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Delito de Opinião

The next big thing?

Paulo Sousa, 11.07.20

Segundo o secretário de estado João Galamba, que anda arredado dos títulos dos jornais há tempo suficiente para deixar qualquer português preocupado, a fábrica de hidrogénio que está a ser projectada para Sines “será o maior projecto industrial em Portugal desde o 25 de Abril”.

Não há muito tempo também foi notícia a atribuição de uma concessão para a exploração de lítio a uma empresa com capital social de 50 mil euros.

A relação entre o PS e os negócios estruturantes para o país, que mais tarde se revelam escândalos, ao ponto de escandalosamente banalizarem a palavra escândalo, já é antiga.

Se tivesse de apostar qual destes dois grandes investimentos irá ser o próximo grande escândalo da temporada teria dúvidas em escolher. Mas é garantido que qualquer um destes projectos tem grande potencial. Se houvesse um totobola para estas coisas o melhor era apostar numa tripla.

Serei só eu a achar que fazia sentido que o agora secretário de Estado João Galamba, um dos delfins de José Socrates, merecia uma escolta preventiva do Ministério Público?

O fotógrafo estava lá

Pedro Correia, 12.11.19

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Sua Excelência, no aconchego da viatura oficial, fumega o cigarro electrónico contemplando os cidadãos humildes que se encontram no exterior com a superioridade olímpica de quem passou anos a passar atestados de inferioridade moral e comportamental ao comum dos mortais e não necessita de prestar contas à plebe. Pose que constitui privilégio dos iluminados.

Podia ter tomado a iniciativa de sair uns instantes do veículo e dialogar com aquela população humilde das terras do Barroso que desconfia da anunciada exploração de lítio, transmitindo aos transmontanos sempre tão esquecidos pelo Terreiro do Paço a bondade dos argumentos oficiais. Mas isso seria incompatível com a soberba de quem adora falar em povo sem jamais se misturar com ele.

Tudo bate certo nesta imagem, afinal.

Novos contributos para a exegese da Doutrina Galamba

Rui Rocha, 06.01.17

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O deputado Galamba, que ainda ontem nos explicava com circunspecção que o governo não tem qualquer responsabilidade na evolução dos juros da dívida pública, anuncia-nos hoje no seu mural do Facebook, com mal contida satisfação, que esse mesmo governo é o exclusivo responsável pelos dados do desemprego e outras extraordinárias realizações ao nível do défice e do PIB e mais o camandro. Temos, portanto, contributos frescos para a compreensão da doutrina Galamba. Pegando na feliz expressão do próprio deputado, é como se este afirmasse que a homessexualidade e as drogas não desencadeiam tempestades mas que, em contrapartida, a ganza e a atracção por pessoas do mesmo género são efectivamente responsáveis pela previsão daquilo que, voluntarioso, entende serem boas abertas.

Resumo da intervenção de João Galamba no Fórum TSF desta manhã

José António Abreu, 21.10.16

Manuel Acácio: «Acha bem as pensões mais reduzidas não serem aumentadas?»

João Galamba: «É preciso ver que existe o complemento solidário para idosos.»

Manuel Acácio: «Mas o acesso ao complemento tem vários problemas...»

João Galamba: «Admito que sim, mas essa é outra questão; agora estamos a discutir o orçamento.»

O incendiário.

Luís Menezes Leitão, 30.06.16

Na resolução do BES o Estado meteu 3,5 mil milhões de euros, que "emprestou" ao Fundo de Resolução, confiando em que o nosso pujante sistema bancário devolveria o dinheiro. Não só não devolveu nada, como agora o Novo Banco precisa de reforçar o capital em mais 1,4 mil milhões de euros. Como se isto não bastasse, surgiu entretanto a necessidade de resolução do BANIF que custou 3 mil milhões de euros. A isto há que acrescentar as necessidades de recapitalização da CGD que serão no mínimo de 5 mil milhões de euros. 

 

Perante este cenário claro, Schäuble fez uma declaração, que eu até acho simpática, a dizer que Portugal precisa de um novo resgate e que estaria em condições de o ter. A seguir lá lhe puxaram as orelhas, e voltou atrás dizendo que Portugal não vai precisar de qualquer resgate se cumprir as regras europeias que obrigam à consolidação orçamental e à redução do défice. Eu traduzo: Portugal não precisará de resgate se tiver condições para ter um orçamento equilibrado, o que manifestamente não vai ter.

 

Mas entretanto lá surgiu o inevitável João Galamba, a acusar Schäuble de ser incendiário, já que Portugal não precisaria de resgate algum. Só falta agora explicar onde é que vai o país buscar o dinheiro para recapitalizar os bancos. Vai continuar a endividar-se no mercado? Com a dívida que já temos, é a garantia que a breve trecho os mercados se fecham. Vai ligar as rotativas? Enquanto estiver no euro, isso não é possível. É por isso manifesto que o segundo resgate é a única solução. Por isso fariam melhor em ouvir Schäuble, em vez de continuar a viver num mundo de ilusão. Schäuble não pega fogo às finanças da Alemanha, que estão fortes e pujantes. O mesmo já não posso dizer do actual governo português.

A quem puder ajudar

Rui Rocha, 01.02.16

Alguém poderá avisar o PSD de que pôr o Marco António Costa a questionar a credibilidade do esboço orçamental é, mal comparado, o mesmo que pôr o "doutor" Artur Baptista da Silva a afiançar a argúcia do Nicolau Santos? Ou, se quiserem, dito de outra forma: alguém poderá avisar o PSD de que pôr o Marco António Costa a questionar a credibilidade do esboço orçamental é, mal comparado, o mesmo que pôr o João Galamba a afiançar-lhe essa mesma credibilidade? Grato.