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Delito de Opinião

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 20.04.24

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Helena Sacadura Cabral: «O trabalho mais difícil do mundo pertence-nos. E nós honramo-lo. Agora que se aproxima o dia em que celebramos o trabalho destas grandes artesãs, saibamos agradecer-lhes. Porque, por muitas vezes que o façamos, nunca será demais!»

 

João André: «Para fornecer uma outra perspectiva que complemente a de sexta-feira. Tirada uns minutos mais tarde mas de mais perto da cruz. Uma feliz Páscoa.»

 

Joana Nave: «O circo é uma das recordações que tenho da infância. Hoje em dia não vou ao circo, mas também não tenho filhos, mas se os tivesse iria certamente com eles ao circo, porque é na infância que certas experiências fazem sentido. Os meus pais não são apreciadores de ópera e nunca me levaram à ópera. No entanto, já em idade adulta, comecei a ouvir ópera e gosto de assistir a um espectáculo sempre que tenho oportunidade. Mas o caso do circo é diferente, se os meus pais não me tivessem levado ao circo em criança, não era agora em adulta que eu iria começar a gostar de circo, porque há coisas que são próprias de crianças, faz parte da aprendizagem.»

 

Patrícia Reis: «Sabes, não gosto de futebol. Pouco importa. Fico contente porque o teu Benfica é campeão. Tu ficarias. Feliz e com a cara cheia de uma comoção contida. Tu eras um homem contido e bom. Quando a tua equipa entrou em campo, nós reunimo-nos na igreja dos Salesianos, celebrámos a Páscoa e os sete dias da tua morte. Por fim, a tua mulher chorou. Como águias, os teus filhos, ali perto da mãe.»

 

Teresa Ribeiro: «Francisco, no seio católico, não é um nome, é um manifesto. Ao adoptá-lo, Bergoglio sabia que ia provocar o primeiro sobressalto não só na hierarquia, mas nos católicos que se identificam com ela. Em pouco tempo demonstrou também que a escolha do nome do frade, que foi perseguido e ostracizado pela Igreja, não foi um acto isolado de provocação. A cada gesto tem incomodado todos os que se habituaram a fazer do catolicismo uma coreografia e da relação com Deus uma estética ou um pretexto para o exercício narcísico da auto-indulgência.»

 

Eu: «Não celebro o título do Benfica, mas gostaria muito que José Medeiros Ferreira, benfiquista do coração, cá estivesse para celebrar a conquista do campeonato nacional de futebol.»

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 19.04.24

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Helena Sacadura Cabral: «Grand Budapest Hotel é um filme delicioso que conta as aventuras de um lendário concierge de um hotel europeu e um paquete que se torna no seu amigo de confiança. Tudo isto  durante duas guerras numa história que envolve o roubo e a recuperação de uma preciosa pintura renascentista e a luta por uma enorme fortuna de família, que a esse quadro está ligada.»

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 18.04.24

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João André: «Gabriel García Marquez não foi o melhor escritor do século XX, longe disso. Terá sido um merecido prémio Nobel da Literatura, com toda a polémica que tal implica. Foi um autor que deixou algumas obras-primas e alguns (apenas) bons livros. Foi no entanto alguém que usou a sua imaginação e a sua arte para nos maravilhar e envolver. E por isso, se mais nada, merece ser recordado pelo que nos deixa.»

 

Patrícia Reis: «Gabriel García Márquez deu-me muitas horas de conforto, de magia, leituras com lágrimas e riso. Sempre que preciso de um sentido, uma ideia melhor da Humanidade existem os seus livros e os livros são a melhor forma de o homenagear. É ler e dar a ler.»

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 17.04.24

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Helena Sacadura Cabral: «Há muito que defendo que não devemos, nunca, deixar uma palavra por dizer ou um gesto por fazer. Sobretudo, quando se chega ao fim da caminhada é indispensável fazer a chamada revisão geral, para que nada fique em suspenso. Mesmo quando fico mais zangada - e zango-me pouco, felizmente - lembro-me disto e a "coisa" torna-se mais suave.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «Gente séria não deve ter nada a temer do que faz atrás da porta, porque a vida pública não deve ser o local onde se vai branquear ou esconder o que não convém. Além de que gente séria é sempre gente séria. Em quaisquer circunstâncias da vida. Nos bons e nos maus momentos.»

 

Eu: «Era um dos mais justos galardoados de que há memória com o Nobel da Literatura. Era a prova viva -- uma entre tantas -- de que o jornalismo constitui o melhor ofício para um candidato a escritor. Edificador de sonhos, cultor do sortilégio da palavra escrita, criador de personagens inconfundíveis, Gabriel García Márquez partiu hoje numa viagem sem regresso a Macondo. Ao encontro de Malquíades e dos Buendía, de Ursúla Uguarán e de Santiago Nasar. Viveu para contar. Deixando-nos sem anos de solidão.»

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 15.04.24

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Helena Sacadura Cabral: «Os que me conhecem sabem que não alinho em partidarites, sejam elas de que natureza forem. Não posso, não consigo. Só tenho uma cabeça e só por ela me guio, embora goste muito de ouvir opiniões diferentes das minhas.»

 

Eu: «"Tenho muita consideração pelo Presidente Eanes, votei duas vezes nele." Palavras actuais de Mário Soares. Que em nada condizem com o que revelou na década de 90 a Maria João Avillez,  no segundo volume de uma extensa entrevista biográfica logo tornada obra de referência. "Em quem votou?", perguntou-lhe a jornalista, referindo-se às presidenciais de 1980, quando Soares auto-suspendeu as funções de secretário-geral do PS precisamente por não acompanhar a opinião, maioritária no partido, de que o voto socialista deveria recair em Eanes. Resposta de Soares: "No general Galvão de Melo. Foi um voto de protesto, completamente inútil. Também poderia ter votado em Pires Veloso [outro general], com quem aliás simpatizo. Ou em branco. A questão dirimia-se entre dois [Eanes e o general Soares Carneiro], nos quais, em consciência, não podia votar." (Soares-Democracia, p. 125, Círculo de Leitores, 1996). Como Eanes apenas se submeteu duas vezes a escrutínio, nas presidenciais de 1976 e de 1980, questiono-me qual terá sido a segunda vez em que Soares votou nele.»

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 14.04.24

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Francisca Prieto: «Às vezes, as palavras dos poetas budistas são sábias. Outras vezes são só má literatura

 

João André: «Imagine-se que um dia se inventava uma máquina do tempo. De um momento para o outro seria possível avançar ou recuar no tempo (e recuar é precisamente a ideia, claro está). Seria possível revisitar aquele dia fantástico de há 7 anos, ir ao concerto que se perdeu, passar mais um bocadinho de tempo com o avô, etc. Tudo óptimo? Nem por isso.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «Em Macau, Nuno Crato discute, à porta fechada, o futuro da Escola Portuguesa. E promete reforçar a cooperação com o Instituto Politécnico de Macau para criar mais oportunidades para os estudantes aprenderem a língua portuguesa. Tudo se conjuga, pois, para que as promessas continuem e os poucos recursos que temos prossigam a sua saída pela janela mais próxima sem qualquer garantia de retorno.»

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 13.04.24

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João André: «Depois de um lagarto, uma abelha. Uma fotografia que só se tornou possível para mim graças à fotografia digital. O vento abanou constantemente a flor e devo ter feito uma dez fotografias até apanhar aquela em que acertei com a focagem. Fosse tudo a filme e não teria dinheiro para pagar estas tentativas.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «O número e a cadência de atribuição de condecorações do regime, de que os nossos Presidentes da República têm sido dignos expoentes, com efusiva continuação em todos os municípios, deve preparar-nos para que se tudo se mantiver como até aqui, no pós-25 de Abril de 2014, com a "alternância" habitual e as "elites" saídas das jotas, este será o futuro das próximas gerações: condecorar os seus "protectores", enquanto o país definha. Até que outros como Salgueiro Maia emerjam.»

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 12.04.24

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Luís Menezes Leitão: «Não é por acaso que o PS anda a reclamar nos últimos tempos o direito a nomear o próximo comissário europeu. O PSD pode perfeitamente oferecer-lhe a nomeação de António Costa, o que permitiria tirar já do terreno alguém que poderia ameaçar simultaneamente a liderança de António José Seguro e a eleição de Durão Barroso. Parece que a estratégia de Cavaco de forçar um acordo entre Passos e Seguro vai agora cumprir-se sob a égide de Durão Barroso. Les beaux esprits se rencontrent.»

 

Eu: «De então para cá li nove obras de autores que receberam o Nobel: Genitrix e Teresa Desqueyroux (ambas de François Mauriac), Meu Século (Günter Grass), O Anão (Pär Lagerkvist), Platero e Eu (Juan Ramón Jiménez), A Oitava Mulher do Barba-Azul (Anatole France), A Noite (José Saramago), O Falecido Mattia Pascal (Luigi Pirandello) e Uma Questão Pessoal (Kenzaburo Oe). Vários outros estão já em lista de espera: o ano promete ser de muitas e variadas leituras. Entretanto, os 27 nomes que constavam daquela minha lista aumentaram para 34. E tudo começou com uma descontraída troca de impressões aqui no blogue. Às vezes é quanto basta para concretizarmos uma intenção que só aguarda afinal um bom pretexto para se tornar realidade.»

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 11.04.24

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Adolfo Mesquita Nunes: «A revolução tem um sentido instrumental, derradeiro. A sua transformação em fim, em método, não trouxe nunca um bem comum ou geral. De certa forma, a institucionalização da revolução é já outra coisa que não esse momento de revolta que agrega aspirações gerais - há aí uma degeneração que não pode deixar de incomodar aqueles que querem decidir de si e por si e que desautorizam a que se catalogue de revolução uma comum tentação autoritária.»

 

Luís Menezes Leitão: «Uma vez tive um encontro com um juiz do Supremo Tribunal Americano, que me confessou não acreditar na União Europeia, dizendo que a bandeira europeia só teria significado no dia em que aparecesse alguém disposto a dar o seu sangue por ela. A verdade é que continua a não haver ninguém disposto a esse sacrifício. Eu queria ver aqueles que agora criticam a Rússia pela sua intervenção na Ucrânia dispostos a alistarem-se num exército de defesa da Ucrânia contra a Rússia. No tempo da guerra civil espanhola houve muitos voluntários internacionais que combateram em Espanha. Hoje, não havendo nada disso, era preferível que a União Europeia tivesse algum sentido da realidade. Porque as pífias sanções económicas não assustam ninguém.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «Se nos detivermos cinco minutos a pensar no que distingue uma democracia representativa, um Estado de direito democrático, de uma ditadura ou de modelos autoritários musculados, rapidamente chegaremos a uma conclusão: as democracias são normalmente previsíveis, as ditaduras e os estados autoritários naturalmente imprevisíveis.»

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 10.04.24

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Adolfo Mesquita Nunes: «Uma revolução que não devolva as liberdades aos indivíduos não deixa de ser uma revolução, mas não merece mais do que um súbito frémito. E ainda que dela resulte uma melhoria comparativa, estamos ainda no campo de uma apropriação indevida, porque as liberdades devem ser reconhecidas e não atribuídas. É por isso que o reino das revoluções acaba por ser o reino das expectativas, porque são estas que as alimentam e, faltando estas, as abortam ou deixam morrer.»

 

Helena Sacadura Cabral: «Temo que se torne cada vez mais difícil entender o que a presidente da Assembleia da República quer dizer, quando usa da palavra. A mim, parece-me que a senhora entende que os capitães de Abril devem ser convidados - e foram -, mas não quer que eles falem. Não percebo nada destas matérias, mas julgo que haverá regras para quem fala na ocasião. Se os capitães se enquadram nessas regras devem poder falar. Se não se enquadram não falam. E explica-se, sem medos nem reservas, as razões da decisão tomada.»

 

Patrícia Reis: «Grécia, Japão, Portugal, Itália e Irlanda continuarão a ser em 2015 as cinco economias com dívida pública líquida superior a 100% do PIB, segundo as projecções do FMI. Ok. Recebi a mensagem, não estou surpreendida.»

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 09.04.24

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Adolfo Mesquita Nunes: «Uma revolução não pode ser traída, no sentido em que nela cabem tantas aspirações quantas pessoas nela tomaram directa ou indirectamente parte. Pode haver um mal-estar geral, um despeito que se impõe, mas esse sentimento declina-se em tantas motivações que quem ousar decretar a traição não está senão a falar de si. E ainda que todos se sintam traídos - o que implica uma quase impossibilidade -, tal não basta para que todos se sintam traídos da mesma forma e se autorizem estados de alma gerais.»

 

Patrícia Reis: «Temo que não tenhamos Primavera ou Verão. Podemos pensar que é uma espécie de castigo que os deuses decidiram enviar aos todos poderosos, é pena que nos prejudique também.»

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 08.04.24

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Adolfo Mesquita Nunes: «A revolução pressupõe uma confluência de muitos, ainda que os actos materiais que a confirmam sejam praticados por poucos. De certa maneira, esses actos materiais, a que não podemos retirar heroísmo, herdam uma legitimidade que não têm só por si, e que lhes é conferida por esses muitos que confluem, ou permitiram que se confluísse, para esse momento de superação

 

João André: «Quanto ao hábito de chegar e começar a trabalhar de imediato, não sei onde trabalhou [Henrique] Raposo, mas não foi nas empresas onde eu ou os meus amigos trabalhámos. Na Holanda o dia começa invariavelmente com o café e tem interrupções a meio da manhã e da tarde para outro (tudo entre 15 a 30 minutos). Os alemães começam também com um café mas mais curto. Compensam isto com um almoço mais longo que o de meia hora dos holandeses. Onde Raposo tem alguma razão é na insistência da vida familiar. Há pressão da parte dos empregadores para não se trabalhar demais. Isso está ligado à pressão que recebem dos sindicatos e das regras dos contratos colectivos de trabalho. Os horários não são um objectivo em si, mas o resultado da influência dos sindicatos. Talvez Raposo pudesse dedicar um pouco mais de atenção a este aspecto.»

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 07.04.24

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Adolfo Mesquita Nunes: «Há uns largos meses, quando li o Adoecer, sublinhei esta frase, que me pareceu uma precisa noção de revolução. Relembro-a agora, que passam 40 anos da nossa, sem obviamente querer identificar a Hélia Correia com qualquer uma das minhas ideias, e como forma de iniciar uma série de reflexões sobre revoluções ou sobre a nossa revolução.»

 

Luís Menezes Leitão: «A Ucrânia era até há poucos meses um Estado perfeitamente viável que vivia em paz com todos os seus vizinhos. Hoje está a ser sucessivamente desmantelado, à vista de todos, perante uma Europa impotente para apagar o fogo que irresponsavelmente deixou atear. O mal da actual União Europeia é que os governantes habituaram-se a ir a despacho a Berlim, e não são capazes de fazer qualquer contraponto à estratégia alemã, por muito errada que ela seja. A Rússia pode ser muito mais pobre que a Alemanha mas tem uma força militar incomparavelmente superior, não havendo poder económico que resista ao soar dos canhões, especialmente quando o orçamento militar europeu foi cada vez mais reduzido. E não se pense que isto será um mero regresso à guerra fria. Esta guerra pode vir a ser muito quente, quase parecendo a situação de há cem anos. Neste momento basta uma centelha para deitar fogo à pólvora.»

 

Patrícia Reis: «Em 1974, em Fevereiro, não se sabia o que iria acontecer e mudar de país era uma boa ideia para os meus pais. Agora, estão a sair do país cem mil por ano. Não são vagos, não são só pobres, não têm uma linguagem de ideais (o que é isso nos dias que correm?), são cem mil que deixam o nosso país por não vislumbrarem futuro. A revolução era suposto ter sido isso: uma perspectiva de futuro, de liberdade. Que liberdade? No meu gmail entram emails de pessoas, através de contas de pessoas amigas, a pedir dinheiro. O meu telefone pode estar sob escuta ou nem por isso, não valho nada, talvez me safe. Mas liberdade? Não. Não temos.»

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 06.04.24

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Adolfo Mesquita Nunes: «Há quem chegue ao calor antes de tempo, comportando-se como se as ameaças fossem já uma confirmação. Uma espécie de dança da chuva, mas ao contrário - uma dança da luz, feita de linho e pele e por vezes mar, que eu confundo com superstição

 

Francisca Prieto: «Adivinhar anúncios durante um bloco publicitário

 

José Maria Gui Pimentel: «Num período em que a evolução estrutural da sociedade e a conjuntura económica se juntam para fazer as pessoas trabalhar cada vez mais, aumentar os níveis de stress e criar distracções nocturnas, a privação de sono torna-se cada vez mais comum. No blogue Em busca do sono perdido, Teresa Paiva e colegas ajudam a pesar as causas e encontrar possíveis soluções.»

 

Teresa Ribeiro: «O BPN não é um caso político, mas um caso de polícia, afirma Marques Mendes, como se casos políticos não pudessem ser casos de polícia e vice-versa. Refere ainda que muita gente falhou nesta história, incluindo... políticos. O ex-presidente do PSD, sublinhe-se, emitiu esta opinião não como político, mas como comentador político.»

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 05.04.24

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Teresa Ribeiro: «Tem 94 anos mas um espírito invejável. Em casa faz tudo. Adora cozinhar para a rapariga de 92 anos com quem está casado há mais de 60, segue com interesse as notícias na televisão e cuida com esmero da sua aparência. Só os rins não colaboram e como incha nas pernas, receia subir e descer as escadas sozinho. Sempre que vai ao hospital, são 80 euros para ir e vir de cadeirinha com os bombeiros.»

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 04.04.24

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Adolfo Mesquita Nunes: «Gostar muito de um escritor ainda vivo permite a expectativa, e sou dos que valorizam esse estado. Gostar muito de um escritor já desaparecido, sobretudo quando não foi assim tanto o que escreveu, encerra, de certa forma, o caso. Bem sei que as releituras oferecem algum espaço, todavia nada que possa comparar-se com a possibilidade de algo nos ser trazido como novidade. Mas de quando em vez descobrimos que o caso não está tão encerrado assim: Flannery, ela mesma, a ler-nos o 'A Good man is hard to find'

 

Teresa Ribeiro: «Em regra as pessoas confundem orgulho com soberba, quando na sua raiz estão duas atitudes mentais muito diferentes e, em certos aspectos, opostas. O orgulho é defensivo. Com ele defende-se a dignidade quando, nos casos em que a razão está do nosso lado, nos recusamos a dobrar a cerviz. Já a soberba agride, pois pressupõe um aviltante sentimento de superioridade. É por soberba que nunca se pede desculpa, mesmo quando se está em falta. Ao invés, por orgulho há até quem faça questão de se desculpar, revelando dessa forma o seu apurado sentido de justiça.»

 

Eu: «Como ensinou Larry King -- celebrizado durante um quarto de século de presença contínua na CNN -- numa conferência em Portugal a que tive o prazer de assistir, um jornalista nunca esgota o cardápio das perguntas. "Quando não há outra, é sempre possível perguntar 'porquê'? Podemos estar o dia inteiro a perguntar porquê." E nenhuma pergunta pode ser confundida com "emboscada". Alguém faça o favor de explicar isto à putativa ATV. Eu não posso: simplesmente por ignorar quem sejam os catedráticos de jornalismo que integram esta associação de corajosa gente que insiste em dar sermões de "ética" aos outros sem assinar por baixo. Com nomes e rostos, não com uma sigla

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 03.04.24

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Adolfo Mesquita Nunes: «A reaprendizagem da noção de começo, a que imprevistamente me dedico, fez-me procurar ‘O começo de um livro é precioso’, que comprei, aliás, num dia inicial. E dei-me conta que passaram já seis anos, mais precisamente seis anos e um mês, da morte da Maria Gabriela Llansol

 

Luís Menezes Leitão: «Que eu saiba, os Açores ficam no meio do Oceano e são de formação vulcânica, pelo que, a falar de continente, só pode ser o continente perdido da Atlântida. E onde não há plataforma continental, não há qualquer utilidade na extensão territorial, uma vez que o aproveitamento económico dos fundos oceânicos é praticamente impossível. Portugal quer construir assim um novo império marítimo, reinando como Neptuno sobre os abismos oceânicos. É por isso que o Governo proclama entusiasmado que Portugal é Mar. Na verdade, todos os dias se afunda.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «A entrevista de Barroso ao Expresso, sendo ele um ex-primeiro ministro e ex-titular dos Negócios Estrangeiros, por tudo aquilo que põe a nu, é o espelho da ambiguidade europeia, do permanente desencontro em que vive a União, da ausência de um líder e de um pensamento ideológico estruturado e coerente. Incapazes de encontrarem um líder que a una e prestigie, os burocratas eunucos que mandam na União preferem figuras menores, inconstantes, de pensamento proteiforme e com uma visão enviesada e ajustável à medida dos seus interesses.»

 

Eu: «Presidente autorizado a governar por decreto durante 12 meses. / 295 horas de aparições presidenciais na televisão só num semestre: em média, mais de hora e meia por dia. / Deputada da oposição vê revogado o mandato popular que recebeu das urnas. / Presidente da câmara de San Cristóbal, capital estadual e a sétima maior cidade do país, destituído e detido por recusar reprimir manifestantes. / Outro autarca eleito por voto popular - Enzo Scarano, de San Diego -- condenado a dez meses de prisão efectiva pelo mesmo motivo. / Jornais em risco de fechar por falta de papel. / 2118 detenções em 56 dias de brutal repressão política. / 39 mortos e 559 feridos nestes dois meses. / Jovem grávida assassinada. / Indignação popular passa a ser criminalizada. / Direito à manifestação é severamente restringido. / Militares usados para reprimir protestos. / Infecções respiratórias aumentam 30% devido ao abuso de gás lacrimogéneo. / Presidente exige que os proprietários vendam imóveis aos inquilinos. / Amnistia Internacional denuncia meia centena de casos de tortura. Eis a "democracia" venezuelana em todo o seu esplendor.»

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 02.04.24

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Francisca Prieto: «Um dia atravessei esta ponte para chegar à Ásia. A Ásia é Almada por uma pena.»

 

João André: «Fica então a minha declaração de intenções: tentarei sempre que possível não escrever sobre política nacional. Se ceder à tentação, peço que me desculpem. Se a argumentação falhar será sempre porque a frustração se me terá sobreposto à lógica e à reflexão cuidada. Pelo meio tentarei compensar isso com mais posts sobre futebol. Afinal de contas aproxima-se um mundial e o ópio, se não resolve os problemas do povo, pelo menos ajuda a esquecê-los por um pouco.»

 

Marta Spínola: «Há muitas vezes um silêncio quando alguém diz mal do facebook ou outra rede social. Se calhar por não acharmos fundamental defender, cada um está onde quer estar, quem não quer ter nenhuma não tem e vivemos bem assim. Mas depois há estes momentos em que acho o silêncio injusto. Cada um fará o que entender com o facebook, e se for só ter jogos pois seja. Eu uso para tudo e mais um par de botas.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «No contexto da austeridade vivida em Portugal, que não começou ontem, com cortes a torto e a direito, reformas amputadas, e o "estado social" de pantanas, não deixa de ser curiosa a forma como alguns autarcas, profissionais da política no pior sentido e simples carreiristas, se foram "abotoando" com dinheiros públicos. Mesmo que os recebimentos tivessem sido legais, seria sempre eticamente duvidoso e moralmente criticável que autarcas a tempo inteiro, que por sê-lo já têm todo um conjunto de benesses que a maioria não alcança, ainda pudessem receber senhas de presença pagas com dinheiros públicos para participarem em reuniões às mesmas horas em que exercem as suas funções de autarcas. Vinte mil euros num ano é o que muitos, ainda que qualificados, não conseguem receber nesse mesmo período. Recebê-lo em senhas de presença, procurar depois justificar o que se recebe

 

Eu: «"O primeiro objectivo do novo Governo será devolver a força à nossa economia. Quem cria empregos são as empresas - e não há injustiça maior do que o desemprego. Por isso propus o Pacto de Responsabilidade, com menos encargos para as empresas e mais investimento. É um gesto de confiança dirigido a todos os protagonistas económicos e todos os parceiros sociais.» Excerto de um discurso de Passos Coelho? Não: são palavras de François Hollande, anunciando aos franceses que formaria um novo Governo, liderado por Manuel Valls. Por coincidência ou talvez não, a personalidade mais à direita do Partido Socialista Francês. "Righting Hollande", observa o Wall Street Journal com manifesta ironia. Antiga "lufada de ar fresco" para Seguro. Antiga "janela de esperança" para Soares. La fenêtre est fermée

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 01.04.24

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Adolfo Mesquita Nunes: «O tempo vai passando de tal forma que a noção de começo quase nos parece antiga e, de certa forma, desaprendida. Num tempo de começos, volto aqui.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «Aos que em Portugal pugnam por mais alterações à lei da greve, e que em pleno século XXI ainda se queixam do defunto Conselho da Revolução, ficaria bem que agora dissessem uma palavra sobre o assunto. Quanto mais não fosse, por exemplo, para defenderem uma aproximação da lei da greve nacional, sei lá, à lei colombiana. Todos os que ficaram, e ficarão, em terra compreenderiam a oportunidade da intervenção. E a necessidade de se aumentar esses tesos dos pilotos alemães.»

 

Eu: «Mário Soares, no seu habitual espaço de opinião do Diário de Notícias, surge hoje especialmente indignado. Desde logo com a coligação governamental. E não faz a coisa por menos: este é um "Governo de corruptos". Eis um passo em frente, depois de lhes ter chamado "delinquentes". Esqueceu-se já do tempo em que enaltecia sem rodeios o "sentido de Estado" de Passos Coelho...»