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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 26.06.19

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Ana Vidal: «Michael Jackson não era só aquela aberração estética que todos conhecemos. Não era só o eterno protagonista de atitudes polémicas, chocantes até, que o transformaram numa espécie de freak show ambulante. Não era só uma patética encarnação de Peter Pan. Era também um dançarino único e um músico cheio de talento.»

 

Cristina Ferreira de Almeida: «Como fugir ao cliché? O homem era genial.»

 

J. M. Coutinho Ribeiro: «Havia quem não gostasse de Sócrates, porque era um «animal feroz». E havia quem gostava de Sócrates, porque ele era um «animal feroz». Ao mudar de figurino, arrisca-se a que os não gostavam dele continuem a não gostar - a mudança cheira a falso -, e os que gostavam começam a deixar de gostar - desiludidos. Costuma ser este o fim dos políticos de plástico.»

 

João Carvalho: «Ao anunciar hoje que o Governo vai vetar o negócio da compra da TVI pela PT, o primeiro-ministro desdiz o que tinha dito ontem: que o governo não estava informado sobre aquele negócio e que nem tinha de estar. Ainda escaldado com o episódio caricato da véspera sobre o recente arguido do caso Freeport e o ministro da Agricultura, José Sócrates volta a ficar mal na fotografia.»

 

José Gomes André«A confirmar-se esta notícia, o primeiro-ministro mentiu descaradamente na Assembleia da República. Não sou de me exaltar com facilidade, mas tal ocorrência parece-me ser de uma extrema gravidade.»

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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 25.06.19

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Ana Margarida Craveiro: «Não faz mal nenhum juntar eleições, guardem lá os vossos medos de subalternização (e de quem, já agora?) e libertem-nos de mais um mês de campanhas.»

 

Ana Vidal: «A sugestão de que existe, sequer, uma "segunda vista", é fatal, porque tudo devia ser e parecer claríssimo à primeira. Pergunto-me como pode o BCP ter aprovado uma campanha que é um verdadeiro tiro no próprio pé.»

 

Jorge Assunção: «É trocar vendeu por comprou e Olivedesportos por TVI e a situação é a mesma. Talvez algum jornalista queira perguntar a Augusto Santos Silva se «estranha» o negócio que agora está em cima da mesa.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «Não acredito que a Drª Manuela Ferreira Leite queira ser defenestrada pelos seus correligionários a cerca de três meses das eleições legislativas. O Verão ainda agora entrou. Há-de passar-lhe.»

 

Eu«Expressões que detesto (18): "Mudança de paradigma".»

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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 24.06.19

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Cristina Ferreira de Almeida: «Quando o Ricardo Costa convida comentadores para discutir algum assunto ficamos sempre a conhecer com minúcia o pensamento de Ricardo Costa.»

 

João Carvalho: «Portugal não tem investido em caminhos-de-ferro coisa que se veja e, quando o fez (Porto-Lisboa), foi um fracasso ao preço do ouro. Sabem que mais? Deixem as autoestradas e apostem na linha férrea nacional – maior economia, menor poluição, menos acidentes e vantagens para as mercadorias – que devia ser um bem essencial e é uma vergonha.»

 

José Gomes André: «Infelizmente, continuamos a preferir debater pessoas em vez de debater ideias, a analisar "currículos" e intenções, em vez de reflectir sobre propostas e valores.»

 

Teresa Ribeiro: «Se a PT comprar mesmo 30 por cento da Media Capital e na sequência do negócio o José Eduardo Moniz for afastado, quem será o feliz contemplado com o cargo de director geral da TVI? - enquanto assisto ao debate que decorre na RTP N sobre a entrevista que Manuela Ferreira Leite deu hoje à SIC Notícias dou comigo a meditar sobre este assunto. Enquanto oiço Carlos Abreu Amorim, Rui Tavares e Emídio Rangel, os comentadores residentes da RTP N, pergunto-me sobre isto e traço o perfil: será alguém com experiência em televisão e de preferência um fervoroso apoiante de José Sócrates. Óbvio. Tão óbvio que até parece que já o estou a ver.»

 

Eu: «Só o PSD preconiza a realização simultânea dos dois actos eleitorais [legislativas e autárquicas], ao que parece para "poupar dinheiro". É um argumento medíocre: no limite, a abolição de todas as eleições seria bastante mais barata para o País, que nem por isso ficaria mais bem servido com essa "suspensão da democracia". (...) Ainda para mais tratando-se do partido que mais dinheiro admite ter gasto na campanha europeia, o que torna o argumento da "poupança", vindo de quem vem, totalmente falacioso. A campanha autárquica e a campanha legislativa não devem ser fundíveis nem confundíveis sob pretexto algum.»

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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 23.06.19

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João Carvalho: «A Régua dos romances clássicos, o Douro profundo ladeado pelos terraços de vinhedos e a região que é Património Mundial são retalhos nostálgicos de História que só o velho trem, lamuriento e fumarento, traduz na perfeição. Não se sabe por quanto tempo mais. Vão por mim.»

 

Jorge Assunção: «Por muito que o discurso do BE seja diferente do discurso do PCP (o que também é fruto do primeiro dirigir-se a um segmento mais jovem, enquanto o segundo continua preso a um eleitorado mais velho), quando chega a hora de colocar no papel as medidas que julga necessárias para o país, o BE faz fotocópia das medidas do PCP.»

 

Paulo Gorjão: «Se o alvo fosse Manuela Ferreira Leite ou alguém da sua direcção, Pacheco Pereira neste momento já trepava as paredes indignado e incomodado com tanta insídia. Como não é, assobia para o lado. É por estas e por outras que, por estes dias, lhe reconheço muito pouca legitimidade para se vir armar em Calimero e em vítima.»

 

Eu: «Sócrates passou incólume nesta nada inocente piscadela de olho a uma certa direita que ainda não desistiu de se deixar fascinar por uma certa esquerda. O homem sabe-a toda. Quem o considerar derrotado de antemão comete um profundo erro de análise: daqui até às legislativas, ele actuará com a obstinação de um comandante experimentado em campo de batalha. Está em jogo um dos combates da sua vida.»

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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 22.06.19

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Ana Vidal: «Toca a pintar de cor-de-rosa os monumentos, a despir hospedeiras e empregadas de mesa, a abrir todas as praias ao nudismo, a transformar os hotéis de 5 estrelas em motéis de fantasias e fétiches, a distribuir algemas e chicotes à porta dos museus, a servir só pratos picantes e afrodisíacos nos restaurantes, a encher de almofadas as estações do Metro e a dar novos usos aos varões das carruagens... enfim, é só puxar pela imaginação e seremos ricos em breve. Afinal era tão simples!»

 

João Carvalho: «Manuel Pinho está na RTP. Ele é o ministro de quem se fala. Nem sempre bem, é verdade, mas isso são as injustiças do mundo. Quando a crise ia começar e ele disse que a crise já tinha passado, acham que ele não sabia disso? Puro engano. O ainda ministro da Economia é um visionário, um homem muito para lá deste tempo. Ele já vai no ano 2012. Manuel Pinho é um incompreendido por ser um homem muito à frente.»

 

Teresa Ribeiro: «A cidade pelo estio enche-se de pezinhos em esforço a suar as estopinhas, inchados, doridos, mas sexy. Um fetiche. Para eles e também para elas, bailarinas graciosas que flutuam um palmo acima do chão, apesar das bolhas e das pequenas deformações que se anunciam.»

 

Eu«O PS governou 11 dos últimos 14 anos em Portugal, em boa parte, porque o PSD andou ao longo de todo este tempo menos empenhado em derrotar os socialistas do que a lutar contra si próprio. É fundamental lembrar isto agora antes que a doutrina de Pacheco comece a fazer escola - à semelhança do que sucedeu no passado, com os brilhantes resultados que estão à vista.»

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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 21.06.19

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João Carvalho: «Plastificado recentemente, Sócrates julga-se reinventado. A versão de plástico é tão exagerada que não convence. Seguir-se-á o regresso ao passado, inevitavelmente. É como a Lili. Cada vez que reaparece com nova plástica, ninguém acredita que tenha ressuscitado. Umas semanas e alguns raios de sol depois, a coisa começa a estalar.»

 

Paulo Gorjão: «Um partido que não consegue acomodar as suas sensibilidades internas dá algumas garantias de o conseguir a nível parlamentar e nacional? Não é por nada, mas recordo que uma das linhas de argumentação contra José Sócrates era a sua intolerância. Pelos vistos, não é o único.»

 

Teresa Ribeiro: «É este o segredo e a beleza de Pranzo di Ferragosto. O parco investimento de Gianni di Gregorio, argumentista de carreira, nesta sua inusitada estreia como realizador teve um retorno que ultrapassou todas as suas expectativas.»

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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 20.06.19

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Teresa Ribeiro: «Recolhi, esta semana, a informação no i: em Espanha há pacotes turísticos para lésbicas que oferecem hotel, massagem, casamento e... filhos. São tentadores, estes pacotes. Incluem sauna, massagem, tratamento facial e alojamento num hotel de cinco estrelas em quarto duplo, incluindo pequeno-almoço. Os responsáveis acreditam nas potencialidades do seu negócio: "Queremos atrair o maior número de lésbicas de outros países", dizem. Ignora-se se as crianças vêm com algum certificado de garantia ou se, por exemplo, é possível trocá-las por pontos, caso saiam em duplicado.»

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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 19.06.19

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João Carvalho: «Os resultado das recentes provas nacionais de aferição dizem tudo sobre a qualidade e exigência (?) do ensino em Portugal: 90% de notas positivas a Português e a Matemática do 4.º ano; 90% de positivas a Português e 80% a Matemática do 6.º ano. MilagreSanta Maria de Lurdes salvou o País, 27 ministros depois

 

Leonor Barros: «Parabéns, Chico! 65 anos de puro talento.»

 

Eu«Toda a pintura genial é um jogo de espelhos, permitindo múltiplas leituras a cada olhar. Talvez nenhuma seja tão ilusória, tão cheia de subentendidos, como As Meninas, de Velázquez (1656). Trata-se, na aparência, de um simples retrato da infanta Margarida, menina de cinco anos, filha mais nova de Filipe IV de Espanha e de Mariana da Áustria. Mas aqui todas as aparências iludem. E a perplexidade aumenta à medida que nos deixamos seduzir por este quadro, considerado por muitos críticos o melhor de todos os tempos.»

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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 18.06.19

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André Couto: «Frontal e transparente. Íntegro. Presente de rosto, corpo e alma em todas as suas causas. O que muitos dizem ser mas que poucos, muito poucos são. Isto foi Carlos Candal. Por todas as vezes que gritaste "Liberdade!": Obrigado, Camarada!»

 

João Carvalho: «Há um modo masculino de vestir com que embirro solenemente: rejeitar a gravata, mas usar blazer por cima de camisa para gravata. Não sei bem por quê, mas embirro. Talvez seja pelos colarinhos que não assentam, cheios entretela, rijos, com um dos lados descaído por dentro do casaco e o outro lado a espreguiçar-se cá fora todo esticado. Aquilo acaba por nunca assentar bem.»

 

Eu«Facilmente se compreende este objectivo estratégico do PS: é hoje impossível governar um país em crise com os socialistas a valerem eleitoralmente apenas mais cinco pontos percentuais do que a soma BE+PCP. Ao procurar estreitar os 21% de apoio eleitoral agora obtidos à esquerda do PS, Sócrates não se limita a cuidar da sua sobrevivência política: acaba por prestar também um serviço ao próprio PSD.»

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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 17.06.19

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Ana Vidal: «Como quem atira um rebuçado ao povo, a provar a nova humildade acabadinha de aprender com a derrota eleitoral, Sócrates admite finalmente ter errado em alguma coisa. Pena ter sido logo na cultura.»

 

João Carvalho: «A Ana Lourenço está na SIC-Notícias com um entrevistado. Ele tem a camisa branca como o primeiro-ministro, tem a gravatucha monocromática como o primeiro-ministro, tem o cabelo cinzento à escovinha como o primeiro-ministro. Ele tem a colocação de mãos estudada do secretário-geral do PS, tem os olhares estudados do secretário-geral do PS, tem as inflexões vocais estudadas do secretário-geral do PS. Tem tudo igual. Menos a voz: fala quase em surdina.»

 

Jorge Assunção: «Na prática, as ideias do bloco garantiriam um Portugal mais pobre, onde seriam cada vez menos os "ricos" a quem sacar rendimento. Onde o assistencialismo seria a norma e o incentivo à iniciativa individual, alicerçada na defesa da meritocracia, seria cada vez menos valorizado.»

 

Paulo Gorjão: «O PSD votará a favor da moção de censura apresentada pelo CDS. Marcelo Rebelo de Sousa entende que o PSD deveria abster-se. Admito que sim, mas parece-me uma discussão relativamente irrelevante. Ambas as posições são defensáveis. Ambas têm vantagens e inconvenientes. No essencial, tudo isto é espuma.»

 

Eu: «Mudou o registo vocal, permanecem os auto-elogios no discurso deste homem cada vez mais insensível aos ecos da sociedade. "Eu estou muito satisfeito comigo", concluiu Sócrates. Parece não ter aprendido nada com as europeias além da conveniência em falar num tom menos estridente. Aprenderá mais alguma coisa com as legislativas?»

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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 16.06.19

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Jorge Assunção: «Na comparação com igual período do ano passado, o número de dormidas aumentou, mas os proveitos diminuíram. Para Junho a situação não deverá ser diferente. Afinal de contas, as pessoas talvez adoptem comportamentos típicos para um país em crise.»

 

José Gomes André: «Agora que o Bloco de Esquerda se vê a si mesmo como um partido sério, valeria a pena conhecer verdadeiramente o seu programa político. Estou a falar de posições concretas, e não das vacuidades que habitam o seu site e o habitual lema "partido contra-poder".»

 

Paulo Gorjão: «Uma vez mais, a sintonia entre Aníbal Cavaco Silva e Manuela Ferreira Leite é indisfarçável.»

 

Eu: «Expressões que detesto (13): "Família afectiva".»

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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 15.06.19

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João Carvalho: «Tem-se acentuado de há uns anos para cá: à medida que o linguajar empobrece, as pessoas tendem a dizer todas as mesmas coisas com as mesmas palavras. Já não é um mero problema de "moda", mas sim de escandalosa falta de vocabulário. Fruto, necessariamente, de estarmos a criar gerações com mais habilitações e menos conhecimentos.»

 

José Gomes André: «Não sou de fazer grandes previsões, mas suspeito que se os socialistas continuarem a tomar os eleitores por parvos, terão mais uma desilusão eleitoral muito em breve.»

 

Leonor Barros: «Deixei Eulálio ontem à noite mas continua comigo, o velho Eulálio d’ Assumpção, Lalinho, Lálá, Lilico, a prova evidente de que Leite Derramado vale a pena.»

 

Paulo Gorjão: «Há algumas personagens que insistem em não perceber que o problema está na substância, ou na sua ausência e não propriamente no papel de embrulho. Continuam entretidos com o acessório, ignorando o essencial. Depois a culpa é do burro do eleitorado que não os percebe.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «A unidade e a unanimidade acrítica em torno de um líder que conseguiu tornar-se fraco – não convém ter ilusões – e que se deu (e cedeu) ao flanco, não o torna forte. Os membros da direcção política nacional do PS tinham obrigação de ser os primeiros a perceberem isso e a transmiti-lo a José Sócrates.»

 

Teresa Ribeiro: «A diferença entre o espectáculo das eleições "democráticas" do Irão e isto é que ao primeiro falta a eficiência e o requinte que sobra ao que emana - de acordo com os fanáticos que o governam - da vontade de Deus.»

 

Eu: «Pacheco Pereira investe contra os habituais ódios de estimação, nomeadamente aquilo a que chama "jornalismo de rebanho". Mas investe sobretudo contra os ex-adversários internos de Manuela Ferreira Leite, escamoteando um relevante pormenor: a escassíssima margem de progressão do PSD nestas europeias exige um partido unido, sem fracturas, nos dois próximos actos eleitorais. Exige um partido com o discurso oposto ao de Pacheco.»

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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 14.06.19

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João Carvalho: «Portas abertas, o líder do CDS-PP deu uma entrevista intimista ao Expresso e disse que se sentiria muito feliz por ser pai. Parece não haver problema: o PSD começou logo a piscar-lhe o olho. Falta perceber o rebento que poderá sair do possível casório. À força e em segundas núpcias.»

 

José Gomes André: «Ficamos a saber que a Secretaria de Estado do Desporto atribuiu a Tiago Monteiro um milhão de euros para promover uma tal "Marca Portugal", numa competição onde o referido piloto nem chegou a participar. Um verdadeiro regabofe...»

 

Teresa Ribeiro: «Quando um partido de contrapoder atinge uma expressão eleitoral que lhe permite chegar ao poder, o que faz? Atrofia, ou começa subtilmente a adaptar o discurso à sua nova realidade?»

 

Eu: «Não acreditem nos relativistas morais. Ao contrário do que eles dizem, as fronteiras entre o bem e o mal não foram abolidas. Estão aí, à vista de todos. Só não vê quem não quer.»

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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 13.06.19

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Paulo Gorjão: «Manter ao longo da vida uma linha de coerência no confronto com a circunstância não é fácil. António Barreto, na sua recente reflexão de 10 de Junho, quando abordou e nos exortou a ser (e a seguir) exemplo(s), no fundo estava (também) a reflectir sobre os portugueses e a sua circunstância. Maldita circunstância que nos oprime e nos derrota. Os exemplos servem também para isso, i.e. para nos mostrar que é possível escolher um outro caminho, apesar da -- ou graças à -- circunstância. Para nos mostrar que existe uma alternativa. Ninguém nos promete um caminho de facilidade, mas sim de liberdade, de escolha e, porventura, de realização pessoal.»

 

Teresa Ribeiro: «Há dias fui à Costa. Já não ia lá desde o Verão passado. Subi a Rua dos Pescadores em direcção à praia, como de costume, e alunei em estado de choque numa espécie de unidade fabril. Da minha praia, nem sinais. O fantástico Pólis, a que Sócrates - famoso pelas obras de engenharia que tem assinado - deu orgulhosamente luz verde quando ainda era ministro do Ambiente, acabou com a praia da Caparica.»

 

Eu: «José Sócrates rasgou promessas eleitorais, como a do referendo europeu e a da garantia de que não subiria os impostos. Transformou cada sessão parlamentar, mês após mês, num ajuste de contas com os seus antecessores no Governo. Elaborou, em Setembro de 2008, o orçamento para este ano sem fazer a mínima ideia da profundidade da crise económica. Cometeu o erro supremo de hostilizar o Presidente da República em questões como o estatuto dos Açores. Confundiu o acto de governar com acções de propaganda em sessões contínuas. Permaneceu indiferente aos sinais de profundo desagrado que lhe chegavam dos mais diversos sectores da sociedade portuguesa. Esqueceu-se, enfim, que a política é a arte do possível. Tudo devido à maioria absoluta de que dispôs no Parlamento. Não a repetirá

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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 12.06.19

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André Couto: «Uma coisa está à vista de todos: será a decisão entre voltar a Manuela Ferreira Leite, Pedro Santana Lopes e Paulo Portas, ou seguir o caminho traçado por quem apagou os fogos quando tudo ardia, José Sócrates e António Costa, os mesmos que voltaram a dar dignidade ao País.»

 

Jorge Assunção: «Encontro alguma imoralidade quando estes clubes de futebol, com tantos milhões, são ajudados financeiramente pelo poder local ou central. Portugal, nesse aspecto como em tantos outros, é um péssimo exemplo. A construção de dez maravilhosos estádios de futebol a propósito de um evento em 2004 está ai para demonstrá-lo.»

 

Paulo Gorjão: «Paulo Portas quer envolver o Presidente da República nos seus números de circo. Se Aníbal Cavaco Silva se descuida acaba a legitimar manobras circenses. Espero que o Presidente da República tenha repentinas dificuldades de agenda que, infelizmente, impossibilitem uma rápida audiência com o líder do PP.»

 

Eu: «José Sócrates tem coleccionado mais derrotas do que vitórias. Perdeu as autárquicas em Outubro de 2005, ganhas pelo PSD de Marques Mendes. Perdeu duplamente as presidenciais de Janeiro de 2006 - o seu candidato, Mário Soares, foi copiosamente derrotado por Cavaco Silva e Manuel Alegre. Perdeu as regionais da Madeira em Maio de 2007 - em termos eleitorais e também por falta de comparência, pois nem se dignou participar numa só acção de campanha dos seus camaradas socialistas no Funchal. E acaba de perder as eleições europeias para o PSD de Manuela Ferreira Leite, vendo o PS relegado para a pior votação de sempre em números absolutos

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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 11.06.19

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Ana Vidal: «Acabo de ouvir na televisão que um rapazinho de vinte e poucos anos foi vendido por 94 milhões de euros. Não vou falar de como acho imoral esta notícia em tempos de crise, descansem. Não, a minha reflexão é bem mais prosaica e umbiguista: pergunto-me qual será a sensação de sabermos exactamente quanto valemos. O mais perto que estive disso foi em Marrocos, mais ou menos com a idade dele: uma quantidade considerável de camelos, segundo me garantiu um façanhudo árabe que parecia apreciar os meus dotes. Nada que se compare, portanto, até porque o negócio não foi avante. Enfim, resta-me a fraca e ilusória consolação de me agarrar à ideia de que, ao contrário do rapazinho, eu não tenho preço.»

 

Paulo Gorjão: «Note-se como José Pacheco Pereira evita criticar Manuela Ferreira Leite atirando em exclusivo a culpa para Santana Lopes. Estamos a falar da mesma Ferreira Leite que escolheu Paulo Rangel, contra tudo e contra todos. Da mesma Ferreira Leite que vetou outros nomes para as autárquicas.»

 

Eu: «Soares não acerta uma desde a sua malograda campanha presidencial de 2006. Andava há anos, por exemplo, a prognosticar com tão aparente convicção uma imparável maré eleitoral de esquerda por toda a Europa que alguns chegaram mesmo a acreditar no que dizia.»

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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 10.06.19

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Paulo Gorjão: «Recomendo vivamente a leitura do discurso de António Barreto, em especial as últimas duas páginas, nas quais faz a apologia da cultura do exemplo. É isso mesmo. É isso que nos falta, i.e. elites que possam servir como quadro de referência e de exemplo. Líderes que sejam um exemplo. Bons exemplos em vez dos exemplos de merda que hoje proliferam como vírus.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «Há muito que considero, sem deixar de continuar a defender a separação entre o público e o privado, ser indispensável uma renovação das mentalidades e dos mecanismos de recrutamento, selecção e avaliação das nossas classes dirigentes, em especial da classe política.

 

Teresa Ribeiro: «Não fossem as várias empresas de sondagens terem repetido à exaustão que o PSD iria perder estas eleições, nunca a tímida vitória do PSD teria o impacto que teve. Os social-democratas bem podem agradecer-lhes.»

 

Eu: «A democracia representativa fez marcha-atrás nestas europeias, em que se registou a mais baixa taxa de participação eleitoral de sempre. Um facto que deve fazer pensar todos os políticos: a Europa não se constrói sem votos. Como ensinava Tácito há vinte séculos, "para aqueles que só ambicionam o poder não há meio caminho entre o cume e o precipício".»

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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 09.06.19

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Adolfo Mesquita Nunes: «O que estes resultados demonstram é que o sistema partidário tende para a esquerda, com crescimentos eleitorais inéditos em toda a Europa. Ao contrário do que possa pensar-se, o que estes resultados autorizam não é a moderação socialista na governação mas, isso sim, o seu reforço. E isto não pode ser vitória para a direita.»

 

João Carvalho: «Ando baralhado com a omnipresença do Risco Sistémico em Portugal. Vem o ministro das Finanças e fala no Risco Sistémico. Vem o primeiro-ministro e fala no Risco Sistémico. Vem o governador do Banco de Portugal e fala no Risco Sistémico. Pergunto-me: será o Risco Sistémico amigo da Mudança de Paradigma?»

 

Paulo Gorjão: «Em 2005 votei em José Sócrates. No dia em que percebi que Sócrates era um pragmático absoluto (o que aconteceu ainda em 2005) e que não olhava aos meios para atingir os fins -- ou algo muito próximo -- ficou para mim claro que o secretário-geral do PS não voltaria a ter o meu voto.»

 

Eu: «O crescimento evidente das forças centrífugas nestas europeias enterrou de vez a reforma institucional, confirmando que Bruxelas pretendeu dar o passo maior que o pé ao fazer aprovar em petit comité, na cimeira de Lisboa, um documento à revelia da vontade real dos povos. Só falta mesmo o Partido Conservador chegar ao poder em Londres e concretizar aquilo que os trabalhistas deviam ter posto em prática: um referendo sobre o tratado.»

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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 08.06.19

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Cristina Ferreira de Almeida: «Como dizia a minha avó, não há mal que sempre dure. Ontem à noite, de repente, comecei a sentir que, se calhar, se formos com jeitinho, isto ainda pode vir a ser um sítio civilizado.»

 

João Carvalho: «A má escolha de Vital Moreira acabou por ser um monumental erro de José Sócrates. A falta de fair play demonstrada com a suposta quebra de uma boa tradição, como foi não terem cumprimentado de viva voz o vencedor, revelou ainda um mau perder insuportável, embora só possam queixar-se deles próprios.»

 

Paulo Gorjão: «Termino com uma nota sobre a suposta derrota que Pedro Passos Coelho terá sofrido ontem. Não é por nada, mas acho que estão a ver mal o filme. Em toda a linha. Depois falamos.»

 

Eu: «Que não haja qualquer dúvida: o grande derrotado da noite eleitoral é José Sócrates. Mas Vital Moreira não ajudou nada. Mesmo nada. Somou sobranceria à arrogância do primeiro-ministro, juntando o inútil ao desagradável.»

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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 07.06.19

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Coutinho Ribeiro: «Será que este resultado das "europeias" é o fim do socratismo? Respondo: Não sei. Mas sei que se o PSD não tivesse vencido, o fim do socratismo não estaria para breve. Agora tudo é possível. Foi a pensar que seria esse o sentimento de muitos portugueses, que não hesitei em vaticinar - antes do fim do jogo... - a vitória de Paulo Rangel.»

 

Eu: «Encerrado no seu pequeno reino de yes men, preocupado quase em exclusivo com acções de propaganda, José Sócrates terá sido o último a perceber os indícios de mudança. Só mesmo ele poderá espantar-se com este divórcio entre o PS e os eleitores. Há quatro anos vivíamos melhor.»

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