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Os meus heróis têm nome

por Sérgio de Almeida Correia, em 31.08.19

21543802_Ewj0n[1].jpg(LUSA/KIMIMASA MAYAMA)

 

Um homem com a história de vida de Jorge Fonseca merece todo o respeito do mundo. Um homem com a coragem, a perseverança e o talento de Jorge Fonseca é um campeão. Um campeão para o ser não precisa de medalhas. Jorge Fonseca não precisava de nenhuma medalha para ser um campeão. Mas depois de tudo por que passou, e de tudo o que fez, se ainda consegue ser campeão do mundo de judo no Japão, batendo um outro campeão na final, e arrecadando uma medalha de ouro, isso é a conquista do universo. E um homem que consegue conquistar o universo de uma forma tão simples e humilde como ele o fez, que é como quem diz, conquistar a admiração de todos nós, dentro e fora de portas, é um homem que nos emociona, e que tornando-nos ainda mais pequeninos do que já somos nos faz sentir enormes. Quem tem este condão pode ser tu-cá-tu-lá com todos nós. E como isto não se explica, o Jorge Fonseca tem todo o direito de ser recebido como quer, com toda a gente a dançar, até mesmo pelos pés-de-chumbo. E qualquer que seja o resultado que venha a obter nos Jogos Olímpicos de Tóquio, ele entrou para a galeria exclusiva dos meus heróis. Porque os meus heróis têm nome. Este chama-se Jorge Fonseca e a única coisa que posso dizer-lhe é, na minha língua, que é também a dele, obrigado. Ficar-lhe-ei a dever a vida toda, tal como a muitos outros, mas não me importo, e peço-lhe desculpa pela franqueza. Tão simples quanto isto.

Um fartote

por Sérgio de Almeida Correia, em 03.06.18

Com as asas que lhe deram, Miguel Oliveira "voou" do 11.º lugar para o 1.º, aos comandos da KTM, conquistando uma estupenda vitória em Mugello, no Grande Prémio de Itália, Campeonato do Mundo de Motociclismo, categoria de Moto2, depois de uma última volta de cortar a respiração. No Brasil, um locutor de televisão até repetia estrofes do nosso hino.

Entretanto, na Grécia, Bruno Magalhães vencia o mítico Rally da Acrópole, prova integrada no Campeonato da Europa.

E no Japão, nas 24 Horas de Fuji, André Couto conquistava o 3.º lugar com o carro 81 da Phoenix Racing.

À beira de mais um Dez de Junho, a rapaziada do futebol que dentro de dias viaja para a Rússia que vá pondo os olhos nestes. Nós cá estaremos para os apoiar, mas nada de pieguices.

Dias épicos

por Sérgio de Almeida Correia, em 20.11.16

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O modo como se tinham comportado nos treinos e como geriram as suas passagens pela pista faziam antever uma jornada competitiva e que deixava em aberto a possibilidade de no final surgirem nos lugares da frente. O que ninguém esperava é que dois dos melhores pilotos portugueses da actualidade fizessem um interregno nas suas corridas habituais para se proporem vencer em categorias onde habitualmente nem sequer competem duas das três principais provas do cartaz deste fim-de-semana da 64.ª edição do Grande Prémio de Macau.

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Depois de Tiago Monteiro se impor categoricamente na última prova do Campeonato do Mundo TCR, averbando o primeiro triunfo português numa corrida de carros de turismo na Guia, ao volante de um Honda, foi a vez de António Félix da Costa mostrar toda a sua classe e dizer a todo o mundo, em especial a muitos patrocinadores que continuam a apostar milhões em pilotos sem um décimo do seu talento, por que merece ter um volante na Fórmula 1. Félix da Costa, o “Formiga”, venceu sem apelo nem agravo as 15 voltas da Taça do Mundo de F3, a seguir a ter vencido ontem a corrida de classificação para a prova de hoje. As suas ultrapassagens ficarão por muitos anos na retina de quem as viu e são um verdadeiro manual da arte de bem conduzir.

Tiago Monteiro e Félix da Costa (este último inscrevendo pela segunda vez o seu nome entre os vencedores) foram absolutamente imperiais e bastava ouvir os comentários dos jornalistas britânicos ou italianos para se perceber o quanto haviam sido brilhantes. Hoje foram os canais televisivos de Hong Kong, da China e do Japão a darem a notícia. Amanhã, os jornais desportivos de todo o mundo assinalarão mais este feito que encheu de emoção, satisfação e contentamento os portugueses que estiveram por estes dias no mítico circuito e onde por duas vezes a bandeira nacional subiu no mastro mais alto em provas organizadas pela FIA (Federação Internacional de Automobilismo).

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Deixo aqui também uma palavra especial para o André Pires, que com galhardia e muita coragem correu na prova comemorativa dos 50 anos do Grande Prémio de Motociclos, bem como para o André Couto, que correndo com um carro novo e que conduziu pela primeira vez em Macau, voltou a estar ao seu nível, levando um Lamborghini que “não andava” e com problemas de afinação nas suspensões até ao final da corrida da Taça do Mundo de GT, corrida prematura e inexplicavelmente terminada devido a uma decisão administrativa que ainda vai fazer correr muita tinta.

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2016 poderá não vir a ser o melhor ano de sempre do automobilismo nacional (Pedro Lamy, João Barbosa, Álvaro Parente, Filipe Albuquerque, Rui Águas, entre outros, também conseguiram resultados notáveis), mas vai ser recordado durante muitos anos como um ano de corridas inesquecíveis, com resultados tão espectaculares que desmentem os habituais cépticos. E que servem para dizer que com armas iguais às dos outros os portugueses, senhores do seu destino, até conseguem ser muito melhores do que a concorrência alemã, inglesa, francesa, holandesa, espanhola, sueca, finlandesa, russa ou italiana. É só darem-lhes uma oportunidade.

Homenagem a um bombeiro

por Sérgio de Almeida Correia, em 04.08.16

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Da próxima vez que voltar a embarcar num avião da Emirates lembrar-me-ei dele. Porque mártir não é o estafermo que se faz explodir sem sentido, cobardemente ceifando vidas inocentes e tornando inútil toda e qualquer fé. Mártir é o que morre no cumprimento do dever, salvando vidas alheias, sem se preocupar com a sua e sem outra recompensa que não seja a expressão, através da sua atitude, de um sentimento de gratidão aos outros. Não há forma mais digna e honrosa de morrer do que esta. Pelo que ela ainda representa de esperança no futuro da Humanidade. Fico triste por saber que foi assim, mas satisfeito por ver que o seu sentido do dever e a sua crença no bem ao próximo não foram em vão. Curvo-me respeitosamente, pequenino e agradecido, perante a memória de Jassim Issa Al Balooshi. Porque é o exemplo e a coragem de homens como ele, nos dias difíceis que atravessamos, que nos ilumina e nos guia, que nos ajuda a suportar a dor e o sofrimento e dá dimensão e sentido aos nossos dias. Aos meus dias. 

Jonah Lomu

por Sérgio de Almeida Correia, em 18.11.15

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Para quem não acompanha esse desporto de cavalheiros que se chama rugby, Jonah Lomu foi uma espécie de Cristiano Ronaldo da modalidade. Tinha nascido no Tonga, alinhava pelos All Blacks e aliava uma espantosa energia, um porte fantástico, a uma velocidade e uma técnica incríveis. Eram 119 kg para 1,96 m de altura. Um portento. Embora já andasse doente há algum tempo não se esperava este desfecho tão rápido e trágico. Aos 40 anos é sempre cedo para morrer, mesmo quando se atingiu o topo do mundo. Acabara de regressar de umas férias e o seu sonho era apenas viver uma vida normal com a família. Fica aqui a minha homenagem a um grande campeão, a um desportista de excepção, a um dos meus heróis com nome.

Miguel Oliveira

por Sérgio de Almeida Correia, em 31.05.15

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Depois de muitas quedas, muitos azares e, em especial, muita persistência, os portugueses podem finalmente ter um piloto luso a vencer uma prova do Campeonato do Mundo de Motociclismo, categoria de Moto3. Foi hoje em Mugello, no Grande Prémio de Itália, e tratando-se de um feito extraordinário para as cores nacionais não poderia passar sem uma menção aqui no Delito de Opinião. Ao Miguel Oliveira e a quem o apoiou nesta caminhada ficam os parabéns e os votos de que esta seja a primeira de muitas vitórias para Portugal.

Mais uma para o João

por Sérgio de Almeida Correia, em 23.03.15

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Aos poucos o "Joau" vai-se tornando em mais uma lenda do automobilismo de competição por terras do Tio Sam. Desta vez foram as 12 Horas de Sebring. Uma corrida perfeita e cinquenta anos depois a Chevrolet voltou a vencer. Parabéns ao João Barbosa, ao Christian Fittipaldi e ao Sebastien Bourdais.

Nasceu uma estrela

por Sérgio de Almeida Correia, em 29.11.14

sitesabadoborlido2-0a14.jpg"Por 643 milésimos de segundo! Foi por esta margem que Bruno Borlido não conquistou o título de campeão do Mundo de Karting na categoria Senior Max. O promissor piloto de 17 anos colocou a bandeira portuguesa no lugar intermédio do pódio na 15ª edição das Rotax MAX Challenge Grand Finals – vulgo Finais Mundiais –, que decorreram desde terça-feira até hoje no Kartódromo Internacional Lucas Guerrero, em Chiva, a cerca de 30 quilómetros de Valência." - Autosport

Recordo apenas que Ayrton Senna da Silva foi vice-campeão do Mundo de Karting no Estoril, naquele campeonato que definitivamente o lançou antes de iniciar a sua fulgurante ascensão no automobilismo mundial.


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