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Leituras

por Pedro Correia, em 16.05.20

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«A tragédia da morte está no facto de ela transformar a vida em destino.»

André Malraux, A Esperança (1937)p. 240

Ed. Livros do Brasil. Tradução de Judith Cortesão

Leituras

por Pedro Correia, em 12.05.20

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«Pertencemos a uma terra em que a vivacidade faz as vezes do talento e onde a destreza ocupa o lugar da capacidade criadora.»

António Lobo Antunes, Os Cus de Judas (1979)p. 37

Ed. Bis, 2016 (34.ª edição)

 

Leituras

por Pedro Correia, em 09.05.20

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«Quem conseguia adquirir a sua própria colher tratava-a como uma jóia preciosa, guardava-a com a vida, e, como não se conseguia arranjar facas, o seu uso era alargado ao afiarem o cabo numa pedra. Não havia papel higiénico nas latrinas, portanto, os restos de papel eram outro bem valioso. Sacas de cimento rasgadas podiam ser obtidas nos estaleiros e, por vezes, um jornal podia ser adquirido a um civil - talvez deixado numa fábrica e, depois, contrabandeado para dentro do campo. Os pedaços eram usados ou trocados por comida. As pessoas que sofriam esta degradação eram vistas pelos alemães como lixo humano, mas a economia de guerra da nação estava cada vez mais dependente do seu trabalho. Era esta a nova era de grandiosidade que Hitler tinha criado: um mundo em que um quadrado de papel se tornava moeda de troca, com valor tangível, fosse para gastar ou para manter o rabo de alguém limpo.»

Jeremy Dronfield, O Rapaz que Seguiu o Pai para Auschwitz (2018)p. 217

Ed. Planeta, 2018. Tradução de Patrícia Cascão

Leituras

por Pedro Correia, em 08.05.20

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«Nesta época estranha a inteligência parece estúpida e a estupidez inteligente, e torna-se salutar desconfiar de ambas por questão de prudência.»

António Lobo Antunes, Memória de Elefante (1979)p. 98

Ed. Vega, 1981

Leituras

por Pedro Correia, em 07.05.20

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«A felicidade não se deve medir em tempo.»

Helena Marques, O Último Cais (1992)p. 133

Ed. Bis, 2009

Diário do coronavírus (9)

por Pedro Correia, em 27.04.20

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Quando tantos de nós fomos condenados a esta espécie de prisão domiciliária, ainda antes da imposição do inédito estado de emergência, percebi que muita gente amiga se congratulava - dentro da lógica de que devemos ver sempre o que possa haver de bom naquilo que é mau. Gente que se sentia animada por «ter finalmente oportunidade de passar mais tempo em casa», por poder «fazer coisas para que costuma faltar a disponibilidade e a paciência», por «conseguir enfim pôr as leituras em dia».

Afinal, decorridas sete semanas, vou verificando que muitas destas metas ficaram pelo caminho. Porque as pessoas não conseguem desligar-se da necessidade de estarem sempre "conectadas com o mundo", seja lá isso o que for. Porque, mesmo fazendo dieta alimentar, são incapazes de fazer uma dieta de notícias - quase sempre as mesmas, e agora sobre um tema só, repetido até à exaustão dia após dia e trazendo a palavra "morte" sempre a reboque para suscitar o pânico, indutor de gordas audiências. Porque, em matéria de leituras, optam quase em exclusivo por navegar horas sem fim nas chamadas "redes sociais", lendo sobretudo o lixo, reencaminhado pelo cunhado da prima do vizinho da conhecida. 

 

Contra a corrente, imponho a mim próprio uma rigorosa selecção de consumo noticioso. Só escuto quem comprovadamente merece ser escutado, dispenso os sermões dos novos tele-evangelistas agora em voga, mudo de canal assim que me soa a propaganda seja do que for, reservo um tempo máximo para o fluxo informativo. Que, pelo que me vou apercebendo, equivale ao tempo mínimo para muitos outros.

Passo ao lado das opiniões arrebanhadas das "redes sociais", não consumo nem partilho os incontáveis memes que me chegam das mais diversas proveniências, não gasto um minuto com "cenários" que reproduzem outros "cenários", quase sempre de teor apocalíptico, em obediência à mesma lógica de alinhamento dos telediários cá do burgo. Há três meses, ninguém era capaz de prever o que tem vindo a suceder em toda a parte e a directora-geral da Saúde até comunicava ao País que «não há grande probabilidade de um vírus destes chegar a Portugal». Para quê, portanto, dar dois tostões pelo papo furado de tudólogos em risco de desemprego?

 

E, sim, vou conseguindo pôr leituras em dia. Não a "leitura" de vídeos com gatinhos ou das novivelhas anedotas a circular na Net. Nestas sete semanas li doze livros completos - não incluindo, portanto, trechos ou capítulos seleccionados de outros. Sete de autores nacionais, prosseguindo a maratona iniciada há quase um ano. E romances ou novelas que há muito constavam da minha lista de prioridades - títulos como Longe da Multidão, de Thomas Hardy, A Tia Julia e o Escrevedor, de Vargas Llosa, ou O Físico Prodigioso, de Jorge de Sena.

Verifico agora que cinco destes doze foram releituras. Confirmando uma tendência que tem vindo a acentuar-se: gosto cada vez mais de revisitar livros que noutras épocas me tocaram por algum motivo que pode ou não repetir-se. E elaborando a minha lista muito pessoal de clássicos, sem necessidade de que outros me debitem cânones. Com a certeza antecipada - como garantia Italo Calvino - de que «um clássico é um livro que nunca acabou de dizer o que tem a dizer».

Assim consigo, em boa parte das horas destes meus dias de recluso, colocar o Covid-19 numa prateleira de difícil acesso. Parafraseando o outro, há vida para além do vírus.

Leituras

por Pedro Correia, em 26.04.20

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«Alguma vez a palavra teria sido inventada se o seu inventor tivesse tido medo de causar problemas? Criar vida significa criar problemas. Só há uma maneira de evitar problemas: é matar as coisas à nascença.»

George Bernard Shaw, Pigmalião (1913)p. 136

Ed. Diário de Notícias, 2003. Tradução de Mário César de Abreu

Leituras

por Pedro Correia, em 24.04.20

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«Quem não tem direitos não é obrigado a ter deveres.»

Olga Tokarczuk, Conduz o Teu Arado sobre os Ossos dos Mortos (2009)p. 220

Ed. Cavalo de Ferro, 2019. Tradução de Teresa Fernandes Swiatkiewicz

Leituras

por Pedro Correia, em 19.04.20

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«Entre amigos não há esmolas.»

Fernando Namora, A Noite e a Madrugadap. 86

Ed. Inquérito, 1950

Leituras

por Pedro Correia, em 16.04.20

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«Um pau torto às vezes também tem seu préstimo...»

Urbano Tavares Rodrigues, Bastardos do Sol (1959)p. 161

Ed. Bertrand, 1972 (3.ª edição)

Leituras

por Pedro Correia, em 14.04.20

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«Três mulheres são mais do que suficientes para qualquer homem.»

Jeffrey Archer, Contador de Histórias (2017)p. 102

Ed. Bertrand, 2019. Tradução de Fernanda Oliveira

Leituras

por Pedro Correia, em 10.04.20

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«O primeiro dever de um homem é sobreviver.»

Agatha Christie, As Dez Figuras Negras (1939)p. 50

Ed. ASA/RBA, 2008. Tradução de Isabel Alves

Leituras

por Pedro Correia, em 02.04.20

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«Ter razão antes do tempo é errar.»

Vergílio Ferreira, Mudança (1949)p. 159

Ed. Bertrand, 1978 (4.ª edição)

Leituras

por Pedro Correia, em 28.03.20

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«O amor é uma arte dinâmica.»

Agustina Bessa-Luís, Os Meninos de Ouro (1983)p. 49

Ed. Guimarães, Lisboa, 1996 (8.ª edição)

Leituras

por Pedro Correia, em 25.03.20

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«Se Deus não existe tanto faz gritar como não gritar. Não tenho destino a cumprir: saio do nada para o nada.»

Raul Brandão, Húmus (1917)p. 87

Ed. 11x17, 2011

Leituras

por Pedro Correia, em 24.03.20

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«Um homem revoltado, mesmo ingloriamente, nunca está completamente vencido.»

Sophia de Mello Breyner Andresen, Contos Exemplares (1962)p. 122

Ed. Figueirinhas, 2002

Leituras

por Pedro Correia, em 23.03.20

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«Não se muda, evolui-se. Tudo o que fomos permanece: qualidades e defeitos. Simplesmente, nuns, as qualidades desenvolvem-se mais do que os defeitos, noutros, desenvolvem-se mais os defeitos. Em raros casos, raríssimos, crescem a par qualidades e defeitos.»

Manuel da Fonseca, Um Anjo no Trapéziop. 126

Ed. Prelo, 1968. Colecção de Autores Portugueses, n.º 11

Leituras

por Pedro Correia, em 22.03.20

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«Sempre os beleguins da lei prestaram mão forte aos ricos para acalcanhar os pobres.»

Aquilino Ribeiro, A Casa Grande de Romarigães (1957)p. 153

Ed. Bertrand, 1984

Leituras

por Pedro Correia, em 20.03.20

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«A solidão não é viver só, a solidão é não sermos capazes de fazer companhia a alguém ou a alguma coisa que está dentro de nós.»

José Saramago, O Ano da Morte de Ricardo Reisp. 226

Ed. Caminho, 1984.

Leituras

por Sérgio de Almeida Correia, em 19.03.20

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"Under Mao or Kim, mocking the leader's name was enough to warrant assignment to a labour camp. (...) Under Mussolini or Ceaucescu, editors received daily instructions on what should be mentioned and what was prescribed. Writers , poets and painters, under Stalin trembled as the thought that their praise might not appear sufficiently sincere.   (...)

In the wake of the Cultural Revolution the communist party in China amended its constitution explicitly to 'forbid all forms of personality cult', making slow but inexorable progress towards greater accountability. But the regime has been turning back towards dictatorship. After Xi Jinping was elected General Secretary of the party in 2012 his first act was to humiliate and imprison some of his most powerful rivals. Then he disciplined or purged hundreds of thousands of party members, all in the name of a campaign against corruption. As the regime makes a concerted effort to obliterate a fledging civil society, lawyers, human rights activists, journalists and religious leaders are confined , exiled, and imprisoned in the thousands.

The propaganda machine has consistently idolised Xi. In the capital of Hebei province allone some 4.500 loudspeakers were installed in November 2017, before a major party congress, calling on all people to 'unite tightly around President Xi'. The party organ gave him seven titles, from Creative Leader, Core of the Party and Servant Pursuing Happiness for the People, to Leader of a Great Country and Architect of Modernisation in the New Era. 'To follow you is to follow the sun' went a new song launched in Beijing. Trinkers, badges and posters with his portrait are ubiquitous. His toughts became compulsory reading for schoolchildren the same year. Fear goes hand in hand with praise, as even mocking the Chairman of Everything in a private message online can be treated as a heinous crime punishable by two years in prison. In March 2018 he became Chairman for life, as The National People's Congress voted to abolish limits on his term.

Nonetheless, dictators today, wth the excedpetion of Kim Jong-un, are a long way from instilling the fear their predecessors inflicted on their populations at the height of the twentieth century. Yet hardly a month goes without a new book announcing 'The Death of Democracy" or 'The End of Liberalism'. Undeniably, for more than a decade democracy has been degraded in many places around the world, while levels of freedom have receded even in some of the most entrenched parliamentary democracies. Eternal vigilance, as the saying goes, is the price of liberty, as power can easily be stolen.

Vigilance, however, is not the same as gloom. Even a modicum of historical perspective indicates that today dictatorship is on the decline when compared to the twentieth century. Most of all, dictators who surround themselves with a cult of personality tend to drift off into a world of their own, confirmed in their delusions by the followers who surround them. They end up making all major decisions on their own. They see enemies everywhere, at home and abroad. As hubris and paranoia take over, they seek more power to protect the power they already have. But since so much hinges on the judgements they make, even a minor miscalculation can cause the regime to falter, with devastating consequences. In the end, the biggest threat to dictators comes not just from the people, but from themselves." (pp. 204-206)

 

O livro foi editado no segundo semestre do ano passado pela Bloomsbury. Frank Dikötter é Chair Professor de Humanidades na Universidade de Hong Kong e Senior Fellow da Hoover Institution. 

Barbara Kiser considerou-o a "salutary reading at a time of persistent attacks on democracy". Eu também.

E lembrei-me disto a propósito do que aconteceu em Wuhan em Dezembro e Janeiro passados. Também por causa das comunicações que alguns jornalistas receberam nos últimos dias.

A campanha em curso prosseguirá num quiosque perto de si.


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