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Delito de Opinião

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 20.08.22

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Helena Sacadura Cabral: «A religião não deveria ser, nunca, poder político. É algo profundamente pessoal, que deverá constituir uma escolha e jamais uma imposição. E os ateus têm tanto direito a sê-lo como aqueles que o não são.»

 

Eu: «"O senso comum diz-nos que a nossa vida mais não é do que uma brecha de luz entre duas eternidades de treva", dizia Vladimir Nabokov. Lamento que confundamos tantas vezes a luz com as trevas e as trevas com a luz

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 19.08.22

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Ana Vidal: «Federico Garcia Lorca, o homem que amou a poesia acima de tudo, morreu há 75 anos. Foi fuzilado a 19 de Agosto de 1936, aos 38 anos. Pouco tempo antes, tinha dito a um amigo: "Sinto uma grande inquietação. É uma inquietação de viver, como se amanhã me fossem tirar a vida".»

 

Costa: «Um povo que não lê - a não ser os três jornais diários (!) de futebol - e as revistas de (perdoem-me a palavra) "sopeiras". Donde, um povo para quem a única visão que interessa do idioma que falam é a funcional: entende-se o que se diz? Óptimo! Escrever não é problema, porque não se pratica. E para uma comunicação apenas rudimentar, uma fala ou escrita embrutecida serve muito bem.»

 

José António Abreu: «Será precisamente pela superior garantia de «servilidade» que muitos homens até preferem a adulação de outros homens. Por isso e por tradicionalmente constituir uma demonstração mais evidente de poder. Quanto à adulação feminina, consegue, de facto, ser parecida com afecto: resta saber se por exclusiva responsabilidade das mulheres, se por leituras enviesadas e quase sempre de índole sexual (aliás, muito pouco coadunáveis com a imagem de uma mãe ou de uma irmã) dos homens.»

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 18.08.22

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Rui Rocha: «Não sei se o Melgarejo dará um bom lateral esquerdo. É, em todo o caso, um excelente finalizador

 

Eu: «Pensava eu que um ditador é isso mesmo: um ditador. Nada disso: é um "líder histórico". Uma, duas, três, quatro vezes "líder histórico". A notícia é da agência Lusa, mas pelo estilo podia ser da Prensa Latina, o que não impediu a sua repercussão acrítica em diversos órgãos de informação portugueses, o que diz muito sobre a qualidade do nosso jornalismo. Temos de ler a imprensa estrangeira para vermos uma correspondência correcta entre o nome e a coisa. Aqui, por exemplo. Nunca imaginei que por cá fosse tão difícil escrever uma simples palavra de sete letras. Estou com muita curiosidade de saber qual será a próxima vez que a Lusa a utilizará.»

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 16.08.22

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José António Abreu: «Com a regra do primado da fonética a ganhar terreno, "navegasão" já nem sequer constitui erro grave; apenaz um atu de vanguardizmu.»

 

José Navarro de Andrade: «Em 2008 o parlamento do Peru propôs um fenomenal plano de reconstrução de raiz de Cerro de Pasco noutro lugar, mas como das palavras aos actos a distância sul-americana é ainda maior do que a portuguesa, ainda estão todos à espera, lá cima, que alguma coisa aconteça. Entretanto, além deste drama abissal Cerro de Pasco passa por ser uma das urbes mais poluídas à face da terra – chumbo e zinco, lembram-se?, dos metais mais tóxicos que há.»

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 15.08.22

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Helena Sacadura Cabral: «A primeira-dama francesa, que trabalha como jornalista numa revista de celebridades, tentou proibir a imprensa de publicar fotos suas em biquini. Afinal, não é só em Portugal que estas questões se põem...»

 

José António Abreu: «Como nos casos de Graham Greene, Evelyn Waugh, Flannery O'Connor e de muitos outros escritores católicos do século XX (o século em que a crença religiosa passou a constituir um anátema para os intelectuais), a relação de Chesterton com a fé não estava isenta de dúvida; era antes uma busca constante por sinais de que ela tinha razão de ser, no pressuposto de que era necessária.»

 

Patrícia Reis: «É um filme de sempre. Será para mim o filme do corte do dedo, do Harvey Keitel nu, de uma Holly Hunter calada, sublime, de uma miúda a tentar perceber a vida, de uma ideia de mar e de perplexidade. A música? A música é eterna.»

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 14.08.22

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Ivone Mendes da Silva: «Hoje tive de viajar de comboio até uma cidade do centro do país, tratar de um assunto e voltar no primeiro comboio de regresso.  Acabei, todavia por não conseguir ser tão célere quanto pretendia e fiquei, ainda, um belo bocado à espera. Quando olhei em volta só vi gente feia, a começar obviamente por mim, de cabelo em desalinho e outros desmazelos. Parecíamos todos ter saído de quadros de Frans Hals (1580-1666), um pintor flamengo ainda da estética barroca, mas já com um pé na pincelada impressionista.»

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 13.08.22

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Helena Sacadura Cabral: «Eu sei que estamos na silly season. Mas até neste campo há limites à parvoeira nacional, sobretudo em jornais cujo passado nos faz pensar que continuam a merecer o nosso respeito. Lamentável!»

 

Rui Rocha: «Inicio hoje uma série diária, que durará até ao fim de Agosto, com imagens de famosos quando eram crianças. A resposta sobre a identidade de cada uma delas será publicada na imagem do dia seguinte.»

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 12.08.22

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André Couto: «Estamos fartos da crise. Não queremos blogues sobre a crise. Estamos em Agosto e em Agosto não se recomendam blogues sobre política, porque a política foi a banhos e os problemas suspenderam-se. Queremos um blogue de férias, que transmita boa disposição e viva mergulhado em paixão.»

 

José António Abreu: «E agora, durante quatro anos, dezenas de modalidades desportivas ficam novamente remetidas à obscuridade. Sendo que se alguma coisa os Jogos Olímpicos demonstram é que, em termos de espectacularidade, o futebol está longe de justificar a hegemonia de que goza na maior parte do planeta. Como os norte-americanos costumam referir, trata-se de uma modalidade em que nada acontece durante a maior parte do tempo e é também das poucas onde se pode verdadeiramente jogar para o empate – com frequência, a zero.»

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 11.08.22

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J. J. Amarante: «A Economia é a nova religião no sentido de haver uma Verdade Revelada nas instituições universitárias que a disseminam e de ser preciso fé para acreditar nela, porque quando a realidade por vezes aparentemente a desmente os verdadeiros crentes sabem que o longo prazo (convenientemente desconhecido) lhes dará razão. Os resultados das medidas que tomam não precisam de ser comparados com o que se esperava porque se sabe que ou são já bons ou sê-lo-ão na eternidade que espera por nós.»

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 10.08.22

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Ana Vidal: «No dia em que Jorge Amado faria cem anos, aqui fica, em jeito de homenagem, este terno testemunho da sua filha Paloma. A pintura é dela também, que à família nunca faltaram talentos. Filha de peixe - e de sereia - sabe nadar como ninguém.»

 

Rui Rocha: «Zita Seabra denunciou, o DELITO DE OPINIÃO apresenta provas. Na imagem, recolhida em meados da década de 80 do século passado, elementos de célula comunista agindo com a cobertura de identidades falsas correspondentes às de normais trabalhadores da FNAC, instalam microfone em aparelho de ar condicionado de gabinete ministerial. Registe-se a sofisticada técnica utilizada, resultado de longas horas de instrução ministrada por especialistas da ex-RDA.»

 

Teresa Ribeiro: «Natalie Portman destaca-se enquanto caminha, de cabeleira encarnada, no meio da turba. Na direcção oposta vem Jude Law. Um acidente fá-la desmaiar e acordar quase nos braços dele, um cliché que ameaça continuar a sê-lo, embora em versão pós-moderna, quando ao abrir os olhos ela lhe diz, com uma expressão atrevida: "Hello, stranger". Mas este início de conto de fadas não dura o bastante para embalarmos. Closer (2004), de Mike Nichols, que vi em estreia no cinema em 2005, é um filme cáustico, duro, inclemente

 

Eu: «Neste dia em que se assinala o centenário do seu nascimento, recordo com particular emoção as personagens de Jorge Amado nos livros que constituem o mais precioso legado deste escritor que devia ter sido distinguido com o Nobel da Literatura. O António Balduíno, de Jubiabá. Pedro Bala, Gato e Volta-Seca, de Capitães da Areia. O Guma, desse maravilhoso e encantatório Mar Morto. A inesquecível Gabriela. A Tieta do Agreste. A Dona Flor, que tinha dois maridos.»

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 09.08.22

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José António Abreu: ««Sempre pela passadeira, sempre pela passadeira, ouviste?», dizia o homem de sessenta e tal anos para o miúdo de seis ou sete que agarrava pela mão ao subirem para o passeio após atravessarem a rua do Campo Alegre, no Porto, com o semáforo vermelho.»

 

Luís Menezes Leitão: «Fico cada vez mais perplexo com os apelos de Cavaco Silva. Agora vem apelar ao BCE para começar desde já a comprar títulos da dívida portuguesa e irlandesa. Até pode ser que o apelo seja muito justificado, mas Cavaco Silva é o Chefe de Estado de Portugal e não pode colocar-se numa posição de inferioridade, a fazer pedidos públicos a um funcionário não eleito, como Mário Draghi. Pela minha parte, estava à espera de tudo, menos de ver o Presidente de Portugal a apelar à compra de títulos da dívida portuguesa. E ainda mais perplexo fico quando inclui no mesmo pacote a Irlanda, excluindo no entanto a Grécia.»

 

Rui Rocha: «Que Sanchez Gordillo pague então pelo seu delito e que se desmonte publicamente a sua intenção. Mas que não se esqueça que a ferida está aí. Em Espanha como em Portugal. E que se tenha em conta que quanto mais pagarem os Gordillos, mais legítimo será perguntar quanto pagaram os outros. Os que não assaltam mercearias à luz do dia, nem praticam demagogia com a distribuição de alimentos. O problema essencial é pois esse de saber quanto pagaram até agora os políticos desbragados, os ideólogos da promessa fácil feita para não ser cumprida, os compinchas venais e os protegidos do regime por toda a sua desmedida cupidez. O problema não é pois declarar a ilegitimidade dos actos de Gordillo. O problema é constatar  que a legitimidade dessa declaração depende mais da autoridade formal do Estado do que da sua autoridade moral.»

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 08.08.22

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José Navarro de Andrade: «Os deuses romanos queriam bem à humanidade, intervindo amiúde no seu curso com benevolência e amparo. Em troca só pediam respeito, venerado com oferendas de sangue. Não eram como aquela identidade remota e inapelável dos cristãos, uma seita fremente e carrancuda, estranhamente influenciada pela superstição judaica. O deus deles só se exprimia através de catástrofes e castigos, assim patenteando o seu desprezo pelos homens.»

 

Luís Menezes Leitão: «Como é bom ser empresário em Portugal, especialmente na área das energias renováveis. Anunciamos um simples projecto para criar uma fábrica de painéis solares e logo o Estado nos auxilia, acarinhando o nosso projecto. Precisa de dinheiro? Não se preocupe. O Estado disponibiliza-lhe desde já 128 milhões de euros no âmbito do QREN. Faz-lhe falta um terreno para instalar a sua fábrica? Não se preocupe. A Câmara Municipal compra já o terreno por um milhão de euros e a seguir vende-lho a si por uns módicos 100.000 €. E ainda há gente que acusa Portugal de não estimular o empreendorismo. Que enorme falsidade!»

 

Rui Rocha: «Neste tema não há boas discussões. A única posição aceitável é a negação radical da pena de morte em qualquer circunstância, mesmo naqueles casos em que os crimes cometidos são tão hediondos que despertam em nós a vertigem de fazer Justiça com as nossas próprias mãos. A oposição à pena de morte não acrescenta nada à indignidade de quem comete certos crimes. Mas diz tudo sobre a dignidade da comunidade que se opõe à execução.»

 

Teresa Ribeiro: «Contemplar um quadro de Bosch é ver o que escondemos. Foi por isso que esse génio louco tanto me atraiu quando o descobri, mal saída da idade do armário. Ver uma reportagem sobre os horrores da guerra é sobrepor as imagens às do Inferno do pintor holandês e perceber que se ajustam. Ler um romance sobre um torcionário, como por exemplo, A Festa do Chibo, de Llosa, é trocar a grande angular pela teleobjectiva.»

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 07.08.22

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José António Abreu: «Se, como parece, a privatização da RTP passa por vender a RTP2 e manter a RTP1 em moldes próximos dos actuais, mais valia o governo estar quieto. O Estado não precisa de um canal generalista com novelas, concursos e programas de entretenimento similares aos dos canais privados que, a prazo, acabará custando o mesmo ou (o que sucederá à publicidade?) ainda mais do que a RTP tem custado. Mas percebe-se que não é fácil largar um certo controlo (ou, no mínimo, uma certa sensação de controlo) sobre a informação.»

 

José Navarro de Andrade: «Grande desgraça: o Tapadão fechou! O Alentejo está mais pobre. O Tapadão era o mais banal dos restaurantes, situado numa anódina vila alentejana. Agora, que já não há nada a perder, diga-se que era em Monforte.»

 

Rui Rocha: «A produtividade é o Santo Graal da economia portuguesa. Todos a procuram mas ela não se deixa encontrar. Agosto é uma boa altura para falar dela. Para uns, a causa da baixa produtividade portuguesa é a indolência (ou mesmo a malandrice) dos trabalhadores. Para outros, é o sistema de ensino que não prepara profissionais qualificados. Muitos referem os custos de contexto e a incapacidade de o Estado fazer a sua parte, nomeadamente ao nível da burocracia e da celeridade da Justiça. Outros tantos referem a falta de visão dos empresários.»

 

Teresa Ribeiro: «Quem trabalhou no período que ficou perdido entre o que se convencionou chamar "época de ouro do cinema português" e o cinema novo atravessou o deserto, mas protagonizou histórias que dariam elas próprias um filme. O da tua vida, que hoje completa 93 anos, poderia chamar-se Cinema Paraíso parte II. Parabéns, tio.»

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 06.08.22

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Ivone Mendes da Silva: «Quando me abeirei do segundo divórcio, entendi que não precisaria de me preocupar com a indumentária, pois nem a ocasião nem as circunstâncias estavam imbuídas de tanto pathos como as do primeiro acto mas, pelo sim pelo não, usei um casaco comprido de tweed e uma écharpe num encarnado profundo, um rosso veneziano, porque o requerente gosta de Tintoretto e eu achei que era um gesto simpático.»

 

José Meireles Graça: «Um concurso exemplar pela isenção, elevação dos propósitos e forma perfeitamente democrática como decorreu o processo de votação. O prémio não foi, que me lembre, divulgado, mas tendo em conta o perfil da justa vencedora, permito-me sugerir uma esferográfica Bic com design da Gucci.»

 

Patrícia Reis: «Se um dos meus filhos tivesse menina seria quarta Pilar da família. Eu gosto do nome e não imagino nada mais certeiro para a minha mãe. Ela é um pilar na minha vida. Possa eu ser na dela. E assim, o melhor retrato será sempre a memória: a minha mãe abraçada aos amigos, surpreendida, coberta de flores e sacos com pequenas lembranças. Chegou aos 60 anos com o mesmo sorriso que lhe recordo de outros tempos e, contra marés e outros bruxedos, ainda cá estamos. Haja saúde

 

Rui Rocha: «Harrods acabou de inaugurar a primeira secção de brinquedos que será, alegadamente, de género neutro. No  Toy Kingdom, ao contrário do que costuma suceder, os brinquedos estão organizados por temas e não por género. A remodelação implicou um investimento de vários milhões de libras e foi conduzida por uma empresa especializada. O espaço inclui uma floresta encantada, um mundo de brinquedos em miniatura e uma sala de leitura. A julgar pelas fotografias, todavia, trata-se sobretudo de um golpe de marketing que visa aproveitar a onda dos jogos olímpicos e a vaga do politicamente correcto.»

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 05.08.22

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Ivone Mendes da Silva: «Quando me abeirei do segundo divórcio, entendi que não precisaria de me preocupar com a indumentária, pois nem a ocasião nem as circunstâncias estavam imbuídas de tanto pathos como as do primeiro acto mas, pelo sim pelo não, usei um casaco comprido de tweed e uma écharpe num encarnado profundo, um rosso veneziano, porque o requerente gosta de Tintoretto e eu achei que era um gesto simpático.»

 

José Meireles Graça: «Um concurso exemplar pela isenção, elevação dos propósitos e forma perfeitamente democrática como decorreu o processo de votação. O prémio não foi, que me lembre, divulgado, mas tendo em conta o perfil da justa vencedora, permito-me sugerir uma esferográfica Bic com design da Gucci.»

 

Patrícia Reis: «Se um dos meus filhos tivesse menina seria quarta Pilar da família. Eu gosto do nome e não imagino nada mais certeiro para a minha mãe. Ela é um pilar na minha vida. Possa eu ser na dela. E assim, o melhor retrato será sempre a memória: a minha mãe abraçada aos amigos, surpreendida, coberta de flores e sacos com pequenas lembranças. Chegou aos 60 anos com o mesmo sorriso que lhe recordo de outros tempos e, contra marés e outros bruxedos, ainda cá estamos. Haja saúde

 

Rui Rocha: «Harrods acabou de inaugurar a primeira secção de brinquedos que será, alegadamente, de género neutro. No  Toy Kingdom, ao contrário do que costuma suceder, os brinquedos estão organizados por temas e não por género. A remodelação implicou um investimento de vários milhões de libras e foi conduzida por uma empresa especializada. O espaço inclui uma floresta encantada, um mundo de brinquedos em miniatura e uma sala de leitura. A julgar pelas fotografias, todavia, trata-se sobretudo de um golpe de marketing que visa aproveitar a onda dos jogos olímpicos e a vaga do politicamente correcto.»

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 04.08.22

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Rui Rocha: «Clarisse Cruz é atleta olímpica. Com 34 anos, tem ocupação profissional a tempo inteiro e ainda consegue compaginar a sua actividade com os treinos como atleta do Sporting. Hoje, na eliminatória dos 3.000 obstáculos caiu. Ainda assim, arranjou forças para recuperar e para se classificar em 5º lugar, logo atrás de Marta Dominguez que já foi campeã olímpica. A respescagem por tempos para a final é a primeira medalha para atletas portugueses. Não é de ouro, nem de prata, nem de bronze. É uma medalha especial para os que nunca se deixam derrotar.»

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 03.08.22

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Luís Menezes Leitão: «Cada vez se torna mais evidente que os diversos países do euro vão sucessivamente cair como peças de dominó, arrastando a União Europeia para o colapso.»

 

Rui Rocha: «Agora, acordámos e constatámos que nos falharam. Não queremos voltar ao passado, porque passámos boa parte das nossas vidas, e com boas razões, a renegar Deus, a religião e a tradição. Consumimos no presente o melhor da ilusão que o futuro nos podia dar. A ciência é maravilhosa, mas não é capaz de impedir a guerra e o sofrimento. O futuro não está assegurado. Se não queremos o passado, se o futuro pode ser pior do que o presente e se, nessa medida, o presente é contaminado pela angústia do futuro, em que raio de tempo histórico podemos viver, encontrar paz e felicidade?»

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 02.08.22

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Ana Lima: «A palavra piada pode ter muitas. Freud estudou algumas e analisou o que faz com que uma determinada brincadeira ou piada nos leve ao riso e quais os elementos principais que lhe conferem essa capacidade (a técnica utilizada para a compor ou o pensamento nela contido, por exemplo). Miguel Pais do Amaral acabou de criar uma nova categoria. Que pena Freud já não estar cá para a analisar...»

 

José António Abreu: «Não quero ser demasiado optimista (é preciso respeitar o adversário, as hipóteses são de 50% para cada lado, o jogo só acaba quando o árbitro apita, etc.) mas estou confiante: tenho vários trunfos na manga, incluindo a outra e, na vertente feminina, quase obscena variante do voleibol: o de praia.»

 

José Navarro de Andrade: «Antes de morrer, Christopher Hitchens, o irredutível, forçou uma saída em grande e fez correr, não sangue mas fel. O alvo? Um velho de 84 anos, rico, impotente, pose de patrício: às vezes Calígula outras César Augusto, destituído de qualquer gota de amor, supinamente inteligente, absolutamente laureado – Gore Vidal.»

 

Laura Ramos: «Na prática, eu era uma miúda e ele não era político que me arrebatasse, como veio a acontecer com  Francisco Sá Carneiro, primeiro pela aversão, depois pela afinidade. Mas Eurico de Melo também não estava lá para isso... Guardo dele uma imagem de serenidade e de sageza, a que a encantadora pronúncia do Norte parecia acrescentar uma autenticidade vinda das profundezas da nacionalidade, assente nos séculos de exemplo tutelar dos nossos maiores.»

 

Eu: «Algumas dezenas de ursinhos de peluche lançados por uma avioneta sueca, com mensagens pró-democracia, fizeram tremer de indignação o ditador bielorrusso. Mas Lukachenko revelou bons reflexos: agindo rapidamente e em força, exonerou de imediato dois generais - o que tinha a responsabilidade máxima da defesa aérea e o que supervisionava a guarda fronteiriça do país, onde segundo o Observatório dos Direitos Humanos os opositores são perseguidos, as liberdades de associação e de reunião estão fortemente condicionadas e não existe nada a que possa chamar-se imprensa livre. Um fotógrafo independente já foi detido por se atrever a difundir fotos dos ursinhos democratas na internet.»

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 01.08.22

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Ana Cláudia Vicente: «Se reais consequências se registarem após o arraial mediático du jour em torno do triste processo de qualificação para as finais olímpicas em Badminton, menos mal. Não deixa de ser justo e irónico que tal aconteça num território educativo tão admirado pelo pedagogo que reinstituiu Os Jogos na contemporaneidade. Bem basta termos quase todos aceite que o futebol já não é o que era, e que muitas das regras básicas do desportivismo simplesmente deixaram de se lhe poder aplicar.»

 

Ivone Mendes da Silva: «Lembro-me de, quando era garota e tinha como meta a alcançar uma autorização da minha mãe para pintar as unhas de vermelho, ver muitas vezes a passear em Faro, na rua de Santo António, uma senhora que eu achava a quintessência da elegância. Usava uns vestidos de seda pesada e uns casacos de corte imperturbável. Pisava a calçada com uns saltos finos com se subisse as escadas do Scala. E eu queria envelhecer. E usar meias pretas e retocar o rosto com pó solto, com uma esponja aveludada segura na ponta das unhas vermelhas.»

 

Laura Ramos: «Gosto de quem pensa pela sua cabeça e não se deixa contaminar pela ideologia oficial (valha esta o que valha e que até pode ter razão, no seu anti-catastrofismo). Precisamos de consciência e dispensamos euforizantes.»

 

Rui Rocha: «Boris Johnson, o mayor de Londres, ficou literalmente preso no arame num evento de celebração dos Jogos Olímpicos realizado no Victoria Park. Entretanto, por cá, os nossos autarcas nada têm a temer: o arame já acabou há algum tempo.»