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Ser saloio

por Diogo Noivo, em 08.07.19

Em miúdo sempre me fez confusão ouvir o meu pai dizer que era saloio. Ainda para mais porque o dizia com algum orgulho. Referia-se, percebi anos mais tarde, ao facto de ser natural de Santa Iria da Azóia. Recordei o significado benigno da palavra a propósito de um texto que Ferreira Fernandes publicou hoje no Diário de Notícias.

Comecemos pelo princípio. A historiadora Maria de Fátima Bonifácio publicou um artigo de opinião com laivos de racismo no jornal Público este fim-de-semana. Igualmente grave, pelo menos na óptica de um espaço de opinião, escreveu um texto cujos argumentos são francamente débeis e desadequados para sustentar uma opinião perfeitamente atendível – a saber, a oposição à criação de quotas para minorias étnicas. Não gostei do texto. Não o subscrevo.

Hoje, no Diário de Notícias, Ferreira Fernandes enfatiza o racismo do texto de Bonifácio. Mais, Ferreira Fernandes recorre ao seu percurso de vida para evidenciar a fragilidade dos argumentos da historiadora. Defende, contudo, o jornal onde a opinião foi publicada, lembrando os leitores que sem o Público seríamos “uns saloios”. Avocando a minha costela saloia, é aqui que a porca torce o rabo.

Não me custa nada admitir que a leitura do Público foi parte importante dos meus anos formativos. Acontece, porém, que o Público dos meus tempos de faculdade desapareceu. A secção de Internacional forte, bem informada e bem escrita mirrou, desinformou-se e é actualmente quase um pro forma nas páginas do jornal. As ‘causas’ e o cosmopolitismo do Público, que sempre apreciei, sustinham-se em argumentos, mas hoje sustêm-se em militância. São opções legítimas, mas é um jornal diferente, mais saloio.

Porventura a maior prova dessa diferença é o editorial assinado por Manuel Carvalho. Além de demonstrar arrependimento pela publicação do artigo de Maria de Fátima Bonifácio, Carvalho afirma que “as reacções e episódios associados a esta polémica obrigam-nos a reforçar os critérios de exigência e selectividade”. E aqui reside o verdadeiro problema. Os arrependimentos são legítimos – que atire a primeira pedra quem não os tem –, mas subordinar o rumo do jornal a “reacções” e “episódios” não se coaduna com um periódico que pretende converter saloios em gente informada. É navegação de cabotagem.

Gosto de Manuel Carvalho e ainda mais de Ferreira Fernandes. E de Maria de Fátima Bonifácio também. Leio-os sempre, mesmo quando discordo do que defendem – o que acontece com alguma frequência. Jamais em circunstância alguma, mesmo perante textos escabrosos e tontos, apoiarei qualquer tentativa de censura, sobretudo se fundada em “reacções” e em “episódios”. Penso desta forma por várias razões, entre as quais ter lido o Público nos meus anos de faculdade. Mas esse Público desapareceu e esta polémica com Maria de Fátima Bonifácio é prova disso. O meu pai é saloio, eu tenho uma costela saloia, não nos livramos disso.  O Público é saloio por opção.

 

ADENDA: muito recomendável a leitura do ‘postal’ do José Pimentel Teixeira aqui, no DELITO, sobre o mesmo assunto.

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Bruno de Carvalho

por jpt, em 06.07.19

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Ainda que apoiado pelo "institucional" jornal Expresso (a razão pela qual o jornal preferido da "classe média" Bloco Central político-económico apoia este homem é algo difícil de entender, se não se tiver uma interpretação economicista) Bruno de Carvalho acaba de ser definitivamente expulso do meu clube, na Assembleia-Geral do Sporting hoje decorrida. No último ano houve momentos em que o julguei personagem dramática. Mas afinal nem isso, tamanha a rábula que vem interpretando. Ainda assim esta perversa personagem - que a quase todos nós sportinguistas seduziu e exaltou -. ainda consegue, após todos estes desmandos e desvarios, receber apoio militante, e mesmo exasperado, de 30% dos associados.

É uma legião, sem calções, de gente disponível para quem a saiba arrebanhar. Esperem pouco, que alguém aparecerá. E não terá que ser do mundo da "bola". Nem sobre coisas da "bola".

 

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Expresso por encomenda

por jpt, em 29.06.19

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Aqui longe, hoje, sábado à tarde, vejo as notícias portuguesas. Ecos de uma entrevista de Bruno de Carvalho ao Expresso. "Outra vez?", resmungo, "ainda?", "a que propósito?", indago. O homem vitimiza-se, como sempre: que foi indexado como terrorista, que foi prejudicado e traído por todos os que o rodearam, que não tem emprego, que muito sofreu com uma doença da filha, algo que tudo explica da sua deriva aquando presidente do Sporting. E ameaça, voltar a candidatar-se e ser eleito, processar o Estado, etc.

"Porquê?" repito, não haverá mais assuntos para o Expresso explorar, em Portugal e no mundo, do que voltar à "vaca-fria", à enésima entrevista com o ex-presidente do Sporting, que encheu horas de ecrã e rios de papel há um ano? 

Sigo na procura das notícias. Passado um pouco vejo no És a Nossa Fé, que o Pedro Correia coordena, que hoje há uma assembleia geral do Sporting, para aprovação do orçamento, para reiterar confiança na actual direcção do clube. E, no mesmo dia, o "institucional" Expresso faz uma entrevista "higiénica", auto-vitimizadora, ao antigo presidente (e que personagem) do Sporting. Assim como se não fosse nada ... Não ao presidente do clube, não aos seus oponentes eleitorais (Benedito, por exemplo, candidato que perdeu por muito pouco), não a membros da direcção - o que poderia ser entendido como inserido no debate interno ao clube. Mas ao antigo presidente, com o historial todo, com um processo inédito de deposição e de expulsão do clube.

Isto é uma encomenda. Paga. É óbvio. 

É o Expresso. O que resta? Ou o que sempre foi. Pouco importa. É o Expresso.

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A morte do jornalismo desportivo

por jpt, em 15.06.19

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Escolho o "Record" porque é o jornal desportivo que mais frequento. Pois este jornal não monopoliza a deriva - ainda que seja o que mais nela se embrenha, comparativamente ao "O Jogo" ou mesmo ao "A Bola". 

Escrevo às 17.34 (daqui) de hoje. O sítio do "Record" apresenta-se neste estado (tudo notícias com fotos chamativas): 2ª notícia: as vestes do casamento do capitão do Real Madrid, Sérgio Ramos; 4ª notícia: declarações do pai da mulher que acusou Neymar de violação; 5ª notícia: férias do jogador do Benfica Ruben Dias, foto da namorada anunciando que ela "mostra tudo" (um tópico nos títulos do jornal); 6ª notícia: o estado de espírito de uma adepta fervorosa (e com generoso colo, como antes se dizia, bem iconografado) dos Golden State Warriors, clube de basquetebol americano; 7ª notícia: um jogador da Juventus mostrou uma mulher na sua cama; 8ª notícia: as regras para o vestuário e comportamento no casamento do capitão do Real Madrid; 10ª notícia: sobre a divulgação de imagens da mulher que acusa Neymar de violação; 11ª notícia: a reacção da namorada de Ruben Dias a uma partida que ele lhe fez; 16ª notícia: as imagens do casamento de Sérgio Oliveira, jogador do F.C. Porto; 19ª notícia: desenvolvimentos sobre a acusação a Cristiano Ronaldo de ter violado uma prostituta americana; 20ª notícia: a lista de convidados do casamento do capitão do Real Madrid; 21ª notícia: o advogado da mulher que acusa Neymar de a ter violado; 22ª notícia: uma rapariga muito magra mas com par de mamas bem constituído, dita Júlia Palha, num barco de recreio em bikini; 23ª notícia: fotogaleria dos convidados ao casamento do capitão do Real Madrid; 24ª notícia: uma rapariga voluptuosa em lingerie provocatória sob o título "Bastou alguém chamar-lhe Barbie e o nome pegou"; 25ª notícia: bis, fotogaleria em que a namorada do benfiquista Ruben Dias "mostra tudo"; 27ª notícia: namorada do futebolista Cédric, voluptuosa na piscina, mostra como foi a sua despedida de solteiro; 28ª notícia: as imagens do casamento de Simeone, treinador do Atlético de Madrid; 29ª notícia: fotos das férias dos craques, anunciada com um tipo debruçado sobre uma tipa, em trajes menores; ...

Valerá a pena a continuar? É necessário armar um texto com laivos de semiólogo? Ou basta este rol para provar que aquilo morreu? E fede? (Ainda que as garotas que costumam aparecer tenham, sempre, fartas mamas - lembro que não é ordinarice, é assim que se diz correctamente - e curvas apreciáveis).

 

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(Postal para o És a Nossa Fé)

A série de capas históricas do "A Bola" que o Pedro Correia aqui vem mostrando é bastante denotativa do clubismo exarcebado que aquela empresa imprimiu ao seu negócio. É seu direito, estratégia em busca de lucros. Mas de há muito tempo  apenas uma falsidade enviesada, se pensada em termos de jornalismo.

Mas não é apenas uma coisa histórica. Um dos exemplos desse seguidismo ao Benfica e, acima de tudo, à sua direcção actual é a sucessão de manchetes sobre o jogador Jovic, contínua na página digital do jornal.

O processo deste jogador é perfeitamente normal: decerto que o Benfica o contratou por lhe reconhecer potencialidades. Chegado ao plantel, o jovem Jovic não teve espaço para se afirmar, face à concorrência que encontrou: Jonas, que é um jogador de grande classe; Seferovic, que não sendo um jogador extraordinário é muito competente (nos primeiros jogos que fez no Benfica, antes de se apagar durante a época passada, fartei-me de resmungar: "raisparta que os tipos acertaram ..."); e Mitroglou, um jogador pouco interessante mas que funcional, em particular num campeonato como o português, uma espécie daquele "pinheiro" que há anos um treinador sportinguista pretendia (imagem que sempre me faz lembrar um Peter Houtman que nunca me encantou, nem me deixa saudades). Sendo este Mitroglou um "pinheiro" até mais móvel, mais competente, concedo. Face a essa situação o Benfica emprestou o jogador, para que ele evoluísse. A um bom clube, de um excelente campeonato [o alemão Eintracht Frankfurt], e que - o que é, nestas coisas, o fundamental - realmente o pretendia, enquadrando-o e dando-lhe tempo de jogo. E visibilidade. Assim muito o valorizando. Crítica minha? Nem uma gota. 

Ainda assim é também possível argumentar que se tivesse o Benfica no início da época que ora finda uma outra perspectiva de futuro, e particularmente se tivesse um técnico mais afoito na opção por jogadores jovens, muito provavelmente Jovic teria feito uma época ainda mais sonante - a vida dos avançados dos 3 grandes é mais fácil em Portugal do que no campeonato alemão, isso é indiscutível. Digo-o como mera hipótese. Pois se calhar o peso de Jonas, a imposição até algo exuberante de Seferovic, e a explosão de João Félix (que é um belíssimo jogador, mesmo que se possa dizer que o habitual empolamento dos jovens do Benfica o poderá sobrevalorizar um pouco) poderiam ter obstado a uma afirmação de Jovic. Nunca se saberá, é mera especulação. Fica a minha conclusão: nada da condução da carreira de Jovic no plantel benfiquista transpira incompetência. Mas também poderia ter sido diferente. Com toda a franqueza - e até porque gosto muito do treinador Lage - julgo que Jovic teria sido uma grande revelação no Benfica. 

Mas tudo isto que digo é apenas para sublinhar que não estou a criticar ou a cutucar a secção de futebol sénior do Benfica. Não é essa a questão. Estou apenas a falar do "A Bola". Jovic vai ser transferido para o Real Madrid, por uma enorme quantia. O Benfica vai lucrar com essa transferência. Mas, de facto, o não ter apostado no jogador conduziu a que a parte fundamental do lucro será para o clube alemão. O Benfica perderá assim algumas dezenas de milhões de euros. Ou melhor dizendo, deixará de ganhar algumas dezenas de milhões de euros. 

Repito o que disse, não estou a criticar o Benfica. Nem a "gozar". Foi um processo normal. O que me é interessante é a sucessão de notícias do "A Bola". Sistematicamente informando os seus leitores - na maioria benfiquistas - que haverá "Encaixe significativo para os cofres da Luz com a transferência de Jovic", descurando uma hipótese de análise crítica perfeitamente sustentável. Sempre enfatizando que o clube beneficiará. Mas nunca aflorando o evidente desperdício económico que irá acontecer. Chama-se a isto moldar opiniões. Um verdadeiro condicionamento, em particular da massa adepta daquele clube. Há quem lhe chame "jornalismo". Mas não é. "A Bola" é, de facto, e já há muito tempo, um departamento de comunicação de uma empresa.

[E é assim, como jornal desportivo, um verdadeiro exemplo dos chamados "jornais de referência". Ou da prevalência na imprensa dos "fretes ao poder".]

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O meu amigo Luís Alvarães acaba de partilhar estas declarações de Vitorino Nemésio, proferidas na época em que se preparava a sua nomeação para director de O Século, algo que acabou por abortar, talvez também por causa da entrevista em que as proferiu.

 

Hoje impera a informação. Informação moderna, caminhando mesmo no sentido da informática, ciência que, a partir da termodinâmica, abarcou o próprio boato como objecto. É uma informação quantificada.” (Vitorino Nemésio, entrevista à revista Flama, 1973).

 

O Luís, para além da pertinência da partilha - será interessante compará-la com as opiniões que defendem que Bolsonaro, Trump et al negam o preceito "Não há nada novo sob o Sol" - teve ainda a gentileza de me enviar a digitalização da entrevista. Quem tiver curiosidade em lê-la encontra-a aqui - preferi não a deixar neste blog pois as imagens ocupam algum espaço de ecrã e não quero aborrecer algum passante mais apressado.

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Dentinho

por jpt, em 12.10.18

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Conheci o Paulo Dentinho quando recém-chegados a Maputo, e logo ficámos amigos. Éramos jovens, ele recém-pai eu ainda não, ambos fascinados com o país magnífico, tão interessante e esperançoso, embrenhadíssimos no trabalho, ele correspondente da rtp e eu adido cultural, nisso muito cruzando opiniões e informações sobre o quanto se nos deparava, num constante convívio. Chegámos a viajar juntos no país, quando ele dinamizou a visita de um grupo de artistas encabeçados por Júlio Resende, uma magnífica aventura, e dor de cabeça logística na Ilha de Moçambique de então. Por vezes discordávamos sobre o seu trabalho (ele sempre teve a piedade de não criticar o meu), eu já armado (em) comendador a requerer-lhe uma espécie de "posição de Estado" dada a visibilidade da RTP(África) no país. E ele com uma perspectiva diferente - lembro-me de lhe contestar uma reportagem sobre os habitantes do jardim zoológico da Beira, gente que vivia no local e até nas jaulas, por causa da má recepção que havia tido em Maputo, as pessoas tinham-se sentido aviltadas. O Paulo dizia o contrário, e é evidente que tinha razão, pois tanto a vocação como a deontologia jornalísticas convocavam a reportagem, tão denotativa era aquela situação e não seria a "má impressão" que a RTP poderia colher que o iria fazer suspender o trabalho.
 
Na altura havia muitas visitas políticas portuguesas, em 97 o PR Sampaio e em 98 o PM Guterres com enormes delegações (150-170 pessoas), mas também um constante corropio de ministros, secretários de estado e afins. Vigorava em Lisboa a noção de que "estar no poder" implicava visitar as ex-colónias, coisa também de uma CPLP que começara. O que causava um carrossel de visitas vácuas, impreparadas, de teor algo turístico por vezes, e desprovidas de "sentido de Estado". E o Paulo dava-lhes a atenção que o seu apurado sentido profissional comandava - sendo também que muito do seu trabalho não passava na RTP por critérios da sede, dado o manifesto desinteresse de muitas dessas deslocações. Assim, dado o carácter pouco servil do seu trabalho, muitas vezes o ouvi contestar, "que não era o homem que ali devia estar", diziam ministros e assessores, desgostosos com a "cobertura televisiva" que consideravam obrigatória para a sua micro-pompa de governantes. Pouco lhes importava ser ele, de facto, competente, informado, criativo, analítico. E empenhado. Importava-lhes apenas o de não estar ele de chapéu na mão diante de qualquer chefe de gabinete do sub-secretário de estado ou de um assessor de sua excelência o director-geral. Na responsabilidade de ser correspondente do serviço público, e sem a ligeireza de servir o poder político do dia ...
 
Depois vieram as complexas eleições de 1999, culminadas com semanas de contagem de votos e de agitação política. A situação era surpreendente, explosiva mesmo, pois não eram esperados resultados tão elevados por parte da oposição nem tamanha demora na contagem. Nesse entretanto o Renamo fez uma conferência de imprensa e proclamou a vitória. Na altura só havia duas estações televisivas a transmitir no país, a muito estatizada TVM e a RTP(África). E foi esta que disseminou essa proclamação, o que teve um impacto estrondoso. O Paulo apareceu nessa reportagem com um óbvio nervoso, perceptivel para quem o conhecesse pois traduzido num ricto similar ao sorriso. Foi o quanto baste, o divulgar da versão renamista do processo eleitoral, praticamente inacessível na imprensa estatal local, e o aparente sorriso tornaram-no pessoa malquista. Sucederam-se as ameaças de morte, uma das quais estando eu sentado com ele numa esplanada. O Paulo aguentou, nós amigos dizendo para que se acautelasse que nem tudo é da boca para fora - como o comprovou o assassinato de Carlos Cardoso logo em 2000 e nos anos futuros vários atentados a intervenientes televisivos. Ao fim de algum tempo de contínuas ameaças de morte, e até porque ali vivendo com a mulher e as duas filhas, ele regressou a Portugal. Fui, com vários amigos, levá-lo ao aeroporto. Nessa sua despedida do país ele ia vestido, com tão polissémica ironia, com uma t-shirt do Frelimo. Também a simbolizar o quão absurdo é a demonização do jornalista quando autónomo. Digno.
 
Depois passaram anos, a vida. Eu fiquei em Moçambique, ele por Portugal e Timor (de onde lembro uma magnífica reportagem, a tornar épica a constituição do arquivo nacional por Mattoso). E fui-lhe vendo outros bons trabalhos, profundos, de verdadeiro grande jornalista, daqueles que nos faziam dizer à nossa pequenina filha, meio pirosos, "Carolina anda cá ver, este é amigo dos pais". E foi para correspondente da RTP em Paris, onde soube que estava bem e acreditei, pois deve ser um posto intenso e Paris deve ser uma boa cidade para quem gostar de viver na Europa. E comecei a lê-lo no FB, nos tempos de Passos Coelho e Portas. No seu mural pessoal o Paulo zurzia a política portuguesa e, muito frequentemente, o governo: em tempos de crise, naquele troikismo, motivos nunca faltavam para bater. Tanto o li que um dia lhe enviei uma mensagem "estás farto de Paris?" e ele que nada disso, estava a adorar, a família também, a mulher com emprego, filharada a crescer. "Ouve lá", ripostei-lhe, "continuas a bater assim e eles metem-te como correspondente no Corvo ou num sítio ainda mais ermo ...", que é assim que o poder funciona, e nós sabemos bem disso. E rimos, cada um diante do seu teclado. E ele continuou a criticar, lá na sua página pessoal, "sem dó nem piedade".
 
Passado algum tempo o governo de Passos Coelho actuou mesmo face ao Paulo Dentinho. Eleições à vista retirou-o de Paris, onde escrevia curtas críticas no FB para os seus 3 ou 4 mil "amigos", e meteu-o ... como director de informação da RTP.
 
Passaram anos. Eu pouco vejo tv e nada RTP. Mas nunca li nestas redes sociais grandes críticas à partidarização da informação da RTP (essa que era uma prática constante da casa), tanto a favor do anterior governo como deste. Agora o Paulo é afastado. Dizem que porque escreveu um texto na sua página pessoal com palavrões e um futebolista não gostou. E, aduzem agora para ajudar à justificação, porque houve má cobertura do fogo em Sintra - não sei se estão a captar a indecência, o conselho de administração, subordinado a este governo, afasta alguém com o argumento de que houve má coordenação na cobertura jornalística de um fogo: e isto com a notória descoordenação deste governo nos combates ao fogos . Isto é de uma impudicícia inaudita.
 
E é, acima de tudo, o começo do ciclo eleitoral. Evidenciando também uma enorme diferença das práticas políticas desta geringonça face ao passado recente. Aqueles que assistem à RTP poderão comprovar. Quanto ao Paulo Dentinho presumo que se tenha despedido do posto vestindo a sua t-shirt do Frelimo, nesta polissémica ironia, necessária que é para suportar esta gente.

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Expressamente

por Pedro Correia, em 29.09.18

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Já tínhamos o saco de plástico "inventado" pelo arquitecto Saraiva para resguardar o conteúdo do semanário do olhar alheio - e forçar assim os leitores a comprarem aquilo que ignoram, tornando opaco o jornalismo, algo que por definição deve ser transparente.

Já tínhamos as falsas primeiras páginas com conteúdos publicitários, anunciando uma conhecida marca ou propagandeando uma grande empresa.

Hoje passámos a ter uma primeira página inteirinha com promoção ("grátis", dizem eles) de uns livrinhos lançados pelo próprio jornal. Coisa pífia - sem escala, sem dimensão, sem classe.

Abdicam das notícias para isto.

Quando se fala da crise do jornalismo português, há que apontar responsáveis. A crise não é filha de pais incógnitos. Os responsáveis são gente que faz coisas como esta, mergulhando no ridículo aquele que ainda é o melhor jornal português.

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Boa sorte

por Sérgio de Almeida Correia, em 17.08.18

"O dever de escrutinar o poder político, seja o Governo ou a oposição, dá cada vez mais lugar à produção de anátemas ou de certezas sectárias que menosprezam a exigência, a defesa do interesse público ou a factualidade verificada. A crescente propensão, muito inflacionada pelas redes sociais, de se analisar o que se publica a partir de trincheiras ideológicas, partidárias ou clubísticas estimula o vazio onde germina o populismo, a xenofobia e os radicalismos. A pós-verdade e/ou a verdade pessoal, relativa e insusceptível de questionamento, ganharam terreno. A crise da imprensa é em grande medida um espelho da crise do espaço público – mas, reconheçamo-lo, é também, e com excessiva frequência, uma das suas causas". – Os compromissos da Direcção Editorial

 

O respeito que tenho pelo jornalismo feito por profissionais íntegros e de mão cheia, por uma imprensa livre, descomprometida com o poder e os seus mainatos, e o gosto que tenho em ler um jornal bem feito, bem escrito, de preferência em formato papel, e ainda a cheirar a tintas, não me permitem que deixe passar este momento sem lhes dirigir uma palavra. Curta, necessariamente, porque só o correr dos dias, dos meses e dos anos nos mostrará se o seu compromisso foi respeitado.

Estou convencido de que não deixarão ficar mal quem como eles ainda acredita.

Oxalá tenham sucesso e consigam levar avante o seu projecto. Por isso desejo a todos os que irão fazer o jornal a partir de agora, mas em especial a Manuel Carvalho, Amílcar Correia, Ana Sá Lopes, David Pontes e Tiago Luz Pedro, as maiores felicidades.

Portugal precisa mais do que nunca de um jornal sério e credível. Nós cá estaremos para escrutinar o seu trabalho, criticando e aplaudindo sempre que o mereçam.

Bom trabalho. 

 

P.S. E se não for pedir muito, espero que acompanhem a situação que se vive em Macau com a atenção, a exigência e o rigor que a situação actualmente vivida exige. 

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Nem-Nem

por Diogo Noivo, em 28.02.17

As redes sociais aproximam as pessoas de uma forma inovadora e surpreendente. Além de encurtarem distâncias e de superarem barreiras culturais, as redes sociais ligam indivíduos que, de outra forma, jamais coexistiriam sob um mesmo tecto. Por vezes, a ligação oferecida pela experiência em plataformas como o Twitter ou o Facebook é de tal forma intensa que, mais do que ligar pessoas, opera ligações dentro delas. Nomeadamente ligando-lhes o cérebro ao duodeno.
Estou consciente que a afirmação anterior é tudo menos consensual pois, argumentarão alguns, a ligação directa da massa encefálica ao tracto gastrointestinal é muitas vezes uma condição pré-existente que as redes sociais apenas potenciam. Seja como for, as consequências são palpáveis – e lamentáveis. Nas redes sociais, a reacção antecede com frequência a compreensão. Legiões imolam-se em retórica inconsequente sem perceberem bem porquê. Como escreveu Miguel Tamen, nunca o intervalo entre espasmos e prosa foi tão curto.
Alguns jornais aproveitam-se do estado de catatonia funcional dos nativos digitais, não para trazer alguma elevação à arena, mas sim para tirar partido da idiotia. O método mais habitual designa-se clickbait, em tradução livre «engodo para clicks», e visa captar clicks e visualizações, dois elementos essenciais para definir o preço da publicidade – e, assim, as receitas do jornal. Em regra, o clickbait assume duas formas. Primeiro, e sabendo que os conteúdos partilhados nas redes sociais raras vezes são abertos, os jornais recorrem a parangonas que agitam curiosidades. Por exemplo, uma notícia titulada “O novo amor de António Costa” uma vez aberta dá conta ao leitor que o Primeiro-Ministro descobriu a sua paixão por sushi ou pela chanfana.
A segunda expressão de clickbait, especialmente desonesta, recorre a títulos que instigam indignações fáceis. Mais do que teorizar sobre esta segunda abordagem, proponho que olhemos para uma ‘notícia’ publicada há dias pelo jornal i. Lê-se no título que “Jovens que não estudam nem trabalham vão receber 700€ mensais de subsídios estatais”. Logo, todos os jovens que não trabalham nem estudam vão receber 700€ do Estado. Avançamos para o lead e confirmamos o título. Por outro lado, a fotografia que ilustra a ‘notícia’, e que é todo um tratado sobre mensagens subliminares, mostra jovens ociosos que aparentam ter uma vida folgada, ficando portanto implícito que vivem à conta de terceiros. Isto é, à primeira, à segunda e à terceira vistas tudo indica que o Estado vai sustentar todos os jovens portugueses que não trabalham nem estudam. Como seria de esperar, a notícia provocou revolta ardente e generalizada nas redes sociais.
Contudo, lendo o texto na íntegra, ou socorrendo-nos de notícias a sério sobre o mesmo tema, como esta do Observador, percebemos que se trata de um programa de apoio ao empreendedorismo de jovens que não trabalham nem estudam – habitualmente designados em Portugal como jovens “nem-nem”. Para aceder ao programa, estes jovens têm de cumprir um conjunto de requisitos, como ter concluído o ensino obrigatório, têm de se candidatar, têm de apresentar os seus projectos, têm de ser seleccionados, e só então poderão aceder aos apoios disponíveis. Importa referir ainda que o programa tem 315 vagas, um número inferior aos cerca de 300 mil jovens portugueses que estão sem trabalho e que não estudam. Em suma, a realidade dos factos é substancialmente diferente daquilo que nos é sugerido pelo jornal i.
Tudo contado e somado, percebemos que o texto publicado pelo i espelha, porventura por simpatia, o tandem sobre o qual versa: nem é um trabalho respeitável nem mostra estudo deontológico.

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Men for all seasons

por Diogo Noivo, em 02.02.17

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 Um ano e tal depois:

 

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 Via O Insurgente

As sumidades que pastam nos verdes campos do komentariado português são dadas a uma desfaçatez lendária. Daniel Oliveira, como bem nota João Cortez n’O Insurgente, é um caso flagrante.

Mas o seu a seu dono: em matéria de mortais encarpados à retaguarda, ninguém bate Nuno Saraiva, antigo jornalista do Diário de Notícias. Foi de A a B em tempo recorde e sem que o víssemos a percorrer o caminho que separa os dois pontos. Parece que se deixou de jornalismo – o que é um desafio ontológico notável, já que não é fácil abandonar o que nunca se fez – e se dedicou à bola. Parafraseando Gore Vidal, foi uma boa mudança de carreira.

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Até à náusea (parte 2)

por Pedro Correia, em 22.10.16

 

TVI:

GNR monta caça ao homem na região de Trás-os-Montes

 

Correio da Manhã:

Caça ao homem em Vila Real continua

 

RTP:

Caça ao homem é intensa em Aguiar da Beira

 

O Jogo:

As imagens da "caça ao homem" em Arouca

 

i:

Caça ao homem em São Pedro do Sul depois de tiroteio em Aguiar da Beira

 

Viseu Mais:

GNR faz caça ao homem em S. Pedro do Sul

 

Rádio Cruzeiro:

Caça ao homem na Serra da Arada

 

Jornal de Leiria:

Leiria está a ajudar caça ao homem

 

Jornal de Notícias:

As imagens de uma noite de caça ao homem

 

Rádio Renascença:

GNR mantém forte dispositivo na caça ao homem

 

SIC:

Coordenação da caça ao homem criticada

 

Expresso:

Coordenação da caça ao homem criticada

 

Porto Canal:

Entidades queixam-se da falta de coordenação entre polícias na caça ao homem

 

Diário de Notícias:

Falta de coordenação entre polícias na caça ao homem preocupa governo

 

Espalha Factos:

Caça ao homem leva CMTV a máximo do ano

 

TSF:

Caça ao homem continua

 

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Polémica Fracturante na Fajã de Baixo

por Francisca Prieto, em 05.09.16

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Transcrevo as letras pequenas da notícia que apresenta o tema mais fracturante da actualidade da Fajã de Baixo, na Ilha de São Miguel:

Presidente da Casa do Povo da Fajã de Baixo acusa o director da Casa de Saúde de São Miguel "de se apropriar" da realização do Festival da Sopa, que há 18 anos tem lugar na freguesia, numa iniciativa da instituição particular de solidariedade social.

Senhor Director da Casa de Saúde, não tem vergonha? Se quer protagonismo, faça favor de promover um Festival do Ananás, uma Barrigada de Pão de Massa Sovada, uma Tertúlia de Queijo de São Jorge. Deixe lá a malta da sopa dar à colherada em paz. Afinal, já o fazem há 18 anos. É uma maioridade, caramba.

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O que eles escreveram

por Sérgio de Almeida Correia, em 11.07.16

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"Portugal can duly reflect on their greatest ever victory, made all the more remarkable by the fact they could not beat Iceland, Hungary or Austria in the group stages. Their safety-first tactics will not appeal to everyone but nobody could dispute their competitive courage and mental toughness after the jarring challenge that meant their three-times Ballon d’Or winner was unable to influence the game in the way he would have imagined." - Daniel Taylor, The Guardian

 

"The winner always merits their trophy. They didn’t make it to the final by chance. This is the first time a team who finished third in their group finishes as European champions. They didn’t win many games in normal time, but they won the important one. Perhaps there were some other generations in Portuguese football with more talent, but they didn’t win. This team won." - Didier Deschamps, The Guardian

 

"So the one-man team become European champions, defeating the host nation without the one man they apparently could not win without." - The Independent

 

"Having received the ball on the halfway line, Ronaldo was flattened by a clumsy, and reckless, challenge by Payet which went unpunished by referee Mark Clattenburg." - The Independent

 

"Critiqué tout au long de la compétition pour son manque d'ambition offensive, le Portugal a fini par remporter son premier Euro. Le tout grâce à l'entrée du seul véritable attaquant de pointe du groupe : l'attaquant lillois Eder." - FranceFootball  

 

"Admirable esta Portugal que sólo ha ganado un partido en los 90’ minutos, pero que ha sabido salir de situaciones difíciles. El fútbol también es esto." - Alfredo Relaño AS

 

"Cuando saltó Eder al campo, en el Fado brotaron las dudas. Hasta que Luis Loureiro, un chaval portugués nacido en Celorico Beira, me susurró al oído: “Roncero, le han criticado mucho y justo por eso meterá el gol de la victoria. Ya lo verás”. No hace falta que les diga cómo vivieron mis amigos el triunfo final. Paulo lloraba junto a su niño Diego (con cuatro añitos sabe de fútbol como si tuviera 34) y las camisetas de Cristiano, Figo, Futre y Eusebio se fundían en un sentimiento común. Va por todos ellos. ¡Viva Portugal! ¡Viva Cristiano!" - Tomás RonceroAS

 

"Y Santos estuvo inteligente cuando en el 79’ (parecía tarde) dio campo a Éder para pelear con la defensa francesa. Desde el principio se le vio fantástico, aguantando balón, girando, saltando, inquietando. En la prórroga arruinó a Francia con su golazo." - P.P. San MartínAS

 

"Es cierto que Portugal no ha jugado mejor en esta Eurocopa que en torneos anteriores, y que su llegada a la final no significa un chorro de fútbol, pero se han apreciado dos o tres señales de cambio. La primera ha sido su resistencia a la derrota, una virtud que esta vez no ha estado ejemplificada sólo por Cristiano Ronaldo. Todo el equipo le ha acompañado, con el admirable Pepe —uno de los tres mejores jugadores de la Eurocopa— a la cabeza. Tan importante o más ha sido la compañía. Junto a tres veteranos de toda la vida —Rui Patricio, Pepe y Nani—, Cristiano se ha visto rodeado de una imprevista malla de jóvenes jugadores, o sin apenas experiencia en la selección: Cédric, Raphael Guerreiro —el mejor lateral izquierdo del torneo—, William, Danilo, André Gomes, Joao Mario, Adrien Silva y esa dinamo inagotable que es Renato."- Santiago SegurolaAS 

 

"A Saint-Denis, les Bleus ont été dominés par le Portugal de Cristiano Ronaldo, pourtant sorti sur blessure dès la 25e minute de la partie. La Selecçao conjure ainsi « sa » malédiction face aux Tricolores. Elle n’avait plus gagné contre l’équipe de France depuis un match amical disputé au Parc des Princes en 1975… Battue en finale de « son Euro » par la Grèce, en 2004, la sélection lusitanienne réussit ainsi à remporter le premier trophée majeur de son histoire." - Le Monde

 

"È la grande notte dei portoghesi, che qui, nella Parigi multi-etnica, sono noti più che altro per essere ottimi portinai e muratori. Da oggi sono anche i campioni d'Europa. E scusate se è poco." - La Gazzetta dello Sport 

 

"Un destro poderoso. Un fulmine. Il catenacciaro Fernando Santos, perso Ronaldo, ha deciso a 11 minuti dalla fine di mettere dentro un attaccante che nella fase a eliminazione diretta non aveva mai schierato: aveva capito che poteva vincere sfruttando la sua forza, i suoi 188 centimetri. La sua potenza. E ha vinto." -  La Gazzetta dello Sport 

 

"La selección portuguesa se aseguró con el título en la Eurocopa su presencia en la Copa Confederaciones del próximo año en Rusia. Los portugueses acudirán como campeones continentales a un torneo que se celebrará del 17 de junio al 2 de julio en cuatro diferentes ciudades rusas. Además de Portugal, estarán allí Alemania (campeona del mundo), Rusia (anfitriona), Australia (campeona de Asia), Chile (campeón de la Copa América), México (campeón de la Copa Oro) y Nueva Zelanda (campeón de Oceanía). Falta por saberse el representante africano, que saldrá de la próxima Copa de África." - Aritz GabilondoAS

 

"Tras perder a su referente, Portugal, que ya tenía previsto salir a jugar sin correr el más mínimo riesgo, aumentó sus precauciones defensivas mientras que Francia, aferrada a un fútbol metalúrgico a más no poder se estrellaba una y otra vez ante el muro portugués que protegió a la perfección el portero Rui Patricio demostrando que para ganar un partido de fútbol no basta con tener un equipo de decatletas, más preparados para hacer una mudanza o llevar un paso de Semana Santa, hay que tener una idea de juego colectivo, calidad e inteligencia. Y de esto último, Portugal tuvo mucho porque los de Fernando Santos supieron adaptarse al medio y llevar a cabo el plan que les ha servido para llegar a la final. Un plan, que dicho sea de paso, que mata de aburrimiento al más pintado, pero que es tremendamente efectivo." - Aritz Gabilondo, AS

 

"Für manche ist er ein arroganter Fatzke. Für andere ein Held. Nach dieser EM ist er aber auf jeden Fall: POKALNALDO!"- Bild 

 

"Portugal ganó una Eurocopa de forma heroica. Jugando casi todo el partido sin su estrella Cristiano Ronaldo , en campo contrario, logró su primer Euro, el trofeo que el fútbol le debía desde el 2004. Lo hizo con un gol milagroso de Éder en la segunda parte d ela prórroga, la quinta del torneo. Tuvieron todo en contra y supieron resistir como leones. Al final tuvieron la suerte de los campeones, aunque nadie puede negar su lucha. Los lusos ganaron, por primera vez, a Francia en un partido oficial. Esta final vale por las otras tres derrotas. Fue una final sin fútbol como todo el campeonato, pero plena de emoción."- Francesc AguilarMundo Deportivo

 

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E reincide

por Diogo Noivo, em 18.05.16

Nuno Saraiva diz-nos esta semana que o mundo está perigoso. Por via democrática, afirma, o mundo anda a eleger déspotas. Convenhamos que o fenómeno não é novo, mas, claro, quando achamos que o mundo nasceu connosco tudo nos parece uma novidade.

No entanto, é curioso assistir à inflexão de pensamento de Nuno Saraiva de uma semana para a outra. Na semana passada, o jornalista do Diário de Notícias jubilava com o regresso da ideologia à política. Em boa verdade, era apenas o elogio da ideologia – o regresso identifiquei-o eu. Mas esta semana insurge-se contra a ideologia. Os tiranetes que Nuno Saraiva critica, dos Estados Unidos da América à Ásia, têm em comum programas políticos fortemente ideológicos e, na maioria dos casos, abertamente nacionalistas. São, portanto, o expoente máximo da ideologia na política. E obtêm bons resultados eleitorais porque fazem política usando ideologia. Na semana passada, Nuno Saraiva escrevia que “aquilo que se exige a um governo, seja ele qual for, é que cumpra e respeite a ideologia à boleia da qual foi eleito”. Esta semana a ideologia é nefasta.

Como é evidente, mais do que discutir a existência ou não de ideologia, o que se deveria discutir é a adesão das várias ideologias aos valores e às instituições que fundam o Estado de Direito Democrático. Mas isso obrigaria o jornalista a reequacionar a sua opinião sobre os partidos que sustentam o actual Executivo. O que, como é óbvio, não interessa. Logo, o que na semana passada era bom, nesta já é mau. Se continuo a ler o Diário de Notícias acabo esquizofrénico.

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O Fim da História e os Homens que Temos

por Diogo Noivo, em 12.05.16

Neste editorial do Diário de Notícias, Nuno Saraiva afirma, e bem, que a existência de uma agenda ideológica de esquerda no Governo é natural e expectável. Escreve mesmo que “um dia destes ainda os ouviremos [a “direita”] exigir a queda do governo porque, vade-retro, só faz política”. Seja bem-vinda a política e seja bem-vinda esta leitura da nossa vida pública.

Porém, vemos aqui uma das principais mudanças na opinião publicada no nosso país. Há uns anos, não muitos, as litanias da imprensa viam nas decisões entendidas como sendo ideológicas – privatizações, concessões a privados, redução da tributação das empresas, entre outras – expressões de sectarismo. Escrevia-se na altura que Portugal precisava de consensos, de acordos, de pactos de regime. A ideologia era portanto um anacronismo perigoso que impedia o país de tomar o caminho correcto. Passados seis meses, a ideologia volta a ser política. Sem sobressaltos ou ruído. E ninguém se ri.

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Homens e mulheres para queimar

por Pedro Correia, em 17.03.16

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 Cena do filme They Were Expendable, de John Ford (1945)

 

Fala-se muito na crise do jornalismo contemporâneo. Mas, entre os factores desta crise, é quase sempre omitido um dos principais: a gritante incompetência de muitos proprietários de órgãos de informação, que não têm cultura mediática e por vezes são totalmente destituídos de dinâmica empresarial. Usam títulos prestigiados dos media como mero veículo de promoção pessoal ou plataforma intermédia para negócios de outro tipo, ao ritmo voraz das ervas daninhas.

Por vezes são pessoas que não lêem um jornal e desprezam profundamente o universo jornalístico. Não têm sequer formação académica ou humanística que lhes forneça a convicção de que a existência de meios prestigiados de comunicação social é um requisito fundamental das democracias. E seriam incapazes de parafrasear Thomas Jefferson, que preferia a existência de jornais sem haver governo a um governo com ausência de jornais.

 

É imensa a lista dos periódicos desaparecidos no último quarto de século em Portugal. Boa parte deles foi confiada na pior altura às piores pessoas, que lhes ditaram ou apressaram o fim. O primado dos ignorantes e dos trampolineiros, rodeados de pequenas cortes de gente medíocre e totalmente divorciada da missão de serviço público que deve ser desempenhada pelos títulos jornalísticos, condenou muitos deles a uma acelerada extinção enquanto outros, já mortalmente feridos, vegetam em penosa e prolongada agonia.

Largas centenas de genuínas vocações jornalísticas foram amputadas ao longo destes anos em que assistimos ao maior êxodo de profissionais de que há memória neste ofício em contínua degradação salarial e social – aqui tão depreciado enquanto noutros quadrantes, como no Brasil, é cada vez mais valorizado.

 

O que vemos por cá? Jornalistas dispensados, afastados, saneados, emprateleirados, escorraçados. Só por terem experiência, cabelos brancos, pesarem mais na folha salarial – numa visão míope do custo/benefício. Enquanto é recrutada mão-de-obra quase escrava para as redacções – sem contratos, sem direitos, sem salários dignos. Nenhum jornalismo digno desse nome pode ser exercido, de forma continuada, em empresas onde existem editores a trabalhar 14 horas por dia, seis dias por semana, com todo o desgaste e o peso da responsabilidade que isso implica, e a levarem para casa 700 euros. Enquanto alguns dos proprietários ou administradores dessas empresas exibem obscenos sinais exteriores de opulência, indiferentes às situações de desespero humano que vão gerando em seu redor.

Conheço diversos jornalistas que comem apenas uma vez por dia para poderem pagar a renda ao fim do mês.

 

diario_nova.destaque[1].jpg

 

Por estes dias, mais um título prestigiado da imprensa portuguesa – o Diário Económico – atravessa um momento gravíssimo.

Foi mal gerido, mal administrado, mal dimensionado por quem quis dar o passo maior que a perna. Sobreviveu a múltiplas crises internas que se somavam às naturais dificuldades provocadas pela reconversão tecnológica do sector e à endémica crise financeira da última década. Mas, como outros antes dele, foi duramente atingido pela incompetência de um dos William Randolph Hearst de pacotilha que pululam por aí – desses que abrem e fecham jornais como se fossem mercearias ou lojas de penhores sem nunca deixarem de pavonear-se nas festas da moda.

Há meses que no Económico os salários deixaram de ser pagos com regularidade. Muitos profissionais abandonaram entretanto o jornal. Mas vários outros permanecem lá, com a angústia que adivinho. Sentem-se como aqueles soldados do filme de Ford, They Were Expendable (Homens Para Queimar, na versão portuguesa). As dificuldades são tantas e o desrespeito da entidade patronal por eles é tão notório que cumpriram um dia de greve no passado dia 10. Sem meios, sem motivação, sem perspectivas de futuro, cada edição que vai saindo tornou-se um pequeno milagre quotidiano.

Leitor regular do jornal que sou, e amigo de alguns, é para todos que envio um forte abraço solidário. Eles, os que sofrem, são a parte boa do empreendimento. Enquanto quem os colocou nesta situação, a erva daninha, se comporta como se fosse digno de apreço público. Sem sobressaltos de consciência, sem um pingo de vergonha.

 

ADENDA: o Diário Económico publica amanhã a última edição em papel.

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O declínio da imprensa

por José Navarro de Andrade, em 31.12.15

Mesmo no fim do ano aparece um artigo solitariamente lúcido sobe a crise da imprensa. De quem havia de ser senão de João Carlos Barradas?

Clique-se à vontade porque vale a pena, mas para ler há que pagar. Se fosse à borla o artigo não existia - uma lógica simples, não?

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Direito ao contraditório

por Pedro Correia, em 08.05.15

«Britânicos vivem hoje as eleições mais incertas de sempre»

Título de primeira página do Público de ontem

 

«Cameron deixa trabalhistas para trás e vence com mais deputados do que em 2010»

Título de primeira página do Diário de Notícias de hoje

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A ventoinha é rotativa

por Sérgio de Almeida Correia, em 30.04.15

"Núncio perdoa IVA a Lalanda"

"Empresa de ex-patrão de José Sócrates isenta de pagar imposto"

"Secretário de Estado assinou despacho"

"Empresário meteu `cunha´ no gabinete de Paulo Núncio e secretário de Estado deu despacho a favor"

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