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Delito de Opinião

Os melhores livros do meu ano (3)

Pedro Correia, 05.02.23

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Já vos confessei noutros momentos: sou cada vez mais adepto de releituras. Tenho-o feito com proveito e gosto. Quando o livro é mesmo bom, abre-nos novas perspectivas quando mergulhamos nele. À segunda ou à terceira, já nos interessa menos a trama e estamos mais atentos a certos aspectos da construção frásica, da linguagem ou da crítica social ali contidos. Aconteceu-me, noutros anos, com vários romances de Eça - como Os Maias ou A Cidade e as Serras. Enquanto me resta um só dos seus livros por desvendar: A Ilustre Casa de Ramires. Ainda não aconteceu em 2022.

Reservo às releituras o terceiro e último bloco de dez títulos que funciona como súmula dos 88 que pude ler no ano passado. Em boa verdade, nenhum me decepcionou: gostei muito dos livros que já me haviam atraído, achei insólitos ou desinteressantes os que já me haviam suscitado reservas. Mas nunca senti que estava a perder o tempo. Isso é o que mais importa.

Partilho esta lista convosco: são seis romances ou novelas de autores portugueses, dois romances estrangeiros, um volume de crónicas e outro de contos. Por ordem alfabética, mantendo o critério assumido aqui e aqui.

 

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A PAZ DOMÉSTICA, de Teresa Veiga (1999). Este curto romance é um dos meus preferidos entre os que se foram publicando em Portugal no último quarto de século. Primeira - e bem-sucedida - incursão no género de uma das nossas mais enigmáticas escritoras, que nunca dá entrevistas e raras vezes é vista em eventos sociais. Contista por vocação, nota-se esta característica na economia de meios do romance, valorizando-o. Retrato de uma mulher ao longo de algumas décadas - que é também, de algum modo, o retrato do País.

 

ALEXANDRA ALPHA, de José Cardoso Pires (1987). Não é bem uma releitura. Explico já: este é um livro que nos dá luta. Só em 2022, à terceira tentativa, consegui lê-lo até ao fim. Da primeira, há vários anos, pareceu-me pastoso e aborrecido; da segunda, mais recente, perdi-me a meio daquela intriga e troquei-o por outro, mais estimulante. Agora está concluído. Romance com fragmentos de sátira à intelectualidade alfacinha dos anos 80, aliás com figuras facilmente identificáveis, mas longe de ser o melhor de Cardoso Pires.

 

ALVES & C.ª, de Eça de Queiroz (1925). Uma das obras que permaneceram um quarto de século guardadas em estado virginal na arca do escritor, quase tão célebre como a de Fernando Pessoa. Novela de atmosfera lisboeta, esboçando nesta prosa ainda de juventude a demolidora crítica à burguesia da capital, que a geração de Eça considerava a classe social mais decadente do País. O escritor guardou o texto sem o rever, mas o essencial do seu estilo mantém-se neste retrato irónico de um marido enganado mas complacente.

 

CONTOS COMPLETOS, de Fernando Pessoa (2012). O poeta de Mensagem era um escritor compulsivo: chegava a escrever em bilhetes de eléctrico. Quase autor póstumo, com apenas um livro publicado em vida. Tantos anos depois, o espólio pessoano ainda produz novidades. Como este livrinho, que recolheu a sua esparsa prosa de ficção, inédita ou dispersa por publicações há muito falecidas. Desperta curiosidade, mas nada tem de empolgante. Só um dos contos, "O Banqueiro Anarquista",  justifica leitura mais atenta.

 

ECLIPSE DO SOL, de Arthur Koestler (1941). Este romance foi muito divulgado em Portugal com outro título: O Zero e o Infinito. Corajosa denúncia do estalinismo por parte deste autor, que conheceu por dentro o pesadelo totalitário e teve forte influência nas obras similares de George Orwell. Esta versão portuguesa decorre do original alemão, que durante muito tempo se imaginou perdido, e não do exemplar inglês, base da tradução anterior. O novo título faz sentido. A denúncia mantém-se vigorosa. E actual como nunca.

 

O ANJHO ANCORADO, de José Cardoso Pires (1958). Trinta anos antes de Alexandra Alpha, Cardoso Pires escreveu esta novela numa toada quase musical, em sagaz olhar sobre a atmosfera social de um país enclausurado à luz do sol. João, empresário a caminho da meia idade, e Guida, jovem professora recém-saída da universidade, encontram-se e desencontram-se numa tarde de fim-de-semana à beira-mar entre gente ignota e rude que os observa à distância. Inacreditável, este livro nunca ter gerado um filme.

 

O HOMEM QUE ERA QUINTA-FEIRA, de G. K. Chesterton (1908). Espécie de antepassado das novelas de espionagem, ou de paródia antecipada às ditas, quando o anarquismo estava em voga naqueles anos que precederam a I Guerra Mundial. Chesterton aborda com humor o mesmo tema a que Joseph Conrad deu tratamento sério no romance O Agente Secreto, publicado em 1907: impossível não ver relação entre as duas obras. No confronto entre ambas, há quem prefira esta sátira ligeira e muito divertida: é o meu caso.

 

REVOLUCIONÁRIOS QUE EU CONHECI, de Vera Lagoa (1977). No PREC, em 1975, produziu-se muita literatura panfletária, para consumo imediato, alimentando o confronto ideológico travado neste país que alguns queriam "em marcha acelerada para o socialismo". Na facção oposta avultava Vera Lagoa, recentemente recordada em Três Mulheres. A série da RTP levou-me a reler este livro, que reúne demolidoras crónicas jornalísticas. Com trechos divertidos, outros injustos. Era um sinal daqueles tempos.

 

SIGNO SINAL, de Vergílio Ferreira (1979). Um dos romances menos conhecidos do autor de Aparição, que aqui faz uma espécie de autópsia do processo revolucionário português, centrado numa aldeia devastada por um terramoto. A cáustica sátira política surge aqui a traço grosso, envolta numa linguagem desbragada raras vezes usada por Vergílio Ferreira - mas que faz algum sentido por caracterizar aquela época de todas as ilusões, povoada por uma vasta galeria de vira-casacas e oportunistas de todos os matizes.

 

UMA ABELHA NA CHUVA, de Carlos de Oliveira (1953). Talvez o melhor romance daquela escola literária que entre nós se convencionou chamar "neo-realista". Numa linguagem depurada e límpida, raras vezes usada por outros autores da mesma corrente estilística, e sem os chavões da praxe que transformavam personagens em caricaturas. Neste drama aldeão há gente concreta e paixões atávicas que se sobrepõem a qualquer cartilha ideológica. Inspirou o filme homónimo de Fernando Lopes, que merece ser revisto.

Os melhores livros do meu ano (2)

Pedro Correia, 04.02.23

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Foi uma das poucas boas heranças dos longos meses da pandemia, pontuados por estados de emergência, recolher obrigatório e teletrabalho em larga escala: sobraram-me horas para a leitura. Daí ter lido cem livros em 2020, outros cem em 2021 e 88 no ano que há pouco terminou.

Ontem destaquei aqui dez dessas obras que me acompanharam em 2022, escritas apenas por autores portugueses: seis romances, uma ensaio memorialístico, uma biografia, um livro de crónicas e outro de apontamentos literários. De escritores já antigos, como Vergílio Ferreira ou Urbano Tavares Rodrigues, e outros contemporâneos, ainda jovens, como Djaimilia Pereira de Almeida ou Afonso Reis Cabral.

Hoje destaco outras dez, mas só de autores estrangeiros. São oito romances, um ensaio literário e um extenso volume com prosa diarística. De três galardoados com o Prémio Nobel (Thomas Mann, John Galsworthy e Mario Vargas Llosa) e de épocas muito diversas - de meados do século XIX até quase à década em que hoje vivemos. Gostei de todos, em graus diversos. Alguns foram excelentes surpresas.

Alinhados também por ordem alfabética, para maior facilidade de consulta.

 

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A FAMÍLIA FORSYTE, de John Galsworthy (1922). Um monumento literário sobre meio século de vida de um clã de prósperos negociantes londrinos que simbolizavam o apogeu e decadência da Inglaterra vitoriana. Com personagens inesquecíveis: o pérfido Soames e o seu primo direito Jolyon, mais dado às artes dos que aos negócios, além de Irene, a mulher que ambos disputaram. Originou filmes e séries, sempre com sucesso.

 

A FESTA DO CHIBO, de Mario Vargas Llosa (2000). Um dos melhores romances do popular escritor peruano, aqui num ousado exercício de estilo que cruza a ficção com segmentos de reportagem em torno de um dos mais execráveis ditadores da América hispânica: o dominicano Rafael Trujillo, assassinado em 1961. Autópsia de uma tirania com bisturi literário de mestre exibindo uma escrita inigualável.

 

DIÁRIOS 1950-1962, de Sylvia Plath (2000). Viver era escrever para a poetisa norte-americana, que sofria de depressão desde a adolescência e foi capaz de elevar esta doença à categoria de obra de arte enquanto matéria literária. Eis a versão mais completa dos seus diários, só há meses publicada em português. Permite-nos perceber como a tragédia do suicídio, aos 30 anos, se prenunciava nos belos textos que redigia.

 

E TUDO O VENTO LEVOU, de Margaret Mitchell (1936). Epopeia em torno da Guerra Civil norte-americana (1861-1865) que dilacerou os EUA com reflexos que chegaram aos nossos dias. Scarlett O'Hara, que resiste às adversidades do destino na vasta propriedade rural de Tara, na Geórgia, simboliza a tenacidade sulista, deslocada num mundo em mudança vertiginosa. Uma das grandes personagens femininas da literatura.

 

MORTE EM HAVANA, de Leonardo Padura (1997). Inesquecível, o Quarteto de Havana integrado por quatro policiais, cada qual ambientado numa das estações do ano - que na Cuba comunista são pequenas variações do mesmo sistema concentracionário, emoldurado por um oceano que em vez de libertar oprime. Mario Conde, polícia que sonhava ser escritor, protagoniza os quatro romances, de que este é o meu eleito.

 

NOSTROMO, de Joseph Conrad (1904). O escritor anglo-polaco era capaz de conciliar a novela de aventuras com a fabulosa criação de atmosferas densas e perturbantes. Aqui numa fictícia república da América do Sul, inaugurando um subgénero que fez furor com títulos como Tirano Banderas (Valle Inclán, 1927), O Senhor Presidente  (Miguel Angel Asturias, 1947) ou O Outono do Patriarca (Gabriel García Márquez, 1975).

 

O BARULHO DAS COISAS AO CAIR, de Juan Gabriel Vásquez (2011). Um dos melhores romances da nova geração sul-americana. O autor, colombiano, presta homenagem ao realismo mágico mais pelas palavras do que pelas ideias numa obra sem concessões ao imaginário pícaro. O livro disseca com desassombro a tragédia do terrorismo ligado ao narcotráfico, que paralisou o Estado e estilhaçou a sociedade.

 

O  INFINITO NUM JUNCO, de Irene Vallejo (2019). Deslumbrante ensaio que se aproxima de um romance sobre o apego à leitura, iniciado antes da invenção do papel. Leva-nos aos grandes pensadores da Grécia antiga, faz-nos conhecer as penas mais talentosas da velha Roma. Caso extraordinário de paixão desmedida pela palavra escrita que a historiadora espanhola transmite com inegável fascínio aos seus leitores.

 

O MONTE DOS VENDAVAIS, de Emily Brontë (1847). Exemplo clássico da ficção gótica, centrada numa mansão onde o rasto dos mortos assombra os vivos. O inferno transposto para o bucólico cenário rural inglês em forma de romantismo exacerbado, tendo no centro a figura do demoníaco Heathcliff na sua demencial obsessão por Catherine, uma das primeiras e mais emblemáticas heroínas da literatura. 

 

OS BUDDENBROOK, de Thomas Mann (1901). A fortuna da família Buddenbrook, argamassada há três gerações no norte da Alemanha, ameaça ruir quando os filhos tomam o lugar dos pais naquele final do século XIX, já com a velha burguesia luterana a dissolver-se enquanto âncora moral da sociedade. Genial romance de juventude que valeu o Nobel ao prosador germânico: nunca voltaria a escrever tão bem.

Os melhores livros do meu ano (1)

Pedro Correia, 03.02.23

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Já vem algo tarde, mas ainda a tempo. O balanço das minhas leituras ao longo de 2022. Após dois anos consecutivos em que consegui ler cem, com a crise pandémica a dar forte contributo por nos ter amputado grande parte da vida social, baixei um pouco neste mais recente, entre 1 de Janeiro e 31 de Dezembro: desta vez foram 88. De várias épocas, de vários estilos, de vários géneros, de autores de diversas nacionalidades.

Como em anos anteriores, dou-vos nota das minhas leituras em 2022. Dividindo-as em três listas de dez títulos, precisamente aqueles de que mais gostei. Não gostei de outros - e houve até uns tantos que detestei. Mas desses falarei noutra ocasião, não nesta.

Hoje menciono apenas obras de autores portugueses. Amanhã, de autores estrangeiros. No terceiro dia, ficará aqui um apontamento sobre as melhores releituras. Sempre dez em cada bloco. Por ordem alfabética, critério que gosto de seguir.

 

Tal como já tinha sucedido em 2020 e 2021, dediquei muito mais tempo à leitura do que ao cinema, contrariando um hábito há muito enraizado. Nos dias que correm, os filmes interessam-me bastante menos. Porque, confesso, já vi grande parte do que gostaria de ver - incluindo a esmagadora maioria dos clássicos da Sétima Arte. E também porque nada me atrai hoje na chamada "indústria cinematográfica", precisamente a que domina os circuitos de exibição e comercialização. 

Ao contrário dos livros. E se algum me decepciona, há sempre um título em alternativa na fila de espera. Para 2023, já revelei quais são as minhas prioridadesGuerra e Paz como leitura de Inverno, Em Busca do Tempo Perdido como leitura de Verão.

Não serão os únicos. Olho a pilha que se avoluma na sala. Contém pelo menos estes: Uma Casa Para Mr. Biswas (V. S. Naipaul), Herzog - Um Homem do Nosso Tempo (Saul Bellow), A Piada Infinita (David Foster Wallace), Na Minha Morte (William Faulkner), O Templo da Aurora (Yukio Mishima), Sagarana (Guimarães Rosa), Os Sonâmbulos (Hermann Broch), Auto-de-Fé (Elias Canetti).

Qual irá seguir-se?

O sortilégio da leitura passa também pela incerteza destas escolhas em rumo errante. É acaso, é destino? De viagem em viagem, todas nos transportam para mundos bem diferentes sem necessidade de darmos um passo. Apetece dizer como Jorge Luis Borges: «Que outros se gabem dos livros que lhes foi dado escrever; eu gabo-me daqueles que me foi dado ler.»

 

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A MESA ESTÁ POSTA, de Jorge Silva Melo (2019). Recolha de crónicas de Jorge Silva Melo, figura magna do teatro e do cinema que morreu há quase um ano. Na sequência do magnífico Século Passado - quase o romance que nunca escreveu. Ainda bem que nos deixou estes livros por legado: preciosos testemunhos de uma época que vai passando.

 

A VOZ DOS DEUSES, de João Aguiar (1984). Quem diria que Viriato seria personagem credível de um romance português numa prosa sem artifícios nem rodriguinhos? Há quase 40 anos, este livro distinguiu-se por uma proeza difícil: teve sucesso junto do público e da crítica. Resiste hoje à mais dura das provas - a do tempo. Falando-nos desta terra que já tinha identidade própria antes de ser Portugal.

 

CALENDÁRIO PRIVADO, de Fernanda Botelho (1958). Escritora discreta por opção própria, a autora de Xerazade e os Outros abordava neste seu segundo romance, de algum modo ainda de aprendizagem, temas quase clandestinos, como o aborto. Numa obra de forte toada psicológica, contrariando as tendências político-sociais então em voga.

 

COM OS HOLANDESES, de J. Rentes de Carvalho (1972). Há longos anos radicado nos Países Baixos, o autor de Ernestina desenrola o fio da memória desde o tempo em que ali desembocou como imprevisto emigrante, sem saber uma palavra do idioma local. No seu estilo empático e desenvolto, fala-nos com humor do país de acolhimento e dos choques culturais que lá sofreu.

 

DE QUASE NADA A QUASE REI, de Pedro Sena-Lino (2020). Minuciosa biografia do Marquês de Pombal (1699-1782) escrita por um poeta apostado em investigar a figura do ministro de D. José que ascendeu a vulto mais influente do reino. Bem documentada, sem as liberdades literárias que Camilo e Agustina dedicaram ao homem que reergueu Lisboa após o terramoto e mandou executar opositores com requintes de crueldade.

 

LIVRO DOS PREFÁCIOS À OBRA DE AGUSTINA BESSA-LUÍS, de vários autores (2022). Reúne os textos que funcionaram de pórtico a diversos livros da notável prosadora. Uma galeria notável de admiradores desfila aqui - de António Barreto a Rui Ramos, de João Bénard da Costa a José Tolentino de Mendonça. A melhor das introduções ao espólio literário de Agustina.

 

LUANDA, LISBOA, PARAÍSO, de Djaimilia Pereira de Almeida (2018). Singular romance, de uma frescura surpreendente e notável domínio da linguagem escrita polvilhada de marcas da oralidade contemporânea num amargo cruzamento de rotas entre Angola e Portugal. Em perfeito contraste com tantas outras obras actuais de onde a vida está ausente. 

 

O CAMINHO FICA LONGE, de Vergílio Ferreira (1943). Aqui o futuro autor de Para Sempre dava os primeiros passos como escritor. Já com destreza oficinal ao revelar-se como romancista. Durante décadas, esta obra sobre o meio estudantil coimbrão de final dos anos 30 permaneceu fora do mercado. Felizmente foi possível relançá-la. Texto juvenil, com virtudes e defeitos próprios de quem começa.

 

OS INSUBMISSOS, de Urbano Tavares Rodrigues (1961). Um dos raros romances portugueses centrados no mundo jornalístico, por experiência directa do autor. Hoje vale mais como documento do que como marco literário: a linguagem é demasiado carregada de adjectivos e muitos diálogos soam a falso. Mas certas cenas merecem destaque. Como a última, com os amigos na praia cantando o hino nacional - a revolta possível naqueles anos de chumbo.

 

O MEU IRMÃO, de Afonso Reis Cabral (2014). Obra-prima da novelística portuguesa contemporânea, justamente galardoada com o Prémio Leya, fala-nos da atribulada mas enternecedora relação entre um jovem universitário e o seu irmão mais velho, deficiente profundo. Com emoção contida, evitando chavões sentimentais e sem nunca escorregar para o melodrama.

Leituras

Pedro Correia, 27.01.23

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«Em mais lado nenhum a liberdade, o esquecimento, a morte e o prazer se juntam numa sedução tão assustadora como numa batalha.»

Nikolai Gogol, Tarass Bulba, o Cossaco (1835-1842), p.194

Ed. E-primatur, 2022 (3.ª ed). Tradução de Maria Vassilieva e Larissa Shotropa

Leituras

Pedro Correia, 22.01.23

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«Assim como a Natureza necessita de ciclones e de tornados para descarregar o excesso da sua força numa revolta violenta contra a sua própria estabilidade, assim necessita o espírito, de vez em quando, de um homem demoníaco cujo excesso de violência se rebela contra a comunidade do pensamento e a monotonia da moral.»

Stefan Zweig, Nietzsche - O Combate com o Demónio (1925), p.126

Ed. Guerra & Paz, 2022. Tradução de Maria José Diniz

Leituras

Pedro Correia, 15.01.23

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«A cidade é melhor para as pessoas infelizes. Na cidade, uma pessoa pode viver cem anos e não reparar que já morreu há muito e apodreceu. Não temos tempo para pensar em nós, estamos totalmente ocupados. Negócios, relações públicas, saúde, artes, saúde e educação das crianças, receber as visitas destes e daqueles, visitar outros, é preciso ver a actriz tal, ouvir o cantor ou a cantora tal (...) e no entanto a vida é vazia, vazia.»

Lev Tolstoi, Sonata de Kreutzer (1889), p.77

Ed. Sociedade Editora de Livros de Bolso, 2010. Tradução de Nina Guerra e Filipe Guerra. Colecção Biblioteca Editores Independentes, n.º 80

Leituras

Pedro Correia, 08.01.23

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«O grande segredo é este, e é tão simples: depurar as nossas recordações, avivar-lhes, depois, o remanescente, e viver delas. Porque, mesmo as pessoas que julgam viver no presente, é no passado que encontram toda a inspiração.»

Fernanda Botelho, Calendário Privado, p.85

Ed. Bertrand, 1958

Leituras

Pedro Correia, 26.12.22

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«As pessoas sobrevivem em tempos de guerra, sempre o fizeram. O horror percorre toda a história - e os homens que viram a Armada Invencível navegar rumo à borda do mundo, que viram a Peste Negra liquidar metade da Europa, esses homens viviam assustados, aterrados. Mas embora tenham vivido e morrido no medo, eu estou aqui; conseguimos reerguer-nos.»

Sylvia Plath, Diários 1950-1962 (2000), p. 44

Ed. Relógio d' Água, 2021. Tradução de José Miguel Silva e Inês Dias

Leituras

Pedro Correia, 17.12.22

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«Não é estranho passarmos a vida a pensar que o que queremos fazer é precisamente o que não podemos fazer?»

George OrwellHistória de um Homem Comum (1939), p. 179

Ed. E-primatur, 2022. Tradução de Jacinta Maria Matos

Leituras

Pedro Correia, 10.12.22

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«Uma pessoa que se preocupa com o que os outros dizem dela está condenada a morrer na boca deles.»

Ma Jian, O Sonho da China (2018), p. 45

Ed. Quetzal, 2021. Tradução de Maria Marques. Colecção Serpente Emplumada