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Os "media" têm o dever de informar mas devem também avaliar as consequências dos factos que divulgam. A utilização de imagens, por exemplo, deve ser rigorosamente ponderada. A difusão de imagens perturbadoras pode promover um contexto emocional susceptível de despertar em mentes mais sugestionáveis uma vertigem de imitação potencialmente perigosa. Há muito que os "media" não imitam a vida, como comentou Jean Baudrillard. É a vida que imita os "media" e o efeito mimético é tão mais poderoso quanto maior é a presença das imagens e o seu impacto emocional. Os "media" deviam pensar duas vezes antes de publicarem imagens de António Costa em calções de banho.

O poder de uma só imagem

por João André, em 14.09.15

Um dos problemas de estar de fora é que quando se chega atrasado a uma discussão da actualidade já se perdeu o elemento de surpresa ou de choque. No mundo moderno isso é tanto mais certo por as discussões decorrerem a um nível quase instantâneo, com as notícias e fotos e vídeos a serem reproduzidos no Twitter, Facebook, blogues e outros no espaço de segundos. Os retweets e as partilhas das notícias pelas nossas redes de contacto garante que ainda antes de vermos a notícia no jornal da noite, já ela nos entrou pelos ecrãs adentro. O ciclo noticioso de um evento, que há 30 anos seria de duas semanas, há 20 de uma semana e a meio da década passada se mediria em três ou quatro dias, é hoje de 24 horas no máximo. Depois disso o efeito dilui-se.

 

Uma excepção aconteceu quando surgiu a foto do menino afogado a fugir para a Europa. Na verdade nem era uma única foto, eram várias, não havia uma mais emblemática que a outra, embora todos nós tivéssemos uma que nos moveu mais oue as outras. É uma foto que muda a opinião pública de um evento corrente por ser forte num nível especial. Durante a fome de 1993 no sul do Sudão, centenas de imagens de crianças esfomeadas invadiram os nossos jornais e televisões (como em 84-85 no caso da Etiópia). Houve no entanto uma que ficou para sempre na memória. O mesmo com esta crise de refugiados. Não importa que não fosse a primeira criança a morrer e que não seja sequer a última. A imagem do seu corpo sem vida ficará. 

 

Porquê? Por vários motivos, mas são simples de elencar. Antes de mais pela paz da imagem. Poderia estar a dormir, mas sabemos que não é assim. Agita os medos de qualquer mãe ou pai que terá ido ver se o filho ainda respirava num momento de sono mais profundo. Poderia estar a dormir. Mas não está. Por outro lado, está bem vestido. A roupa não está em farrapos. É garrida, como imaginamos numa criança cuidada e amada. Não está sujo, talvez o resultado da acção do mar, mas é mais fácil ignorar quando há sujidade, quando parece pouco cuidado. Há ainda o elemento "racista" na história: não é preto, poderia ser natural de muitos países europeus (não me imagino racista, mas acredito que uma criança negra me impressionaria menos). 

 

Todos estes elementos contribuíram para este impacto. O de uma criança que até ao último momento não saberia o que se passava. No fundo, o impacto da imagem de uma criança que poderia ser a nossa, que vemos como a nossa. Neste ponto, o pormenor mais importante é o de não lhe vermos a cara. É fácil colocarmos aquela que mais nos impressionaria a nós. 

 

Uma imagem que muda o curso da história, espero. Infelizmente foi necessária. E aquilo que acaba a impressionar-me mais é: quantas crianças morreriam se esta imagem não tivesse surgido? 

Imagem que marca (17)

por André Couto, em 08.05.14

#lacksmoney

Imagem que marca (15)

por André Couto, em 11.12.13

Felicidade fútil.

Imagem que marca (14)

por André Couto, em 05.06.13

O Rebelde Turco! [via vários perfis de facebook]

Imagem que marca (13)

por André Couto, em 17.07.12

 

And the Oscar goes to...

Imagem que marca (12)

por André Couto, em 27.06.12

627 anos depois, agora rumo a Kiev!

Imagem que marca (11)

por André Couto, em 08.06.12

Imagem que marca (10)

por André Couto, em 17.05.12

Dia Internacional Contra a Homofobia

Imagem que marca (9)

por André Couto, em 30.04.12



(O medo que se instalou nas pessoas é preocupante. / Assustadas, as pessoas retraem-se e não consomem, o que prejudica o crescimento da economia. / Então é preciso que as pessoas percam o medo. / Está louco? Isso é um perigo! Se as pessoas perderem o medo não vão querer consumir, vão querer mudar a sociedade!...)

"Os homens hesitam menos em prejudicar um homem que se torne amado, que outro que se torne temido, pois o amor quebra-se, mas o medo mantém-se" (Maquiavel).

Imagem que marca (8)

por André Couto, em 26.04.12



25 de Abril e o que os deputados (não) sabem. Inenarrável. Só vendo.
(Parabéns ao jovem Deputado do CDS/PP Michael Seufert.)

Imagem que marca (7)

por André Couto, em 24.04.12


Frontais, inconformados e objectivos.
Assim se querem os Homens, assim fossem todos os Políticos, e seriam de excepção, como o Miguel.
(Com um beijinho e muita força para a nossa Helena.) 


Imagem que marca (6)

por André Couto, em 24.04.12

Comunicado do Posto de Comando do MFA, 25 de Abril de 1974.

Imagem que marca (5)

por André Couto, em 16.04.12

 

Em que ponto estaria Portugal sem os progressos conquistados pela indignação e pelo desejo de mudança, cujas concretizações a História de Portugal narra?

Imagem que marca (4)

por André Couto, em 13.04.12

A pirosa simbologia do dia de hoje é a desculpa para reviver este momento, uma das imagens guia do meu mundo cinematográfico.
Nuovo Cinema Paradiso (1988), Guiseppe Tornatore

Imagem que marca (3)

por André Couto, em 08.04.12

 

Feliz Páscoa!

Imagem que marca (2)

por André Couto, em 04.04.12

 

Salgueiro Maia, m. 4 de Abril de 1992 - Somos todos Capitães!

Imagem que marca (1)

por André Couto, em 29.03.12


29M - Huelga General


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