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O regresso da ideologia

por Paulo Sousa, em 24.09.20

A chegada da IL ao hemiciclo permitiu o regresso do saudável e saudoso debate ideológico ao espaço público.

Durante demasiado tempo, sempre que dois políticos se encontravam à frente das câmaras de uma televisão discutiam apenas a espuma do dia. Fora disso, o melhor que conseguiam era garantir que conseguiriam vedar as sempre incontinentes contas públicas, o que nunca foi mais de que uma redonda mentira.

Como já foi aqui referido pelo nosso colega José Meireles Graça, há poucos dias na SIC Notícias debateu-se a proposta da IL para a adopção de uma taxa única de IRS. Além da proposta em si havia como pano de fundo as declarações proferidas pelo Dr. Anacleto no seu programa da SIC. O deputado da IL, João Cotrim Figueiredo, acusou-o nas redes sociais de ter mentido e deturpado o conteúdo da proposta de flat rate. Esse foi o tema de arranque do debate. No decorrer da troca de argumentos o deputado bloquista enredou-se nas suas fintas semânticas e, provavelmente sem dar por isso, confirmou a mentira do seu chefe. Nada de novo para um conselheiro do Estado Português.

Olhando com atenção, dá para apreciar ainda a forma como o jovem delfim de Louçã afirma que esta proposta não é esta proposta, porque 'eu é que sei bem o que lhe vai na alma'. Esta é uma técnica que consiste na recusa do debate e avança para o julgamento moral. É populismo mas do bom. Se fosse usado pela direita seria asqueroso.

Eu, que gosto de enquadramentos históricos, gostaria de lembrar ao mano mais novo do Daniel Oliveira (aquele que faz rir) que nesta conversa ele assumiu a defesa da situação, ou seja, a defesa de um sistema fiscal que lhe permita (sem óculos escuros ele não consegue esconder a chispa) acabar com os ricos, mas que na prática nos empobrece a todos.

Já aqui referi que os partidos da esquerda unidos à volta do OE, constituem as forças conservadoras da actualidade. O BE e o PCP, os acólitos do PS, são tão coerentes como um apenas um revolucionário conservador poderá ser. Admito que tenham consciência do ridiculo, mas não conseguem resistir a uns biscoitos de reforço positivo.

Os irrecuperáveis vinte anos de estagnação económica, que marcarão estes anos da nossa vida, estão ligados a este modo de esmifrar a riqueza produzida pelos portugueses.

Li não sei onde que o debate político deverá trazer sempre à liça o passado, o presente e o futuro. Estes três diferentes tempos não deverão ter sempre o mesmo peso nas decisões, mas nenhum deverá ser humilhado. Os socialistas que há décadas nos governam são uns amantes obsessivos do presente. Eles desprezam o passado e odeiam o futuro. De facto, eles são os inimigos do futuro. Para os socialistas, em troca do poder imediato não existe nenhuma questão de princípio que não seja negociável. Manter o poder é a sua ideologia. É o seu alfa e o omega. Por ele, tudo.

Oiçam este tipo

por Paulo Sousa, em 11.03.20

Ao ouvir esta excelente intervenção do Carlos Guimarães Pinto no âmbito das Convenções do Movimento Europa e Liberdade, lembrei-me da Escola da Minha Terra, de que já aqui vos falei, e das voltas que foram dadas até ser necessário o seu alargamento.
O caso que ele relata é de maior gravidade e por isso deveria causar mais vergonha aos nossos governantes. Mas isso só seria possível se a tivessem.
Recomendo que oiçam todo o discurso, mas este é o excerto em que CGP fala da escola da terra dele.

 

A importância dos pequenos partidos.

por Catarina Duarte, em 09.12.19

Julgo que falo por todos, quando digo que estamos cansados do mesmo poder político de sempre, aquele que gira sempre entre as mesmas duas grandes forças, que faz deambular sempre os mesmos rabos que circulam sempre entre as mesmas cadeiras, sempre vestidos nos mesmos fatos cinzentos, sempre o mesmo cinzento, sempre os mesmos.

Parece-me que posso arriscar mais um pouco e dizer que estamos todos fartos das mesmas políticas e politiquices, dos cargos que se criam para dar lugar a mais um tio, das inaugurações que se fazem quando a obra ainda não começou e dos impostos que se baixam para aumentar outros, aqueles mais escondidos, aqueles que nos criam a ilusão de estarmos com mais dinheiro no bolso quando, na verdade, estamos apenas perante uma das maiores cargas fiscais de sempre.

Ora ligeiramente mais para a direita, ora mais a cair para a esquerda, a verdade é que está tudo minado de jogos e jogatanas feitos por quem está dentro do circuito há muitos, muitos anos, e tem a habilidade de tornar sempre tudo meio transparente aos olhos daqueles que pagam e não piam e que, em óptimo rigor, somos todos nós.

Ainda muito antes de ler este texto, cuja leitura recomendo, já era da opinião que hoje partilho: é muito bom haver outros partidos com assento parlamentar. À esquerda, à direita, ao centro, não interessa onde. Quanto mais diversificada for a bancada, melhor: mais conversa e mais debate. O que interessa é que estes partidos vêm mexer no sistema, agitar as águas, levantar as lebres e, talvez mais importante, enervar os mesmos de sempre, os que estão completamente acomodados ao cargo, com a cadeira já completamente moldada ao formato do rabo que nela se senta.

Vêm, finalmente, fazer uma oposição diferente, que toca na ferida e que deixa, os partidos de poder, desconfortáveis. Sempre soube qual era a razão pela qual as contribuições sociais pagas pela empresa não aparecem nos recibos de vencimento mas agora está lá alguém a perguntar, a questionar e a deixar todos meio incomodados com uma pergunta tão simples. Porque, na verdade, não há uma boa razão para não constar esta informação nos recibos.

Ideologias à parte, devíamos ser todos pelo dever da informação e da transparência e isto que a Iniciativa Liberal propõe, não é mais do que deixar preto no branco uma parte do que as empresas pagam por terem trabalhadores (porque faltam outras).

Podemos até não ter votado Iniciativa Liberal, Chega ou Livre mas não podemos acreditar que, com a entrada deles, vai ficar tudo na mesma. Porque não vai. E ainda bem.

Gato escondido

por José Meireles Graça, em 04.12.19

A contribuição obrigatória das entidades patronais para a Segurança Social é de 23,75% sobre a parte dos salários dos trabalhadores que conta para efeitos de reforma (o subsídio de alimentação, por exemplo, não conta). Toda a gente não sabe isto.

E como não sabe a Iniciativa Liberal quer que saiba, tornando obrigatória a menção do valor do encargo no recibo de vencimento.

Repare-se: não há qualquer alteração de direitos ou deveres, nem de valores; apenas a informação que o recibo disponibiliza clarifica um pouco mais o custo do trabalhador para a empresa.

Um pouco mais, não tudo. Porque seguros contra acidentes de trabalho, ou encargos com a medicina de trabalho, ou formação profissional, por exemplo, ou em certos casos transporte do e para o local de trabalho, também não constam.

Tenho visto reacções extraordinárias a esta iniciativa: que não vale a pena porque os trabalhadores já sabem isto, e quando não sabem pouco lhes interessa, o que conta é o salário líquido e o resto é treta; que não se percebe bem em que lugar no recibo vai figurar o encargo, dado que, se figurar na coluna de descontos, não poderá ser somado, e nem ser aliás verdadeiramente um desconto; que as empresas já podem, se quiserem, fazer constar essa informação. Não o fazem porque são preguiçosas ou nisso não vêem utilidade; e que a alteração vai originar custos escusados.

Por partes:

Não há inquéritos sobre o que os trabalhadores sabem ou deixam de saber na matéria. O que há são palpites, e ofereço o meu, baseado numa longa experiência a lidar com trabalhadores: a maioria esmagadora NÃO SABE quanto custa à empresa. Não é provável que, de posse dessa informação, surja uma substancial modificação de atitudes. Mas é provável que a ignorância sirva algum interesse inconfessado – senão, não teria defensores;

O lugar em que no recibo figurará a informação não tem importância, desde que lá esteja o valor e explicação do que quer dizer. Tenho a minha ideia sobre o arranjo gráfico, que não explico porque já percebi que até esta insignificância é controversa;

As empresas não fazem essa modificação porque compram pacotes de software certificado pela AT, que é o único que podem, se tiverem juízo, usar. E não exigem a alteração porque as autoridades, tanto tributárias como de condições de trabalho, estão inçadas de esquerdistas e burocratas empedernidos, uns e outros protegidos pela inimputabilidade. Se levantarem um auto abusivo, os custos para demonstrar a sem-razão são incomportáveis. Um empresário faz, entre outras coisas, avaliações de custo/benefício: desafiar o Estado, o mais das vezes, não compensa, e o serviço público ofendido pode desencadear uma vendetta.

Quanto aos custos, a alteração implica-os, mesmo sendo, como é, simples. Para os evitar, basta remeter para actualizações de software que todos os anos são necessárias porque todos os Orçamentos do Estado implicam alterações. Logo, trata-se de um não-problema. Claro que num país normal o regime fiscal, as obrigações declarativas e as normas contabilísticas seriam estáveis. Mas não vivemos num país normal, há demasiados serviços do Estado que interferem na vida das empresas, demasiada gente que ganha o pão a infernizar-lhes a vida, e demasiado eleitor que julga que nunca fundou, ou dirige, empresas, porque o destino não lhe deu oportunidade de pôr em prática os inegáveis méritos com que a Providência o dotou. Daí que não poucas pessoas, e em particular os especialistas em economia e gestão, saibam perfeitamente o que seria o patrão e gestor ideal, em vez dos que existem: eles próprios, se se desse o caso justíssimo de não serem trabalhadores por conta de outrem, professores ou funcionários.

Pergunta-se: É útil que o trabalhador saiba quanto custa realmente ao patrão? E é precisa uma lei da Assembleia da República para alterar o modelo de um papel? A resposta às duas perguntas é sim, porquanto:

A cultura de esquerda que existe há mais de quarenta anos no país faz com que haja a generalizada suspeita de que o empresário é inculto, inepto, desorganizado, evasor fiscal salvo prova em contrário, avesso à inovação e criatividade, e voraz na distribuição dos resultados, dos quais se apropria leoninamente. Provas: a sua formação académica é no geral inferior à mediana dos trabalhadores que emprega, os salários são mais baixos até mesmo que os da Espanha, que está aqui ao lado, são raras as indústrias de grande dimensão e mais ainda as de ponta, e todo o especialista em gestão, todo o consultor, todo o economista, todo o banqueiro (bancário, na realidade, que banqueiros já não há), e até mesmo todo o magistrado da opinião, incluindo os de direita, concorda: para o país ter o nível da Dinamarca seria preciso trocar os empresários portugueses por dinamarqueses. Este discurso é simplesmente cretino, mas não é aqui o lugar nem o momento para o desmontar. O que importa reter é isto: os gestores e economistas, dos quais as universidades despejam centenas no mercado todos os anos, bem deviam melhorar, pelo exemplo do empreendedorismo e sucesso, a qualidade do empresariado analfabeto; e o trabalhador não fica seguramente pior por estar mais bem informado.

A Iniciativa Liberal, ao propor uma lei para regular um detalhe de um papel, está a suprir uma falha da Autoridade Tributária: um dos sucessivos socialistas que tem passado  pela secretaria de Estado dos Assuntos Fiscais (não menos socialistas quando foram do PSD ou do CDS) bem poderia ter resolvido o assunto por despacho, ou fazê-lo passar de contrabando numa qualquer lei do Orçamento. Não o fizeram porquê?

Porque pode o trabalhador, no futuro, perguntar a si mesmo: porra, 34,75% do salário é para garantir a merda da reforma, a merda do subsídio de desemprego, e a baixa por doença. E ao raio do patrão, já que paga e não bufa, tanto faz pagar ao Estado como a mim. Ora, eu bem poderia, se tivesse uma palavra a dizer, alocar esse dinheiro de outra forma.

Trabalhadores a reflectir é coisa que os socialistas nunca quiseram: é muito mais fácil designar-lhes um inimigo, que é o patrão.

Daí que a proposta da IL vá, creio, ser derrotada: terá o apoio do Chega! até ao PSD; e poderia talvez ter também do PS se este não precisasse de agradar à comunistada – a maioria dos socialistas achará provavelmente que papel assim ou assado é tudo igual ao litro. Mas não vale a pena ofender aqueles de quem precisa para se manter.

E os trabalhadores, como é que ficam? Ficam como estavam: interessados na carreira de Jorge Jesus.

Já andam nisto

por Pedro Correia, em 25.11.19

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Os novos partidos apareceram em colisão declarada com a "velha política" posta em prática pelos partidos antigos. Prometendo fazer diferente.

O que fazem eles para aproximar os cidadãos das instituições? Mais do mesmo: andam entretidos em tricas intestinas, em microscópicos duelos por migalhas do poder interno, esquecidos dos cidadãos em nome dos quais ainda falam.

 

A Iniciativa Liberal, fundada há menos de dois anos, já vai a caminho do terceiro presidente. O primeiro, Miguel Ferreira da Silva, demitiu-se em Agosto de 2018 por causa de uma micropolémica endogâmica a que mais ninguém deu a menor importância: permaneceu seis meses em funções. O segundo, Carlos Guimarães Pinto, esteve à frente da IL durante cerca de um ano: celebrou a eleição de um deputado (que não era ele) e logo a seguir bateu com a porta, alegando o «enorme custo pessoal» que a política implica, como se isso constituísse novidade.

 

O Livre, que tem um fundador que não lidera e uma «direcção colegial de quinze pessoas» que ninguém conhece, anda já mergulhado em guerra civil, menos de dois meses após ter eleito a primeira - e única - deputada. Isto a propósito de alguma questão premente em Portugal? Não: andam por lá todos às turras devido a um voto de protesto «contra a nova agressão israelita a Gaza». A deputada, fazendo jus ao nome do partido, solta o grito do Ipiranga: «Fui eu que ganhei as eleições sozinha». E prepara-se para mandar os controleiros internos às urtigas, estragando a festa do sexto aniversário da infantil agremiação.

 

Já andam nisto, uns e outros. Tudo novo, mas tudo tão velho afinal...

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Um meu antigo colega de turma, que cumpriu relevantes funções políticas, referia ontem, no seu mural de FB, a enorme e continuada redução de votantes nas eleições destes últimos 20 anos, apelando a um estudo sociológico do fenómeno - algo que vá para além do mero opinar. Logo alguns dos seus comentadores referiram a falta de atenção mediática sobre a política (o que é factualmente falso) ou a escassez da "oferta" de alternativas políticas (algo rebatível pela proliferação de partidos).

Eu não tenho quaisquer contributos interpretativos que vão para além da minha "história de vida", a de alguém medianamente informado e algo democrata. Avanço-a: um tipo tenta escolher e participar, votando nas propostas que não se afastem do seu quadro intelectual. Às vezes vota nos grandes partidos (antes ditos "arco do poder"), ainda que estafado com as suas derivas patrimonialistas e mesmo cleptocráticas, portanto anti-institucionalistas (e assim anti-democráticas): a "bpnização" do PSD; a "socratização" agora "litiozação" do PS; a impunidade autárquica (lembrai-vos dos cerca de 50 mortos numa enxurrada no desvairado Funchal jardinesco, das décadas do 2M de Braga, por exemplos?).

Outras vezes um tipo irrita-se com o "fartar vilanagem", por isso é dito "populista" pelos amigos mais dados às redes sociais, ou "ressentido"/"ressabiado"/"invejoso" pelos actuais cultores do pensamento bolchevique (que entendeu o "dissidente" como psicótico). E vai à procura, entre a tal "oferta", de alternativas. Se dado a ecologias, e mesmo que encolhendo os ombros, é capaz de botar PAN, mas depois percebe o só que aquilo é. Mas a vida corre e mais tarde vê estes novos liberais, com alguma pertinência discursiva, e bota IL, e gosta de uma nova linha eleita.

Depois, logo logo depois, vê este LP optar por começar a exposição pública da sua nova condição parlamentar no puro entretenimento, até clamando amores pela "namorada de Portugal" (de facto "divorcée de Portugal"). E resmunga, se é para isto antes venha uma "caldeirada de peixe", com mais ou menos galambas no tempero. Amaldiçoa o voto que deu à tal Iniciativa Liberal, que com isto mostra já o "poucochinho" a que vem, afinal apenas mais do mesmo, só um "aparelhista" bem-posto. Nada de novo sob este (medíocre) Sol.

E com este cardápio, mais tarde ou mais cedo, mais cedo do que mais tarde, abstém-se. Depois haverá quem o faça objecto de estudo, membro do "universo abstencionista" ...

Após as eleições legislativas do passado dia 6, fomos confrontados com algumas novidades, das quais destaco os novos partidos que pela primeira vez elegeram deputados. Falo do Chega, do Livre e o do IL.

A representação de cada um deles no hemiciclo de São Bento é limitada mas cada um representa novas e diferentes abordagens da realidade, com que naturalmente iremos ser confrontados.

Estes três partidos têm características em comum e outras que os distingue. Cada qual à sua maneira representam duas visões do mundo.

Num dos lados desse mundo estão aqueles que acreditam que uma pessoa vale pelo que é, pela forma com que enfrenta o mundo, pela forma como se relaciona com os demais, pela capacidade de dar e pelo que aceita em troca disso. Acham também que cada ser humano tem um potencial de acrescentar coisas boas ao mundo e por isso deve ser tido em consideração pela pessoa que é. Lidar com um desconhecido de acordo com esta abordagem é exigente e trabalhoso. Mais fácil seria classifica-lo pelo grupo em que o poderíamos encaixar. E essa é a abordagem alternativa. Essa é a abordagem que classifica o indivíduo de acordo com uma caracterização pré-definida e que dessa forma lhe rouba a individualidade. No fundo é uma abordagem preconceituosa, e o preconceito é um atalho de raciocínio que simplifica e poupa o esforço necessário à avaliação e ao conhecimento do outro. Tem um elevado potencial de criar erros de avaliação e por isso de impedir a realização pessoal das vítimas destas avaliações errôneas. No momento seguinte é a sociedade que fica a perder pela ausência do benefício que as vítimas destes preconceitos poderiam acrescentar aos seus pares.

Esta segunda forma de estar na vida, e também na política, é preguiçosa, é injusta e racista.

Para o Chega e para o Livre o indivíduo é menor que o grupo a que pertence e por isso não deve ser avaliado pelo que é. Um e outro dizem representar grupos em contraponto com outros grupos de uma forma em que é difícil encontrar pontes de entendimento.

Pelo contrário o IL, e o liberalismo que representa, defende que acima de tudo está o indivíduo. Avaliar o indivíduo pelo grupo a que pertence é redutor do seu potencial e isso não deve ser o motivo para que as portas do elevador social lhe sejam fechadas.

Não é o estado que deve reconhecer direitos ao indivíduo, mas sim o indivíduo que deve definir os limites do estado. O estado não é a concretização da liberdade pois o inverso é o que deve acontecer.

Após anos e anos em que a política esteve refém da economia, parece que finalmente o debate ideológico regressou à Assembleia da República. Os debates de quinta-feira vão ser mais interessantes e são bem vindos.

Enfim, um deputado liberal

por Pedro Correia, em 08.10.19

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Está de parabéns o Carlos Guimarães Pinto. Não foi eleito deputado mas viu a sua Iniciativa Liberal chegar à Assembleia da República logo à primeira tentativa, com um representante por Lisboa. Portugal era até agora o único país europeu sem uma força assumidamente liberal no seu parlamento. Esta lacuna acaba de ser preenchida. Apesar de a IL ter sido ignorada pela generalidade dos órgãos de comunicação social durante a campanha - designadamente pelas televisões, que voltaram a mostrar-se incapazes de seguir novos trilhos informativos, apostando sempre e só nos consagrados.

Tenho grande apreço pelo Carlos, que já escreveu como convidado especial no DELITO DE OPINIÃO e teve a amabilidade de ajudar a promover o nosso livro. Daqui lhe mando um forte e merecido abraço.

O dia da metadona

por Paulo Sousa, em 24.09.19

A entrada do estado na esfera individual no nosso país é uma tendência ainda em crescimento mas que um dia terá de ser travada.

A invasão começou sem esse propósito e era então justificada pela vontade de limitar as assimetrias sociais que existiam em proporções diferentes entre as regiões do país. O aumento dos impostos foi vestido com um fatinho domingueiro de forma a acrescentar ao estado a responsabilidade de tratar dos pobres e desvalidos. Quem é que de boa consciência humanista poderia questionar tal propósito?

A esquerda, à falta de operários, adoptou os pobres e fez-se dona da assistência social, e passou a classificar as ajudas organizadas pela Igreja como caridadezinha, como se quem recebesse ajuda se preocupasse de onde ela vem.

Até um certo ponto tudo funcionou dentro do benevolente espírito inicial, mas ano após ano as garantias dadas a todos e a cada um foram sendo alargadas. Era preciso ser-se criativo e fazia sentido alargar a caridade pública ao ritmo da frequência das eleições. Pouco a pouco chegou-se a pontos em que os encargos (e regulamentos) a quem cria riqueza e a quem cumpre horários, e dessa maneira alimenta financeiramente o sistema, eram tais que deixou de compensar correr riscos e a ser a pontual, e passou a ser mais racional mudar da coluna dos que contribuem para a dos que recebem. Alguns passaram a ser exclusivamente contribuintes e outros exclusivamente beneficiários.

Ao longo dos anos os exclusivamente beneficiários tem aumentado significativamente. No nosso país mais de 50% da população aufere de transferências directas do estado.

À minha volta isso demorou a ser notório, ou então fui eu que demorei a reparar. Sabia que no interior do país, num mundo social e economicamente deprimido, era o estado que ia mantendo a permanência de pessoas. Sabía que no interior havia menos empresas e negócios e por isso o peso do estado era superior ao das zonas mais dinâmicas. Câmaras e Juntas eram ali os principais empregadores. Aqui no centro do país e perto da costa, graças às cerâmicas, fábricas de moldes e outras industrias, tudo era diferente.

Ano após ano a relação de dependência ao estado foi-se aprofundando. Os políticos para sobreviver precisam de se mostrar agradáveis e os cidadãos reagem positivamente a estímulos positivos. Esta simbiose manteve-se mesmo quando o ponto de equilíbrio foi ultrapassado, e no caso português já foi ultrapassado tantas quantas vezes falimos nos últimos 40 anos.

Tudo isto já era para mim um facto, mas no passado dia 10 voltei a aperceber-me da dimensão da coisa. E é nesse dia que são pagas as pensões e, por isso, é também nesse dia que a economia local acelera com a nova injeção de liquidez. No dia 10 os balcões bancários estão apinhados de gente desde a abertura até ao final do expediente. O quadro de pessoal não pode tolerar folgas e, mesmo assim, as filas chegam à porta. Neste dia, por mim batizado pelo dia da metadona, não se pode ir ao banco por outro motivo que não seja ir levantar a reforma. De inverno chegam a tremer de frio, tal como tremem os drogados na fila da metadona.

Numa segunda linha de efeito é o comércio local que acelera para fornecer os bens essenciais a um ritmo que só voltará a fornecer no mês seguinte. Talvez em Lisboa e nos grandes meios urbanos seja menos notório mas não será muito diferente.

Isto é real, silencioso e é uma forma de pobreza. Nos telejornais despejam-se baldadas de alegria pelo crescimento PIB mas o país continua refém de um estado omnipresente que tudo quer controlar e taxar, para poder engordar e as sobras distribuir. Quem recebe, tal como antigamente, sabe que não pode morder a mão de quem o alimenta e, sem dar conta, continua a trocar dignidade por côdeas. Ao fim e ao cabo os vizinhos, primos e enteados também recebem e isso alivia o eventual ónus da desconsideração social. Soube há dias que ter um filho com astigmatismo visual dá direito a subsídio. Mas recebê-lo não dá estigma social aos seus pais. Se o filho da vizinha recebe, porque é que eu não tenho direito?

Será possível interromper este ciclo?

As mudanças que resultaram do dinheiro descarregado na economia após adesão à UE não alteraram a relação do cidadão com o estado. Antes não se podia afrontar porque fazia doer, e agora porque dá de comer. A subserviência mantém-se.

A liberdade é uma música que põem a tocar no 25 de Abril, mas se antes não existia, agora está refém dos donos do regime.

A liberdade de escolha não está interiorizada no modo de agir dos portugueses. Tal como a sobrecarga que se colocava nos selos quando se mudava de regime, e ainda não se tinha tido tempo de fazer uma nova emissão, a liberdade ainda se esgota num carimbo da Constituição.

Quando é a maioria que decide, mais de 50% dos eleitores escolherá sempre de forma a que as transferências directas de que aufere não sejam interrompidas. O benefício imediato é um apelo lógico de quem quer maximizar o seu bem-estar. Arriscar as formulas que criaram riqueza noutras paragens é demasiado diferente, e os portugueses arrojados partiram de caravela há muito e nunca mais regressaram.

De que forma se poderá interromper esta trajectória? Será mesmo este o nosso fado?

Nas próximas eleições só não votarei Iniciativa Liberal porque o nosso sistema eleitoral foi feito para complicar a vida às ideias diferentes. Espero sinceramente que consigam eleger pelo menos um deputado num dos círculos eleitorais mais populosos onde há mais opções eleitorais. O nosso sistema eleitoral precisa de ser revisto. Portalegre, por exemplo, elege dois deputados. Que opções têm os seus eleitores? A nossa democracia é diferente por isso em Portalegre, em Leiria e em Lisboa. Não duvido que se aos actuais círculos eleitorais fosse acrescentado um circulo nacional a abstenção diminuiria.

Independentemente dos resultados que venha a conseguir, a Iniciativa Liberal tem o mérito de apresentar um alternativa ideológica ao marasmo do socialismo que nos governa desde 1974. Sem o dinheiro da UE seríamos hoje uma Venezuela sem petróleo.

No dia em que deixar de haver dinheiro, favores, cargos e prebendas para distribuir regime cairá. Será possível reforma-lo antes disso?

Europeias (11)

por Pedro Correia, em 20.05.19

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INICIATIVA LIBERAL: TRÊS PROPOSTAS

 

  • Incentivo à mobilidade laboral: cada europeu deve aceder ao mercado de trabalho fora do seu país de origem, sem burocracias.
  • Adopção de um sistema de equivalência total entre níveis de escolaridade nos Estados membros, facilitando o intercâmbio estudantil.
  • Defesa intransigente da retirada do Estado de todas as actividades que possam ser desenvolvidas com vantagem por um mercado concorrencial.

 

Do programa eleitoral, Liberdade, Tolerância e Prosperidade


O nosso livro



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