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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 13.07.20

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João Carvalho: «Eu também não sou nenhum criminoso e também clamo a minha inocência. Com a vantagem de não ter metido ao bolso dinheiro dos contribuintes e de entender que isaltinar é uma coisa pirosa. Por isto — pelo menos por isto — tem de haver uma diferença entre duas pessoas. E parece que há.»

 

Eu: «A mais recente edição do "órgão central do Partido Comunista Português" tem data da passada quinta-feira, 8 de Julho. Manchete: "Hoje é dia de luta! (no Avante!, ao contrário do que sucede em certos blogues, os pontos de exclamação são muito apreciados). E "dia de luta" porquê? A CGTP promoveu na quinta-feira uma "jornada nacional contra o desemprego e a precariedade". O tema ocupa a metade superior da capa e também toda a página 5 desta edição. Com tanto destaque a uma iniciativa da CGTP, pensar-se-ia que o secretário-geral desta organização, Manuel Carvalho da Silva, estaria em foco. Puro engano. O nome de Carvalho da Silva não é sequer mencionado neste Avante!, o que diz muito sobre a forma como a direcção do partido de que é militante de base o avalia. Pelo contrário, o nome de Arménio Carlos - o membro da Comissão Executiva da CGTP que Jerónimo de Sousa e os seus pares gostariam de ver como líder da central sindical - é mencionado oito vezes. Não há coincidências, como dizia a outra.»

DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 12.07.20

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Adolfo Mesquita Nunes: «Por entre os socialistas está muito em voga, agora que o governo foi obrigado a tomar medidas que não passam pelo esbanjamento e distribuição de dinheiro, a tese de que o governo está a ser obrigado, pela crise, a tomar medidas que se afastam do código genético do PS. Esta tese, sedutora por uns segundos e destinada a atirar a impopularidade das medidas para o neoliberalismo, é afinal a confissão de que, no código genético dos socialistas, não está qualquer vocação para tomar medidas eficazes e capazes de colocar em ordem o estado da economia. Porque das duas uma, ou as medidas são boas ou são más. Se são boas, o código genético dos socialistas é mau, porque as não inclui. Se são más, o código genético dos socialistas contém uma especial tendência para a trapalhada. Em qualquer um dos casos, o código genético deixa a desejar.»

 

Ana Cláudia Vicente: «Em tempo de desabituação da farmacopeia oftálmica tomada nas últimas semanas, fechamos esta rubrica com um produto de segunda geração originário do norte de Inglaterra, o qual foi possível observar ontem em plena acção. Foi lançado no mercado internacional em 2005, num surto Irlanda do Norte vs. Portugal.»

 

João Campos: «Ainda não revi o filme - talvez no fim-de-semana -, pelo que mantenho ainda a opinião de que o filme, ainda que interessante, é globalmente fraco. Li, porém, o livro - a minha primeira leitura de Verão, após ter encontrado uma edição em paperback na fnac, a um preço muito convidativo (alguém me lembre de ir lá buscar o 2001: A Space Odyssey, que também estava muito em conta). Enfim, a propósito da obra de [Frank] Herbert, o "mestre" Arthur C. Clarke disse não conhecer nada que se lhe comparasse para além de The Lord of the Rings. Descontada a simpatia, Dune é, de facto, uma obra espantosa, provavelmente um dos mais ambiciosos trabalhos que o género conheceu.»

 

João Carvalho: «Oxalá lhes paguem bem, mas precisam de se esforçar mais para o merecer ou sujeitam-se a cair antes de chegar ao fim do arame. A sombra do desemprego que se aproxima é dramática, eu sei, só que escusam de mostrar serviço à minha custa, pois não tenho pachorra para alimentar "abrantinices". Por mim — que sou pessoa recolhida, que nunca passei perto da soleira da porta do partido que os enerva, que só conheço as lideranças partidárias e respectivas entourages pela comunicação social e, sobretudo, que tenho a sorte que eles desconhecem que é a de pensar e concluir pela minha cabeça — podem ficar calmos que não irei dar-lhes corda.»

 

Luís M. Jorge: «O leitor João Magalhães comete uma grave injustiça ao apodar o DELITO DE OPINIÃO "blogue oficioso da actual liderança do PSD". Reconheço com modéstia que nos é difícil alcançar os patamares de independência e imparcialidade a que o Câmara Corporativa habituou os seus émulos. Mas recordo-lhe que neste e noutros posts eu próprio verberei Passos Coelho com assinalável crueza. No DELITO DE OPINIÃO, a esquerda gira e moderna confronta a direita neoliberal em batalhas épicas travadas ao redor de um leitãozinho da Bairrada ou de um bife à marrare. Tanto brindamos com Lellos como bebemos com os Soares

 

Nelson Reprezas: «O cliente de melões português é um caso paradigmático da ventura de se nascer português. Demos novos mundos ao mundo, depois decaímos um bocado, é certo, mas, helas, sabemos escolher melões. O que absolutamente nos coloca na vanguarda do pelotão europeu. Mas repito. Isto é coisa de homem. De macho. Para as mulheres deixo a pungente tarefa de escolher um peixe.»

 

Eu: «Viagem a Itália – uma obra que “reconcilia o quotidiano com o eterno”, no dizer de Claude Beylie – está cheia de cenas inesquecíveis. A do breve encontro entre Alex e a triste prostituta que planeara suicidar-se na noite anterior. A magnífica sequência do regresso dele a casa, quando Katherine finge estar adormecida e toda a ambiguidade de sentimentos conjugais se revela ao espectador naquele admirável jogo de luz e sombras. A visita às ruínas de Pompeia, onde ambos caminham sempre separados, sem o mínimo contacto físico, ao encontro dos ossos calcinados de um par surpreendido num abraço eterno, dois mil anos antes, pela lava do Vesúvio. “Encontraram a morte juntos”, surpreende-se ela. O amor também pode ser imortalizado assim.»

DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 11.07.20

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João Carvalho: «Se um jantar em Fevereiro tem mais importância do que o processo europeu, é mau. Se Sócrates parece não querer saber (erro gravíssimo) dos gregos e do que aquele cenário seria para Portugal, é péssimo. Se o primeiro-ministro se porta como se gregos fôssemos nós, é um desplante.»

 

Leonor Barros: «Com os políticos que temos prefiro acreditar em polvos e com as presidenciais quase à porta há que precaver o futuro. Assim que tiver novidades sobre os desígnios deste país darei novas. O pior que pode acontecer é convidar-vos para um opíparo arroz de polvo.»

 

Paulo Gorjão: «Defender a Grécia, independentemente do caso específico e das responsabilidades próprias, é também um acto em causa própria. Aquilo que acontecer à Grécia terá repercussões não só para a própria, mas também para terceiros. Por isso, é absolutamente vital garantir que a Grécia não abandonará o euro. Há precedentes que não são uma opção aceitável. A não ser que se queira desde já reconhecer a falência do projecto europeu.»

 

Eu: «É nestas alturas que certos profissionais da indignação se tornam mais eloquentes. Pelo silêncio. Ao assobiarem para o ar e fingirem que não reparam na barbárie instalada pela “revolução islâmica” de Teerão, três décadas após Khomeini ter ali tomado o poder com o aplauso de muitos bem-pensantes da Europa. O filósofo Michel Foucault, num arrebatamento beato, chegou a chamar-lhe “santo”. O Partido Socialista Francês, em 1979, declarou tratar-se de “um movimento popular de excepcional dimensão na história contemporânea”. O regime teocrático iraniano afinal fez mergulhar o país nas trevas pré-medievais, legalizando práticas aberrantes como a lapidação. Foucault e outros, por ignorância ou estupidez, estavam enganados. Mas os piores são os outros. Os que sabem e calam.»

DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 10.07.20

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Ana Margarida Craveiro: «Esta semana, escolho um blogue que não é bem um blogue. Imaginem uma revista de análise económica, em tom rigoroso e com comentários bem fundamentados. É The Portuguese Economy, e devia ser de leitura obrigatória para muitos dos decision-makers deste país.»

 

Paulo Gorjão: «O mesmo José Sócrates que nada sabia sobre o negócio PT/TVI, através do seu gabinete, informa que nunca convidou Paulo Portas para ministro dos Negócios Estrangeiros. Seguramente por lapso esqueceu-se de negar a ocorrência do jantar em casa de Basílio Horta. Excluídos que estavam os temas políticos do menu, pelos vistos, Sócrates e Portas devem ter conversado apenas sobre culinária.»

 

Eu: «Aos poucos, a ideia vai fazendo caminho. Diversos socialistas saem a terreiro em defesa aberta de um governo de bloco central. Não sei se falaram com o acordo tácito de José Sócrates, cada vez mais sem margem de manobra política, mas a verdade é que neste momento nada podia dar mais jeito ao antigo "animal feroz", que descobriu as virtudes do diálogo ao fim de cinco anos de poder arrogante, em que depreciou sistematicamente os adversários, à esquerda e à direita.»

DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 09.07.20

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Joana Lopes: «Há algum tempo, aterrei em Frankfurt, vinda de Pequim, numa tarde chuvosa de um sábado de Novembro. Na minha cabeça, estavam ainda as ruas cheias de multidões, os milhares de bicicletas e automóveis, o movimento que não parava durante vinte e quatro horas. Tive medo quando cheguei ao centro da cidade alemã: tudo era cinzento, chuviscava, não se via rigorosamente ninguém, até um gato preto fugiu alucinadamente quando encarou alguns seres humanos. A sensação que tive foi que a Europa tinha acabado durante as duas semanas em que eu estivera na Ásia e que ninguém me tinha avisado. Pessimismo radical? Nem por sombras, apenas necessidade de perspectivar a realidade um pouco de longe. De perto, a vida continua, as férias estão à porta, os portugueses continuam a ir para Varadero, Cristiano Ronaldo é pai, uma equipa europeia vai ganhar o Mundial e o engenheiro Sócrates diz-nos que o futuro será risonho daqui a meia dúzia de dias!»

 

Sérgio de Almeida Correia: «Passada a fase do seleccionador que era esmurrado pelo jogador, veio a fase do seleccionador que esmurrava o jogador da equipa adversária. Depois passámos à fase do seleccionador que esmurra o jornalista e comentador televisivo. Agora estamos num outro nível, estamos na fase em que o seleccionador nacionaldescontente com o trabalho de um jornalista que o entrevistou o mimoseia com termos do género "vigarista", "execrável" e "aldrabão". A próxima fase deverá ser o insulto directo aos portugueses que não vislumbraram as suas virtudes.»

 

Eu: «Carlos Queiroz, acolhido há dois anos como seleccionador nacional por um coro quase unânime dos comentadores futebolísticos, ao jeito de um concerto para piano e vuvuzelas, recebe agora as primeiras críticas dignas desse nome na chamada imprensa da especialidade. Mais vale tarde que nunca. Mas convém não esquecer que estes mesmos "críticos" são aqueles que festejaram entusiasticamente a contratação de Queiroz por Gilberto Madaíl, como alternativa ao odiado Scolari.»

DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 08.07.20

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Adolfo Mesquita Nunes: «Se em Portugal já todos conhecem as trocas e baldrocas do discurso e das políticas de José Sócrates, a questão da golden share trará como novidade a exibição internacional de tais piruetas discursivas, mostrando um primeiro-ministro subitamente pouco interessado nos sucessos da integração e pouco preocupado com (aliás, declaradamente indiferente ao) o cumprimento do enquadramento fundador da União. Pode parecer coisa insignificante, mas não é.»

 

Ana Cláudia Vicente: «Jornalista: Correu-lhe bem, o Exame de Português?

Aluno: Sim, tive 15.

Jornalista: Subiu ou desceu, em relação à nota do ano?

Aluno: Manti

 

Ana Margarida Craveiro: «Lauri Karvonen afirma que, ao contrário do que se pensa, os líderes não são mais importantes hoje do que no passado. Os líderes são sempre associados ao partido (Sócrates não é independente do PS, nem Passos Coelho do PSD). No entanto, para os eleitores desse partido, sim, são importantes, para o bem e para o mal. Eu só amo ou odeio o líder do meu partido.»

 

João Carvalho: «Seria muito conveniente que Passos Coelho levasse para a mesa das negociações entre os dois principais partidos — as quais terão de prosseguir enquanto o PS estiver no poder — a necessidade imperiosa e urgente de encerrar institutos, fundações, empresas municipais e tantos outros organismos que só abrigam da chuva e arredondam a reforma de quem está dentro deles. Se é para isto, é preferível pagar-lhes para ficarem em casa e dispensar as entidades, que sempre se poupam despesas de funcionamento e encargos assim.»

 

José Gomes André: «A Europa está repleta de federalismo institucional, mas tem um longo caminho a percorrer no que respeita à dimensão cooperativa do federalismo. "Mais federalismo" não tem de significar "mais tratados" ou "mais instituições", mas sim "mais colaboração" ou "mais inter-dependência" – exactamente o contrário do que temem os "soberanistas".»

 

Eu: «Em cem dias como líder social-democrata, Pedro Passos Coelhou alcançou o que antes dele não conseguiram Pedro Santana Lopes, Marques Mendes, Luís Filipe Menezes e Manuela Ferreira Leite: pôr o PSD à frente do PS em todas as sondagens. Mas conseguiu mais que isso. Desde logo, deu passos concretos para a unidade do partido ao convidar Paulo Rangel, seu ex-rival, para liderar uma lista conjunta ao Conselho Nacional e Aguiar-Branco, outro ex-rival, para liderar a comissão que irá rever o programa do PSD. Há muito que o partido não parecia tão pacificado.»

DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 07.07.20

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Ana Vidal: «- Booom diiiaaaa!!! És tu, amor? O meu tigre de Bengala, o meu Rei-Leão? Grrrr...

- Hã... bom dia. Como vai, cara colega? Desculpe, será possível falarmos um pouco mais tarde?

- Ohhhh!... snif... porque é que me estás a tratar assim depois da nossa noite selvagem, meu Tarzan? Já não sou a tua Jane???... snif... Ah,  prontos, já percebi: deves estar numa daquelas tuas chatéééérrrrimas reuniões de administração e não podes falar. É isso?

- Exactamente. Muito bem, terei muito gosto em ligar-lhe depois para discutirmos o assunto. Até breve.»

 

João Carvalho: «Se por lá se lembrassem de dizer que Portugal não tem condições para ser bem governado a partir de amanhã, a notícia seria boa e poderíamos passar todos esta noite em festa para darmos as boas-vindas a qualquer mágico que estaria para chegar logo pela manhãzinha. Porque nos esperaria seguramente sorte inversa. O mais assustador é que eles insistem que estão no bom caminho.»

 

Luís M. Jorge: «Os que agora berram contra a subsídio-dependência da cultura portuguesa (reparem no vocabulário desta gente) são provavelmente os mesmos que lamentaram a destruição das pescas e o fim da nossa indústria. Custa-nos assim tanto compreender que num país periférico de um continente envelhecido as actividades culturais são uma fonte rara de bens e serviços transaccionáveis, vocacionados para a exportação? Ou ainda não é desta?»

 

Paulo Gorjão: «É impressão minha ou a entente entre PS e PSD já conheceu melhores dias? O PS quer jogar o chicken game? Tem a certeza?»

 

Eu: «Nesta era de feroz individualismo, o intelectual regressa à torre de marfim. Ou imita aqueles distraídos xadrezistas de Bizâncio, de olhos concentrados no tabuleiro enquanto a cidade ardia. Compreende-se: é mais cómodo ser assim. Depois da intervenção cívica, a demissão cívica. E, no entanto, a Terra move-se.»

DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 06.07.20

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Adolfo Mesquita Nunes: «O que mais custa no meio de tudo isto não é ver Mário Soares sacudir a água do capote. É ver o número de pessoas que se apressa em ajudá-lo na tarefa. Mas pensando bem, poderiamos nós esperar o contrário? Nós que vivemos no país que reabilita e promove quem tudo nacionaliza, dando-lhe a oportunidade de brincar às scutes com o resultado que se viu?»

 

Afonso Azevedo Neves:  «Com [Carlos] Queiroz entrei no campo com a selecção outra vez, também eu com um nó na barriga, também eu certinho do lance azarado que iria ditar a minha derrota. Uma diferença abismal com o horrível Scolari, um louco que queria ganhar jogos, punha todos os jogadores num transe histérico e com manias de honrar a camisola. Com Queiroz acabaram-se essas mariquices e todos ou quase todos metemos as bandeiras no fundo da gaveta. Voltou o futebol português e a ser português.»

 

Ana Margarida Craveiro: «Gosto muito da discussão sobre os maus da fita, que nos enfiaram no meio da crise. Vamos supor que eu ganho 1000 euros por mês (não chega a isso, mas ficamos com esta hipótese). Todos os meses, gasto 1100. Ao final do ano, a culpa das minhas dívidas é, evidentemente, da Comissão Europeia. Ou de Wall Street. Ou dos chineses. Minha é que não. Nunca.»

 

Bandeira: «Leve sempre um livro para a farmácia. Dão prioridade a casos urgentes.»

 

João Campos: « É um hábito curioso, este que temos de declarar alertas coloridos sempre que as temperaturas vão acima dos 25º e abaixo dos 10º. Tenho cá para mim que o único objectivo disto é pintar o mapa de Portugal com cores vivas para passar na televisão, com infografia a acompanhar - sempre dá para mostrar trabalho durante a silly season. Só não percebo é o motivo pelo qual ainda se fala de "risco de incêndio". Depois dos verões da última década, resta ainda alguma coisa para arder no país?»

 

João Carvalho: «Lembro-me do tempo em que uma criança podia ser filha de pai desconhecido, mas não me parece normal que possa ser filha de mãe desconhecida...»

 

Sérgio de Almeida Correia: «Com estas compensações pelo trabalho realizado, Carlos Queiroz deverá ser uma espécie de gestor público da Federação Portuguesa de Futebol. A linha está feita. Agora é só seguir para bingo.»

DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 05.07.20

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Ana Cláudia Vicente:  «A penúltima das recomendações terapêuticas deste campeonato tem raiz germânica, e tem superado (com sucesso) ensaios quasi-clínicos desde os anos setenta do século passado; foi médio - posição esteticamente feliz na nossa amostra - e é hoje o excipiente daquela que é considerada uma das grandes receitas para a vitória.»

 

Ana Vidal: «Dedico este belo poema [E Agora, José?] do grande Drummond ao nosso primeiro-ministro, com amor e carinho. E não me venham com tretas, não se trata de bater em quem já está no chão. No chão estamos todos nós há muito tempo. Só faltava ele.»

 

João Campos: «Os serviços de identificação, ou lá como se chama aquilo, ligaram-me hoje, uma vez mais, insistindo que a minha morada não existe. A situação nem seria muito incómoda para mim se o Fisco também achasse que ela não existia.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «Os principais responsáveis, os que interiorizaram rapidamente e sem discussão a disciplina interna na hora do voto e que há seis anos dizem amen a tudo, até às asneiras; os mesmos que antes apontaram o dedo a Alegre e criticavam quem tinha o mérito de dizer dentro do partido o que não dizia cá fora, no fim aplaudiram-no de pé? (...) Será que algum deles esteve no congresso do PS? E no Coliseu, em Setembro passado? A minha memória já não é o que era. Devo estar a delirar.»

 

Eu: «A direita amiga de Sócrates, aquela que diz detestá-lo e depois faz tudo para que ele se perpetue no poder, ovacionou esta penosa caminhada do PSD para a derrota. Esta direita subscreveu as inumeráveis arengas sobre a "asfixia democrática" que desviavam as atenções dos portugueses do essencial - a crise económica - enquanto a líder social-democrata se desdobrava em elogios a Alberto João Jardim. Aplaudiu a exclusão de Pedro Passos Coelho das listas eleitorais enquanto acusava Sócrates de arrogância e autoritarismo, sem perceber que o comportamento da sua líder retirava qualquer autoridade moral a essas críticas. E centrou em Passos o seu ódio, com a mesma fúria vesga que usava nas inócuas invectivas ad hominem contra Sócrates, que sempre tiveram o condão de o tornar mais forte.»

DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 04.07.20

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Ana Sofia Couto: «Esta semana escolho o Coisas do Arco da Velha, um blogue que prefere a imagem ao texto (em texto, aparecem os clássicos, aqueles que merecem sempre ser citados). Neste blogue, têm lugar importante o cinema e a fotografia de outros tempos, mas também justificam o meu destaque as coisas incluídas nas secções "cool" ou "weird".»

 

João Carvalho: «Dalma Maradona teve de aproximar-se e conter a fúria palavrosa do pai, que estava cheio de razão: por que é que não deixaram a Argentina ganhar, não é verdade? Tiveram foi muita sorte, que o homem dos dois relógios de pulso não se despiu ali mesmo. Ainda por cima, se há coisa que chateia o mais pacífico dos mortais é sentir no ombro uma mão enluvada um bocado pidesca. Já os alemães foram muito mais contidos. Sempre pragmáticos e com bons modos, apenas lhe apresentaram educadamente cumprimentos de despedida. Tschüssinho, pá!»

DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 03.07.20

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Ana Vidal«E agora, para aligeirar o fim-de-semana, aqui têm a última moda no Japão: saias pintadas de modo a parecerem transparentes. Não há dúvida, vivemos cada vez mais num mundo de trompe l'oeil... razão tinha o Magritte.»

 

Leonor Barros: «Hoje aconteceu-me ter vontade de esbofetear um livro. Sim, é verdade, insólito e até um pouco embaraçoso para quem tem os livros nos genes, outra mania com que vim equipada de origem, mas nada como admiti-lo. Ocupava um lugar de destaque, o parvalhão, e gritou-me Desculpa, mas vou chamar-te amor. Ai não vais, não. AMOR? Virei-lhe as costas e fui irritada aos deliciosos biscoitos crocantes de coelho, aves e legumes que fazem as delícias da população felina cá da casa. Que título mais ridículo. Parvalhão.»

 

Paulo Gorjão: «Diogo Freitas do Amaral anunciou hoje ao mundo em entrevista ao Expresso que não acha provável que apoie Pedro Passos Coelho. Acha-o demasiado liberal, pelo menos por enquanto. Acho delicioso este pormenor do pelo menos por enquanto. É o equivalente na política à porta de emergência em caso de incêndio. Pela minha parte gostaria que a probabilidade de não apoiar se confirmasse, apesar de, na verdade, não apoiando estar a dar um enorme apoio...»

 

Eu: «No futebol, a fraude pode compensar: ganhou quem merecia perder. Mas o estranho sortilégio deste jogo passa também por isto. O rosto de Gyan, devassado pelos grandes planos televisivos, era uma máscara de dor: uma etapa crucial da vida dele fechou-se para sempre quando aquela bola bateu na barra. Naquele momento, não havia ser humano tão fotografado no planeta. Naquele momento, não havia ser humano tão solitário no mundo.»

DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 02.07.20

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Ana Cláudia Vicente: «Apresentando-se aqui em embalagem genérica, este composto rico em Vitamina C consta no stock da nossa botica desde o início do surto futeglobal. Parabéns à Holanda.»

 

Ana Margarida Craveiro«O que é o interesse nacional, e quem o define?»

 

João Carvalho: «É preciso ter lata ou estar a fazer pouco da gente, quando se sabe que mais de metade dos portugueses nem irão sair de casa nas férias para ir de autocarro à praia mais próxima. Ainda não satisfeito, vem o governo promover a aplicação das pequenas e médias poupanças em Títulos do Tesouro, com a garantia de uma boa retribuição. Garantia? Garantia de quem? Quem está desacreditado não pode dar garantias, não é?»

 

Leonor Barros: «O IVA aumentou, provocando uma subida nos preços de tudo e mais alguma coisa, ele é gás, pão, água, luz, tudo, rigorosamente tudo. Os salários sofreram uma redução anunciada, fazendo cumprir as tão elogiadas medidas de austeridade. Aproxima-se a passos largos a época do ano que os pais são extirpados de uma quantia ofensiva em manuais escolares que tão a propósito também sofreram um aumento acima da inflação. E neste cenário miserável o ministro das Finanças vem pedir aos portugueses para pouparem. Só pode ser brincadeira.»

 

Paulo Gorjão: «Almas mal-intencionadas diriam que começou a silly season. Não é verdade. Uma manifestação com cinco pessoas, mesmo que organizada por uma obscura Plataforma -- tipo Movimento Verde Eufémia -- merece cobertura noticiosa tal qualquer manifestação com 100 mil intervenientes.»

 

Eu: «Outra conquista de José Sócrates: um novo máximo histórico do desemprego em Portugal. Com os níveis europeus cada vez mais longe. Recordo: este é o mesmo político que em Fevereiro de 2005, quando o PSD estava no governo e a taxa de desemprego era de 7,1%, se indignava com estas palavras veementes: "Este número é bem a marca de uma governação falhada, de uma economia mal conduzida". Agora, com mais 3,8% de desempregados, chegou a altura de parafrasear o líder socialista na campanha para as legislativas de há cinco anos: estamos perante uma governação falhada.»

DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 01.07.20

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João Carvalho: «Em Portugal, onde o(s) governo(s) socialista(s) promete(m) sempre não aumentar impostos e criar melhores condições de vida, já todos sabemos o que isso significa: os impostos sobem, as promessas caem e os mais sacrificados são os primeiros a pagar as crises. Os portugueses viviam melhor há cinco anos.»

 

Rita Barata Silvério: «Basta ler a biografia de Charlie Sheen e vê-se logo que não bate bem: o gajo é cocaína, conduzir com os copos, divórcios com direito a pancadaria, curas de desintoxicação, filmes merdosos e redenções aos quarenta e tal. E gostamos. Eu gosto. Todos os bêbedos deveriam ter direito a redimir-se, mais ainda quando o resultado é uma série de televisão cujo argumento principal é o desprezo total pelas supostas bases da vida pequeno-burguesa a que todos, no fundo, aspiramos: ter um companheiro para a vida, filhos com a pequena comunhão feita, casa numa urbanização com piscina, ir de férias com casais amigos, um monovolume com todas as prestações e a anestesia garantida pela rotina da classe média.»

 

Eu: «A participação da PT na Vivo é vital para os interesses nacionais? Nada que tenha convencido o Financial Times. "A estupidez colonial ainda não morreu [em Portugal]", comenta o prestigiado jornal londrino, que a propaganda socrática tanto gosta de invocar nas raras vezes que ali surge uma boa notícia para a economia portuguesa. É, em síntese, uma decisão mal fundamentada, atentatória da liberdade negocial e do princípio basilar da livre concorrência, possivelmente ferida de ilegalidade à luz do direito comunitário e provavelmente geradora de efeitos muito mais perversos do que aqueles que pretenderia atenuar. E quase tão incompreensível como o pesado silêncio que o Presidente da República tem mantido nesta matéria.»

DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 30.06.20

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Adolfo Mesquita Nunes: «O que é isso de interesse nacional? Quem o define? O governo? Um ministro? O interesse nacional varia então de ministro para ministro ou de governo para governo? Podem existir interpretações diversas sobre o que é o interesse nacional? E se sim, podemos então falar de um único interesse nacional? Pode alguém saber ao certo, e por todos, qual é o interesse nacional?»

 

Ana Cláudia Vicente: «No adeus português à competição em curso não podemos deixar de indicar este revigorante elixir, oriundo do extremo oeste ibérico. De extracção duriense, o mesmo combina de forma harmoniosa virtualidades atlânticas e meridionais, sendo particularmente indicado em situações de lacrimejamento inflamado, como as ontem acusadas por considerável parte da população nacional.»

 

Ana Vidal: «- Bom dia, é do Zezé World? Quero inscrever-me naquele curso de 15 dias grátis, de Kamasutra, com o vosso novo professor Zezé Littlebed.

- Não, não, espere aí... está a falar para o Wall Street Institute.

- E não é a mesma coisa?

- Não. Aqui só se ensina inglês.

- Só inglês?? Olhe, fique sabendo que vou queixar-me à DECO, por publicidade enganosa!»

 

André Couto: «Não sei se Sarah Palin colocou implantes, ou se Sarah Palin não colocou implantes. Sinceramente isso nem me interessa muito. Interessante, interessante, é imaginar esta discussão a surgir em Portugal, com figuras portuguesas, no rescaldo das pretéritas legislativas de 2009... Que pagode seria!»

 

Leonor Barros: «Não é só o futebolês, essa linguagem única, cheia de prognósticos depois do jogo ou quadrados que se fazem com três. O que me inquieta neste desporto que há quem diga rei, não é apenas isso, porque como se sabe sou uma republicana empedernida e sou contra cargos que não sejam eleitos por essa massa desalmada chamada povo.»

 

Eu: «Adoro ouvir falar futebolês na televisão. Adoro aqueles neologismos muito giros debitados pelos locutores do desporto-rei. Adoro o léxico muito típico de quem tem por missão relatar jogos de futebol no pequeno ecrã. É um idioma tão moldável que até podemos falar futebolês sem estarmos propriamente a falar de futebol.»

DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 29.06.20

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André Couto: «Alguém viu o último anúncio do Santander-Totta? Refiro-me ao que nos brinda com um "lá lá lá Solid! Solid as a rock!" e desagua na fundamentação da afirmação com a avaliação feita pela Standards & Poor's e outra agência internacional de rating. Giro, giro é vermos ainda no anúncio moedas a afundarem-se mar adentro... Qual é a parte da transmissão de tranquilidade e segurança que me escapa?»

 

Bandeira: «O truque consiste em parar de tentar encontrar o parceiro certo e começar a fugir dos errados.»

 

João Carvalho: «Portugal tem mais de cinco milhões de pobres declarados e pobres envergonhados, o que corresponde a mais de metade da escassa população. Ora, como o primeiro-ministro anda há cinco anos a afirmar a pés juntos que a pobreza está a diminuir, haja quem tenha paciência para o fazer ver que os portugueses viviam melhor há cinco anos.»

 

Eu: «Portugal despediu-se hoje do Mundial da África do Sul. Um golo de Villa aos 63', culminando uma excelente combinação com Iniesta e Xaví, bastou para os espanhóis derrotarem os portugueses nesta partida dos oitavos-de-final disputada na Cidade do Cabo. Minutos antes do golo, Carlos Queiroz tirou do campo Hugo Almeida, o mais eficaz dos atacantes portugueses. Esta inexplicável substituição, conjugada com o golo sofrido, bastou para desnortear a selecção das quinas, que até aí conseguira anular as jogadas ofensivas dos espanhóis e praticara bons lances de contra-ataque, equilibrando a partida. A partir daí, foi o descalabro: o meio-campo português praticamente deixou de existir. E os espanhóis só não marcaram mais porque na baliza estava Eduardo, um dos melhores guarda-redes deste Mundial.»

DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 28.06.20

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João Campos: «Aquilo que escrevem não é um poste (que diabo, um poste não se escreve!), mas sim um post (em inglês), ou, se quiserem uma tradução gratuita, um artigo. Podem chamar-lhe crónica, também - dá à coisa um ar mais importante. Eu sei que estas coisas são tramadas, que as terminologias vêm todas em inglês, que raramente há traduções directas. Mas se blog passou a blogue de forma mais ou menos pacífica, não será por isso que post passará a poste. Em caso de dúvida, há sempre o itálico.»

 

Eu: «A Desaparecida é o melhor western de todos os tempos - obra-prima absoluta. Um filme sobre um amor impossível, um filme sobre o inapelável peso da solidão. Começa com uma porta aberta, rasgada para a beleza em estado bruto de Monument Valley, quando Martha vê Ethan a cavalgar no horizonte, e termina com o mesmo enquadramento. Só que Martha já não existe. Wayne, que chegara com atraso, parte agora, rumo ao desconhecido. Missão cumprida, é tempo de levantar âncora. Nunca saberemos de onde veio, nunca saberemos para onde vai. Sabemos apenas que, na guerra como no amor, ele se manteve fiel ao que jurou. Quantos poderão dizer o mesmo nas várias vidas que uma vida tem?»

DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 27.06.20

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Ana Vidal«A afirmação de pertença orgulhosa a um determinado grupo  identificado pela sua orientação sexual tem exactamente o efeito contrário ao que se pretende: acentua a clivagem e define barricadas, em vez de fazer com que as diferenças se diluam. E fazê-lo com recurso a um folclore de gosto mais do que duvidoso só piora as coisas.»

 

João Carvalho: «Sabia que o mau cheiro já chega à Madeira? Este instantâneo de Adriano Miranda (Público) confirma-o: Alberto João Jardim tapa o nariz e esconde o ar enjoado que por lá se espalhou desde que fez as pazes com José Sócrates. Os ambientalistas madeirenses andam preocupados com a atmosfera, embora não se atrevam a dizê-lo.»

 

Paulo Gorjão: «Mário Soares é único. O mesmo Soares que critica Cavaco por não dar "sugestões úteis e construtivas", estaria na primeira linha a acusar Cavaco Silva de interferir na esfera executiva se este desse "sugestões úteis e construtivas".»

 

Eu: «Fernando Henrique Cardoso foi um excelente presidente do Brasil. Mas é um dos mais entediantes sociólogos da língua portuguesa, como está bem patente no seu livro Perspectivas para uma Análise Integrada do Desenvolvimento – um título que já diz quase tudo sobre a capacidade de atracção da sua escrita.»

DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 26.06.20

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João Carvalho: «Sabia que estão a regressar os fatos-de-banho mais recatados? Assim parece. Entende-se o motivo: à custa de malhas mais elásticas e em maior quantidade escondem-se algumas misérias e disfarçam-se umas banhas excessivas.»

 

Eu: «Viagem de comboio Faro-Lisboa, no Alfa pendular. Princípio da tarde: quatro amigos do Entroncamento, sexagenários já reformados, foram almoçar à capital do Algarve e regressam à terra. Durante três horas, só falam de comida. E em voz bem alta: toda a gente na carruagem os escuta.»

DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 25.06.20

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Ana Margarida Craveiro: «A selecção portuguesa está acompanhada de GNR, lá na África do Sul. Eu quero acreditar que a Federação Portuguesa de Futebol está a pagar o aluguer das forças de segurança, tal como os bancos costumam, bem ou mal, fazer. É que, assim de repente, nem a selecção representa o Estado português, nem a GNR tem assim tantos efectivos a não serem precisos noutro lado qualquer (por exemplo, em determinadas zonas do país em dia de distribuição de pensões). Por isso, vou acreditar com muita força, com muito pensamento positivo, como o primeiro-ministro recomenda, a ver se não tenho de ficar mais uma vez enojada.»

 

João Carvalho: «Pela calada da noite e sem honra nem glória, a estátua de José Estaline na sua cidade-natal de Gori (Geórgia) — em bronze e com mais de seis metros de altura — foi definitivamente apeada e armazenada algures, por iniciativa das autoridades locais. O trabalho de remoção começou logo após a meia-noite e antes de nascer o dia já estava concluído. Ao longo da madrugada não foi avistada a presença de qualquer representação portuguesa dos apoiantes de Estaline, mas espera-se hoje uma expressiva manifestação de pesar e desagravo à porta da embaixada da Geórgia, a que não faltará uma reverente representação dos defensores do ditador que moram aqui, inconsoláveis nesta hora do adeus.»

 

Leonor Barros: «"Sinto-me sozinho a puxar pelo País" (José Sócrates). Faltaram-lhe duas palavrinhas: para baixo

 

Eu: «Esta foto de Alfred Eisenstaedt tornou-se um ícone do século XX. Foi captada no dia 14 de Agosto de 1945, em Nova Iorque, quando largos milhares de pessoas acorreram a Times Square para festejar o fim da II Guerra Mundial. Entre a multidão, estava uma enfermeira chamada Edith Shain, de 27 anos, e um jovem marujo de quem nunca se conheceu o nome. Por um capricho do destino, o militar decidiu dar um beijo arrebatado à enfermeira. Não se conheciam, não sabiam nada um do outro. Após aquele impulso, ele largou-a e perdeu-se na multidão. (...) Edith Shain acaba de falecer, aos 91 anos. Mas a imagem que inesperadamente a imortalizou viverá para sempre. Por constituir uma prova irrefutável de optimismo, para além de todos os escombros provocados por todas as guerras. Há sempre um amanhã.»

DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 24.06.20

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João Carvalho: «Se os tumores no interior do crânio, na boca e na laringe diminuem 39 por cento em relação a quem não bebe café, vamos a ele que se faz tarde. Parece que boa parte dos resultados se deve aos diversos compostos que entram na preparação do café, muitos dos quais são antioxidantes.»

 

Luís M. Jorge: «Temos hoje uma classe política corrupta, um governo autoritário, 600 mil desempregados, menos imprensa livre, educação medíocre, justiça lenta, saúde para alguns, mais impostos e um Estado arruinado. E o povo, prosperou? O Eurostat diz que não: Portugal e Malta são os únicos países que, com um PIB per capita inferior à média europeia em 1998, se afastaram desta média até 2009. Ou seja: os outros convergiram, Portugal divergiu. (...) É este o balanço que interessa fazer do Governo de Sócrates. Ainda acha que valeu a pena?»

 

Paulo Gorjão: «Confesso que tenho alguma dificuldade em perceber o que possa o PSD estar a negociar com o Governo relativamente às SCUT. Bem sei que a política é a arte do possível, mas ainda assim existe outra posição possível que não a defesa do princípio do utilizador-pagador? Sem excepções de natureza alguma?»


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