que não conhece, ataca o que não entende, mas há nisso uma fragilidade quase tocante. As pessoas sentem uma inferioridade (sem sentido) que transformam em superioridade (igualmente sem sentido). Às vezes pressinto uma secreta vontade de outros hábitos culturais, mais exigentes, mas é uma vontade logo reprimida, como se fosse o surgimento incómodo de desejos homossexuais num homem casado. Tenho por isso alguma piedade dos filisteus”.

 

Pedro Mexia (2008), Nada de Melancolia, Lisboa: Tinta-da-China, p. 55-56.

Leituras ao domingo

por Diogo Noivo, em 28.02.16

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“A primeira premissa da Ontologia Portuguesa é a seguinte: Há uma diferença fundamental entre o HAVER, de aplicação universal, e o HAVER-HAVER, exclusivamente português. […] Este verbo HAVER-HAVER, que se conjuga quase sempre na terceira pessoa do singular do presente do indicativo («Ele haver, há…») tem um estatuto ontológico rigoroso. «Haver, há…» significa, em português, «Há, mas não existe». Há vários exemplos que se podem dar. Pergunta-se se há Cinema Português e responde-se honestamente que não. Para ser mais preciso, acrescenta-se «Quer dizer: haver há…só que, enquanto tal, não existe». […] Existir enquanto tal não é, de facto, o existir português.”

 

Miguel Esteves Cardoso (2002), A Causa das Coisas, Lisboa: Assírio & Alvim, p. 121. [ed. orig. 1986]

Leituras ao domingo

por Diogo Noivo, em 21.02.16

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“O príncipe que é generoso e cumula de benefícios os súbditos acabará, quando esgotar o que tem, por lhes exigir mais impostos, acabando assim com a fama contrária à que orientou a sua acção. Em contrapartida, o que é poupado e não distribui benefícios, a princípio, ganha fama de mesquinho, mas, em vindo a guerra ou outra calamidade, é capaz de as enfrentar sem ter de sacrificar o povo, adquirindo assim a fama oposta.”

 

Diogo Pires Aurélio (2012), “A fortuna, ou o imprevisível em política” in António Bento (org.), Maquiavel e o Maquiavelismo, Coimbra: Almedina, p. 90.


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