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E o tempo de Jogos Olímpicos e já tenho andado a ver nas redes sociais e nos jornais os comentários habituais às prestações de atletas portugueses. Em resumo, que é uma vergonha, que andamos a pagar para eles fazerem isto (seja lá o que "isto" for), que não trazem medalhas, que se é para baterem recordes nacionais também o podem fazer em casa (li em tempos um comentário do género salvo erro a Eduardo Pitta), etc e tal. Alguns dos comentários mais recentes debruçaram-se sobre o quinto lugar de João Pereira que não chegou a ser uma medalha, nos resultados dos canoístas que não chegaram lá e nos nossos triplistas em que pelo menos Nélson Évora é desculpado porque no passado já foi ouro.

 

Uma das respostas padrão passa por perguntar quem mais pode dizer que é dos oito melhores do mundo ou sequer o melhor português naquilo que faz. Outra passa por dizer que quem questiona não sabe do que fala (que será verdade na maioria das situações). Eu prefiro uma outra opção: respeite-se antes de mais o esforço de quem chegou àquele nível (passando por muitos sacrifícios pessoais ou não) e de quem estava a cumprir a sua função. É o mesmo respeito que é devido a um empregado de balcão, a um médico, a um varredor de ruas, a um padre, a um operário, a um ministro ou a um polícia. É o respeito devido a quem faz o seu trabalho.

 

Há no entanto a necessidade de dissecarmos as prestações por duas perspectivas: a) em comparação com as expectativas e, b) como resultado de um investimento no atleta. Farei isso abaixo.

 

 

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A ginasta e o ditador

por Alexandre Guerra, em 08.08.16

Excelente e oportuno documentário que ontem à noite passou na RTP2 sobre a ginasta romena Nadia Comaneci, que, com apenas 14 anos, ficou imortalizada pelo "perfect ten" obtido na qualificação da competição das paralelas assimétricas dos Jogos Olímpicos de Montreal em 1976. O documentário Nadia Comaneci: A Ginasta e o Ditador (2016) começa precisamente com essa prestação perfeita, aliando uma graciosidade divina nos movimentos a uma impressionante capacidade técnica, quase sobre-humana. O mundo rendeu-se perante algo que nunca tinha visto. Nessas Olimpíadas, Comaneci viria a repetir mais alguns "perfect ten", quer nas paralelas assimétricas, quer na prova da trave. Apesar de a Roménia ter ficado em segundo lugar atrás da União Soviética, era a primeira vez que um pequeno e pobre país para lá da Cortina de Ferro se intrometia no combate pela disputa do ranking das medalhas na modalidade da ginástica entre as duas super-potências da Guerra Fria. Nadia regressa a Bucareste já na condição de heroína romena, com a aura de mito e, sobretudo, como um símbolo daquilo que o regime de Nicolaeu Ceausescu poderia "produzir" ao nível da excelência física e estética. O ditador comunista condecorou-a com a mais alta distinção do Estado e a partir dessa altura Comaneci passou a ser o mais importante recurso político para a estratégia propagandística de Ceausescu.

 

E é precisamente essa relação entre Comaneci e o superior interesse do Estado romeno, personalizado no "camarada" Ceausescu, que faz do documentário de Pola Rapaport um registo tão cruel, mas ao mesmo tempo tão comovente. Nadia Comaneci era idolatrada no mundo, era a personificação da virtuosidade da máquina "comunista", mas, para lá da glória das medalhas, nada tinha, sobretudo não tinha a liberdade. Quando nos anos 80 a Roménia entrou uma espiral de crise que culminou mais tarde com as mortes brutais de Nicolae e da sua não menos sanguinária mulher, Elena Ceausecu, Comaneci chegou a depender de um amigo para ter pães para comer. Passou fome e era apenas mais uma entre um povo sofredor e faminto. Mas nem isso ela era, porque, como admite um agente reformado da antiga Securitate (serviços secretos romenos), Nadia Comaneci teve sempre os seus movimentos vigiados pelo Estado, tinha a sua liberdade completamente cerceada.

 

Nadia Comaneci nunca se ria, nem mesmo quando era mais nova. Houve jornalistas que lhe chegaram a perguntar por que é que nunca se ria e o seu treinador lá vinha prontamente responder que era porque ela estava concentrada nos exercícios. Talvez, até porque ela era uma perfeccionista, uma atleta obcecada com a técnica e com a busca constante do impossível. Mas, a verdade é que quando ela deserta para os Estados Unidos em 1989, e na primeira conferência de imprensa que dá, vimos uma Comaneci diferente, sorridente, alguém que parece ter renascido. Se calhar, Nadia nunca sorria porque não tinha liberdade. Não a liberdade de voar, porque isso ela sempre teve, mas a liberdade de viver. E foi essa liberdade que Comaneci terá encontrado quando deixou para trás a Cortina de Ferro.

 

 

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De volta à rotina ou welcome back, Rui Santos

por José António Abreu, em 12.08.12

E agora, durante quatro anos, dezenas de modalidades desportivas ficam novamente remetidas à obscuridade. Sendo que se alguma coisa os Jogos Olímpicos demonstram é que, em termos de espectacularidade, o futebol está longe de justificar a hegemonia de que goza na maior parte do planeta. Como os norte-americanos costumam referir, trata-se de uma modalidade em que nada acontece durante a maior parte do tempo e é também das poucas onde se pode verdadeiramente jogar para o empate – com frequência, a zero.

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Afinal sempre era possível

por José Navarro de Andrade, em 06.08.12

Abomino ping pong. Estão para ali uns matulões fechados numa saleta, de volta de uma mesa de jantar a atirar uma bolinha minúscula ping para lá ping para cá. Isto para dizer que ontem estive pregado ao televisor 3 horas a ver o épico Portugal Coreia do Sul. E a culpa foi do comentador Virgilio Nascimento. Ele guinchava de exaltação patriótica? Pelo contrário, chegou a pedir desculpas aos espectadores por se emocionar. Naquelas 3 horas fiquei com a impressão que aprendi tudo o que havia para saber acerca deste famigerado desporto, descobri que no ténis de mesa (nunca mais lhe chamarei ping pong) há táctica, perspicácia, requintes técnicos.

O mesmo já se tinha passado com actividades desportivas tão exóticas com os saltos para água, um nome tão ridículo que só os comentários de César Peixoto poderiam dignificar; o tiro com arco (como levar a sério um desporto que se pratica de chapéu?) pela voz de Pedro Vaz ou o halterofilismo, uma coisa de brutamontes transformado por António Caeiro numa arte de equilíbrio balético.

Há mais, muito mais, destes fa-bu-lo-sos comentadores desportivos, disseminados entre a RTP e a Eurosport, capazes de nos contagiarem (pior: convencerem) com a sua sapiência, com a sua capacidade de nos esclarecerem sobre os detalhes do que estamos a ver utilizando uma linguagem leiga, subsumindo a opinião sob o rigor descritivo, com uma sabedoria segura, paciente e entusiástica. Na verdade, eles trabalharam, estudaram e empenharam toda uma vida naqueles desportos que só vêm a a luz pública de 4 em 4 anos, para virem até nós mostrar que vale a pena.

Fica-se mesmo com a impressão que foi de propósito: todos os histéricos, os línguas de pau, os incapazes tecnicamente, os opinativos insensatos, foram desaguar no comentário futebolístico. E, no entanto, seria tão fácil: bastava escolher gente deste calibre...

 

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Clarisse Cruz é atleta olímpica. Com 34 anos, tem ocupação profissional a tempo inteiro e ainda consegue compaginar a sua actividade com os treinos como atleta do Sporting. Hoje, na eliminatória dos 3.000 obstáculos caiu. Ainda assim, arranjou forças para recuperar e para se classificar em 5º lugar, logo atrás de Marta Dominguez que já foi campeã olímpica. A respescagem por tempos para a final é a primeira medalha para atletas portugueses. Não é de ouro, nem de prata, nem de bronze. É uma medalha especial para os que nunca se deixam derrotar.

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Tempo morto

por Rui Rocha, em 04.08.12

Bem, morto não foi. Que o jogador tunisino apanhou uma bela chapada do treinador...

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A(s) beleza(s) dos Jogos Olímpicos

por José António Abreu, em 02.08.12

Uma mulher enviou-me por correio electrónico uma foto com nadadores olímpicos australianos:

 

Encolhi os ombros (afinal, estão apenas um bocadinho mais em forma do que eu) e respondi com uma dose dupla de voleibolistas norte-americanas:

Aguardo nova cartada mas considero-me a ganhar por 7-4 (com vantagem em caso de empate final, uma vez que os nadadores mantêm alguma roupa vestida). Não quero ser demasiado optimista (é preciso respeitar o adversário, as hipóteses são de 50% para cada lado, o jogo só acaba quando o árbitro apita, etc.) mas estou confiante: tenho vários trunfos na manga, incluindo a outra e, na vertente feminina, quase obscena variante do voleibol: o de praia. Entretanto pus-me a pensar que brincadeiras destas são como fazer parte de uma equipa mas preferir o estilo de jogo da equipa rival. No fundo, está-se a dizer: não, não, vocês é que são melhores. Pus-me a pensar nisso e também que, lá em Londres, alguém devia apresentar os nadadores australianos às voleibolistas norte-americanas. É que, apesar dos corpos tonificados, talvez por não conseguirem tirar o Lochte e o Phelps da cabeça, eles parecem tão tristonhos. Poderiam é necessitar de reforços: são só quatro, coitaditos, e não conseguindo deixar de pensar no Lochte e no Phelps...

 

(As fotos das voleibolistas são da ESPN. A dos nadadores não faço ideia.)

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Um autarca no arame

por Rui Rocha, em 01.08.12

Boris Johnson, o mayor de Londres, ficou literalmente preso no arame num evento de celebração dos Jogos Olímpicos realizado no Victoria Park. Entretanto, por cá, os nossos autarcas nada têm a temer: o arame já acabou há algum tempo.

 

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O Bom Combate

por Ana Cláudia Vicente, em 01.08.12

«Voir loin, parler franc, agir ferme

 Pierre de Frédy

[Barão de Coubertin (1863-1937)]

 

[Foto: BBC Sport]

 

Se reais consequências se registarem após o arraial mediático du jour em torno do triste processo de qualificação para as finais olímpicas em Badminton, menos mal. Não deixa de ser justo e irónico que tal aconteça num território educativo tão admirado pelo pedagogo que reinstituiu Os Jogos na contemporaneidade.

Bem basta termos quase todos aceite que o futebol já não é o que era, e que muitas das regras básicas do desportivismo simplesmente deixaram de se lhe poder aplicar.

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Uma imagem vale mais que coiso e tal

por Rui Rocha, em 01.08.12

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Deng Xiao Doping?

por Rui Rocha, em 31.07.12

 "A história da natação mostra-nos que, sempre que vemos algo inacreditável, vimos a saber mais tarde que havia doping envolvido", afirmou John Leonard, director-executivo da Associação Mundial de Treinadores de Natação e da Associação de Treinadores de Natação dos EUA, citado pelo diário Guardian. A insinuação refere-se à utilização de doping pela chinesa Ye Shiwen, 16 anos, medalha de ouro e recordista mundial nos 400m estilos.

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Alerta de tsunami

por José António Abreu, em 30.07.12

Telma Monteiro perdeu, esboroando-se assim uma das raras hipóteses de atletas portugueses (e não de Portugal) chegarem a uma medalha nestes Jogos Olímpicos. Aguarda-se enxurrada de críticas por parte de gente que nunca esteve em posição de conseguir o que quer que fosse por nem sequer alguma vez se ter aplicado a fundo a tentar consegui-lo.

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Londres, 2012

por Pedro Correia, em 30.07.12

Também vou escrevendo sobre os Jogos Olímpicos. Aqui e aqui.

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Pequena história das Olimpíadas

por Rui Rocha, em 30.07.12

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Londres, o paraíso dos carteiristas

por Rui Rocha, em 29.07.12

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Os tempos não estão mesmo para grandes investimentos. Depois de Angela Merkel ter dado o exemplo, foi Kate Middleton que decidiu associar-se ao espírito olímpico com um vestido de 35 libras:

 

* Vi aqui.

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Uma de olimpíadas

por Rui Rocha, em 27.07.12

Os Jogos Olímpicos são como as eleições: realizam-se de quatro em quatro anos e a esmagadora maioria dos portugueses acaba por perder.

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Humor olímpico

por Rui Rocha, em 26.07.12

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