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Delito de Opinião

DELITO há cinco anos

Pedro Correia, 24.01.26

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João Pedro Pimenta: «Posso desde já dizer, sem surpresa, que o meu voto, não me reconhecendo em todas as suas ideias, vai para Tiago Mayan. Não fosse ele e não saberia em quem votar.»

 

JPT: «Sou um verdadeiro democrata. Ou seja, nunco digo "gripe chinesa". Mas preocupo-me com a " variante inglesa". Ainda irei a interseccionalista... abissal.»

 

Maria Dulce Fernandes: «Ter tempo é estar vivo e estar vivo é cada vez mais um luxo

 

Pedro Belo Moraes: «Entre o Marcelfie, o táctico afectuoso, o calceteiro com Tino de nome, a Ana péssima em campanha Gomes, o Tiago dos cartazes melhores que ele, o Ventura das atoardas lançadas da mesa do café, a Marisa maior que o partido que a apoia mas também ela em queda, o João da cassete PC Ferreira, uns maus outros piores, entre todos eles e a sempre eterna Isabel II, Carlos XVI Gustavo, o rei dos Suecos ou Rama X, soberano da Malásia, preferirei os nomes do primeiro grupo. Afinal, e em bom rigor, nos do segundo nem poderia votar, só levar com eles. Ser-me-iam impostos. Não teria escolha e a minha opinião de nada valeria. A poucos dias de ir escolher o Chefe de Estado de Portugal não imagino pior e mais triste pesadelo.»

 

Eu: «Chegou mais um processo eleitoral, anunciado com cinco anos de antecedência. O País vive desde Março debaixo de sucessivos estados de emergência, agrilhoado pelo coronavírus que matou mais de mil pessoas só na semana passada. O Governo, como barata tonta, manda-nos ficar em casa em nome do cumprimento dum dever cívico e manda-nos sair de casa em nome do cumprimento doutro dever cívico. Tudo ao mesmo tempo.»

DELITO há cinco anos

Pedro Correia, 23.01.26

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Carlos Sousa: «Tinha a primeira consulta em Agosto de 2020 para rever a medicação, foi adiada para Dezembro de 2020 e já foi novamente adiada para Março de 2021. Será que o gabinete do cardiologista em Santa Maria também foi ocupado com doentes covid? Ou vou ter de apanhar covid para ter uma consulta de cardiologia em Santa Maria?»

 

JPT: «Há onze meses que seguimos ajoujados sob este Covid-19, e há muito que se espera e teme uma nova vaga infecciosa. A qual chegou. Estamos no topo mundial dos fustigados, no pico da pior crise que o país conhece desde há décadas. E o poder político convoca-nos a sair à rua e a visitar ambientes basto-respirados para votar. Durante todos estes meses ninguém no Estado, eleito ou funcionário, pensou em organizar o adiamento das eleições – se necessário ou recomendável. Inépcia, inacção, incompetência. Irrazão.»

 

Paulo Sousa: «Vale a pena ir votar. Mesmo quando os nossos governantes nos falham, o que infelizmente é frequente, podemos levantar o queixo e afirmar que fizemos a nossa parte. Amanhã, não tenham medo do vírus e vão votar. É muito mais importante, e tão pouco arriscado como ir ao supermercado comprar ração para o gato. Votem em quem entenderem, com liberdade e consciência. Eu vou votar no Tiago Mayan, pois graças a ele temos uma alternativa decente ao socialismo.»

 

Susana V.: «Longe de mim desvalorizar o vírus. Mas é preciso perceber que estas medidas de confinamento não fazem nada para travar o vírus. Aliás, é impossível eliminar um vírus disperso na comunidade sem a vacinação significativa da população (nem as ratazanas, as pulgas e os piolhos se conseguem exterminar, quanto mais os vírus). É preciso haver eficiência na gestão dos recursos para tratar os doentes graves e proteger a população mais vulnerável (mas nunca contra a sua vontade). E continuar a viver.»

 

Eu: «Eis que chega o chamado "dia de reflexão". Em que as figuras tutelares do Estado nos tratam como atrasados mentais. Coitados de nós: precisamos de espremer as meninges durante 24 horas, em recatado silêncio, para ponderar em que quadradinho haveremos de inscrever um xis.»

DELITO há cinco anos

Pedro Correia, 22.01.26

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José Meireles Graça: «Anteontem, Belzebu deixou Washington e entrou o Arcanjo Gabriel, com hino de Lady Gaga, sob comedido aplauso local e entusiástico entre nós. Excepto pelo amor do cozido à portuguesa, sinto-me muito pouco irmanado com a maior parte dos meus concidadãos.»

 

Eu: «Há palavras que nunca devem ser usadas na propaganda política. Uma delas é a palavra "Força" - destacada nestes cartazes destinados a promover a candidata Marisa Matias. Inútil explicar porquê: basta um ligeiro retoque para dar lugar a Forca, algo de que todos fogem e ninguém elege. Apetece perguntar onde teria a cabeça quem produziu tão infeliz ideia. Se isto acontecesse há uns anos, confesso que me espantaria. Porque o Bloco de Esquerda habituou-nos a ser bom na propaganda. Acontece, no entanto, que as coisas mudam: alguns dos seus membros mais qualificados nesta área migraram discretamente para o PS ou desiludiram-se do activismo político, desligando-se do partido. Os que foram ficando ou surgiram depois têm muito menos engenho e arte. E percebem pouco ou nada das subtilezas da língua portuguesa.»

DELITO há cinco anos

Pedro Correia, 21.01.26

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João Sousa: «Campanha minimal? O que foi o primeiro mandato de Marcelo senão uma longa e dispendiosa campanha eleitoral?»

 

Sérgio de Almeida Correia: «Por agora, sabemos apenas que começou uma viagem e que todos, dentro e fora dos EUA, esperam da dupla Biden/Harris quase o impossível. De que ainda assim o mais fácil era começar por fazer esquecer, o que conseguiu, o troglodita a quem sucedeu. E esse só por si seria um bom começo.»

 

Eu: «Mais de 200 portugueses a morrer por dia, só com Covid – o equivalente a um avião cheio de passageiros cair todos os dias em Portugal, como escreveu o João Vieira Pereira. Mesmo assim, esta classe política foi incapaz de dar o passo que se impunha: suspender a putativa “campanha eleitoral” que por aí anda, supostamente para "contactar com os eleitores", quando eles (todos nós) estão obrigados a cumprir o "dever geral de confinamento", sob pena de pesadíssimas multas, ou lutam pela saúde e pela vida em unidades hospitalares sem capacidade de resposta para atender os pacientes. Não entender que a tal “campanha” já devia ter sido suspensa é simplesmente obsceno. E mais um sinal de que esta gente vive totalmente alheada da realidade.»

DELITO há cinco anos

Pedro Correia, 20.01.26

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Cristina Torrão: «O cinema português está novamente de parabéns. O filme “Desventuras em Bragança”, o drama de uma tia e seu sobrinho ciganos, foi galardoado com o prémio Bolsonaro, na categoria de melhor argumento original. É sabido que este prémio não é apreciado pelos vultos da cultura, mas não deixa de ter impacto internacional.»

 

João Sousa: «Sim, os números preocupam e as imagens consternam. Mas a base da nossa tragédia é isto: o SNS não precisa do Covid para entrar em colapso com a chegada destes frios de Janeiro - tem conseguido fazê-lo muito bem sozinho.»

 

JPT: «Eanes demitiu governos e constituiu os seus, Soares bateu-se com Cavaco, Sampaio demitiu governos maioritários, Cavaco restringiu-se mas em surdina marcou. E este pateta apenas troca de cuecas em público, roça-se, sem pudor, no povo, partilha bolos com os meninos, fotografa-se. E mente.»

 

Paulo Sousa: «As rupturas do nosso SNS são frequentes nesta época. As queixas dos utentes que são assistidos pelo mesmo médico de manhã nas urgências e à tarde no privado, e que empurram assistências de um lado para o outro, só existem por não haver coragem nem condições políticas para fazer reformas, para fixar médicos e enfermeiros e a mantê-los motivados.»

DELITO há cinco anos

Pedro Correia, 19.01.26

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João Pedro Pimenta: «Admito que fosse difícil, ou mesmo legal e constitucionalmente impossível, alterar as datas das eleições presidenciais para mais tarde. A questão é: porquê em Janeiro? Por causa do prazo da tomada de posse do Presidente? Isso não é alterável? Recordo que as primeiras eleições presidenciais tiveram lugar em Junho (de 1976). E que há uns anos, as autárquicas, que eram tradicionalmente em Dezembro, passaram a ser em Outubro também com o argumento, se não estou em erro, do frio. Então porquê essa obstinação em manter estas eleições no mês mais gélido? Decididamente, a república e os seus actos de afirmação não ajudam nada.»

 

Paulo Sousa: «Qual teria sido o desempenho do nosso tão partidarizado SNS, somado à eficácia dos nossos serviços públicos, considerando a independência dos técnicos superiores da Administração Pública, juntamente com o rigor do nosso Ministério da Administração Interna, sem esquecer a capacidade de decisão e clareza no discurso do nosso PM e ainda mais com a firmeza do nosso PR, se.... em vez de no mercado de Wuhan, o vírus SARS-COV2 tivesse surgido no mercado de Alvalade, da Nazaré ou de Famalicão?»

 

Sérgio de Almeida Correia: «Recordo-me de ter querido comprar máscaras em Portugal, no final de Janeiro e início de Fevereiro de 2020, e de não as haver disponíveis para venda. Foi preciso encomendá-las. E de não haver qualquer controlo nas fronteiras e nos aeroportos. Ainda ninguém tinha pensado nisso.»

 

Teresa Ribeiro: «Em pleno pico da pandemia, a minha amiga Madalena, jornalista de profissão, é obrigada a cumprir esta penitência. Na sexta-feira lá vai ela sair de casa e meter-se nos transportes públicos para comparecer numa reunião que vai durar a manhã inteira, onde gente de várias proveniências se vai juntar na mesma sala, simplesmente para assegurar que não lhe cortam o subsídio. Ou seja, enquanto exorta os trabalhadores a ficar em casa, este governo continua a exigir aos desempregados que desconfinem. Porquê? Porque sim!»

 

Eu: «Aquelas 260 mil pessoas que se inscreveram para o voto antecipado tinham um objectivo: escapar às hipotéticas filas do domingo que vem. Azar: acabaram por esperar muito mais tempo para poderem votar. Algumas chegaram a aguardar duas horas, em condições dignas de um país do Terceiro Mundo e potenciadoras de novos contágios por Covid-19. Um retrato perfeito do vírus da incompetência que tem atacado com força o Governo. E que, sem olhar a cores políticas, atacou também o que resta da suposta e silenciosa oposição.»

DELITO há cinco anos

Pedro Correia, 18.01.26

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Cristina Torrão: «O disparate de não podermos votar por correspondência aumenta de dimensão em tempos de pandemia. O consulado de Hamburgo, por exemplo, além de não ser espaçoso, fica num 4º andar. Em caso de grande afluência, como organizar a fila de espera?»

 

JPT: «Em 1994 durante meses trabalhei na missão de observação eleitoral das primeiras eleições democráticas na África do Sul, nas quais Mandela ascendeu a presidente. Foi um período magnífico! Se conflitos e temores subsistiam tudo isso coexistia com o enorme alívio no final daquela maldita ditadura racista e uma alegria esfuziante no dia-a-dia, traduzindo uma vaga de esperança em melhores futuros.»

 

Eu: «Quase 200 vítimas mortais todos os dias em Portugal, só devido à Covid-19. Somos já o país do mundo com maior número de novas infecções e o quarto também à escala global com mais óbitos per capitaTemos mais mortos por milhão de habitantes do que os EUA. Enquanto este drama sem desfecho à vista assombra o quotidiano de milhões de portugueses, algumas microcaravanas presidenciais andam por aí preocupadas com batons. Não pode haver maior indício do abismo que existe hoje entre políticos e pessoas comuns. Esta gente não se enxerga?»

DELITO há cinco anos

Pedro Correia, 17.01.26

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João Campos: «Não seremos amanhã quem somos hoje, nem manteremos no futuro todos os pontos de vista que defendemos no passado. É normal que assim seja. Mais do que isso: é necessário. Ao contrário do que se pensa, a coerência não é exactamente uma virtude, algo desejável de preservar incondicionalmente - à partida, durante as nossas vidas continuamos a aprender, a crescer, a evoluir. Só os fanáticos se mantêm coerentes ao longo do tempo, e fazem-no através da mais absoluta imobilidade.»

 

José Meireles Graça: «Pedro Arroja foi em tempos alvo de uma queixa-crime por difamação (ou injúrias, já não recordo bem) por causa de umas coisas relativamente inócuas que disse sobre, salvo erro, o político Rangel. Processo esse que acabará possivelmente no Tribunal Europeu dos Direitos do Homem e com a condenação, tão habitual que já ninguém fica escandalizado, do Estado Português.»

DELITO há cinco anos

Pedro Correia, 16.01.26

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Paulo Sousa: «A voz rouca do motor bicilíndrico quase que gritou quando enrolei o punho do acelerador. Em poucos metros já rolava velozmente numa sequência de curvas pela Estrada da Beira a fora. O sol estava esplendoroso, incidia de viés, sem perturbar a visibilidade, afinando quase ao máximo a intensidade das cores. O efeito pendular invertido da chamada força centrífuga, mudando de direção em cada curva, combinado com a velocidade e contrariado pela resistência aerodinâmica, era inebriante. Seria difícil melhorar aqueles instantes. De repente tive a sensação que estava a conduzir na Capadócia, onde nunca estive.»

DELITO há cinco anos

Pedro Correia, 15.01.26

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Paulo Sousa: «Soubemos há dias que o Ministério Público mandou vigiar jornalistas e acedeu às respectivas contas bancárias. A embrulhada é de tal ordem que o comum mortal prefere poupar-se ao esforço de entender os detalhes de mais um atropelo às instituições do Estado de Direito, encolhe os ombros e muda de canal. (...) Mais incrível ainda é o silêncio a que a própria classe jornalística relegou este caso, em que é colocada em causa.»

 

Eu: «O "presidente dos afectos", que distribuía abracinhos e beijinhos, deu agora lugar ao "presidente dos infectos", que se resguarda de si próprio na solidão do lar. Quem diria que se trata do mesmo intrépido aventureiro que noutro século se atreveu a mergulhar na poluição do Tejo?»

DELITO há cinco anos

Pedro Correia, 14.01.26

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Paulo Sousa: «Desde a primeira contaminação Covid da família, até ao momento actual, nada teria sido possível sem um profundo sentido de humanidade, com especial destaque para os profissionais médicos envolvidos. Não que duvidássemos do sentido de missão e de devoção pelo outro que move, e durante uma pandemia mais do que nunca, um exército de devotados servidores da medicina, mas se há histórias que merecem ser celebradas, esta é uma delas.»

 

Pedro Belo Moraes: «Admirador dos Estados Unidos da América que sou, a Trump não lhe perdoo tê-los tornado pequenos no Mundo. O nacionalismo bacoco, o isolacionismo estéril, a rejeição do multilateralismo criaram mais desordem e incerteza no globo.»

 

Teresa Ribeiro: «Percebo o transtorno que representa ter os sub-12 em casa. Mas e os outros? A população adolescente e pré-universitária, que obviamente é a que mais assume comportamentos de risco, andará por aí à solta enquanto os pais se confinam. E confinam-se então para quê? Só se for para entubar a economia, antes que a liguem às máquinas, pois que em termos sanitários não vamos sentir grande diferença, pois não?»

 

Eu: «Há sete candidatos, com uma média de idades de 50,5 anos (o mais velho tem 72 anos, o mais novo festeja amanhã o 38.º aniversário). Até agora, não ouvi uma palavra de qualquer deles sobre a deserção dos jovens. Apesar de poucos temas terem a gravidade que este tem.»

DELITO há cinco anos

Pedro Correia, 13.01.26

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José Meireles Graça: «Em Ventura não posso votar. O principal problema do país não são os ciganos, nem a imaginária excessiva brandura do Código Penal, nem a suposta falta de poderes das polícias (pelo contrário: a ideia de que, para fazer cumprir a lei, são necessários atropelos a direitos individuais é uma chantagem típica de direitistas raivosos e acéfalos – para esse peditório não dou). O problema sério é a economia, e dentro desta o conjunto de razões pelas quais o país não cresce. E, sobre isso, Ventura debita truísmos pouco convincentes.»

DELITO há cinco anos

Pedro Correia, 12.01.26

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José Meireles Graça: «Reforçar a votação em Marcelo serve para reforçar a sua majestade vácua, e para mais coisa nenhuma.»

 

Paulo Sousa: «Eu vi as imagens, e de facto o nosso PR estava irritado. Bem sabemos do seu talento em representar o típico gajo tuga. Cheguei mesmo a pensar que, num excesso de inspiração teatral, lhe ia sair uma daquelas clássicas: “Isto só neste país, pá!”. Mas não. Lá se conteve.»

 

Eu: «Estas presidenciais pós-natalícias têm vindo a transformar-se num nítido nulo, totalmente dominadas pela pandemia em curso. Os protagonistas políticos cederam palco aos virologistas. Existe apenas um vago ruído de fundo nos fugazes intervalos da monotícia Covid. A democracia segue dentro de momentos.»

DELITO há cinco anos

Pedro Correia, 11.01.26

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José Meireles Graça: «Para termos um Presidente que reina, talvez não fosse pior optar pela monarquia: ao menos o Rei tinha fardas de gala, entretínhamo-nos com as trincas e mincas da Família Real, ganhávamos uma visibilidade internacional que ajudava o turismo que há-de voltar, e ficava-nos mais barato.»

 

Paulo Sousa: «Queremos uvas sem grainha, batatas-fritas sem gordura, café sem cafeína, partos sem dor, coca-cola sem açúcar e de caminho acabamos por aceitar que os políticos digam meias-verdades e a acreditar que conseguem equilibrar as contas sem fazer cortes. Uma “leslatura” é um mandato de quatro anos, e em caso de abusos podemos recorrer à “Constuição”. Agora é assim.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «Os números do covid-19 voltaram a disparar em todo o mundo. No Japão, na Coreia, em Portugal, no Reino Unido, na Alemanha, e até na China, onde havia sido pomposamente decretada a vitória do Partido Comunista sobre o vírus e mais de nove milhões já terão sido vacinados, voltaram a surgir casos locais em diversas regiões.»

 

Eu: «Este foi o debate em que emergiu um vencedor mais nítido. Marcelo, receando a abstenção por parecer vencedor antecipado, só mobiliza votos vitimizando-se. Precisava do pretexto que Ana Gomes lhe serviu quando cedeu à tentação da demagogia. Na sombra, António Costa terá sorrido: o seu candidato saiu-se bem neste western da campanha, galopando em triunfo na pradaria.»

DELITO há cinco anos

Pedro Correia, 10.01.26

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Cristina Torrão: «Imaginei-o a escrever à moda antiga, a esferográfica a deslizar sobre a folha do caderno que lhe meti no saco. A única tecnologia que o Horst tem com ele é um telemóvel comprado há sete ou oito anos. Não quis que lhe levasse o tablet, não usou a internet, desde que entrou no hospital. E, ao contrário de mim, é alérgico a redes sociais.»

 

João Sousa: «Blade Runner foi filmado, sem um único fotograma gerado por computador, há 40 anos. Quarenta! Muitos dirão que aquele mundo continua hoje a parecer real e palpável apesar de não haver CGI. Eu digo de outra forma: continua hoje a parecer real e palpável precisamente por não haver CGI.»

 

José Meireles Graça: «Com o Chega!, tem-se um partido radical de direita, que vem preencher um vazio, no caso apimentado com o ódio aos vícios, compadrios e distorções que a hegemonia do centrismo e, recentemente, uma versão socialista mais virulenta, acumularam no sistema. A personalidade do líder cola bem a um partido deste tipo, vociferante, indignado, topa-a-tudo em havendo causas sem patrocínio. A candidatura de Ventura é uma etapa na caminhada para chegar, não à Presidência, mas a um futuro governo de coligação.»

 

JPT: «O histórico Diário de Notícias publica hoje um texto apelando aos suicídios de Trump e de Bolsonaro, bastante parecido com um outro do mesmo autor (o brasileiro Ruy Castro) publicado no Folha de São Paulo. (...) E é neste quadro deontológico que a sua direcção manda publicar apelos à morte de estadistas estrangeiros. Peculiar abordagem. Enfim, que a clientela do jornal lhe faça bom uso.»

 

Maria Dulce Fernandes: «Será 2021 o ano em que Portugal coloca ao "leme" uma mulher? Se as candidatas à Presidência da República forem sempre tão consensuais como demonstrou o tom cordial do primeiro debate televisivo, têm uma excelente hipótese de fazer história.»

 

Paulo Sousa: «A pandemia interrompeu a já clássica prova de atletismo, mas o novo formato abriu-se a um público muito mais abrangente. A identidade da prova continua a basear-se no atletismo trail, mas este ano ajustou-se, e em vez de tudo acontecer numa manhã de domingo, a prova está a decorrer de 1 de Janeiro até 21 de Fevereiro.»

 

Eu: «Incapaz de subir ao nível de Marcelo, Ana Gomes optou por descer ao nível de André Ventura. O maior triunfador deste confronto de segundas linhas foi assim o grande ausente: Rebelo de Sousa. Aconchegado por todas as pesquisas de opinião e pela clamorosa inépcia dos adversários, o presidente recandidato só tem a recear uma abstenção elevadíssima.»

DELITO há cinco anos

Pedro Correia, 09.01.26

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José Meireles Graça: «Ou se aceita com humildade que o nosso voto é irrelevante ou, ficando em casa porque não vale a pena, se reforça a influência dos que nunca ficam e se enfraquece a democracia, que é, como é sabido, um regime abominável, com excepção de todos os outros.»

 

JPT: «Tantos contestaram José Rodrigues dos Santos e todos se calam diante de algo muitíssimo mais intenso nesta "naturalização" do nazismo. Um silêncio que é muito significativo deste "pensamento crítico" em voga: há quem não possa espirrar que logo é apupado. E há quem diga as atoardas que quer, que logo é louvado (e "partilhado").»

 

Maria Dulce Fernandes: «A 7 de Outubro de 1974 voltámos ao liceu. Foram cerca de três meses de férias grandes, as mais alegres e emocionantes até então. Era a liberdade recém-adquirida em todo o seu esplendor a aveludar o calor do verão e a trazer música e cor ao nosso pensamento, ao nosso comportamento e, claro está, às cordas vocais. Não havia local de veraneio sem um pequeno comício, que terminava invariavelmente com música ao vivo e muita alegria.»

DELITO há cinco anos

Pedro Correia, 08.01.26

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João André: «A atitude de Trump perante qualquer norma democrática (e ao longo de todo o seu mandato, não apenas nos últimos meses) não é uma mancha. Mancha no mandato é o que teve Bill Clinton quando perdoou Marc Rich ou mentiu para esconder um encontro sexual.»

 

João Pedro Pimenta: «Ao ver as imagens do "índio" a encabeçar a invasão do Capitólio, só posso pensar que o slogan de Trump era afinal de contas "make America indian again" (desculpem não usar "first nations", como agora se usa em correctopolitiquês, mas realmente não ficava bem). Aquelas imagens devem ter deixado todas as repúblicas das bananas a rir-se, ou pelo menos a sentir-se vingadas.»

 

JPT: «No Dia de Reis de 2021 a "década" acabou - esta, que tanto demonstrou essa fragilidade. Findou de modo algo sanguinolento. Mas como farsa. Resta-nos, acima de tudo, olhar os farsantes e seus adeptos, seja lá qual for a sua "identidade", como o que são: farsantes. Alguns malévolos. A maioria apenas imbecis. E combatê-los. Com denodo, aos primeiros. E com infinita ferocidade aos outros, pois muito mais perigosos. E numerosos. Vera pandemia que são.»

 

Paulo Sousa: «O país está sem rumo. É incapaz de se reformar e, tal como um sabonete numa pia molhada, vai deslizando sem oposição, numa velocidade crescente em direcção ao próximo sobressalto. A questão de fundo não é se vamos voltar a ser sacudidos pela realidade, mas apenas quando é que isso irá acontecer. A culpa desta vez será da pandemia.»

 

Eu: «Tive de ouvir duas vezes para acreditar. Uma candidata à Presidência da República afirma solenemente na televisão que não queria ter responsabilidades nesta hora difícil de combate à pandemia - verdadeira prioridade nacional. Então candidata-se para quê ao cargo supremo do Estado português? A pergunta ficou por fazer no debate. Mas faço-a eu aqui.»

DELITO há cinco anos

Pedro Correia, 07.01.26

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Cristina Torrão: «A demência total legitimada por um (ainda) Presidente psicopata.»

 

João Campos: «Vale sempre a pena recordar aquela que será talvez a tira mais famosa do xkcd, um melhores webcomics ainda em actividade.»

 

José Meireles Graça: «No início do seu mandato escrevi um artigo em que previa que correria bem. Era o tempo em que se se anunciava a III Guerra Mundial e as sete pragas do Egipto que se abateriam sobre o mundo e a América. Correu bem. E acabou mal. Donald Trump não soube estar à altura da sua obra.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «O candidato Marcelo, com todos os seus defeitos, apesar de tudo, merecia ter outro leque de convivas. Admiro-lhe o poder de encaixe, naquela sua postura evangelizante, e até um certo estoicismo na forma como recebe as críticas que lhe são dirigidas. E como ouve alguns dislates que não seriam tolerados nas mesas de matraquilhos de algumas tabernas que outrora existiam em Lisboa.»

 

Eu: «Nesta campanha, o solitário parlamentar do Chega apenas triunfará se forçar Marcelo a uma segunda volta. À falta disso, resta-lhe um prémio de consolação: conquista o Troféu Basílio Horta. Aos mais distraídos, convém recordar que o candidato da "verdadeira direita" nas presidenciais de 1991 é hoje presidente da Câmara de Sintra, eleito pelo Partido Socialista. A vida dá muitas voltas. E a geometria partidária também.»

DELITO há cinco anos

Pedro Correia, 06.01.26

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João André. «E este fascismo tem um nome.»

 

João Sousa: «A fotografia publicada hoje na primeira página do Público parece-me tão apropriada por parecer estarem ambos a lavar as mãos - como dois Pilatos.»

 

JPT: «Devem ser todos amigos. Pois os locutores da tv agoram tratam os candidatos presidenciais pelo primeiro nome. A alguns: que é o João, o Vitorino, o André, a Marisa, o Tiago. E eles também se tratam assim, uns aos outros. Debatem e depois devem ir conviver ("mamar uns copos", diria a Temido da Saúde).»

 

Eu: «Faça-se justiça a Pacheco Pereira: ele continua a criticar sem desfalecimentos o governo. Mas não este: o governo que ele ataca com vigor é o de Passos Coelho. Com aquela gravitas que sempre demonstra mesmo quando abre a boca para dizer que amanhã vai estar de chuva.»

DELITO há cinco anos

Pedro Correia, 05.01.26

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João Sousa: «É coincidência, seguramente, que o irmão de José Guerra tenha sido quem viabilizou, enquanto presidente do Instituto de Conservação da Natureza, a construção do Freeport. É coincidência, de certeza, que José Guerra tenha sido nomeado pelo governo de José Sócrates para o Eurojust quando "já decorriam investigações à viabilização e implantação do outlet em Alcochete". É coincidência que um dos seus colegas no Eurojust tenha sido José Lopes da Mota, suspenso por 30 dias em 2009 por pressões exercidas sobre os procuradores que investigavam em Portugal o caso Freeport.»

 

José Meireles Graça: «Eu gosto das redes, sobretudo do Facebook, e na minha bolha aprendo com frequência alguma coisa, divirto-me com os disparates, espanto-me com a ignorância, aborreço-me com gente pomposa e irrito-me com cretinos que querem çalvar Portugal a golpes de indignações avulsas, maiúsculas, pontos de exclamação e confessada admiração pelas eructações do dr. Ventura.»

 

JPT: «Talvez que sendo Boris Johnson a assumir agora estas medidas, e este discurso, isso possa calar os patetas da direitalha, esses que julgam que ser "liberal" é contestar a dimensão desta pandemia e as medidas restritivas que esta impõe. Que lhes demonstre o quão medíocres intelectualmente vêm sendo, dia-a-dia, nestes meses.»