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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 21.07.12

«O que morre com José Hermano Saraiva não é apenas uma parte importante da história da nossa televisão. Nem apenas o homem a quem devemos essas verdadeiras lanças em África que constituíam O Tempo e a Alma, A Alma e a Gente ou Horizontes da Memória, mensageiros de uma época em que a aprendizagem era um fim em si própria. Nem (muito menos) apenas uma maneira bastante particular - particularmente romântica, talvez - de ver a História de Portugal. Tudo isso morre com José Hermano Saraiva. Mas, sobretudo, morre com ele uma maneira especialmente generosa de comunicar, vinda ainda de um tempo em que já havia aquilo a que os anglo-saxónicos chamam public intelectuals, mas em que esses "intelectuais públicos" (digamos assim) eram mesmo públicos, propriedade do público, ou, mais provavelmente ainda, propriedade de ninguém.»

Joel Neto, no Diário de Notícias

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Desmistificações.

por Luís Menezes Leitão, em 20.07.12

É preciso de facto desmistificar José Hermano Saraiva. O seu programa não era visto. Os seus livros não se vendiam. As outras televisões não o chamavam. Nunca ninguém se lembrou de votar nele para o concurso Os grandes portugueses. Nenhum comediante perdia tempo a parodiar o seu estilo. Era um homem completamente desconhecido. Afinal de contas, alguém sabe quem foi José Hermano Saraiva?

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mistificações

por José Navarro de Andrade, em 20.07.12

Pouquíssimos o viam, tendo o programa prosseguido anos a fio com audiências pouco mais do que residuais, preguiçosamente encostado ao estatuto adquirido. Raríssimas vezes o citavam, quer na rua, quer no âmbito dos estudos historiográficos. Considerado um “grande comunicador”, dele não terá ficado um epigrama, um aforismo, uma imagem vincada e vinculativa, que perdure além de um repetitivo “storytelling” devedor sobretudo do estilo vetusto de um Pinheiro Chagas. Em vida, das escassas vezes que lhe pediam opinião e ele a dava sem constrangimentos, mesmo quando poderia ter sido polémico, nem assim era escutado com mais do que a deferência devida a um ancião inócuo.

Querendo lamentar na morte do Professor Hermano Saraiva, não o merecido ser humano, respeitável e estimável, ou o Homem público, com os seus defeitos e virtudes; mas a figura exemplar de serviço público de televisão, será decerto desmerecer ambas as coisas: a figura e o serviço público de televisão. Há lugares comuns piores do que a morte.

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Um homem não cabe num rótulo

por José Gomes André, em 20.07.12

Reduzir José Hermano Saraiva a um "ministro do Estado Novo" é de uma enorme falta de bom-senso. Para a minha geração fica a memória de um grande comunicador e de um homem apaixonado pela história do nosso país. Não nos devemos esquecer do seu passado político, mas só a cegueira ideológica o rotularia de "mero fascista".

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José Hermano Saraiva (1919-2012)

por Luís Menezes Leitão, em 20.07.12

 

José Hermano Saraiva foi indiscutivelmente uma figura polémica, que como todos os seres humanos tem as suas luzes e sombras. Mas na altura da sua morte, devemos concentrar-nos nas luzes com que iluminou o nosso presente e esquecer as sombras. Os clássicos diziam que mors omnia solvit. Não me interessa por isso que José Hermano Saraiva fosse um fervoroso apoiante de Salazar, tendo chegado a qualificá-lo de "antifascista" ou que tenha sido o Ministro da Educação que efectuou uma repressão duríssima sobre os estudantes aquando da crise académica de Coimbra. Aliás, como bem salientou Pacheco Pereira, essa crise académica é hoje objecto de uma verdade oficial, nunca se falando de que acabou com um pedido de desculpas dos dirigentes associativos a Américo Thomaz, o que causou grande indignação entre os estudantes. Recordo-me de que há uns anos ia havendo um tumulto no Parlamento quando esse episódio foi recordado.

 

O que me interessa recordar de José Hermano Saraiva é o brilho das suas magníficas exposições sobre a História de Portugal, que a tornava acessível a todos. Nem sempre os seus argumentos me convenciam, como a sua tese sobre Camões de que a macaense Dinamene seria afinal a bem portuguesa D. Ioana Noronha de Andrade (DINA) e Menezes (MENE). Mas era extraordinária a simplicidade com que respondia às questões que lhe punham. Porque é que o Porto, que deu nome ao país, nunca foi a sua capital? Porque o Porto era do bispo. Os trabalhos que fez no fim da sua vida de expor a história de quase todos os concelhos do país são um verdadeiro serviço público, que ficará na memória de todos. Da mesma forma, foi altamente meritória a sua chamada de atenção constante para a degradação do nosso património, com exemplos concretos de abandono por parte do Estado.

 

José Hermano Saraiva foi também um grande jurista, tendo deixado obras marcantes como O Problema do Contrato e A Crise do Direito. Será, no entanto, como historiador e mais precisamente como divulgador da história que será recordado. Impressionou-me particularmente a forma como soube envelhecer. Quando tantos outros se reformam antecipadamente e ficam inactivos até ao fim da vida, ele continuava sempre incansável no seu constante labor. Podíamos ver que não estava nas suas melhores condições físicas, mas nunca se notava uma diminuição na qualidade dos seus programas.

 

Não sei se num canal privado de televisão seria alguma vez possível assistir a um programa de José Hermano Saraiva. É curioso que nos tenha deixado precisamente na altura da privatização da RTP, que pode acabar de vez com esta forma de fazer televisão. Na altura da sua morte, apetece-me por isso recordar uma frase que, como ele, ficou na memória da nossa televisão: As árvores morrem de pé!

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Professor Saraiva

por Patrícia Reis, em 20.07.12

O miúdo telefonou para apurar a razão do nível da tristeza.

 

Morreu um homem que era historiador e tinha mais de 90 anos e?

 

E, meu querido filho, José Hermano Saraiva faz parte da nossa moldura de vida, como fez o Vasco Granja, o Sousa Veloso. Pessoas que vimos sempre, que reconhecemos a voz, imitámos os seus gestos e com quem aprendemos. Um homem que vivia para contar as histórias da História e que, anos a fio, fez um programa de televisão que só pode ser considerado serviço público, não pode ser visto de outra forma.

 

E o miúdo pergunta

 

Ah, então é como quando morre um músico de quem gostamos muito?

 

Isso. Ou um escritor que lemos desde sempre, um poeta, um pintor, alguém que se destacou por ser diferente.

 

Como o Mandela?

 

De certa forma.

 

E tu choraste com quem?

 

Quando morreu o José Cardoso Pires, a Natália Correia, o Zeca Afonso, o Bernardo Sassetti.

 

E o miúdo, outra vez, interrompendo:

 

Sim, sim, com o Sassetti até eu chorei. Felizmente ficou a música. Deste professor fica o quê?

 

Um acervo enorme na RTP e a memória.

 

O miúdo desligou o telemóvel e eu senti que as lágrimas estavam prontas a voltar.

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