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Fora da caixa (18)

por Pedro Correia, em 30.09.19

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«Se houver um problema interno, é no plano interno que deve ser discutido.»

Jerónimo de Sousa (9 de Abril) 

 

Dos cinco principais partidos portugueses, o PCP é aquele que tem uma expressão eleitoral cada vez mais diminuta - como demonstraram as recentes eleições autárquicas (desceu dos 552.690 votos em 2013 aos 489.189 em 2017), europeias (passou de 416.446 votos em 2014 para 228.156 em 2019) e regionais da Madeira (baixou de 7.060 votos em 2015 para 2.577 em 2019).

E, no entanto, é também aquele que aparece menos no espaço mediático. Deu-se ao luxo, por exemplo, de recusar a participação nos debates a dois promovidos pelos canais de televisão por cabo - evitando assim o confronto com Catarina Martins e Assunção Cristas sem ninguém ousar aludir a misoginia. E vetou a participação de Jerónimo de Sousa no programa de Ricardo Araújo Pereira - que tem sido, de longe, o mais divertido palco político destas legislativas. Neste caso, ao que parece, trata-se de ajustar contas antigas: lá na Rua Soeiro Pereira Gomes não perdoam o acutilante humor deste seu antigo militante, que se atreveu a declarar coisas como esta: «Precisamos do PCP para defender os trabalhadores do PCP.» Parafraseando um antigo dirigente de outro partido, quem se mete com o PCP leva...

Talvez por isto, os comunistas são, entre as cinco principais forças partidárias, aqueles que mais se furtam ao escrutínio público. Nunca são tratados em termos jornalísticos como os restantes. No PCP não existe oposição interna - há "dissidentes", como sucedia na defunta União Soviética. Nunca há divergências públicas - a "unidade" é uma regra inabalável e o menor sopro de contestação fica abafado entre os espessos muros do estado-maior vermelho.

 

Jerónimo de Sousa é o rosto visível deste partido que ainda se comporta, em larga medida, como se vivesse na clandestinidade. Falta saber quase tudo o resto.

Quem são os membros do Secretariado e da Comissão Política, os dois órgãos decisórios da cúpula comunista? Alguém sabe os seus nomes fora da bolha partidária? Que currículo profissional têm? Quantos anos de exercício como funcionários do partido acumulam? Por que motivo ninguém os conhece fora do círculo interno e jamais concedem uma entrevista à imprensa "burguesa"? Quem controla as finanças do partido - que é reconhecidamente o mais rico, com depósitos bancários acima dos três milhões de euros - e o seu valiosíssimo património imobiliário? Ninguém imagina que a chave do cofre esteja na algibeira de Jerónimo, o mais antigo deputado português (ocupa um lugar em São Bento desde a Assembleia Constituinte, em 1975).

 

Saberíamos um pouco mais se os órgãos de informação atribuíssem o mesmo tratamento ao PCP que reservam aos restantes partidos. Mas, com raríssimas excepções, isso não acontece: os comunistas beneficiam de uma complacência generalizada de jornais e televisões, por motivos compreensíveis: dá muito mais trabalho investigar o que lá se passa e trazer à luz do dia o que ocorre naqueles corredores cheios de segredos.

A oposição interna à "geringonça", por exemplo, é tão vasta que dava para narrar num livro. Ou dois.

Fim-de-semana

por jpt, em 29.09.19

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Enquanto decorre a campanha eleitoral e o secretário-geral Jerónimo de Sousa defende o governo minoritário do PS, proclamando que o PSD ataca o "affaire" Tancos à falta de outros argumentos contra ... o governo minoritário do PS (o que diria o camarada Pimentel deste clamoroso e desnorteado "desvio de direita" do Partido....!?)

convirá recordar - naquele anglicismo do "shame on you" - as hostes socialistas (e, face ao acima exposto, também os "camaradas e amigos" do PCP) de que neste último sábado se cumpriu exactamente um ano que o juiz Ivo Rosa foi "sorteado" - como os trabalhadores judiciais bem sabiam que iria "acontecer" - para abafar, perdão, julgar o processo de José Sócrates.

O regime protegeu-se e prossegue, kamoviano. O PCP aplaude. Os socratico-costistas suspiram, aliviados. Os BEs saracoteiam.

E o povo vota.

 

O "desvio de direita" do PCP

por Pedro Correia, em 20.08.19

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1

Esta é, de um ponto de vista do que se convencionou chamar "esquerda", a pior herança da Geringonça: a rendição dos comunistas aos socialistas.

Aquilo a que Álvaro Cunhal sempre denominou "desvio de direita". Chegando ao ponto de fazer expulsar dos órgãos dirigentes do partido - o Secretariado e a Comissão Política - honestos e valorosos militantes que defendiam teses menos aproximadas ao PS do que as hoje vigentes.

Nunca tive uma sensação tão forte de que o PCP está em derrocada - agora no campo sindical, após ter sido derrubado nos seus principais bastiões autárquicos - como no passado dia 15, quando ouvi Jerónimo de Sousa apontar o dedo acusador aos camionistas em greve por melhores salários e maiores direitos.

Disse ele:

«[Esta é] uma greve decretada por tempo indeterminado, com uma argumentação que instrumentaliza reais problemas e o descontentamento dos motoristas, cujos promotores não se importam de dar pretexto à limitação do direito à greve, como se está a verificar.»

 

2

O secretário-geral do PCP assume-se assim como fiel aliado do Governo no ataque a sindicalistas que reivindicam salários reais decentes, menos tempo de laboração fora do quadro legal previsto para o horário de trabalho e a justa adequação das remunerações que recebem aos descontos para a Autoridade Tributária e a Segurança Social.

Funcionando, na prática, como ponta-de-lança do Governo PS já na corrida rumo à tão ansiada maioria absoluta.

 

3

O líder comunista chegou ao ponto de insinuar que a culpa da inaceitável instrumentalização das forças armadas e das forças policiais contra os grevistas era... dos próprios grevistas

Chegou ao ponto de insinuar que a culpa do desvirtuamento do enquadramento legal dos "serviços mínimos", transformados neste caso afinal em serviços máximos, era... dos grevistas.

Chegou ao ponto de insinuar que o descarado abuso da lei que regulamenta os mecanismos da requisição civil era... dos camionistas em greve.

Que diferença em relação ao comportamento do PCP quando os socialistas estiveram anteriormente no Governo. Num documento que aprovou a 12 de Fevereiro de 2011 definindo as principais linhas de intervenção política do partido nessa recta final do Executivo Sócrates, o Comité Central comunista sublinhava: «As acções de luta realizadas recentemente, como são exemplo as greves e paralisações num conjunto de empresas no sector dos transportes e comunicações (Metro, Carris, Transtejo, Soflusa, CP, EMEF, CP-Carga, REFER, STCP, RBL), nos CTT, INCM, Município de Loures (...) constituem uma importante resposta à ofensiva desencadeada pelo Governo do PS.»

 

4

Nunca imaginei ver o PCP alinhado de forma tão despudorada com uma entidade patronal - neste caso, a ANTRAM - para defender o Governo que vem patrocinando há quatro legislaturas e o sindicalismo que lhe está subordinado.

Nunca imaginei ver em sucessivos debates televisivos o representante da CGTP para os transportes alinhado com os patrões contra os seus camaradas no exacto momento em que estes desenvolviam uma «acção de luta».

Nem supus alguma vez que a Fectrans - braço da CGTP para os transportes - assinasse acordos de capitulação com os patrões no preciso momento em que outros sindicatos do sector se encontravam em greve. Assumindo-se assim como uma central sindical "amarela" e "colaboracionista" - acusações que noutros tempos a própria CGTP fazia à UGT.

Não por acaso, todos os comentadores da chamada "direita" se apressaram a enaltecer a «atitude respnsável» do sindicalismo orgânico ligado umbilicalmente aos comunistas. Diz-me quem te elogia, dir-te-ei quem és.

Nestes dias ficou evidente, aos olhos dos portugueses, que o PCP é hoje um partido anti-revolucionário, reformista e conformista. Que não hesita em contemporizar com quem paga salários de miséria para favorecer os lucros milionários das petrolíferas, que não hesita em demarcar-se daqueles que reivindicam melhores condições de vida recorrendo a um instrumento legal e constitucional.

 

5

Conheço Jerónimo de Sousa e respeito o seu percurso.

Mas não consigo acompanhá-lo neste "desvio de direita" que ameaça descaracterizar de vez o PCP como partido que se afirma representante dos trabalhadores por conta de outrem.

Pelo contrário: a cúpula comunista tornou-se, por estes dias, cúmplice do maior atentado ao direito à greve ocorrido em Portugal desde a instauração do regime constitucional de 1976.

Há vinte anos, isto geraria um intenso debate interno no PCP - sei bem do que falo, pois acompanhei em pormenor a vida interna do partido enquanto jornalista. Que neste momento isto só ocorra em franjas marginais da estrutura partidária, com pequenos reflexos nas redes sociais, revela bem até que ponto o partido de Bento Gonçalves e Cunhal se tornou irrelevante. Não apenas no conjunto da sociedade portuguesa mas os olhos dos próprios militantes.

 

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Adenda: É inaceitável que o PCP continue a não ser escrutinado, como se impunha, pelo jornalismo político português. O mesmo que se intromete até na cama dos restantes partidos, se for preciso, mas se mantém respeitosamente do lado de fora da porta da sede central dos comunistas.

A testosterona comunista

por Pedro Correia, em 12.03.19

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Jerónimo de Sousa acordou subitamente "feminista". De tal maneira que se lembrou de criticar o fim do "almoço do Dia da Mulher" promovido pela Câmara de Almada, que foi liderada pelos comunistas durante 40 anos e é desde Outubro de 2017 gerida por Inês Medeiros, do PS. Aproveitando também para «criticar a direita, por alimentar discriminação das mulheres».

Julgo que a preocupação de Jerónimo devia orientar-se noutro sentido. Virando-se para o próprio PCP. Em 98 anos de história, nunca o partido da foice e do martelo teve uma mulher a liderá-lo. Nem sequer nas quatro décadas e meia que já levamos de regime democrático. Ao contrário do que sucedeu no PSD, com Manuela Ferreira Leite, ou no CDS, com Assunção Cristas.

Mais: no PCP nunca houve sequer uma mulher na liderança da bancada parlamentar. Pior ainda: agora que já se perspectiva a saída do secretário-geral, há dezena e meia de anos em funções, quem se aponta como possíveis sucessores, segundo o bem informado Expresso? Isso mesmo: quatro homens, nem rasto de mulher.

É com isto que Jerónimo, agora aparentemente convertido ao feminismo, devia andar preocupado.

Não vão acreditar nesta

por Rui Rocha, em 14.01.19

Estive a ver a assinatura do Jerónimo de Sousa que subscreveu esta carta de apoio ao ditador venezuelano e é igualzinha à do Jerónimo de Sousa que assinou com o Costa o acordo que viabilizou a geringonça. Que surpresa, não?

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Mais despesa, menos receita

por Pedro Correia, em 09.10.18

Oiço Jerónimo de Sousa em entrevista à TVI a propósito das negociações para o próximo Orçamento do Estado.

O que propõe o secretário-geral do PCP? A diminuição das receitas fiscais em simultâneo com o aumento da despesa pública. Sugere portanto a quadratura do círculo, bem consciente de que jamais terá condições de ser aplicada. E no entanto insiste na tese, com ar sério, composto e grave. É puro eleitoralismo. Ou, dito de outra maneira, o mais descarado populismo. Sem jamais assumirem responsabilidades governativas, os comunistas advogam sempre o melhor dos mundos para os eleitores que não se dão ao incómodo de fazer contas e reservam o pior cenário para o Estado que tanto dizem defender.

Escuto isto e questiono-me por que razão jamais alguém se atreve a chamar populista ao PCP. É uma pena, pois seria um rótulo bem adequado.

A igualdade é só para os outros

por Pedro Correia, em 12.03.18

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O secretário-geral do PCP juntou-se à manifestação promovida em Lisboa, no sábado, pelo Movimento Democrático das Mulheres - um dos vários organismos criados ou tutelados pelos comunistas, tal como o Conselho Português para a Paz e a Cooperação, a Intervenção Democrática, a Confederação Nacional de Reformados, Pensionistas e Idosos, o Partido Ecologista "Os Verdes" ou a Confederação Nacional da Agricultura.

Disse na altura Jerónimo de Sousa que "as mulheres importantes" estavam ali, na Baixa lisboeta, "e não no congresso do CDS". A comparação não foi a mais feliz: o CDS é hoje liderado por uma mulher, Assunção Cristas, algo que nunca aconteceu na história quase centenária do Partido Comunista Português. O CDS já teve uma mulher a liderar o seu grupo parlamentar, algo que nunca aconteceu na bancada vermelha em mais de quatro décadas de democracia.

Declarou ainda Jerónimo que se juntava à manifestação do MDM como forma de se expressar contra a discriminação das mulheres. O dirigente do PCP podia começar por combater essa discriminação na sua própria casa: nenhum dos candidatos presidenciais até hoje apresentados pelo partido da foice e do martelo em 40 anos de democracia era do sexo feminino. E o Comité Central comunista, com 146 membros, integra apenas 37 mulheres - ou seja, 24,5% do total.

Longe, muito longe mesmo, da igualdade e da paridade que os comunistas muito apregoam e pouco praticam.

É que ninguém esperava, Jerónimo

por Rui Rocha, em 11.03.18

Nas últimas horas, algumas almas têm manifestado indignação por Jerónimo de Sousa ter afirmado que as mulheres que importam não estão no CDS. A estes, vou contar um segredo: Jerónimo defende regimes responsáveis pela violação de liberdades elementares e pela chacina de milhões de pessoas. Pronto. Agora já sabem. Guardem só para vocês.

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A convite de Marcelo Rebelo de Sousa, Mário Draghi assistirá ao próximo Conselho de Estado. Esta comparência pontual do Presidente do Banco Central Europeu (BCE) no órgão consultivo da Presidência da República não me merece qualquer comentário. Não vejo grande utilidade, mas também não identifico grande problema. Melhoral, portanto.

 

Contudo, esperei, como qualquer pessoa minimamente atenta à política nacional, que o PCP largasse fogo ao Palácio de Belém. Após anos a zurzir contra o “directório das potências” europeias, perante o qual o anterior governo “ajoelhava” (esta pagaram-na com língua de pau quando o OE de 2016 foi a Bruxelas), era expectável que os comunistas portugueses reagissem com vigor e intransigência à presença de Draghi em Lisboa. Afinal de contas, trata-se de um representante do grande capital, conivente com os desmandos dos “mega-caloteiros”, entre os quais figura a Goldman Sachs, instituição para a qual Draghi trabalhou – no capitalismo é assim, estão todos feitos uns com os outros, isto anda tudo ligado. Mas não. O deputado Jerónimo disse que o caso é apenas “estranho”, o que contradiz todo o ódio destilado durante anos pelo Senhor Sousa, Secretário-Geral do PCP.

 

“Estranho”, diz. “Estranho” é alguém assumir que é teimoso. “Estranho” é um bêbado ter consciência de não estar em condições de pegar no carro. “Estranho” é alguém deitar-se sozinho e acordar acompanhado. Isto sim é estranho. Mas a presença de Draghi no órgão consultivo da Presidência da República deveria ser entendida, segundo os cânones do PCP, como um ataque inadmissível à soberania nacional, uma violência que não aconteceria caso houvesse um “governo patriótico e de esquerda”. Porém, para surpresa de todos, agora estes casos são apenas “estranhos”. Com este mortal encarpado à retaguarda, o PCP dá razão aos populismos mais básicos pois confirma que, de facto, os partidos políticos são todos iguais.

Frases de 2016 (13)

por Pedro Correia, em 26.01.16

«Podíamos apresentar um candidato ou uma candidata assim mais engraçadinha.»

Jerónimo de Sousa, na noite eleitoral

Podíamos arranjar uma candidata engraçadinha, mas não somos capazes de mudar.

Estímulos

por José António Abreu, em 11.11.15

Devolver cortes para estimular o consumo, garantem. É provável que nisto tenham razão. Que estimule. Com péssimas consequências a prazo mas ignoremo-las por um instante e avaliemos a outra hipótese: a de que afinal não estimule assim tanto. Seria curioso ver os portugueses mostrarem-se cientes da fragilidade de um futuro construído por Costa, Catarina, Jerónimo e Arménio e optarem antes por reforçar poupanças - dentro e, quase certamente, fora dos bancos. Improvável? Admito que sim. Porque com essa mentalidade não seriam portugueses. Seriam alemães. Enfim, seriam talvez alemães; é difícil imaginar a Alemanha moderna a braços com um governo de convicções terceiro-mundistas.

 

(E a propósito: há pouco mais de 20 anos Portugal chegou a ter níveis de poupança ligeiramente superiores aos da Alemanha; em 2010, não atingiam 40%.)

Frases de 2015 (53)

por Pedro Correia, em 03.11.15

«Eu nunca consegui que nenhum economista me explicasse porque [a meta do défice] tem de ser 3% e não 4%.»

Jerónimo de Sousa em entrevista à SIC Notícias, 29 de Outubro

No reino das bravatas verbais

por Pedro Correia, em 30.10.15

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Catarina Martins, que de há um mês para cá tem vindo a dar a táctica à esquerda do alto dos impressionantes 10,19% que recolheu nas urnas, considera que a posse do XX Governo Constitucional, hoje ocorrida no Palácio da Ajuda, foi "uma perda de tempo".

Por estes dias, é muito instrutivo ver as manifestações de arrogância daqueles que, sem terem sequer posto um pé no poder executivo, já se comportam como se fossem tutores absolutos das instituições políticas - Presidente da República, Assembleia da República e Governo.

A porta-voz de um partido rejeitado nas opções de voto de 89,91% dos boletins expressos em 4 de Outubro cresce em arrogância à medida que se aproxima o momento em que o BE poderá enfim tornar-se peça de uma solução de governo após 16 anos de existência. Alguém deveria dizer-lhe que em democracia, quando se cumprem as regras, nunca há perdas de tempo.

 

Mas se é de perder tempo que falamos, a verdade é que, 26 dias após as legislativas, nenhum elenco governativo sólido e credível se vislumbra em alternativa ao que hoje foi empossado.

No PS - que recolheu menos de um terço dos votos expressos - persistem as vozes contrárias à realização de um acordo com os sectores mais extremistas da esquerda.

"Seria bom que alguns actuais deputados do Partido Socialista que andam por aí levianamente a proferir barbaridades olhassem com mais rigor para a história do partido que conjunturalmente representam", escreve sem rodeios o eurodeputado Francisco Assis, que já liderou a bancada socialista em São Bento. O deputado Eurico Brilhante Dias não tem dúvidas: "O PS devia ir para a oposição", até porque "um acordo à esquerda nunca foi apresentado" como hipótese perante os eleitores. António Galamba, ex-membro do Secretariado Nacional e ex-director do jornal Acção Socialista, compara um putativo acordo de legislatura PS/BE/PCP/PEV a uma "parceria público-privada".

Por bandas do PCP, a reserva mental é ainda mais notória. Jerónimo de Sousa reivindica o direito de votar medida a medida todas as iniciativas legislativas de um eventual executivo do PS, consoante a avaliação conjuntural do mérito de cada uma feita pelo Comité Central. E traça desde logo linhas de fronteira: os comunistas são radicalmente contra o Tratado Orçamental, manifestam-se na rua contra a participação de Portugal na Aliança Atlântica e nem querem ouvir falar em limites ao endividamento do Estado.

Tudo isto enquanto duram as "negociações" com o PS. Descritas pelo Avante! desta forma esclarecedora: "Prosseguem reuniões para exame de possibilidades de soluções políticas, num quadro de compreensíveis e previsíveis dificuldades."

 

Em Janeiro, na estreia da esquerda radical grega à frente do Governo de Atenas, Alexis Tsipras selou em 24 horas um  acordo de coligação com a direita nacionalista. Não perdeu tempo, o que terá bastado para lhe valer o aplauso de Catarina Martins, parceira ideológica do líder do Syriza. Por cá, quase um mês depois de contados os votos, as diversas esquerdas continuam a entender-se apenas pela negativa: correr com a direita do poder.

Falta tudo o resto. Faltam, desde logo, as traves-mestras da solução de estabilidade que Costa prometeu durante a campanha, quando ainda sonhava com a maioria absoluta. Falta o acordo sobre matérias financeiras e orçamentais entre um partido maior, que quer manter as metas globais de ajustamento orçamental, e dois partidos menores, que só desejam aumentar a despesa pública.

Um acordo que nenhum português conhece.

 

No discurso de posse do Governo, ao fim da manhã de hoje (muito melhor do que a mensagem que dirigiu ao País no dia 22), o Presidente da República sintetizou a chave do problema nesta frase: "Sem estabilidade política, Portugal tornar-se-á um país ingovernável."

É uma frase que há-de ser muito recordada e repetida nos meses mais próximos, quando as bravatas verbais de Catarina Martins começarem a dissolver-se no horizonte.

O mérito de falar com clareza

por Pedro Correia, em 30.10.15

"Obviamente", o PCP não respeita nem respeitará o Tratado Orçamental.

O suicídio político de António Costa

por Rui Rocha, em 16.10.15

O que é incrível na estratégia de Costa  é o facto de este ter colocado a decisão sobre o seu futuro político e o do PS integralmente nas mãos do PCP. Acontecerá a Costa o que Jerónimo quiser. Basta uma insistência mais ou menos subtil dos comunistas em algum dos pontos programáticos do PCP inconciliáveis com a moderação socialista e Costa esbarrará irremdiavelmente contra a parede (ou contra o Muro), com o consequente descrédito sobre a sua liderança e sobre o rumo errático do PS. Ora, neste cenário, a pergunta que fica é saber qual o desfecho que melhor serve os interesses do PCP: assumir uma linha de suporte a um governo do PS, prescindindo de alguns (muitos, na verdade) aspectos mais vincados do seu programa com o consequente esbatimento da percepção pelos eleitores do seu espaço político natural das diferenças face ao PS, ou aproveitar o momento para puxar o tapete a Costa, lançando os socialistas numa grave crise interna e reforçando a capitalização do descontentamento do eleitorado de esquerda?  A resposta não parece díficil de encontrar. Muito mais difícil é entender que Costa não tenha confiado aos militantes do PS a discussão interna do seu futuro político e do partido, preferindo entregar a chave da decisão ao PCP e a Jerónimo de Sousa.

Legislativas (10)

por Pedro Correia, em 16.09.15

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DEBATE ANTÓNIO COSTA-JERÓNIMO DE SOUSA

 

Portugal governado pelo Partido Comunista registaria o aumento imediato do salário mínimo nacional, que pularia para 600 euros. Haveria "um vínculo efectivo por cada posto de trabalho criado". O Estado asseguraria a "distribuição gratuita de manuais escolares ao longo de todo o processo de escolaridade obrigatória". As taxas moderadoras na saúde seriam eliminadas, o IVA e o IRS baixariam. Os trabalhadores da administração pública veriam repostos salários, subsídios e promoções automáticas. E - coisa espantosa - esse executivo vermelho trataria de "reindustrializar o País" .

Decorria o ameno frente-a-frente desta noite entre o secretário-geral do PCP e o líder do PS, na SIC Notícias - agendado só após se esgotar o habitual paleio sobre futebol. No estilo tranquilo que a tranquiliza, a jornalista Ana Lourenço perguntou a Jerónimo de Sousa: "Com que dinheiro? Íamos tirar de onde?"

Resposta pronta: "Não é tirar, é acrescentar. Não se preocupe com isso."

 

O PCP apresenta aos eleitores a quadratura do círculo: pretende reduzir drasticamente a receita pública enquanto prevê um aumento brutal da despesa do Estado. Sem apresentar contas. Haverá petróleo no Beato? Jerónimo não se preocupa com minudências: "Vamos aumentar a tributação àqueles que mais têm e mais podem."

Tão fácil como beber um copo de água. Espanta como nem sequer esse mago das finanças públicas chamado Varoufakis se lembrou disso...

 

Foi um debate tranquilo, correspondendo ao estilo da moderadora, incapaz de confundir acutilância com deselegância. Ninguém levantou a voz, ninguém discordou abertamente de ninguém, Costa e Jerónimo - ambos de gravata vermelha - convergiram sem fissuras na defesa da escola pública e nas críticas à forma como tem sido conduzida a questão do Novo Banco.

De resto, cada um falou para seu lado. E para os seus eleitores. Que em boa parte são os mesmos, divergindo apenas na quantidade e na geografia (o PS tem uma distribuição de votos bastante uniforme a nível nacional enquanto o PCP concentra a maioria dos votos na Margem Sul e largas zonas do Alentejo). Funcionários públicos no activo e pensionistas, pequenos e médios assalariados, professores (que votam em larga medida nos socialistas).

Costa, muito mais comedido nas promessas do que o seu antagonista, anunciou o "combate à precariedade laboral", o reforço das fontes de financiamento da segurança social, a redução das taxas moderadoras e o fim escalonado da sobretaxa extraordinária do IRS (metade em 2016, metade em 2017).

"Porque não revogar agora?", questionou Jerónimo, visivelmente mãos-largas.

"Eu também gostaria de dizer que eliminava tudo de uma vez. Mas para que as contas batam certo entre aquilo que aumentamos na despesa e aquilo que diminuímos na receita, o que podemos assumir é isto", retorquiu Costa, mais paciente do que noutros debates.

 

Faltava algum picante. E aconteceu enfim, a propósito da integração europeia. O líder socialista trazia sublinhado o programa eleitoral do PCP, que defende a "libertação do País da submissão ao euro" e recomenda até a "dissolução da União Europeia".

Sem euro, acentuou Costa, "os nossos salários passariam logo a valer menos 30% e as nossas dívidas - pagas em euros - passariam logo a valer mais 30%" Remoque escusado: Jerónimo teima em rejeitar a tutela alemã e apela ao ressurgimento do sentimento patriótico lusitano, virando costas a Bruxelas tal como os nossos patrícios de antanho viravam costas a Castela.

O secretário-geral do PCP pode não querer fazer contas, mas tem o mérito de falar claro. Uma aliança pós-eleitoral com o PS está rejeitada desde já: "Não íamos aceitar um ou dois lugares no Governo só para dar cobertura a uma política que não serve o País." Um discurso que se repete, imutável, há 40 anos.

Costa sorria vagamente: sabia que ganhara o debate, mas esta vitória poucos votos lhe granjeará. O eleitorado comunista é tão fixo como as teses do partido. E mais facilmente abraça o professor Marcelo na Festa do Avante! do que estende a mão ao partido que em 1975 encheu a Fonte Luminosa para combater Vasco Gonçalves e Álvaro Cunhal.

 

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FRASES

Jerónimo - «Criar mais riqueza resolve muitos problemas do desemprego em Portugal.»

Costa - «É essencial reforçar as fontes de financiamento da segurança social.»

Jerónimo - «Portugal tem direito a um desenvolvimento económico soberano.»

Costa - «Nós não queremos sair do euro.»

Legislativas (1)

por Pedro Correia, em 01.09.15

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DEBATE CATARINA MARTINS-JERÓNIMO DE SOUSA

 

Cheguei ao fim do debate desta noite na RTP informação (não valeria a pena a televisão pública tê-lo emitido em sinal aberto?) quase sem distinguir o Bloco de Esquerda do Partido Comunista. Excepto na questão do euro: o PCP faz um balanço "profundamente desastroso" da nossa integração na moeda única e o Bloco deixa claro que "a saída do euro não é a saída para a crise".

Há também um pormenor semântico, que aliás está longe de constituir novidade: ao contrário do que sucede com Catarina, Jerónimo de Sousa faz questão de iniciar sempre as frases recorrendo à primeira pessoa do plural ("a nossa análise, o nosso projecto, as nossas propostas...")

Em quase tudo o resto o secretário-geral do PCP e a porta-voz do Bloco de Esquerda não fizeram qualquer esforço em diferenciar-se neste frente-a-frente moderado pelo jornalista Vítor Gonçalves. São ambos contra as "políticas de austeridade", pretendem renegociar a dívida pública, estão prontos a rasgar o tratado orçamental e nem admitem ouvir falar de possíveis alianças pós-eleitorais com os socialistas, transformados em bombo da festa neste debate. 

"O PS sempre praticou políticas de direita", sentenciou Jerónimo, sem introduzir um átomo de alteração à prédica habitual dos comunistas, campanha após campanha. "O PS, nas questões de fundo, não se distingue da direita", sublinhou a porta-voz bloquista, de olho verde mas discurso bem vermelho.

De um lado venta, do outro chove: Bloco e PCP contentam-se em ser partidos de protesto. E como se somariam a um hipotético executivo socialista se não se dão sequer ao incómodo de juntar forças numa plataforma eleitoral comum?

Jerónimo pareceu fatigado, Catarina esteve mais fresca e exibiu palavra mais solta, chegando a conceder arguta e merecida vénia ao parceiro de debate: "O Bloco é muito devedor da luta e do combate do PCP." A dado momento um plano televisivo fixou-a a mirar com ar carinhoso para o histórico comunista: parecia uma neta a contemplar o avô.

Estes pequenos apontamentos visuais proporcionados pela indiscrição das câmaras tornam-se quase sempre os aspectos mais interessantes dos debates em que os protagonistas fazem tudo para ocultar divergências, como foi o caso. No final, outra pequena diferença: Catarina, desfavorecida nas sondagens, apelou explicitamente ao voto dos abstencionistas militantes. Jerónimo nem se deu a esse incómodo: com saber de experiência feito, ele não ignora que a batalha à esquerda do PS está antecipadamente ganha pelo PCP.

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FRASES

Catarina - «O PS, para fazer um governo de direita, precisa de um partido de esquerda? Não. Pode fazê-lo com partidos de direita. Não é para isso que cá estamos, de certeza.»

Jerónimo - «Nós defendemos a ruptura com este caminho para o desastre a que a política de direita tem conduzido o País.»

Catarina - «O PS tem um alinhamento completo com o PSD e o CDS no que é essencial.»

Jerónimo - «Temos um valioso património de trabalho unitário.»

Catarina - «As pessoas estão cansadas de uma alternância que nunca lhes trouxe alternativa.»

Jerónimo - «Ninguém é dono dos votos dos portugueses.»

"Era o que mais faltava se por indisposições de quem está no poder as pessoas não se pudessem manifestar.»

Mário Nogueira, secretário-geral da Fenprof, ex-cabeça de lista da CDU e ex-mandatário nacional de Jerónimo de Sousa

 

«São conhecidas as profundas divergências que existem entre nós mas queria aqui declarar - pois não lhe desejamos mal nenhum, antes pelo contrário - que o Presidente da República recupere a sua saúde, independentemente das nossas divergências políticas.»

Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP, falando no mesmo dia (10 de Junho)

 

1. O PCP é tradicionalmente forte ao nível autárquico. Em vários deles, nunca conheceu uma derrota desde que existem eleições autárquicas em Portugal (Almada e  Seixal, por exemplo). Isso voltou a ser comprovado no último domingo, ao ser a única força política que progrediu eleitoralmente face ao escrutínio de 2009: conquista mais seis câmaras (incluindo Évora, Beja, Loures e Grândola) no balanço de ganhos e perdas, e obtém mais 13.600 votos, subindo 2,5%. Falta saber se esta dinâmica vitoriosa que permitiu aos comunistas recuperar algumas das suas praças-fortes terá prolongamento nas próximas legislativas de modo a permitir-lhes voltar a ser a terceira maior força política no Parlamento -- necessitando, para o efeito, de ultrapassar o CDS.

Primeiro desafio: como transportar a dinâmica das autárquicas para as legislativas?

 

2. Só em duas eleições com carácter nacional, em 1975 e 1976, o PCP se apresentou isoladamente nos boletins de voto com o seu símbolo da foice do martelo. De então para cá, optou por concorrer sob uma suposta sigla "unitária", que já foi FEPU, depois APU e há cerca de 30 anos se chama CDU. No fundo, é uma coligação do PCP consigo próprio: os Verdes não têm existência política autónoma e a chamada Intervenção Democrática é tão fantasmagórica que nem sequer possui página na Internet (está há anos "em obras"). Em eleições futuras, o PCP terá de confrontar-se com este repto: ou aproxima-se de forças políticas com existência real ou nega coligar-se com elas, como agora aconteceu no Funchal, quando recusou alinhar com o PS e o BE na formação de uma frente anti-Jardim.

Segundo desafio: prosseguir com a CDU ou abrir-se a verdadeiras coligações à esquerda?

 

3. O aparecimento do Bloco de Esquerda, em 1999, veio acentuar o dilema dos comunistas no relacionamento com as restantes forças anticapitalistas: o PCP deve ou não alcançar plataformas com os bloquistas? É um dilema muito semelhante ao que enfrenta o duro Partido Comunista da Grécia ou a Esquerda Unida espanhola. A convergência com o Bloco é incipiente, não ultrapassando algumas iniciativas no âmbito parlamentar. Ainda agora, nas autárquicas, comunistas e bloquistas não convergiram numa só lista eleitoral em qualquer dos 308 municípios do País, o que demonstra bem os limites do "frentismo" do PCP. No plano nacional, esta intransigência por vezes paga-se cara.

Terceiro desafio: haverá abertura do PCP a plataformas políticas que incluam o Bloco?

 

4. Há forças de esquerda na Europa, como  Die Linke, que agrega os ex-comunistas da RDA, que se contentam em ser mera voz de protesto. No entanto existem outras, como a Syriza grega, que ambicionam chegar ao poder. E já estiveram perto de o conseguir, como noutras décadas ia sucedendo com os partidos comunistas italiano e francês. O PCP nunca exerceu responsabilidades governativas a nível nacional no actual quadro constitucional, preferindo ver o PS coligar-se com a direita ou governar em minoria. Foi isso que sucedeu, uma vez mais, em 2009: recusou somar-se à formação de um executivo liderado pelo PS mas mais tarde juntou-se à direita para o derrubar. Os portugueses contam com ele como força de protesto, mas não como partido de governo.

Quarto desafio: quererá o PCP continuar a ser apenas uma força de protesto?

 

5. Jerónimo de Sousa é um dirigente dotado com um carisma muito próprio, genuinamente popular, e que soube imprimir um toque pessoal ao forte colectivo comunista após a longa liderança de Álvaro Cunhal e a atribulada transição protagonizada por Carlos Carvalhas. No grupo parlamentar, o PCP tem-se renovado mais do que qualquer outra força política, mas o seu núcleo dirigente ainda é o que trabalhou de perto com Cunhal e as mulheres continuam subrepresentadas tanto nos órgãos autárquicos como no Comité Central. Aliás, ainda não é desta que vemos uma mulher à frente da bancada parlamentar vermelha. Falta, portanto, levar mais longe a renovação. Que não pode ser só geracional. Talvez já com vista à sucessão do próprio Jerónimo, deputado desde a Assembleia Constituinte.

Quinto desafio: como preparar o ciclo posterior ao do actual secretário-geral do PCP?


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