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Delito de Opinião

Os palavrões do costume

Pedro Correia, 09.07.21

Vejo um debate na RTP. E lá surgem, em catadupa, os palavrões do costume: "janela de oportunidade", "novo paradigma", "sustentabilidade", "rating", "despesismo", "alavancagem", "efectivamente".

Chego cansado ao fim do programa. E não é por causa da crise: é por causa deste palavreado tecnocrático que a toda a hora nos invade o domicílio, através da televisão, transformando o nosso belo idioma num linguajar insuportável.

Interrogo-me: serei só eu a pensar assim?

Tarzan como comentador

João Pedro Pimenta, 11.06.21

Há uma epidemia nacional há muito espalhada e que contamina sobretudo comentadores de tv e treinadores de futebol. Não vejo medidas profilácticas, alertas para o contágio, barreiras para impedir a progressão e muito menos curas. O Dez de Junho também devia servir para se falar deste flagelo.

 
Refiro-me obviamente à mania de começar as frases no infinitivo. Todos os dedos de todas as mãos do país seriam poucos para contar a quantidade de vezes que ouvimos frases começadas por "dizer que...", "afirmar que...", "realçar que...", "assinalar que...", "lembrar que..." e tantos outros verbos no infinitivo seguidos de "que" (se se lembrarem de mais avisem, que alguns fazem um resultado engraçado).
 
Tal como a escrita rápida de sms, o acordo ortográfico e a linguagem neutra para "não ofender", esta forma de falar é mais uma causa de empobrecimento da língua. Há imensas maneiras de se aplicar um verbo no início de uma frase, mas usar o infinitivo é preguiçoso, além de errado, e é mais digno da fala do Tarzan. Ninguém se admire se lá chegarmos

Nem pensar

Pedro Correia, 06.05.21

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Li há dias, no editorial de um jornal muito influente, em prosa assinada pelo respectivo director, que um óbvio substantivo é afinal... um adjectivo. Vinha logo na primeira frase.

Isto sem qualquer sombra de ironia da parte do articulista.

 

Quando se chega a este ponto, quase tudo se torna possível.

 

Mas não só no jornalismo (mea culpa, quanto à profissão que exerço) a iliteracia galopante é cada vez mais notória.

Reparo que muitos escritores consagrados cometem erros de palmatória. Alguns fariam corar pessoas comuns, com o diploma da quarta classe antiga. E validados por prestigiadas editoras nacionais.

 

Lamento escrever isto, mas é verdade.


Cada vez estou mais convencido de que estes assuntos devem ser debatidos na praça pública, sem tabus nem "respeitinho". Doa a quem doer.

Aliás vamos respeitar o quê? O analfabetismo pintado de sabedoria?

Nem pensar.

A hilariedade do pagem na mangedoura

Pedro Correia, 21.04.21

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Leio um romance de uma escritora noutros tempos muito celebrada, ao ponto de ter recebido prémios literários, ser enaltecida em páginas culturais da imprensa e merecer destaque em antologias. 

À medida que desfilam os capítulos, vou pasmando com a sucessão de erros ortográficos - alguns bem graves. Não são gralhas: são mesmo erros, aliás reiterados. E que foram passando incólumes de edição em edição: esta que tenho entre mãos é já do ano 2000. O que me leva a questionar em que estado viria aquele original quando pela primeira vez foi remetido a um editor, na segunda metade da década de 60.

Eis alguns exemplos: pagem (em vez de pajem), grangear (em vez de granjear), hilariedade (em vez de hilaridade), eminente (em vez de iminente), emerso (em vez de imerso), mangedoura (em vez de manjedoura). Erros a mais para passarem sem um reparo crítico. Enquanto reforço a minha convicção de que há muito escritor a necessitar com urgência de regressar aos bancos da escola. Básica.

Não pensem que são casos isolados. Tenho assinalado vários tão graves como estes em diversas obras literárias, por vezes até de autores que cometeram best sellers (bestas céleres, como dizia Alexandre O'Neill). Daria para uma secção regular no DELITO, garanto. Ou na revista Ler, onde vou escrevendo uma vez por outra. 

Se os "consagrados" escrevem assim, em sisudas obras até recomendadas no douto Plano Nacional de Leitura, como haveremos de admirar-nos de ver tanta calinada à solta na bagunça das redes sociais? 

O triunfo do ódio e da iliteracia

Pedro Correia, 14.04.21

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Na ânsia quase desesperada de amealhar cliques, que permitam a certos títulos continuar a subsistir no limiar da sobrevivência, a imprensa em linha continua a reproduzir injúrias e calúnias de todo o tipo. Ainda agora verifiquei isso, a propósito da morte súbita de Jorge Coelho.

Vocabulário obsceno, em diversos sentidos da expressão, foi não apenas admitido mas tolerado (se não mesmo incentivado) nas caixas de comentários dessas publicações. 

Insultos carregados de ódio pessoal ou ideológico que no DELITO DE OPINIÃO, por exemplo, vão de imediato parar ao ecoponto, ali são divulgados e ficam perpetuados na nuvem digital.

Interrogo-me se é esse o género de leitores que tais periódicos querem captar. Interrogo-me se para os responsáveis desses jornais valerá mesmo tudo para atrair e reproduzir tal lixo. Questiono-me ainda se as injúrias os visassem a eles teriam idêntica compreensão e tolerância.

E já nem me refiro apenas à linguagem caluniosa. Refiro-me também aos mais inconcebíveis erros de ortografia, que transformam a língua portuguesa numa abjecta caricatura de si própria: também ficam perpetuados, talvez para a eternidade, nessas caixas de comentários de jornais que volta e meia publicam sisudos editoriais em defesa da cultura - e desse "bem cultural" maior que é o nosso idioma, património comum de quase 300 milhões de pessoas

 

Não reproduzo aqui as injúrias, como é óbvio. Mas reproduzirei alguns dos mais primários e boçais erros ortográficos que li só numa dessas caixas de comentários de um desses jornais, supostamente de grande circulação. Para que se perceba melhor como estes títulos se demitem da sua função essencial - até reconhecida por lei - de preservação e valorização da língua portuguesa:

«Pás a sua alma...»

«... muito cordeal...»

«... acto de degnidade...»

«... falar nele nos mídea...»

«... intelectualemente honesta...»

«... desça em pás...»

«... estado portugues...»

«... sofreu 3 banca rotas económicas...»

«...quando se não vêm qualidades...»

«porque è cuando morre um pobre ninguem fala...»

 

O outro falava no triunfo dos porcos. Nós assistimos, impávidos, ao triunfo do ódio e ao triunfo da iliteracia. Todos os dias, a toda a hora, nos locais mais insuspeitos. Supostamente geridos por gente letrada que supostamente recebe ordens para acolher todo o lumpen e todo o lixo.

A linguagem inclusiva

jpt, 02.10.20

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A secretaria-geral do ministério da Defesa Nacional, instância decerto composta por assalariados do funcionalismo público, dispendeu algum tempo - ou seja, dinheiro público -, a compor uma proposta de directiva para uma "linguagem não discriminatória e mais igualitária nas Forças Armadas", a qual inclui este tipo de modificações. O dinheiro (tempo) gasto nesta escrevinhice não terá sido muito, e quem a fez não deverá ter muito mais para fazer. Ou seja, os custos efectivos disto são um nada. Tem apenas custos subjectivos, pois a patetice potencia irritações sociais e nisso oposições espontâneas a outras justas práticas tendentes à equidade. Muito bem esteve o ministro da Defesa, João Gomes Cravinho, ao explicitar que esta coisa "é absolutamente menor, não tem relevância nenhuma e, do meu lado, confesso que não pretendo passar muito tempo a pensar nessa matéria" pois "o que é verdadeiramente importante é o trabalho que está a ser feito na promoção da igualdade de género dentro das Forças Armadas".

Ainda assim isto custa-me. Pois vejo gente letrada (e reparai que uso um abrangente feminino, que é corrente), pela qual tenho amizade e respeito, a partilhar esta tralha como se fosse algo positivo. Outros que a isto louvam são os que usam o "X" para evitar o género das palavras, mesmo em comunicações profissionais, julgando que tais ignaros ademanes os engrandecem ou alindam.

O que esta imagem exemplifica é uma pobre mentalidade que considera necessário, pois positivo, substituir a genérica "indivíduo" - que é a palavra explicitamente subjacente - pela genérica "pessoa". Já agora, e num olhar mais minucioso, para além disso carrega uma visão sociológica muito básica, de facto populista e nisso anti-democrática, ao propagandear a noção de "classe política". Mas isto até é um mero detalhe, apenas denotativo da ignorância dos proponentes.

A igualdade e a equidade são causas justas. E estas nada ganham com argumentações estúpidas. E muito menos com sensibilidades histéricas.

Adenda: um dia passado sobre a notícia deste tonto documento o ministro Gomes Cravinho decidiu pela sua anulação. Esteve bem.

Notas pessoais sobre o Dia Mundial da Língua Portuguesa

Paulo Sousa, 05.05.20

Hoje assinala-se pela primeira vez o Dia Mundial da Língua Portuguesa.

Muito poderá ser dito sobre este património imaterial que nos une, e por praticantes muito mais versados que eu próprio.

Não quero, no entanto, deixar de fazer aqui três pequenas notas.

 

1 – Felizmente a língua portuguesa é de facto imaterial e não pertence apenas ao nosso país. De outro modo ainda poderia ser dada em garantia de dívidas contraídas. Celebremos por isso.

 

2 – Após ter procurado afincadamente por outro caso, em que uma língua coincida com um território, com um país, com uma bandeira e uma identidade nacional, e em que ao cruzar qualquer fronteira a língua aí praticada também seja diferente, encontrei apenas dois países nestas condições. Portugal e o Brasil.

Será que me escapou algum outro caso? E quando falo em fronteiras, refiro-me a fronteiras terrestres. Ilhas não contam.

 

3 – A língua portuguesa, sendo a mais falada no hemisfério sul, já tem relevância global. Mas se não for uma ferramenta de ensino, que acrescenta espessura cientifica aos idiomas locais com que coabita, até pelo desperdício de oportunidade será como um diamante em bruto à espera de ser valorizado.

 

Na sequência do lançamento da moderna Tele-escola, como forma de manter o ensino em funcionamento durante o estado de emergência, reparei que os conteúdos pedagógicos aí produzidos poderiam ser preciosos para outros países da CPLP.

Nem todos os países que hoje connosco assinalam este dia sofrem do mesmo nível de carências de ensino, mas de facto para alguns deles estes conteúdos, produzidos regularmente e abrangendo os diversos níveis de ensino, poderiam valorizar muito as vidas de quem de outra forma acabará por não ter acesso a um nível de instrução inclusiva no mundo actual.

Qualquer coisa dentro desta linha poderia fazer mais pela cultura em língua portuguesa do que vários 1% do PIB sempre na boca dos donos da coisa cultural.

Plural masculino genérico

Pedro Correia, 22.04.20

Tudo quanto é mau tem um lado bom, sempre ouvi dizer.

Quase nada de bom consigo associar a esta pandemia que destrói vidas, poupanças, empresas e empregos. Excepto no linguajar oficial imposto pela correcção política, que confunde sexo com género. Acabaram, ao que parece, as incontáveis duplicações de substantivos ignorando a norma gramatical que entende como genérico o plural masculino. Andámos anos a ouvir certos políticos matraquearem a pleonástica fórmula «portugueses e portuguesas, trabalhadores e trabalhadoras, funcionários e funcionárias, todos e todas».

Isto parece pertencer já ao passado. 

Tenho escutado mais conferências de imprensa neste mês de reclusão forçada do que em todo o ano que ficou para trás. Até ao momento não ouvi ninguém dizer «infectados e infectadas, desalojados e desalojadas, detidos e detidas, hospitalizados e hospitalizadas, recuperados e recuperadas, falecidos e falecidas». O velho plural masculino afinal sempre continua a revelar utilidade na comunicação política.

Antes assim.

A primeira vítima mortal

Pedro Correia, 17.03.20

Sim, estamos em guerra. Contra um inimigo invisível. E em guerra todas as palavras contam, como Churchill nos ensinou. 

Ontem, registou-se a primeira vítima mortal no nosso país. Alguém com nome e rosto, muito mais do que um mero dado estatístico. Um cidadão português, que trabalhou durante anos como profissional do futebol. Uma pessoa, com dignidade anterior e ulterior à sua condição de membro de um núcleo social.

«Tratava-se de um homem de 80 anos», revelou a ministra da Saúde, em conferência de imprensa a meio da tarde. «Um senhor», emendou subtilmente Rodrigo Guedes de Carvalho ao fazer o lançamento da peça que abriu, às 20 horas, o Jornal da Noite da SIC. 

A escolha de uma palavra nunca é irrelevante. Em tempo de guerra ou em tempo de paz.

O Estado a que chegámos

Pedro Correia, 26.02.20

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Depois de amanhã, na zona de Belém, é inaugurada uma exposição que está a ser muito propagandeada com cartazes distribuídos pela capital. Uma exposição do Museu Van Gogh, de Amesterdão, que conta com patrocínios oficiais - incluindo do Governo português e da Câmara Municipal de Lisboa.

Lamentavelmente, os cartazes da exposição estão redigidos praticamente na íntegra em inglês. Que nem é idioma oficial na Holanda, país de origem da exposição, nem de Portugal, país que a acolhe em lugar nobre e com o espavento que talvez mereça.

Nem uma frase em português, no título ou na legenda. Nem um arremedo de versão bilingue, que seria compreensível. Só faltou o endereço vir também impresso na língua natal de Boris Johnson e Donald Trump para a rendição ao idioma anglo-amaricano ser completa.

Que isto aconteça com tão elevados patrocínios diz muito do Estado a que chegámos na defesa, promoção e valorização do nosso idioma.

Urro racista agora é «cântico»

Pedro Correia, 17.02.20

É sempre assim: alguém desprovido de neurónios escreve um vocábulo sem lhe conhecer o significado e logo vai tudo atrás, reproduzindo o dislate. Quando o erro se torna norma, imprime-se o erro.

Eis mais um exemplo: o substantivo masculino cântico significa «ode religiosa cantada nas igrejas» em honra e louvor de uma divindade ou - fora do original contexto bíblico«poema ou hino» entoado com o propósito de louvar, adorar, algo ou alguém. Qualque banal dicionário o confirma.

Mas os imbecis adoram exibir ignorância. Daí confundirem sem sobressaltos de consciência cântico com qualquer ruído grupal zurrado em estádios de futebol. Como ainda ontem ocorreu durante o jogo V. Guimarães-FC Porto: a imitação de sons de chimpanzé, em declarada provocação racista a um jogador da equipa visitante, não tardou a ser elevada à condição de «cântico» por vários escribas de turno.

Incapazes de dominar o suposto idioma materno. Incapazes, portanto, de perceber que ao equipararem aqueles urros a odes poéticas ou hinos religiosos estão afinal a branquear o racismo.

Haverá ainda alguém lá nas redacções onde juntam palavras capaz de lhes explicar isto?

 

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Alguns exemplos:

RTP: Marega abandona jogo após cânticos racistas em Guimarães

TSF: Marega critica árbitros por cartão amarelo após cânticos racistas

Notícias ao Minuto: Marega abandona o relvado do Vitória SC por culpa de cânticos racistas

DN Madeira: Marega (ex-Marítimo) foi substituído por alegados cânticos racistas dos adeptos do Guimarães

Negócios: Marega critica árbitros por cartão amarelo após cânticos racistas

Esquerda: Marega, jogador do Porto abandonou o campo por ser vítima de cânticos racistas 

Arrasar

João Pedro Pimenta, 30.12.19

 

Ouvi há pouco que a boys band D´Arrasar vai voltar a actuar numa festa revivalista dos anos noventa. O momento não podia ser mais oportuno. Sempre que abro o computador e me aparecem notícias relevantes - do ponto de vista do emissor - o verbo arrasar sobressai logo, aplicado a várias situações: "A actriz x arrasou na passadeira vermelha; "a estrela y arrasou na festa"; "a namorada de tal arrasou no banquete". Exemplos concretos: "dona Dolores Aveiro arrasa na entrega de prémios…". E assim por diante. Só é estranho que esses locais não fiquem em ruínas, tal é o arraso que estas pessoas provocam. Depois, nas mesmas notícias, os críticos da moda "arrasam" as famosas e famosos, pela roupa, porque determinada cor não combinava com o padrão, por uma atitude ou gesto que passou despercebida ao comum dos mortais, etc. E finalmente vêm os "arrasos" opinativos, aqueles em que "o político fulano arrasou o seu adversário sicrano na assembleia municipal" ou "numa extensa entrevista", ou "o defensor do clube bege arrasa o representante do clube cor de burro quando foge no debate semanal futebolístico". Normalmente, quem o afirma é das cores do arrasador em questão.

Com tão grande míngua de vocabulário e tanto arrasamento, quem fica mesmo arrasada é a qualidade do texto, uma vez que a substância já não era grande coisa. E a paciência do incauto leitor também. Vejam lá se arrasam um pouco menos antes de deixar tudo em ruínas, ainda que não passem de virtuais.

Ontem, num jornal de referência

Pedro Correia, 29.09.19

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O analfabetismo vai galopando, dia após dia, nas colunas dos jornais. Até naqueles que presumem ser mais ilustrados e instruídos. Ontem, numa entrevista publicada num semanário, deparei com esta chocante confusão entre o verbo haver e a contracção de uma preposição com um artigo definido.

Antigamente, quando tais nódoas pousavam no papel, não faltava quem corasse de vergonha. Agora é tempo de encolher os ombros e partir para o dislate seguinte com toda a descontracção do mundo.

A minha indignação bem expressa

Pedro Correia, 10.09.19

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Lamento muito ter de me pronunciar aqui contra a minha alma mater, mas acho péssimo que a Universidade Católica se promova no estrangeiro e no próprio País deturpando o nome da nossa capital.

Lisboa. Uma das mais belas palavras do idioma de Camões. Que, por acaso ou talvez não, coincide com nome da principal cidade portuguesa.

Acontece que a Católica, por motivos que não consigo descortinar, optou por abastardar Lisboa, adulterando-lhe a grafia, agora adaptada ao amaricano que vai dando cartas em certos círculos bem-pensantes.

É uma aberração.

 

Devíamos aprender com os nossos irmãos brasileiros. Alguém imagina uma instituição brasileira a deturpar os nomes das duas principais cidades do país, Rio de Janeiro e São Paulo - orgulhosamente escritos assim, na universal língua portuguesa que nos serve de poderoso traço de união?

Alguém imagina os brasileiros a escreverem "St. Paul" ou "River of January" para caírem nas boas graças do falso cosmopolitismo que galopa por aí?

Nem pensar.

 

Aqui fica o meu lamento. Aqui fica o meu protesto.

Aqui fica a minha indignação. Ao ver a falsa primeira página do Expresso do último sábado com a falsa manchete que aqui reproduzo e alguns dos títulos que junto também. Todos escritos num peculiar jargão luso-amaricano em que o português é praticamente empurrado para a borda do prato.

Deixaram-me envergonhado. E tenho a convicção de que muitos professores e muitos dos actuais alunos da Universidade Católica pensam como eu.