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Grilos e companhia – 2

por João Carvalho, em 26.09.09

 

Eis a casinha referida aqui, vista da rua, mais a relva, os ibiscos e a árvore, vistos do alpendre para fora.

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Reflexão sem palavras

por João Carvalho, em 26.09.09

Apresentação de diapositivos

 

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Grilos e companhia

por João Carvalho, em 26.09.09

 

Setembro, ilha Terceira. Arredores de Angra do Heroísmo, uma casinha no centro de um belo relvado torneado por uma sebe de ibiscos sem muros acima de meio metro e uma árvore de copa ampla do lado de dentro. A zona é de vivendas ajardinadas: nem prédios, nem comércio, nem sequer o café da esquina. A rua é larga, mas não tem saída: termina ao fundo rematada pelas últimas casas, bonitas, a recusar definitivamente qualquer acesso que alterasse a lentidão da vida. A tranquilidade do lugar durante o dia ganha contornos de retiro espiritual durante a noite. Ficam os grilos a celebrar o Outono. Até ao nascer do sol, são famílias e famílias de grilos em tertúlias comunitárias como já nem me lembro de ouvir desde aqueles Setembros de garoto passados na quinta, quando o regresso às aulas ainda era na segunda semana de Outubro e quando os grilos ainda não tinham sido corridos para longe das urbes pelo betão.

Os dálmatas são cães muito apreciados por sua belezaA fazer companhia aos grilos, de quando em quando, surgem fugazes os cães. Começa o jovem dálmata irrequieto aqui do lado a treinar a voz e logo, acolá e além, juntam-se mais uns quantos a ladrar. Só por minutos.

Aí por volta das 4 da madrugada acorda a passarada em cantoria pegada. Os melros pretos de bico amarelo costumam estar em maioria. Chegam os estorninhos e a pardalada toda. Mesmo onde há apenas uma árvore, há concerto certo. Por vezes, nem as árvores fazem falta: aterram na relva em redor da casa e deixam-se ficar sem cerimónias e sem pressas. Ficam entretidos a saltitar sobre as minhocas e bichos-de-conta que se escondem no manto verde, enquanto esperam pela hora das migalhas que sobram do pequeno-almoço.

O mais estranho, contudo, é o galo. O galo, senhores, canta lá longe à meia-noite! Diariamente, sem falhar, dá a meia-noite e o galo põe-se a cantar! Que diabo! Nunca antes ouvi um galo que cantasse à meia-noite!

Pus-me a reflectir e tirei as minhas conclusões. Em terra de tanta emigração, a coisa explica-se. O galo foi trazido do Canadá ou dos Estados Unidos por algum emigrante torna-viagem. Só pode ser. Digam o que disserem, tenho cá para mim que é isso mesmo. Aquele galo é estrangeiro e ainda está com problemas de jet-lag. O bicho desata a cantar à meia-noite? Qual quê?! Meia-noite para nós, porque o raio do galo ainda anda baralhado com os fusos horários…

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