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Delito de Opinião

DELITO há três anos

Pedro Correia, 17.03.25

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José Meireles Graça: «Os Ucranianos, que preferem morrer de pé a viver de joelhos, têm a minha admiração. E os soldados russos, bem como uma parte da população, provavelmente levados por um discurso facilitista e triunfalista que os factos não têm confirmado, a minha comiseração.»

 

Eu: «Há quem, para evitar uma palavra de condenação dos morticínios presentes, engate a marcha-atrás e se ponha com divagações históricas, perorando sobre morticínios pretéritos. Acabarão por parar só em Caim, a quem não deixarão de apontar como responsável efectivo pela agressão da Rússia nuclear à vizinha Ucrânia.»

DELITO há três anos

Pedro Correia, 16.03.25

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Eu: «Recluso entre as muralhas do Kremlin, Putin é um ultranacionalista com nostalgias imperiais, apostado em reviver supostas glórias de eras passadas. Um tirano absolutista, cleptocrata, neofascista, que não hesita em recorrer à violência mais extrema como arma política - algo que já pôs em prática na Síria - e apenas difere do fascista clássico pela fobia às multidões. Foi formado na polícia secreta soviética, ascendeu a um posto de comando no KGB, onde permaneceu 16 anos, e esta atracção pelo lado subterrâneo da existência moldou-lhe a personalidade. Mantém um fascínio por tudo quanto é oculto. O que é outro dos seus traços dominantes. Daí enganar, burlar, ludibriar - não tem feito outra coisa nos últimos meses, com as falsas "garantias" que ia dando à comunidade internacional e aos próprios russos enquanto se armava até aos dentes para devorar a Ucrânia. Nisto - como em tanta outra coisa - aproxima-se de Hitler, copiando-lhe a estratégia. Mentir primeiro, invadir depois. À conquista do «espaço vital» russófono que já lhe serviu de pretexto para anexar parte da Geórgia em 2008, engolir a Crimeia em 2014 e transformar a Bielorrússia num Estado fantoche. Decalcando o modelo expansionista da Lebensraum nazi. É um dos ditadores mais perigosos da História. Porque possui o maior arsenal atómico do globo.»

DELITO há três anos

Pedro Correia, 15.03.25

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Maria Dulce Fernandes: «O Cavaleiro da Triste Figura no seu imaginário ilusório e fantasioso onde moinhos de vento são medonhos gigantes e rebanhos temíveis exércitos, é peremptório em proclamar que não crê em bruxas mas seguro está de que as mesmas existem. A magia, assim como as artes divinatórias, é tão antiga como a humanidade.»

 

Eu: «Confrontado perante a invasão russa da Ucrânia, Pacheco [Pereira] ilude o essencial da questão: estamos perante a maior agressão à livre autonomia de um Estado soberano por outro na Europa desde a II Guerra Mundial. Ao ponto de em três semanas ter provocado 2,8 milhões de refugiados agora em trânsito no continente, fugindo do seu país fustigado por bombardeamentos letais. A União Europeia prevê que o número total de desalojados das suas habitações em solo ucraniano ascenda em breve aos sete milhões. O antigo eurodeputado do PSD, com manifesta relutância em debater o tema, usa um dos seus habituais truques retóricos: introduz outros na discussão, relativizando a invasão russa numa amálgama de agressões registadas noutros momentos, noutros contextos e noutras latitudes. (...) De caminho, aproveita para polvilhar esta logorreia com condimentos racialistas, descendo ao patamar de um Mamadou Ba, na enésima variação à "culpa do homem branco", causa de todos os males do mundo. Insinuando que, no essencial, agimos por impulsos racistas. Eis, literalmente, uma forma de ver o mundo a preto e branco. Ignorando que o caucasiano louro, neste filme de terror, é o déspota do Kremlin - não o judeu Zelenski, Presidente da Ucrânia.»

DELITO há três anos

Pedro Correia, 14.03.25

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Beatriz Alcobia: «Há diferenças grandes entre os refugiados sírios e os ucranianos e não têm que ver com a cor da pele. Em primeiro lugar, os ucranianos que fogem da guerra são quase todos mulheres e crianças. Não há, entre os ucranianos, uma percentagem de bombistas radicais que entram misturados para criar células de terroristas contra os europeus, homens que enchem as mesquitas de ódio e incitamento à violência contra os europeus.»

 

Maria Dulce Fernandes: «Que a história se repete, não é novidade, nem que as recorrências sejam aprazíveis. No que toca a condições atmosféricas nem sequer é premonição, é um facto que, neste caso particular, acontece na Primavera e no Outono, todos os anos de todos os séculos. Regressa sempre com as chuvas, com os degelos e com espírito de César. Chega, vê e vence. Que o digam Napoleão e Hitler. Esperemos que ao Psicopata Russo também lhe faça bom proveito.»

DELITO há três anos

Pedro Correia, 13.03.25

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José Pimentel Teixeira: «Boaventura Sousa Santos publicou no "Público" (pelo menos) dois textos de opinião dedicados à invasão russa da Ucrânia. Nada do que neles escreveu diverge das concepções que nas últimas décadas vem pronunciando sobre as diversas matérias do mundo, e que tão queridas e aclamadas vêm sendo em nichos da intelectualidade portuguesa: uma filosofia da história de teor conspiratório, crente na "mão invisível" que tudo causa e comanda, a omnipotência dos omnimalevolentes Estados Unidos da América; um método particular, o manuseio por cardápio das realidades históricas (ditas como apenas "construídas" pelos observadores) para sustentar um discurso apresentado como progressista e que se embrulha como democrático - ainda que refute a "democracia formal"... (...) A sua paupérrima deriva pela monocausalidade, intelectualmente indigna - convém notar que até chega a dizer que a dissolução guerreira da Jugoslávia em 1991 se deveu a que os EUA não queriam que subsistisse um país europeu do Movimento dos Não-Alinhados (em 1991!!!), um perfeito dislate. Disparatada mundividência que o leva agora à simples responsabilização dos Estados Unidos da América, da NATO e das democracias liberais europeias pelo advento da guerra russo-ucraniana.»

 

Paulo Sousa: «A ordem liberal europeia tem um dos seus mais sólidos pilares nas praias da Normandia. Sem a aberração do nazismo, a Europa e o mundo seriam hoje muito diferentes. Será que o ciclo de violência iniciado há dias por Putin ficará circunscrito à Ucrânia, e que serão os soldados ucranianos os únicos chamados para lutar e morrer pela liberdade? Que riscos estamos dispostos correr e que sacrifícios estamos dispostos a fazer para defender o que somos e a forma como vivemos?»

DELITO há três anos

Pedro Correia, 12.03.25

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José Meireles Graça«A Ucrânia, como a própria invasão ilustra, tinha e tem todas as razões para temer o urso vizinho; o México não tem nenhuma razão para temer o Tio Sam, mesmo que no passado longínquo as coisas não tenham sido exactamente assim; os países bálticos, e outros que não estão suficientemente longe, têm todas as razões para se abrigarem na OTAN, que é uma organização defensiva; e a China sabe, como toda a gente, que o único obstáculo sério à absorção de Taiwan são os EUA, o que significaria, no caso absurdo de uma aliança entre a China e o México, que a única interpretação possível era a de um acto hostil do México aos EUA.»

 

José Pimentel Teixeira: «Lendo os meus correspondentes-FB em Moçambique encontro imensa gente louvando/"compreendendo" (justificando) - entre postais e comentários - a "operação militar" (sic) da Rússia na Ucrânia. A dimensão dessa adesão surpreende-me. Até porque habita num país que durante os últimos 50 anos viveu uma guerra de independência contra Portugal, uma "operação militar" (sic) da Rodésia e a demorada intrusão militar da África do Sul.»

 

Eu: «É urgente desnazificar a Rússia.»

DELITO há três anos

Pedro Correia, 11.03.25

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João Pedro Pimenta«No mini-clássico A Ideia da Europa, de George Steiner, fica-nos desde logo este trecho. Odessa, a maior cidade e maior porto do Mar Negro ("a Paris do Mar Negro"), não só cenário dos contos de Babel mas também famosa por ser o cenário de O Couraçado Potemkin, esse clássico do cinema mudo de Einsenstein, está à espera da força bruta que se prepara a atacar do mar, sabe-se lá com que armas. Há umas décadas foram as SS alemãs, agora são os russos.»

 

Eu: «Pululam nas pantalhas comentadores putinescos - incluindo majores-generais e coronéis que não venceram uma batalha na vida. Exibem um traço comum: todos procuram justificar o crime de agressão contra um Estado soberano cometido pelo ditador russo invocando alegadas "provocações" feitas pela Ucrânia. Que pretenderia aderir à União Europeia - que horror, vejam lá o escândalo. Que deseja integrar-se na NATO - ao ponto de ter esse objectivo inscrito na Constituição, algo inaceitável, configurando atentado à paz mundial. E tretas do género. No fundo, estes sujeitos querem dizer o quê? Não custa concluir: que a Ucrânia "estava mesmo a pedi-las". Fazem lembrar aqueles trogloditas que imputam o crime de violação à indumentária da mulher violada. A Ucrânia, neste caso, usava uma mini-saia demasiado curta.»

DELITO há três anos

Pedro Correia, 10.03.25

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Beatriz Alcobia: «Para quem estranhe que se faça um diagnóstico de fascista a Putin, sendo um ex-KGB, é só avaliar os sintomas visíveis: populismo; distorção da História para engrandecer o povo; apelo e exaltação dos valores da mística da Nação russa; propaganda de demonização do Ocidente; identificação do Estado ao líder messiânico (ser contra Putin é ser contra a Rússia); identificação do líder com a alma do povo russo; vitimização; fabricação de narrativas de mentira com ocultação sistemática dos factos; agressividade.»

 

João Pedro Pimenta«Se alguma vez quiserem saber como é a cara de um traidor, recordem bem esta: Viktor Yanukovytch, ex-presidente da Ucrânia, o homem que depois de ser deposto (por votação no parlamento ucraniano, recorde-se, e de quem até o seu próprio partido se afastou) fugiu para a Rússia - e lá se tem conservado - que apoiou sempre, deixando um rasto de uma fortuna colossal ilegitimamente adquirida e que agora quer que a Ucrânia se renda.»

 

Eu: «Segundo números oficiais da ONU, a agressão ordenada por Putin ao país vizinho já provocou 516 mortos e 908 feridos só entre a população civil. E a Organização Mundial da Saúde especifica: foram dirigidos 18 ataques a instalações médicas e hospitalares. Haverá pior crime contra a humanidade? A invasão bélica da Ucrânia - traindo todas as promessas feitas pelo ditador moscovita - começou faz hoje duas semanas.»

DELITO há três anos

Pedro Correia, 09.03.25

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Maria Dulce Fernandes: «Impotentes, rezamos um Pai Nosso. Não sei se os ortodoxos rezam o Pai Nosso, mas a Nadiya pareceu sentir-se mais alentada. Quis ficar. Quis continuar a trabalhar. Mais um dia a distribuir sorrisos discretos enquanto o mundo que conhece se esfrangalha na lonjura das planícies da sua terra.»

 

Eu: «Vemos ucranianos a fugir para os países situados a sul e a oeste das suas fronteiras: Polónia, Hungria, Eslováquia, Roménia, Moldávia. Só na Polónia, segundo informa a BBC, o número de refugiados já vai em 1,2 milhões. Em apenas duas semanas. Alguém sabe dizer-me quantos fugiram para a Rússia desde a sinistra data de 24 de Fevereiro? Será que nenhum quer acolher-se à protecção dos blindados "libertadores" de Moscovo? Vale a pena reflectir nisto. Porque as respostas a esta perguntas permitem esclarecer várias outras questões, que a propaganda do Kremlin e dos seus lacaios em Portugal procura iludir. O instinto dos povos em fuga, acossados pela guerra, nunca se engana na rota da liberdade.»

DELITO há três anos

Pedro Correia, 08.03.25

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José Meireles Graça: «Os Ucranianos estão-nos a defender; Putin não. E mesmo que o efeito boomerang das sanções, os problemas da integração dos imigrantes, a situação no terreno e o cansaço venham a provocar um efeito de fadiga, e logo o evoluir da opinião pública para teses derrotistas, não é preciso empurrar.»

 

José Pimentel Teixeira: «Há um terceiro núcleo de activistas avessos a uma condenação da invasão russa, os militantes do blaseísmo, essa ideologia dominante da pequeno-burguesia arrivista lisboeta (com sucursais no Porto). Ciosos em criticarem a expressão de sentimentos, indignações ou mesmo análises alheias, as quais consideram coisa "tããõ po-vô", tão popularucha, desta gente desinformada que saltita entre o big brother e o futebol mas que se atreve a opinar, assim a querer parecer como... "nóós!". Confesso que a este grupo prefiro - excepto uma ou outra facebuquista destas, particularmente bem apessoada - os velhos comunistas, empedernidos.»

 

Teresa Ribeiro: «Mãe galinha que sou, sempre pensei que não haveria causa que pudesse alguma vez colocar acima da integridade física do meu filho. Mais: nunca entendi como podia haver mães que sentissem e pensassem o contrário. Até que comecei a assistir a esta guerra em directo e a admirar, comovida, o estoicismo das mulheres ucranianas. Quedo-me estupefacta a ler nos seus rostos o desespero embrulhado em revolta, o conformismo valente de quem aceita que há momentos em que é necessário fazer sacrifícios pessoais, por mais dolorosos que sejam. Vejo-as e pergunto-me se era capaz. Acho que não. Mas apercebo-me de que em mim alguma coisa mudou. Porque agora eu entendo.»

 

Eu: «Chocada com a agressão do seu próprio país à Ucrânia, esta pintora e activista decidiu ostentar dois rudimentares cartazes de protesto - um a favor da paz, outro contra a utilização de armas nucleares. Onde se liam frases como estas, escritas em russo: «Filho, não vás para esta guerra! Soldado! Larga as armas e torna-te um verdadeiro herói! Não dispares!» Discurso interdito na Rússia totalitária de Vladimir Putin onde a palavra guerra está banida do léxico público e uma mãe que chore um filho soldado morto na Ucrânia arrisca pesada pena de prisão por traição à pátria.  Mesmo assim Elena saiu à rua, em Sampetersburgo. Exibindo as mensagens que redigiu naqueles cartazes considerados subversivos pelos esbirros do ditador.»

DELITO há três anos

Pedro Correia, 07.03.25

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José Pimentel Teixeira: «Se é para ter generais que julgam errado defender um país para conseguir melhores termos de rendição, acautelando o futuro o melhor possível, se é para termos esta mentalidade de funcionário público do economato no topo das nossas Forças Armadas, então será melhor encerrá-las. E com as poupanças aumentar o contributo à NATO (ou similar) que nos trate da Defesa. Ou contratar umas empresas mercenárias. Pois com estes generais não iríamos lá.»

 

Maria Dulce Fernandes: «Afinal acabar com todo este mal entendido que tem morto tanta gente e lacerado tanta alma, causado tanta dor, tanto desespero e tanto medo, é tão simples! Mas simples de doer, caramba. Pena que nem todos nasceram sob a aura da genialidade dos homens que comandam mundos.»

 

Eu: «O partido de Putin.»

DELITO há três anos

Pedro Correia, 06.03.25

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José Pimentel Teixeira: «Nestes dias de regresso a um passado bélico europeu que julgara desaparecido, e face à explosão de russofilia e de anti-europeíce - algo diferente do anti-europeísmo -, bem como às posições dos "camaradas e amigos" comunistas portugueses (e não só), tenho conversado bastante com o meu pai.»

 

Eu: «Guernica, neste preciso dia em que escrevo, tem outros nomes: Kiev, Carcóvia, Quérson, Mariúpol, Mykolaiv, Chernihiv. Faltam novos Picassos para transporem este etnocídio em tela. Com o mesmo talento do mestre malaguenho. Para que as gerações futuras nunca esqueçam.»

 

Até ao fim da próxima semana, por motivos óbvios, lembro o que aqui se escreveu há três anos e não há dez

DELITO há três anos

Pedro Correia, 05.03.25

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João Campos: «J.R.R. Tolkien combateu na Primeira Guerra Mundial, viveu durante a Segunda, viu vários Senhores das Trevas ascenderem e caírem no seu tempo, e nem por isso perdeu a esperança. Afinal, Morgoth e Sauron caíram

 

José Pimentel Teixeira: «Um amigo recomenda-me a leitura desta entrevista de Noam Chomsky. Para os mais distraídos noto que se trata de um norte-americano muito bem aceite pela área comunista europeia (...) até porque voz sempre muitíssimo crítica do poder dos EUA. E as suas opiniões sobre política internacional são recorrentemente convocadas pela esquerda (lusa, europeia) aquando das sucessivas crises e conflitos. O que decerto dará à sua opinião sobre esta guerra alguma legitimidade junto daqueles (a Norte e a Sul do Equador) que revêem na "esquerda" e no "anti-imperialismo". (...) Espero que o documento seja útil a alguns. Principalmente a alguns dos nossos comentadores, que vêm aqui "contextualizar" - entenda-se, justificar - esta guerra, apontando as malevolências do imperialismo, o americano e os seus avatares - europeu ocidental e, hélas, ucraniano.»

 

Eu: «Estas declarações da deputada do Bloco de Esquerda [Mariana Mortágua] ocorreram no dia em que Putin anunciou ter dado ordem para o início da agressão à Ucrânia após reconhecer as pseudo-repúblicas de Donetsk e Lugansk.»

 

Até ao fim da próxima semana, por motivos óbvios, lembro o que aqui se escreveu há três anos e não há dez

DELITO há três anos

Pedro Correia, 04.03.25

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José Pimentel Teixeira: «É interessante olhar para o que aconteceu entre os países da CPLP. Entre os seus 9 países, 4 dessolidarizaram-se com esta denúncia da negação russa à auto-determinação ucraniana - Angola, Guiné Equatorial e  Moçambique abstiveram-se, a Guiné-Bissau eximiu-se à votação. E nisto é preciso contar com o actual percurso brasileiro, pois sendo certo que se esse país votou favoravelmente a (de facto) simbólica condenação, o seu presidente Bolsonaro não só acaba de visitar, efusivamente, a Rússia como já depois do início da invasão reiterou a "neutralidade" do seu país face a esta situação.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «Ontem, quando assisti pela televisão a uma conferência de imprensa dada em directo por Zelensky, com a presença da comunicação social estrangeira, no seu abrigo na região de Kiev, sete dias depois de iniciada a invasão e ocupação russa, que seria rápida e uma espécie de passeio depois de largos meses de preparação, não pude deixar de ficar impressionado e comentar para comigo mesmo o que pensaria Putin naquele momento. Que diabo, Zelensky não estava em África, refugiado no meio da Jamba, e o exército russo não é a rapaziada das FAPLA ou o exército angolano. E ele ali estava, no seu posto de combate, a falar com a imprensa internacional. Para Putin e para os generais russos a invasão da Ucrânia já está a ser uma humilhação. A conferência de imprensa de Zelensky confirma-o.»

 

Eu: «Um dos mais sinistros documentos registados na História: o famigerado "pacto de não-agressão" germano-soviético assinado a 23 de Agosto de 1939, em Moscovo, por Molotov (o Lavrov estalinista) e Ribbentrop (o Lavrov nazista). Nove dias depois, começava a II Guerra Mundial. Com a invasão, ocupação e anexação da Polónia por forças bélicas alemãs e soviéticas.»

 

Até ao fim da próxima semana, por motivos óbvios, lembro o que aqui se escreveu há três anos e não há dez

DELITO há três anos

Pedro Correia, 03.03.25

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Beatriz Alcobia: «Resiste-se ajudando os que são alvos de agressão para que possam defender-se, durante tantos anos quantos forem precisos; ajudam-se as pessoas do país agredido; os países unem-se (todos ou o maior número possível), na ONU, de preferência e todos os que podem boicotam o agressor com sanções, durante os anos que forem precisos para que recue ou alguém no seu país o deponha; documentam-se os crimes do terrorismo (é um terrorismo de Estado) para que mais tarde respondam na justiça; tenta-se sempre a diplomacia com o agressor mas sem lhe dar um milímetro de terreno que lhe dê espaço para que reforce a sua tendência de expansão agressiva.»

 

José Pimentel Teixeira: «Há imensas fontes para se tentar perceber a situação na Ucrânia. Desde logo as inúmeras televisões - por hábito vou mais à France 24 e à BBC World News mas a DW também me serve. Um dos nossos generais comentadores televisivos recomenda a fiabilidade da televisão estatal da autocracia catariana. Enfim, há para todos os gostos.»

 

Paulo Sousa: «Kasparov sugere que se acerte a emissão de passaportes ucranianos a todos os pilotos da NATO que queiram combater as tropas russas, que sejam vendidos os aviões por 1€ e que levantem vôo já com as insígnias ucranianas. Só travando este ataque se pode evitar o seguinte.»

 

Eu: «Em 1946, no processo contra a cúpula sobrevivente do poder hitleriano, o Tribunal de Nuremberga instituiu que a agressão é "o supremo crime" no âmbito das relações internacionais. Agredir um Estado vizinho, com óbvia desproporção de meios, é imitar o belicismo nazi. Com uma diferença digna de registo: Hitler, ao contrário de Putin, nunca possuiu arsenal atómico.»

 

Até ao fim da próxima semana, por motivos óbvios, lembro o que aqui se escreveu há três anos e não há dez

DELITO há três anos

Pedro Correia, 02.03.25

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João Pedro Pimenta: «No caso da Ucrânia, não só se trata de uma violação flagrante do direito internacional com base em mentiras descaradas (a suposta adesão do país à NATO) como atenta contra um presidente livremente eleito (venceu até o seu antecessor, que estava no cargo), e não um "neonazi", ao contrário do que se passa na Rússia. Ou seja, pelos argumentos da Rússia, a Ucrânia tinha todas as razões para a invadir, já que o regime de Putin ameaça a sua soberania, comete crimes contra o seu povo e só se "elege" prendendo e abatendo adversários.»

 

José Pimentel Teixeira: «Tive curiosidade em perceber a votação de hoje na ONU, a tal esmagadora censura à Rússia - 141 países a favor, 5 contra, um punhado que se esqueceu de aparecer. E 35 países que se abstiveram, à imagem da super-potência China e da proto-super-potência Índia.»

 

Maria Dulce Fernandes: «Podes nada entender da realidade do mundo, mas sabes que mordaças e grilhões aguardam na parda antecâmara da morte de todas as mortes, aquela que deixa para trás o corpo vazio de alento de quem a alma se apagou nas chama da desolação e do terror.»

 

Paulo Sousa: «O rio Dniepre, o quarto mais longo rio europeu, nasce na Rússia, atravessa a Bielorrússia, divide a Ucrânia em duas metades quase iguais e desagua no Mar Negro.»

 

Eu: «[Putin] acaba de sofrer uma duríssima derrota no Parlamento Europeu, reunido em sessão plenária extraordinária, onde a agressão da Rússia à Ucrânia foi condenada por cerca de 94% dos eurodeputados: 637 aprovaram uma resolução condenatória, 26 abstiveram-se e apenas 13 votaram contra. Entre esses 13, incluíram-se os dois eurodeputados do PCP, que se comportaram neste palco internacional como capachos de Moscovo. Ao lado do agressor contra o agredido. Entre o verdugo e a vítima, escolheram o verdugo. De braço dado com alguns representantes da mais rançosa extrema-direita ali sentada. Chamam-se João Pimenta Lopes e Sandra PereiraÉ importante que os nomes sejam destacados, para que não fiquem confundidos numa nebulosa imprecisa. E para que nenhum deles tente um dia mais tarde fingir que nada disto aconteceu em Bruxelas a 1 de Março de 2022.»

 

Até ao fim da próxima semana, por motivos óbvios, lembro o que aqui se escreveu há três anos e não há dez

DELITO há três anos

Pedro Correia, 01.03.25

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José Pimentel Teixeira: «Chegámos a isto, em Mortágua a repulsa pelas imperfeitas democracias liberais é tamanha que "compreende" o seu agressor imediato através de termos, ideais, com esta genealogia. E temos então a tão "respeitada" e tão "competente" deputada da "esquerda" tão "identitarista" (e nisso "multicultural") a valorizar a necessidade do Lebensraum..

 

Paulo Sousa: «Nunca nenhum povo aceitaria ficar isolado do mundo para, à força da bomba e deixando um rasto de sangue, defender algo como o que Putin defende. É por isso que os déspotas não gostam da ordem liberal, e dos contra-pesos da democracia. E é exactamente por isso que esta deve ser defendida.»

 

Teresa Ribeiro: «O olhar ínvio, incapaz de se sustentar frente às câmaras de televisão e a expressão esfíngica que ostenta sempre que se apresenta em público revelam-no fechado e frio. Dele sabe-se da sua sede assassina de poder. É isso que o move. Não olha a meios, este Darth Vader. Envenena opositores políticos e jornalistas, prende manifestantes, manipula eleições e agora manda bombardear hospitais, creches e lançar no terreno brinquedos armadilhados numa guerra onde vale tudo, até trocar de uniforme para confundir o inimigo.»

 

Eu: «Quando o mesmo partido, então liderado por Álvaro Cunhal, se apressou a aplaudir a invasão de Praga pelos blindados do Pacto de Varsóvia, em 1968, registaram-se muitas demissões nas suas fileiras, ainda na clandestinidade. Agora, em pleno século XXI, esta justificação do "direito de pernada" de Putin num Estado soberano é acolhida com mansa resignação nas bases do PCP. Incluindo artistas, actores, jornalistas, desportistas, autarcas, sindicalistas: permanecem todos em silêncio, como se aquela abjecta posição não lhes dissesse também respeito. Se alguma coisa isto comprova, é a decadência da militância comunista. Já esquecida do que Friedrich Engels ensinou: "Não pode ser livre um povo que oprime outros povos".»

 

Até ao fim da próxima semana, por motivos óbvios, lembro o que aqui se escreveu há três anos e não há dez

DELITO há três anos

Pedro Correia, 28.02.25

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Beatriz Alcobia: «Putin viu neste caos e desunião, por um lado fraqueza e por outro, oportunidade, mas esqueceu-se que a Europa, tendo uma história de guerras, tem também uma história comum de povos entrelaçados por laços familiares, alianças comerciais e políticas.»

 

José Meireles Graça: «É possível que os cidadãos europeus, velhos, cansados, socialistas de obediências várias, albergando as suas decrépitas quintas-colunas do comunismo derrotado, que hoje quase que unicamente por antiamericanismo primário defendem a agressão putinesca, comecem a cair em si: a história não acabou, e projecta sombras compridas; e si vis pacem para bellum

 

José Pimentel Teixeira: «Ontem houve uma manifestação em Lisboa diante da embaixada russa, convocada por seis partidos e que congregou gente variada - nisso incluindo ucranianos (e não só) residentes, que haviam estado numa outra manifestação no Terreiro do Paço. Lá fui, acompanhando alguns velhos amigos - todos nós com parco historial nestas demonstrações.»

 

Paulo Sousa: «O que se está a passar no leste europeu, mais do que qualquer outra coisa, é a confirmação de uma deformação de carácter do líder russo, assim como dos maluquinhos que preenchem a sua primeira linha de comandantes. São eles os nossos inimigos, não os russos.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «Na imagem, a confirmar a notícia e as palavras do ministro da Defesa russo, vê-se uma infra-estrutura militar ucraniana destruída por uma arma de precisão que poupou a população civil.»

 

Eu: «Qualquer vitória que o ditador russo possa reclamar, nesta tentativa de impor um direito de pernada à Ucrânia, será sempre pírrica. Acabará julgado por crimes de guerra. E verá o Ocidente emergir deste pesadelo com um vigor que jamais imaginou.»

 

Até ao fim da próxima semana, por motivos óbvios, lembro o que aqui se escreveu há três anos e não há dez

DELITO há três anos

Pedro Correia, 27.02.25

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José Pimentel Teixeira: «Esta visão acrânica sobre a guerra na Ucrânia é uma vergonha para o PSD e uma desgraça para o país. Por menos relevante, em termos mundiais, que seja a opinião do dirigente do segundo partido de Portugal.»

 

Paulo Sousa: «A confirmar-se a expulsão da Rússia do sistema swift, sem que o mesmo seja aplicado à Bielorrússia e a outros países apoiantes de Putin, irá levar a que os pagamentos destinados a contas bancárias russas façam primeiro tabela num desses países. Esta nova rota de pagamentos deixará atrás de si um rasto de comissionistas sorridentes.»

 

Eu: «A minha bandeira hoje é esta.»

 

Até ao fim do mês, por motivos óbvios, lembro o que aqui se escreveu há três anos e não há dez

DELITO há três anos

Pedro Correia, 26.02.25

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José Pimentel Teixeira: «Este vetusto, e patético, argumento propagandístico do estertor do comunismo, o tal da ocidentalização como drogradição, é o que Putin recupera. Como agente da KGB, que nada mais é do que isso. E há os outros, nós, não-putinescos. Que em vez de crer nas lérias podemos olhar para o fim daquele horrível comunismo dos KGBs através de outros olhos. Sem drogas.»

 

Luís Menezes Leitão: «Hoje é Zelensky que, perante uma agressão russa à Ucrânia, recusa ofertas de fuga e mantém-se ao lado do seu povo na defesa do seu país dizendo-lhe simplesmente: "Estamos aqui". Não se sabe qual será o seu destino, mas não há dúvida que passou a ser o símbolo da Ucrânia resistente.»

 

Paulo Sousa: «Dentro da dinâmica cultural de Kiev é (era) possivel assistir a um espectáculo de fado. Aqui anuncia-se uma actuação na Filarmónica Nacional de Kiev do trio composto por Ricardo Martins (guitarra portuguesa), Ricardo Sousa (guitarra clássica) e Luis Trindade (guitarra acústica). Com o apoio do Instituto Camões.»

 

Eu: «O canalha.»

 

Até ao fim do mês, por motivos óbvios, lembro o que aqui se escreveu há três anos e não há dez