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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 23.08.19

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Sérgio de Almeida Correia: «O paralelo entre o que hoje se está a passar em Belém e o que se passou em Macau, em matéria de criação de factos políticos e de "gafes" anónimas, apimentada com a repetição de figurantes, alguns ex-figuras gradas do cavaquismo, é de tal forma parecido que seria de toda a conveniência questionar o papel da silenciosa e discreta assessoria de imprensa da Casa Civil.»

 

Eu: «José Sócrates, enquanto primeiro-ministro, foi fazer campanha a Lamego, onde lançou a primeira pedra do novo hospital - nada mais do que a primeira pedra. E atreveu-se a falar em "nova era nos hospitais" - tendo para apresentar nada mais do que uma primeira pedra. A 36 dias das legislativas. É uma forma de fazer política. A de Sócrates. Inconfundivelmente.»

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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 22.08.19

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Leonor Barros: «Salvador é mais do que uma data. Salvador é um sentimento que não se deixa pôr por palavras. É ir ao Bonfim e conversar com a Carol e o Jairson sobre patuás e orixás, Erê, o meu, e ninguém tocou ainda, Carol, e fitas coloridas, trazer a pagela do Santo Expedito que todos os dias me olha aqui mesmo ao lado. É ver a cidade lá em baixo. É subir e descer as ladeiras do Pelô, regatear com o Caetano o preço dos colares de sementes, descer o elevador Lacerda com a Baía de Todos os Santos em frente, azul e imensa, e vislumbrar do outro lado Itaparica, berço de João Ubaldo Ribeiro.»

 

Paulo Gorjão: «Os amigos comuns têm de escolher entre um e outro. Pior. Têm de lhe dar razão e ver no ex-amante que ele outrora amou com paixão o canalha que agora identifica com toda a clareza. Ele, aliás, tem a certeza disso. Como antes teve a certeza que Sócrates era o amor da sua vida. Bem vistas as coisas, tal como aconteceu com o arrufo com Santana Lopes, pode ser que Sócrates e Gonçalves acabem por fazer as pazes. Era bonito. Eu, que sou um romântico, confesso que já estou aqui com uma lágrima no canto do olho. Adoro finais felizes.»

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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 21.08.19

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João Carvalho: «Lembram-se daquela historinha da criança que ia comprar um bonequinho de chocolate? Quero um bonequinho, não quero uma bonequinha — dizia ela quando chegava à loja. E porquê? Por saber que o bonequinho tem mais um bocadinho de chocolate.»

 

Teresa Ribeiro: «A verdade é que em certa medida a relação com um médico é sempre uma violência, caucionada pelas memórias dramáticas dos xaropes de gosto horrível, das picas e dos detestáveis supositórios da infância. Se a consciência da sua vulnerabilidade está presente em cada paciente, também os médicos vivenciam a experiência inversa. Quando se fala de ética médica é, entre outros aspectos, da capacidade de liderar correctamente esta relação, tão delicada, que se fala.»

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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 20.08.19

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Sérgio de Almeida Correia: «Já imaginaram o que seria o hastear da bandeira de Cromwell no Palácio de Buckingham, do pavilhão do Duque de Orléans na Bastilha ou o da coroa italiana no Castello Sforzesco? A República não pode continuar a tolerar este tipo, já não de brincadeiras, mas de cretinices.»

 

Eu: «Um primor de elegância que deve encher de júbilo os desempoeirados apologistas do insulto que agora por aí proliferam. Se Portugal fosse a Rússia de Estaline, Paulo Pedroso jamais teria sido bafejado pela "sorte" de uma sentença ilibatória do Tribunal da Relação: o Gulag era o destino garantido à partida. Ferro e Pedroso que aprendam: nenhuma coligação é possível ou desejável com estalinistas. O melhor mesmo é mantê-los à distância.»

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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 19.08.19

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André Couto: «Zagreb fez-me lembrar Havana. Uma cidade de edifícios deslumbrantes mas na sua maioria bastante degradados. No entanto, ao contrário da capital cubana, em Zagreb já se nota um esforço de recuperação do parque edificado. Ao ritmo patente, alguns anos mais e dará cartas, merecidamente, entre as mais concorridas cidades europeias.»

 

Ana Margarida Craveiro: «Dois agentes da PSP, agredidos na Amadora em 2004 quando estavam em serviço, não vão ser indemnizados por danos morais e físicos e foram obrigados a pagar as custas do processo porque os agressores, condenados em tribunal, apresentaram atestado de pobreza.» No Público. (O único comentário seria a extrema vergonha que sinto por viver num país assim.)

 

Ana Vidal: «Tive hoje de manhã o desgosto de saber que José Sócrates não comenta "disparates de Verão", o que me fez perder a legítima esperança que tinha de vê-lo aqui, no DELITO, a comentar esta minha esforçada série dos ditos. Ainda estou profundamente abalada com a notícia.»

 

Jorge Assunção: «Enquanto no campeonato do mundo de atletismo Nélson Évora ganhou a medalha de prata, no campeonato português do quem dá mais a Santarém Sócrates ganhou a medalha de ouro (e, provavelmente, um voto nas legislativas).»

 

José Gomes André: «Já não bastava termos um futuro deputado da nação a proferir insultos públicos, usando não uma, mas duas vezes uma expressão ("filho da pu...") que julgava banida do debate civilizado. Agora temos também uma curiosa personagem ("João Coisas") de um blog de primeira linha (o Simplex) a enviar mails intimidatórios, apenas porque alguém resolveu ilustrar um texto com uma foto de Carolina Patrocínio - daquelas que se encontram aos milhares no Google. O episódio é explicado aqui e tem a sua graça. Sorte teve o Pedro Correia em apostar num cherrycake em vez de uma foto da dita Carolina, ou tinha também uma ameaça de um processo em cima por um "alegado amigo" da dita.»

 

Eu: «Uma indignidade que devia envergonhar qualquer português: uma adolescente violada viu, à insuportável violência de que foi alvo, somar-se o enxovalho de aguardar horas a fio que os especialistas cumprissem um horário qualquer da função pública, sem poder sequer deslocar-se ao WC. (I)moral da história: neste país as violações só podem ocorrer das 9 às 17, sob pena de se aguardar uma noite inteira por um perito - e nem pensar que sucedam no mês de Agosto. Um verdadeiro nojo.»

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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 18.08.19

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João Carvalho: «Cresce dramaticamente o número de desempregados. Inclusive o número oficial, que ninguém tem dúvidas de que é esmagado à custa dos mais diversos "truques". Toda a gente sabe que o Verão costuma atenuar estes dados, à custa do trabalho sazonal em torno do turismo, mas o mês de Julho alterou a tradição e registou um desemprego assustador.»

 

José Gomes André: «Importa garantir que o investimento público não conduz a um endividamento excessivo, que hipoteque o direito das gerações futuras a concretizarem as suas aspirações. Temos a obrigação de investir em projectos que venham a beneficiar os que ainda não nasceram, mas devemos também proteger os direitos das gerações vindouras a determinarem o seu próprio destino, sem estarem presas a pesados fardos contraídos no passado sem o seu consentimento.» 

 

Sérgio de Almeida Correia: «Uma Casa Civil cujos membros falam sob anonimato e dão entrevistas aos jornais enquanto o Presidente da República está de férias não desempenha as funções que lhe estão destinadas num Estado de direito democrático. Impunha-se, por isso mesmo, que quem tem falado por tudo e por nada, incluindo sobre as coisas mais triviais,  se pronunciasse agora para confirmar ou infirmar as notícias do Público. De outro modo, os rumores passarão a recados e só o recibo da tença distinguirá os seus membros dos militantes de um partido ou dos seguidores de uma qualquer seita.»

 

Eu: «Numa bancada parlamentar domesticada, onde raras foram as vozes dissonantes, António José Seguro destacou-se pela qualidade e pelo desassombro das suas intervenções, várias vezes fora do coro unânime a que José Sócrates quis reduzir o grupo parlamentar socialista. Já anteriormente se notabilizara ao subscrever uma reforma do regimento parlamentar que em muito valorizou o papel do órgão legislativo como fiscalizador dos actos do Executivo e centro por excelência do debate político em Portugal. Mas o seu gesto mais digno de elogio ocorreu no dia da votação da lei do financiamento partidário: foi o único dos 230 deputados a votar contra este diploma, que uniu o hemiciclo de extremo a extremo.»

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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 17.08.19

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Ana Vidal: «Com a crise generalizada, o desemprego, a insegurança, a gripe A e outros mimos com que todos os dias são presenteados os humanos, bom mesmo é ser-se vaca. Sobretudo se se tiver a sorte de nascer nesta exploração de Portalegre, onde o extremoso proprietário não poupa esforços para oferecer às suas "meninas" todo o conforto e felicidade que possa proporcionar-lhes: cama, mesa e roupa lavada, e agora também ar condicionado e música ambiente, para combater o stress. Tudo isto em troca de uns litros de leite diários? Peanuts! Mesmo assim, há logo vizinhos que vêm pôr defeitos na escolha musical: Beethoven não é suficientemente relaxante, talvez Haydn ou Mozart.»

 

João Carvalho: «Quando ouço Sócrates falar em recessão técnica, o modo como isso me soa tem uma conotação familiar que me fere os ouvidos: traz-me à memória aquilo do inglês técnico, lembram-se? Ora, o resultado da aprovação no rigoroso exame a inglês técnico numa prestigiada universidade a gente já conhece: está mais ou menos ao nível do portinhol técnico que ele fala fluentemente com Zapatero.»

 

Jorge Assunção: «O Público, na edição de hoje, dedica duas páginas ao tema das nacionalizações, que voltou à agenda devido ao caso do BPN, mas também porque PCP e BE estabeleceram a nacionalização de alguns sectores como proposta nos seus programas. A propósito do tema, Louçã refere que os lucros da EDP e da Galp seriam "suficientes para equilibrar as contas públicas num país com um défice orçamental crónico". Curioso, como é que Louçã nacionalizaria as duas empresas para que os lucros desta revertessem a favor do Estado? Não teria isso impacto negativo no défice orçamental?»

 

Leonor Barros: «O MMS lançou hoje o seu primeiro cartaz para as legislativas próximas em que sugere enviar os líderes partidários para a Conchinchina. Resta saber quem sugerem que se vá embora a seguir. A continuar assim ainda ficamos despovoados. Bem podem juntar-se a um outro partido que queria os imigrantes daqui para fora. É sempre mais fácil arranjar bodes expiatórios. Resta saber o que pretendem fazer depois de expulsar os líderes. O eleitorado agradecia.»

 

Eu: «Na quinta-feira, com uma chocante indiferença ao drama social do desemprego galopante, um Sócrates eufórico anunciava "o princípio do fim da crise", logo secundado pelo habituais propagandistas de serviço, sempre em uníssono com o chefe. Hoje, afinal, o primeiro-ministro deu o dito por não dito: "Não é o fim da crise. Não. Estamos longe disso." Percebeu-se que neste intervalo de quatro dias teve oportunidade de assimilar o sábio conselho do presidente do Bundesbank: "É demasiado cedo para decretar o fim da crise."»

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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 16.08.19

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André Couto: «Ljubjiana é o espelho do País. Uma cidade naturalmente encantadora, limpa e verde, cheia de gente prestável comunicativa e simpática mas sem nada de especial a reter. Midas passou por aqui, sem oferecer nada, a Eslovénia oferece tudo e é esta a sensação com que saio daqui. Um país muito simpático e que recomendo, mas onde não se deve gastar mais do que um dia.»

 

João Carvalho: «Este conjunto de malas encerra um conceito inovador que deverá revelar-se muito útil, visto responder às novas realidades. Vejamos. A mala maior que se vê atrás serve para um uso mais tradicional: leva tudo dentro e dá um jeitaço a quem não quer saber de cantigas. A mala maior e a mais pequena permitem transportar a parte mais volumosa do produto e, separadamente, luvas e coisas para o caminho. A mala maior e a média servem para quem não gosta de surpresas e se previne antecipadamente: na maior, os 60 por cento que poderão ir parar ao Fisco e, na outra, os 40 por cento para seguir a vida tranquilamente.»

 

Eu: «O maior humorista da língua portuguesa - que é também escritor, jornalista, dramaturgo, cartunista, brasileiro dos quatro costados e cidadão do mundo - festeja hoje 86 anos. Uma bonita idade, sobretudo para quem, como ele, se mantém em plena actividade - escrevendo, desenhando, criticando os bonzos da política, os disparates mais em voga e toda a espécie de tiques sociais sempre com um sorriso nos lábios. O inconfundível Millôr Fernandes

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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 15.08.19

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André Couto: «O esforçado inglês dos italianos que por função se obrigam a trauteá-lo, porque dos outros nem uma palavra, será certamente um dos momentos cómicos a registar no fim desta viagem. Itália era uma mero ponto de passagem, mal aterrámos seguimos para a Eslovénia, o primeiro destino.»

 

João Carvalho: «O Portugal político é feito à imagem do Portugal televisivo: os habitués convidam-se mutuamente e andam todos a mostrar-se num círculo fechado imparável; o resto é a paisagem do costume, de uma pobreza desoladora em que mais ninguém conta.»

 

Leonor Barros: «Os livros são o melhor antídoto para dias solitários de praia. Arrumo dois no saco, longe dos protectores, a salvo dos cheiros intensos. Incapaz de prever os meus humores e apetites, acomodo-os lado a lado com a garrafa de água e rumo à praia não sem antes espreitar a tarja de mar pela janela e concluir que, embora o resto do país asse literalmente na canícula exuberante, o microclima presentear-me-á com uma tarde encoberta. Nem uma réstia de sol. Hesito à chegada. Vale a pena? E concluo que vale a pena, com os dois livros no saco e a tarde sem afazeres de qualquer ordem, vale a pena.»

 

Paulo Gorjão: «Francisco Moita Flores tem imensos defeitos. Curiosamente, a tropa de Manuela Ferreira Leite só descobriu agora. Andaram todos distraídos durante o último ano, ou foram todos coniventes enquanto, apesar dos defeitos, Moita Flores interessava ao PSD e se mantinha calado. Subitamente, Moita Flores criticou a liderança de Ferreira Leite. O formigueiro assumiu formação defensiva e o intruso tem estado a levar tratamento de choque. O homem é um canalha, afinal. Estou seguro que preferem perder a Câmara Municipal de Santarém do que ganhar com tão indigno personagem.»

 

Eu: «Estação pateta? Que estação pateta? Há quem goste de apresentar Agosto como o mês supremo da silly season. Nada mais falso, como em 2008 voltou a ver-se. Recapitulemos: houve uma guerra no Cáucaso entre a Rússia e a Geórgia, atentados terroristas no Xinjiang, os mais concorridos jogos olímpicos de sempre, um brutal acidente aéreo em Madrid com 154 mortos, a demissão forçada do presidente do Paquistão, as escolhas dos candidatos à vice-presidência dos Estados Unidos. A imprensa, à escala mundial, deu o maior destaque a tudo isto. Nada a ver com silly season. Nada mesmo.»

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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 14.08.19

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João Carvalho: «Não devem esquecer-se de que seria muito mais conveniente para nós que a economia espanhola crescesse, porque vivemos numa gritante dependência dos nossos vizinhos; ainda por cima, são eles que nos ficam com grande fatia das nossas débeis exportações. Pode o PS continuar a esfregar as mãos de contente com essa noticiazinha. Pode, mas não devia, pois não se entende que tamanha miopia seja motivo para tanta alegria.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «Fiquei a saber pela TSF que as Finanças continuam a exigir atestados de incapacidade a quem já tem a desventura de ter uma incapacidade permanente conhecida do próprio fisco, e que devido a tal exigência os pedidos de juntas médicas estão a entupir os serviços. Que os critérios variam de repartição para repartição já todos sabíamos e é normal neste país de mangas-de-alpaca. Mas que haja incapacidades permanentes que necessitam de ser reavaliadas de tempos a tempos parece-me aberrante.»

 

Eu: «Muitos dirigentes comunistas falam recorrendo a fórmulas pré-estabelecidas, com um jargão tribal que só eles descodificam. São raros os que assumem um discurso na primeira pessoa do singular, sem se refugiarem no pronome "nós", meio ideal de transferência de responsabilidades para a massa informe do "colectivo partidário". Honório Novo é uma das raras excepções a esta regra. Fala de modo que todos entendem, com um discurso inteligível e acutilante, sem perder a elegância formal.»

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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 13.08.19

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Ana Margarida Craveiro: «Nas linhas gerais para o programa eleitoral, o PSD destacou uma expressão que pode parecer evidente, mas que revela uma mudança significativa: "prioritárias são as pessoas". E as pessoas são, convenhamos, um bocadinho mais do que simples pagadores regulares de impostos.»

 

André Couto: «Embarco amanhã rumo a Milão. Ao longo de quase três semanas esperam-me outras gentes e culturas. Os destinos, um de cada vez e com a vivência certa, serão Eslovénia, Hungria, Sérvia, Bósnia-Herzegovina, Montenegro e Croácia. Eventualmente Kosovo e Macedónia consoante o vento e o tempo fizerem valer as suas vontades, porque viajar exige o seu quê de liberdade, indefinição e improviso, going with the flow

 

João Carvalho: «Sempre que ouço dizer que Portugal está num "pelotão da frente" qualquer, arrepio-me todo com as novas desgraças que se desenham. Como se sabe, o País só costuma estar no "pelotão da frente" quando o batalhão a que pertencemos faz meia-volta-volver.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «Diariamente somos confrontados com notícias que nos dão conta da desumanização progressiva da nossa espécie e de um aumento desmesurado da crueldade em relação ao próximo. A forma como as nossas sociedades têm tratado os deserdados da sorte, os emigrantes, as crianças e os velhos, ou como se aceita a violência, é algo que hoje tem tanto de banal como de inaudito.»

 

Eu: «Um sistema que precisava de construir uma barreira de betão rodeada de arame farpado electrificado e guardado por militares armados até aos dentes para evitar que os seus próprios habitantes fugissem em direcção ao sistema "inimigo", com risco da própria vida, estava antecipadamente condenado ao fracasso. Foi esta lição de história que tão eloquentemente o Muro da Vergonha nos deixou.»

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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 12.08.19

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Jorge Assunção: «Em 2009, segundo o querido líder, os portugueses serão confrontados com a terrível escolha entre o optimismo de uns e o pessimismo de outros. Esperemos que saibam escolher o lado certo. É que o optimismo dominante, não poucas vezes, confunde realismo com pessimismo. E, dada a prevalência da cultura do Estado-empresário, o optimismo tende a prescrever doses exageradas na receita para os problemas do país.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «Manuela Ferreira Leite, ocupada como está com os números, com as listas e com a elaboração do programa eleitoral do seu partido, pode não ter lido Habermas nem Touraine, mas já recuperou, tal como Berlusconi, a estanquicidade de uma distinção que se começava a pensar ultrapassada, lançando as linhas de uma teoria política (nova?) que a ser levada à letra, e ao arrepio da História, transformará os portugueses contribuintes nos novos cananeus e a Assembleia da República numa versão pós-moderna de Sodoma e Gomorra.»

 

Eu: «O país imaginário dos comunistas nada tem a ver com o país real: é um país em ruptura com a União Europeia "capitalista", que sonha mover a economia com a "afirmação do papel do Estado em sectores estratégicos" e no qual o aumento de salários, pensões e ordenado mínimo ocorre como que por súbita acção de uma varinha mágica. Vermelha e de fabrico soviético, presume-se.»

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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 11.08.19

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André Couto: «Foi gira a graçola do 31 da Armada. Deu para rir, deu para distrair o País e em especial a sua ala direita, consumida até então com os problemas que Manuela Ferreira Leite comprou com a feitura das listas de deputados. Deu ainda para os autores aparecerem em todo o lado na comunicação social e inclusivamente para baterem records na blogosfera.»

 

Ana Vidal: «Mesmo com este pequeno senão que me deixou um bocadinho maldisposta, gostei de ler esta entrevista de Laurinda Alves a Vasco Pulido Valente. Estão lá a graça cáustica, a irreverência e a lucidez do costume, em boas respostas mesmo quando as perguntas são fraquinhas. Como a maior parte das pessoas, detesto ouvi-lo mas gosto muito de lê-lo.»

 

João Carvalho: «O texto de Sócrates no JN de hoje, afinal, é um não-artigo. Recheado de coisas não-novas.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «Há quem não distinga  o genuíno humor da palermice. Acontece o mesmo quando se passa os dias a beber vodka. Acaba-se a olhar para o próprio umbigo com o copo na mão, adquirem-se tiques, confunde-se a inauguração da linha do Carregado com a chegada à Lua, pensa-se que o regionalismo de Alberto João Jardim é igual ao de José Lello, que Mendes Bota escreve como Manuel Alegre ou que a Agustina é a Margarida Rebelo Pinto.»

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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 10.08.19

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João Carvalho: «Pacheco Pereira está muito abespinhado com a ERC por esta ter querido afastar António Costa do programa do costume? Não. Será que ele está preocupado com a possibilidade de ser também preciso afastar António Lobo Xavier do mesmo sítio? Não. Ele está furioso é com a ideia de ter de fechar o seu programa por sua causa. Como é que o País, em momento assim decisivo, poderá viver sem a sua douta opinião em tantos e tão prolixos espaços?»

 

Marta Caires: «Mostram a barriga, a rebolar no chão, a dizer que um gato - que é um bicho bravio, uma máquina de sobrevivência - também é meigo, capaz de mostrar o seu lado frágil a quem merece a confiança. Quando chegamos a este ponto, quando vemos - como eu vejo todos os dias - a barriga de dois gatos, então quer dizer que fizemos um longo caminho para compreender o Mundo, a vida que nele existe e os seus habitantes.»

 

Eu: «Fiquei a saber que é possível escalar tranquilamente a fachada do edifício da Câmara Municipal, a dois passos de uma esquadra e do Ministério da Administração Interna, sem ninguém reparar. Fiquei ainda a saber que é possível manter a bandeira monárquica hasteada na varanda dos paços do concelho durante cerca de 12 horas perante a admirável displicência das autoridades municipais desta doce república.»

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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 09.08.19

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Ana Vidal: «À laia de rebuçado para nós, portugueses, uma surpresa boa: numa das cenas centrais do filme [Duuplo Amor], a voz de Amália invade a sala, cantando Estranha forma de vida. E sabe bem ouvi-la assim inesperadamente (integrada numa banda sonora de luxo, quase toda composta por árias de óperas clássicas), como escolha de uma sensibilidade apurada e saída do mainstream de Hollywood.»

 

João Carvalho: «Estão aí a chegar dois sírios vindos do campo de Guantánamo. Dizem as notícias que "chegam a Portugal com um visto especial" e que "vão viver em local seguro e vigiados permanentemente". Reparem que os dois homens vão viver por cá como nenhum português vive. Assim vale a pena. A partir de agora, já sabem: se quiserem viver em local seguro e sempre vigiados por seguranças gratuitos, mudem-se para o sítio em que ficarem instalados os sírios. Está cada vez mais difícil encontrar um lugar seguro e bem vigiado.»

 

Eu: «Raul Solnado era uma das raras personalidades unânimes em Portugal. Por mérito próprio, figurava entre os genuínos artistas populares que também eram apreciados pelas chamadas elites. Estava, nesse aspecto, ao nível de Amália Rodrigues - de algum modo sobreviveu à sua própria celebridade, já tornada intemporal ainda em vida, facto ainda mais raro entre nós. Depois dele, sobram poucos no nosso mundo do espectáculo: um Rui de Carvalho, um Carlos do Carmo, uma Simone de Oliveira, um  Nicolau Breyner.»

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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 08.08.19

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André Couto: «Raul Solnado, expoente de uma forma tão peculiar de estar na cultura e dono de um humor requintado e refinado como já não se faz, é daqueles que ficam para sempre entre nós. Deixo-vos provas disso. Obrigado por tudo, Raul!»

 

Eu: «Não só os alimentos estão sob a ameaça de racionamento neste incomparável paraíso socialista: antes do fim do ano pode desaparecer também o papel higiénico das prateleiras já praticamente vazias das "lojas do povo" cubanas. Prepara-se um novo salto qualitativo na revolução: abolir esse símbolo por excelência da sociedade burguesa e das tradições mais reaccionárias que é o rolo de papel higiénico. Para o mesmo efeito, aliás, qualquer exemplar do Granma pode servir: é só uma questão de aumentar a tiragem do jornal, órgão central do Partido Comunista Cubano, sempre atento às necessidades do povo.»

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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 07.08.19

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André Couto«Até hoje Caetano [Veloso] não mais parou de crescer e de nos deliciar na música e no cinema, sendo história viva e um dos expoentes máximos da cultura brasileira, junto de homens como Tom Jobim e Jorge Amado.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «A dívida da Câmara [de Faro] oscilará entre 62 milhões de euros (versão José Apolinário) e 82 milhões de euros (versão Macário Correia). Já tinha escrito aqui qualquer coisa, mas confesso que não resisti: a sede para os caçadores e as instalações para os árbitros ficaram-me atravessadas.»

 

Teresa Ribeiro: «Fazes hoje 90 anos, longe vai o tempo em que tu, ainda criança, corrias para o cinema de Castelo Branco, onde cresceste. Nessa época as sobras dos filmes eram vendidas para as papelarias. Estranho costume que teve o mérito de te dar acesso à matéria-prima da tua arte. (...) Sabes, nunca te disse, mas seres o artista da família também fazia de mim em miudinha uma espécie de artista. Não tratava o Solnado, o Artur Semedo, o César Monteiro e o O'Neill e todos os outros de quem me falavas por tu, mas ao participar da tua intimidade ficava mais perto do mundo a que as "pessoas normais" não tinham acesso. Tornei-me, pois, por teu intermédio, uma artista por afinidade.»

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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 06.08.19

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Adolfo Mesquita Nunes: «A convivência entre as três religiões que separam os bairros de Jerusalém não é fácil e qualquer olhar menos distraído apreende a tensão que perturba a santidade dos lugares e a acalmia do fim de tarde. E foi preciso chegar aqui, vir aqui, para entender, sem aceitar, como um só lugar pode originar séculos de guerras e de ódios: em Jerusalém, a fé ganha, para aqueles que como eu a partilham, uma dimensão superlativa, como se os lugaes sagrados fossem afinal a confirmação ou a demonstração dessa fé.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «A condição de arguido apenas tem servido para mascarar e branquear de acordo com as conveniências do momento. A cada opinador o seu arguido, a cada partido o seu critério. Mas o problema tem implicações mais sérias e radica num outro patamar de discussão. Antes de se discutir o que pode ou não pode um arguido na política, seria bom  saber que democracia queremos, que partidos nos servem e que gente deve estar na política.»

 

Eu: «Alberto João Jardim apoia a lista de candidatos a deputados aprovada pelo Conselho Nacional do PSD e manifestou a sua solidariedade a Manuela Ferreira Leite. O mesmo Jardim que em Janeiro deste ano apontava a porta da demissão à líder do PSD se não conseguisse derrotar José Sócrates nas legislativas. E que nessa mesma altura afirmava alto e bom som que os sociais-democratas não deviam "jogar para empatar, mas para ganhar. Não sei que pressões poderão ser maiores que estas: por muito menos, Pedro Passos Coelho foi acusado de conspirar contra Ferreira Leite.»

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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 05.08.19

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João Carvalho«Não é fácil conseguir uma boa derrota. Especialmente quando o principal adversário está desacreditado. Claro que há umas medidas capazes de gerar danos eficazes. Destroçar tropas, por exemplo, ajuda imenso a perder a batalha seguinte. Com uma vantagem possível: a soldadesca que resta de um exército esfrangalhado é sempre muito fiel à voz de comando. O problema é que o comandante não costuma ter tempo para contar quantos ficaram. Porquê? Por também ser considerado despojo de guerra.»

 

José Gomes André: «Lamento a incapacidade de Manuela Ferreira Leite adoptar uma postura conciliatória com a oposição interna. Tinha um bom exemplo dos EUA para perceber que muitas vezes a "desunião" faz a força.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «O Paulo Bento talvez possa dar uma ajuda a Manuela Ferreira Leite. Ontem percebi que o treinador do Sporting também é adepto de uma política de verdade. Em "linhas gerais", é claro, e desde que o João Moutinho não dê cabo de tudo. Ele ou o Rui Rio. A Dr.ª Manuela sabe que esta coisa da politica anda de braço dado com o futebol e as autarquias. Transparências.»

 

Eu: «Mostrou-se exímia a enfrentar os companheiros ao impor listas eleitorais que mostram um partido mais tenso, mais fechado, mais crispado, mais distante da sociedade civil. Levou a melhor nesta sua emocionante refrega contra as distritais: conseguiu ver as listas aprovadas por 59 votos a favor, apenas 37 contra e cinco abstenções. É uma política brilhante - deve estar a pensar neste momento o seu principal adversário.»

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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 04.08.19

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Adolfo Mesquita Nunes: «Pode regressar-se a um lugar onde nunca se esteve, como se um recomeço pudesse prescindir de um começo? Penso nisto desde que cheguei a Jerusalém.»

 

Ana Margarida Craveiro: «Imaginemos que (...) um dos directores da publicação em que escrevo faz um editorial a pedir desculpa aos fãs do autor por mim, num tom subserviente e que insulta o meu trabalho. Pior: depois vem o provedor da mesma publicação dizer em tom autoritário que, se não gosto daquele autor, nunca deveria ter escrito sobre ele. Diz ele que não é curial. Assim, categoricamente. Pode isto acontecer em Portugal? Pode. Na verdade, não se trata de livros, mas de uma crítica a um concerto, e tudo isto está a acontecer a um crítico musical, João Bonifácio. O jornal é o Público, e o artigo do provedor pode ser lido aqui. A liberdade de expressão está em sérias dificuldades por estas paragens.»

 

Eu: «Para assinalar meio século de existência, a ETA voltou a matar. Desta vez as vítimas foram dois polícias. Chamavam-se Diego Salvá e Carlos Sáenz de Tejada. Mais dois a somar aos outros 826 seres humanos ceifados pelas balas dos que teimam em atribuir razões políticas àquilo que mais não é do que um bárbaro, repugnante e inaceitável cortejo de crimes comuns. Sem justificação possível de qualquer espécie.»

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